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O capoeirista e o jogador de capoeira

O primeiro aprende, o segundo treina.
Um ama, o outro gosta.
O capoeirista tece com sua vida a consciência de “ ser humano “
e o amor pela liberdade com responsabilidade.

O jogador de capoeira, luta, bate, apanha…transpira.
mas logo descansa e enfadado da lida, 
se aposenta…desiste!
O capoeirista é eterno.
O jogador de capoeira, fugaz.

O capoeirista sofre com a injustiça, tem sentimento.
O jogador de capoeira, fútil, não percebe
que o fundamental da vida é a reciprocidade do bem.

O capoeirista é fraco, frágil, resistente, eterno.
O jogador de capoeira é forte, quase invencível, 
efêmero, passageiro.

O jogador de capoeira luta anos, para aprender a lição.
O capoeirista aprende a lição e luta para que os outros,
seus camaradas, sigam o caminho.

Um, é eleito pelo reconhecimento 
Da comunidade e de seus discípulos.
O outro, pelo temor de seus inimigos e admiradores…

O primeiro é sábio, reflete
o segundo inteligente, pensa.
Um é intuitivo, o outro, instintivo.

O jogador de capoeira, bate, ataca, fere.
O capoeirista, se defende, esquiva, resiste.

O jogador de capoeira se limita a um padrão.
O capoeirista é livre para criar.
A um pertence a criatividade, 
ao outro o automatismo.

Um aprende de fora para dentro, passa pela vida.
O outro de dentro para fora, vive.
O primeiro é comandado pelo espírito,
o segundo pelo corpo.

Suas tendências são similares,
suas finalidades antagônicas.

É a sutil diferença,
do belo para o bruto.
Da lágrima para o suor,
da emoção para o leviano.

O capoeirista, traz consigo o compromisso
De 400 anos de história, regada a dor,
sofrimento e do desejo de vencer.
O jogador de capoeira, só de seu tempo de treino,
Inspirado pelo anarquismo e a vã ditadura.

A história clama por reflexão, o treino por pulsação…

Um sente com o coração, com a alma.
O outro sente com o pulso, com as veias.

Um será Mestre.
O outro será corda vermelha ou branca ou preta, sei lá !!!

O primeiro será homem,
o segundo lutador.

Um dominará a sabedoria da vida,
com os seus atos e pensamentos.
O outro viverá da força física,
com a vitalidade, de seus músculos.

A mente é eterna, o corpo, temporário.
O homem tem que crescer, não inchar.

O capoeirista, procura aprender 
com as lições da vida, a eterna faculdade.
O jogador de capoeira, precisa de disciplina para se impor.

O primeiro é melancólico, profundo, circunspecto.
O segundo é alegre, confiante, mordaz.

O capoeirista, é um poeta, um filósofo.
O jogador de capoeira…
é só um jogador de capoeira…

Um precisa da fé em Deus.
O outro do incentivo da platéia.

Um é subjetivo, transcendente.
O outro é objetivo, ambíguo.
Em um, a ânsia de aprender cada vez mais, floresce seus dias.
No outro, o desejo de ser o melhor, consome sua vida.

A um, está destinado o domínio da vida
pelo amor e a doação de si mesmo aos outros,
pois quem está vivo, produz vida !
o outro, está entregue ao enfado de viver do cansaço da vida,
na eterna indiferença.

O capoeirista, segue as estrelas e voa.
O jogador de capoeira, se seus próprios passos
e se vacilar, pode tropeçar.

No semblante do primeiro
brilha a força de Zumbi,
a determinação de Bimba,
e a esperança de Pastinha.
No semblante do outro, brilha ofuscado seu próprio reflexo.

Um vê a luz da vida…e sorri.
O outro, só vê sua própria sombra,
prolongada no chão, e sisudo e orgulhoso
do pouco que vê, sarcástico, sorri…

Um está de frente para o sol.
O outro, permanece de costas.

Mas um dia, os dois poderão ser um só.

Primeiro, na expectativa de fluir
o desejo de aprender, do jogador de capoeira.
E da máxima valia, que é a característica de um Mestre,
Aquele profundo desejo, a sabedoria de ensinar.

Um dia os dois serão um só…
E só existiram capoeiristas…

Mestre Adelmo

Vai o homem, fica o nome…

Capoeira leal, capoeira pegada, capoeira justa, capoeira de dentro, capoeira de baixo, capoeira de fora, capoeira de cima, capoeira traiçoeira, capoeira brincada, capoeira jogada, capoeira lutada, capoeira escorregada, capoeira caída, capoeira mandingada, capoeira levantada, capoeira pulada, capoeira sambada, capoeira sacolejada, capoeira bambolejada.

Tem capoeira para todo corpo, e todo corpo tem sua capoeira. Mestre João Pequeno foi doutor no papel, mas antes, bem antes de ser doutor no papel, foi doutor na mandinga. Conheceu a arte querendo ser valentão, e achou o grande sentido da arte em ter seu golpe freado, manejado – porquê segundo ele mesmo, “o capoeirista para bater não precisa acertar”. O golpe vai até onde for preciso, e quem está em volta sabe quando entrou e quando não entrou.

Mestre de mestres, formador de homens, professor no sentido mais estrito possível – um sujeito raro e doce, no nosso mundo tão corrido, imediatista e superficial.

Conheci o Mestre João Pequeno em um momento ligeiro, em 2003. Poucos minutos de conversa antes da roda em sua academia, e outros poucos dentro do carro do Mestre Decanio, enquanto o levávamos do Forte Santo Antônio à sua residência. Calado e observador, deixa a marca de seu trabalho na história.

João Pequeno, de pequeno só teve o nome… Deixou esse mundo, mas o que deixou nesse mundo foi maior.

Gigantesco João Pequeno, Enorme João Pequeno, Gigante João Pequeno!

 

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Quando eu aqui cheguei

A todos eu vim louvar

Vim louvar a Deus,

primeiro morador desse lugar

Agora eu tô cantando

Cantando e dando louvor

Vou louvando a Jesus Cristo

Porque nos abençoou

Abençoe essa cidade

Com todos os seus moradores

E na roda de capoeira

Abençoe os jogadores,

 

Camaradinho!

 

Camugerê, vosmecê como vai ?

Camugerê!

Como vai vosmecê ?

Camugerê!

 

Vai o homem, fica o nome.

 

Axé,

Teimosia

A feminilidade na capoeira

Antigamente, para ser respeitada nas rodas de capoeira, as mulheres precisavam rejeitar sua feminilidade, adotando comportamentos masculinos. É o que indicam apelidos, como Maria Homem, e até estudos feitos a partir de cantigas de capoeira. Mas, e hoje? Será que é diferente?

Atualmente a mulher tem conquistado cada vez mais espaço na capoeira, mas ainda enfrenta críticas simplesmente por ser feminina.

Uma questão é a vaidade. Quando a mulher se arruma e se enfeita para ir à roda, ainda é acusada, principalmente por outras mulheres, de não levar a capoeira a sério, e sim usá-la para chamar atenção dos homens, arrumar namorado, ou coisas do equivalentes.

Outra questão é o excesso de cuidado na roda por parte dos homens. A mulher é delicada por natureza e muitas vezes essa característica é confundida com fragilidade. Quando isso ocorre os homens jogam com elas como se as mesmas fossem feitas de vidro, podendo quebrar a qualquer momento.

É óbvio que não se trata de incentivar uma atitude violenta contra as mulheres, mas é muito bom quando o homem solta seu jogo sem fazer distinção quanto ao sexo do oponente.

Mas, para evitar essas e outras “pedras” no caminho, a opção da mulher seria se masculinizar? Deixar de lado sua vaidade e sua delicadeza e se comportar de modo semelhante aos homens?

Na verdade a melhor resposta que pode ser dada é seguir em frente e continuar treinando e se dedicando, sem deixar a opinião alheia virar um obstáculo. Por mais feminina, vaidosa e delicada que seja, quando a mulher entra na roda e dá o melhor de si, ela não é apenas respeitada, mas também admirada.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Jesus, Vigotisky, Capoeira e Cidadania

Angelo Augusto Decanio Filho, Mestre Decanio: Um dos principais mentores de meu trabalho, uma das pessoas mais brilhantes e ímpares que já conheci…

Sugiro de coração aberto e com toda a minha paixão pela capoeiragem e por seu trabalho a visita a um dos mais importantes sites da CAPOEIRA: “Capoeira da Bahia – A Capoeira é uma Escola de Cidadania”

Segue o Artigo que segundo o próprio Mestre Decanio: “… uma das coisas mais lindas que já escrevi sobre a capoeira…”

 

Jesus, Vigotisky, Capoeira e Cidadania

 

Ø Jesus pregou a cidadania como Lei Divina
# Somos todos irmãos

Ø Vigotisky concebeu a cidadania como decorrência lógica da vida em sociedade e cooperação inter-pares
# A vida em sociedade ou grupo baseia-se na cooperação entre seus membros ou pares
1
# Nenhum homem se constrói HOMEM sem a cooperação de OUTRO HOMEM
2

Ø A capoeira materializa a cidadania pela indispensabilidade de respeito e confiança mútua entre os seus praticantes
# A Capoeira parece um embate de corpos, mas é um encontro de corações em clima de harmonia, felicidade e amor
3

 

A Capoeira é uma escola de Cidadania (Luciano Milani)

Mais do que uma luta, a capoeira é hoje também dança, música, história e cidadania. É uma arte desportiva genuinamente brasileira que, de dia para dia, cativa cada vez mais jovens por todo o mundo, passando uma mensagem de vida, parceria e integração, na luta do dia-a-dia.

O Ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil, em seu discurso de agosto de 2004 na ONU, em Genebra afirmou:

” … Atualmente, a capoeira já é praticada em mais de 150 países. Nas Américas, no Japão, na China, em Israel, na Coréia, na Austrália, na África e em praticamente toda a Europa. A capoeira disseminou-se pelo mundo com entusiasmo. Mesmo sem falar português, um chinês, um árabe, um judeu ou um americano podem repetir o compasso da mesma música, a arte do mesmo passo e a ginga do mesmo toque.”

A luta está sempre presente, até pelas suas origens – desenvolvida pelos escravos do Brasil como forma de resistir aos opressores, praticada em segredo e recorrendo à “ginga”, movimento que lembra a dança e à música, para assim “enganar” os patrões (Escravistas / Senhores de Engenho / Grandes Fazendeiros, etc…).
“Respeito, malícia, disputa, brincadeira” são elementos presentes durante o jogo onde as canções são marcadas ao ritmo do berimbau, instrumento “rei” da capoeira, sob um ritmo contagiante e profundo.

Quem entra na roda para jogar, entende que o respeito e a cidadania, inerentes do “JOGO”, são fundamentais dentro do universo da capoeiragem, pois a capoeira deve ser praticada dentro de um preceito básico, determinado por 3 PILARES FUNDAMENTAIS:

RITMO, RITUAL e RESPEITO

1 Peer em inglês – 2 Vigotisky – 3 AADF

Jesus, Vigotisky, Capoeira e Cidadania

Ø      Jesus pregou a cidadania como Lei Divina
o        Somos todos irmãos
Ø      Vigotisky concebeu a cidadania como decorrência lógica da vida em sociedade e cooperação inter-pares
o        A vida em sociedade ou grupo baseia-se na cooperação entre seus membros ou pares1
o        Nenhum homem se constrói HOMEM sem a cooperação de OUTRO HOMEM2
Ø      A capoeira materializa a cidadania pela indispensabilidade de respeito e confiança mútua entre os seus praticantes
o        A Capoeira parece um embate de corpos, mas é um encontro de corações em clima de harmonia, felicidade e amor3

 

A Capoeira é uma escola de Cidadania

 

Mais do que uma luta, a capoeira é hoje também dança, música, história e cidadania. É uma arte desportiva genuinamente brasileira que, de dia para dia, cativa cada vez mais jovens por todo o mundo, passando uma mensagem de vida, parceria e integração, na luta do dia-a-dia.

O Ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil, em seu discurso de agosto de 2004 na ONU, em Genebra afirmou:

” … Atualmente, a capoeira já é praticada em mais de 150 países. Nas Américas, no Japão, na China, em Israel, na Coréia, na Austrália, na África e em praticamente toda a Europa. A capoeira disseminou-se pelo mundo com entusiasmo. Mesmo sem falar português, um chinês, um árabe, um judeu ou um americano podem repetir o compasso da mesma música, a arte do mesmo passo e a ginga do mesmo toque.”

A luta está sempre presente, até pelas suas origens – desenvolvida pelos escravos do Brasil como forma de resistir aos opressores, praticada em segredo e recorrendo à “ginga”, movimento que lembra a dança e à música, para assim “enganar” os patrões (Escravistas / Senhores de Engenho / Grandes Fazendeiros, etc…).
“Respeito, malícia, disputa, brincadeira” são elementos presentes durante o jogo onde as canções são marcadas ao ritmo do berimbau, instrumento “rei” da capoeira, sob um ritmo contagiante e profundo.

Quem entra na roda para jogar, entende que o respeito e a cidadania, inerentes do “JOGO”, são fundamentais dentro do universo da capoeiragem, pois a capoeira deve ser praticada dentro de um preceito básico, determinado por 3 PILARES FUNDAMENTAIS:

RITMO, RITUAL e RESPEITO

TRÊS “ERRES” FUNDAMENTAIS

“Capoeira é uma palavra estranha…
que se escreve com um “rê” suave…
e se pratica com três “erres”…
o primeiro é o RITMO… o segundo o RITUAL..
o terceiro é o RESPEITO…
sem os quais não se joga capoeira!”


1 Peer em inglês – 2 Vigotisky – 3 AADF

O Surpreendente João Pequeno

O mestre João Pequeno de Pastinha é mesmo uma figura fantástica, é um desses representantes da nossa cultura popular que merece ser imortalizado na galeria dos grandes personagens do povo brasileiro.

Faz história na capoeira, pois do alto de seus 91 anos de idade, ainda comanda as rodas em sua academia lá no Forte Santo Antonio (atualmente denominado “Forte da Capoeira”, mas eu prefiro o nome antigo), em Salvador. Quem não conhece João pode até duvidar, mas esse ancião quase centenário ainda joga sua capoeira angola, com toda astúcia que Deus lhe deu e a mandinga que Pastinha lhe ensinou. E ai de quem descuidar !!! A cabeçada certeira de João continua fazendo vítimas até mesmo entre os mais hábeis angoleiros !

Nesses quinze anos de convivência com João Pequeno, tenho aprendido as lições mais profundas de humanidade. Esse homem de poucas palavras, mas de muita inspiração, está sempre a nos ensinar, de várias formas, jeitos e maneiras, até mesmo quando está calado. Quem tem luz própria não precisa dizer mesmo muita coisa. Aí vai uma dica pra muitos mestres da atualidade que falam, falam, falam….

Numa certa feita, estávamos acompanhando João numa gravação de uma matéria para a televisão em Salvador, em que o objetivo era mostrar o processo de retirada da biriba (madeira própria para a construção do berimbau) na mata. Nos deslocamos junto com a equipe de filmagem até Mata de São João, no Recôncavo Baiano, local onde João Pequeno passou boa parte de sua juventude. Ele conhecia tudo por lá e foi nos guiando pelos caminhos abertos na mata virgem, até encontrarmos a biriba. A equipe da televisão gravou todo o processo de corte da madeira, entrevistou João, fez belas imagens e se despediu de nós para voltar a Salvador.

Estávamos nos preparando para voltar também, pois fomos num carro separado da equipe da TV, quando João nos perguntou: “Pra onde é que vocês vão ???”.  “Ora mestre, pra Salvador, vamos voltar, a gravação já terminou !!!”, respondi eu, já abrindo a porta do carro para que ele entrasse. Ele então, com toda naturalidade disse: “Não, não…nós num viemo aqui pra apanhá biriba ??? Então vamo apanhá !!!”, e foi se embrenhando novamente no mato, decidido. Não nos restou outra alternativa, senão acompanhá-lo.

Era um fim de tarde, acompanhamos João mata adentro. Começava a escurecer. Já estávamos nos preocupando quando ele nos disse: “Vamos dormir por aqui hoje e pegar as biribas amanhã, logo cedo…eu lembro de uma casa de farinha abandonada que tem aí pra dentro – apontando para o meio do mato cerrado – a gente pousa lá e amanhã vai pegar mais biriba”, disse sem se deter na caminhada.

Andamos um bom tempo pelo meio da mata fechada, abrindo caminho no facão, já com pouca luz e bastante apreensivos com a possibilidade de João não encontrar a tal casa de farinha. Já estávamos duvidando que um homem de oitenta e poucos anos, que não voltava para esse local há pelo menos uma década, pudesse encontrar essa tal casa no meio da mata atlântica. Mas para o nosso alívio, com apenas a luminosidade da lua, João encontrou o local ! Dormimos no chão da casa de farinha, nessa noite enluarada ouvindo histórias desse homem fantástico e surpreendente. No dia seguinte, logo cedo, estávamos no mato a apanhar biriba. Afinal, não foi pra isso que fomos pra lá ???

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Aconteceu: Campeonato Paraense 2008

A Federação Paraense de Capoeira – FEPAC realizou no dia 13 de julho o campeonato paraense 2008. Segundo avaliação do Diretor de Arbitragem, Mestre Docinho, foi uma inesquecível maratona de 11 horas de jogos, entre apresentações de conjuntos, duplas e as tradicionais disputas homem x homem e mulher x mulher.

A competição, que vem sendo realizada anualmente desde 1999, tem entre seus objetivos a divulgação e fomento da prática da Capoeira no Estado do Pará. A Federação, apesar das dificuldades, tem cumprido seu papel. Pelo menos é o que indica o número de participantes: nove associações representadas por 180 atletas cobrindo todas as fases da vida, das categorias mirim até terceira idade, segundo informou o Formado Ivan “Bareta”, Vice-Presidente da Entidade.

FEPACÁrbitros e atletas durante a execução do Hino Nacional Brasileiro na abertura do Campeonato Paraense de Capoeira 2008, em Belém-PA.

Os campeonatos anuais da FEPAC são bastante apreciados pelos praticantes. Não há impedimento algum à participação, exceto quanto a exigência de que o grupo esteja devidamente legalizado e se apresente com seus atletas e técnicos.

 

Quem mais ganhou com o campeonato este ano foram as pessoas que compõem as nove Associações participantes:

• Vitória Régia
• Rei
• Luta Nossa
• Zambo
• Ginga Pará
• Pará Capoeira
• Berimbau Brasil
• Helena Coutinho
• Guerreiros da Libertação

Essas associações possuem em seus quadros vários campeões brasileiros, atletas muito experientes e árbitros que vêm participando dos eventos da Confederação Brasileira de Capoeira – CBC desde 1998.
Isto somado à experiência local agrega valor social à Capoeira paraense e promove o reconhecimento dela como importante elemento de formação humana. Tal benefício se estende a todos os praticantes de Capoeira do Pará, mesmo aos não filiados.

FEPACEsteve presente na abertura do evento, também, o Mestre Bezerra, pioneiro na organização desportiva da Capoeira no Pará.

Considerado hoje o Mestre da Capoeira Angola do Pará, Mestre Bezerra, que também é fundador, árbitro da Federação e vice-campeão brasileiro master da CBC, não pode atuar este ano no Paraense por que estava se preparando para viagem a Salvador onde participaria do ato de registro da Capoeira como Patrimônio Cultural do Brasil.

É de se acreditar, pelo visto, que a capoeiragem paraense está preparada para os desafios que estão postos à Capoeira moderna, seja no campo da organização e prática desportiva, seja no da preservação dessa jóia da cultura brasileira.

A galera do Pará tem muito axé!

(fotos por Fernando Rabelo)

Curso de “Capoeira Terapêutica” ou “Psicossomaterapia”

É uma nova modalidade de terapia indicada para todas as idades e condições físicas. Fruto de estudos, observações teóricas e práticas fundamentadas através da Filosofia, Psicologia e resultados excelentes. Nosso método de ensino vem de um longo trabalho, esforço, dedicação, contínua vigilância e superação de nosso próprio sistema, depois de muitos anos de haver dedicado ao ensino da Capoeira, e práticas de terapias afins.
Considerando os benefícios que a capoeira propicia colocamos a sua disposição, um ambiente de tranqüilidade, um novo e fantástico mundo de cultura física, mental e espiritual, cuidadosamente elaborado, por nosso Instituto visando um único objetivo: seu bem estar. Temos um objetivo em comum a Capoeira Terapêutica e, somos motivados pelo desejo de servir, de nossa parte você terá toda a garantia de SUCESSO.
Sozinhos somos ponto de vista. Solidários seremos união. E juntos alcançaremos nossos objetivos. ( RIVAIL, D.H. Léon.)

Capoeira Terapêutica ou Psicossomaterapia.

No Oriente existe o Zen; A Europa desenvolveu a Psicanálise; No Brasil temos o jogo da Capoeira.
(Nestor Capoeira)

É nova modalidade de terapia. Tem suas bases em atividades de Educação Física milenar, na Filosofia: oriental e ocidental, na Psicanálise, na bioenergética e na capoeira. É uma arte associada à terapia que prepara o homem para viver melhor (convivendo pacificamente e buscando a resolução dos seus problemas).Tendo uma atitude positiva perante a vida e se comportando em vista de um objetivo maior, coletivo.Visa a preparação da mente e do corpo de modo que as pessoas adquiram recursos mais adequados para realizar ideais nobres e éticos, desejáveis no meio social.

Desde os povos primitivos passando pela Antigüidade oriental até os dias atuais os exercícios físicos continuam merecendo destaque. No Oriente antigo podemos deduzir uma classificação onde identificamos finalidades de ordem guerreira, terapêutica, esportiva e educacional, aparecendo sempre a religião como pano de fundo, como todas as realizações orientais.

A civilização Grega marca o inicio de um novo ciclo na história com o aparecimento do mundo civilizado ocidental. A Filosofia pedagógica que determinou os caminhos a serem percorridos pela educação grega tem o grande mérito de conjugar a Educação Física com a intelectual e a espiritual. Postulava, dessa forma, o mais significativo de todos os princípios humanistas, pois o homem somente é humano enquanto completo. Sendo a educação Integral refletida na frase “mente sã em corpo sadio”. Em A República, Platão fala por intermédio de Sócrates a respeito do ideal da educação grega que unia a ginástica à música (esta concebida como cultura espiritual).

Chegando à Idade Média e ao Renascimento, encontramos vários pensadores renascentistas que dedicaram suas reflexões à importância dos exercícios físicos. Da Vinci estudou e escreveu sobre os movimentos dos músculos e articulações, um dos primeiros tratados de biomecânica que o mundo conheceu. Rabelais defende práticas naturais para a educação e, por isto, os jogos e os esportes deviam ser explorados. Montaigne exaltava a importância da atividade esportiva, quando defendia que não só a alma deve ser enrijecida, mas também o corpo. Francis Bacon defendia a execução de exercícios naturais, havendo estudado a manutenção orgânica e o desenvolvimento físico pelo aspecto filosófico.

Rousseau e Locke dedicaram especial atenção aos exercícios físicos. Suas teorias evidenciavam os aspectos benéficos da vida do campo e ao ar livre, com a prática de jogos, esportes e ginástica natural. Influenciado por Rousseau, o educador Pestalozzi orientou a ginástica por parâmetros médicos, objetivando correções de postura. Passando por Denizard H. L. Rivail com a concepção espiritual de homem; chegamos a Freud, que estabelece as bases do funcionamento psíquico criando a psicanálise e formando vários adeptos. Reich foi um destes que optou pôr seguir o seu próprio caminho desenvolvendo nova visão no tratamento dos pacientes descobrindo a energia orgone e a vegetoterapia. Alexander Lowen, discípulo de Reich, baseado nas teorias de seu mestre formula e publica o livro Bioenergética. Roberto Freire descobre a Somaterapia conjugada a Capoeira enquanto meio para lidar com os problemas físicos e psicossociais.

No livro A Alma é o Corpo, R. Freire coloca que: “A palavra Somaterapia surgiu em 1973 para designar o tipo de trabalho que realizava na época”. Discípulo de Wilhelm Reich, já passara a terapeutizar o corpo (Soma, em grego) de seus clientes. “A teoria da Soma deriva das transformações operadas nas descobertas de Freud pelo pensamento crítico de Reich”. Dá como exemplo disso, a obra Análise do Caráter, de Wilhelm Reich, que parte da psicanálise e termina abrindo as portas para a Bioenergética, que se consolida com seu livro A Função do Orgasmo. No campo propriamente psicológico, em última análise, a Soma tem origem no que se convencionou chamar de pesquisas neo-reichianas em Bioenergética, especialmente no trabalho de Alexander Lowen. Por esta razão, R. Freire utiliza o próprio Lowen para realizar a passagem de Freud à Bioenergética, passando por Reich e terminando por explicar como esses caminhos desembocaram na síntese da Soma.

Na obra A Arma é o Corpo, Freire diz ser a Soma uma terapia anarquista, como a criou e desenvolveu. Explica também por que a “Soma está agora associada definitivamente à Capoeira, que provou ser o melhor e o mais completo exercício para a liberação bioenergética, bem como a forma ideal e mais brasileira de levar as pessoas ao necessário enfrentamento interpessoal que possibilite a sua libertação como ser social”. Ao justificar essa associação, Freire lembra que a Capoeira foi, no Brasil, a arma utilizada pelos negros escravos para a libertação. “Neste período de escravização psicológica (neuroses), a juventude brasileira agora pode dispor da Soma – Capoeira, para a sua libertação”. Na fala do prof. Gladson O. Silva, do Centro de Práticas Esportivas da USP: “A Capoeira é um dos trabalhos corporais mais completos que se conhece, pois sua prática envolve o uso de vários grupos musculares, além de melhorar as condições cardiorrespiratórias e os reflexos”. Em decorrência temos hoje a Capoeira Terapêutica, ou seja: a Psicossomaterapia.

 

 

Inscrições abertas

Início dia 13/05/2008.
Horário: das 19:30 as 21:00, terças e quintas. Ou aos sábados das 15:30 as 17:30.
Local: INCORE (Instituto de Convivência Renovação).
Rua Marechal Hermes da Fonseca, 60 – Vila Carvalho – Sorocaba.
Tel: 3233-6355 hor. Comercial ou 9726-7016.

Cuide do Corpo e da Mente – Numa combinação única de exercícios físicos e mentais que integram: Saúde, Qualidade de Vida e auto-conhecimento.

Maria de Lourdes P. Santos. CREFITO; 3/8587-TO
Eduardo A. Santos. CREF: 9458 –T/SP, pedagogo, pós-graduado em psicologia pela USP e mestre de capoeira.

Sesc Senac Iracema: Espetáculo Besouro Cordão-de-ouro

O palco vai se transformar numa grande roda de capoeira com atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, para ilustrar a vida de Besouro Cordão-de-Ouro, o Exu Kerekekê dos candomblés baianos. O espetáculo teatral Besouro Cordão de Ouro será apresentado nesta terça, 15, dentro da programação do Festival Palco Giratório. Com texto, músicas e letras inéditos de Paulo César Pinheiro, direção geral de João das Neves e direção musical de Luciana Rabello, o espetáculo fala sobre Manoel Henrique Pereira, o Besouro Cordão de Ouro, um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, na Bahia.

No musical, diversas histórias envolvendo alguns dos feitos extraordinários atribuídos a ele são contadas por outros capoeirista. O elenco é formado apenas por atores negros, escolhidos em workshops do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro. O grupo contou com a coordenação e preparação corporal dos mestres Casquinha e Camisa.

Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Homem conhecedor de política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas.

SERVIÇO

Espetáculo Besouro Cordão-de-ouro hoje, 15, às 20 horas, no Sesc Senac Iracema (rua Boris, 90C – Praia de Iracema). Ingressos: R$ 6 e R$ 3. Informações: 3452 1242.

Gira Mundo

As Nações Unidas resolveram consagrar esta data, 08 de março , como sendo Dia Internacional da Mulher, na teoria dizem que não existem mais diferenças entre os gêneros, no entanto nós mulheres temos uma série de questões ainda sem respostas, uma série de estereótipos para serem dissolvidos, uma série de afazeres pelo mundo, de novas conquistas e aceitações.

Como as mulheres de muitas tribos africanas sofrem ainda hoje a infibulação? Pratica violenta de mutilição do órgão genital feminino.

Por que duas em cada três mexicanas sofrem algum tipo de violência?
Alarmanate.

Por que meninas indianas são roubadas ou vendidas, estupradas e jogadas em prostíbulos e só libertadas doentes e muitas vezes com aids, retornam às suas famílias que as rejeitam e ignoram? Falta de humanidade.

Por que em mais de 50 países não foi proibido o estupro pelo cônjuge? Prática que gera impunidade total destes agressores masculinos em relação aos abusos físicos e sexuais contra suas esposas.

Por que Maria Quitéria de Jesus Medeiros, que lutou no movimento de independência do Brasil, em 1996 tornou-se ” Patrono” do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro? Ela era uma mulher.

É sobre isto que quero falar. Será que precisamos nos esteriotipar para demosnstrarmos o nosso valor, para mostrarmos quem somos?

Eu preciso parecer um homem para lutar ou cantar?

Uma mulher que venceu todos os pré-conceitos ao comandar uma roda de capoeira necessita ser masculinizada ou musculosa em demasia para provar que é muito boa de capoeira?
Uma mulher mãe, profissional, jogadora de capoeira, estudante precisa provar para o grupo de capoeira sua paixão sendo agressiva e perdendo toda a sua terna graça?

Toda brasileira durante o carnaval é prostituta? É claro que não.

É disto que estou falando, vamos quebrar as barreiras do pré-julgamento, do estereótipo, do somente olhar e não sentir.
Somos mulheres, mães, capoeiras, donas-de-casa, profissionais, lindas, ternas, amantes, apaixonadas, pesquisadoras, crianças, felizes, queridas, fortes…

Somos assim, somos mulheres.

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