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Terra Roxa: Capoeira, Cidadania e Comunidade…

Capoeira e cidadania… é quase que uma palavra só… é uma forma simbiótica natural (Capoeira é Cidadania) que dia a dia… vem crescendo e tomando forma… É a capoeira com fim em algo diferente que não a própria capoeira… Assim aconteceu em Terra Roxa, Paraná (ler texto anexado) e assim esta acontecendo no mundo todo…
Mestre Decanio, um dos mais ativos e forte patamar da Capaoeira Cidadã, faz uma brilhante analogia à jesus, vigotisky, capoeira e cidadania… leiam e reflitam:
 
jesus, vigotisky, capoeira e cidadania
 
Jesus pregou a Cidadania como Lei Divina
Somos todos Irmãos!
 
Vigotisky concebeu a cidadania como decorrência lógica da vida em sociedade e cooperação inter-pares
A vida em sociedade ou grupo baseia-se na cooperação entre seus membros ou pares!1
Nenhum homem se constrói HOMEM sem a cooperação de OUTRO HOMEM!2
 
A Capoeira materializa a Cidadania pela indispensabilidade de respeito e confiança mútua entre os seus praticantes
A Capoeira parece um embate de corpos, mas é um encontro de corações em clima de harmonia, felicidade e amor!3
 
1 Peer em inglês
2 Vigotisky
3 AADF.
 

Comunidade doa equipamentos para grupo de capoeira de Terra Roxa
 

A Associação de Capoeira Cordão de Contas de Terra Roxa foi contemplada com a doação de vários equipamentos que serão utilizados nas atividades realizadas com a comunidade no dia a dia. Os equipamentos foram adquiridos com doações feitas pela comitiva alemã que visitou o município em outubro do ano passado.
O grupo atende crianças e adolescentes em situação de risco e está ganhando destaque especial nas ações de promoção social. Com o objetivo de retirar os adolescentes e as crianças das ruas e ofertar a eles uma atividade saudável, o grupo conquistou o carinho da comunidade local.
Além do carinho da comunidade, o grupo também conquistou um grande público nos municípios paranaenses por onde já se apresentaram, bem como, no Mato Grosso do Sul. Segundo o presidente da associação e coordenador do grupo Gilmar Santana, através das apresentações é possível promover a integração dos alunos com jovens de outras localidades.
 
A secretária municipal de Educação e Cultura, Cleonilda Maria Tonin Farcas, afirma que a cooperação e as parcerias são indispensáveis para a construção de uma sociedade com melhores oportunidades para todos.

TERRA ROXA RECEBE VISITA DE COMITIVA ALEMÃ
29/11/2005
No sábado, 29 de outubro, Terra Roxa recebeu a visita de uma comitiva formada por 142 alemães. A maioria dos visitantes faz parte de um grande coral, que além das apresentações musicais auxilia projetos sociais.
A recepção aconteceu no Maracaju Clube de Campo onde foi servido o almoço e na parte da tarde um café colonial. O grupo de capoeira de Terra Roxa recepcionou os visitantes com uma apresentação que emocionou a todos.
Como parte da visita a Terra Roxa a comitiva conheceu um sítio onde são cultivadas uvas, café e o bicho-da-seda.
No aspecto social o grupo conheceu de perto o trabalho do Provopar, da APAE,da ong Adatav e vários outros projetos desenvolvidos em Terra Roxa. Todas estas entidades apresentaram seus trabalhos numa exposição que foi realizada no Ginásio Municipal de Esportes. Além das entidades, o APL local, as Escolas Municipais e os Colégios Estaduais também mostraram o potencial de Terra Roxa aos visitantes.
A noite, foi realizada uma programação cultural na Casa da Cultura Ademir Antonelli que reuniu diversos setores da sociedade e teve como ponto alto a apresentação do coral com mais de cem vozes vindo da Alemanha.
Para o Prefeito Donaldo este foi um momento que entrará para a história de Terra Roxa. Donaldo acompanhou todo o roteiro e disse que estava satisfeito ao ver a participação da comunidade que auxiliou com doações para o almoço, na realização do café colonial e no trabalho voluntário ao longo de todo o dia. Destacou a importância da visita para os programas sociais que vem sendo realizados no município e para uma possível expansão dos produtos terra-roxenses.
O líder do grupo Jurgen Kaschubowski, agradeceu a hospitalidade do povo de Terra Roxa e disse estar muito feliz em ajudar os projetos sociais e trazer um pouco de alegria a quem tanto precisa.
 

O Mestre de Capoeira

Há dous mil anos te mandei meu grito
Que embalde desde então corre o infinito…
Onde estás, Senhor Deus ? …
(vozes da África, Castro Alves)


Na vida das Américas o Mestre de Capoeira –  negro ou não negro, mas imbuído dessa negritude própria da Capoeira – tem assumido o mister, diria ímpar de ajudar conduzi-lo, ao negro, a passar pelas dores das tantas feridas; aplacar às tantas  carências; vislumbrar um horizonte, não se sabe a que distância, mas capaz de não lhe deixar extinguir os vestígios de honradez e bondade; a capacidade de amar, tolerar e lutar. Dentre estas faculdades está a de cantar.
 
            O que é cultura? – Cultura, para Mestre Benício, "é a luta do homem para preservar o Mundo; e a tolerância do Mundo para conservar o homem". E explicava mais o diabo do sabido "africano":  "a primeira e mais permanente das manifestações culturais, é comer" e reafirmava redundante – "comer, comer de comida". E aduzia, olhar distante – "a segunda é cantar"; completava a sua lista, com a crença. "A crença é mais importante que a comida, – explicava – o homem tem na crença o último ato antes da morte: todos morrem agarrados na crença." Atravessando, João Pequeno clareava – "a crença! e não a fé. A fé é um aleijão! Fé é o único substantivo que não forma verbo" –  provava o "agnóstico".
 
           No meu lugar, região de criadouro de gado, as manifestações de África se juntaram às de mouros e cristãos; ciganos – de europeus em fim. A Capoeira ali deu lugar aos diversos tipos de samba, os chulou até o baião. Os vestígios de Capoeira eram "coisas" de meninos se exercitarem, sem nenhum conhecimento de importância; afora isto só histórias  – Histórias, curiosidades e desejos… Por que da zebra? …"a zebra é o animal tipo cavalo ou jumento que nunca  se amansa," assim ia até a "capoeira". A Capoeira não tem fim!…
 
            Mestre Benício se punha a falar dos  Mestres de Capoeira. Para tudo na África tinha seu mestre. O Mestre se confunde com a própria África e sua História. Hoje, o Mestre e o futuro do negro se confundem.. Citou muitos nomes, desde as lembranças de África:
 
–          "Analfabetos ou pouco-letrados, assumem o domínio do povo, de dentro e de fora da Roda. Os da Roda amam-lhes como a seus pais, os de fora passam a compreender-lhes; – se repetir a visita – passa a amá-los, quase sempre. Antes não dependiam das cidades, pós libertação são necessariamente urbanos-periféricos. Quase todos vivem num ambiente limitado; numa visão missionária, há os que imprimem viagem mundo afora. Conforto restrito, quase de pobreza material absoluta; de tão absoluta  suprem-na, no seu imaginário, com um encanto intelectual não se sabe de que origem; mas encanta, cativa, prende o interlocutor qualquer que seja. Aduziu mais algumas considerações a este perfil  e contou-nos da simbiose homem-arte-crença. – "Adquirem eles todo o orgulho do seu estado, da sua condição. Sabe, ou recebe dos seguidores, ser uma marca de superioridade do seu meio; uma marca de elevação, de supremacia, de predomínio, que nem um outro ser humano  consegue", e prosseguiu, impassível, não diria sádico, mas sem um gesto de dó – " na sua grande maioria, como que errantes, e os são, esguios pelos exercícios estafantes e o mau passadio; paupérrimos, ostentam, num diapasão de consciente prestígio, os valores da inteligência voraz, iletrada e bravia – senhora de si – apoiados na reverência dominadora, de um lado; de outro na crença que só é possível em quem julgar ser responsável por uma banda do Mundo". Depois de tecer explicações do caminho percorrido, ou a percorrer, cala-se um pouco e depois – "No passado muitos eram sapateiros, estivadores e tantos ferreiros, com forjas ordinárias no quintal acanhado da casa rota; alguns alfaiates – Mestres de Capoeira são vaidosos, gostavam de ostentar as mãos finas; hoje tantos são pedreiros, serventes, pequenos comerciantes, carpinteiros, tantos meros biscateiros. Os que têm (tinham) meios de vida, afora a Capoeira, a tudo abandonam, se um projeto lhe surge – viagens noutras paragens, no estrangeiro, nos navios, para "levar a tradição". Ao que,  depois de longo silêncio, João Pequeno, garimpeiro não negro, deu uma pitada: "Homens que não podem resistir à magia poderosa do canto, da luta, da exibição física e intelectual; para uns, eles (Mestres) vivem para encantar o público;  para eles mesmos – "quase uns visionários, …  não há alguém que mais acredite na sua atividade…", – pedindo desculpas devolve a palavra ao Mestre Benício, que vai falando, agora dos seus receios – "Das recompensas materiais, pouco se sabe, o que se vê é que são muito inferiores às alegrias que proporcionam; de visível é que tudo fazem pela fama, pelos comentários, os elogios, pela admiração do povo, de cada e após cada luta, cada apresentação continuam como antes, eu nunca quis saber  como chegam em casa, de mãos vazias, a cada dia; lhes contam  de seu – sempre queridos, cercados; trilhando soberbo e doce; na morada, afora grande acervo de áudio e vídeo – nada tem que passe de um mocambo, muitos vivem assim – "Eu gosto é de elogio e não de crítica" – diz cada um, com sinceridade absoluta.
 
            O medo – naquele ano Mestre Benício tinha viajado, foi queimar os minguados de alguns diamantes faiscados. Naquele lustro a bossa nova atingia o seu ciclo de vida, havia um burburim de sons e rítimos; a juventude a tudo contestava e os adultos – a nada davam importância, que não fosse estrangeiro. Dos transeuntes, corpos e roupas espalhafatosas – praça qualquer, de uma cidade qualquer. Para  a Roda, de rua: pessoas simples e seus instrumentos arcaicos em quantidade regular, prontos para a Roda, na espera dos Mestres, na rua é número incerto.  Ofertado, como a um ritual,  o momento de abertura ao Mestre mais velho, – solene e singelo – IÊ!…
 
            "Ninguém interrompe. Não há insulto, censura, pilhéria, desatenção. Há silêncio, silêncio não, as mãos batem palmas, obedecendo aos ditames do Mestre. Todos como se mamulengos fossem – atados nas mãos, nos olhares, nos gestos do Mestre. Ninguém na assistência  entende das canções quinhentistas, curtas, breves – só a música, a melodia imobilizando a todos. O primitivo berimbau imobilizando tantos jovens afeitos à instrumentação eletrônica. Vozes desencontradas, outras afônicas, mesmo porque raros são os Mestres que têm boa voz; dentre os da Roda poucos, ou ninguém conhece teoria de canto, ao contrário da assistência. Das vozes, desacordadas, de agradável sonoridade só o berimbau, o som de uma corda, encantado anulando o descompassar das vozes, coro piorado pelo participar dos visitantes." E prossegue o Mestre Benício falando do seu medo – "aquela juventude bem trajada uns, espalhafatosos tantos; homens e mulheres de roupas finas – um bando de incapazes se queixando da "ditadura" – pareceu-me estarem ali para vaiar, avacalhar, um frio na espinha… Que nada, enganei-me – todos ali, fazendo coro e batendo palmas… alguns até entraram na Roda só para cumprimentar o Mestre, de perto, abraçar, afagar, fotografarem-se. ALIVIO!, como se eu tivesse  algo a haver com aquilo." E arremata da última viagem – "felizmente vi, soube e até conversei, com alguns Mestres doutores, de anel no dedo, e olhe que todos novos, não me lembro de ninguém com mais de 50 anos, soube também de muitos nas universidades, como vi, eu próprio, muitos das universidades entrando na Capoeira…"
 
            Fogos na serra, ao longe, denunciava a chegada dos repentistas, Mestre Benício se apressa: – "Vocês já viram um vulcão? Mas sabem o que é, não sabem?!. "O vulcão não é o morrão, não é o buraco no centro dele, não é a lavareda de fogo que sai, não. O vulcão é tudo junto. É um dos equilíbrios da natureza. O vulcão não  se importa com quem está em baixo ou em cima, cumpre o seu papel. Sem ele pipocava fogo a qualquer hora, em qualquer lugar – no nosso quintal, na nossa casa…" e completou – "Assim é o Mestre de Capoeira é um dos elementos de equilíbrio das sociedades do Mundo. O negro é parte da sociedade, assim como a África é a parte mais importante do Mundo. Sem o negro e sem a África, viver-se-á assim, o fogo explodindo em todo lugar, a toda hora, ferindo, matando a qualquer um…. Até que o Mestre possa cumprir o seu papel" Assim falou Mestre Benício.
           
Andre Pessego, Berimbau Brasil, SP/SP

Projetozumbi@uol.com.br

 

Berimbau Brasil, SP/SP

Mestre João Coquinho

A Capoeira e os conflitos da Intervenção Pedagógica

A capoeira atualmente está enfrentando uma de suas maiores crises de identidade, principalmente no âmbito de atuação escolar, pois pela sua recente inserção e pelos conflitos gerados a partir de um confronto de ideologias que apontam, na maioria das vezes,  toda repressão e sectarismo na estruturação do sistema de ensino brasileiro adotado em nossas escolas.
Vale a pena ressaltar que não podemos perder de vista que a instituição escolar surge para atender uma necessidade da burguesia, reservando-se, na maioria dos casos,  o papel para a mesma de ferramenta mantenedora da estruturação social vigente, que se firmou ao longo dos anos através de símbolos condicionadores para um perfil social forjado para atender os interesses das classes dominantes.
 
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Mestre Ananias: 81 voltas ao mundo

Caros amigos,

Venha brincar, se divertir, distrair e vadiar a Capoeira e o Samba de Roda na "Vila dos Vinténs" no aniversário do Mestre Ananias.

 

São 81 ANOS de vida e mais de 50 anos em São Paulo e nós paulistanos temos a chance de comemorar junto a esse grande Mestre baiano, o que simboliza a presença e continuidade sociocultural de matriz africana no Brasil, a Capoeira e o Samba de Roda. 

 

Dia 13 de dezembro de 2005 (TERÇA) a partir das 19h. Até 22:30hs 5,00 (Homem e Mulher), após 10,00M e 15,00H. Mandem seus nomes para a lista de desconto no 5,00M e 10Hviladosvintens@gmail.com

Vila Cultural Itaim " Rua Henrique Chamma, 20 Itaim

 

Um grande abraço

 

O Samba do Recôncavo Baiano acaba de ser declarado pela UNESCO como Patrimônio Imaterial e Oral da Humanidade, assim o "Samba Sem Vintém" tem a honra de receber a presença do representante que há muito contribui para nossa capital. Salve Mestre Ananias!!!

 

Rodrigo Bruno Lima

 

Uirapuru Assessoria Cultural

www.uirapurubr.com.br

 

Fonte: Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

Frede Abreu, historiador

Frede Abreu, historiador, no filme “MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA”
 
sobre o “Marketing” pessoal de Bimba :

“Mestre Bimba surpreende a sociedade, com um outro tipo de comportamento. O que era a expectativa da sociedade em torno de um capoeirista, ele contraria. Ele aparece como um homem direito, como um homem sério.”


Luiz Fernando Goulart, diretor do filme

depoimento do diretor:
O mundo da capoeira me era totalmente desconhecido até dois anos atrás quando fui convidado para dirigir MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada. Mesmo me reconhecendo como um apaixonado pela cultura brasileira, confesso que a capoeira não me encantava até então. Pouca coisa sabia dela. Quando ouvi o nome Mestre Bimba apenas relacionei-o à capoeira, mas nem sei porque. Pedi dois dias para pensar e decidir se largaria os projetos aos quais me dedicava. Acho que a internet me salvou. Ao escrever num site de buscas o nome capoeira me vieram 1 milhão e 400 mil citações em praticamente todas as línguas. Bem, não consegui dormir esta noite e na primeira hora telefonei correndo para aceitar o convite. O universo da capoeira me pegara, ainda que de longe. Daí pra frente o meu envolvimento com o projeto foi total. Era como se eu estivesse vivendo realmente uma grande paixão, querendo descontar o tempo que eu perdera desconhecendo uma das maiores forças culturais e políticas que o nosso país possui. Passei a me corresponder, nas línguas possíveis, com capoeiristas de todo o mundo, assessorando o roteiro que estava sendo feito pelo Luiz Carlos Maciel e não vendo a hora de mergulhar no universo do Mestre Bimba. Decidi utilizar o meu grande desconhecimento da capoeira e da figura do Mestre Bimba como base para a narrativa do filme. Cheguei na Bahia, corri todas as rodas possíveis mas evitei falar de Bimba. Eu queria conhecê-lo quase que junto com o espectador. Eu tinha apenas a impressão que me encantaria por sua figura e sua história mas quis procurar mostrar, antes de tudo, a emoção e a magia que me tomavam naqueles momentos pré filmagens em Salvador. Começamos as filmagens pelos depoimentos dos alunos de Bimba. Depoimentos previstos inicialmente para meia hora, duravam 5 a 6 horas. Sempre que alguém se lembrava do Bimba que conheceu se emocionava e nos envolvia a todos, da equipe. Fui também me envolvendo com aquela história maravilhosa de um homem cujo grande ideal foi tirar a capoeira, um jogo proibido pelo código penal vigente em sua época, de baixo do pé do porco, como gostava de dizer. Um homem analfabeto mas que foi reconhecido “post mortem” como Doutor Honoris Causa de uma importante Universidade, por unânimidade, em reconhecimento ao seu trabalho de educador. Um homem que foi capaz de ver, ainda nos anos 30, a capoeira sendo jogada no mundo todo, como a única arte marcial que se joga acompanhada por música e uma das poucas onde o objetivo não é machucar ou agredir o adversário. A única pratica esportiva nascida em nosso país e que, presente no mundo todo, jamais deixou de ser brasileira e de falar português. Uma das maiores fontes de viabilização de cidadania para brasileiros desassistidos e jovens em situação de risco social. Vi muita história bonita sendo contada. Muitos olhos que brilhavam à simples referência do nome Bimba. Muita mente brilhante e realizada que nos disse, com lágrimas nos olhos, que tudo que conseguira na vida fora graças ao seu mestre. Tudo isso foi Bimba que propiciou, ao dar a sua luz à capoeira e ver nela o instrumento de educação que hoje, o mundo todo reconhece. E é isso que eu procurei passar para os que assistirem ao filme, a mesma emoção que eu vivi descobrindo Bimba e a capoeira.

Sinopse

Calcula-se que a capoeira, um esporte/arte/luta/jogo, criado no Brasil por brasileiros afrodescendentes, seja hoje praticado por cerca de 8 milhões de homens e mulheres  de todas as idades, credos e descendências em mais de 150 países em aulas ministradas por milhares de mestres brasileiros, a maioria vinda das camadas mais humildes da nossa sociedade. A capoeira é, ainda, um dos principais fatores de expansão da língua portugesa em todo o mundo, pois suas aulas são ministradas em português, suas músicas não são traduzidas e a sua história conta fatos relacionados à vida e aos costumes do nosso povo. Seu crescimento vem sendo considerável nas Américas, em toda a Europa, na Ásia e na Oceania.
Tudo isso vislumbrado, ainda na década 30, por um homem que se impôs ao seu meio e ao seu tempo como um dos maiores educadores populares desse país. É dele toda a didática e toda a metodologia de ensino da capoeira que é hoje praticada por 80% dos capoeiristas.
 
MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada, conta, através de depoimentos de seus antigos alunos e de imagens inéditas em cinema, a história deste brasileiro, Manuel dos Reis Machado, o Mestre Bimba (1899 – 1974) um iletrado que recebeu, post mortem, o título de Doutor Honoris Causa de uma das mais importantes Universidades do Brasil. Um grande jogador de capoeira mas antes de tudo um educador. Um homem, de origem humilde, que dedicou a sua vida a dar dignidade e luz à capoeira.
E se hoje, ela está presente em todo o mundo foi graças à capacidade e à visão de Mestre Bimba. Para muitos historiadores foi um dos negros mais importantes do século XX, nas Américas. Seu nome é a primeira referência que um aluno de capoeira recebe em qualquer país que esteja. A ele são dedicadas milhares e milhares de músicas cantadas em todas as rodas de capoeira nos cinco continentes.
 
MESTRE BIMBA – A Capoeira Iluminada, inspirado no livro MESTRE BIMBA – Corpo de Mandinga, de Muniz Sodré, conta essa linda e comovente trajetória de vida e mostra a arte e o encantamento da capoeira que Bimba iluminou e que hoje faz com que o nosso país seja admirado em todo o mundo.

Batizado de Capoeira – Grupo Capoeira Mogadouro

O batizado é apenas uma formalidade…
uma cerimonia de apresentação…
…do aluno iniciante
a comunidade capoeirística…
 
 
Onde ele irá RECEBER o cordão…
cordão que ele já ganhou… um pouquinho a cada dia…
com seu esforço, dedicação, e amor pela capoeira!!!
 

O batizado é uma festa… dedicada aos alunos, onde eles tem o papel principal…

 
Tema do Batizado: jesus, vigotisky, capoeira e cidadania

 Angelo Augusto Decanio Filho
 
Ø      Jesus pregou a cidadania como Lei Divina
o        Somos todos irmãos
 
Ø      Vigotisky concebeu a cidadania como decorrência lógica da vida em sociedade e cooperação inter-pares
o        A vida em sociedade ou grupo baseia-se na cooperação entre seus membros ou pares1
o        Nenhum homem se constrói HOMEM sem a cooperação de OUTRO HOMEM2
 
Ø      A capoeira materializa a cidadania pela indispensabilidade de respeito e confiança mútua entre os seus praticantes
o        A Capoeira parece um embate de corpos, mas é um encontro de corações em clima de harmonia, felicidade e amor3
 
1 Peer em inglês – 2 Vigotisky – 3 AADF 

Gisele e Lucca:
 
muito obrigado pela força…
…carinho…
paciência e companheirismo!
 
 


Dedico este artigo:
 
Aos alunos da Capoeira Mogadouro,
minha família…
ao querido Mestre Decanio
e a toda comunidade capoeirística.

1º Batizado Capoeira Mogadouro

 
É com imensa alegria que o Grupo Capoeira Mogadouro
 
comemora o seu 1º aniversário!!!
 
E prepara a sua festa…
 
1º Batizado de Capoeira
 
Dia 16 de Julho de 2005, a partir das 16:00 horas na Casa de Cultura – Vila de Mogadouro – PT
 


Tema do Batizado: jesus, vigotisky, capoeira e cidadania

 Angelo Augusto Decanio Filho
 
Ø      Jesus pregou a cidadania como Lei Divina
o        Somos todos irmãos
 
Ø      Vigotisky concebeu a cidadania como decorrência lógica da vida em sociedade e cooperação inter-pares
o        A vida em sociedade ou grupo baseia-se na cooperação entre seus membros ou pares1
o        Nenhum homem se constrói HOMEM sem a cooperação de OUTRO HOMEM2
 
Ø      A capoeira materializa a cidadania pela indispensabilidade de respeito e confiança mútua entre os seus praticantes
o        A Capoeira parece um embate de corpos, mas é um encontro de corações em clima de harmonia, felicidade e amor3
 
1 Peer em inglês
2 Vigotisky
3 AADF 

  
Programação:
 

  • Apresentação dos trabalhos em homenagem a Mestre Bimba e Mestre Pastinha.
  • Leitura do Texto ORIGEM E PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA NA CAPOEIRA  de autoria de Angelo Augusto Decanio Filho.
  • Apresentação de duas músicas de autoria do Grupo.
  • Roda de confraternização.
  • Entrega dos Certificados de conclusão da primeira etapa na caminhada da "capoeira”, assinados por nosso “Presidente de Honra” Angelo Augusto Decanio Filho – Mestre Decanio.
  • Entrega dos Cordões.
  • Jantar de comemoração – Um ano de Capoeira. 

    Agradecimento: Câmara Municipal de Mogadouro
  •  
     
    Coordenação: Professor Luciano Milani
     
    Apoio Cultural:
     

    Agradecimento especial: Mestre Decanio, um ser humano impar, cidadão e guerreiro incansável que dedicou uma vida a capoeira e nos brindou com sua obra e sabedoria.
     
    Tenha a certeza de que mesmo o senhor não estando fisicamente presente estará presente em nossos corações e presente na própria capoeira… no ritmo Ijexá… ritmo do coração…
     
    Muito Axé, Saúde e Paz em sua caminhada…
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    Lampião da capoeira

    Fonte: Correio da Bahia

    Manoel Henrique Pereira, o Besouro Mangangá, tinha fama de bandido e justiceiro no recôncavo baiano

    Praça Batista Marques, antigo Largo da Cruz, onde Besouro enfrentou e debochou de 11 soldados, e conseguiu fugir , saltando da Ponte do Xaréu

    O cabo José Costa saiu do quartel com passos firmes e apressados e tentou imprimir segurança à própria voz quando falou com os dez soldados que o acompanhariam na difícil missão que acabara de receber: prenderia Manoel Henrique vivo ou morto. A caminhada até o local onde o homem procurado estava pareceu estranhamente muito mais longa do que o comum, em parte devido ao calor escaldante de Santo Amaro da Purificação, em parte pelo nervosismo de cada um daqueles 11 homens. Sabiam que, ainda que estivessem armados, tinham uma tarefa quase impossível pela frente, e lutavam contra uma força que chegava a parecer sobrenatural. Talvez até a própria demora em chegar ao bar, no Largo da Cruz, fosse uma artimanha do tempo para proteger o temido Manoel.

    Pode ser que o mesmo raio de sol que fez uma gota de suor escorrer pelo rosto do cabo José Costa tenha lançado um reflexo no fundo do copo de cachaça que Manoel Henrique entornava naquele instante. O certo é que ele pressentiu o perigo e, antes mesmo que o líquido transparente esquentasse seus músculos de lutador, já estava de pé, a tempo de escutar a ordem de prisão e lançar aos soldados seu inconfundível olhar de superioridade debochada. Antes que eles pudessem reagir, com movimentos rápidos e certeiros, rasteiras e rabos-de-arraia, desarmou um por um. O povo que assistia à cena, entre as frestas de janelas, e um ou outro que arriscou se aproximar foi testemunha de que Manoel largou as armas num canto e saiu andando tranqüilamente, com seu caminhar típico de capoeirista, deixando os soldados caídos no chão. Foi pior do que se os tivesse matado. Tanto que a vergonha dos policiais pela desonra foi mais forte que o medo. Levantaram-se rapidamente, a ponto de alcançarem o agressor quando passava exatamente pelo cruzeiro.

    Quando ouviu os gritos e se virou, Manoel Henrique viu diante de si os 11 homens, agora com olhares sedentos de vingança, com armas empunhadas, prontos a atirar. Só teve tempo de, encostado na cruz de madeira, abrir os braços, numa entrega destemida à execução, corajoso até o fim. Não se ouviu nem mesmo a respiração das almas vivas quando abriram fogo sobre aquele que era o homem mais temido de todo o recôncavo, o único capaz de esvaziar ruas e feiras pelo simples mencionar de seu nome. Besouro Mangangá jazia no chão do Largo da Cruz. Mas qual não foi a surpresa quando os praças se aproximaram e viram Manoel se levantar, tão vivo quanto antes, e correr, em movimentos ágeis, pelo beco que leva à ponte do Xaréu. Sem hesitar, pulou da ponte, fazendo quase um vôo, e fugiu pelo mato.

    Atrás de si, deixou policiais com uma expressão mista de raiva e surpresa, e um povo que, cada vez mais, se convencia de que estava diante não apenas do melhor e mais destemido capoeirista de todos os tempos, o único com coragem suficiente para – mais do que enfrentar – até debochar da polícia. Aqueles homens e mulheres começavam a acreditar que suas façanhas não eram apenas fruto de sua incrível agilidade e ousadia, mas de algo maior, uma espécie de sexto sentido, não explicado somente pelas forças que os homens conhecem. Já se comentava pelas redondezas de Santo Amaro que Besouro tinha o corpo fechado. Nenhuma arma de metal poderia atingi-lo mortalmente. O próprio apelido, aliás, vinha dessa crença: dizia-se que, quando se encontrava numa situação difícil, diante de inimigos numerosos demais, Manoel se transformava em besouro e saía voando.

    Até hoje, há gente como Aloísio Lima, 92 anos, que garante ter assistido à cena relatada acima. Mais do que isso, seu Belo, como é conhecido em Maracangalha, afirma ter visto a cruz de madeira na qual Besouro se escorou, que hoje não existe mais, cravejada de balas.

    Figura lendária

    Existem diversas versões – algumas mais, outras menos espetaculares – para o episódio do Largo da Cruz. Mas essa é apenas uma das histórias que se contam sobre Manoel Henrique Pereira, o Besouro Mangangá. Difícil saber quais delas aconteceram de verdade, e, sobretudo, de que maneira aconteceram. Mais difícil ainda é descobrir como esse homem negro e pobre, nascido no fim do século XIX, numa época em que ser praticante de atividades ligadas à herança africana era considerado um crime, se tornou a figura mais respeitada no universo da capoeira. Sua fama cruzou os limites do recôncavo, chegou à capital baiana, ao restante do país e alcançou os quatro cantos do mundo.

    Capoeirista corajoso num tempo em que não havia a divisão entre os estilos angola e regional, muito menos escolas de ensino da arte-luta, Besouro Cordão de Ouro – como também era conhecido – conseguiu a façanha de hoje ser um herói tanto para os seguidores do mestre Bimba, criador da regional, quanto para os discípulos de mestre Pastinha, líder máximo da capoeira angola. Mais impressionante ainda: teve menos de 30 anos de vida para construir toda essa fama, antes de ser assassinado, em 1924.

    Hoje, não há nome mais cantado nas rodas de capoeira. Besouro inspirou a música Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, vencedora do Festival de Música da TV Record, na voz da cantora Elis Regina. Serviu de fonte também para um dos capítulos do livro Mar Morto, de Jorge Amado, e para o filme Besouro capoeirista, com o ator baiano Mário Gusmão. O curioso é que a mesma coragem e valentia lembradas nas canções, que o transformaram num herói, fizeram com que, em vida, tivesse fama de arruaceiro e fosse perseguido pela polícia em inúmeras ocasiões.

    Mas como entender esse homem que ainda hoje provoca discussões apaixonadas? Um homem que é tido por alguns como um criminoso ousado, um fora-da-lei, e, ao mesmo tempo, é considerado por outros um justiceiro, protetor dos oprimidos? Não é à toa que há quem diga que Besouro representou para a capoeira o que Lampião foi para o cangaço.

    Para tentar entender a história de Manoel Henrique, é preciso ter os olhos desconfiados e os ouvidos atentos de um capoeirista. Os casos de suas façanhas são contados por pessoas antigas, algumas que conviveram com ele, outras que ouviram falar de sua rebeldia. Entre uma roda e outra de capoeira, foi saveirista, vaqueiro e amansador de burro brabo. Chegou a ser soldado do Exército. Apesar da fama de violento, "não se tem notícia de que ele tenha matado alguém", afirma Antonio Reinaldo Lima dos Santos, o Lampião, capoeirista santo-amarense que desenvolve uma pesquisa sobre a vida de Manoel Henrique.

    Até hoje, sua personalidade permanece envolta em mistério, fortalecendo ainda mais o mito em torno de seu nome. Sua certidão de nascimento nunca foi encontrada, nem documentos de identidade. Também não há qualquer imagem – seja fotografia ou pintura – dele. Besouro não deixou filhos conhecidos, nem mulher, nenhum grande amor que tenha ouvido suas confidências naquelas noites antigas. Seus amigos já partiram deste mundo. Sua única irmã viva não chegou a conhecê-lo: temia o próprio irmão.

    Houve até quem desconfiasse da existência de Besouro. Sua passagem por esse mundo só foi comprovada há alguns anos, através de dois documentos encontrados no Arquivo Público da Bahia, em Salvador, e no de Santo Amaro. Neste último, Besouro é acusado por um crime cometido na Fazenda Rio Fundo, onde ele vivia como empregado de um poderoso proprietário da região. É naquele amplo terreno, em meio aos canaviais, que Besouro caminha, com seu inseparável facão. É lá, nas terras do poderoso José Antonio Rodrigues Teixeira, que começa nossa viagem em busca do mistério escondido no olhar daquele que Muniz Sodré afirmou ser tido como "o mestre dos mestres".


    Fonte: Correio da Bahia