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Curso: Capoeira Um Instrumento Psicomotor para a Cidadania

No dia 29 de Março, das 8 às 16h, será oferecido o Curso Capoeira: Um Instrumento Psicomotor para a Cidadania, sob a coordenação do Mestre Gladson e do Professor Vinicius na Central de Cursos, Rua Treze de Maio, 681 – Bela Vista, São Paulo.

O curso versará sobre diferentes aspectos relacionados à Capoeira: aspectos históricos, ritualísticos e especialmente os aspectos pedagógicos – estratégias, metodologias, concepções, características, dinâmicas e objetivos envolvidos no processo educativo da Capoeira.

Maiores informações e oorientações para inscrições podem se obtidas no link http://www.posugf.com.br/site/curso.php?ID_Curso=323

Ou através do telefone 11-2714-5656

O valor do investimento é:

Até 20 dias antes do início do curso: R$ 20,00 + 1 X 60,00

Após 20 dias antes do início do curso: R$ 30,00 + 1 X 60,00

Pretende-se criar um espaço de vivência, de troca de informações e idéias entre professores, alunos e Mestres de Capoeira, profissionais que se dedicam ao ensino da Capoeira e acreditam nesta arte como um meio de educação e transformação social.

O Curso tem o mesmo título do livro Capoeira Um Instrumento Psicomotor para a Cidadania, publicado recentemente pela Editora Phorte e que tem tido uma repercussão bastante positiva no meio Capoeirístico, por contribuir para a reflexão e a prática pedagógica dos capoeiristas.

“Dois homens caminhando pela rua, cada um carregando um pão. Ao se encontrarem, trocam os pães entre si, cada um continua com um pão. No entanto, se dois homens caminham pela rua, cada um trazendo consigo uma idéia, se trocam idéias entre si, cada um sai com pelo menos duas idéias”.

A mulher comprou o jogo

Na belíssima crônica “Mulher na capoeira: Claudivina Pau-de-Barraca”, a capoeira brasileira Lúcia Palmares, radicada na França, nos brinda com um relato magnífico que bem ilustra a presença da mulher na capoeira de outrora. De acordo a autora, na capoeira de outrora as poucas mulheres que ousavam entrar na roda eram rejeitadas pelos homens, que viam nisso uma intrusão em seu “território”.

Para demonstrar que as mulheres souberem driblar o machismo e conquistar o seu espaço, Lúcia homenageia mulheres capoeiristas que alcançaram notoriedade como Claudivina Pau-de-Barraca, Rosa Palmeirão e Maria Doze Homens, pioneiras na arte da vadiação, terreno antes monopolizado pelos homens.

A crônica serve de alerta. “Conheci as dificuldades que as mulheres enfrentaram tanto olhares, agressões verbais e xingamentos como desrespeito no jogo de capoeira ou do batuque, por terem tido a ousadia de entrarem naquele mundo sagrado dos homens”, destaca a autora.

De fato, como destaca a autora, há 20 anos era rara a presença da mulher na capoeira. Hoje em dia, em muitas escolas e academias elas são maioria. Mestre Pastinha, disse certa vez, em seu saber profético, que a mulher ainda iria dominar a capoeira. Não é exagero afirmar que a mulher comprou o jogo, entrou na roda, mas não abriu mão de sua identidade. Ao contrário, ao interagir com o vigor masculino, levou para a ginga a sensualidade, o aspecto lúdico, a graciosidade e a beleza estética.

Em tempo de exacerbada da violência urbana, muitas mulheres buscam na capoeiragem um meio de defesa pessoal. Outras a adotaram como terapia para modelar corpo e tonificar a mente. Muitas educadoras ganham a vida no ofício de ensinar a capoeira, enquanto algumas se dedicam ao artesanato temático, fabricando cordas, instrumentos de percussão e indumentária para a prática esportiva. De uma forma ou de outra elas ajudam a redefinir o corpo social que hoje caracteriza a nossa arte.

No entanto, a presença da mulher nas rodas de capoeira ainda é desproporcional à sua participação em instâncias dirigentes como as federações e associações de capoeira. Para alguns camaradas, a presença da mulher é bem vinda na roda, mas vista com desdém em postos de comando. Essa situação tende a ser revertida, afinal, quem joga, quem ginga, também pode dar rasteira na discriminação – ancorada no frágil discurso contra o “sexo frágil” – e conquistar o seu lugar ao sol no que diz respeito à liderança na capoeira.

Quando os homens capoeiristas compreenderem que a presença da mulher em todas as instâncias da capoeira contribuirá para o fortalecimento de todos, essa dicotomia vai desaparecer, a exemplo do que ocorreu no mercado de trabalho e no controle familiar, onde os dois sexos atuam com igualdade de chances e responsabilidades.

(*) A autora é capoeirista, estudante de Direito e Presidenta da Associação de Capoeira Ladainha .

A Capoeira e o Universo Feminino

MARÇO MÊS DA MULHER: A CAPOEIRA E O UNIVERSO FEMININO

A capoeira é arte e como tal, é uma forma de expressão que não tem barreiras, não tem limites. Isso quer dizer que cada um pode adapta-la e ela pode se adaptar as características pessoais de cada individuo.
Capoeira é dança, a mulher é pela própria natureza uma bailarina……desde criança ensaia, dança, deixando-se levar pela musica.
A capoeira é luta, e a mulher já faz tempo que vem demonstrando sua valentia naquelas artes confinadas no passado só aos homens: das mais tradicionais (judô, karaté, aikidô) as mais atuais (ju-jistu, muay thai, wrestling).
 
Dentro da roda a mulher leva sua energia, sua flexibilidade, raramente chega aos níveis acrobáticos dos homens, mas ela se sobressai por outras qualidades.
Não é raro ver uma mulher jogando com um sorriso que ilumina a roda a seu redor, não é raro que uma mulher ao entrar na roda influencie com sua energia a bateria, o ritmo e as pessoas que estão assistindo.
Talvez pela sua sensibilidade pela sua delicadeza, no jogo lembra as crianças: cria, ousa, cai e levanta, e as vezes esquece do sorriso que continua mesmo estando no chão.
A mulher lutou muito acompanhando nos anos o desenvolvimento da capoeira dentro da sociedade, até chegar aos dias de hoje onde ela reina e conquista aqui também seu espaço, ás  vezes difícil nessa arte.
Conquista seu espaço no Brasil onde o preconceito em relação a capoeira é maior e no exterior onde talvez a sociedade está mais acostumada a lidar com a evolução feminina.
Divulga a cultura brasileira, educa jovens, desenvolve cidadãos, implanta projetos sócias.
 
Assim, o que é difícil de pesquisar na historia e tão raro de se tornar lenda, como o mito de “Maria doze homens”, que com sua valentia dava conta de lutar com doze homens de uma vez só, agora vira normalidade. Inúmeras Tatiana, Virginia, Caroline, Josy, estão aí mostrando ao mundo que não existe coisa melhor que as diferenças para completar, somar e ampliar qualquer tipo de forma de expressão.

 

No mês de março Capoeira Luanda lembra o “dia internacional da mulher”, data decretada pela ONU em 1975 para homenagear a mulher e suas lutas sociais:

Roda na Praça Rui Barbosa, Mogi Mirim – SP dia 8/03 as 10:00 hs

Encontro feminino: Sesc Goiânia- GYN  dia 16/03 a partir das 9:00 hs (cursos e rodas)

Sesi – Três Lagoas: Primeiro “aulão” de capoeira para mulheres

Cidade promove primeiro "aulão" de capoeira para mulheres

Evento será exclusivo para mulheres

O público feminino será destaque no esporte neste fim de semana em Três Lagoas. No sábado (6), elas dominarão as quadras da escola Sesi durante o primeiro “aulão” de capoeira para mulheres na cidade. Mário Márcio Queiroz, professor de capoeira e organizador do evento, explica que o encontro será exclusivo para o público feminino: os homens ficarão do lado de fora. “Eu mesmo não participarei do evento, será o Clube da Luluzinha da Capoeira”, declarou.
 
A abertura do “aulão” ficará sob a responsabilidade das “meninas” do grupo de capoeira da terceira idade, projeto desenvolvido no Centro de Convivência Tia Nega, Parque São Carlos. Já as técnicas de capoeira serão repassadas por: Fernanda e Moranguinho, de Três Lagoas, e professora Estrela, que veio de São Paulo para o evento.
 
Mário Márcio explicou que o encontro é destinado para mulheres de todas as idades. “Por isto foi proibida a entrada de homens, para que estas mulheres se sintam mais a vontade”. A entrada para o evento será franca.
 
Intercâmbio
 
No mesmo sábado (6), será realizado em Três Lagoas o 2º Intercambio Cultural de Capoeira. Com a presença do Mestre Hulkinho, de São Paulo (SP), o evento, desta vez pago e com entrada restrita, será marcado por duas palestras sobre a cultura de capoeira de cada região, seguido pelo curso de técnicas de capoeira. Os dois eventos serão realizados no sábado (6), das 13h às 18 horas, na quadra do Sesi.
 
Fonte: Hoje – Três Lagoas, MS – http://www.hojems.com.br/noticias/?id=9548

Dia Internacional da Mulher Capoeira

com base no artigo do Dr. André Freire, Portugal –
Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
Edição 63 – de 05 a 11/Mar de 2006


"Muitas mulheres ainda relutam,  com toda razão,  sobre essa linda e justa homenagem: O DIA INTERNACIONAL DA MULHER!
Desconfiadas perguntam: e quanto aos demais dias?
Perguntam ainda: e quanto ao Dia Local, Municipal, Regional e Nacional da Mulher?
Muito falta, realmente, a ser feito para que a mulher veja seus direitos plenamente reconhecidos. Nas legislações e nas culturas do mundo.
Por outro lado, não se pode negar, a mulher de hoje já apresenta avanços,  ocupa posições acadêmico-profissionais absolutamente inimagináveis no começo do século passado.
Para que esse processo continue progredindo  faz sentido, sim, a criação de um DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
Até porque, vivemos num mundo cada vez mais dominado pelo marqueting, sendo assim, o Dia da Mulher, na pior das hipóteses terá o mérito de chamar atenção do mundo para o óbvio. Ou seja, a importância eterna e diuturna da presença da Mulher na Vida e no Mundo.
De parabéns, portanto, a Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) que, em 1975  decretou o dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher.
E por que escolheram o dia 8 de março?
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Abertura

Atualmente a capoeira é praticada em mais de 150 países dos 5 continentes
por homens e mulheres de todas as idades, credos e descendências,
em aulas ministradas por milhares de mestres brasileiros,
de todas as classes sociais.
 
No Brasil, são mais de 5 milhões de praticantes.
 
Seus maiores mestres de todos  os tempos foram
Mestre Bimba, criador da capoeira Regional
E Mestre Pastinha, o mais importante nome da capoeira Angola.
 
E é de Bimba que trata esse documentário,
Dedicado aos capoeiristas de todo o mundo.


Mulher na capoeira: Claudivina Pau-de-Barraca

 
Não muitos anos atrás, as poucas mulheres que ousavam se meter na capoeira eram rejeitadas pelos homens, que viam nisso uma intrusão em território próprio. O que não impediu algumas guerreiras de irem para frente, na capoeira como em tantos outros setores de dominação masculina. Assim numa lembrança de Lúcia Palmares. Alguns termos não encontram-se em dicionário. Em caso de dúvida, deixem o cursor em cima por dois segundos para ver se não aparece um esclarecimento: exemplo.

Dona Valdelice morava quase do lado da nossa casinha na Capelinha de São Caetano, um subúrbio pertinho de Salvador. Tanto Mãe como Dona Valdelice eram pessoas discretas e que não se metiam em fuxicos; iam na igreja evangêlica e acontecia que conversando no caminho Dona Valdelice falasse:

— Ah, dona Damiana, Vina não tem jeito. É a a ovelha negra da família.

Mãe não fazia questão de perguntar por que. Eu não imaginava o que era ser ovelha negra. Não tinha ovelha nenhuma na Capelinha de São Caetano, e quando Claudivina visitava a irmã, eu via apenas aquela negrona bonita de cabelo curto bem arrumado, preso atrás da cabeça, vestida direitinho, como se diz la na minha terra, nada que explicasse o que era ser ovelha negra. Mãe dizia somente que era coisa que não prestava, e uma criança de sete anos esquece logo as coisas da gente grande. Vina não tinha nada de especial, a não ser o tamanho, na faixa de um metro e noventa, meia cabeça a mais da irmã.

Se calculo bem, foi por volta de 1963 que deixei a casinha de taipa na ribanceira e o nosso pé de mamão por uma vida bem melhor no bairro de Uruguai. Juliana, a irmã gemêa de Mãe, passou a ser minha Mãe, e eu fui morar na rua Conselheiro de Abreu, 39, com os meus pais adotivos. Logo ouvi falar de uma tal arruaceira e desordeira conhecida como Pau-de-Barraca, e não demorei de ver essa mulher que passava entre os verdureiros e todo jeito de vendedores ambulantes que tinham seus fregueses no bairro. Uma coisa que me chamava atenção é que ela usava coturnas e boné meio de lado, macacão azul ou então bermuda, nada de saia. Quando ela passava, os garrotos que jogavam baba paravam para olhar aquela negrona com seu andar gingado, seguro como se seguisse uma música. Mesmo no barulho dos ônibus e dos carros, nos gritos das crianças brincando nos poços de água da rua de chão, o vozeirão dela fazia todos correrem às janelas e às portas. E na primeira vez que eu também corri p’ra ver, eu reconheci Vina.

Ela sorria para todo mundo e dizia piadas às vezes piquantes, que mexiam com os mais velhos :

— Que mau exemplo para as meninas!

Mas Vina não ligava para nada disso. Ela tirava os jornais da sua sacola de pano azul, e fazia as suas entregas para os assinantes, indiferente. Também trabalhava de mecânico de automóveis, consertava casas, vendia picolé. Andava nas ruas não importava a hora, entrava em botequim para jogar dominó. Isso era coisa que mulher direita nem pensava em fazer no Nordeste. Pau-de-Barraca alimentava conversas.

— Não é p’ra olhar essa muié! Muié macho é contra os olhos de Deus. Na certa fez pacto com o Capeta.

Minha Mãe era uma mulher corajosa e determinada; mesmo assim creio que achava que Pau-de-Barraca era o diabo em figura de gente. Vina brincava com todas essas coisas que diziam dela, e gritava às vezes nas suas passagens:

— Olhem suas filhas minhas senhoras, que estão de olho em mim…

e seguia o caminho dela quase sempre alegre, e sempre pronta para os desafios da vida dura que ela levava.

Minha Mãe era ialorixá no bairro de Uruguai. Um dia iamos para a casa de Leleta, uma filha-de-santo dela, quando ao passar na rua da Palestina, ouvimos o vozeirão de Vina acima de outras vozes, exaltadas, de homens, que vinham do beco onde ela morava. Paramos para observar, e não demorou muito, vimos quatro homens saindo do beco, correndo como bala, com Vina armada de um porrete grosso atrás, xingando os caras com nomes que os homens não gostam de escutar. Vina voltou a entrar no beco, xingando todos nós que estavam la olhando os homens fugirem humiliados, iguais a cachorrinho com o rabo entre as pernas. Mesmo com barulho corriqueiro no bairro, era um espetáculo as brigas da mulher macho. Como sempre, a polícia chegou e foi embora. Não sei ao certo, mas parece que Vina tinha amizade na polícia. Nunca foi presa que eu saiba.

Vina se dizia mulher e bem mulher. Não era sapatão, como dizia com a boca bem grande, e nunca ouvi ninguém falar, só que homem para viver com Pau-de-Barraca, tinha de se conformar em ser a galinha, pois o galo, era ela. E as vezes, ficava difícil, e dava briga.

O tempo passou. Nos meus catorze anos eu não falava nada por que tinha medo de levar tabefe de minha Mãe, mas no fundo, admirava aquela mulher. Desejava mesmo de ser corajosa e valente como ela. Acho que um monte de colegas tinham por Vina um pequeno pensamento de admiração, e como eu não ousavam falar. Mulher sem papa na língua, que não levava desaforo para casa, nem de homem! E mulher? Essas nem ousavam lhe dizer uma palavra de desagrado seriamente, poderiam pilheriarem, mas isso ela não ligava. Era como se se sentisse toda poderosa diante do pequeno mundo que as mulheres do lugar viviam naquela época.

Um sábado de verão minha Mão me falou assim:

— Vai dar recado p’ra Miuda vir para o Ingorossí na segunda-feira, sua nigrinha, vá sozinha e não demore!

Minha Mãe não pedia, dava ordens. Dona Miuda morava pelos lados de São Domingos no final da Régis Pacheco. Ir sozinha era para não levar o meu irmão de criação Zé, que não batia bem da bola, e que sempre me fazia desviar do caminho com o paco dele insistente. Mas Zé escutou, saiu de fininho, e correu para me esperar na esquina como fazia sempre.

Aí chegados lá e recado dado, o Largo do Tanque não ficava longe. Ora, tinha sido renovado, e à noite ia ter a inauguração. Só que em Salvador, as festas começam bem mais cedo, ou de véspera. Sabendo disso Zé falou:

— Vamo Lucinha, vamo ver como ficou o Tanque depois da renovação!

— P’ra levar uma surra da minha Mãe ? Não vou!

Mas ele continuava rindo — ele ria todo o tempo, Zé — e insistindo:

— Venha, Lúcia, vamos no largo do Tanque!

Eu curiosa de ver como tinha ficado o Largo do Tanque acabei escutando Zé Doido.

O Largo do Tanque era todo novinho, em folha. Bastante gente trelavam p’ra lá e p’ra cá na calçada nova ou asfalto novo; o tráfico ainda era proibido. A música do alto-falante já alegrava o ambiente, um palanque esperava os políticos falarem, à noite. Eu fiquei andando por ali, Zé olhando para outras coisas. Já era o final da tarde, e prometia que o Grito de Carnaval que ia se passar à noite, seria bem alegre. Aliás tudo é alegre em Salvador, e quase todo vira festa. Nesse meio tempo pensava em tomar o rumo de casa, pois tinha nenhum desejo de tomar cipoada de cipó caboclo. Pensei em procurar Zé, mas ele me encontrou antes, e ele, todo assanhado, me chamou para ver uma roda de capoeira. Sua excitação não era por causa da capoeira.

— Vem Lucinha, Vina vai jogar capoeira, vamo ver.

Naquele tempo não sabia nada de capoeira. Quando eu ficava curiosa de ver o que se passava no interior daquelas rodas que se formavam nas ruas, durante as festas de largo, como a da Boa Viagem ou a lavagem do Bonfim, minha Mãe me puxava pelo braço, falando:

— Isso aí é coisa de gente que não presta, é brincadeira de vagabundo e de ladrão.

Pois naquele Sábado no Largo do Tanque fiquei curiosa de ver Vina fazer uma coisa tão proibida assim como a capoeira; esqueci das cipoadas que poderia tomar caso eu demorasse de voltar para casa. Cedei aos esticões que Zé me fazia no braço. Quando consegui chegar na beira da roda, a força de Zé abrir o caminho para eu passar, eu vi pela primeira vez uma roda de capoeira. Tinha mais de vinte homens em pé com berimbaus, pandeiros, agogô, e todos assim muito animados, alegres e vestidos normalmente, de calça e camisa de manga curta. Minha curiosidade se dirigia para Vina, em pé na beira da roda, batendo palmas e cantando, vestida de uma camisa de quadradinhos azulada colocada dentro das suas calças jeans de marca Far-West. Também com grande chapéu de palha na cabeça; só ela que tinha esse chapéu. Ela gostava de aparecer.

Com certeza aqueles homens a olhavam com o canto do olho. Não gostavam daqueles eternos desafios dela. Vina tinha um nome respeitado, mas que muitos deles que estavam ali. E é bem claro que alguns deles desejavam apagar aquela arrogância, aquela ousadia da mulher que jogava capoeira e batia em homem. Hoje compreendo que não tinha lugar melhor para fazer-la compreender que ela invadia um território que não lhe pertencia.

Vina logo entrou para jogar com um negão do mesmo tamanho dela. E depois de ginga p’ra lá e ginga p’ra cá, ela não demorou muito de receber um telefone, golpe na capoeira dado com as duas mãos contra as orelhas, violentamente. Um vacilo, sem dúvida. E para minha tristeza, eu vi, como todos os que estavam lá, Pau-de-Barraca desabar de cima de seus metro e noventa de altura e cair estendida no chão desmaiada. Eu vi os capoeiristas a arrastarem para fora da roda. Não fiquei para ver se levavam-la no hospital. A roda continuou; eu tomei o rumo de casa sem demora, pois não tinha permissão de estar naquele lugar. Durante o caminho, Zé que vivia rindo ria mais ainda, e puxava meu braço, dizendo:

–Viu Lucinha, ‘cê viu aquela da Vina…

Eu tinha visto sim. Ficava de certa forma triste. Mas mesmo assim eu não perdi a admiração que tinha por ela.

Penso hoje que ela não devia estar em plena forma naquela tarde; ou devia estar queimada pelos inúmeros inimigos disfarçados que à arrondiavam. O que sei é que as energias foram contra ela. Mas, era uma mulher destemida, impetuosa, e que não conhecia o medo, e talvez não resistiu aos toques arrojados do berimbau. Também sei que aquele telefone que ela recebeu não foi nada diante da força que ela possuia. Jamais a esqueci. Três anos depois entrei na capoeira, cheia de receios, mas determinada a ficar e a conhecer, e sem esquecer que são mulheres de cabeça erguida, como Claudivina Pau-de-Barraca, que mesmo sem ter a fama de outras mulheres de sangue no olho como Rosa Palmeirão ou Maria Doze Homens, conseguem mudar o pensamento de outras.

Digo isso por que aí se trata de capoeira. Conheci as dificuldades que as mulheres enfrentaram, tanto olhares, agressões verbais e xingamentos como disrespeito no jogo de capoeira ou do batuque, por terem tido a ousadia de entrarem naquele mundo sagrado dos homens. Sei que em todas as épocas existiram mulheres excepcionais que se destacaram para a posteridade devido à audácia que tiveram em vários outros setores da vida; e que graças a essas mulheres heroinas que hoje nós mulheres ocupamos uma posição bem melhor na sociedade em geral.

Lucia Palmares & Pol Briand
3, rue de la Palestine 75019 Paris
Tel. : (33) 1 4239 6436
Email : polbrian@wanadoo.fr

A Nova História

Existe hoje em evolução a chamada Nova História, que valoriza as análises SOCIOCULTURAIS dos chamados temas malditos que tratam dos excluidos sociais que são os pobres, vagabundos, prostitutas, negros, mulheres e índios…eles estão sendo escritos e preenchidas as lacunas da História. Dão voz à minoria social, à qual foi negada reconhecimento junto ao processo histórico. São os Esquecidos da História. Hoje, existe uma lei nº 10.639 de fev/2003 que obriga qualquer instituição de ensino no país, seja ela pública ou privada, no ensino fundamental e médio, a ensinar temas da Cultura Afro-Brasileira, no entanto isto não basta, as pessoas que devem ensinar devem também ser preparadas para tal. Um professor de Artes tem obrigação de entender que o berço da civilização do mundo é a África para poder ensinar. Um(a) professor(a) de capoeira, não pode ser apenas um(a) professor(a) de capoeira, tem que agir como educador(a), saber dos fundamentos e da história dos africanos e seu posicionamento passado, atual e futuro no mundo.

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ALCOOL E CAPOEIRA

Uma dose de uísque (50 mililitros), assim como a mesma medida de vodca ou cachaça, equivale a 20 gramas de etanol, álcool puro. (Nas mulheres o efeito correspondente é duas vezes maior.)
Uma garrafa pequena de cerveja ou 100 mililitros corresponde a 4 gramas de álcool puro. (Nas mulheres o efeito correspondente é duas vezes maior.)
O álcool se distribui na água do corpo humano e não na gordura, como geralmente se pensa. A mulher tem proporcionalmente muito mais gordura corporal que o homem e conseqüêntemente menor proporção de água total no organismo, pelo que o alcool se dilue menos no corpo da mulher. Os homens têm uma enzima capaz de metabolizar o alcool no estômago metabolismo, que as mulheres não possuem. Portanto, os homens podem começar a modificar as moléculas do alcool no estômago, enquanto nas mulheres este processo só poderá ser iniciado com a chegada do alcool aos intestinos, dotados em ambos os sexos do mesmo enzima, o que agrava as conseqüências da ingestão do alcool.

Consumido até 2 doses por dia
o alcool poderá provocar os seguinte efeitos:

  • Aumento do HDL, o colesterol bom que ajuda a limpar as artérias do acúmulo de gorduras. Pesquisas feitas com mais de 22 000 homens ao longo de dez anos pelo Boston’s Brigham and Women’s Hospital,
    nos Estados Unidos, revelaram que os que consumiam um drinque por dia corriam 21% menos riscos de doenças mortais que os abstêmios. Tal dosagem alcoólica no organismo diminuiria o risco de ataque cardíaco entre 25% e 40%.
  • Uma pesquisa feita nos Estados Unidos com 40 000 homens com idade média de 40 anos, bebedores de duas a quatro doses por dia, revelou que 40% deles mostravam menos riscos de desenvolver diabete. A bebida, ingerida com as refeições, faria o corpo utilizar de maneira mais eficiente a insulina, o hormônio que controla os níveis de açúcar no sangue.

A ingestão maior que 30 (trinta) gramas de álcool diariamente
acarretará conseqüências graves no futuro!

  • Em um homem de 70 quilos, o nível de álcool no sangue, chamado BAL (blood alcool level), de uma dose de bebida é algo ínfimo como 0.016 e quase não se nota.
  • Entretanto, a partir de uma dose e meia de bebida alcoólica entretanto, há prejuízo no reflexo dos motoristas, que perdem o poder de crítica, realizam manobras incorretas, perdem a noção de velocidade, tempo e profundidade.
  • A segunda e a terceira dose
    • aumentam as chances de osteoporose (os níveis da principal proteína da matriz dos ossos caem cerca de 80% logo após a ingestão da segunda dose);
    • degeneram o fígado,
    • corroem a mucosa do esôfago e
    • impedem a absorção das vitaminas B1, B12 e C.
  • O alcool é um poderoso diurético ,
    • mais de duas doses (de 30 militros) de uísque ou duas taças (de 100 mililitros) de vinho conseguem remover até 2% de água do peso total do corpo humano,
      podendo provocar cefaleia e outros sintomas.