Blog

idade

Vendo Artigos etiquetados em: idade

Mestre Acordeon & “B2B – Joga Capoeira”

Mestre Acordeon está nas vésperas de começar o B2B – Joga Capoeira, seu projeto mais recente e o mais ambicioso em toda sua carreira.

No último dia do “2013 UCA Batizado” em Berkeley na California e, ao completar 70 anos de idade, ele irá embarcar em uma jornada de introspecção e pesquisa profunda sobre a capoeiragem nas Américas. Em sua maneira de pensar, este projeto além de ser um marco para um novo estágio em sua existência, deverá ser também uma contribuição para o entendimento da trajetória da capoeiragem fora do Brasil.

Numa decisão pouco comum, porém consistente com sua personalidade e determinação, Mestre Acordeon escolheu sua bicicleta de mais de 20 anos de idade para viajar quase 23,000 km da Baia de San Francisco na California até a Bahia de Todos os Santos. Em suas palavras: “… indo de bicicleta eu terei oportunidade de imergir gradualmente nas culturas dos paises que irei visitar.” O B2B tem vários objetivos, sendo o mais significante para o Mestre Acordeon promover a visibilidade do Projeto Kirimurê, um programa social que ele mantêm na vizinhança de Itapuã para crianças entre 4 a 15 anos de idade. Este projeto irá completar 7 anos de existência e os fundos gerados pela comercialização dos produtos do B2B serão doados para esta entidade.

{vimeo}68905827{/vimeo}

Os outros objetivos a serem realizados durante esta trajetória são osseguintes:

• No dia 2 de setembro, Mestre Acordeon sairá de Berkeley com destino à San Diego com um grupo de alunos e amigos que o acompanharão nas suas bicicletas. Será uma jornada emocionante em que eles visitarão 9 cademias de capoeira até a fronteira dos Estados Unidos com o México. Em ordem cronológica, estas academias estão sob a liderança dos mestres, contramestres e professores a seguir: Papiba, Mariano, Chin, Guatambu, Batata, Amen, Boneco, Paulo Batuta e Mindinho, todos amigos do Mestre Acordeon e comprometidos com o sucesso do B2B;

• Entrando no México através da Baja California, Acordeon participará em vários eventos promovidos por muitos grupos de capoeira na América Central, como também na Colombia, Venezuela e Brasil. Durante esta visita, ele pretende trocar conhecimentos e aprender ainda mais sobre como a capoeira tem influenciado a vida das pessoas fora do nosso pais e, como estas pessoas também influenciam capoeira;

• Um documentário que irá fundir através dos olhos de um mestre experiente, imagens de um arquivo histórico relevante com momentos da capoeira que se pratica hoje em dia. Este filme terá uma trama dinâmica que também
registrará momentos inesperados durante a jornada, incluindo sugestões de como um capoeirista poderá melhorar seu jogo, como tocar berimbau de maneira expressiva e como interpretar a música da capoeira, refletindo sua própria personalidade. A trilha sonora planejada para este filme pretende refletir a influência das diversas formações culturais dos capoeiristas participantes. Parte dela será utilizada para a criação de um novo CD musical de alta qualidade.

• Mestre Acordeon concluirá um livro usando as letras de suas cantigas como ponto de partida para explorar vários assuntos relevantes para o capoeirista de hoje em dia, incluindo, um pouco de historia e filosofia. Em um sentido amplo, este trabalho será uma continuação de seu livro “Agua de Beber: Um Bate Papo de Capoeira”, com mais ênfase na capoeira atual, técnicas de treino e ilustrações.

Enfrentando as dificuldades de inúmeras horas pedalando, a emergência de obstáculos imprevisíveis e os limites de sua próprias capacidade física, Mestre Acordeon espera mergulhar em um processo de introspecção em que passado, presente e futuro possam fundir-se numa alquimia mágica capaz de promover um nível maior de auto-conhecimento e crescimento pessoal. Nas palavras do próprio Mestre, “espero terminar esta experiência como um ser humano melhor e um mestre capaz de influenciar de maneira ainda mais positiva a vida de meus discípulos”.

Um projeto desta grandeza, tão complexo e não-linear, não poderá ser realizado sozinho. Ele exige um grupo diversificado de pessoas, colaborando em diferentes frentes. Estamos muito gratos àqueles quetêm nos ajudado até então. Agora, estamos pedindo que todos vocês, capoeiristas, amigos e simpatizantes da causa, estendam as mãos e colaborem com este projeto. “Juntos seremos capazes de criar um documentário visual de alta qualidade e um belo trabalho para as gerações futuras”. Faça parte da jornada do Mestre Acordeon!

 

Informações adicionais:

Suelly (Suellen Einarsen), a primeira mulher americana a se tornar mestre de capoeira irá fazer parte de um grupo de alunos dedicados que acompanhará o Mestre durante toda a viagem. Por muito tempo, Mestra Suelly tem sido a companheira do Mestre Acordeon.

Alunos que pretendem acompanhar Mestre Acordeon:

Mariano Weschler-Bonsieppe (Galã): [email protected]
Diego Armando Arena (Tarântula): [email protected]
Elisa Pasquini (Tuchegas): [email protected]
Amber Nelson(Peninha): [email protected]
Ashlee Trueb: [email protected]
Keith Chong(Balão): [email protected]
Tora Akiyama: [email protected]

Produção audiovisual:

Jorge Itapuã Beiramar, Kelly Calderon Barauna, Jonatan Romarico Roma

Animation:

Kjeld Pederson (Requeijão)

 

CLIQUE E VEJA O VIDEO FINAL NO INDIEGOGO

Caso vocês queiram fazer uma contribuição em Reais, oferecemos também a possibilidade de depositar na conta poupança 08707-3/500 em nome do Instituto Mestre Acordeon, Banco Itaú, Agência 1510. Envie o comprovante de deposito para o endereço[email protected], para receber um brinde em setembro, no final da campanha.

RJ: Professor de capoeira é preso após perder celular com fotos de pedofilia

Mais uma notícia triste para a nossa capoeira… Porém entendemos ser fundamental que os fatos sejam denunciados e processados. A pedofilia é algo ultrajante e mancha de forma horrenda toda e qualquer modalidade ou profissão…

Temos de nos mobilizar e sensibilizar para acabar de uma vez por todas com esta vergonha!!! ***


Mestre Rambo, como era conhecido, dava aula em escolas públicas de São João de Meriti

A Secretaria Estadual de Educação afastou o professor de capoeira, conhecido como Mestre Rambo, suspeito de abusar sexualmente de menores de idade que treinavam em escolas públicas onde ele dava aulas em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Os atos de abuso sexual foram descobertos depois que o celular de Mestre Rambo foi encontrado em uma casa de festas. No aparelho, o professor guardava diversas fotos de crianças e adolescentes.

A atitude alivou os estudantes e os pais dos alunos das escolas onde o suspeito dava aulas. De acordo com relatos de menores de idade, a prisão surpreendeu todas as pessoas que conviviam com Mestre Rambo.

— Você não imagina uma pessoa tão perto de você ser presa desse modo.

O homem que encontrou o telefone e prefere não ser identificado disse que resolveu mexer no aparelho com o intuito de procurar o dono. Mas encontrou imagens, que na opinião dele, tratavam-se de pedofilia.

— Eu senti revolta, ódio, nojo daquela situação. E acabei entregando o telefone para a polícia.

Após analisar as imagens recolhidas na casa do suspeito, o delegado Marcello Maia, titular da Dcav (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima), identificou crianças de até seis anos de idade fotografadas durante a aula.

— Ele pede para que as crianças façam uma ponte para trás. Nessa ponte, se expõe a parte abdominal, que é a região mais trabalhada na capoeira. Ele se aproveita disso para tirar fotografias da região abdominal e logo em seguida também tira foto da região peniana.

Maia diz ainda que existem vídeos em que ele aparece beijando a boca um menor de idade.

— Foi criminoso, não tenho dúvida.

Na casa do suspeito, a polícia encontrou uma câmara fotográfica que continha centenas de fotos de crianças e adolescentes. Mestre Rambo foi preso em flagrante e levado para uma penitenciária de segurança máxima.

Até perder o telefone, o professor de capoeira era um homem acima de qualquer suspeita. Ele era visto por vizinho e pais dos alunos como uma boa pessoa.

— É uma das características principais do pedófilo. A finalidade disso é para, se eventualmente a criança fale isso para um responsável, o pedófilo tente desmascarar.

Fonte: http://noticias.r7.com

*** Comentário do Editor – Luciano Milani

Assista ao vídeo:

Festival Cultural da Melhor Idade reunirá cerca de 300 idosos

Festival Cultural da Melhor Idade reunirá cerca de 300 idosos no próximo dia 08 de dezembro, que farão apresentações de puxada de rede, samba de roda e capoeira

O projeto de Capoeira adaptada, fomentado pelo Grupo de Capoeira Mandinga e a Ong JUNTOS, avança e proporciona novidades para seus alunos da terceira idade

Dona Terezinha não perde uma aula. Sagradamente, duas vezes por semana, ela deixa de lado a rotina usual de dona de casa para praticar uma atividade um tanto inusitada para alguém com mais de 60 anos: a capoeira. Num primeiro contato, Terezinha pensou que não daria certo. Como uma atividade que pede pulos, ginga e sincronia de movimentos caberia a um idoso?

 

Cabe. Hoje, três anos depois, Dona Terezinha – ou Maria Terezinha do Nascimento, de 63 anos – aguarda ansiosa suas aulas de capoeira adaptada, atividade feita graças à iniciativa da ONG JUNTOS (Jardins Unidos No Trabalho de Obras Sociais) e do projeto Tempo da União, braço cultural da Associação de Capoeira Mandinga, que atua em diversas regiões com seus projetos sociais e culturais.

 

Terezinha faz parte de um grupo que atualmente conta com 380 idosos. Todos, segundo a própria praticante, descobriram os benefícios da terapia. As aulas de capoeira adaptada aos idosos começaram na sede da ONG JUNTOS, situada na zona leste da capital, com cerca de 60 idosos, que até então participavam de terapias ocupacionais pouco aeróbicas, como a musicoterapia.

 

Da capoeira para o interesse a práticas da cultura afro descendente, foi uma questão de tempo. No próximo dia 08 de dezembro, o grupo fará apresentações de bate latas, dança do coco, puxada de rede, teatro focando a temática da escravidão, samba de roda e maculelê. Após as apresentações haverá um campeonato de capoeira com premiação para os primeiros três colocados. “Os resultados desse trabalho são gratificantes. Não somente em termos de qualidade de vida, mas pelas lições, pela vivacidade que eu presencio no convívio diário” – afirma Cibele Moura, capoeirista há 17 anos e professora da turma, que tem seu aluno mais novo com 60 anos e, o mais velho, 94.

 

 

Sobre o evento

 

I Festival Cultural da Melhor Idade

 

 

Organização Grupo Capoeira Mandinga – ONG Juntos

Dia 08 de dezembro às 10h

Local: Sede da ONG Juntos – Rua Cânfora, 90 – Jardim Brasília.

O evento será aberto ao público e contará com a presença do Mestre Maurão, a frente do Grupo de Capoeira Mandinga e um dos maiores nomes dessa cultura no mundo.

 

“É o terceiro evento que realizamos para essa turma tão especial. No entanto, para essa edição, colocamos mais atividades culturais, uma vez que os alunos foram inseridos na capoeira, que é uma prática mantenedora das culturas regionais brasileiras que serão apresentadas.” – sinaliza Mestre Maurão.

 

Baobá Comunicação [email protected]

Idosos participam de atividades do Dia Mundial de Combate à Osteoporose

Cerca de 700 idosos participaram hoje (20) de atividades para lembrar do Dia Mundial de Combate à Osteoporose. Reunidos no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, eles participaram de atividades como aula de tai chi chuan, dança e capoterapia (terapia inspirada na gestualidade da capoeira – Mestre Gilvan).

A coordenadora do Programa de Prevenção à Osteoporose da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Helenice Gonçalves, explicou que exercícios físicos é uma das atividades que ajudam na prevenção da osteoporose. “O osso precisa de impacto para absorver o cálcio”, explicou. A orientação é fazer atividade física, pelo menos, três vezes por semana, com orientação de profissional especializado. Também é importante evitar fumo e álcool e café expresso.

A dona de casa Milma Silva, 68 anos, disse que gostou de participar das atividades. “Espero que tenha sempre [eventos como esse]. É bom para a saúde e para o convívio social”, destacou.

Segundo a Secretaria de Saúde, a osteoporose é uma doença crônica causada pela diminuição de cálcio nos ossos, tornando-os enfraquecidos e predispostos a fraturas.

 

http://www.jb.com.br

 

Capoterapia

Uma nova terapia, inspirada na gestualidade da capoeira, traz para a terceira idade benefícios físicos, sociais e emocionais

Por Mano Lima (*)

Há 11 anos, o capoeirista brasiliense Mestre Gilvan constatou que havia uma escassez de políticas públicas e de atividades específicas para a terceira idade. Nascia no Distrito Federal a capoterapia – capoeira adaptada para a terceira-idade  como modalidade lúdica, capaz de atrair pessoas e tirá-las do sedentarismo. “O trabalho com a capoterapia iniciado por Mestre Gilvan em nossa unidade de saúde, aliado a outras atividades que oferecemos, como o tai chi chuan, a dança, as sessões de alongamento e a ´terapia do abraço´ têm atraído muitos idosos para atividades que são fundamentais para o seu bem-estar físico e psíquico”, explica o coordenador de terapias corporais do Centro de Saúde 7 de Ceilândia, DF, Dr. Geovane Gomes da Silva. Uma das diferenças da capoeira tradicional para esse novo método está no ritmo e na intensidade. Assim como na capoeira, na capoterapia há a ginga, movimento tradicional da capoeira, e os alunos tem pequenas noções da esquiva, que é o ato de se desviar de um golpe. Mas evidentemente não há saltos, nem golpes mais contundentes, que podem expor os idosos a acidentes e lesões.

A capoterapia pode ser feita, inclusive, por cegos, pessoas com déficit mental ou com seqüela motora (cadeirantes). Apenas pessoas com doença cardíaca grave devem evitar, pois nestes casos qualquer esforço físico mais intenso é uma ameaça a sua saúde. Como a maioria dos grupos de capoeira funciona em centros de saúde, os próprios médicos alertam aos pacientes sobre a viabilidade ou não de fazer a capoterapia. E, o que é mais importante, na capoterapia há o respeito ao ritmo de cada um e ninguém é obrigado a fazer senão aquilo que lhe dá vontade e prazer. ”Conheci a capoterapia através do Centro de Saúde, nas atividades para os idosos hipertensos. Minha família concorda com qualquer atividade que eu faça e que me ajude na melhoria de minha saúde. Sempre fiz exercícios físicos, só que com menos freqüência, depois me integrei ao grupo e tive vários benefícios, pois é muito bom estar em contato com outras pessoas. Minha vida era boa, só que como estava um pouco parada, o corpo estava travado. Quando a capoterapia apareceu, contribuiu ainda mais no meu desempenho físico. Espero que este programa voltado para os idosos não pare, e dure pôr muito tempo.”, comenta Maria Ferreira de Sousa, 59 anos, que tem seis filhos, 12 netos e um bisneto. As vantagens para o público da terceira idade são inúmeras. Quanto aos benefícios físicos ela diminui a dependência química de remédios para hipertensão, diabetes, colesterol.

Provoca, ainda, a recuperação do vigor, amplia a força muscular, ocasiona a amplitude dos membros inferiores e superiores, tonicidade muscular. Entre os benefícios sociais da capoterapia estão a integração grupal e a ampliação do círculo de amizades. A “ginga dos mais vividos”, como é chamada a terapia, também é um auxiliar importante no combate à depressão e à solidão, despertando em seus praticantes a recuperação da auto-estima e do prazer de viver. Conheci a Capoterapia através da auto-massagem. Meus filhos acharam bom, pois minha vida era triste, eu me sentia doente, sempre de baixo astral. Não me divertia, não tinha vontade de sair, na verdade não tinha mais vontade de viver e graças a ela, nós temos uma vida melhor, fazemos sempre novas amizades e nos divertimos muito. Hoje, sou mais alegre, passeio bastante, trabalho e me considero feliz”, relata Antônia Lizarda, 66 anos.

Na prática, as aulas de capoterapia se iniciam com uma sessão de aquecimento e alongamento, pra preparar a musculatura. Em seguida vêm as cantigas de roda, quando o grupo canta clássicos da música infantil, como “ciranda ciradinha” e da música popular como “acorda Maria bonita, levanta vem fazer o café”. As atividades reproduzem rotinas domésticas, como lavar, passar ferro, estender a roupa no varal. O ideal é que a capoterapia seja praticada de duas a três vezes por semana. Como isso a Associação Brasileira de Capoterapia ainda não dispõe de multiplicadores em número suficiente para atender todas as demandas que surgem, a entidade está oferecendo cursos de capacitação, para formar novos agentes do programa. Além disso, os idosos são estimulados a fazer em casa, sozinhos, os exercícios para os quais são orientados nas vivências de capoterapia. Dentro da capoterapia ainda acontecem algumas terapias como a “Campanha do Abraço”, onde se busca resgatar o senso de cordialidade e a descontração, estimulando as pessoas a trocarem o “calor humano”, em gestos afetivos, como instrumento de valorização do outro. Durante a “Terapia do abraço” ocorre a campanha “Você já abraçou seu filho, hoje?

______________________
(*) Mano Lima é jornalista, autor do livro “A ginga dos mais vividos” e Mestre em
Educação.
Saiba mais: Para conhecer melhor a capoterapia ou para receber em casa um
exemplar do livro “A ginga dos mais vividos”

Nestor Capoeira: Encontros com grandes Mestres – Leopoldina

A figura do Mestre, assim como a denominação “mestre”, é algo seminal.

Nos próximos dois livros (em 2013) desta trilogia falarei dos mestres do passado. Eu tive muita sorte: conheci os grandes mestres que instauraram a “era das academias”. Agora, gostaria apenas de contar como conheci alguns deles.

Meu encontro com mestre Leopoldina

A rigor, mestre Leopoldina não foi um dos que “instauraram a era das academias”; ele só começou a jogar em 1950, no Rio.

Mas foi quem me iniciou na capoeira; foi quem abriu as portas da “cultura popular”, e foi quem me apresentou a “filosofia da malandragem”. E fez isso sem fazer força, sem se preocupar em ser “mestre”.

Além disto, meu encontro com Leopoldina é uma estória que merece ser contada.

Demerval Lopes de Lacerda (1933-2007), o mestre Leopoldina, nasceu no Rio de Janeiro num sábado de carnaval.

Foi criado pela mãe e, depois por tias e outras senhoras que o acolheram. Mas, menino ainda, fugiu de casa para vender balas junto a outros moleques que dominavam as linhas da Estrada de Ferro Central do Brasil, que une o centro da cidade aos subúrbios mais distantes do Rio. Foi na Central do Brasil que ele se “formou” e fez “pós-graduação”.

Adolescente, foi por vontade própria, numa época de vacas muito magras, para o SAM – o temido Serviço de Asssistência ao Menor, atual FUNABEM. Leopoldina não tinha reclamações desta época; ao contrário, jovem malandro criado nas ruas, entrou logo para o time dos “diretores”. Entre outras coisas, aprendeu a nadar, dando regularmente a volta na ilha onde estava situado o reformatório, o que lhe deu uma excelente forma física.

Ao sair do SAM, já com 18 anos em 1951, e velho demais para vender bala e amendoin nos trens, começou a vender jornais e, em breve, montou uma equipe de pivetes. Pela primeira vez, começou a ganhar dinheiro, vestir altas becas e frequentar o mulherio da Zona do Mangue, onde breve fez fama devido ao tamanho de seu pênis – ganhou o apelido de Sultão. Leopoldina frequentava regularmente as prostitutas, não raro mais de uma vez ao dia, sem nunca usar qualquer proteção, como as “camisinhas-de-vênus”, e incrivelmente nunca pegou doença venérea.

Foi nessa época que conheceu Quinzinho, Joaquim Felix de Souza, um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha, que já havia cumprido pena na Colonia Penal e carregava algumas mortes nas costas. Quinzinho era capoeirista e foi o primeiro mestre de Leopoldina na arte da “tiririca”, a capoeira dos malandros cariocas, sem berimbau, descendente da capoeira das maltas dos 1800s.

Drauzio Varela, o médico da Penitenciaria do Carandiru que escreveu um livro de grande sucesso, e que mais tarde virou filme, menciona Quinzinho em seu Estação Carandiru:

Seu Valdomiro é um mulato de rosto vincado e cantos grisalhos na carapinha…

Os setenta anos e as histórias de cadeia ao lado de bandidos lendários como Meneguetti, Quinzinho, Sete Dedos, Luz Vermelha, e Promessinha, fizeram de seu Valdo um homem de respeito no presídio.

Leopoldina contou (num depoimento a Nestor Capoeira, gravado em DVD, em 2005, Mestre Leopoldina, o último bom malandro), como conheceu seu primeiro mestre, Joaquim Felix, o Quinzinho, por volta de 1950; quando Leopoldina tinha uns 18 anos de idade e Quinzinho tinha, talvez, uns 23 anos de idade.

 

Leopoldina:

” Eu olhava pra ele (Quinzinho), olhava para os caras em volta, e ele berava pra mim:

– Desembandeira!

Quando eu me preparava pra atacar, ele fazia aquelas coisas com o corpo.

Eu pensei: ‘Vou matá-lo!’

Dentro da (estação de trens) Central do Brasil, escondido nos trilhos, eu tinha uma faca de 8 polegadas que eu costumava esconder ali. De madrugada, eu pegava a faca e caia na noite. Então eu deixei o Quinzinho e entrei na Central pra pegar aquela faca.

Neste momento, um jornaleiro que nunca mais vi, acho que já morreu, chamado Rosa Branca, me viu muito agitado e perguntou: ‘que que tá acontecendo?’

 

Eu respondi: ‘Quinzinho roubou o meu chapéu e eu vou dar uma facada conversada nele’. “

Leopoldina explicou o que é a facada conversada:

“A facada conversada é o seguinte: eu teria de esperar pelo momento em que ele estivesse bebendo, aproximar por tras, bater no seu ombro para que ele se virasse.

Quando ele se virasse eu furava ele pela frente… não pelas costas. Porque se eu fosse preso depois, eu teria considerção na cadeia: ‘esse é malandro, deu uma facada conversada no cara’. Mas se eu esfaqueasse pelas costas eles iam dizer: ‘covarde’, e iam descer o pau.”

Para a sorte de Leopoldina, Rosa Branca acalmou-o e ele não procurou Quinzinho. Mas pouco tempo depois, Leopoldina estava num ponto final de onibus, e encontrou Quinzinho mais uma vez.

Leopoldina:

“Desceram do ônibus, Mineiro Bate Pau, um outro cara chamado Peão, Testa de Ferro, e aí, Quinzinho.

Quando eu vi Quinzinho, eu gelei. E pensei: ‘é agora!’

Mas ninguém ali sabia do ocorrido entre nós e começaram a falar comigo. Quinzinho, vendo que eu era respeitado e amigo da malandragem, se aproximou e disse:

‘Eu não quero problema com você, porque você é malandro’.

Ele estava segurando uma cuíca e passou ela pra um dos caras. Ele passou a cuíca e, de repente, me deu uma geral (revistar alguém a procura de armas)!

Imagina só. Ele disse, ‘Eu não quero problema com você porque voce é malandro, etcetera e tal’, e em seguida me deu uma geral!”

As semanas foram passando e Leopoldina, que estva louco para aprender capoeira, foi, aos poucos, se aproximando de Quinzinho.

Leopoldina:

“Eu disse: ‘Quinzinho, quero te pedir um favor’

‘O que?’, ele respondeu (desconfiado).

‘Eu quero que você me ensine capoeira’

‘Então vai no Morro da Favela amanhã’

Puxa, eu não ficaria tão feliz se alguém me desse um milhão de reais.

Aquele primeiro dia, eu voltei pro Morro do São Carlos e fui dormir na esteira. No dia seguinte eu não conseguia levantar. Meu corpo todo estava doendo. E ao mesmo tempo, eu estava preocupado que ele não ia querer mais me ensinar se faltasse à segunda aula.

‘Como é que eu vou?’, e na Favela ainda tinha que subir mais de uns cem degraus.

Então eu fui no dia seguinte e disse pro Quinzinho:

‘Não pude vir porque estava todo doído’

E ele (sem me dar papo):

‘É assim mesmo… é assim mesmo’.

E começou a me ensinar: ‘faz assim…. faz assim’.”

“Aí, um dia o Juvenil apareceu. Ele disse ‘alô’, olhou pra mim e disse: ‘vamos brincar?’

Eu olhei pro Quinzinho e como ele não disse nada, eu respondi: ‘vamos’.

O Juvenil tirou o chapéu, o colete, a gravata, e ficou nú da cintura pra cima. Assim que nós começamos a brincar, ele me deu um chute que me pegou de raspão na cabeça.

O Quinzinho estava sentado com a 7.65 enfiada na cintura. Ele estava de shorts. Naquele tempo (aprox. 1955) se usava short de futebol e não essas sungas de hoje. Todo mundo usava shorts. E ele estava com um lenço no colo, escondendo a pistola.

Quando o Juvenil deu aquele chute, Quinzinho se levantou e enfiou a pistola na cara do Juvenil:

‘Não faça isso! Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!’ “

Eu (Nestor Capoeira) acho esta estória, contada pelo Leopoldina, incrível.

Vejam bem: o Quinzinho era um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha que, na verdade, não tinha nem um método de ensino estruturado; como já existia na Bahia, com mestre Bimba, desde 1930; ou como Sinhozinho, no Rio no mesmo período. Leopoldina explicou como Quinzinho ensinava: ia jogando com o aprendiz e dizendo, “faz assim… faz assim”.

No entanto, quando encarnava o “mestre de capoeira”, Quinzinho tinha uma ética impecável – “Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!”. Mais impecável ainda, pois naquele tempo, Rio dos 1950s, aluno aprendia capoeira levando porrada pra “ficar esperto”.

Eu vejo esta passagem como algo muito emblemático da complexidade do mundo da capoeira, com seus bizarros paradoxos; que, na verdade, não parecem tão estranhos assim para aqueles que tem o corpo e a cabeça feitos pelos fundamentos da malícia.

Alguns anos mais tarde, Quinzinho foi, mais uma vez, preso e, desta vez, assassinado na prisão da Ilha Grande pelo Chefe de Segurança, Chicão.

Leopoldina sumiu da área, com medo de represálias de marginais inimigos. Quando voltou às ruas, conheceu Artur Emídio, que tinha chegado recentemente de Itabuna, e tornou-se aluno de Artur por volta de 1954, conhecendo então a capoeira baiana jogada ao som do berimbau.

Mais tarde, Leopoldina foi trabalhar no Cais do Porto e acabou conseguindo entrar para a Resistência, um dos ramos da estiva. Aposentou-se cedo, antes dos 45 anos de idade devido a um acidente de trabalho que, felizmente, não deixou seqüelas; e, com um salário razoável de aposentado, pode viver mais intensamente a vida de capoeirista e malandro alto-astral.

Eu (Nestor Capoeira) conheci Leopoldina em 1965, aos 18 anos de idade.

Leopoldina tinha 31 de idade, e apesar de estar em grande forma, cheio de energia, o corpo magro e musculoso todo talhado; seu rosto parecia o de um homem muito mais velho. O curioso é que os anos passaram e ele continuou com o mesmo rosto e o mesmo corpo.

Eu cursava o primeiro ano da Escola de Engenharia da UFRJ, na distante (em relação à Copacabana, onde eu morava com meus pais) Ilha do Fundão. Um dia, eu estava no pátio da escola conversando com alguns amigos quando vi, longe na estrada, um cara que se aproximava pedalando a toda velocidade; era o Leopoldina que vinha de bicicleta da Cidade de Deus até a Ilha do Fundão – é longe.

A medida que foi se aproximando comecei a perceber os detalhes da roupa da figura: chapeuzinho de aba curta, desses usados pelos sambistas; um colete vermelho com bolinhas brancas, completamente aberto sobre o peito nú, que balançava no vento feito as asas de um pássaro; calça boca-de-sino listrada de verde-pistache e cinza, e um largo cinto de couro preto com uma enorme fivela na cintura; sapatos de sola plataforma com uns 3 centímetro de altura, todo cravejado de estrelinhas prateadas.

Ele entrou pelo pátio adentro a toda velocidade e então deu um tremendo cavalo-de-pau e, girando, acabou parando ao lado de uma pilastra, onde calmamente encostou a bicicleta depois de saltar.

Aí reparei numa coisa mais estranha ainda: ele levava, preso entre os lábios, uma espécie de graveto pintado de preto, vermelho e branco com uns 30 ou 40 centímetros de comprimento. De repente, o graveto começou a se mexer e se enrolou em volta do pescoço daquela estranha pessoa: Leopoldina criava cobras em casa, e aquela – uma falsa coral – era uma de suas preferidas.

Eu perguntei para um amigo:

“Porra, quem é esse cara?”.

“É o mestre Leopoldina; ensina capoeira na Atlética”, que era a parte desportiva dos diretórios estudantis.

Leopoldina era gentil e amistoso com os alunos. Não permitia que um aluno mais velho batesse num iniciante.

Carregava os mais interessados para o samba, para o candomblé e a umbanda, para os morros, para os desfiles de carnaval na Avenida Presidente Vargas.

Era, sem tentar sê-lo, um Mestre completo, que iniciava aqueles universitários, eu entre eles, na cultura “popular” brasileira; na filosofia da malandragem alto-astral – “o bom negócio é bom pra todo mundo” (em oposição à chamada Lei de Gérson, “levo a melhor em todas”, dos 171 e golpistas); e num enfoque da mulher e do sexo radicalmente revolucionários – “ninguém pertence à ninguém” -, tanto para a moral burguesa como para os enfoques machistas.

Leopoldina achava que só se deve dar aulas de capoeira duas vezes por semana, e aulas de apenas uma hora; o resto seria correr as rodas e jogar.

Seu método de ensino consistia de um breve aquecimento (uma corrida em volta da sala e alguns “polichinelos”), algumas “sequências” de golpes e contragolpes para duplas de alunos (similares às que aprendeu com Artur Emídio, por sua vez baseadas nas sequências de mestre Bimba), ocasionalmente um treino de golpes (os alunos se aproximam em fila de uma cadeira e davam, um a um, o golpe por cima da cadeira) e, no final da aula, uma roda de uns 15 a 20 minutos.

Suas aulas geralmente tinham de 4 a 8 alunos; Leopoldina nunca teve “sucesso” no que se refere ao número de alunos; tampouco deu aulas por mais de 5 anos no mesmo local.

Creio que sou o único aluno de Leopoldina em atividade, mas meu estilo de jogo é bastante diferente do dele: Leo era mais baixo que eu – devia medir 1,70m e pesar uns 65 kg -, tinha um estilo mais rápido, mais leve, mais arisco; sua ginga tinha mais personalidade que a minha, e era extremamente malandra e expressiva; embora seus golpes não se equiparassem aos da rapaziada de ponta de Senzala (onde fiquei de 1968 a 1992 e completei minha formação), Leo tinha muita visão de jogo e objetividade quando queria.

Outro aspecto importante, da vida de Leopoldina, foi seu relacionamento com o samba.

Saiu com a Mangueira, pela primeira vez, no carnaval de 1961, aos 28 anos de idade. A Mangueira foi a primeira escola de samba a colocar a capoeira em seus desfiles, o que deu uma grande visibilidade à capoeira. Leopoldina chegou a organizar um grupo de 60 capoeiristas na ala V.C. Entende, a ala show da Mangueira. E continuou saindo até aproximadamente 1974.

Eu mesmo (Nestor Capoeira) desfilei várias vezes na Mangueira, a convite de Leopoldina, quando ainda era um novato de capoeira, por volta de 1968/1970.

Na verdade, quando o conheci em 1965, embora fosse conhecido e querido no meio da capoeiragem, Leopoldina não era renomado, como foi Artur Emídio ou, mais tarde, o Grupo Senzala. Sua fama cresceu lentamente com o tempo, nas viagens que fazia constantemente à São Paulo (e depois ao resto do Brasil e estrangeiro), e na amizade que conquistou no hegemônico Grupo Senzala carioca.

Mas principalmente por sua personalidade alto-astral e positiva, alguém que só fazia amigos e evitava as inimizades. E mais ainda, por suas músicas de capoeira que, ao mesmo tempo, eram inovadoras na letra e principalmente na harmonia mas agradavam até aos jogadores mais chegados à tradição.

Aos poucos sua figura começou a ser associada, e com razão, aos últimos “bons malandros” e ao próprio Zé Pelintra, uma entidade da Umbanda.

Em 2005, com mais de 70 anos de idade, estava em grande forma física, jogando no seu ritmo rápido com 4 ou mais capoeiras jovens, um jogo seguido ao outro, e era um dos (“velhos”) mestres mais conhecidos de nosso tempo, junto com os mestre João Pequeno e João Grande (antigos alunos de mestre Pastinha, de Salvador).

Seus maiores interesses eram as mulheres, a capoeira, o samba, os carrões (que comprava e equipava com muitos cromados e pinturas), as viagens no Brasil e exterior (onde começou a ir por volta de 1990), as festas, as amizades; enfim, as curtições de quem ama e está de bem com a vida.

Leopoldina morreu em 2007, vitima de câncer, aos 74 anos de idade.

Capoterapia: “a ginga dos mais vividos” oferece 2.000 vagas gratuitas para o DF e entorno

Programa da Capoterapia: “a ginga dos mais vividos” oferece 2.000 vagas gratuitas para o DF e entorno

Há 14 anos, o capoeirista brasiliense Mestre Gilvan constatou que havia escassez de políticas públicas e de atividades específicas para a terceira idade. Nascia no Distrito Federal a capoterapia – capoeira adaptada para a terceira idade – como modalidade lúdica, capaz de atrair pessoas e tirá-las do sedentarismo. “O trabalho com a capoterapia, iniciado por mestre Gilvan em nossa unidade de saúde, aliado a outras atividades que oferecemos, como o tai chi chuan, a dança, as sessões de alongamento e a ‘terapia do abraço’ têm atraído muitos idosos para atividades que são fundamentais para o seu bem-estar físico e psíquico”, explica o coordenador de terapias corporais do Centro de Saúde 7 de Ceilândia, DF, Dr. Geovane Gomes da Silva.

Uma das diferenças da capoeira tradicional para esse novo método está no ritmo e na intensidade. Assim como na capoeira, na capoterapia há a ginga, movimento tradicional da capoeira, e os alunos têm pequenas noções da esquiva, que é o ato de se desviar de um golpe. Mas, evidentemente não há saltos, nem golpes mais contundentes, que possam expor os idosos a acidentes e lesões.

A capoterapia pode ser praticada, inclusive, por cegos, pessoas com déficit mental ou com seqüela motora (cadeirantes). Apenas pessoas com doença cardíaca grave devem evitar, pois nestes casos qualquer esforço físico mais intenso é uma ameaça a sua saúde. Como a maioria dos grupos de capoeira funciona em centros de saúde, os próprios médicos alertam os pacientes sobre a viabilidade ou não de fazer a capoterapia. E, o que é mais importante, na capoterapia há o respeito ao ritmo de cada um e ninguém é obrigado a praticar.  Somente o lhe dá vontade e prazer.

Nas dependências do campus da. Universidade Católica de Brasília em Taguatinga (DF), a prática da capoterapia tem um aliado fervoroso, um defensor entusiasta. É o professor Ronaldo Rodrigues da Silva. Doutor em Educação, ele integra o corpo docente do curso de Graduação em  Educação Física e de Pós-Graduação Lato- Sensu em Educação Física Escolar Ronaldo coordena o LAPEDEF – Laboratório de Práticas Pedagógicas do Curso de Educação. Nessa entrevista, ele fala das iniciativas de sua instituição de ensino no âmbito dos programas de atendimento ao idoso e fala sobre os resultados práticos da capoterapia.

Como o senhor avalia o programa de capoterapia desenvolvido na Católica?

De excelência, pois é reconhecida no Brasil nos programas de extensão em todas as

Universidades do País. Por isso, é uma, atividade com alto nível de procura pela clientela da terceira idade

Quais são os benefícios que a capoterapia tem trazido para o bem estar físico e mental dos idosos atendidos na Católica.

Afetividade pela união dos participantes em grupos e melhorias das qualidades físicas e. mentais. O aspecto social é um ponto forte nesse processo, o prazer, a satisfação e a alegria de poder ocupar seu devido espaço na Física sociedade.

 

As vantagens para o público da terceira idade são inúmeras. Quanto aos benefícios físicos, diminui a dependência química de remédios para hipertensão, diabetes, colesterol. Provoca, ainda, a recuperação do vigor, amplia a força muscular, ocasiona a amplitude dos membros inferiores e superiores, tonicidade muscular. Entre os benefícios sociais da capoterapia estão a integração grupal e a ampliação do círculo de amizades. A “ginga dos mais vividos”, como é chamada a terapia, também é um auxiliar importante no combate à depressão e à solidão, despertando nos praticantes a recuperação da autoestima e do prazer de viver.

Na prática, as aulas de capoterapia se iniciam com uma sessão de aquecimento e alongamento, para preparar a musculatura. Em seguida, vêm as cantigas de roda, quando o grupo canta clássicos da música infantil, como “ciranda ciradinha” e da música popular, como “acorda Maria bonita, levanta vem fazer o café”. As atividades reproduzem rotinas domésticas, como lavar, passar ferro, estender a roupa no varal.

O ideal é que a capoterapia seja praticada de duas a três vezes por semana. Como a Associação Brasileira de Capoterapia ainda não dispõe de multiplicadores em número suficiente para atender a demanda, a entidade está oferecendo cursos de capacitação para formar novos agentes do programa. Além disso, os idosos são estimulados a praticar em casa, sozinhos, os exercícios para os quais são orientados nas vivências de capoterapia.

Dentro da capoterapia, ainda são realizadas algumas terapias como a “Campanha do Abraço”, onde se busca resgatar o senso de cordialidade e a descontração, estimulando as pessoas a trocarem o “calor humano”, em gestos afetivos, como instrumento de valorização do outro. Durante a “Terapia do abraço” ocorre a campanha “Você já abraçou seu filho, hoje?”

Maiores informações 061 34752511 ou 99622511 mestre Gilvan www.capoterapia.com.br

 

 

2ª feira às 08:00h – Centro de Saúde n.º 05 Ceilândia 
2ª feira às 09:00h – SESC de Ceilândia

3ª feira às 07:30h – Centro de Saúde n.º 12 QNQ Debora

3ª feira às 07:30h – Centro de Saúde n.º 07 QNO Mestre Barto
3ª e 5ª feira às 08:00h – Sede da Associação de Capoeira Ladainha 
3ª feira às 08:00h – Associação dos Idosos de Taguatinga / Paradão
4ª feira às 08:00h – Centro de Saúde n.º 02 Praça do Bicalho 
5ª feira às 09:00h – Associação dos Idosos de Taguatinga / Paradão ME
5ª feira às 15:00h – Centro de Convivência da Terceira Idade do Cruzeiro Mestre Aranha
5ª feira às 07:30h – Centro de Saúde 613 sul Mestre Risomar 61 8203-3047 
6ª feira às 08:00h – Praça da Capoterapia – Av. Hélio Prates IL
6ª feira às 09:00h – Universidade Católica de Brasília / Bloco G UnATI

2ª a 6ª feira 16 ás 18 h Centro olímpica parque vaquejada Ceilândia Prof Wilian

3ª e 5ª feira 08 ás 09 h Centro olímpica parque vaquejada Ceilândia Prof Wilian

4ª e 6ª feira 08 ás 11 h Centro olímpica parque vaquejada Ceilândia Prof Wilian
6ª feira às 15:00h – Salão da Igreja São João Bosco – N. Bandeirantes 
6ª feira às 18:00h – Taguaparque Pistão Norte (Administração)

Em breve no Parque da cidade
para sugestão Email: [email protected]
061 3475-2511 9962-2511 Mestre Gilvan

Ivinhema realiza XVII Encontro de Capoeira

Prefeito Renato Câmara destaca projeto social que atende gratuitamente 450 alunos (entre crianças e idosos) no Município

Muito gingado embalado pelo som de berimbau marcou o XVII Encontro de Capoeira em Ivinhema. O evento foi realizado na semana passada pela Prefeitura de Ivinhema, através da SASTH – Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Habitação e do Trabalho em parceria com o grupo Memória e o Instituto Nova Geração. A apresentação reuniu vários mestres desse esporte dos estados do Paraná, São Paulo e de outras cidades do Mato Grosso do Sul.

A evolução dessa arte veio com a implantação da capoeira nos projetos municipais, inclusive com idosos. Este é um esporte que aumenta a cada dia na cidade e este crescimento acontece graças ao apoio da prefeitura de Ivinhema.

O projeto de capoeira está inserido nas ações da Secretaria de Assistência Social, do Cras e Projovem, onde atende mais de 450 alunos, incluindo o distrito de Amandina. “Os trabalhos aqui em nossa cidade têm sido muito intensivos. Em nossa administração temos atuado no sentido de fazer parcerias e incentivar cada vez mais ações sadias como esta”, disse o prefeito Renato Câmara.

Para o coordenador municipal de Proteção Social Especial, Sebastião Messias de Souza, incluir os idosos e jovens em ações como esta é fundamental. “Em Ivinhema há uma grande procura por essa prática esportiva, inclusive por parte das pessoas que frequentam a melhor idade e eles têm demonstrado muito interesse. Tanto que fazem aulas uma vez na semana de capoeira adaptada”, falou Messias.

Da mesma forma pensa o mestre de capoeira Noir Aranha, conhecido como ‘Mestre Aranha’. “Esse é o 17º encontro que participamos em Ivinhema e cada vez nos surpreende ainda mais. A prática da capoeira desenvolve habilidades. Os exercícios dessas atividades têm ajudado na recuperação de massa muscular que uma pessoa a partir de certa idade começa a perder. Com a capoeira ajuda muito neste aspecto e até a melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”. 

Capoterapia – É uma terapia utilizando elementos da capoeira adaptada para pessoas da terceira idade, respeitando a condição física, as potencialidades, os limites e as características psicológicas individuais da clientela. Doenças como a arteriosclerose e a artrite, entre outras, podem ser evitadas, ou mesmo tratadas, a partir da prática orientada de exercícios físicos.

Capoterapia

É uma terapia utilizando elementos da capoeira adaptada para pessoas da terceira idade, respeitando a condição física, as potencialidades, os limites e as características psicológicas individuais da clientela. Doenças como a arteriosclerose e a artrite, entre outras, podem ser evitadas, ou mesmo tratadas, a partir da prática orientada de exercícios físicos.

Fonte: http://www.ivinhemaonline.com.br

Capoterapia: a ginga dos mais vividos 2000 vagas gratuitas

Há 12 anos, o capoeirista brasiliense Mestre Gilvan constatou que havia escassez de políticas públicas e de atividades específicas para a terceira idade. Nascia no Distrito Federal a capoterapia – capoeira adaptada para a terceira idade – como modalidade lúdica, capaz de atrair pessoas e tirá-las do sedentarismo. “O trabalho com a capoterapia, iniciado por Mestre Gilvan em nossa unidade de saúde, aliado a outras atividades que oferecemos, como o tai chi chuan, a dança, as sessões de alongamento e a ‘terapia do abraço’ têm atraído muitos idosos para atividades que são fundamentais para o seu bem-estar físico e psíquico”, explica o coordenador de terapias corporais do Centro de Saúde 7 de Ceilândia, DF, Dr. Geovane Gomes da Silva.

Uma das diferenças da capoeira tradicional para esse novo método está no ritmo e na intensidade. Assim como na capoeira, na capoterapia há a ginga, movimento tradicional da capoeira, e os alunos têm pequenas noções da esquiva, que é o ato de se desviar de um golpe. Mas, evidentemente não há saltos, nem golpes mais contundentes, que possam expor os idosos a acidentes e lesões.

A capoterapia pode ser praticada, inclusive, por cegos, pessoas com déficit mental ou com seqüela motora (cadeirantes). Apenas pessoas com doença cardíaca grave devem evitar, pois nestes casos qualquer esforço físico mais intenso é uma ameaça a sua saúde. Como a maioria dos grupos de capoeira funciona em centros de saúde, os próprios médicos alertam os pacientes sobre a viabilidade ou não de fazer a capoterapia. E, o que é mais importante, na capoterapia há o respeito ao ritmo de cada um e ninguém é obrigado a praticar.  Somente o lhe dá vontade e prazer.  “Conheci a capoterapia através do Centro de Saúde, nas atividades para os idosos hipertensos. Minha família concorda com qualquer atividade que eu faça e que me ajude na melhoria de minha saúde. Sempre pratiquei exercícios físicos, só que com menos frequência. Depois me integrei ao grupo e tive vários benefícios, pois é muito bom estar em contato com outras pessoas. Minha vida era boa, só que como estava um pouco parada, o corpo estava travado. Quando a capoterapia apareceu, contribuiu ainda mais no meu desempenho físico. Espero que este programa voltado para os idosos não pare, e dure por muito tempo”, comenta Maria Ferreira de Sousa, 59, que tem seis filhos, doze netos e um bisneto.

As vantagens para o público da terceira idade são inúmeras. Quanto aos benefícios físicos, diminui a dependência química de remédios para hipertensão, diabetes, colesterol. Provoca, ainda, a recuperação do vigor, amplia a força muscular, ocasiona a amplitude dos membros inferiores e superiores, tonicidade muscular. Entre os benefícios sociais da capoterapia estão a integração grupal e a ampliação do círculo de amizades. A “ginga dos mais vividos”, como é chamada a terapia, também é um auxiliar importante no combate à depressão e à solidão, despertando nos praticantes a recuperação da autoestima e do prazer de viver.

“Conheci a capoterapia através da automassagem. Meus filhos acharam bom, pois minha vida era triste, eu me sentia doente, sempre de baixo astral. Não me divertia, não tinha vontade de sair, na verdade não tinha mais vontade de viver e, graças a ela, nós temos uma vida melhor, fazemos sempre novas amizades e nos divertimos muito. Hoje, sou mais alegre, passeio bastante, trabalho e me considero feliz”, relata Antonia Lizarda, 66 anos.

Na prática, as aulas de capoterapia se iniciam com uma sessão de aquecimento e alongamento, para preparar a musculatura. Em seguida, vêm as cantigas de roda, quando o grupo canta clássicos da música infantil, como “ciranda ciradinha” e da música popular, como “acorda Maria bonita, levanta vem fazer o café”. As atividades reproduzem rotinas domésticas, como lavar, passar ferro, estender a roupa no varal.

O ideal é que a capoterapia seja praticada de duas a três vezes por semana. Como a Associação Brasileira de Capoterapia ainda não dispõe de multiplicadores em número suficiente para atender a demanda, a entidade está oferecendo cursos de capacitação para formar novos agentes do programa. Além disso, os idosos são estimulados a praticar em casa, sozinhos, os exercícios para os quais são orientados nas vivências de capoterapia.

Dentro da capoterapia, ainda são realizadas algumas terapias como a “Campanha do Abraço”, onde se busca resgatar o senso de cordialidade e a descontração, estimulando as pessoas a trocarem o “calor humano”, em gestos afetivos, como instrumento de valorização do outro. Durante a “Terapia do abraço” ocorre a campanha “Você já abraçou seu filho, hoje?”

Maiores informações 061 34752511 ou 99622511 Mestre Gilvan www.capoterapia.com.br

O samba tem “Dona”, e ela comemora 90 anos!

Hoje, os pandeiros e cavaquinhos de todo o Brasil dão parabéns cadenciados para aquela que se consagrou na música popular brasileira com uma das maiores sambistas de todos os tempos. Yvonne Lara da Costa, mais conhecida como Dona Ivone Lara, preparou muito samba, feijão e uma página na internet para comemorar os 90 anos de idade.

Há 70 anos, quando as rodas de samba eram dominadas por homens e às mulheres sobrava o papel de do ritmo no pé, Dona Ivone Lara ousou conquistar um lugar ao sol. O preconceito era tanto, que os sambas que ela compunha eram mostrados aos sambistas como se fossem de autoria do primo Mestre Fuleiro. Mesmo assim, Dona Ivone se consagrou com a primeira mulher a compor Samba Enredo no Brasil.

Apesar dos anos vividos, Dona Ivone Lara carrega a mesma alegria da juventude. “Ela é incansável, saímos de um show e ela já pergunta onde é o próximo”, conta a amiga e produtora há 17 anos Miriam Souza. A produtora faz questão de ressaltar o orgulho que sente da sambista. “Mesmo com idade avançada e depois de fraturar o fêmur, ela renasceu das cinzas e voltou a brilhar”.

E é com toda essa jovialidade que Dona Ivone Lara encontrou um jeito bem moderno de comemorar seus 90 anos. Em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e da Refazenda Produções, lança seu primeiro site, o www.donaivonelara.com.br. Acesse e descubra por que ela é considerada um patrimônio vivo da cultura afro-brasileira!

PERFIL

Nascida em Botafogo, no Rio de Janeiro, em 13 de abril de 1921, Dona Ivone Lara é filha de uma cantora de rancho e começou a compor aos 12 anos de idade. Uma de suas primeiras músicas foi o estribilho de partido-alto Tiê-tiê (nome de um pássaro de que gosta muito).

Estudou no colégio municipal Orsina da Fonseca, de onde saiu, com 17 anos, para morar na casa do tio Dioniso Bento da Silva, pois seus pais haviam falecido. O tio pertencia a um grupo de chorões, e com ele aprendeu a tocar cavaquinho. Em outubro de 1947, foi morar em Madureira e começou a freqüentar a extinta escola de samba Prazer da Serrinha.

Em 1965, o samba-enredo Os cinco bailes da corte, ou Os cinco bailes tradicionais da história do Rio (Dona Ivone Lara, Silas de Oliveira e Bacalhau) classificou-se em quarto lugar no desfile de escolas de samba.

Dona Ivone Lara é madrinha da ala dos compositores de sua escola (Império Serrano) e desfilou desde 1968 pela ala das baianas. Em 1982, ganhou o Estandarte de Ouro como destaque da ala das baianas da Cidade Alta do Império Serrano.

O ano de 1970 foi, sem dúvida, de grande importância para sua carreira de intérprete e compositora, pois gravou o primeiro disco pela gravadora Copacabana “SAMBÃO 70”, produzido por Sargenteli e Adelson Alves. Gravou também na Odeon, Copacabana, Warner, Som Livre e RGE.

 

Fonte: Produção Dona Ivone Lara

2011 foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes.

Guaratinguetá: Aulas gratuitas de capoeira

Guaratinguetá realiza aulas gratuitas de capoeira

Em Guaratinguetá quem quiser aprender capoeira pode se inscrever no Ginásio Municipal do Pedregulho. As aulas acontecem às terças e sextas-feiras, das 8h às 9h e, depois, das 17h às 6h da tarde.

Podem participar homens e mulheres a partir de sete anos de idade. Os interessados devem procurar o professor direto no ginásio, as aulas são gratuitas.