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Palmares, um Projeto de Nação

O INÍCIO DE PALMARES…. , A ESCRAVIZAÇÃO DO ÍNDIO

“No dia em que nossa gente acabar de uma vez, eu vou  tirar esta
escora daqui, e o céu vai desabar, e todas as gentes vão desaparecer.
Vai acabar tudo”. Sinaá, Lenda do fim do Mundo, povo Juruna.”

  • 1533 – Bula Veritas Ipsa Papa Paulo III declarando “os índios homens racionais”…
  • Entradas, expedições organizadas pelos Gov. Gerais, ou diretamente pela Corôa.
  • Bandeiras, empresa (expedição) organizada por particulares, ambas para caçar índio.
  • Incursões de franceses, iniciativa particular de “piratas” e não de governo.

Toda e qualquer referência à escravização do índio, que nos interessa, seria uma repetição da escravização negra. A História do Brasil é contada em dois extremos de uma mesma arma – ora como uma peça de defesa, o secular cuidado com a cabeça de louça do cristianismo; ora uma peça dedescaracterização do negro – a condenação da vítima – “comprava-se negros escravizados por outros negros;  eram comprados por escambo índios escravizados por outros índios ” : Doe mais ao negro do Mundo, assim com ao índio do Brasil, estas mentiras secularmente repetidas que a própria escravidão a que foram submetidos, doem-lhes a insaciedade do dominador…

As narrativas feitas entre o Séc. XVI e o XVIII serve como relato, não como interpretação, de um lado por que os escrivães não conheciam absolutamente nada do índio; segundo porque eram interessados – uns como mercadores ou agentes de mercadores; outros, por serem agentes da Coroa Portuguesa que chega ao Séc. XIX  “tendo no Brasil apenas a vaca leiteira”.

Acrescente-se ao fato das expedições portuguesas serem compostas por homens sem letras. Se dentre os franceses e até dentre as poucas entradas alemãs de que se tem notícia sempre havia intelectuais, homens de letras, e muitos de ciência, (meramente interessados em ciência), dentre os portugueses não há um único registro com este cuidado, por todo o Séc. XVI e até o Séc. XVII. Mesmo entre os jesuítas pode-se encontrar quando muito um ou outro letrado, que eram dominados ou pelo interesse comercial da sua Ordem, ou pela posição de minoria dentre os seus pares, ou notadamente pela ordem severa da Igreja Católica. O que se conhece de imparcial e de cunho cultural é de origem francesa, depois holandesa.

 

RELATO SOBRE ÍNDIO, CRONISTA FRANCÊS JEAN LERY.

“Uma vez um velho índio perguntou-me: – Que significa isto de virdes vós outros, peros (portugueses) e mirs (franceses), buscar tão longe  lenha para vos aquecer? Não a tendes por lá em vossas terras? – Respondi que tínhamos lenha e muita, mas não daquele pau, e que não o queimávamos, como ele supunha, mas dele extraíamos tinta para tingir.

Retrucou o velho: – E por ventura precisais de tanto pau brasil? – Sim, respondi, pois em nosso pais existem negociantes que têm mais panos, facas, tesouras, espelhos e mais coisas de que vós aqui podeis supor, e um só deles compra todo o pau brasil com que muitos navios voltam carregados.

 

  • Ah! tu me dizeis maravilhas, disse o velho; e acrescentou, depois de bem alcançar o que eu dissera: – Mas esse homem tão rico não morre?
  • Sim, morre como os outros. –  E quando morre, para quem fica o que é dele? Perguntou.
  • Para seus filhos, se os tem, e na falta, para os irmãos ou parentes próximos, respondi.

 

Na verdade, continuou o velho, que não era nada tolo, agora vejo que vós, peros e mairs, sois uns grandes loucos, pois que atravesseis o mar com grandes incômodos, como dizeis, e trabalhais tanto a fim de amontoardes riquezas para os filhos ou parentes! A terra que vos alimentou não é suficiente para alimentá-los a eles? Nós aqui também temos filhos, a quem amamos, mas como estamos  certos de que após a nossa morte a terra que nos nutriu os nutrirá também, cá descansamos sem o mínimo cuidado”. Jean Lery.

“… andavam muitos deles dançando e folgando uns ante outros, sem se

tomarem pelas mãos, e faziam-no bem”.

(carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o índio)

 

ÍNDIO ESCRAVIZA ÍNDIO  X  NEGRO ESCRAVIZA NEGRO, (meu Deus?)

Aí repousa o telhado de vidro do Cristianismo,  bastando que se diga:

  1. Todo e qualquer bacharel em História, em qualquer parte do Mundo sabe que é mentira esta afirmação, assim como todo e qualquer bacharel em direito que tenha se dedicado ao Direito Antigo; (só tem sentido alguém escravizar alguém se o excedente de produção do escravo for superior ao que ele consome, como não havia noções de acumulação, entre negros e índios, não podia haver interesse em escravizar uma ou um grupo de pessoas)

  2. No Brasil, ainda sobre o indígena: nem uma obra ou abordagem dos Irmãos Vilas-Bôas consta alguma citação de nações, ou tribo indígena escravizada por outra tribo, no que pese referências inúmeras a constatações e ou suspeitas de desaparição em guerras. (Todo animal lutou num dado instante por ração, e por toda a vida pelo instinto da procriação, apetite sexual).   Esta mesma observação vale para Darcy Ribeiro, ou Cândido Rondon. Os Vilas Boas viveram, moraram entre índios por mais de 45 anos, – vejamos um dos seus relatos:  “As grandes áreas devastadas, ou transformadas na sua vegetação original  existentes nas vizinhanças das aldeias em geral, provam a longa permanência dos índios nesses lugares…quantos anos não levaram para transformar grandes extensões em  mangabais,  piquizais…. e cerrados”?  Relato que desmente também as afirmações acerca do “nomadismo do índio brasileiro:  um povo agricultor não pode ser nômade.

“Quando Cabral pisou a terra brasileira em 1500, avalia Luis Amaral, já o indígena graças a ele próprio ou a seus antepassados, praticava a agricultura, em grau  mais ou menos igual ao então conhecido na Europa..” Assim é que eles já conheciam, naquela época  remota, anterior mesmo a 1500, o fumo, o algodão, o milho, a mandioca, a batata doce, a batatinha, o feijão, a abóbora, e o arroz”, completa Aluysio Sampaio.

Assim o índio, muitas das usas tribos foram se tornando errantes e não nômades como a Ordem Estado/Igreja usa como justificativa a 500 anos. Da Ordem dos Jesuítas e seus vigários o que se pode dizer é que foram sempre mais comerciantes (exploradores) que tudo o mais. De sob as imunidades desfrutadas em muitos períodos, cita Aluysio Mendonça Sampaio – “Do terror do gentio pelo português era tão grande que se chegou a criar a lenda do Padre de Ouro, lenda ainda contada por Frei Vicente do Salvador como verídica”.

Esse terror do gentio pelo branco já é uma prova da decadência do poderio dos nativos. Daqui por diante veremos os portugueses avançando, escravizando-lhes e empurrando-os para o sertão. “E a terra, em todos os lugares do Brasil, irá aos poucos mudando de dono”. Nos moldes da mistura geral, o Gov. Luiz de Brito, na sua primeira atitude organiza expedição de caça ao índio como nunca….diz frei Vicente “Na Paraíba,não deixaram branco nem negro, grande nem pequeno, macho nem fêmea, que não matassem e esquartejassem”. (sobre a tática de jogar o negro contra o índio e vice-versa. Embate contra uma tribo talvez ainda desconhecida, entrada de Governadores  Gerais). Tudo o que se passou nos Séc. XVI e XVII chega, com a mesma intensidade a meados do Séc. XIX, constata Alexander Marchant, por desconhecer o Brasil de 1940 quando escreveu. Aliás aquele Historiador americano em todo seu escrito “Do Escambo a Escravidão”, (l943), se não chega a desmentir, em nenhum momento avaliza afirmações sobre escravização de índio por índio.

A descoberta do Brasil, para o indígena como para o negro foi mais danosa que toda e quaisquer das invasões  de bárbaros em quaisquer lugar da terra onde ocorreu  – 500 anos depois e ainda não houve intercâmbio, não há nada que se possa conceituar além do domínio, do saque. Assim é que o indígena brasileiro regrediu, decresceu em número e em qualidade de vida e afunilou-se inversamente do ponto de vista da evolução técnico-cultural.

PS. Quando tratarmos do início de Palmares, A escravização do negro, vamos demonstrar a mentira da escravização do negro pelo negro, e ou a escravização do índio pelo índio .

 

Jean de Léry

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.”Historia navigationis in Brasiliam…”. Genebra, 1586.

(Côte-d’Or, c. 1536 – Suíça, c. 1613) foi um pastor, missionário e escritor francês e membro da igreja reformada de Genebra durante a fase inicial da Reforma Calvinista.

 

André Pêssego – projetozumbi@uol.com.brBerimbau Brasil  – São Paulo, SP – Mestre João Coquinho – 10 anos

O Iníco de Palmares: A Escravização do Índio

PALMARES, UM PROJETO DE NAÇÃO – O INÍCIO DE PALMARES….  (II), A ESCRAVIZAÇÃO DO ÍNDIO

“No dia em que nossa gente acabar de uma vez, eu vou  tirar esta

escora daqui, e o céu vai desabar, e todas as gentes vão desaparecer.

Vai acabar tudo”. Sinaá, Lenda do fim do Mundo, povo Juruna.

–          1533 – Bula Veritas Ipsa Papa Paulo III declarando “os índios homens racionais”…

–          Entradas, expedições organizadas pelos Gov. Gerais, ou diretamente pela Corôa.

–          Bandeiras, empresa (expedição) organizada por particulares, ambas para caçar índio.

–          Incursões de franceses, iniciativa particular de “piratas” e não de governo.

Toda e qualquer referência à escravização do índio, que nos interessa, seria uma repetição da escravização negra. A História do Brasil é contada em dois extremos de uma mesma arma – ora como uma peça de defesa, o secular cuidado com a cabeça de louça do cristianismo; ora uma peça de descaracterização do negro – a condenação da vítima – “comprava-se negros escravizados por outros negros;  eram comprados por escambo índios escravizados por outros índios ” : Doe mais ao negro do Mundo, assim com ao índio do Brasil, estas mentiras secularmente repetidas que a própria escravidão a que foram submetidos, doem-lhes a insaciedade do dominador…

As narrativas feitas entre o Séc. XVI e o XVIII serve como relato, não como interpretação, de um lado por que os escrivães não conheciam absolutamente nada do índio; segundo porque eram interessados – uns como mercadores ou agentes de mercadores; outros, por serem agentes da Coroa Portuguesa que chega ao Séc. XIX  “tendo no Brasil apenas a vaca leiteira”.

Acrescente-se ao fato das expedições portuguesas serem compostas por homens sem letras. Se dentre os franceses e até dentre as poucas entradas alemãs de que se tem notícia sempre havia intelectuais, homens de letras, e muitos de ciência, (meramente interessados em ciência), dentre os portugueses não há um único registro com este cuidado, por todo o Séc. XVI e até o Séc. XVII. Mesmo entre os jesuítas pode-se encontrar quando muito um ou outro letrado, que eram dominados ou pelo interesse comercial da sua Ordem, ou pela posição de minoria dentre os seus pares, ou notadamente pela ordem severa da Igreja Católica. O que se conhece de imparcial e de cunho cultural é de origem francesa, depois holandesa.


RELATO SOBRE ÍNDIO, CRONISTA FRANCÊS JEAN LERY.

“Uma vez um velho índio perguntou-me: – Que significa isto de virdes vós outros, peros (portugueses) e mirs (franceses), buscar tão longe  lenha para vos aquecer? Não a tendes por lá em vossas terras? – Respondi que tínhamos lenha e muita, mas não daquele pau, e que não o queimávamos, como ele supunha, mas dele extraíamos tinta para tingir.

Retrucou o velho: – E por ventura precisais de tanto pau brasil? – Sim, respondi, pois em nosso pais existem negociantes que têm mais panos, facas, tesouras, espelhos e mais coisas de que vós aqui podeis supor, e um só deles compra todo o pau brasil com que muitos navios voltam carregados.

–          Ah! tu me dizeis maravilhas, disse o velho; e acrescentou, depois de bem alcançar o que eu dissera: – Mas esse homem tão rico não morre?

–          Sim, morre como os outros. –  E quando morre, para quem fica o que é dele? Perguntou.

–          Para seus filhos, se os tem, e na falta, para os irmãos ou parentes próximos, respondi.

–          Na verdade, continuou o velho, que não era nada tolo, agora vejo que vós, peros e mairs, sois uns grandes loucos, pois que atravesseis o mar com grandes incômodos, como dizeis, e trabalhais tanto a fim de amontoardes riquezas para os filhos ou parentes! A terra que vos alimentou não é suficiente para alimentá-los a eles? Nós aqui também temos filhos, a quem amamos, mas como estamos  certos de que após a nossa morte a terra que nos nutriu os nutrirá também, cá descansamos sem o mínimo cuidado”. Jean Lery.

“… andavam muitos deles dançando e folgando uns ante outros, sem se

tomarem pelas mãos, e faziam-no bem”.

(carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o índio)

ÍNDIO ESCRAVIZA ÍNDIO  X  NEGRO ESCRAVIZA NEGRO, (meu Deus?)

Aí repousa o telhado de vidro do Cristianismo,  bastando que se diga:

1. Todo e qualquer bacharel em História, em qualquer parte do Mundo sabe que é mentira esta afirmação, assim como todo e qualquer bacharel em direito que tenha se dedicado ao Direito Antigo; (só tem sentido alguém escravizar alguém se o excedente de produção do escravo for superior ao que ele consome, como não havia noções de acumulação, entre negros e índios, não podia haver interesse em escravizar uma ou um grupo de pessoas)

2. No Brasil, ainda sobre o indígena: nem uma obra ou abordagem dos Irmãos Vilas-Bôas consta alguma citação de nações, ou tribo indígena escravizada por outra tribo, no que pese referências inúmeras a constatações e ou suspeitas de desaparição em guerras. (Todo animal lutou num dado instante por ração, e por toda a vida pelo instinto da procriação, apetite sexual).   Esta mesma observação vale para Darcy Ribeiro, ou Cândido Rondon. Os Vilas Boas viveram, moraram entre índios por mais de 45 anos, – vejamos um dos seus relatos:  “As grandes áreas devastadas, ou transformadas na sua vegetação original  existentes nas vizinhanças das aldeias em geral, provam a longa permanência dos índios nesses lugares…quantos anos não levaram para transformar grandes extensões em  mangabais,  piquizais…. e cerrados”?  Relato que desmente também as afirmações acerca do “nomadismo do índio brasileiro:  um povo agricultor não pode ser nômade.

“Quando Cabral pisou a terra brasileira em 1500, avalia Luis Amaral, já o indígena graças a ele próprio ou a seus antepassados, praticava a agricultura, em grau  mais ou menos igual ao então conhecido na Europa..” Assim é que eles já conheciam, naquela época  remota, anterior mesmo a 1500, o fumo, o algodão, o milho, a mandioca, a batata doce, a batatinha, o feijão, a abóbora, e o arroz”, completa Aluysio Sampaio. 

Assim o índio, muitas das usas tribos foram se tornando errantes e não nômades como a Ordem Estado/Igreja usa como justificativa a 500 anos. Da Ordem dos Jesuítas e seus vigários o que se pode dizer é que foram sempre mais comerciantes (exploradores) que tudo o mais. De sob as imunidades desfrutadas em muitos períodos, cita Aluysio Mendonça Sampaio – “Do terror do gentio pelo português era tão grande que se chegou a criar a lenda do Padre de Ouro, lenda ainda contada por Frei Vicente do Salvador como verídica”.

Esse terror do gentio pelo branco já é uma prova da decadência do poderio dos nativos. Daqui por diante veremos os portugueses avançando, escravizando-lhes e empurrando-os para o sertão. “E a terra, em todos os lugares do Brasil, irá aos poucos mudando de dono”. Nos moldes da mistura geral, o Gov. Luiz de Brito, na sua primeira atitude organiza expedição de caça ao índio como nunca….diz frei Vicente “Na Paraíba, não deixaram branco nem negro, grande nem pequeno, macho nem fêmea, que não matassem e esquartejassem”. (sobre a tática de jogar o negro contra o índio e vice-versa. Embate contra uma tribo talvez ainda desconhecida, entrada de Governadores  Gerais). Tudo o que se passou nos Séc. XVI e XVII chega, com a mesma intensidade a meados do Séc. XIX, constata Alexander Marchant, por desconhecer o Brasil de 1940 quando escreveu. Aliás aquele Historiador americano em todo seu escrito “Do Escambo a Escravidão”, (l943), se não chega a desmentir, em nenhum momento avaliza afirmações sobre escravização de índio por índio.

A descoberta do Brasil, para o indígena como para o negro foi mais danosa que toda e quaisquer das invasões  de bárbaros em quaisquer lugar da terra onde ocorreu  – 500 anos depois e ainda não houve intercâmbio, não há nada que se possa conceituar além do domínio, do saque. Assim é que o indígena brasileiro regrediu, decresceu em número e em qualidade de vida e afunilou-se inversamente do ponto de vista da evolução técnico-cultural

PS. Quando tratarmos do início de Palmares, A escravização do negro, vamos demonstrar a mentira da escravização do negro pelo negro, e ou a escravização do índio pelo índio .

André Pêssego – projetozumbi@uol.com.br

Berimbau Brasil  – São Paulo, SP

Mestre João Coquinho – 10 anos

Lapão: Capoeira muda vida de Jovens

Mestre Índio Brasil, amor e dedicação pelo gingado da capoeira: Mesmo com poucos recursos, o esporte nacional de influências africanas muda a vida de jovens em Lapão

Vestidos de abadas brancos com um cordão colorido na cintura vêm chegando um exército da paz, munidos com um berimbau, atabaque, pandeiro, e no compasso das palmas, começam a cantar:“O berimbau tá tocando / A roda tá se formando / O meu mestre tá chamando / Quero ver quem vai jogar / O berimbau / É um jogo de inteligência / Esse jogo tu tem que estudar / Ponto fraco, também ponto forte / Para o adversário você derrubar / Ô berimbau!”.  E assim, começa mais uma roda do grupo internacional de capoeira Jacobina Arte, em uma aula ministrada em praça pública, pelo professor Índio Brasil em Lapão.

Mudando Vidas: O professor Índio Brasil, vem desenvolvendo um trabalho interessante em Lapão. Com poucos recursos, porém com muita dedicação, ele implementa a arte nacional com influências africanas na cidade e essa ação vem mudando a vida de muitos jovens, oferecendo para cada um, conceitos sólidos de irmandade, disciplina e cultura regional. O estudante Raian do Nascimento, de 19 anos, conhecido como “Vagalume”, pratica capoeira há mais de cinco anos e afirma que a mãe não aceitava seu envolvimento com a capoeira, porém as mudanças de hábitos favoreceram para que ela mudasse de posição. “Minha mãe achava que era algo violento, até conhecer a arte. Teve uma apresentação que ela assistiu e depois disto autorizou que aprendesse com meu irmão. Mas ela começou a apoiar e incentivar, quando viu as mudanças que tivemos. Passamos a respeitar o outro, só vivíamos na rua. Hoje, dedico maior parte do meu tempo a academia. Meu irmão era um rebelde, discutia com minha mãe, bebia, fumava e brigava sempre na rua, depois da capoeira ele mudou bastante e hoje é uma outra pessoa”, relata Raian.

Aluno do mestre Índio, Denilton Santos de Almeida, 21 anos, é conhecido na região como “Instrutor Famoso”, e ensina a arte no povoado da Salgada em Lapão. Antes da capoeira, Denilton afirma que bebia pouco, mas passava a semana toda indo para bares com os amigos e levava a vida com poucas perspectivas.   Porém, foi no campo da ginga, da música e da baianidade da roda de capoeira que seu dia-a-dia se iluminou e ganhou sentido. “Sou reconhecido na região, pratico há cinco anos e pretendo continuar na arte até quando tiver forças. A capoeira me deu muito conhecimento, geral, não só da arte, mas ensinamentos de vida, como a relação de um com outro, o respeito e a união. Passo a semana treinando, não bebo, não fumo e dou aula a dez alunos no povoado que não tem condições de pagar, mas querem aprender e para mim é isso que vale. Aprendi esses valores com meu mestre”.

“Muitos garotos precisam de um apoio maior, tive alunos que usavam drogas, roubavam e eram indisciplinados em casa, mas com diálogo e a disciplina da capoeira, mostrei outros caminhos e isso ajudou bastante. Aprendi a ser amigo, pai, e líder deles, trato meus alunos da forma que eles precisam ser tratados, com carinho e respeito. Existe uma carência afetiva enorme, muitos têm problemas familiares e eles encontram em mim um referencial positivo. Por isso, escolho os mais rejeitados, os bem rebeldes e tento trazer para capoeira. Quero agrupar pessoas com necessidade de apoio e incentivar eles para mudarem de vida”, explica Índio.

Luta, dança ou arte? “Um pouco de tudo” responde índio, que faz questão de enfatizar que a capoeira não é inferior a nenhuma outra arte de combate. O grupo ensina capoeira mesclando o estilo regional com a angolana sem esquecer as belas acrobacias.  Também são ministradas aulas de dança, Maculelê e oficinas ensinando a tocar e fabricar instrumentos, como o berimbau.

Professor Índio Brasil ou Orlando José de Lima, nasceu em Manaíra, na Paraíba á 480 km de João Pessoa, chegou na microrregião no fim da década de 80 e despertou para a arte em 1995. “Chamei umas pessoas para jogar e começamos aprender com o Mestre dragão, ficamos uns seis meses com ele. Logo depois fui dar aula em Belo Campo, distrito de Lapão e em 13 de setembro de 2008 me tornei professor. Meu mestre agora é conhecido como Pit Bull e dá aulas na Grécia. Recentemente fiz uma música em homenagem a ele: E Pit Bull e Bamba! / Pit Bull e Bamba de Capoeira / E… Pit Bull entra na roda / E aquela animação e joga / com todo mundo e respeita meu irmão / E… eu sou Índio Brasil / Barravento quem falou / o meu mestre Pit Bull / foi ele que me formou”, canta o Professor Índio.

Falta de Apoio: Apesar da garra e de um trabalho consistente que trás resultados visíveis, o projeto carece de recursos e apoio para expandir. Atualmente a turma é composta por aproximadamente 30 jovens que pagam, em média, R$ 10,00 por mês. Porém, a grande maioria dos alunos não tem condições financeiras para custear o aprendizado. De acordo com o professor, ele consegue fechar um grupo com mais de 100 alunos em apenas cinco dias, pois não faltam pessoas interessadas para treinar. “Se tivesse algum patrocínio para me manter ou algum recurso para comprar pelo menos os abadas, reunia muitos jovens carentes. Mas preciso de apoio governamental ou da iniciativa privada para expandir esse projeto, dos alunos só quero o respeito, a disciplina, a dedicação e a vontade de treinar”.

O mestre Índio recebe esporadicamente uma ajuda de custo para se apresentar em outros municípios, e é reconhecido na região sendo convidado frequentemente para eventos em colégios e apresentações, contudo, além dos bons e velhos tapinhas nas costas atestando a qualidade do trabalho, um projeto precisa de recursos para se manter. Em 2008, o professor Índio demonstrou potencial, e com um patrocínio de R$ 250,00,  deu aula para 70 alunos gratuitamente.

“Sinto falta de um apoio aqui em Lapão, poderia está em outro estado, cidade ou até fora do Brasil, meu mestre sempre me convida e tem muitos capoeiristas que se dão bem fora ensinando a arte. Quando trabalhei em Goiânia, fui super bem recebido, ganhava uma quantia boa e deixei vários alunos, mas tenho um carinho especial pela ideia de ter um grupo de capoeira aqui. Não sei como sobrevivo, apenas sei que as coisas acontecem, tenho muitas dificuldades, elas são grandes, mas não quero parar, sempre que vou para outros locais, volto, porque minha cabeça tá aqui, minha ambição é pouca, apenas quero prosseguir trabalhando para ajudar pessoas, fazer uma obra e continuar sendo o mestre Índio Brasil de Lapão”, desabafa Índio.

Galeria de fotos em: http://pmoraes.wordpress.com/2010/01/19/mestreindio/

Pedro Moraes
Jornalista (MTB/DRT-BA 2758)
peumoraes@yahoo.com.br
pedromoraes84@hotmail.com
http://pmoraes.wordpress.com
http://culturaerealidade.com.br
(71) 9953-5716 / (74) 9986-1719

TRANÇA – Fazendo Arte Afro-Brasileira

TRANÇA – Fazendo Arte Afro-Brasileira 

data: domingo, 12 de junho de 2005
hora: 09:00
local: NEGAÇA – Casa da Arte Afro-Brasileira
cidade: Curitiba
 

    
10 de junho (SEXTA-FEIRA)
9h às 12h Oficina de Percussão Livre
Alcione Alves (Belo Horizonte-MG)
15h às 18h Oficina de Dança Afro
João Bosco (Companhia Primitiva de Arte Negra, Belo Horizonte-MG)
19h àS 22h Roda de Capoeira Angola
Comemoração dos 5 anos da Associação Angola Dobrada de Curitiba
 
11 de junho (SÁBADO)
9h às 12h Oficina de Capoeira Angola
Mestre Índio (Associação de Capoeira Angola Dobrada, Belo Horizonte-MG)
12h30 às 14h30 Furdunço: Gastronomia Afro-Brasileira
Prato do dia: Quibebe (abóbora com carne-seca, acompanha arroz) R$7,00
Música: Marcelo Oliveira e Tomás Álvarez
15h às 19h Oficina de Samba e Batucada
Graciliano Zambonin (baterista, Ctba), Leandro Teixeira (percussioniasta, Ctba) e Índio (presidente do bloco "Vai na Rolha Quem Quer", Ctba)
20h30 Bate-Papo com os oficineiros e convidados no Beto Batata
Rua Professor Brandão 678, Alto da XV
 
12 de junho (DOMINGO)
9h30 às 11h30 Oficina de Capoeira Angola para crianças
Contra-Mestre Serginho (Meninos de Arembepe, Caraguatatuba-SP)
11h às 16h Roda de Capoeira Angola no Largo da Ordem
A partir das 18h Festa: Tambor de Crioula
Tião Carvalho (Grupo Cupuaçu, Centro de Pesquisa em Danças Brasileiras, São Paulo-SP) e Forró com grupo Jangada Ligeira
Após às 21h será cobrada a entrada de R$3,00
Local: Rua Dep.Fernando Ferrari 309, Bom Retiro
*Mostra Permanente: Exposição Paraná Vivo da fotógrafa Socorro Araújo.
 
LOCAL: NEGAÇA – CASA DA ARTE AFRO-BRASILEIRA
RUA IAPÓ 540. REBOUÇAS
PRÓXIMO AO TEATRO PAIOL
INFORMAÇÕES: (41) 3022-6427 / 9116-7512 / 8415-0706
ENTRADA FRANCA!!!

Literatura de Cordel – Zumbi e o quilombo de Palmares

HISTÓRIA DE ZUMBI E OS QUILOMBOS DOS PALMARES
Desde do princípio do mundo
que existe escravidão
e a África forneceu
de negros grande porção
todos vendidos no mundo
pra aumentar a produção.
Além de escravizarem
os índios tão cruelmente
e o pobre negro também
pacífico e obediente
que trabalhava obrigado
ao chicote e à corrente.
Os negros eram vendidos
como qualquer animal
pra trabalhar nos engenhos
fazenda ou canavial
para manter dos senhores
a riqueza colossal.
Negro não falava alto
e não tinha garantia
tinha somente o dever
de trabalhar noite e dia
sem sossego e sem descanso
na maior selvageria.
E ali não se indagava
se eram seres humanos
reinava o preconceito
dos senhores desumanos
que castigavam os escravos
com castigos mais tiranos.
Não acreditavam que
escravo tinha coração
separavam pais e filhos
a irmã e o irmão
sem a menor piedade
sem dó e sem compaixão.
Mas tudo tem seu limite
e assim pôde chegar
o momento que os negros
não puderam suportar
a dor e o sofrimento
e começaram alarmar.
Começaram dando gritos
de revolta e ironia
e na hora que encontravam
facilidade fugia(m)
internavam-se no mato
durante a noite e o dia.
Mas isso adiantava
muito pouco aos escravos
porque os seus senhores
com os seus jagunços bravos
traziam como se os pobres
fizessem grandes agravos.
Até que chegou o dia
de um a um entender
que uma só criatura
nada podia fazer
e muitas pessoas unidas
lutando têm que vencer.
Começaram fugir em grupos
todos espertos e atentos
fugiram para as florestas
formavam agrupamentos
pra ver se um dia acabavam
com seus grandes sofrimentos.
Destinados a todo custo
enfrentarem uma desgraça
e só por meio desse grupo
é que resistiam à caça
que os senhores faziam
por vingança e por pirraça.
A esses agrupamentos
davam o nome de quilombos
andavam juntos iguais
a revoadas de pombos
e quem enfrentava a eles
saía de lá aos tombos.
E houve muitos quilombos
de Norte a Sul do Brasil
tinha um mais resistente
perigoso e mais sutil
alcançou mais longa vida
e heroismo a mais de mil.
E mais de 50 anos
este quilombo durou
e durante este período
o governador lutou
junto aos fazendeiros
e nada disto adiantou.
Por mais de 30 quilombos
o Palmares era formado
medindo umas 30 léguas
de matas por todo lado
com cerca de 30 mil
pessoas era habitado.
Palmares tinha seus reis
um rei pra cada cidade
mas havia o rei dos reis
Gangazumba na verdade
esse vivia em Macacos
capital da majestade.
Cercado dos seus ministros
que lhe davam bons conselhos
pra falar com Gangazumba
só se falava de joelhos
um homem de pele preta
de sangue e olhos vermelhos.
Em Palmares havia leis
com ordens e disciplina
um exército fortificado
pra não cair em ruína
e quando morria um chefe
outro assumia a rotina.
Veio muitos lutadores
no tempo dos holandeses
e os negros combatiam
fazendeiros portugueses
nas armadilhas dos negros
os brancos eram fregueses.
Durante uns 50 anos
houve muita guerra fria
negros não tinham sossego
enfrentando rebeldia
em busca da liberdade
lutavam de noite e dia.
Veio Domingo[s] Jorge Velho
e também Gomes Carrilho
enviado dos holandeses
seguindo do bosque o trilho
os escravos brigavam unidos
tio, sobrinho, pai e filho.
1655
data de muita esperança
quando os escravos lutavam
sem ter ódio e sem vingança
a fim duma liberdade
que quem luta sempre alcança.
Todos escravos lutavam
sem se arredarem dali
dizendo ao inimigo
se for forte venha aqui
e nesse ano nasceu
o futuro chefe Zumbi.
Num dos 20 mocambos
daquela localidade
do quilombo dos Palmares
terra da Felicidade
nasceu Zumbi a esperança
de toda comunidade.
Comunidades quilombolas
cobertas de matagal
desde a Serra da Barriga
à zona do litoral
até próximo a Garanhuns
sofriam do mesmo mal.
Nesse ano ali chegou
uma grande expedição
mandada contra Palmares
com armas e munição
para vencer os escravos
ou lhes dá voz de prisão.
Mas não puderam vencer
aquela luta renhida
prenderam entre outra presa
uma cria recém-nascida
era o garoto Zumbi
no primeiro ano de vida.
Por incrível que pareça
este garoto foi salvo
por um expedicionário
um soldado alto e alvo
que trouxe o menino e deu
ao padre de Porto Calvo.
E o padre que era humano
de bondoso coração
dispensou ao pretinho
uma amorosa afeição
foi criando e foi-lhe dando
cuidadosa instrução.
Para ser religioso
se dedicou sem porém
aprendeu bem o Latim
e o Portuguës também
e muitas outras matérias
pra ser um homem de bem.
Com 15 anos de idade
o Zumbi abandonou
ao padre de Porto Calvo
para Palmares voltou
e foi legalmente livre
de alegre ele vibrou.
A sua ascensão política
veio na flor da idade
assumiu a direção
de uma comunidade
denominada mocambo
Zumbi foi autoridade.
Zumbi com 15 anos
ainda quase menino
recebeu um grande posto
por capricho do destino
e ficou sendo o maioral
do estado palmarino.
Ele era o chefe máximo
em cima daquela serra
era o grande comandante
feito o ministro da guerra
pra defender sua pele
sua gente e sua terra.
Nesse tempo houve uma série
de derrotas militares
o prestígio de Gangazumba
abalou por todos lares
e Zumbi foi nomeado
comandante dos Palmares.
Naquele mesmo tempo
Zumba foi assassinado
pelas mãos de seus ministros
isto assim foi comprovado
e Zumbi assumiu o posto
que Zumba havia deixado.
Com a morte de Gangazumba
as pazes foram frustradas
com o poder colonial
e Zumbi sempre às caladas
planejava uma guerra
com o povo de mãos armadas.
E Zumbi logo tornou-se
um "revolucionário"
formou uma ditadura
executou os falsários
os aliados de Ganga
que lhe seriam contrários.
Fortificou os principais
mocambos destes lugares
transferiu populações
com seus planos militares
e 10 anos moveu guerra
no quiombo dos Palmares.
Essa guerra era implacável
ao poder colonial
Zumbi era o comandante
com sua força brutal
em busca da liberdade
para seu povo em geral.
Atraiu o inimigo
com sua força sensata
e levou as suas tropas
para a Zona da Mata
e os negros ali faziam
verdadeiro mata-mata.
E faziam nas fazendas
uma rápida invasão
com suas tropas armadas
e levou à perfeição
a tática de Gangazumba
para ser mais valentão.
Ele se valia das
manobras e emboscadas
fazia espionagens
aparições inesperadas
e com isso todas tropas
inimigas eram lesadas.
Zumbi enfrentava a luta
sem desânimo nem fadiga
findou atraindo as tropas
para Serra da Barriga
a capital fortificada
contra as forças inimigas.
E ali enfrentou mais forte
a força colonialista
que era irregular
comandada pelo paulista
Domingos Jorge Velho
que não saía da pista.
Domingos Jorge que veio
junto a seus militares
infligir uma derrota
lutando junto a seus pares
previa ver uma queda
definitiva em Palmares.
Palmares era protegido
por uma forte barreira
uma muralha segura
de pedra, barro, madeira
e nem um tropa inimiga
rompia aquela trincheira.
Jorge Velho descobriu
que a muralha era cercada
por valados e estrepes
não permitindo a entrada
e foi procurar um meio
pra fazer sua cilada.
E assim aconteceu
numa noite de neblina
ele achou a solução
pra sua fúria ferina
levantando outra muralha
pra ver a carnificina.
Levantou a contramuralha
feita em diagonal
que esta lhe protegesse
do fogo do seu rival
na madrugada atacou
com o seu bando infernal.
Ele atacou com as armas
com o ódio e a vingança
nos combatentes palmarinos
ele fez grande matança
matou também as mulheres
animais, velho e criança.
Zumbi tentou escapar
num valado descoberto
e Deus protegeu a ele
dando-lhe o caminho certo
quando morreu encontrou
o caminho do céu aberto.
E Domingos Jorge Velho
o diabo carregou
botou ele nas profundas
nunca mais ele voltou
o branco ruim foi ao inferno
o preto bom se salvou.
O Estado palmarino
desta vez foi destruído
vamos dá viva a Zumbi
o herói preto e querido
que viveu sempre em guerra
pra ver seu povo abolido.
Agora falo no índio
que primeiro habitou a terra
a terra pertence a ele
mas seus direitos se encerra
e para ele viver hoje
é preciso fazer guerra.
Índio não tem egoísmo
nem luxo nem vaidade
ele precisa viver
na sua propriedade
e não viver como escravo
sem calma e sem liberdade.
Quando o índio está sofrendo
nem um branco lhe socorre
nas armas dos brancos ricos
sempre um pobre índio morre
enquanto o sangue do índio
na veia do branco corre.
Zumbi morreu sendo herói
recordista Brasileiro
venceu 40 batalhas
no tempo do cativeiro
e seu nome se registrou
na bola do mundo inteiro.
O índio vive na terra
honesto a sua pureza
não tem maldade consigo
mas vive na incerteza
lutando pelo que é seu
dado pela natureza.
Assim como o negro um dia
recebeu a liberdade
vamos deixar que o índio
viva em paz e à vontade
que ele é um ser humano
sem ter ódio e sem maldade.
Aqui eu termino os versos
de Zumbi o veterano
que enfrentou o exército
do governo pernambucano
e hoje é considerado
o herói alagoano.
Resta saber quem me ajuda
neste livro que escrevi
contando as fortes batalhas
do nosso herói Zumbi
que se fosse vivo hoje
estava com nós aqui.
(Em O cordel; testemunha da história do Brasil. Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa, 1987. Literatura popular em verso, antologia – nova série, 2)