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Pioneirismo: Capoeira como tratamento para saúde mental

Oficina gratuita mostra resultados positivos da capoeira como instrumento terapêutico no tratamento da saúde mental

 

Projeto iniciado pioneiramente em Pernambuco há mais de dez anos comprova que a capoeira pode ser um importante aliado no tratamento de pacientes com transtornos psicóticos

 

O Ateliê da Casa, espaço que acolhe pacientes com transtornos psicóticos funcionando como centro de convivência e hospital-dia, onde as pessoas em tratamento produzem arte, cultura e educação na busca pela profissionalização, reabilitação e reinserção social, abre as portas para estudantes e profissionais da área de saúde mental e ao público em geral para a realização da oficina “Capoeira sócio-inclusiva”, dentro das ações do projeto Casa Aberta. A inscrição é gratuita, mas é preciso confirmar presença pelo telefone (81) 3441.0433. Será neste sábado (20), a partir das 10h, no CAPS Casa Forte, no Recife, capital pernambucana.

A oficina contará com a participação de alguns dos usuários atendidos pelo CAPS Casa Forte e também familiares. Será coordenada pela psicóloga e capoeirista Flávia Araçá e ministrada por Flávia, em parceria com o mestre de capoeira Gil Velho, uma referência nacional no esporte/arte/dança. A prática da capoeira como instrumento terapêutico no tratamento da saúde mental vem sendo usada de forma pioneira em Pernambuco há mais de uma década, em trabalho iniciado pelo Núcleo de Atenção Psicossocial de Pernambuco (NAPPE), que também funciona como hospital-dia no tratamento de portadores de transtornos psicóticos crônicos e agudos no Recife. Há oito anos foi adotada também pelo CAPS Casa Forte. “Os efeitos positivos já são comprovados e agora estamos abrindo a casa para que os estudantes e profissionais da área de psicologia possam vivenciar essa experiência conosco”, diz o psiquiatra Marcos Noronha, um dos fundadores do CAPS Casa Forte.

De acordo com Flávia Araçá, a oficina tem como objetivo comprovar na prática o valor terapêutico da capoeira e seu potencial de estímulo da criatividade, controle físico e mental, desenvolvimento psicomotor e também colaborar para que o indivíduo enfrente melhor as situações do dia a dia, incentivando dessa forma a busca da autonomia, e ainda sendo um meio incentivador à reintegração social. Outra função é promover uma nova visão de política cultural e da política de saúde mental, onde o respeito à identidade e à diversidade são os vetores principais.

A metodologia usada busca promover o resgate da identidade do indivíduo em seu espaço vivencial. Visa também o resgate de parte da percepção, sobre a importância da autonomia do indivíduo na construção de sua realidade vivencial. “A prática adotada elege como elemento de resgate desta perspectiva a interação do sistema sensorial corporal com a memória genética do indivíduo. Pretendemos com essas oficinas contribuir no sentido de atender às necessidades e demandas dos portadores de sofrimento mental”, esclarece Flávia.

A oficina de capoeira faz parte do projeto Casa Aberta, que acontece uma vez por mês e tem o objetivo principal de aproximar pacientes, familiares e a sociedade em geral na busca por um melhor entendimento geral sobre os distúrbios mentais e as possibilidades de melhoria da qualidade de vida a partir de uma melhor compreensão social e desenvolvimento das habilidades destes pacientes.

O Ateliê da Casa, inaugurado há dois anos, é coordenado pela equipe de psicólogos e psiquiatras do CAPS Casa Forte e realiza uma série de atividades, como oficinas de teatro, argila, música, culinária, interpretação de sonhos, cinema, capoeira, poesia e contação de histórias, entre outras.

 

Serviço:

CAPS Casa Forte

Rua Marechal Rondon, 256, Casa Forte, Recife/PE

Telefone: (81) 3441.0433

www.capscasaforte.com.br

 

ATELIÊ DA CASA: Rua Marechal Rondon, 360, Casa Forte

NAPPE: Rua Dom Carlos Coelho, Boa Vista, Recife/PE

 

SILVINHA GÓES ((81) 3445.8586 / 8743.0443)

1º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira – ENAFEC

A capoeira é uma manifestação cultural brasileira que reúne características muito distintas: trata-se de uma mistura de arte-luta praticada ao som de instrumentos musicais como o berimbau, o pandeiro e o atabaque.

Para incentivar a prática entre as mulheres, foi promovido o 1º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira (ENAFEC).

Aconteceu no SESC Poço atendendo um público alvo de jovens e adultos que sempre tiveram interesse em participar do evento.

A prática da capoeira ainda é pouco difundida no Estado entre as mulheres e encontramos resistência em praticá-la, desconhecendo que a atividade pode ser uma alternativa eficaz na melhoria das condições gerais do indivíduo e pode, ainda, contribuir para a auto-estima e formação do caráter e da personalidade de quem a realiza.

Aqui em Alagoas muitas meninas reclamam da discriminação pois as pessoas leigas e ignorantes no assunto vem, algumas vezes, chamando-as de vagabundas e desocupadas, além de serem assediadas constantemente pelos homens capoeiristas.

Entrevista Mestre Gil Velho

Gil Clementino Cavalcanti de Albuquerque Filho (Mestre Gil Velho), filho de Gil clementino Cavalcanti de Albuquerque e Maria Amélia Campelo Cavalcanti de Albuquerque, nasceu em Recife em 1948.

1 – Qual foi seu 1º contato com a capoeira?

Nasci em Recife, capital de Pernambuco, no final da década de 40, século XX. Venho de uma família tradicional, os Cavalcanti de Albuquerque, cuja história se confunde com a própria história do espaço pernambucano. A mistura de elementos indígenas, lusos, holandeses e afro na sua formação, me transmitiu uma memória genética que flui nos meus insight e interagem no meu processo vivencial.
Assim, quando meu Pai se muda para o Rio de Janeiro, no inicio da década de 50, passo a simbiotizar esta perspectiva genética com a leitura da realidade percebida do espaço carioca. Torno-me um pernambucano carioca, com uma passagem rápida por Copacabana e um pouso longo em Ipanema, onde passo minha infância e adolescência.
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A inclusão do educador em capoeira no setor de tratamento em dependência química e saúde mental

CAPOEIRA SOLIDÁRIA

"A inclusão do educador em capoeira no setor de tratamento em dependência química e saúde mental"
 
A área médica volta o olhar para as terapias esportivas como fator de tratamento de jovens e adultos dependentes de álcool e drogas. Neste sentido, a capoeira surge como uma proposta na organização corporal e mental do indívíduo dependente. Trabalhando a socialização, o esquema corporal e o auto controle, a capoeira contempla o tratamento psiquiátrico e psicológico trazendo pontos positivos aos pacientes,  além de alegrar a alma do praticante. A capoeira vem sendo utilizada diariamente, como doses homeopáticas, nas oficinas de centros de atenção psicossocial, clínicas de reabilitação, setores de saúde mental e hospitais; através do Projeto Beija-Flor/Grupo Macungo e seus educadores. A resposta dos pacientes é fantástica, sendo uma poderosa terapia associada aos grupos de psicologia. Como uma medicação, a capoeira vai gradativamente envolvendo o paciente o tornando mais resistente e sociável além de desintoxicar o indivíduo através de características aeróbicas contidas nas aulas. Fortalece ainda a musculatura; em muitos casos comprometida pelo déficit do metabolismo muscular e favorece a observação e diagnóstico dos pacientes, pois suas emoções são evidentes durante o jogo de capoeira sem possíveis fingimentos. Observa-se ainda que muitos pacientes se envolvem de tal maneira com a capoeira que procuram locais para praticá-la em outros horários aos do tratamento, ocasionando assim um projeto de redução de danos pois quando o indivíduo está treinando não está nas ruas ou bares fazendo uso de drogas e bebidas.
 
Para saber mais sobre a Capoeira no setor na saúde mental:

Ricardo Costa: beijaflor@portalcapoeira.com
Site com informações: http://bfcapoeira.vilabol.com.br

Psicomotricidade – Área de recreação e esportiva

Psicomotricidade – Área de recreação e esportiva

Recebido por e-mail de WGS07@aol.com

em qui 29/09/2005 08:16

Acessado em 11/10/2005 10:55

Redação/Editoração/Formatação modificadas por AADF

 

O Conceito Psicomotricidade

O conceito de psicomotricidade é recente e inicialmente debruçou-se apenas sobre o desenvolvimento motor da criança (De Meur e Staes, 1989).

Ø      Segundo Núñes e Vidal (1994) a psicomotricidade é a técnica ou conjunto de técnicas que tendem a interferir no ato intencional significativo, para o estimular ou modificar, usando como mediadores a atividade corporal e sua expressão simbólica, com o objetivo, de aumentar a capacidade de interação do sujeito com o ambiente.

Ø      Berruezo (1995, citado por Pantiga, 2002) propõe que psicomotricidade é um foco da intervenção educacional ou terapia cujo objetivo é o desenvolvimento da capacidade motora, expressiva e criativa a partir do corpo, o que o leva a centrar a sua atividade e a interessar-se pelo movimento e o ato, que é derivado de disfunções, patologias, excitação (estímulos), aprendizagem, etc.

Ø      Para Muniáin (1997, citado por Pantiga, 2002) psicomotricidade é uma disciplina educativa/reeducativa/terapêuti ca. Concebeu como diálogo que considera o ser humano como uma unidade psicossomática e que atua sobre a sua totalidade por meio do corpo e do movimento no ambiente, por meio de métodos ativos de mediação principalmente corporal, com o propósito de contribuir para o seu desenvolvimento integrante.

Ø      De Lièvre e Staes (1989, citados por Núñes e Vidal, 1994) definem psicomotricidade como a posição global do sujeito. Pode ser entendida como a função do ser humano que sintetiza psiquismo e motricidade com o propósito de permitir ao indivíduo adaptar-se de maneira flexível e harmoniosa ao meio que o cerca. Pode ser entendida como um olhar globalizado que percebe a relação entre a motricidade e o psiquismo como entre o indivíduo global e o mundo externo. Pode ser entendida como uma técnica cuja organização de atividades possibilite à pessoa conhecer de uma maneira concreta o seu ser e o seu ambiente de imediato para atuar de uma maneira adaptada.

 

A psicomotricidade destaca a relação existente entre a motricidade, a mente e a afetividade e procura facilitar a abordagem global da criança por meio de uma técnica.

Nesse sentido, De Meur e Staes (1989) referem que a psicomotricidade foi evoluindo. Começou por estudar o desenvolvimento motor, depois a relação entre o atraso no desenvolvimento motor e o atraso intelectual da criança, mais tarde o desenvolvimento da habilidade manual e aptidões em função da idade, para atualmente, estudar também as ligações com a lateralidade, com a estruturação espacial e a orientação temporal e as relações das dificuldades de aprendizagem escolares de crianças de inteligência normal. Os autores alertam também para a tomada de consciência das relações existentes entre o gesto e a afetividade, como por exemplo, o fato de uma criança segura de si caminhar de forma muito diferente de uma criança tímida.

 

Verifica-se, portanto, que existe um amplo espaço ou área de intervenção da psicomotricidade,o que permite afirmar que esta pode exercer uma importante influência na evolução pessoal e acadêmica dos indivíduos.1

 

A Influência do Desenvolvimento Motor na Aprendizagem

Existem teorias que salientam de tal modo à importância do movimento para a criança que admitem que as dificuldades de aprendizagem são o resultado de um desajustamento com o espaço que as envolve (Neto e col., 1989, citados por Silva e Marques, 2001).

Segundo os mesmos autores, o movimento é um meio de ensino-aprendizagem particularmente relevante em crianças com dificuldades de aprendizagem. Com base nas múltiplas relações da motricidade com a inteligência, realçam que a atividade lúdico-motora facilita a aquisição das noções simbólicas fundamentais para as aprendizagens escolares, destacando que o movimento promove a espontaneidade, a imaginação e o pensamento criativo, constituindo-se numa experiência multi-sensorial de aprendizagem.

Para Matos (1991, citada por Silva e Marques, 2001) a dimensão cognitiva, na qual as aprendizagens escolares apostam fortemente, não é só um acidente ou um "dom", mas também é resultante da atividade motora exploratória, criativa e social que então satisfaz por um lado as necessidades de maturação orgânica e por outro permite a regulação das funções psicofisiológicas, traduzidas na prática pelo desenvolvimento e pelo crescimento.

Assim, a atividade motora parece associada às representações mentais, ou seja, regula o aparecimento e o desenvolvimento dos processos cognitivos (Piaget, 1977; Wallon, 1970; Fonseca, 1984, 1994, citados por Silva e Marques, 2001).

Alguns autores (Cuenca e Rodao, 1994) referem que atualmente não há dúvidas de que um bom desenvolvimento psicomotor durante a infância é a base de uma aprendizagem adequada e que o grau de desenvolvimento psicomotor nos primeiros anos de vida vai continuar, em grande parte, durante toda a sua vida.

A motricidade, segundo os mesmos autores, influi de forma notável no psiquismo do indivíduo, ao ponto do processo intelectual depender da maturidade do sistema nervoso. Isto significa que existe uma estreita influência entre o físico-fisiológico e o intelectual. As referidas teorias estão presentes no processo ensino-aprendizagem, como por exemplo, no da leitura, onde a desorientação espácio-temporal pode levar a criança a confundir grafias semelhantes (p/q, b/d …), conduzindo-a dificuldades da leitura e escrita e consequentemente a dificuldades de aprendizagem. A lateralidade, a coordenação visomotora, discriminação figura-de-fundo e a mobilidade manual são outros exemplos, entre vários, de áreas que devem ser trabalhadas, pois poderão contribuir para ultrapassar as dificuldades de aprendizagem ou para a sua prevenção.

Deste modo, a influência do desenvolvimento motor na aprendizagem é de tal forma importante que uma intervenção através da psicomotricidade poderá contribuir para eliminar ou pelo menos diminuir as dificuldades de aprendizagem de crianças e jovens que apresentam tal problemática.

 

A Educação Física e suas implicações no Desenvolvimento da Psicomotricidade

O discurso e prática da Educação Física sob a influência da Psicomotricidade coloca a necessidade do professor de Educação Física sentir-se um professor com responsabilidades escolares, e portanto, pedagógicas. Busca desatrelar sua atuação escolar dos cânones da instituição desportiva, valorizando o processo de aprendizagem e não mais a execução de um gesto técnico isolado.

Talvez nós sejamos um tipo de professor que em grau maior do que aqueles de outras matérias costuma valer-se de conceitos de sua própria área em tom pejorativo, denegrindo o que deveria ser de seu domínio. Fazemos tábula rasa2 do que foi produzido ao longo de quase 200 anos. Não conseguimos acompanhar o movimento do pensamento e perceber como o conhecimento se amplia, se refaz pelos avanços da técnica, da ciência e pela inserção de diferentes práticas em diferentes culturas. Os clichês influenciam mais do que as inúmeras e inúmeras obras sobre Ginástica, sobre Jogo, Dança, e, sobretudo Esportes. É agradável constatar que os anos 90 trouxeram um olhar mais abrangente aos estudos e pesquisas sobre a Educação Física Escolar. Os reducionismos de natureza biológica, psicológica e social parecem não ter mais lugar no debate da área.
Hoje já é possível, no âmbito da Educação Física, pensar a ciência fora dos limites do positivismo e perceber que para tratar das atividades físicas em suas determinações culturais específicas, o conhecimento do homem implica em saber que a sua subjetividade e razão cognoscitiva se instalam em seu corpo e as linguagens corporais constituem-se em respostas a esta compreensão.
Sem esquecer a provisoriedade do conhecimento, afirmo aqui esta retomada da Educação Física como o lugar de aprender Ginástica, Jogos, Jogos Esportivos, Dança,Lutas,Capoeira.
Talvez as pesquisas sobre ensino hoje já possam romper com a visão tecnicista e mergulhar no conteúdo de cada área. Talvez hoje, estejamos necessitando estudar Ginástica, Jogos, Dança, Esportes e de posse destas fantásticas atividades codificadas pelo homem em sua história valer-se, criativamente, de metodologias que encerrem valores mais solidários, que apontem para uma saudável relação entre indivíduo e sociedade e vice-versa. O Ensino da Ginástica ou de qualquer Jogo Esportivo, por exemplo, sempre encerrará em seu interior uma dimensão técnica. Mas uma dimensão técnica não significa nem tecnicismo nem "performance". O lugar da "performance" não é na escola. O caráter lúdico pode prevalecer sempre numa aula de Educação Física, desde que ela seja realmente uma aula, ou seja, "um espaço intencionalmente organizado para possibilitar a direção da apreensão, pelo aluno, do conhecimento específico da Educação Física e dos diversos aspectos das suas práticas na realidade social".

Segundo Snyders: "não considere seus alunos tolos", eles não gostam de coisas fáceis, óbvias. Como observa Betti em sua pesquisa sobre a percepção do aluno em aulas de Educação Física, "os alunos realmente não desejam que todas as coisas sejam fáceis. O desafio de algo difícil, mas realizável é almejado por eles. Afirmam que querem aprender melhor, que quanto mais aprenderem, melhor a aula se tornará…".

Nesse sentido, a educação psicomotora visa a intervenção no processo de evolução psicomotora do indivíduo, não somente como recurso pedagógico, mas também como recurso que integra toda ação educativa.

 

A capoeira como atividade promotora do Desenvolvimento Psicomotor

A Capoeira pode proporcionar aos seus participantes inúmeras situações de aprendizagem, constituindo-se como uma prática educativa. O trabalho coletivo e lúdico que envolve o aprendizado da capoeira garante mais qualidade de vida para aqueles que a praticam. Seus benefícios são enormes, tais como: desenvolvimento das qualidades físicas (resistência, flexibilidade, agilidade, coordenação, ritmo, etc.), autoconfiança e socialização.

Na Capoeira, a aprendizagem tem um reflexo claro na realidade do aluno, ela proporciona uma série de benefícios que influenciam a própria maneira de o aluno estar no mundo (“ser-no-mundo”). Quando o indivíduo entra numa roda de capoeira, se insere num ambiente de encontro e contato direto com outra pessoa, que é seu companheiro (com quem irá jogar), e um contato e encontro indireto com outras pessoas, que são os outros integrantes da roda. O ato de entrar na roda pela primeira vez representa o início do processo de aprendizagem mais significativo da Capoeira, é o começo dum processo de enfretamento e transposição de barreiras e medos ( p.ex. do risco de contusões) que o capoeirista irá realizar em seu rico aprendizado. Dentro da roda, são suscitados os mais variados tipos de sentimento, emoções e reações, que são peculiares deste genuíno encontro que acontece na roda, encontro esse que é imprevisível e espontâneo, ditado pelo momento, podendo ser amistoso ou não.

“…é o canto, a ladainha que evoca o clima e dá o tom do jogo e expressa, resume o que vai rolar, pelo menos naquele instante. Isto porque o que está acontecendo neste momento, aqui e agora, pode ser completamente modificado à medida que se vai jogando, é o encontro que vai dizer o que ‘vai rolar’. É a resposta imediata do parceiro que vai provocar o tipo de jogo, aberto ou fechado, ou que eu seja mais afoito ou retrancado” (Amorim in: Freire, 1991:152).

As experiências vividas na roda de Capoeira vão ter várias conseqüências para a vida do indivíduo, na medida em que, na capoeira, a pessoa vivencia momentos de integração e contato significativos, realiza atividades de nível motor, além de poder expressar sentimentos e emoções que, na realidade, muitas vezes é impedido (como, por exemplo, a expressão da agressividade), enfim, está lidando com aspectos motores, emocionais, psicológicos e sociais que podem refletir diretamente na vida do sujeito.

 

O capoeirista Corisco do Recife, citado por Amorim (in: Freire,1991:152), expressa muito bem essa situação, quando diz que:

“A capoeira ultrapassa esses limites que tentamos impor a ela. Ela é um estilo de vida, um modo de ser, conviver, enfrentar o mundo. É mais que uma filosofia, é a própria vida do capoeirista. Na capoeira a gente pode expressar a dor, a alegria, a sensualidade, o ataque, a defesa, a saudade, o encontro”.

 

Na Capoeira aprende-se a enfrentar e superar muitas dificuldades e situações, o praticante está sempre descobrindo como se colocar nas mais inusitadas e inesperadas circunstâncias, aprende como escapar aos mais variados obstáculos e barreiras, esta sempre trabalhando sua expressão corporal, sua agilidade, sua destreza, sua flexibilidade, criatividade e espontaneidade. Cada aspecto ou característica pessoal trabalhada terá um reflexo na vida do indivíduo, que passa a encarar o mundo e a vida, suas dificuldades e obstáculos, de uma nova forma, com uma postura bem diferente.

A luta é o elemento básico para o enfrentamento dos mecanismos de poder que tentam impedir a auto-regulação, a liberdade de ser e fazer o que se quer. A disposição de luta numa roda de capoeira está relacionada às nossas atitudes de luta na vida. A roda é um treino e um diagnóstico de como estamos lutando. Nosso esquema corporal é um reflexo direto de nossa vida emocional” (Freire & Da Mata, 1993: 38).

O aluno envolve-se integralmente, é o sujeito de suas ações e movimentos. Insere-se completamente. Esta condição lhe é imposta até em termos de sua segurança. Numa roda de Capoeira, o indivíduo trabalha a expressão de sentimentos, de emoções, ativa a cognição, trabalha a espontaneidade, a criatividade, a integração social.  Além de tudo, está se apropriando da história e da cultura do povo brasileiro.

 

Apesar de existirem movimentos básicos na Capoeira, cada pessoa desenvolve seu estilo próprio de jogar, cada um tem seu jeito de expressar-se nos movimentos. Isso decorre do fato da capoeira ser um lugar privilegiado para produção da criatividade, do cultivo da originalidade e espontaneidade de cada um. É um lugar privilegiado para expressividade, espaço de desenvolvimento pessoal, onde o praticante experiência um processo contínuo de “dar-se-conta-de-si”, um processo de conscientização de atos e movimentos. O praticante de Capoeira é uma pessoa que está aprendendo a lidar com as nuanças do improviso, está em contínuo contato com o seu “aqui e agora”, com sua realidade atual (no sentido de “atos momentâneos”), está em contato criativo e dinâmico com o meio.

 

No processo de participação grupal, que é a Capoeira, o aluno está constantemente desenvolvendo liberdade e responsabilidade de movimentos e ações, um verdadeiro processo socializado de crescimento pessoal.

É por meio de atos que se adquire aprendizagem mais significativa[…] A aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo. A aprendizagem significativa aumenta ao máximo, quando o aluno escolhe suas próprias direções[..] decide quanto ao curso de ação a seguir, vive as conseqüências de cada uma dessas escolhas[…]a aprendizagem participada é muito mais eficaz que a aprendizagem passiva.”

Rogers (1978:163).

 

A vivência da capoeira é uma experiência ímpar. Proporciona ao aluno uma ativação, ampliação e complexificação da percepção. Uma verdadeira abertura progressiva à experiência. Na medida em que o indivíduo constrói uma vivacidade e auto-estima cada vez maiores.3

 

Além disso, a pessoa, principalmente o brasileiro, ao praticar Capoeira, tem a oportunidade de vivenciar o contato com sua própria cultura, na medida em que passa a apropriar-se da história desta arte-dança-luta-jogo de raiz africana, mas de origem brasileira.

 

A Capoeira foi inspirada em danças e rituais dos negros africanos, os quais foram trazidos como escravos para os engenhos de açúcar, no Período Colonial brasileiro. Originou-se e desenvolveu-se aqui, todavia, como uma forma encontrada pelos negros escravos, de lutar contra e resistir às injustiças da escravidão, pela sobrevivência física e cultural de seu povo. A Capoeira apresenta-se, principalmente, como uma forma que o Negro encontrou para buscar sua liberdade. Após a abolição da escravatura, ela logo se tornou uma poderosa e genuína forma de resistência dos mais variados grupos ou classes oprimidas.

 

Atualmente, apesar de a Capoeira ter se disseminado por vários países do mundo, o que facilmente notamos, ainda, é o fato de ela ser mais aceita entre as classes mais pobres, e de sofrer uma certa discriminação social frente a outras práticas esportivas e culturais4 Tal fato talvez se deva ao seu próprio processo histórico de exclusão.

 

Na Capoeira, o aluno encontra um lugar de desenvolvimento, um lugar onde pode desenvolver seus potenciais de criatividade, expressão corporal, originalidade e espontaneidade, verbalização e expressão de sentimentos, flexibilização do corpo, integração social, apropriação cultural. Lugar de afirmação de si, de percepção e encontro genuíno com o outro, de desenvolvimento de uma postura de enfrentamento da realidade, de uma forma flexível e dinâmica de estar no mundo.

Nesse sentido, a oficina de Capoeira tem como objetivo divulgar esta arte secular trazida pela cultura negra, e, além de ensinar as tradições de uma dança brasileira, exercita a psicomotricidade e o controle emocional seguido de senso de companheirismo e fraternidade.

Além disso, a utilização da música na roda de capoeira é importante como processo de fixação e aprendizagem de conhecimentos gerais e culturais, de psicomotricidade e de auto-estima.

A prática e a teoria artística e estética devem estar conectadas a uma concepção de arte, assim como a uma consistente proposta pedagógica que aproxima os estudantes do legado cultural da humanidade, oferecendo bases que proporcione a experimentação e o sentir, para que a partir deste movimento sejam desenvolvidos sua autenticidade e seu bom gosto artístico.


Bibliografia

Ø      Cuenca, F. e Rodao, F. (1994). Como desenvolver a psicomotricidade na criança. Porto: Porto Editora.

Ø      BETTI, I.C.R. Educação física escolar: a percepção discente, Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v.16, n.3, 1995, p.166.

Ø      De Meur, A. e Staes, L. (1989). Psicomotricidade – Educação e reeducação, Níveis Maternal e Infantil. São Paulo: Editora Manole.

Ø      NEPOMUCENO, L.B. A Capoeira como possibilidade de Aprendizagem Significativa: elementos para uma vinculação entre as idéias de C. Rogers e uma prática educativa genuinamente brasileira. Universidade Federal do Ceará (UFC)

Ø      Núñes,G. e Vidal, F. (1994). Psicomotricidade .Retirado em 14 de Dezembro de 2003 da World Wide Web: WWW. < http://www.motricidadeinfantil.cjb.net/ >

Ø      Pantiga, G. (2002) Psicomotricidade. Retirado em 14 de Dezembro de 2003 da World Wide Web: WWW. < http://members.tripod.com/~Gpantiga/Giba.html >

Ø      Silva, C. e Marques, U. (2001). Rendimento escolar e desenvolvimento motor: análise comparativa da proficiência e desempenho motor em dois grupos educacionais distintos. Revista de Educação Especial e Reabilitação REFER, 1(8) III,43-60.

 

1 Grifo AADF

2 Grifo AADF

3 Grifo AADF

4 Idem

Capoeira, comunicação gestual, controvérsia e modernidade…

 Pesquisando sobre o Mestre Gil Velho, à pedido de uma colega, acabei encontrando este texto, que confesso achei bastante interessante.
Fica aqui a dica para a leitura do texto e do "contexto"


(Cevtradg-L) ENC: resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho
 
To:  <cevtradg-l@xxxxxxxxxx>
Subject:  (Cevtradg-L) ENC: resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho
From:  "(marina)" <vinha@xxxxxxxxxxxxxx>
resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho

Caro Cobrinha Mansa.
 
Gostei de seu comentário a respeito de meus ensaios sobre, "identidade e território na capoeira", e gostaria de esclarecer que no que foi colocada, a subjetividade é a grande relação que mapeia a minha percepção. A capoeira, hoje, no que diz respeito a sua identidade e territorialização, não tem nada de subjetivo, pois é um processo construído por indução. Digo isto porque participei deste processo, no momento mais forte de sua construção, que é a década de 60. Neste período, os arquitetos de sua fase original, sai de cena, o ideário nacionalista da fase original, ganha uma nova roupagem e novos discursos e mitificação. Salvador deixa de ser o centro da capoeira moderna, Bimba caí no ostracismo. O eixo passa a ser o Rio e São Paulo.´Foi deste eixo que se irradia o processo de massificação da capoeira. O estilo de movimentação gestual que implementa esta revolução é o próximo a regional do Bimba, repetindo o que ocorreu em Salvador na época de 30.Onde o grande Mestre edifica a base da capoeiragem moderna, logo copiado por todos em Salvador, a ponto de ser o grande divisor, pois quem não era Bimba era a outra, chamada de Angola.
 
A partir desta época é que se cria um movimento que se aprende por pacotes estabelecidos e aí que entra o que a baixo transcrevo do meu recente artigo.  
 
Na capoeira, a falta de uma identidade que caracterize sua personalidade é o marco da controvérsia contemporânea. A capoeira só se estabelece quando cria uma identidade social. Este fato ocorreu no século XIX, na cidade do Rio de Janeiro. Neste cenário ela territorializa-se e personaliza estes ambientes. O fator de construção deste espaço cultural foi à diversidade de seus componentes, oriundos de um contexto, tão diverso e mestiço, sob o ponto de vista da origem e etnia, que compunha a realidade urbana carioca.
 
A forma de expressar esta relação se deu através de uma comunicação gestual, onde na teatralidade das interações entre seus elementos, a trama do tecido cultural era visualizada.Na sua contemporaneidade, a capoeira perde a sua identidade social, pois é desfeita sua estrutura coletiva, desfaz-se dos territórios e com isto acaba sua magia. Todo o universo da riqueza de sua invisibilidade, produto do espontâneo, é quebrado ao formalizar sua relação.
A diferença entre a capoeira moderna e a original está exatamente na construção do espontâneo da segunda e no procedimento induzido da arquitetura da primeira. As controvérsias, geradas na mitificação e discursos na capoeira moderna, são frutos de seu artificialismo, onde o indivíduo some do seu espaço construtor, sendo um mero copiador de sua comunicação gestual engessada em pacotes formais.
 
A territorialização de um contexto é feita no espontâneo (espontaneamente). A leitura desta realidade só é possível através de uma perspectiva antropológica vivenciada, ou seja, os atores tecem no espaço a estrutura que dará forma a sua realidade. O que exige uma consciência, deste atores, de que são personagens da construção deste contexto.
Os discursos, étnicos, nacionalistas, da repressão, corporativista iniciativa e o classista, mostram bem a necessidade de estabelecer uma idéia carregada de verdades e tradições que os qualifique, como a linha que contempla a identidade social, na contemporaneidade da capoeira.Identidade que a capoeira hoje não tem, porém necessita criar, mas não no artificialismo dos discursos e mitos, procedimento usual no sistema atual, mas sim na interação entre a realidade do indivíduo e do contexto do qual está inserido.
 
A ótica da comunicação gestual se coloca para os discursos e mitificação, como divisor entre ser capoeira e fazer capoeira. Enquanto um procura criar referências, o outro é em si a própria referência, pois as relações são construídas na própria vivencia, criando uma unicidade entre indivíduo e contexto. A ótica da construção de referência mostra a sua relação direta com a racionalidade, onde toda perspectiva é fragmentada e, por conseguinte não interativa. Não sendo interativa não há troca, sem troca não se constrói contexto, sem contexto não existe identidade.
 
O retorno a organicidade, no ato de vivenciar um contexto é, de fato, o único elemento plausível de restaurar, na capoeira, sua identidade social ao proporcioná-la ser elemento da construção do espaço onde se insere.A identidade cultural é dinâmica, pois é construída no processo interativo que forma um determinado espaço. Seus elementos estão em constante troca e com isto produzindo mutação na organização da forma de um contexto. Ao desenvolver a consciência do momento vivenciado, o indivíduo, percebe sua identidade com o contexto, o que lhe confere percepção do espaço que está inserido.
Na fase embrionária de sua modernidade, o gestual é engessado pela construção de um padrão funcional e estético, voltado para ter um lugar nas artes marciais. Foram selecionados, dentro do gestual espontâneo, os elementos com as características mais próximas da forma globalizada da arte marcial.
 
O indivíduo, corpo estranho na modernidade, some do cenário da capoeira, passa a ser um elemento de enfeite, sua personalidade não é interessante na construção do tecido gestual. A necessidade do retorno do indivíduo na construção do contexto por ele vivenciado é de extrema importância na sustentabilidade da capoeira. A construção de um contexto capoeira se faz por informações gestuais personalizadas, as quais ao interagir com as demais existentes neste ambiente, produz no espaço vivencial, uma forma única tanto em termos de tempo como espaço, ou seja, uma unicidade.
Ao conferir identidade ao processo capoeira, o que passa pelo indivíduo, cria-se na capoeira um movimento de legitimação, pois a capacita edificar identidade social no contexto que se insere.
 
Parte destes comentários são de trechos de meu artigo, porém  mostram a minha preocupação em ver a capoeira se massificar no Brasil e agora no Mundo, porém muito mais como produto de entretenimento do que algo que venha contribuir  com  a  edificação de identidade do indivíduo, para este se perceber construtor de seu contexto e não um mero boneco repetido de uma realidade virtual induzida. Nesta perspectiva, podemos restaurar os princípios da capoeira original e dá a capoeira moderna uma sustentabilidade para sua continuidade.
 

ADOLESCÊNCIA, DROGAS E CAPOEIRA

Apesar de nos considerarmos como um individualidade imutável, permanente, invariável, cada um de nós é um processo em evolução, algumas vezes explosiva, outras em suave transição, porém em contínua transformação.
No transcurso desta progressão surgem períodos críticos, dos quais o primeiro e talvez o mais difícil, é o nascimento, apesar de obscurecido por uma aparente inconsciência do Ser; seguido em importância pelo da adolescência, que definirá todo o futuro, por marcar a transição da segurança do lar para a incerteza do ambiente social, nem sempre benfazejo, nem hospitaleiro, no qual o jovem tem que encontrar sua própria subsistência e realizar os seus sonhos.
A adaptação do recém-chegado ao novo ambiente deve ser feita sem rotura das ligações afetivas da família, célula matriz e nutriz da sociedade, através do complexo educativo, onde adquire papel preponderante a formação do caráter, viga mestra da personalidade.
O adolescente, até então sob a proteção do amor e do carinho familiar, começa a ser protegido pelas leis que regem as relações entre individualidades pressupostamente em igualdade de direitos, liberdade e fraternidade.
Se por um lado a escola convencional oferece a formação e o arcabouço intelectual, o esporte molda o caráter, através o contato e a disputa entre colegas sob leis de estrito cavalheirismo, ética e ritual;  promovendo o desenvolvimento da parceira, da humildade individual, da integração comunitária, do respeito ao oponente, da disciplina e sobretudo, da honestidade e lisura no trato.
O esporte, além de representar uma válvula de drenagem para o excesso de energia vital, favorece a afirmação da personalidade e o desenvolvimento da autoconfiança, pela convivência pacífica e segura com situações críticas, que exigem resolução acertada, sempre sob a proteção dum ritual de segurança.
O jogo da capoeira da Bahia, por ser praticada em qualquer idade, é um esporte que aproxima a infância, a adolescência, a maturidade e os mais velhos, unindo várias gerações, integrando diferentes fases históricas da mesma cultura, gerando uma comunidade amalgamada pela alegria e pelo prazer, como podemos ver na foto do encontro das duas gerações na festa de  Benício "Golfinho" Boida de Andrade Júnior.

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Dr. Benício e seu filho "Golfinho", dialogando alegremente na linguagem dos movimentos da capoeira!

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Vovô Capoeira e os alunos do seu neto, Mestre Canelão, na harmonia da roda da capoeira

O texto seguinte, do Dr. Benício Boida de Andrade, apresenta sucinta e claramente o drama da chegada do adolescente ao novo palco em que desempenhará um papel para o qual nem sempre estará bem preparado.


ADOLESCÊNCIA

Dr. Benício Boida de Andrade
benicio@nuxnet.com.br

INTRODUÇÃO

Para ser bem compreendida, deve ser dividida em BIOLÓGICA (que é a fase da vida que vai dos 13 aos 20 anos) e PSICOLÓGICA que não tem idade definida, podemos encontrar pessoas que envelhecem apresentando características de adolescente e outras pessoas que aos 15 anos de idade não tem mais o comportamento de adolescente.
O AURÉLIO define a adolescência como o período da vida humana entre a puberdade e a virilidade (dos 14 aos 25 anos) – período que se estende da terceira infância à idade adulta, caracterizado psicologicamente por persistentes esforços de auto-afirmação. Corresponde à fase de absorção de valores sociais e elaboração de projetos que impliquem plena integração social.
PUBERDADE é o conjunto de transformações psicofisiológicas ligadas à maturação sexual, que traduzem a passagem progressiva da infância à adolescência.
O adolescente se caracteriza pela fase de indefinição, de dúvidas, de múltiplas interrogações. Ele não entende exatamente o que ele é pois, ao tempo em que a sociedade lhe cobra responsabilidades de adulto, seus pais lhe proíbem, por exemplo de ir a uma festa sozinho(a). Este conflito lhe traz uma especial vulnerabilidade.
Antes porém, na primeira e segunda infância o ser humano passa por pelo menos duas fases importantíssimas que prepararão sua estrutura psicológica para ser um adolescente mais ou menos vulnerável às inúmeras seduções de práticas nocivas ao ser humano, que ele estará exposto principalmente ao adolescer. Do ponto de vista didático podemos chamar estas fases de fase da esponja e fase do filtro.
Na FASE DA ESPONJA (que vai dos 0 aos 7 anos), a criança absorve tudo que os adultos lhe dizem, com uma capacidade enorme de absorver e arquivar informações, funcionando o seu cérebro como o mais complexo computador que se tem conhecimento na humanidade. Podemos dizer que o seu HD (Hard Disk – disco rígido) tem capacidade impossível de se mensurar sua configuração, assim também como a sua memória RAM é fantasticamente capaz de trabalhar acessando ao mesmo tempo milhares de informações arquivadas.
Na FASE DO FILTRO (que vai dos 7 aos 14 anos), aquele fantástico computador já seleciona as informações que recebe, elegendo ídolos que funcionam como verdadeiros padrões e cujas opiniões e informações fornecidas são tomadas sempre como verdades absolutas, estando representados sempre por pessoas que estão mais próximas como: os pais; os tios; os professores; o motorista a empregada doméstica; etc. Nestas duas fases anteriores à adolescência estará se formando a estrutura psico-emocional que o adolescente disporá para enfrentar com maior ou menor equilíbrio os conflitos naturais desta especial etapa de sua vida que o definirá como um adulto mais ou menos adequado ao mundo.
A partir dos 14 anos temos o adolescente propriamente dito, quando ele está preparado para contestar todos os valores socialmente estabelecidos. O adolescente tem necessidade de questionar valores, fazer conflito, e seu primeiro alvo é a famíliaonde ele está inserido e a autoridade presente a ser confrontada é representada pelos pais. É importante para o adolescente ter quem lhe faça oposição, pois desse conflito resulta a sua aprendizagem de ser, de definição de atitudes, que se dá nesse confronto, onde ele entende o que quer, o que o outro quer, o que pode e o que não pode, o que consegue e o que não consegue.
É através do confronto que ele vai perceber o seu tamanho, suas características, suas forças e fraquezas, suas aptidões, enfimo conhecimento mais amplo de si próprio.
O adolescente, precisa sair desse confronto razoavelmente bem sucedido, para poder crescer e tornar-se adulto. Senão ele vai ser um fracassado, aquele que perde todos os confrontos, que é oprimido, reprimido.
Em nossos valores sociais há uma espécie de consumo de sucessos e o adolescente se fascina por esse valor (jogar futebol e outros esportes, ganhar bonecas bonitas e boas, tirar boas notas na escola, ter mais namorados, etc.).
Se ele perde sempre num mundo onde se tem de ganhar ou pelo menos emparelhar, para não ser um adulto com baixa auto-estima, deslocado do mundo atual, ele terá dificuldades no seu desempenho como adulto nesta sociedade competitiva.
Se o indivíduo por exemplo tem 15 anos, trabalha numa fábrica e traz o dinheiro para casa para ajudar no sustento, ele não é um adolescente, ele é um homenzinho ou uma mulherzinha (no bom sentido) que por dificuldade econômica, queimou etapas de sua vida. Mas, se apesar de precisar trabalhar, esse jovem não para no emprego, não assume seus compromissos, então ele absorveu valores de uma classe sócio-econômica à qual ele não pertence. Ele não está ajustado.
A sociedade por seu lado ignora no adolescente o adulto recém-formado, desvaloriza a sua capacidade, teme as mudanças que ele possa postular, classifica esse indivíduo como um rebelde em potencial, limita os seus direitos, impõe normas que o enquadram nos padrões vigentes.
Os adultos tem a necessidade de preservar a sociedade, mantê-la segura mesmo com as flagrantes desigualdades econômicas e sociais em que ela está alicerçada.
Em geral quando falamos de adolescência, limitamo-nos aos jovens que integram famílias com boas condições de vida; mas a maioria dos adolescentes no Brasil pertence a famílias com problemas de base, falta-lhes habitação, instrução e alimentação adequadas, estão cuidando da sobrevivência através do trabalho em subempregos, explorados por serem menores, fazendo parte do "econômico" na sua família.
É essa maioria que na luta pela sobrevivência acaba por enveredar pela marginalização; a contravenção e o crime são muitas vezes a saída para sobreviver.
Há pouca diferença entre o adolescente e o jovem pobre, que acabam na marginalidade.
O menor de idade pobre não tem quem se responsabilize por ele, pois os pais são considerados sem condições de fazê-lo. Freqüentemente acabam em instituições que, ao invés de corrigir os problemas, servem como escola de aperfeiçoamento para o crime.
Enfim, 80% ou mais dos nossos jovens não chegam a ser problema durante a adolescência porque ainda não tem a possibilidade de ser "adolescente"; passam direto da infância à idade adulta.
Adolescente pobre só é lembrado quando torna-se notícia nas páginas policiais dos jornais. Os meninos nas contravenções e no crime, e as meninas como vítimas de crimes sexuais.
É nesse contexto que o adolescente acaba se envolvendo com tóxicos socialmente aceitos ou não, ora consumindo-os, considerado como viciado, ora difundindo-os e considerado pelas leis como traficante; em ambos os casos sujeitos mais à repressão policial do que aos cuidados médicos e orientação psicológica.

DROGAS

Em 1995 a comercialização de drogas ilícitas no mundo todo envolveu cifras da ordem de 300 bilhões de dólares ( quase três vezes a dívida externa brasileira).
O consumo de drogas em vários países do mundo atinge proporções de epidemia. Muitas pessoas se comportam como se o problema não existisse: "Não é comigo, meus filhos, meus amigos não estão envolvidos, sou contra (ou a favor); as drogas devem ser combatidas, (ou liberadas) e ponto final". – Se coloca a responsabilidade na droga.
Seria ingênuo imaginar-mos que se vai eliminar o problema, apenas combatendo-o do ponto de vista jurídico-policial.
>Como pretender acabar com uma produção e um tráfico que envolvem bilhões de dólares, grupos poderosos organizados internacionalmente, e até governos?
É claro que estas medidas devem ser tomadas.

É dever de todo cidadão cobrar das autoridades competentes o combate ao tráfico e à produção.

Mas, isso não é tudo. Não podemos falar das drogas com sensacionalismo exacerbado, de seus efeitos maléficos apenas, embora, isto seja importante.

É preciso saber que,
quem procura as drogas não está sendo movido pelos seus malefícios a médio ou longo prazo,
mas, pelo prazer imediato (ou pelo alívio imediato do desprazer).
Um prazer que não se está conseguindo encontrar nos seus relacionamentos interpessoais,
nem na sua atuação social, nem na sua realização como indivíduo!

Não podemos desconhecer esta fonte de prazere a devemos analisar colocando num prato da balança os supostos benefícios e no outro prato da mesma balança as consequências a médio e longo prazo. 

Não podemos também, culpar apenas as más companhias
(embora elas possam existir).
É preciso que haja no indivíduo uma receptividade, uma vulnerabilidade às drogas.

O tratamento dos viciados não pode ser visto como uma simples desintoxicação,
como se a droga fosse um vírus ou uma bactéria que causou uma contaminação acidental.

Os médicos podem desintoxicar um viciado, até trocando todo o seu sangue, mas, isso não muda sua estrutura mental, seus sentimentos, sua maneira de pensar e de se colocar no mundo daquela pessoa que procurou determinada droga em função de um determinado efeito.
A dependência física também é muito variável, e alguns indivíduos que usam drogas potentes como a morfina para diminuir a dor de um câncer por exemplo, apresentam o fenômeno da adaptação, mas, não ficam obrigatoriamente dependentes do ponto de vista psicológico. Os epilépticos tomam barbitúricos, drogas causadoras de uma grande adaptação, sem ficar dependentes. Fica claro então, que a dependência está relacionada e muito com a finalidade para a qual o indivíduo usa a droga.

Para entendermos melhor o problema das drogas
devemos levar em conta que elas resultam de uma tríade:
indivíduo/droga/meio sócio-cultural-familiar.

Não podemos tirar a responsabilidade
do indivíduo que a usa,
da família à qual pertence
e
da sociedade em que está inserido!

Entre nós, uma sociedade de consumo em que a televisão aconselha a ingerir uma droga ao menor sinal de dor – já que pensar na causada dor "não resolve", o negócio é fazer passar logo. Numa sociedade em que o álcool e os cigarros são anunciados e vendidos através de mensagens extremamente sedutoras e erotizadas, torna-se muito difícil combater o uso das drogas.
Para nós que fazemos parte desta sociedade e estamos preocupados com as drogas, é necessário adquirir conhecimentos mais profundos, sair da posição defensiva do contra ou a favor de um mito para pensar no significado humano do uso da droga.
Só depois de ampliado o conhecimento será possível desenvolver uma atitude pessoal em relação ao problema e aos usuários.
Essa elaboração se aplica sobretudo aos profissionais da área de saúde e educação.

Em cada escola,
por exemplo poderia haver
um núcleo,
ou uma pessoa
com
uma atitude interna elaborada e segura,
que soubesse identificar:

1) O indivíduo que experimenta por mera curiosidade.
2) O indivíduo que tem algumas experiências e para.
3) O indivíduo que busca ativamente a droga e a usa:
a) Como um estímulo de vida
b) Como dependente

É preciso sabermos que

de cada 100 pessoas que experimentam algum tipo de droga, apenas 10 se tornam dependentes,
portanto
não seria adequado prender ou internar todos aqueles que experimentaram,
mas,
há a necessidade de uma abordagem preventiva, esclarecedora, que ainda não assumimos.
Há de se ter tratamentos diferentes para diferentes níveis de envolvimento!


A RELAÇÃO DOS ADOLESCENTES COM AS DROGAS

O processo de aprofundamento é mais ou menos o mesmo em qualquer tipo de droga: cigarro; álcool; maconha; etc.
Ninguém começa fumando 2 maços de cigarro por dia ou bebendo 1 litro de aguardente por dia.
Dividimos portanto, a escala de aprofundamento em quatro fases:

a) FASE DA CURIOSIDADE:
É quando o adolescente quer se experimentar para ter noção do seu eu, para ver como reage em determinadas situações. No adolescente a curiosidade está especialmente aguçada. O primeiro cigarro é fumado sempre por curiosidade.

b) FASE DA AVENTURA:
É quando o adolescente já conhece bastante sobre o cigarro ou sobre a bebida, e sabe, portanto, o que procura. Mas, procura só quando a circunstancia a favorece e sem maiores escolhas; fuma qualquer tipo de cigarro, toma qualquer bebida. Sabe por exemplo que a bebida lhe proporciona uma certa euforia, ou desinibição. Mas, não muda por causa disso o seu ritmo de vida, seu modo de viver. Bebe quando pinta, o que pinta e pronto. 

c) FASE DA MULETA:
Nesta fase há um maior compromisso com a droga e já tem uma apetência específica por uma determinada droga. Fuma "hollywood", bebe "vodca". E costuma ter em sua casa um bom estoque de sua droga preferida, a ser consumida sempre em determinadas circunstâncias. Há uma relação definida entre o adolescente e a droga.

d) FASE DO VÍCIO:
nesta fase há uma relação de dependência. Você vai dormir, vê que está sem cigarros e fica nervoso: "e se eu acordar às 3 da manhã e quiser fumar?". É melhor levantar-se, pegar o carro e ir comprar.Você não tem mais controle no hábito que agora é vício.

O tóxico
– maconha, cocaína
– segue também este caminho
curiosidade/aventura/muleta/vício .

Agora,
o que levaria o indivíduo a passar da curiosidade ao vício?
vai depender da estrutura de personalidade de cada um, de seu ambiente familiar e social.

Quando se fala em tóxicos é preciso ter muito cuidado para não estimular a curiosidade do adolescente, naturalmente já muito aguçada. Ao se falar que um tóxico produz certo efeito de bem estar, um barato muito grande, o adolescente pode se sentir estimulado a experimentar "numa boa". Ele não precisa de reforço para experimentar, precisa de reforço para segurar um pouco sua curiosidade. É bom levar em conta que, muitas vezes ele precisa de um argumento perante a turminha que anda transando um determinado tóxico.

O adolescente precisa contar com a possibilidade de alguém francamente contra.
Na turma dele o mais provável é que todos sejam a favor.
O pai, o educador não devem se intimidar de dizer que são realmente contra,
para ser contra, é preciso:
ter argumentos,
reconhecer os efeitos dos tóxicos,
conhecer significado de certas palavras como"barato"
que é um estado de breve euforia que substitui um estado anterior de baixo astral.

Durante uma determinada fase da vida do adolescente, ele vai preferir a companhia de sua turma à companhia dos pais. É preciso entender, no entanto, que durante a adolescência o jovem tem necessidade de se desligar da família e buscar nos amigos (que vivem o mesmo problema) o apoio para isso.
A turma representa o papel intermediário entre a ruptura, normal e necessária, com o vínculo familiar e as parcerias mais definitivas que os jovens estabelecerão ao longo de sua vida.
Ao lado dos amigos eles se preparam para a vida social e para a saída do ninho.
É nesse momento que identificamos o momento de maior vulnerabilidade do adolescente, quando ele experimenta pela primeira vez sentimentos fortes como: a primeira paixão; o primeiro beijo; o primeiro orgasmo e o primeiro contato com as drogas, socialmente aceitas ou não.

Durante a fase de "barato" que falávamos acima, aparecem alterações de percepção que são freqüentes:
O jovem sai do mundo real e curte uma situação que só ele vivee que dificilmente consegue contar a outro.
Seria como contar o gosto da laranja a quem nunca chupou laranja.
A depender da profundidade de ação da droga, o adolescente pode ter ilusões; alucinações e delírios.
Viajar,também é uma expressão muito comum para quem usa drogas.Viajar num sol, numa nuvem, num copo.
Trata-se de uma hiperconcentração num detalhe, desligando-o de todo o resto.
Durante uma aula por exemplo, um aluno sob efeito da maconha pode isolar uma só frase do professor, viajar nela e esquecer todo o resto.
As drogas que dão"barato" são amaconha ( a mais acessível)e as substâncias voláteiscomo o éter; clorofórmio; benzina; cola de sapateiro; etc.
Elas contém hidrocarbonatos e, quando evaporam exalam um cheiro, às vezes bem desagradável, que absorvido pelo cérebro, pode propiciar viajem. A pessoa delira, vê coisas, alucina. Existem também vários medicamentos como os aerossóis em geral, e a cada dia aparecem novas drogas com ações semelhantes.
Essas drogasao penetrar no organismo na forma gasosa vão lesar as células nervosas, destruindo neurôniosque não regeneram e não são substituídas por outras no organismo, sua lesão deixa dano irreparávele estas células são encontradas predominantemente no cérebro.
Quando a fumaça da maconha penetra no organismo, provoca algumas reações imediatas: o coração dispara, a conjuntiva ocular fica avermelhada e a saliva seca. Pode haver alteração psíquica, como ilusão, alucinação e delírio, perda da noção do tempo e do espaço.
Os efeitos mais graves são a longo prazo pelo acúmulo do THC (delta-9-tetrahidrocarbinol) nas células gordurosas do cérebro, fígado, dos rins e do baço, necessitando de um período de até 3 meses para ser eliminado.

A maconha é 10 vezes mais cancerígena que o cigarro comum.

Fetos expostos à sua ação revelaram má formação congênita. O efeito da maconha sobre as células em desenvolvimento é catastrófico. Nas células já desenvolvidas o efeito é menor e traz atrofia cerebral a longo prazo.

Diminui a produção de hormônios, de espermatozóides e reduz o desejo sexual.
Não influi no objeto da escolha, tanto o homossexual como o heterossexual continuam na mesma.

O efeito mais sério e irreversível da maconha é a longo prazo sobre a personalidade do indivíduo, após as lesões cerebrais irreversíveis. A vítima nunca culpa a maconha de nada. O mal está sempre em outra coisa qualquer.
E assim o indivíduo vai perdendo o ELAN VITAL, A FORÇA DA VIDA, que é essa força que nos faz ficar aqui esta noite, discutindo estes problemas, depois de um dia estafante. A decisão de estar aqui bateu com alguma aspiração de vocês.
O viciado vai perdendo estas aspirações, passa a viver numa faixa muito estreita de interesses.
Prefere ficar horas sentado, sem viver ligações reais e afetivas com as pessoas, com os projetos de vida.
É a SÍNDROME AMOTIVACIONAL e ocorre justamente numa idade em que a pessoa tem tanta coisa pela frente.
O adolescente encontra-se numa fase de auto-afirmação social muito intensa. Ele não tem medo de ser rejeitado pela família, onde, supõe-se ter lugar garantido mas, tem verdadeiro pavor de ser rejeitado pela turma.
A melhor garantia para ele nesse momento é uma boa alimentação afetiva e valorização humana em casa.
Quanto mais carente se revelar, mais tenderá buscar afirmação perante os outros.

Nessa idade a pressão da turma é sempre mais forte que a familiar.
Se a turma é a favor da maconha, a regra é o adolescente fumar também,
ainda que se sinta mal por fumar.
O importante nesta hora é ter estrutura interna para decidir.
A grande infiltração dos tóxicos não vem pelos traficantes e sim pelos colegas.

Nunca existe só um culpado.
Mesmo numa família bem estruturada o jovem pode experimentar a maconha,
e a família no desespero pode tomar atitudes que mais atrapalham do que ajudam.
É preciso ter uma posição clara,
aberta ao diálogo,
sem repressão.
Repressão fecha o diálogo,
os pais serão os últimos a saber,
quando já estiver na fase do vício.

Pais que não suportam frustrações, também transmitem um modelo perigoso para os filhos.
Pessoas que não suportam ser contrariadas, por qualquer coisinha já estão apelando para remédios.
Ou fumam e bebem demais.
O excesso de cigarros, fica como um sub-vício na família, um modelo, que sem perceber, o filho pode adotar, um dia, mais à frente emmomentos difíceis.
Para que o jovem se sinta forte para enfrentar suas dificuldades e as pressões do ambiente, ele precisa de muito alimento afetivo. O alimento do diálogo franco, do amor generoso, da valorização dentro de casa. Em um espaço cada vez menor. Há muita correria para vencer na vida e os jovens terminam vítimas dela.
O pai nunca para e diz ao filho: Estou com um problema, o que você acha?
Pai que se revela incapaz de parar, conversar e pedir ajuda, passa ao filho um modelo de que cada um tem mais é que se virar sozinho.
Como vai se queixar depois de que o filho nunca sentou com ele para conversar sobre a vida? sobre tóxicos? sobre sexo? por exemplo.


ALGUNS SINAIS CARACTERÍSTICOS DO ENVOLVIMENTO COM DROGAS

OLHOS VERMELHOS:
o álcool; a maconha; a cocaína; a cola e o éter.
DEDOS AMARELOS:
provenientes do cigarro de maconha que o jovem costuma fumar até o finalzinho.
IRRITAÇÃO E AGRESSIVIDADE:
qualquer observação dos pais sobre o comportamento do jovem desencadeia nele uma crise de agressividade.
AFASTAMENTO DOS FAMILIARES E DOS VELHOS AMIGOS:
O jovem não conversa mais em casa. entra e vai direto para o quarto.
RELACIONAMENTO COM NOVOS AMIGOS:
A nova turma é composta agora de pessoas que se drogam.
VENDAS DE OBJETOS QUE SEMPRE ESTIMOU:
De repente, ele vende o tênis preferido, o casaco, um instrumento musical, o skate, para comprar droga.
MUDANÇAS DE HORÁRIO:
Chega tarde em casa, acorda também muito tarde.
DESMOTIVAÇÃO PARA O ESTUDO E O TRABALHO:
Que resulta na expulsão da escola ou na perda do emprego.
FURTOS DE PEQUENOS OBJETOS EM CASA:
Dinheiro, jóias da mãe, aparelhos eletrônicos, rádio, etc.
PRISÃO NA RUA PORTANDO DROGA:
Se a situação lhe parece familiar, converse imediatamente com seu filho. Não perca tempo e não tente se enganar.

Fatos Curiosos: Capoeira e a Política

Fatos Curiosos: Capoeira e a Política de Antigamente…
 
Decretado por Marechal Deodoro da Fonseca o Decreto Lei 487 dizia que: A partir de 11 de Outubro de 1890 todo capoeira pego em flagrante seria desterrado para a Ilha de Fernando de Noronha por um período de 02 á 06 meses de prisão.
Parágrafo único: É considerada circunstância agravante pertencer o capoeira, a alguma banda ou malta, aos chefes impor-se-á a pena em dobro.
 
Os capoeiristas costumavam usar calças boca de sino e no período em que a capoeira ficou proibida por lei (1890-1937) a polícia, para detectar os capoeiristas, colocava um limão dentro das calças do indivíduo. Se o limão saísse pela boca das calças, a pessoa era considerada capoeiristas.
 
Os capoeiristas eram contratados pelos políticos para bagunçar no dia das eleições. Enquanto as pessoas desviavam a atenção para a confusão dos capoeiras um indivíduo colocava um maço de chapas na urna ou na linguagem da época "emprenhava a urna". Vencia as eleições o candidato que dispunha de maior n.º de capoeiras.
 
Em 1824, os escravos que fossem pegos praticando capoeira recebiam trezentas chibatadas e era enviados para a Ilha das Cobras para realizar trabalhos forçados durante três meses.
 
Milhares de capoeiristas foram para a Guerra do Paraguai, pois havia sido prometida a liberdade no final do conflito àqueles que participassem da batalha.
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