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Inteligências Múltiplas e a capoeira

Resumo

Este trabalho teve como objetivo discutir a capoeira e as inteligências múltiplas. Pode-se concluir através deste trabalho que as inteligências múltiplas são contempladas por completo através da prática da capoeira. Deste modo a capoeira ganha espaço cada vez mais para o desenvolvimento do ser humano. Este iniciou relatando sobre a capoeira, relacionou-a com cada inteligência múltipla, e assim apresentou-se a importância da inserção da capoeira na educação física escolar, tanto para o desenvolvimento do aluno como um todo, mas também para possibilitar o resgate desta luta que outrora foi chamada de luta de libertação hoje é patrimônio histórico cultural do Brasil.

Unitermos: Capoeira. Inteligências Múltiplas. Educação Física Escolar.

 

Introdução:

 

A educação física tem várias ramificações, sendo elas esportes coletivos, individuais, jogos desportivos, exercícios para o corpo como um todo, lutas e muito mais (IÓRIO; DARIDO, 2005). Desta forma podemos nos utilizar da Educação física e sua relação com a capoeira para abordarmos sua importância enquanto esporte e/ou luta, na fase escolar. A Educação Física sofreu diversas mudanças de acordo com as épocas por esta percorrida, assim como a Capoeira, e por isso houve mudanças e passagens por diferentes pensamentos político-ideologicos de cada época, desta forma com cada pensamento vigente na época de acordo com a política aplicada e objetivos diferentes a educação física e a capoeira foram mudando e se adequando a tais necessidades (IÓRIO; DARIDO, 2005).

Encontramos na capoeira muitas transformações e ressignificações de acordo com o pensamento político empregado em uma época, por exemplo: a capoeira escrava, a marginalização, a liberação da capoeira, a criação da capoeira regional, capoeira-esporte, e a criação da confederação, ou seja, podemos contextualizar o inter-relacionamento da educação física da educação física escolar ao trajeto histórico social da capoeira, de tal forma que com o inicio do século XX e a chegada do pensamento ginástico/eugenista, aparece às primeiras propostas de transformar a capoeira em ginástica nacional (IÓRIO & DARIDO, 2005).

Inicia-se assim a tentativa de aproximar a capoeira da educação física até mesmo com proposta, como cita Innezil Penna Marinho (1956) que propõe um método de ginástica totalmente brasileira: a capoeira, com o objetivo de valorizar o patriotismo de seus praticantes. Sendo assim, segundo Marinho (1956) a capoeira pode contribuir também com a educação física escolar, contribuindo com a formação cívica dos alunos. Após este pensamento ideológico de política chega o pensamento higienista preocupado com a saúde física de seus praticantes e o aperfeiçoamento das habilidades físicas para a mão de obra. Foi nesta época que a capoeira foi liberada pelo então presidente Getúlio Vargas como forma de manifestação popular (IÓRIO & DARIDO, 2005).

Desta forma fora criada então a primeira academia de capoeira regional. Iório e Darido (2005) afirmam que: “Naquele mesmo ano a capoeira é oficializada como instrumento da educação física […]”, mas notamos que mesmo a capoeira, a educação física e a educação física escolar não conseguem se adequar aos ideais higienistas e eugenistas da época. Nas próximas décadas a educação física volta-se para a melhoria das capacidades fisiológicas, psíquicas, social e moral, e a capoeira foi perdendo sua característica de manifestação popular por sua adequação às academias, seguindo neste período desvinculado da educação física escolar. Com a estruturação da capoeira enquanto esporte-competição perdeu-se ainda mais suas características como manifestação e expressão do indivíduo. Foi este o período que acabava de adentrar a sociedade o Técnico/Esportivo. A partir deste pensamento vemos que não poderia ser excluída a verdadeira essência da capoeira, e na verdade era o que o governo vigente se empenhava para fazer, mas na capoeira não há exclusão, nem por habilidades, gêneros ou qualquer deficiência (IÓRIO & DARIDO, 2005).

A partir de vinte de Dezembro de 1996 com a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Base (LDB) da educação, gerou-se grande autonomia da Educação Física, sendo assim esta autonomia proporcionada pela LDB para que novos conteúdos sejam incluídos na proposta pedagógica, verificou-se a necessidade da estruturação da capoeira como conteúdo da educação física escolar, a capoeira é um conteúdo que pode ser contemplado na escola pelos seus muitos enfoques, inteligências, possibilitando a luta o folclore a dança o jogo, o canto o bater das palmas o esporte, lazer e a educação, ensinando-se globalizadamente deixando e proporcionando que o aluno escolha o que lhe mais agradar neste variado conteúdo que é a capoeira (BALBINO & PAES 2007). O desenvolvimento da mesma possibilita o desenvolvimento de todos os conceitos e procedimentos da educação física, onde o professor tem diversas rotas para aprendizagem do mesmo, não se remetendo apenas aos aspectos técnicos (SOUZA & OLIVEIRA, 2001).

A sua historicidade é um dos pontos de fundamentação da mesma para a educação física escolar, tratando-se de uma luta de libertação, diferente das diversas modalidades que foram contextualizadas na história da educação física escolar que vem de escolas européias e norte-americanas. A capoeira se trata de um esporte-luta criado e desenvolvido no Brasil.

Os PCN’s em relação à educação física escolar citam e afirmam que a concepção de conteúdo corporal amplia a contribuição da educação física escolar para o pleno exercício de cidadania, assim como na roda de capoeira esta autonomia é dada ao aluno no próprio jogo, sendo que o jogador pode ter a liberdade de se expressar com movimentos livres, mostrando que a criatividade também é trabalhada. A roda e jogo fazem com que o jogador crie movimentos de acordo com sua necessidade naquele presente momento se tratando de um esporte-luta de perguntas e respostas. O jogo mostra a importância da individualidade, desde as pessoas que fazem com que a mesma aconteça, ou seja, a bateria, o canto, as palmas, até mesmo o segundo aluno que se encontra no jogo, pode desenvolver movimentos os quais fazem com que o jogo se desenvolva criando assim necessidades especificas de movimentações, formando assim a imprevisibilidade no jogo da capoeira.

Sua base é enraizada na raça negra, se trata de um esporte-luta que foi criado longe das classes dominantes, então não há preconceitos na roda de capoeira. É portanto um lugar onde os opostos se atraem, o doutor e o analfabeto o negro e o branco, mulheres e crianças, os habilidosos e os menos habilidosos, ou seja, um vasto patrimônio cultural que deve ser desfrutado pela Educação Física escolar, se tratando ainda de um esporte-luta, multidisciplinar. Desta forma, temos uma infinidade de conteúdos que podem ser aplicados de diferentes formas utilizando-se a capoeira como base (SOUZA & OLIVEIRA, 2001).

O fator motivacional para uma prática de atividade física é muito importante, pois segundo Paim e Pereira (2004, p.159-166):

Conhecer quais os motivos que levam os alunos à prática de atividades motoras na escola pode melhorar as atividades escolares e contribuir no processo de ensino aprendizagem, já que a aprendizagem e a motivação são processos interdependentes no homem.

Sendo assim, a partir do momento em que sabemos o que motiva nossos alunos, podese utilizar vários métodos para aplicação de determinada modalidade ou esporte para uma adequação e interação melhor de nossos alunos. Neste caso a capoeira tem como grande valor motivacional a sua própria essência, por ser chamada de luta de liberdade seus praticantes tem várias formas de se tornarem capoeirista, seja no jogo, na luta e na musicalidade (PAIM & PEREIRA, 2004).

Com a inserção da capoeira na educação física escolar temos muitos métodos de aplicação e diversas formas de desenvolvermos as inteligências múltiplas (BALBINO & PAES, 2007), sendo este um dos maiores objetivos deste trabalho que visa mostrar a relação e empregar a capoeira às inteligências múltiplas: lógico-matematica, lingüística, musical, espacial, corporal sinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista.

“A inteligência está relacionada com a resolução de problemas em um determinado contexto”, “[…], e é exatamente o que ocorre na capoeira onde as inteligências devem ser aplicadas e aprimoradas ao longo da imprevisibilidade do jogo em si da capoeira assim como os jogos desportivos coletivos tem uma grande semelhança com o a capoeira por se tratar de jogo, e principalmente pela imprevisibilidade por ele criada, então temos que o estudo de Gardner nos remete a afirmação da capoeira como sendo a luta mais completa até hoje sugerida pois desenvolve como um todo as capacidades do indivíduo no caso nossos alunos que a praticam, dando assim sustentabilidade ao objetivo jogo, motivação, pois com esta relação, da capoeira, educação física escolar e as inteligências criamos uma abordagem altamente recomendável de capoeira no âmbito escolar para desenvolvimento das inteligências, multidisciplinaridade, e motivação de nossos alunos como um todo, conseguindo assim transformar não apenas o aluno e sua condição física e saúde mas também seus conceitos cívicos e morais (GALATTI & PAES, 2007).

Mas de que forma ensinar, de que forma desenvolveremos métodos para que nossos alunos aprendam. Nista-Piccolo (1999) nos mostra que a pedagogia do esporte tem como objetivo a arte de ensinar a praticar uma modalidade esportiva, por meio dela é possível capacitar ou não um aluno para executar determinadas habilidades exigidas nesta prática, tendo uma pedagogia eficaz conseguimos estimular os alunos ao gostar de executar determinado exercício ou modalidade física auxiliando-o a ter conhecimento de suas próprias capacidades, onde um bom professor se utiliza de diferentes formas para que o aluno consiga aprender o movimento, mas porque (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008), ”São inquietações que pulsam veementemente em nossa prática cotidiana, ao nos depararmos com situações inadequadas de aprendizagem.”, ”[…], então nos resta buscar maneiras diferentes de aplicação e entendimento de determinados movimentos e modalidades para não cairmos ao senso comum de maus professores.

Mas temos de nos precaver, de poucas diversificações de aprendizagem pois através destas, corremos riscos de acharmos que estamos com algumas inteligências impossibilitadas e na verdade se trata da falta da diversificação e exploração de caminhos diferentes a serem seguidos e explorados. Por este motivo devemos procurar diferentes formas de ensino pois temos diferentes formas de nos adequarmos e entendermos diferentes aspectos e ensinos (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008).

Inteligências Múltiplas e a capoeira

 

A teoria das Inteligências Múltiplas toma forma com a abordagem das diversas habilidades, capacidades, pensamentos, talentos e competências do homem, que transparecem em seu cotidiano. A partir disto Gardner (2000) busca novas formas e aplicações de Inteligência, que possam satisfazer o homem no mundo moderno, então este conceito de pluralidade da mente começa a se formar, através de diversas pesquisas e estudos em diferentes temas e abordagens. Com estas observações e de muitas outras no campo da neuropsicologia, Gardner (2000) chega à conclusão de que as pessoas tem um leque de capacidades, tendo algumas pessoas capacidades mais desenvolvidas para uma certa área e outras pessoas para outras áreas. Através deste processo rompe-se a idéia de mais inteligente e de menos inteligente e começa a se estabelecer que as inteligências atuam de forma independente (BALBINO & PAES, 2007).

Desta forma o sujeito, pode vir ou não a desenvolver suas habilidades como um todo dependendo da necessidade ou contexto, cultural ou não, ao qual está inserido. “Desta forma, observamos que a inteligência está relacionada com a resolução de problemas em um determinado contexto” (GALATTI & PAES, 2007, p.31-44).

Gardner dimensionou em sua teoria, a existência das inteligências múltiplas que tratariam dos domínios de resoluções dos possíveis problemas referentes às pessoas inseridas dentro dos critérios pré-estabelecidos (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008, p.59):

Gardner reafirmou que o número de inteligências é menos importante do que a premissa de que há uma multiplicidade delas e que cada ser humano tem um mix único, ou perfil único de pontos fortes e pontos fracos nas inteligências.

Com estas informações vemos o quanto à capoeira contempla as inteligências, pois a mesma engloba as inteligências de modo a dispor ao seu praticante, total desenvolvimento da mesma, sendo assim, a roda de capoeira propicia esta contemplação devido a sua riqueza cultural com múltiplos aspectos facilitando a formação integral do indivíduo. (BALBINO & PAES, 2007)

 

  • A inteligência corporal cinestésica desenvolve o potencial de usar o corpo, ou parte dele, para resolver problemas ou na fabricação de produtos, sendo assim, a capacidade de trabalhar com objetos de forma hábil, tanto os que envolvem os movimentos finos quanto os grosseiros do corpo. Na capoeira vemos aparente o trabalho desta inteligência na confecção e manuseio dos instrumentos musicais, e na expressão corporal que é imposta pelo capoeirista tanto na evolução e estética de seus movimentos quanto na sua tática, para ludibriar seu adversário.

  • A inteligência verbal lingüística envolve a sensibilidade para a língua falada e a escrita, sendo aprimorada a habilidade para aprender línguas bem como a capacidade de se utilizar a linguagem para atingir objetivos como inteligência e competência intelectual, utilizando-se de metáforas, cruciais para lançar e explicar um novo desenvolvimento científico. Dentro da capoeira esta inteligência é muito desenvolvida pelo cantador que deve estudar e pesquisar as palavras que irá utilizar em seu canto, para a condução do jogo e comando da roda, onde o mesmo pode definir um jogo em sentido de apresentação, ou até mesmo um jogo competitivo entre os capoeiristas. Também se torna visível esta inteligência nas composições da musicalidade da capoeira, onde o capoeirista busca termos e verbos condizentes tanto com a realidade atual da capoeira e sua lingüística quanto a que era utilizada antigamente.

  • A inteligência Logico-Matematica é a capacidade de analisar problemas com lógica, de realizar operações matemáticas e resolver questões cientificamente, esta inteligência é desenvolvida principalmente por matemáticos, lógicos e os cientistas, chamada de “a inteligência pura”. Em seu domínio o processo de solução de problemas é significativamente rápido, pois o indivíduo lida com muitas variáveis ao mesmo tempo, tendo como base o cálculo matemático, o raciocínio lógico, a resolução de problemas, raciocínio dedutivo e indutivo, discernimento de padrões e relacionamentos. O capoeirista encontra estes diferentes aspectos e problemas na roda de capoeira, sendo esta um jogo de pergunta e resposta onde a velocidade da resposta pode definir o jogo, tendo o capoeira de estar atento ao espaço da roda, tanto quanto ao espaço que o mesmo dispõ a utilizar sendo que não está sozinho na roda e seu adversário, tratará de diminuir cada vez mais as suas saídas.

  • A inteligência Musical com estrutura similar a da inteligência lingüística, desenvolve a habilidade na atuação, na composição e na apreciação de padrões musicais. A música é uma faculdade universal, sendo acessível e emergente capacidade que surge mais cedo do que outros talentos em outras áreas da inteligência humana, e é uma das mais antigas formas de arte, que utiliza a voz humana e o corpo como instrumentos naturais e meios de auto-expressão, sendo que o corpo humano por si somente, segue ritmos e sons desde o sistema cardíaco quanto metabólico.

A música pode ajudar a criar um ambiente positivo que desencadeie a aprendizagem, e isso é a alma da capoeira, pois sem a musicalidade não existe a capoeira, tanto o jogo quanto os participantes se movem de acordo com a musicalidade que está a envolver a roda, a bateria , o coro, o cantador, e o próprio jogador, que está a receber esta “energia” oriunda do ritmo e musicalidade que está sendo empregado determinando seus passos e estratégias. Dentro deste ambiente musical temos variados tipos de formações de bateria, conforme a tradição e fundamento do grupo e dependendo do estilo de jogo a que este pertence. Cada instrumento tem sua importância dentro da roda da capoeira, como os berimbaus que são divididos em três, o viola que tem a função de repicar o quanto quiser durante a roda dando um contraste ao toque e ritmo, o médio que faz a marcação e interlocução entre o gunga e o viola amenizando e separando os toques, o gunga chamado também de “o mestre da roda” pois é ele quem comanda o jogo e dá o sinal para o início e para o final de uma roda de capoeira. Seu som é um som mais grave que os outros berimbaus demonstrando seu poder sua cabaça também é maior que a dos outros berimbaus, temos também os instrumentos de percussão como o pandeiro e o atabaque que tem a função de marcar e acompanhar os berimbaus temos também o agogô que é de um som mais agudo e o reco-reco um instrumento que faz a marcação também tendo um som diferenciado na roda, tais instrumentos são confeccionados pelos próprios capoeiras, os berimbaus são envergados e preparados a cada roda, sendo composto por cabaça, verga, arame, baqueta e caxixi. Este deve ter um som diferenciado não podendo estar transmitindo um som de metal, e este som varia conforme sua envergadura, arame, e sizal utilizado na cabaça, determinando de tal forma o jogo que será apresentado.

 

  • A inteligência Espacial tem o potencial de reconhecer e manipular os padrões do espaço, bem como os padrões de áreas mais confinadas. As muitas maneiras como a inteligência espacial é desenvolvida em diferentes culturas mostram claramente como um potencial biopsicologico pode ser aproveitado por campos que evoluíram para vários propósitos.

Com a capoeira esta inteligência se torna aparente a partir do momento em que o capoeirista estuda o jogo de seu adversário e sai para o jogo onde o mesmo pode encurtar a roda se abrindo alongando seu corpo e ao mesmo tempo diminuindo-se para melhor aproveitar os espaços possíveis dentro da roda, sendo esta grande ou pequena pois dependendo do toque e o que o berimbau quer, a roda pode diminuir ou aumentar o tamanho.

  • A inteligência Interpessoal desenvolve a capacidade de entender as intenções, as motivações e os desejos do próximo, e sendo assim, de trabalhar de modo eficiente com terceiros, esta inteligência se baseia na capacidade de perceber distinções entre os outros, em especial contraste em seu estado de espírito ou de ânimo, seu temperamento, seus sentimentos.

Na capoeira vemos esta inteligência aparente tanto nos professores que ministram as aulas quanto no próprio jogador que tem de fazer a leitura de seu adversário a todo instante, pois o mesmo pode estar com intenções boas no jogo ou até mesmo montando uma estratégia para lutar. Daí vem a “malandragem” do capoeira onde o mesmo se utiliza do tombo em seu adversário para deixá-lo com raiva e assim perder a estratégia dentro do jogo, onde o jogador poderia dar a volta ao mundo (volta na própria roda), e aguardar até acalmar os ânimos e sair novamente ao jogo.

  • A inteligência intrapessoal envolve a capacidade de a pessoa se conhecer, de ter um modelo individual de trabalho, incluindo seus próprios desejos, medos e capacidades e de usar estas informações com eficiência para regular a própria vida.

Na capoeira dentro da roda o jogador está sozinho tendo de se defender e atacar ao mesmo tempo, onde o jogador deve conhecer suas habilidades, ter autoconfiança e explorar ao máximo suas habilidades sendo em floreios, movimentos, golpes e saltos. O capoeirista se preocupa com o jogo, sua estratégia, golpes com força e bem aplicados, expressão corporal e a plástica de seus movimentos, tudo isto irá determinar não tão somente esta inteligência mas o grau de desenvolvimento que tem este jogador, pois dentro da roda o capoeirista não é “sua corda” até porque os capoeiristas não seguem uma confederação onde todas as cores de cordas determinam uma hierarquia, então através do jogo vemos o quão graduado é o capoeira.

  • A inteligência Naturalista trata do conhecimento do mundo vivo, incluindo a classificação de diversas espécies utilizando-se do meio ambiente para sua vida, observando diferentes formas de vida e objetos conseguindo assim trazer para seu cotidiano estas experiências.

Com a capoeira é muito aparente esta inteligência pois os movimentos e golpes vem, em sua origem, de movimentos dos animais; sua instrumentação vem da natureza; os nomes dentro da capoeira e até mesmo a maioria dos apelidos (nome dado ao jogador iniciando-se na capoeira) vem da natureza, sendo assim, a raiz da capoeira vem do mundo vivo, vem da natureza, da observação do redor onde os escravos tinham apenas a natureza para poder colher o que viria a ser sua libertação do cativeiro (BALBINO & PAES, 2007)

Considerações finais

 

A capoeira hoje é tombada como patrimônio cultural do Brasil, mas vemos que a mesma não tem grande valor entre os próprios brasileiros. Deste modo através das inteligências, concluímos o quão é abrangente é esta luta, que desenvolve o ser humano como um todo, trazendo desde a parte física quanto mental sendo trabalhadas a todo instante sendo dentro do jogo, quanto na roda da capoeira. Desta forma a capoeira tem toda a capacidade e merece ser explorada e desenvolvida como é vista fora do Brasil como uma luta tão valorizada como as outras, pois traz um mix não somente de todas as inteligências mas também de todas as lutas hoje existentes.

A capoeira está em um processo evolutivo trazendo sempre algo novo, seja na musicalidade ou até mesmo em golpes e movimentos. Tendo em vista estes conceitos, este trabalho procurou mostrar o quanto pode ser produtivo o desenvolvimento da capoeira nas escolas, para um melhor aprendizado não somente das outras matérias através da capoeira, mas também do conhecimento de si mesmo e da cidadania que a capoeira traz em sua raiz, mostrando assim o quanto é grandiosa esta arte, que hoje está em todos os países e é a maior divulgadora da língua portuguesa no mundo, pois as músicas de capoeira são em português e independente de onde estiver acontecendo à roda de capoeira a música deve ser ministrada em português.

Os estudos sobre a capoeira e as inteligências múltiplas ainda são pouco discutidos na literatura científica. Temos alguns relatos e estudos iniciais. Portanto espera-se com esse trabalho despertar os estudiosos da Capoeira a estudar mais minuciosamente essa relação e os estudiosos das inteligências múltiplas a conhecer melhor a Capoeira e a escrever sobre o desenvolvimento das inteligências através desta Arte Brasileira.

Bibliografia

 

  • BALBINO, H.F.; PAES, R.R. Jogos Desportivos Coletivos e as Inteligências Multiplas: Bases para uma proposta em pedagogia do esporte. Hortolândia. 2007.

  • GALATTI, L.R ; PAES, R.R. Pedagogia do Esporte e a Aplicação das Teorias Acerca dos Jogos Esportivos Coletivos em Escolas de Esportes: O Caso de Um Clube Privado de Campinas – Sp. Conexões, Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 5, n. 2, p. 31-44, jul./dez. 2007.

  • IÓRIO, l. S.; DARIDO, S.C. Educação Física, Capoeira e Educação Física Escolar: Possíveis Relações. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, vol 4, n°4, p. 137-143, 2005.

  • PAIM, M. C. C.; PEREIRA, E. F. Fatores Motivacionais dos Adolescentes para a Prática da Capoeira na Escola. Motriz, Rio Claro, v.10, n.3, p.159-166, set./dez. 2004.

  • SOUZA, S.A.R.; OLIVEIRA, A.A.B. Estruturação da Capoeira Como Conteúdo da Educação Física no Ensino Fundamental e Médio, Revista da Educação Física/UEM Maringá, v. 12, n. 2, p. 43-50, 2, sem. 2001.

ZYLBERBEG, T.A.; NISTA-PICCOLO, V.L. As contribuições dos estudos sobre inteligência humana para a pedagogia do esporte. Pensar a Prática. Vol. 11, n.1, p. 59-68, jan./jul. 2008.

 

* Autores:

*Graduado em Educação Física – Faculdade Adventista de Hortolândia – **Professora Titular – Faculdade Adventista de Hortolândia (Brasil)

  • Jefferson dos Santos Fonseca*
  • Helena Brandão Viana**
  • Larissa Rafaela Galatti**
  • Nilda Batista Cavalcante Rangel**

hbviana2@gmail.com

 

Fonte: EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 171, Agosto de 2012. http://www.efdeportes.com

    Brasileiros criam robô que aprende a tocar berimbau com inteligência artificial

    Autores da façanha alegam que autômato consegue reconhecer e reproduzir as músicas através de inteligência artificial.

    Ivan Monsão e Paulo Libonati são dois projetistas que vivem em Salvador, na Bahia. As primeiras modificações datam de 2006, mas o robô demorou cinco anos para ficar pronto. Ele é capaz de tocar o instrumento berimbau, conhecido por estar presente em rodas de capoeira.

    Segundo o site Hack a Day, os autores alegam que o Berimbô, como ficou conhecido o autômato, é o primeiro berimbau robótico do mundo.

    Monsão e Libonati afirmam que a principal novidade introduzida na última versão do protótipo é que ao invés de programar as músicas, o robô recebeu inteligência artificial para aprender a distinguir e reproduzir as notas musicais, bem como o movimento da cabaça (esfera oca que serve para reverberar o som) e do caxixi, uma espécie de chocalho feito com palha e conchas do mar.

    Todavia não foi possível verificar nenhuma evidência dessa funcionalidade no vídeo publicado pela dupla:

    {youtube}24GUKRheXDc{/youtube}

    Fica a esperança e a dica de uma nova demonstração exibindo o processo de aprendizagem em ação.

    E, para quem joga ou gosta da cultura da capoeira: Iê, camará.

     

    Fonte: http://toad.geek.com.br/

    3 de Agosto: Dia do Capoeirista – Matéria V

    DATAS COMEMORATIVAS : Dia do Capoeirista (03/08) – Fonte Almanaque Brasil
    Século 19. Abolida a escravidão, nas principais cidades portuárias negros se oferecem para carregar móveis, mercadorias, dejetos. Defendem-se por meio da capoeira. Ora empregando a agilidade, ora valendo-se também de cacetes e facas.
    Maltas aterrorizavam a população. Com a República, em 1889, Deodoro da Fonseca (1827-1892) inicia campanha de combate à capoeira. Em outubro de 1890, promulga a Lei 487, de Sampaio Ferraz, que prevê de dois a seis meses de trabalho forçado na Ilha de Fernando de Noronha. No art. 402, “Dos vadios capoeiras”, lê-se:
    Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem; andar em correria, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumulto ou desordem, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal.
    Pena – prisão celular de dois a seis meses.
    Parágrafo único – é considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a algum bando ou malta. Aos chefes e cabeças se imporá a pena em dobro.
    Ao assumir o poder com a Revolução de 1930, Getúlio Vargas liberou uma série de manifestações populares, entre elas a capoeira, que hoje aspira até a figurar nos jogos olímpicos.
    Espírito do Capoeirista
    1- Conhecer-se é dominar-se. dominar é triunfar.
    2- Sempre ceder para vencer.
    3- Capoeira é o que possui, inteligência para compreender aquilo que não lhe ensinam, paciência para ensinar o que aprendeu, e fé para acreditar naquilo que não compreende.
    4- Quem teme perde, já está vencido.
    5- Somente se aproxima da perfeição quem procura com constância, sabedoria, e sobre tudo com muita humildade.
    6- Saber cada dia um pouco mais e usá-lo todos os dias para o bem é o caminho dos verdadeiros capoeiristas.
    7- Quando verificarmos com tristeza, que não sabemos nada, terá feito o teu primeiro progresso na capoeira.
    8- O corpo é uma arma, cuja a eficiência depende da precisão com que usa a sua inteligência.
    9- Praticar capoeira é ensinar a inteligência e pensar com velocidade e exatidão e, ao corpo obedecer com justiça.
    10- A fraqueza é susceptível, a ignorância é rancorosa, o saber e a força dão a compreensão, quem compreende perdoa.
    11- O homem que domina sua mente jamais será escravo.
    12- O que parece dificuldade constitui a chance de seu progresso.
    13- Em tudo que fizeres, põe tua esperança a frente;
    14- Um Mestre é alguém que tem a coragem de pensar, acreditar e até errar;
    15- O importante é que transmita seus ensinamentos.

    Fonte: Almanaque Brasil
    Fonte: http://www.ufg.br/datas/data.php?d=622

    MOVIMENTOS CIRCULARES EM CAPOEIRA

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    Os movimentos helicinos, circulares, predominam tipicamente no jogo de capoeira por herança cultural da dança religiosa do candomblé, sua raiz africana.
    Como os músculos do corpo humano descrevem um trajeto elipsóide entre o ponto de origem e aqueloutro de inserção, concluímos que os movimento ciclóides devem propiciar maior rendimento motor em termos de velocidade e potência.
    Analisaremos a seguir a relevância dos mesmos no gingado, na defensiva, no ataque e na coreografia.

    NO GINGADO

    O gingado é o movimento ritmado de todo o corpo acompanhando o toque do berimbau, com a finalidade precípua de manter o corpo relaxado; pés apoiados no terço anterior, deslizando levemente sobre o piso e o CGC em permanente deslocamento, pronto para esquiva, ataque, contra-ataque ou fuga.
    Característica importante é o vai-e-vem do corpo, ora ensaiando um passo para diante, ora para trás; outras vezes esboçando giros sobre um pés, movimentos descendentes e ascendentes descrevendo espirais que não se concretizam; sempre procurando esquivar das aproximações do parceiro enquanto tenta abordá-lo sob ângulos diversos à procura de pontos indefesos.
    Durante o gingado o praticante deve manter-se em movimento permanente, simulando tentativas de ataque, contra-ataque, executando movimentos para atrair ou distrair a atenção do parceiro; sempre vigiando as intenções do parceiro; guardando contínua postura mental de esquiva e proteção dos alvos potenciais de ataques, prestes a fugir, esquivar, negacear ou contra-atacar.
    Assim o gingado é o fulcro da capoeira, donde partem todos os seus movimentos.
    Por definição e conceito da própria capoeira, só podemos aceitar no jogo de capoeira movimentos gerados a partir do gingado, compatíveis com o ritual da roda e enquadrados no ritmo-melodia do toque de berimbau.
    Obviamente, a dinâmica do gingado deve facilitar a esquiva em movimento tangencial, negando ou afastando o corpo do impacto direto.

    NA DEFENSIVA

    Em decorrência dos movimentos helicinos, os encontros com elementos externos passam a levar orientação tangencial no momento do impacto, transformando o valor da força viva (mv2/2) integral (i.e. multiplicado pelo seno de 90o (=1) num valor menor porque em ângulos > ou < do que 90o o valor do seno é inferior a l.
    Deste modo a movimento defensivo circular, além de facilitar a esquiva, reduz acentuadamente o efeito do golpe traumático em ação.
    O movimento giratório durante as quedas ou projeções conduz esta conclusão para o momento do impacto, que passa a ser tangencial (ângulo diferente de 90o) e não direto (=90o).
    Princípio adotado no treinamento de "ukemi" no Judô, sob a denominação portuguesa de "rolamento", ao lado da "dispersão" da energia cinética pela batida da palma da mão contra o solo em tentativa de desprendimento do contato com o solo.

    NO ATAQUE

    A funda, que o pequeno Davi usou para vencer o gigante Golias, utiliza a aceleração centrífuga do movimento giratório como propulsora do seu projetil.
    Assim, o movimento circular gera aumento da potência dos golpes, incrementando sua eficiência de modo notório, porque na extremidade do segmento contundente a velocidade é, proporcionalmente ao seu comprimento, um múltiplo da original na raiz do membro.
    Observe-se também que os caratecas realizam um movimento de torção no momento do impacto para reforçar o impacto dos "tsuki".

    NA COREOGRAFIA

    O efeito estético da coreografia exige a leveza dos movimentos, a qual empresta aos mesmos uma elegância natural, algo como a evolução sinuosa das serpentes.
    Os movimentos circulares, tendo por origem o centro de gravidade, comprometem o corpo como uma unidade, exigem um esforço segmentar bastante reduzido, emprestando graça e naturalidade ao conjunto.

    CONSIDERAÇÕES FINAIS

    A inteligência corporal.

    Mestre Yoshida falava muito numa inteligência bulbo-espinhal (Shinkei) em cooperação com a inteligência do cérebro (Nô)
    A primeira (infra-encefálica, inconsciente, bulbomedular), atribuída pelo Prof. Jaime Martins Viana à criação de circuitos reverberantes medulares, fruto da repetição freqüente de movimentos durante o treinamento ou execução dum trabalho repetitivo, cujos circuitos seriam responsáveis pela resposta automática, reflexa ante uma situação da qual o SER toma conhecimento por um conjunto de dados periféricos inconscientes, veiculados pelos órgãos sensoriais de todo o corpo, interpretados pelo sistema nervoso central pela comparação, também a nível subconsciente, com situações semelhantes vivenciadas anteriormente.
    Justifica-se deste a maior riqueza de recursos exibida pelos detentores de maior tempo de prática da "arte-e-manha de São Salomão", a superioridade técnica dos "mais velhos" e dos mestres, detentores de maior gama de padrões de comportamento, adquirido ao longo do tempo.
    Durante a vida, encontrei oportunidades de enriquecer meus conhecimentos e habilidades com o aprendizado de artes manuais sobretudo marcenaria, carpintaria naval, mecânica, pintura automotiva, hidráulica em construção civil e pilotagem de embarcações diversas, entre outras.
    Os mestres eram, na sua quase totalidade, de origem africana (sangüínea ou cultural), como soe acontecer em nosso meio e obviamente, adotavam o sistema de transmissão de conhecimentos usual no correspondente ambiente social.
    O método é muito simples, inicialmente o mestre executa a tarefa de modo natural, algumas vezes em modo um pouco mais lento, como a enfatizar os momentos mais importantes, sem uso de muitos detalhes orais. A seguir entrega matéria prima e ferramenta, ordena a repetição da procedimento pelo aprendiz e afasta-se enquanto o aprendiz repete o trabalho; retornando para examinar o resultado final.
    A repetição da operação permite o aprendizado dentro do potencial do aprendiz, evitando o surgimento dos "teorebas" e "papagaios" tão comuns nos meios acadêmicos, os "mestres" discursivos… parlapatões… "catedráticos" desprovidos de habilidade prática… doutores de beca, de anéis brilhantes, sem argola de outro na orelha, como diria Mestre Pastinha…
    A fisiologia nervosa nos ensina que os movimentos complexos são desencadeados a partir de comandos simples.
    Ao tomarmos uma colher de sopa, não desdobramos a ordem mental "tomar sopa" numa sucessão de atos voluntários ou conscientes, como:

    1. pegar a colher,
    2. levar a colher até o prato de sopa,
    3. mergulhar a colher na sopa,
    4. retirar a colher da massa líquida, sem derramar a sopa,
    5. levar a colher sem derramar o seu conteúdo, até à boca, etc;

    simplesmente pensamos em "tomar sopa" e nosso corpo executa a seqüência completa de movimentos necessários ao cumprimento do desejo; interpretado como uma ordem completa, abrangendo uma série de etapas a serem cumpridas automaticamente.
    Esta aptidão para encadear movimentos complexos a nível subconsciente, a serem desencadeado pela ativação de símbolos ou idéias, é que Mestre Yoshida denominava de inteligência medular em contraposição áqueloutra consciente, que está vinculada à atividade da cortical do cérebro.
    A "inteligência corporal" tem a capacidade aprender a reagir a situações ambientais, a interagir com a evolução das mesmas a nível infra-consciente e criar manobras adequadas a uma dada situação, com base na experiência acumulada pela vivência pregressa de situações semelhantes.
    Explicam-se deste modo as surpreendentes esquivas e/ou contra-ataques fulminantes durante um jogo de capoeira, sem o que o praticante precise analisar a situação ou elaborar uma solução para o momento.
    Compreende-se assim a necessidade variar de parceiro, tão logo seja possível, desde os primeiros instantes do aprendizado, para ampliar as variações espontâneas de gestos, movimentos e manobras consoante a personalidade do companheiro. Acresce que a mudança de parceiro acostuma o principiante a não temer a desconhecimento do movimentos do oponente e a confiar nos reflexos do próprio corpo, que improvisa as reações a nível subconsciente.
    Conseqüentemente, a repetição mecânica das seqüência, dispensando o acompanhamento meticuloso dos movimentos, sobretudo do movimento do seu desencadeamento, não aperfeiçoa a sua realização, nem multiplica os padrões de reflexos de esquiva e/ou contra-ataques.
    Acompanhando cursos e treinamento de principiantes, venho verificando alunos iniciarem movimentos de esquiva antes do esboço do ataque ou executarem movimentos automatizados e desprovidos de objetividade, como a negativa antes da benção. Conseqüência do treinamento intensivo massificado, que poderá ser facilmente corrigida pela início do treinamento com movimentos cuidadosos e lentos, única maneira de evitar o medo de que leva ao principiante a se precipitar na esquiva ou defensiva, anulando o efeito benéfico da prática.
    Mestre Bimba não consentia esta antecipação, pois quando o aluno assume o movimento defensivo ou a esquiva, antes do início do movimento do parceiro ativo, transforma uma manobra simulada de ataque e defesa em movimentos dissociados, despropositados e inócuos.
    Mestre Pastinha enfatizava o treinamento prolongado sob o ritmo da "bateria" como o ponto alto da sua pedagogia, hábito que os seus seguidores mais próximos conservam até nossos tempos.
    É indispensável portanto a confiança no parceiro e o cuidado durante a seqüência de ensino, bem como aguardar o justo momento da esquiva ou defensiva, para desenvolver o "golpe de vista" componente primordial do jogo capoeira.

    CONCLUSÃO

    As considerações acima nos permitem sugerir o aumento da carga horária de treinamento sob o toque do berimbau no ensino e prática da capoeira, reservando diariamente um período extra de exercícios físicos individuais.
    Sistema este adotado pelo Mestre Bimba na época em que iniciei o aprendizado e seguido pelos "mais velhos" do meu tempo, para manutenção da aptidão física
    A repetição exaustiva de seqüências de movimentos cria padrões estereotipados de comportamento, que permitem facilmente ao oponente a antecipação do movimento seguinte no seguimento do jogo, ocorrência indesejável e perigosa por motivos óbvios.
    É indispensável lembrar que o jogo de capoeira é uma eterno improviso… a cada movimento o risco duma surpresa!

    IMPROVISO, INTELIGÊNCIA E CAPOEIRA

    A capoeira, pela sua própria natureza, é um jogo de inteligência…
    Um esconde-esconde, um faz de conta, um eterno improviso…
    Uma contínua gozação!
    Ganha quem engana mais e melhor…
    .. para enganar é preciso ter malícia…
    É preciso ter inteligência!
    Capoeirista burro é um erro de lógica…
    Não pode ser burro, por que…
    A capoeira é o inverso de burrice!
    Começamos pela existência da chula, curto improviso que inicia a vadiação…
    Para cantar improviso é preciso ser poeta…
    Para ser poeta é preciso ser inteligente!
    Burro não faz versos, apenas zurra!
    Para cantar o improviso introdutório…
    O cantador deve conhecer todo o repositório litero-filosófico da roda…
    Manifestá-lo de modo ritmado conforme a tradição musical da capoeira…
    Respeitando a herança dos africanos…
    Cantando num estilo tonal …
    Ajustando nosso falar ao tom dos iorubás…
    Logo não pode ser burro…
    Nem teimoso como o jegue!