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Inauguração ACCAAP – Mestre Jaime De Mar Grande – SP

Depois da inauguração em Itaparica, Bahia, o grande Amigo e Mestre de Capoeira Angola, Jaime de Mar Grande, está iniciando uma nova etapa do Centro Cultural Comunitário de Capuêra Angola Paraguaçú.
 

O centro que anteriormente era chamado de Escrava Anastácia, foi remodelado e apartir de agora passa a ser conhecido pelo none da Princesa Índia que viveu naquela região nos tempos remotos…  Paraguaçu foi o nome escolhido pelo grupo para esta nova etapa de sua existencia… este novo ciclo… ligado a nova era…

Nós do Portal Capoeira e do Luciano Milani – Capoeira (www.lmilani.com), desejamos ao grupo e especialmente ao Mestre Jaime de Mar Grande muito sucesso e prosperiade na terra da garoa e que o nome Escrava Anástacia que esteve presente e se solidificou por mais de 20 anos acompanhe com muito axé o novo nome escolhido: "Paraguaçu" que curiosamente significa "MAR GRANDE OU GRANDE MAR"

Mestre Jaime de Mar Grande: Inaugura o Paraguaçu

O grande Amigo e Mestre de Capoeira Angola, Jaime de Mar Grande, está inaugurando uma nova etapa do Centro Cultural de Capoeira Angola, na Ilha de Itaparica, Bahia.
 
O centro que anteriormente era chamado de Escrava Anastácia, foi remodelado e apartir de agora passa a ser conhecido pelo none da Princesa Índia que viveu naquela região nos tempos remotos…  Paraguaçu foi o nome escolhido pelo grupo para esta nova etapa de sua existencia… este novo ciclo… ligado a nova era…
 
Nós do Portal Capoeira e do Luciano Milani – Capoeira (www.lmilani.com), desejamos ao grupo e especialmente ao Mestre Jaime de Mar Grande muito sucesso e prosperiade e que o nome Escrava Anástacia que esteve presente e se solidificou por mais de 20 anos acompanhe com muito axé o novo nome escolhido: "Paraguaçu" que curiosamente significa "MAR GRANDE OU GRANDE MAR"
 
Luciano Milani


Segue mensagem original do Mestre Jaime de Mar Grande:
 
Caro amigo Milani, feliz ano novo, por favor divulgue a inauguraçao da primeira etapa do centro cultural, de capuera angola, que apartir de sexta muda de nome, de escrava anastacia, para paraguaçu, a homenagem a escrava anastacia, durou 20 anos, foi um ciclo, por sinal muito legal, começamos agora um outro, muito bem ligado, a nova era, a nova tônica, a tonica da era de aquario, paraguaçu, é o sobre nome da india que viveu na ilha alguns seculo atraz, que curiosamente paraguaçu, significa, mar-grande, ou grande mar, em homenagem a princesa india, que viveu nesta ilha, que deu origem a raça brasileira, ou a grande missigenaçao,
HAVERÁ,  muita capuera e muito samba, e outras manifestaçoes,
vamos ter muita capuera, muito samba e outras manifestaçoes da regiao
isso é apenas um resumo, por favor divulgue para mim,
um grande abraço, estou sem tempo, só trabalho, tudo de bom para todos vcs,
MJMG

Vadiagem no Pq do Trianon com muita Capoeira Angola e Samba de Roda.

Convidamos a todos para Vadiagem no Pq do Trianon com muita Capoeira Angola e Samba de Roda.
 
Dia: 28/08/05  –  Domingo
Local: Dentro do Pq. do Trianon, entrada Principal
Hora: das 15:00 às 17:00 hrs
Informações: Mestre Cavaco: (55 11) 6901-1365

 
 
Vejam as últimas fotos: ( Pq do Trianon e Mestre Jaime )
 
 
  
Abraço a todos
Ratão

Angola de Itaparica (BA) em novo espaço de São Paulo

Mestre Jaime de Mar Grande, autêntico angoleiro da Ilha de Itaparica, dá início a novo trabalho na Mooca, capital de São Paulo.
 
Quando se fala em Capoeira Angola, de pronto vem à mente a Mandingueira Cidade de São Salvador da Bahia. Pouco se fala da angola das demais regiões do Recôncavo, de Santo Amaro da Purificação (Saravá Mestre Gato Preto!) e do interior do Estado, como é o caso de Feira de Santana onde Mestre Cláudio Angoleiro – que frequentemente carimba seu Passaport por toda a Europa – mantêm um trabalho exemplar de resgate e preservação das tradições de nossa Dança de Nêgo Banto-Nagô.
Pouco se fala também da Ilha de Itaparica, recanto de excelentes angoleiros, excelentes cantadores de samba e de representantes da legítima Cultura Afro-Braiana.
 
Assim como a Capoeira já não pertence exclusivamente ao Brasil – em breve será tombada como Patrimônio Cultural Mundial " a Capoeira Angola não se restringe mais somente à Bahia. Até mesmo por conta do exemplar trabalho de divulgação e de ensino que os velhos mestres fizeram para que a angola prosperasse em outras paragens. Mestres como Caiçara, Canjiquinha, Boca Rica, Paulo dos Anjos e Gato Preto, por exemplo, constantemente viajaram e passaram algum tempo no Sudeste e Sul do Brasil, ensinando suas angolas. Graças ao elevado quilate desses mestres, muitos discípulos se formaram ao longo das últimas três décadas.
 
Quando falo de Capoeira Angola, falo em um "sentido plural", uma vez que seria impossível restringi-la a uma ou outra forma de praticá-la ou de concebê-la.
 
Por falar em Itaparica, Mestre Jaime de Mar Grande é um legítimo representante da Angola daquela Ilha. Capoeira Angola de Raiz, de Tradição e de Fundamento, Mestre Jaime aprendeu com Mestre Paulo dos Anjos, que por sua vez foi discípulo de Mestre Canjiquinha.
 
O primeiro contato de Jaime com a Angola de Mestre Paulo foi em Mar Grande, costa leste de Itaparica, no ano de 1965, quando Paulo dos Anjos mudou-se por um tempo de Salvador para a Ilha, e ali passou a ensinar "seus meninos". De lá para cá muita coisa mudou na capoeira como um todo, mas mestre Jaime sempre praticou e preservou o que seu mestre lhe ensinou e confiou.
 
Hoje, por São Paulo, existem outros representantes da Capoeira Angola de Mestre Paulo, como é o caso dos Mestres Jequié (Ubatuba), Raimundinho (Jacareí) e Dominguinhos (São Sebastião).
 
ESPAÇO DE VADIAÇÃO "RABO DE ARRAIA"
 
Em Mar Grande, Mestre Jaime orienta um trabalho que deu início há muitos anos. Mas há dois ou três anos o mestre se achegou pela "Terra da Garoa", por onde, com seu carisma e simplicidade, tem conquistado o respeito dos Capoeiras Paulistas e Paulistanos. Na Ilha, o grupo do Mestre é a Associação Cultural de Capoeira Angola Escrava Anastácia.
Em São Paulo, neste mês de Junho, Mestre Jaime está dando início a um novo trabalho, em um espaço que, em primeiro momento, está sendo batizado de "Espaço de Vadiação Rabo de Arraia", em parceria com o amigo Fernandes Wellington, que não por coincidência é contramestre de Capoeira.
            A inauguração do novo espaço será no próximo dia 18 de Junho de 2005, sábado, a partir das 16h00, Rua da Mooca, 3108, Mooca, São Paulo, próximo ao metro Bresser, e a duas quadras da Faculdade São Judas.
            Mestre Jaime estende convite a todos os amigos e capoeiras da Capital Paulistana, do Interior do Estado, do Vale do Paraíba e do Litoral Norte – além dos capoeiras que estiverem passando por Sampa no dia. Seu novo "Campo de Vadiação" e promete:
 
"Neste espaço, vou dar início ao mesmo trabalho que desenvolvo na Ilha, com a legítima Capoeira Angola de Itaparica!"
 
 A Roda Inaugural será uma homenagem especial ao Mestre Gerson Quadrado, Capoeirista, Cantadô, Poeta, Compositor e Artista Popular da rica cultura da Ilha. Mestre Gerson fez sua "passagem" em 17 de abril de 2005, às vésperas da comemoração de sua octogésima "Vorta do Mundo", momento em que seria lançado seu novo CD Samba Tradicional da Ilha (STI). Mestre Jaime de Mar Grande é o responsável pelo retorno de mestre Gerson Quadrado à Capoeira, em 1993, e com ele privou de respeitável convivência a partir de então. O CD foi elaborado com auxílio de diversos "pares", dentre eles a musicóloga alemã Catarina Dorin. Por email, mestre Jaime informa que o CD está pronto e que será lançado nos próximos dias.
 
Se para você a Capoeira é a arte de vadiar, então venha vadiar neste novo "Terreiro de Angola da Capital Paulista".
 
Contatos com Mestre Jaime: (11) 3399-4927, (11) 9954-6668 ou então por email: jaimedemargrande@hotmail.com. O espaço estará abrindo novas turmas já neste mês de junho, em diversos horários e dias da semana.
 
"Êê meu irmão
 Vocês me traz alegria
 Eu sei que vocês são a letra
 E eu sou… a melodia"
     (M.Gerson Francisco Quadrado).
 
Simbora Vadiá… e Dá-lhe volta do mundo!
Yêêê!
 
Miltinho Astronauta – www.capoeira.jex.com.br
 

A vida é como uma roda

  

Dizem os mais antigos que filho de peixe, peixinho é. E sendo assim, no dia 23 de janeiro de 1936, dona Maria Pequena Malvadeza, capoeirista famosa nas vizinhanças da pequena localidade de Passagem do Teixeira, no recôncavo baiano, e mulher do também capoeirista José Martins dos Santos, o José da Pemba, botavam no mundo o pequeno Jaime Martins dos Santos. Neto de Pedro Virício Curió e detentor da herança de Besouro de Santo Amaro, Jaime (ou Curiozinho, como era mais conhecido pelos amigos e parentes) desde muito cedo percebeu que a vida é como uma roda: para ficar até o fim do jogo é preciso ter ginga, malícia, força, esperteza, inteligência, bravura e respeito. Às características familiares foi acrescida a experiência de uma lenda da capoeira: mestre Pastinha.

 

   Assim como no jogo, a vida também deu muita rasteira no pequeno Curió. Logo cedo sua mãe faleceu e seu pai casou-se mais uma vez, transferindo-se definitivamente para Salvador. A convivência com a madrasta era difícil. Havia o despeito com o filho da outra e, aos 7 anos de idade, Curiozinho fugiu de casa. Para conseguir se sustentar, o capoeirinha trabalhava como vendedor de balas e de mingau. A vida da rua era dura e o menino foi internado numa instituição para correção de menores. Dessa época, Curió lembra das surras e do fato de não ter se tornado bandido porque – segundo ele – Deus não quis. Numa das fugas organizadas pelos meninos maiores, Jaime decidiu voltar para a casa e mudar de vida. O retorno ao lar paterno não foi bem recebido e, motivado por mais uma surra, Jaime fugiu novamente. Nas ruas, o menino conhecia pessoas e fazia visitas à cidade dos seus avós, passeando por diversas localidades do recôncavo.

A vivacidade no olhar da criança, o jeito meigo e a rapidez em aprender fizeram com que Jaime fosse se empregar em casa de família. Na residência do juiz Elieser Baleeiro, Curiozinho começou a se educar e foi batizado. Mais tarde, na casa dos Prado Barreto, o rapaz teve uma educação formal e começou a despertar para uma das suas vocações: a culinária. Por gostar de comer e ser muito observador, em pouco tempo o garoto começou a dar provas do seu talento na cozinha. As aptidões de Jaime não passaram despercebidas pelos donos da casa, que lhe conseguiram um emprego como servente no Hotel da Bahia. Em pouco tempo, Jaime foi ascendendo na profissão e conheceu as atividades de ajudante de açougue, de padeiro, de cozinha, cozinheiro e, finalmente, chefe de cozinha.

 

Herança legendária
 

O espírito aguerrido do rapaz não o afastou da herança dos antepassados e, enquanto se aperfeiçoava na cozinha, Jaime foi crescendo na capoeira sob a orientação do lendário mestre Pastinha. Mas a "vadiagem" (como os mais velhos chamavam a capoeira) não era a única arte marcial a encantar Curió e assim o capoeirista começou a treinar caratê (onde permaneceu por 18 anos), boxe (durante 12 anos) e luta livre. "Todo o meu tempo era ocupado com inúmeras atividades, nunca parava, nunca tinha tempo sobrando para ficar pensando besteira", lembra Jaime Martins dos Santos.

A voz mansa e o jeito calmo não escondiam a bravura do jovem e, como todo bom capoeira, por inúmeras vezes o mestre Curió teve que dar golpes de esquiva na morte. Uma dessas situações aconteceu no município de Candeias. Solicitado para preparar o banquete de um casamento, o então chefe de cozinha só conseguiu receber a primeira metade do valor do serviço. Quando foi cobrar do cliente a segunda parte do que lhe era devido, Curió foi agredido verbalmente e chamado de negro atrevido e descarado. "Naquela época não levava desaforo para casa e parti para a briga", relembra. Revoltado, o mau pagador resolveu apelar para a covardia e chamou algumas pessoas para "dar cabo" do cozinheiro. Apesar dos 12 tiros que o mestre Curió afirma ter tomado, ele sobreviveu para contar essa história e lembrar com um sorriso maroto as outras tantas bravatas em que já se envolveu.

 

Superando mágoas
 

O tempo foi passando e o mestre Curió foi ganhando maturidade para superar as dificuldades e esquecer as mágoas familiares. Logrando a dor do passado e encarando o futuro com força e vontade, Curió fez as pazes com o pai, que continua vivo e mercando na Feira de São Joaquim. O perdão foi estendido também aos que perseguiram o mestre na sua carreira como cozinheiro. "Eu ia muito bem no trabalho até que descobriam que eu jogava capoeira e me demitiam", relembra o mestre. No seu último emprego, na cozinha da Pellikan, o chefe inclusive lhe falou claramente que o cozinheiro não precisava de emprego, pois vivia viajando de avião para apresentar a capoeira no mundo e era famoso, já que desde os 22 anos de idade saía na capa de jornal e revista.

 

   Cansado de tanta hipocrisia, o mestre Curió decidiu que viveria só de capoeira e que dedicaria os seus dias a seguir os ensinamentos dos seus antepassados e do seu mestre. Pai de 21 filhos e vivendo com sua terceira mulher, a ex-ajudante de cozinha Joana Pereira, hoje Curió dá aulas de capoeira na Escola de Capoeira Angola Irmãos Gêmeos do Mestre Curió, na Escola Mestre Pastinha (ambas no Pelourinho), nas oficinas do Ara Ketu e ensina gratuitamente na comunidade de Colina do Mar, em Paripe.

 

   Na capoeira, o pequeno Jaime Martins dos Santos contou com inúmeros mestres. Primeiro foi o pai e o avô, depois Curiozinho foi aprender com o melhor e deixou-se levar pelos ensinamentos de Pastinha. O respeito e o amor ao mestre fizeram com que Curió – junto com o colega Papo Amarelo – mantivesse a academia próximo à Ladeira do Ferrão funcionando até não restar mais aluno. Foi Curió também quem ajudou a esposa de Pastinha a conseguir recursos para cuidar do mestre no Abrigo D. Pedro II, até a sua morte.


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