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Salvador: 25 Anos do Grupo Topázio

Encontro Internacional de Capoeira acontece em Salvador

O Grupo Capoeira Topázio comemora seu 25º aniversário homenageando o Mestre Dinho

O grupo de capoeira baiano, Topázio, que participou do show Q’Viva the chosen, de Jannifer López, Marc Anthony e Jamie King, apresentado este ano em Las Vegas, promove em Salvador, entre os dias 13 e 16 de dezembro, a 28ª edição do Encontro Internacional Capoeira Topázio.

Na ocasião, o Grupo Capoeira Topázio comemora seu 25º aniversário homenageando o Mestre Dinho, fundador do grupo e o seu filho, o contramestre Rudson, tanto pela luta e perseverança no incentivo à prática da capoeira, pela divulgação da atividade pelo mundo e pelos trabalhos sociais que realiza em Salvador.

Com a proposta de levar golpes de outras artes marciais, a exemplo do boxe e jiu-jitsu à capoeira em nome do aprimoramento técnico e do refinamento da luta, tornando-a mais eficiente, o mestre Dinho criou um estilo único para o grupo. O Tapázio possui filiais na Alemanha, Argentina, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Itália, México, Rússia, Turquia e Emirados Árabes e mais 12 países, além do Brasil, com mais de 17 mil alunos.

Programação completa:
13 de dezembro, das 15h às 20h
Campeonato de Capoeira de Angola e Campeonato de Bateria
Local – Academia Topázio (Ladeira de Santana, em frente ao Shopping Baixa dos Sapateiros)

14 de dezembro, das 12h às 19h
Tour do Mestre Dinho às origens do grupo Capoeira Topázio (das Palafitas à Las Vegas) e a tradicional Roda de Capoeira do Terreiro de Jesus.
Local – O roteiro inclui diversos pontos da cidade, encerrando no Terreiro de Jesus, Pelourinho.

15 de dezembro, das 13h às 18h
TFT – Topázio Fight Team Championship
Local – Colégio Severino Vieira (Nazaré)

16 de dezembro, das 17h às 21h
Batizado, formatura e show folclórico
Local – Teatro do ISBA (Av. Oceânica, 2717, Ondina).

 

Curiosidade: O grupo de capoeira baiano, Topázio, participou do show Q’Viva the chosen, de Jannifer López, Marc Anthony e Jamie King, apresentado este ano (2012) em Las Vegas.

 

Matéria original iBahia
Encontro Internacional de Capoeira acontece em Salvador

Rodas femininas: incentivo ou discriminação?

Com a justificativa de incentivar a participação de mulheres na capoeira, muitos grupos fazem rodas femininas ou têm um momento na roda no qual só as mulheres jogam.
A intenção pode ser boa, mas separar às mulheres dos homens será mesmo um incentivo para que elas joguem?
É certo que algumas mulheres, normalmente as iniciantes, preferem jogar entre mulheres. Mas não seria mais adequado incentivá-las a superar esse receio jogando com todos, ao invés de acomodá-las nessa situação de insegurança?
A ideia de separar para incluir parece contraditória pois toda mulher capoeirista pode e deve jogar com os homens. Negar isso é  colocar a mulher em uma situação de inferioridade, portanto esta não é a melhor forma de mostrar às mulheres que elas também têm espaço na capoeira.
Fazer uma roda só de mulheres, como uma homenagem em uma data especial, é uma atitude legal, de reconhecimento e, portanto, muito bem vinda.
Mas alimentar hábito de fazer rodas separadas ou um momento à parte para as mulheres abre espaço para a discriminação.
É a união, e não a divisão, que anda de braços dados com a igualdade.


Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Haiti: Berimbau já fez chamada, já é hora de lutar

Cidadania: Gingando pela Paz no Haiti – Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Domingo, 17 de janeiro, 18:30

Hoje a alegria voltou a fazer morada no meu coração. Hoje, graças a Deus, pude ver o sorriso dos meu alunos, das minhas crianças. Pude abraça-las, beijá-las, olhá-las nos olhos. Após dias de ansiedade, fui até Kay-nou. E que felicidade foi reencontrá-las, ver aqueles olhinhos brilhando de felicidade.

Ao passar pelas ruas de Bel-Air já ouvi o chamado de um deles: Iê capoeira!”. Era o Canário, que acenava, feliz, em meio a multidão. E mal cheguei a Kay-nou, logo fui rodeado de crianças. Elas surgiam em meio às tendas, inúmeras delas. Vinham gritando o meu nome, perguntando pelos outros, pela Aíla, Linheiro, Beija-Flor, Paollo (Nó Cego). Eufóricas seguravam em minhas mãos, abraçavam-me, beijavam-me o rosto. Por mais que escrevesse aqui, por mais que virasse a noite esmerando-me em frente ao computador, não conseguiria descrever o meu sentimento naquela hora. E nem tenho essa pretenção.

Caminhamos para ver como estavam as coisas, para ver as pessoas. Eles acompanhavam-me, agarrando minhas mãos, meus braços. Enquanto caminhávamos mais apareciam e juntavam-se ao grupo. Quando percebi éramos uma pequena malta caminhando entre as barracas. Mães e pais vinham falar conosco, nos abraçar, saber dos outros. E chegavam mais e mais. E meu coração desejando que mais chegassem…

Nos dirigimos ao espaço da capoeira. Paredes no chão e boa parte do telhado caído. Até pouco tempo aquele espaço estava colorido, florido de pessoas… Uma grande festa para o nosso primeiro batizado e entrega de cordas e para comemorar o nosso primeiro aniverário. Um ano juntos, de muita luta e suor. Porém, o sentimento foi de esperança, apesar dos inúmeros tijolos pelo chão. E apesar das paredes caídas, pude ver um grande horizonte pela frente. E isso me encheu de força e esperança. Esperança que se fortaleceu com as palavras de um Rubem emocionado: vamos construir um espaço ainda melhor! E eu tenho certeza que sim.

Reunimos as crianças em uma roda. Bem, tentamos, pois haviam muitas crianças que não faziam [não faziam] parte do projeto. Conversamos bastante, elas muito atentas e cobrando atenção dos mais novos. Logo eles perguntaram se podiam vestir seus uniformes. E bastou ouvir um sim e saíram correndo para as barracas. Voltaram com uniforme. Claro, aqueles cuja a casa não havia desmoronado…

Nos reunimos sob uma árvore. O berimbau rompeu o silêncio. A Inúna pediu licença e chorou as vítimas, aquelas que deixaram o jogo desta existência para habitar uma nova morada. Pediu luz para os que se foram, proteção e força para os que aqui ficaram. E em cântico celebramos o ontem, o hoje e o amanhã. Celebramos a dádiva de estarmos vivos e saudáveis. Naquele momento, éramos um. A dor de um era a dor de todos, assim como a alegria, a esperança e a fé. Cantamos, enquanto eles desejam jogar o jogo, dar pernada e ficar de pernas para o ar. Faltou-nos espaço, mas não para o nosso cantar, que percorreu todo espaço. Faltou-nos comida, mas não a força para as nossas palmas. Cantamos, jogamos bola, conversamos…

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O “Iê”: mais que um cumprimento, uma oportunidade para o aprendizado

A capoeira nos oferece inúmeras possibilidades para o trabalho. E na qualidade de educadores devemos estar conscientes para identificá-las e utilizá-las no momento oportuno. Para tanto, é extremamente importante o estado de vigia. Assim como no jogo, todos os sentidos devem estar despertos pois muitas delas podem passar despercebidas, por descuido ou mesmo por estarmos tão acostumados que não alcaçamos o seu potencial.   

Um desses momentos é o nosso “Iê”, que sempre foi para mim a melhor maneira de saudar meus camaradas e também a forma com a qual peço licença ou proteção para iniciar o jogo. Uma pessoa muito querida que reforça isso é o mestre Mendonça (RJ), relator da regulamentação da capoeira nos idos de 1932; um dos baluartes da nossa arte com a qual tenho o privilégio de tomar lição sempre que o encontro ou telefono para ele. Ser humano espiritualizado que sempre reforçou a importância dessa saudação entre os capoeiristas.

No entanto, apesar de buscar valorizar sempre esta atitude, ainda não tinha me dado conta de que ela oferece uma oportunidade ímpar para o trabalho. Mais que uma saudação o “Iê” encerra valores como o respeito e atua fortemente no sentimento de pertencimento.

Certo disso, tornamos a saudação uma de nossas regras. O aluno ao chegar, após arrumar as suas coisas sauda a todos que estão na roda. E todos devem saudar a sua chegada. Claro, no início eles não compreendiam muito bem, mas hoje eles já fazem questão de utilizá-lo. E quando um ou outro esquece, todos os outros camam a sua atenção para que retorne à entrada e faça o cumprimento.

Outra forma em que o “Iê” está produzindo resultados maravilhos é para chamar a atenção. Neste quesito (já em clima de carnaval) ele merece o Estandarte de Ouro. É impressisonante como as crianças atendem quando o “invoco”, seja para por fim a uma discussão, seja para chamar a atenção, seja para nos despedir… E o que mais me alegra é estar na rua e ouvir, entre uma mar de pessoas, uma voz a me saudar: Iê! Isto, verdadeiramente não tem dinheiro neste mundo ou em qualquer outro que pague.

 
Iêeeeee!

http://flaviosaudade.wordpress.com/

Gingas do corpo brasileiro

Uma análise da malandragem no futebol, carnaval e capoeira

Outrora havia o "juiz ladrão". E hoje? Hoje, os juízes são de uma chata, monótona e alvar honestidade. Abrahão Lincoln não seria mais íntegro do que Mário Vianna. E vamos e venhamos: a virtude pode ser muito bonita, mas exala um tédio homicida e, além disso, causa as úlceras imortais. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera. Mas ponha-se um árbitro insubornável diante de um vigarista. E verificaremos isto: falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista. O profissionalismo torna inexeqüível o juiz ladrão. E é pena. Porque seu desaparecimento é um desfalque lírico, um desfalque dramático para os jogos modernos.

MANUEL ALVES FILHO

A malandragem presente no futebol, tão bem descrita no texto do dramaturgo Nelson Rodrigues, é um estigma que permeia duas outras importantes manifestações populares brasileiras: o carnaval e a capoeira. Mas o malandro não é o único elemento comum aos três temas, tão freqüentes nas rodas de bate-papo e nas mesas de bar. O mesmo ocorre com a religiosidade e a música. Esses e outros aspectos da cultura brasileira são abordados no livro Futebol, Carnaval e Capoeira: Entre as gingas do corpo brasileiro, recém-lançado pela professora Heloisa Turini Bruhns, do Departamento de Estudos do Lazer da Faculdade de Educação Física (FEF) da Unicamp. Além de analisá-las dentro de uma perspectiva histórica, a autora utiliza as três "festas" para fazer uma reflexão consistente sobre a complexa e, não raro, contraditória realidade nacional.

A obra é o resultado de uma pesquisa feita para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), mais tarde transformada em tese de livre-docência por Heloisa. No livro, ela desvia de atalhos, como manter as três manifestações circunscritas ao ufanismo e ao folclore. "Eu tento mostrar como elas foram modificadas ao longo do tempo, salientando as pluralidades, a fim de que possamos constatar as singularidades, onde um conjunto de forças desiguais manifesta-se através de poderes muito particulares, até microscópicos, mas que nem por isso deixam de interagir com poderes mais amplos, os quais tornam-se fundamentais para compreendermos a complexidade social".

A despeito do discurso democrático , destaca a autora, o futebol, o carnaval e a capoeira não podem ser enfocados dentro da ideologia da integração nacional. "O acesso a essas manifestações populares é desigual. Temos que considerá-las no plural: futebóis, carnavais e capoeiras", afirma Heloisa. Um exemplo disso é a ainda incipiente presença feminina na capoeira e no futebol, espaços considerados essencialmente masculinos.

Apesar disso, a mulher vem ampliando a sua participação em ambas as manifestações. Na capoeira, por exemplo, a presença feminina não produziu mudanças estruturais, mas está promovendo adaptações nos exercícios físicos e até na vestimenta. "Em algumas academias, as mulheres podem usar top no lugar das tradicionais camisetas brancas", esclarece a professora. Heloisa, porém, não trabalha com a dominação dos homens sobre as mulheres. "Eu exploro o complexo jogo mútuo homem/mulher, na substituição do tratamento simplista calcado na dominação unilateral masculina".

A participação de homens e mulheres no futebol tem origens diferentes. No período de introdução do esporte no Brasil, os praticantes pertenciam a uma elite influenciada pelos ingleses. Com a popularização e a profissionalização, outros grupos e classes integraram-se no esporte. Com o futebol feminino aconteceu o contrário. A presença da camada mais humilde prevaleceu no início.

As pioneiras, lembra Heloisa, foram estigmatizadas como "machonas" e "paraíbas". Para serem aceitas, tiveram que desenvolver modos muito parecidos com os dos homens. Só a partir da década de 80 o futebol feminino passou a ter um novo significado, com a criação da Liga Carioca de Futebol Feminino e partidas beneficentes, que reuniram modelos e artistas. Atualmente , clubes, prefeituras e universidades, dentre outros, estimulam o esporte.

No carnaval, ao contrário das outras duas manifestações, a presença feminina sempre ocorreu. "Não existe carnaval sem a mulher. A figura da mulata é fundamental na escola de samba, na música e na dança, numa encarnação corporal da própria ginga", diz a autora.

Mosaico – De acordo com Heloisa, não é possível isolar essas manifestações populares e analisá-las num campo autônomo, pois compõem um todo com os processos da industrialização e urbanização. Alguns elementos, como a música e a religiosidade, promovem o entrecruzamento do futebol com o carnaval e a capoeira. A autora destaca que alguns jogadores chegam a atribuir seus gols a santos e a Deus. O carnaval e a capoeira têm uma ligação estreita com os cultos afro-brasileiros, casos da umbanda e do candomblé.

"Quanto à música, ela é um elemento fundamental tanto no carnaval quanto na capoeira. Além disso, muitas canções têm o futebol como tema", explica a pesquisadora. O aspecto comum a essas três manifestações que talvez chame mais a atenção é o mito da malandragem. No futebol, ser malandro é quase uma obrigação, já que o adjetivo está associado à esperteza e habilidade. No carnaval, o termo representa o indivíduo que transita entre a ordem e a desordem, sendo esta uma festa "malandra’, isto é, "debochada, sem dono", afirma Heloisa.

Já na capoeira, a malandragem está intimamente ligada à ginga. "Os próprios praticantes dizem que a capoeira é um jogo de malandro, pois não se impõe por meio da força, mas sim pela capacidade de enganar o adversário", diz a autora.

Como manifestações próprias de uma sociedade repleta de contradições e preconceitos, o futebol, o carnaval e a capoeira refletem essa realidade. São, a um só tempo, focos de resistência e de reprodução de valores e concepções de vida , muitas vezes presentes nas mensagens veiculadas pela indústria cultural. "Elas compõem o nosso universo. Negam afirmando e afirmam negando preconceitos, relações de poder, discriminações. Minha preocupação foi evitar enfocá-las tomando como base as extremidades do eixo resistência-reprodução, pois se isso ocorresse, com certeza eu estaria simplificando a realidade", pondera Heloisa.

Jornal da Unicamp