Blog

luta

Vendo Artigos etiquetados em: luta

Fortaleza: Guardas Municipais recebem aulas de capoeira e técnicas de defesa pessoal

Aumentar a sensação de segurança da população nos equipamentos públicos municipais. Com esse objetivo, a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã (Sesec) ministra aulas com técnicas de defesa pessoal para as guardas municipais. O curso, Defesa Pessoal com Manuseio de Tonfa para Mulheres, receberá a Escola de Capoeira Fortaleza, nesta sexta-feira (19), das 9h30 às 11 horas. O encontro ocorrerá no jardim da instituição.

A aula contará com a participação de 15 integrantes da Escola de Capoeira Fortaleza. Atabaque, berimbau e pandeiro farão a percussão e emprestarão ritmo ao encontro. Márcio Wagner Mesquita de Paulo, contra-mestre da Escola, explica que a Capoeira aumenta a autoconfiança, o equilíbrio, a coordenação motora e a agilidade na resposta a ataques. “As técnicas reúnem golpes como Vingativa, Tesoura, Pisão e Martelo, que são muito eficientes para serem aplicados por mulheres, por serem contundentes e atingirem diversos pontos do corpo, em uma luta”, ressalta Wagner, conhecido na capoeira como Tropeço.

Cerca de 30 mulheres, incluindo integrantes de Guardas Municipais da Região Metropolitana de Fortaleza, participam do curso, que ocorre de 15 de julho a 9 de agosto, às segundas, quartas e sextas-feiras. As aulas incluem, além da Capoeira, técnicas de imobilização com a tonfa (cassetete), Muay Thai, Judô, Krav Magá, Luta Olímpica, Karatê e Hapkido. A coordenadora do curso, Denice Braga, é guarda municipal, faixa preta em Hapkido e instrutora Nível 2 de tonfa.

 

http://www.fortaleza.ce.gov.br

O que é mesmo a capoeira?

Jogo… Dança…. Luta….

É do senso comum dos capoeiristas pensar na Capoeira como uma prática polissémica que é simultaneamente um jogo, uma dança e uma luta. Se perguntarmos a um mestre mais experiente bem como a um novo praticante ambos podem sentir algum desconforto em classificar a capoeira em um campo estrito e preciso. Não sabemos conceituar o que somos ou no que nos tornamos mas sabemos o que não queremos ser. É essa forma enigmática do “decifra-me ou devoro-te” que torna certamente a capoeira uma arte instigante e curiosa.

Há uma certeza entretanto que nos acalenta e que também é do consenso geral dos praticantes, é de que a capoeira é uma arte. Sendo uma arte, concebemo-la como algo do campo da criatividade, da reinvenção e do imaginário. Convém deixar claro que se por um lado a polissemia da capoeira é algo delicioso é também angustiante e pouco didático. Sempre que tencionamos explicar a alguém, não capoeirista, o que ela é, caímos em explicações vagas que ela é uma dança em que se luta, um jogo em que se dança e por ai seguem as combinações. Para além disso o jogo do “ ser ou não ser “ deixa alguma angústia, afinal a pergunta fica sempre por responder. Sou daqueles que acredita que é bom ter certezas no que toca as nossas identidades, mesmo que sejam invenções confortantes.

Para mim há poucas dúvidas de que a capoeira, sendo uma arte, é uma arte marcial. Isso não exclui as suas peculiaridades e ligações mais intrínsecas ao campo da cultura, afro-brasileira em particular, nem tão pouco a restringe a parâmetros mais limitados que possamos conceber as artes marciais em geral, em particular as de origem oriental. Alguns pensam-na como uma filosofia, a da malandragem, como concebe o Mestre Nestor capoeira.

Foi exatamente o Mestre Nestor, cujos livros ainda fazem a cabeça de muitos praticantes no mundo, que primeiro lançou o lema: “No oriente existe o Zen, a Europa desenvolveu a psicanálise, no Brasil temos o jogo da capoeira”. Ora, quando falamos do Zen ou da psicanálise, falamos respetivamente de práticas de meditação, religião e ciência que permitem discernir a natureza humana, trata-la, fazê-la evoluir para níveis mentais mais elevados. Será que podemos enquadrar a capoeira nessa perspetiva atualmente? Ao compreende-la como uma arte marcial podemos conceber que ela pode cumprir esse papel emancipador do ser humano? No íntimo eu tenho as minhas dúvidas, mais por mero capricho prefiro acreditar que sim.

É possível aplicar a capoeira um conjunto de questões fundamentais que circundam também a existência humana, a vida. De onde vem a capoeira? Como ela se formou e o que ela se tornará? Não sabemos responder com total segurança a essas questões, tudo que se diga poderá ser mera especulação, ainda que tenha o crive acadêmico. Mas podemos acalentar algumas certezas a de que ela tem dado contributos importantes para as questões sociais e culturais das sociedades onde ela faz se presente.

Perguntei certa vez a um amigo estudioso do assunto qual era para ele, e até onde o seu conhecimento poderia alcançar, a origem da capoeira. Ele me respondeu que no seu entendimento não era uma questão histórica, que se podia provar por papéis a documentos acadêmicos, isso pouco interessava. Na verdade era uma questão ideológica, pois se dissermos que ela é afro-brasileira, por exemplo, estamos afirmando o papel do negro na sociedade brasileira e conferindo-lhe um certo grau de cidadania. Ou seja é enfim um posicionamento político.

De volta a frase do Mestre Nestor penso que caberá nas nossas reflexões sobre a capoeira questões mais profundas que, certamente os menos reflexivos sentirão dificuldades em compreender e acharão banais, pois a capoeira afinal joga-se apenas na roda e não carecerá de introspeção alguma. A capoeira ultrapassou limites inimagináveis, fronteiras geográficas, territórios culturais, limitações de gênero, classe, idade, enfim todas as contingências possíveis. Tudo isso por força de sua capacidade intrínseca de adaptar-se as mais hostis circunstâncias. No fundo, para quem as pratica sobretudo, ela diz muito sobre as nossas frágeis existências humanas e nos novos tempos globais que vivemos torna-se plena de significados.

Nesse novo encantamento do mundo inúmeras práticas ganham sentido, profanas e sagradas. O indivíduo ou os indivíduos buscam novas significações para as suas existências, novas formas de existir e ser para além das que habitualmente nos são concedidas a nascença. Somos brasileiros, espanhóis ou alemães por que nascemos em um determinado país que nos concedeu a cidadania, somos homens ou mulheres por que nossos órgãos genitais indicam um determinado género, somo brancos ou negros por que nossa pigmentação da pele assim o indica. Apesar desses traços indeléveis poucos somos tal como “naturalmente “ nos é concebido, mais ainda, somos o que nós construímos em nossas biografias. No jogo do “ser ou não ser “ a capoeira acaba por ter um papel determinante nos tempos pós-modernos e líquidos em que construímos a nossa maneira as nossas próprias identidades.

O capoeirista e o jogador de capoeira

O primeiro aprende, o segundo treina.
Um ama, o outro gosta.
O capoeirista tece com sua vida a consciência de “ ser humano “
e o amor pela liberdade com responsabilidade.

O jogador de capoeira, luta, bate, apanha…transpira.
mas logo descansa e enfadado da lida, 
se aposenta…desiste!
O capoeirista é eterno.
O jogador de capoeira, fugaz.

O capoeirista sofre com a injustiça, tem sentimento.
O jogador de capoeira, fútil, não percebe
que o fundamental da vida é a reciprocidade do bem.

O capoeirista é fraco, frágil, resistente, eterno.
O jogador de capoeira é forte, quase invencível, 
efêmero, passageiro.

O jogador de capoeira luta anos, para aprender a lição.
O capoeirista aprende a lição e luta para que os outros,
seus camaradas, sigam o caminho.

Um, é eleito pelo reconhecimento 
Da comunidade e de seus discípulos.
O outro, pelo temor de seus inimigos e admiradores…

O primeiro é sábio, reflete
o segundo inteligente, pensa.
Um é intuitivo, o outro, instintivo.

O jogador de capoeira, bate, ataca, fere.
O capoeirista, se defende, esquiva, resiste.

O jogador de capoeira se limita a um padrão.
O capoeirista é livre para criar.
A um pertence a criatividade, 
ao outro o automatismo.

Um aprende de fora para dentro, passa pela vida.
O outro de dentro para fora, vive.
O primeiro é comandado pelo espírito,
o segundo pelo corpo.

Suas tendências são similares,
suas finalidades antagônicas.

É a sutil diferença,
do belo para o bruto.
Da lágrima para o suor,
da emoção para o leviano.

O capoeirista, traz consigo o compromisso
De 400 anos de história, regada a dor,
sofrimento e do desejo de vencer.
O jogador de capoeira, só de seu tempo de treino,
Inspirado pelo anarquismo e a vã ditadura.

A história clama por reflexão, o treino por pulsação…

Um sente com o coração, com a alma.
O outro sente com o pulso, com as veias.

Um será Mestre.
O outro será corda vermelha ou branca ou preta, sei lá !!!

O primeiro será homem,
o segundo lutador.

Um dominará a sabedoria da vida,
com os seus atos e pensamentos.
O outro viverá da força física,
com a vitalidade, de seus músculos.

A mente é eterna, o corpo, temporário.
O homem tem que crescer, não inchar.

O capoeirista, procura aprender 
com as lições da vida, a eterna faculdade.
O jogador de capoeira, precisa de disciplina para se impor.

O primeiro é melancólico, profundo, circunspecto.
O segundo é alegre, confiante, mordaz.

O capoeirista, é um poeta, um filósofo.
O jogador de capoeira…
é só um jogador de capoeira…

Um precisa da fé em Deus.
O outro do incentivo da platéia.

Um é subjetivo, transcendente.
O outro é objetivo, ambíguo.
Em um, a ânsia de aprender cada vez mais, floresce seus dias.
No outro, o desejo de ser o melhor, consome sua vida.

A um, está destinado o domínio da vida
pelo amor e a doação de si mesmo aos outros,
pois quem está vivo, produz vida !
o outro, está entregue ao enfado de viver do cansaço da vida,
na eterna indiferença.

O capoeirista, segue as estrelas e voa.
O jogador de capoeira, se seus próprios passos
e se vacilar, pode tropeçar.

No semblante do primeiro
brilha a força de Zumbi,
a determinação de Bimba,
e a esperança de Pastinha.
No semblante do outro, brilha ofuscado seu próprio reflexo.

Um vê a luz da vida…e sorri.
O outro, só vê sua própria sombra,
prolongada no chão, e sisudo e orgulhoso
do pouco que vê, sarcástico, sorri…

Um está de frente para o sol.
O outro, permanece de costas.

Mas um dia, os dois poderão ser um só.

Primeiro, na expectativa de fluir
o desejo de aprender, do jogador de capoeira.
E da máxima valia, que é a característica de um Mestre,
Aquele profundo desejo, a sabedoria de ensinar.

Um dia os dois serão um só…
E só existiram capoeiristas…

Mestre Adelmo

Lázaro Ramos grava cena de luta: capoeira x jiu-jítsu

Trama retoma episódio histórico que marcou a popularização da capoeira

Lázaro Ramos ensaia coreografia de luta com Walter, Cocoroca (boné) e o dublê Rodrigo Oyie (de costas)

Um combate emocionante entre a capoeira e o jiu-jítsu, em Lado a Lado. De um lado do ringue, Zé Maria (Lázaro Ramos), do outro, o grande campeão de artes marciais Jun Murakami, professor de luta contratado pela Marinha. A gravação dessa cena exigiu espírito guerreiro de todos: Lázaro Ramos ensaiou exaustivamente todas as coreografias, foram recrutados 150 figurantes e montado um cenário que reproduz um pavilhão de lutas em 1910. Seriam os primórdios do MMA (sigla para Artes Marciais Mistas, em inglês)?

“A gente sempre se pergunta: o que acontece se uma pessoa de um estilo de luta enfrentar outra, de outro estilo? Inclusive eu fiquei sem entender como é que ia funcionar a cena, mas acabou indo bem”, conta Lázaro Ramos. A mistura de estilo de lutas está presente até no texto da cena, como lembra o ator: “Tem uma frase do texto que é boa, que o Jonas fala: ‘Imagina se alguém um dia junta jiu-jítsu com capoeira? Vai ser imbatível!’. No ensaio a gente falava de brincadeira: ‘Pô, Anderson Silva!’. De qualquer forma, quem for fã de MMA, vai se inspirar.”

 

Fonte: http://tvg.globo.com

O Fenomemo da Exportação – Onda 1

Turismo e Grupos Parafolclóricos

Dentro do contexto e da dinâmica da Exportação da capoeira é possível estabelecer um paralelo entre as “ondas do desenvolvimento humano” – que Alvin Toffler* nos colocou em seu Best-seller A Terceira Onda e as “quatro ondas de projeção” internacional da capoeira, cronologicamente encadeadas em analogia as “Ondas de Toffler”. Este paralelo foi o que norteou e alimentou um delicioso estudo e pesquisa direcionada que culminou em uma Importante Palestra ministrada na Europa pelos Professores e pesquisadores Acúrsio Esteves e Luciano Milani, ambos integrantes da equipe do Portal Capoeira. O caminho da capoeiragem das senzalas às universidades pode ser entendido e até enumerado dentro deste contexto sob o prisma das Ondas de Projeção que podem e certamente acabarão por ser mais do que quatro… pois estas ondas assim como escreveu Toffler, são dinâmicas, difusas e vivas…

 

As Ondas de Projeção

  1. Turismo e Grupos Parafolclóricos
  2. Academias e Boa Forma (Febre das Academias)
  3. Pesquisa e Produção Academica/Cientifica (Entidades de Ensino, Mestrados, Livros…)
  4. TIC´s – Web – Games – Mídia (Toda a rede digital e suas ramificações em função da divulgação e dissiminação da capoeira**)

Nesta primeira abordagem iremos tratar apenas da primeira onda: Turismo e Grupos Parafolclóricos. Em tempo, iremos também abordar, as restantes ondas de projeção internacional da capoeira (Onda 2, 3 e 4).

 

Uma Semente Africana…

“A capoeira, tem origens e raízes africanas…seu ventre, sua mãe… é conhecida como cultura negra… seu pai a liberdade… mas nasceu e foi criada no brasil, algures no recôncavo Baiano… cercada de malandragem e brasilidade… quando jovem foi rebelde, mal vista, perseguida… na adolescência se desenvolveu, cresceu… ganhou o mundo e respeito… tirou o seu passaporte…
Hoje, mais madura esta presente em todos os lugares… nos quatro cantos do mundo e tem o orgulho de dizer SOU BRASILEIRA.“
Luciano Milani

 

Uma História recente…

A capoeira, nasceu a cerca de 500 anos, foi criada em solo Brasileiro, tem origens e semente africana, cultivada e adubada pela magia da miscigenação e do pluralismo de saberes de culturas e raças… “Excluida e Criminalizada” no Governo Mal. Deodoro da Fonseca (Infração prevista no Código Penal – Artigo 402  de  1890), sua essência libertária, resistência e riqueza cultural fomentam ainda mais a suas quase infinitas possibilidades.

Bimba e Pastinha, ícones contemporâneos, influenciaram a forma como praticamos e vivenciamos a capoeira. Ambos os mestres tiveram um papel fundamental principalmente na década de trinta com a criação da Luta Regional Baiana e da Capoeira Angola… Impulsionados pelo cenário “politico/social/economico da época”, assim como outros importantes nomes dos mais diversos setores tiveram e continuam tendo um peso enorme neste emaranhado tão complexo e multi cultural turbilhão chamado capoeira

“A capoeira é um organismo vivo, ela evolui de acordo com as suas necessidades…”
Mestre Camisa

Fazendo uma analise ao cenário politico/social/economico da época (Governo Populista de Getúlio Vargas e o processo de Legalização da Capoeira), temos uma maior participação da classe média e dos universitários (classe academica) da Bahia, em maior sintonia com a “Capoeira Regional” de Manuel dos Reis Machado, cujo o legado e o método, revolucionaram a forma de praticar capoeira (Lazer, Esporte e Folclore  em Ambientes Fechados / Metodologia de Ensino) e uma maior aproximação da Esquerda e da classe artística/cultural (Jorge Amado, Pierre Verger, Caribé) com a “Capoeira Angola” de Vicente Ferreira Pastinha, que usou com maior enfase a vertente da Filosofia, Cultura e Ancestralidade.

Não devemos esquecer outras importantes frentes da dinâmica de disseminação e expansão da capoeira em outros estados como por exemplo a forte presença marcial da capoeiragem Carioca e Pernambucana e porque não citar a “Capoeira Utilitária” do Paulista-Carioca mestre Sinhozinho e até mesmo a Tiririca Paulista… todo bom estudioso da cultura popular sabe que as manifestações raramente ocorrem em regiões de forma isolada geográfica e temporalmente. Tanto é que Edison Carneiro, excelente folclorista, fez questão de deixar bem claro no título de um de seus livros (Dinâmica do Folclore), que tudo acontece dinamicamente. Em alguns casos manifestações se fundem, resultando em novas manifestações… correlatas e interligadas… com a proibição da capoeira em Pernambuco, aliado a questões político-social da época, nasce o Frevo!!! O bom capoeira sabe perceber que a “malícia” do bom “frevista” está ligado à ginga de um bom capoeira. E é isto que eram no passado: capoeiras. No Rio de Janeiro, a perseguição à capoeiragem (que, funcional e socialmente não é o mesmo que capoeira) resultou na Pernada Carioca. Digamos que era a “capoeira que não se chamava capoeira”, mas que tinha a eficiência da mesma, tanto enquanto luta, como também como lazer.

 Bimba e Getúlio Vargas

Segundo Liberac em sua analise sobre o surgimento da capoeira moderna baiana: “O Rio de Janeiro foi um ponto alto no que concerne à difusão de idéias sobre formas de aproveitamento da capoeira como esporte nacional e que foi a base política ao movimento em direção às academias (Onda 2 ) . Este cenário mostra o afastamento total da capoeira com o corpo cultural exibe um campo fértil para a transformação em luta marcial, diferentemente do contexto que a capoeira baiana moderna é construída.”

 

Apenas na segunda metade do século XX (década de 60/70),  já com a capoeira “reorganizada sob a nova otica da Angola e Regional” que a nossa vasta e “multifacetada arte”  tirou o seu passaporte. Este processo teve início de forma ímpar e quase que inconsciente… Foi através dos grupos parafolcloricos e do turismo que a capoeira ganhou o mundo… Então vamos “surfar na onda 1…”

Onda 1

Emília Biancardi, uma das principais fagulhas da “Exportação da Capoeira”, folclorista, professora, pesquisadora, escritora e responsável pelo magnifico trabalho do Grupo Folclórico Viva Bahia,criado em 1962, reuniu importantes representantes das manifestações culturais afro-brasileiras para integrar a equipe de base do “VIVA BAHIA”.  Entre os professores estavam Mestre Pastinha e João Grande (capoeira), Mestre Popó do Maculelê (foi com o grupo parafolclórico que pela primeira vez o Maculelê foi apresentado para o grande público e divulgado no exterior,  Emília escreveu a obra prima do Maculelê – Olê lê Maculelê), Neuza Saad (dança), D. Coleta de Omolu (Candomblé), Sr. Negão de Doni (Candomblé) e Mestre Canapun (puxada de rede). Muitos outros mestres de capoeira passaram pelo grupo. Consagrado internacionalmente, serviu de inspiração e incentivo para a formação de outros grupos de prestígio no Brasil e exterior, inclusive para o Balé Folclórico da Bahia, cujo criador foi discípulo da professora Emília Biancardi.

O “VIVA BAHIA”, foi sem dúvida alguma, um dos principais responsáveis pela internacionalização e exportação da capoeira e suas manifestações correlatas. Muitos mestres que viajaram com o grupo não retornaram das viagens. Amém ficou na Califórnia, Jelon e Loremil introduziram a capoeira em Nova York, nos anos 1970.

Somente em 1966 que a “capoeira fez seu primeiro voo transatlântico”, convidados pelo Ministério das Relações Exteriores que reuniu uma comitiva de capoeiristas, dentre eles mestres Pastinha, João Grande, Gato, Gildo Alfinete, Roberto Satanás e Camafeu de Oxossi, para representar a cultura popular afro-brasileira no I Festival Mundial de Artes Negras – África – Dakar.***

mestres Pastinha, João Grande, Gato, Gildo Alfinete, Roberto Satanás e Camafeu de Oxossi, para representar a cultura popular afro-brasileira no I Festival Mundial de Artes Negras - África – Dakar.

A participação de Vicente Ferreira Pastinha nesta celebração da cultura afrodescendente é e sempre será lembrada pois está gravada em versos na memória musical da capoeira
“… Pastinha já foi à África, pra mostrar capoeira do Brasil…”.

Para a comunidade capoeirística este fato representa o momento de encontro muito especial entre o mestre e os irmãos africanos,  evocando encontros também acontecidos na diáspora da população africana, que no Brasil enriqueceu de forma bastante evidente os campos artístico, cultural e econômico. Mesmo já estando cego, mestre Pastinha conseguiu a realização do sonho de conhecer a África…

 

Do Brasil para o Mundo

O crescimento da capoeira a nível mundial tem sido um fenômeno importantíssimo de divulgação e valorização dessa arte-luta que durante muito tempo sofreu uma perseguição, por vezes “velada”, porém implacável no brasil. Contudo essa “globalização” da capoeira traz também consequências negativas.

“O capitalismo e a política sabem muito bem como se apropriar dos bens produzidos pela sociedade – sejam eles materiais ou imateriais – para adequá-los às suas lógicas perversas.”
Acúrsio Esteves

Percebemos assim, uma tendência global que vem crescendo nos últimos anos, de transformação da capoeira em mais uma mercadoria na prateleira dos “shopping centers das culturas globalizadas”.

Se por um lado, isso garante a disseminação e divulgação dessa manifestação para um público cada vez maior, por outro faz com que ela perca muito dos seus traços identitários que a caracterizam como cultura popular, tradicional, libertária e de resistência.

“A capoeira não tem credo, não tem cor, não tem bandeira, ela é do povo, vai correr o mundo”.
Mestre Canjiquinha


* Alvin Toffler (3 de Outubro de 1928) é um escritor e futurista norte-americano doutorado em Letras, Leis e Ciência, conhecido pelos seus escritos sobre a revolução digital, a revolução das comunicações e a singularidade tecnológica.

** A Roda em Rede – Mariana Marchesi  (http://portalcapoeira.com/Publicacoes-e-Artigos/a-roda-em-rede-a-capoeira-em-ambientes-digitais)

*** Video do Festival Mundial de Arte Negra – Dakar – 1966 http://www.youtube.com/watch?v=YVZJwvzt8dY

ENCAMUZENZA

O Grupo Muzenza, sempre buscando formas de trabalhar a Capoeira, de uma forma abrangente, inova, mais uma vez. Nos dias 27 e 28/01/2013, acontecerá o 1º ENCONTRO DE PROFESSORES E ACADÊMICOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA, PEDAGOGOS, PSICÓLOGOS, PSICOPEDAGOGOS E HISTORIADORES QUE TRABALHAM COM A CAPOEIRA, o ENCAMUZENZA.

O tema desta primeira edição será: “A CAPOEIRA ONTEM, HOJE E SEMPRE”…

O objetivo é fomentar a pesquisa e os debates sobre a história, desenvolvimento e o futuro de nossa Arte/Luta, através da intersecção entre o “saber acadêmico” e o “saber popular”. Haverá a apresentação de Temas-Livres sobre a Arte/Luta, nas diversas áreas do conhecimento, além de palestras e mesas-redondas com Mestres renomados, tais como: Luiz Renato Vieira, Gladson, Falcão, Beija flor,Gegê,e o Historiador Carlos Eugênio Líbano Soares. A coordenação do evento ficará a cargo dos Mestres Carson Siega e Sérgio Souza – Sanhaço.

A supervisão, será do Mestre Burguês.

 

Mais informações: encamuzenza@gmail.com

 

O Grupo Muzenza


O Grupo Muzenza de Capoeira, foi fundado em 5 de maio de 1972, na cidade do Rio de Janeiro, tendo como seu fundador, Paulo Sérgio da Silva (Mestre Paulão), oriundo do grupo Capoarte de Obaluaê, do Mestre Mintirinha (Luís Américo da Silva).

Em outubro de 1975, chega a Curitiba – Paraná – Mestre Burguês (Antônio Carlos de Menezes), que depois de lecionar nos bairros do Méier e Madureira, no Rio de Janeiro, decide fundar mais um núcleo do Grupo Muzenza no Sul do Brasil, implantando e desenvolvendo uma metodologia e uma filosofia própria, voltada para as raízes da capoeira, tendo introduzido essa modalidade em clubes, quartéis, escolas, academias, comunidades carentes e comunidades negras.

Mais de 15.000 alunos, já passaram pelo Grupo Muzenza de Curitiba, e hoje o Grupo se faz presente em 26 estados brasileiros, e 35 países, buscando sempre os fundamentos e as raízes da capoeira através de muita pesquisa.

Desde 1975, o Grupo passou a ser presidido pelo Mestre Burguês.

A proposta do Grupo Muzenza, é desenvolver um trabalho de capoeira, essencialmente como arte – luta, mas dando condições aos praticantes de se identificarem com os outros vários seguimentos que existem na capoeira.Dessa forma, o Grupo Muzenza apresenta uma proposta pedagógica que engloba a capoeira como: luta, arte, ritmo, poesia, cultura, desporto, profissão e filosofia de vida. Permitindo que cada aluno se identifique com uma dessas vertentes.

Todavia, a principal proposta do grupo Muzenza é a capoeira como luta, o desenvolvimento de uma metodologia e filosofia própria, nunca esquecendo de buscar as raízes da capoeira através de muita pesquisa, procurando preservar, a Capoeira Angola e Regional, bem como o respeito e valorização ao verdadeiro Mestre.

Salvador: 25 Anos do Grupo Topázio

Encontro Internacional de Capoeira acontece em Salvador

O Grupo Capoeira Topázio comemora seu 25º aniversário homenageando o Mestre Dinho

O grupo de capoeira baiano, Topázio, que participou do show Q’Viva the chosen, de Jannifer López, Marc Anthony e Jamie King, apresentado este ano em Las Vegas, promove em Salvador, entre os dias 13 e 16 de dezembro, a 28ª edição do Encontro Internacional Capoeira Topázio.

Na ocasião, o Grupo Capoeira Topázio comemora seu 25º aniversário homenageando o Mestre Dinho, fundador do grupo e o seu filho, o contramestre Rudson, tanto pela luta e perseverança no incentivo à prática da capoeira, pela divulgação da atividade pelo mundo e pelos trabalhos sociais que realiza em Salvador.

Com a proposta de levar golpes de outras artes marciais, a exemplo do boxe e jiu-jitsu à capoeira em nome do aprimoramento técnico e do refinamento da luta, tornando-a mais eficiente, o mestre Dinho criou um estilo único para o grupo. O Tapázio possui filiais na Alemanha, Argentina, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Itália, México, Rússia, Turquia e Emirados Árabes e mais 12 países, além do Brasil, com mais de 17 mil alunos.

Programação completa:
13 de dezembro, das 15h às 20h
Campeonato de Capoeira de Angola e Campeonato de Bateria
Local – Academia Topázio (Ladeira de Santana, em frente ao Shopping Baixa dos Sapateiros)

14 de dezembro, das 12h às 19h
Tour do Mestre Dinho às origens do grupo Capoeira Topázio (das Palafitas à Las Vegas) e a tradicional Roda de Capoeira do Terreiro de Jesus.
Local – O roteiro inclui diversos pontos da cidade, encerrando no Terreiro de Jesus, Pelourinho.

15 de dezembro, das 13h às 18h
TFT – Topázio Fight Team Championship
Local – Colégio Severino Vieira (Nazaré)

16 de dezembro, das 17h às 21h
Batizado, formatura e show folclórico
Local – Teatro do ISBA (Av. Oceânica, 2717, Ondina).

 

Curiosidade: O grupo de capoeira baiano, Topázio, participou do show Q’Viva the chosen, de Jannifer López, Marc Anthony e Jamie King, apresentado este ano (2012) em Las Vegas.

 

Matéria original iBahia
Encontro Internacional de Capoeira acontece em Salvador

NZinga: 30 Anos de Capoeira Angola

Grupo Nzinga de Capoeira Angola

O Grupo Nzinga de Capoeira Angola nasceu em 1995, quando Rosângela Araújo – hoje conhecida como Mestra Janja – passou a residir em São Paulo, em função da elaboração de suas teses de mestrado e doutorado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, na área temática de Filosofia e Educação. Ela vinha de 15 anos de trajetória dentro do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho-GCAP, em Salvador, trabalho conduzido pelo Mestre Moraes, que é uma referência no crescimento e divulgação da Capoeira Angola, no Brasil e no mundo. Durante os anos noventa, vieram unir-se ao Grupo Nzinga: Paula Barreto – hoje Mestra Paulinha – que esteve em São Paulo durante seu doutorado no Departamento de Sociologia da USP, e Paulo Barreto (Mestre Poloca), geógrafo e arte-educador, que participavam do GCAP em Salvador desde sua fundação, e onde Poloca já tinha o título de Contramestre. Na Bahia, Janja, Paulinha e Poloca, conviveram com alguns dos mestres mais importantes e renomados da Capoeira Angola, como Mestre João Grande e Mestre Cobra Mansa.

O Grupo Nzinga volta-se para a preservação dos valores e fundamentos da Capoeira Angola, segundo a linhagem do seu maior expoente: Mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha, 1889-1981). A Capoeira Angola é pautada por elementos como Oralidade, Comunidade, Brincadeira, Jogo, Espiritualidade e Ancestralidade. Toda a sua prática carrega em si significados e simbologias para o crescimento e transformação do indivíduo. Em seu ritual, todos participam e cada um é fundamental e único. Entre os princípios fundamentais dessa tradição estão a luta contra a opressão, a defesa de uma Cultura de Paz, a preservação dos valores que herdamos da diáspora africana, o cuidado com as crianças e jovens, principalmente através da cultura e da educação. Daí destacam-se o enfrentamento do racismo e a luta contra a discriminação de gênero. O antirracismo está na própria natureza da Capoeira Angola, que assumiu esse nome como estratégia para se diferenciar da folclorização e da esportização sofrida pela capoeira quando ela foi legalizada e usada como discurso do Estado Novo para divulgar uma pretensa democracia racial no Brasil. Os angoleiros, como são chamados, não aceitaram a descaracterização promovida pela transformação da capoeira apenas em Educação Física, que desprezava fundamentos da convivência e da educação afrobrasileiros mantidos por séculos nas comunidades de capoeiristas. Quanto à luta contra discriminação de gênero, o Nzinga muito se traduz através da liderança de Mestras Janja e Paulinha. Apesar da existência de mulheres capoeiristas históricas, sua trajetória se destaca num mundo eminentemente masculino e machista como o da capoeira.

Nos anos noventa, o Grupo Nzinga acumulou uma série de feitos nas áreas da cultura e da educação, destacam-se as Maratonas Culturais Afro-Brasileiras, que foram discussões, oficinas, celebração e Capoeira Angola, com público diversificado, incluindo movimento Hip-Hop, ONGs e educadores. Os integrantes do grupo foram incentivados a elaborar Pesquisas Acadêmicas: produção de papers, monografias, dissertações e teses como forma de intensificar e informar o diálogo entre a cultura tradicional e a academia. Desenvolveram-se atividades em conjunto com entidades das mulheres negras, centros culturais, escolas e outras entidades congêneres.

Nessa década de 2000, outras novas conquistas: as Oficinas no Fórum Social Mundial, com participação especial no “Forumzinho”, divulgando a Capoeira Angola para crianças de todo o mundo. O lançamento do CD Nzinga Capoeira Angola, a produção de um Clip (seguem anexos) e do vídeo IÊ, Viva meu mestre. O lançamento da Revista Toques d’Angola, um domínio na internet, o sitewww.nzinga.org.br, e a inauguração de novos núcleos de trabalhos do grupo.

Entre os anos de 2001 e 2002, surgiram os núcleos do grupo em Salvador, conduzido por Mestre Poloca, e Brasília, já com número significativo de membros. Ainda em 2001 nasceu o INCAB – Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e de Tradições Educativas Banto no Brasil. Este instituto é a representação jurídica do grupo, além de uma ampliação efetiva no leque de atuação do Nzinga. Desde sua fundação o grupo tinha sido abrigado por entidades parceiras, como o Instituto de Psicologia da USP e o Centro Cultural Elenko, mas em abril de 2003, inaugurou-se a sede do INCAB no Jardim Colombo, Zona Oeste de São Paulo. Nessa comunidade, que é um dos bairros com pior Índice de Desenvolvimento Humano da capital, uma favela menos vistosa que a vizinha Paraisópolis, o Grupo Nzinga traduziu sua vocação ativista organizando ações de complementação pedagógica para crianças da comunidade e oferecendo gratuitamente aulas de Capoeira Angola e Culturas Populares para as crianças e adolescentes do bairro dentro do Projeto Ginga Muleke. No Projeto Kakurukaju, grupos da terceira idade participavam de atividades de conscientização corporal, Capoeira Angola e debates sobre negritude.

Em setembro de 2004, Mestra Janja recebeu a homenagem de Cidadã Paulistana, da Câmara de Vereadores de São Paulo, por sua marcante atuação na preservação e luta dos valores da comunidade negra do país.

2005 foi o ano da internacionalização do trabalho do Grupo Nzinga, com a inauguração dos núcleos em Marburg, na Alemanha, e na Cidade do México; atualmente com núcleos também em Maputo – Moçambique e Londres, e um terceiro núcleo em São Paulo, que funciona na zona norte da cidade, no bairro do Tucuruvi.

Voltando a residir em Salvador, Mestra Janja assumiu a coordenação do Departamneto de Mulheres da Secretaria de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia – SEPROMI e depois o cargo de professora titular no Departamento de Educação da Universidade Federal da Bahia. Mestra Paulinha dirige o Centro de Estudos Afro Orientais de Salvador – CEAO –  da UFBA,  e Mestre Poloca desenvolve já cinco anos atividades de resgate de lendas e contos africanos com crianças de escolas da rede pública de Salvador. Em São Paulo e nos outros núcleos, o trabalho foi assumido pelos chamados na tradição de treinéis, integrantes mais antigos, responsáveis pela condução das atividades do grupo.

Em 2008, o Instituto Nzinga decidiu mudar sua sede para a região do Largo da Batata, em Pinheiros. Ao se reestabelecer nesse bairro, onde o Nzinga foi sediado por vários anos, um núcleo de atividades passou a funcionar nas instalações do Projeto Viver, no Jardim Colombo, garantindo a continuidade dos trabalhos no bairro.

Os angoleiros e angoleiras do Nzinga são, na sua maioria, pessoas da comunidade, jovens estudantes, universitários, músicos, artistas, professores, trabalhadores…, reunidos numa diversidade de três gerações, no mínimo. Acima de tudo, o Grupo Nzinga é  constituído de pessoas que se conhecem, se gostam, gostam do que fazem e, principalmente, gostam e acreditam em fazer juntos.

 

http://nzinga.org.br – Endereço do Nzinga: Rua Alto da Sereia, 2 – 3º andar – Rio Vermelho C Salvador – BA

RJ: Capoeira volta ao Valongo

Após mais de um século enterrado, cais onde escravos aportavam no Rio de Janeiro vira ponto de encontro de roda de capoeira com projeto de difusão cultural e ensino de História

Cultura africana, memória dos escravos, arqueologia e ensino de história. Tudo isso reunido em uma roda de capoeira em uma das áreas mais representativas para os negros da região Sudeste, o Cais do Valongo. Essa é a proposta do Grupo Kabula, que realiza neste sábado (17), às 10h30, sua quinta roda na zona portuária do Rio de Janeiro.

Partidários do estilo de capoeira Angola, os participantes promovem o trabalho desde junho, em parceria com outras rodas que já aconteciam no Centro da cidade. Carlo Alexandre Teixeira da Silva, mestre de capoeira e organizador do evento, explica o cunho educativo e cultural das rodas, que acontecem mensalmente: “A gente decidiu pensar a ocupação do espaço público, pensar o Rio e este momento desenvolvimentista que estamos vivendo”.

“A roda é importante para falar sobre a história da cidade, especialmente as descobertas arqueológicas”, diz, referindo-se aos diversos artefatos e sítios que vêm sendo encontrados na zona portuária por causa das obras para a Olimpíada de 2016. Um desses locais desenterrados é o próprio Cais do Valongo, onde aportavam os escravos que chegavam ao Brasil até o século XIX.

Outras rodas tradicionais do Centro do Rio que se uniram à do cais foram a da Cinelândia e a da feira do Lavradio. “Queremos transformá-la em um pontão cultural, que integre vários grupos de capoeira. Um pontão onde possamos continuar esse movimento, oferecer oficinas paralelas e trazer a consciência crítica sobre o que está acontecendo na cidade”, comenta o mestre. O grupo Kabula tem uma ONG sediada em Londres, onde promove o intercâmbio cultural, levando as nossas raízes africanas para a terra da rainha: durante o verão, algumas rodas movimentam a capital inglesa.

 

Roda que vem de longe

A capoeira Angola, jogada nas rodas do Valongo, guarda fortes conexões com as raízes africanas: tem foco maior na dança e na ludicidade em detrimento à luta. É possível notar que o movimento é peculiar, diferente do estilo mais popular, conhecido como ‘Regional’. “Mal comparando [os dois estilos], é como se fosse o samba do morro e o pagode. O do morro é mais tradicional, usa elementos mais próximos às raízes africanas, assim como a capoeira Angola. Ela tenta não utilizar recursos de outras tradições, não usa lutas marciais orientais”, explica Mestre Carlo Alexandre. Segundo ele, isso a torna mais próxima da prática dos escravos na época do surgimento da dança. “Muda a forma de cantar, de jogar. Todo o ritual é mais complexo. Há um equilíbrio da parte dançante, teatral, marcial, cultural. Ela não é só luta”, conclui.

Mas a capoeira Angola não recebe este nome por ser originária do país africano. Mestre em História Social pela USP e integrante do Grupo Capoeira Santista, Pedro Figueiredo da Cunha lembra que o estilo só ganhou este nome em meados do século XX. E no Brasil mesmo.

Em 1928, Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, decidiu adaptar a capoeira e focar mais na vertente marcial, anunciando a criação da Luta Regional Baiana. Assim surgiu o estilo. “Ele queria mostrar a eficiência da capoeira em relação a outras artes marciais que estavam ganhando fama no Brasil, como o jiu-jitsu”, lembra o pesquisador. Antes disso, segundo ele, não havia um ensino metódico. As lições passavam de mestre para discípulo e podiam variar. “Ele enxergou uma necessidade de melhorar a metodologia de ensino para valorizar a capoeira como luta”, afirma. Em resposta ao movimento de Mestre Bimba, Mestre Pastinha – Vicente Joaquim Ferreira Pastinha – institucionalizou a capoeira tradicional com o nome de ‘Angola’, em 1941. Ele também criou Centro Esportivo de Capoeira Angola, que hoje é uma referência para os seguidores do estilo.

Mas não é preciso se prender a um estilo para praticar a dança ou luta. “Assim como em cada região tem um sotaque diferente, a gente também percebe isso no corpo. Muitas pessoas, para tentar se encaixar em um estilo, acabam ignorando o seu ‘sotaque corporal’. O principal seria cada grupo valorizar as suas raízes e procurar desenvolver um trabalho bem fundamentado para não virar nem uma cópia malfeita de outro estilo nem uma deturpação do que é a capoeira”, aponta Figueiredo.

Se no passado o Cais do Valongo foi considerado um lugar de sofrimento para os negros que chegavam acorrentados para uma vida de penúria no Brasil, agora se torna um ambiente de confraternização e celebração da cultura africana.

O cais fica na Avenida Barão de Tefé, Centro. Se chover, o evento acontecerá sob o elevado da Perimetral, na esquina da avenida. O tema da roda que acontece neste sábado será “O batismo de africanos adultos no recôncavo do Rio de Janeiro”, com apresentação pela professora Denise Vieira Demétrio, pesquisadora do assunto e doutoranda em História pela UFF.

 

Serviço:
Onde: Cais do Valongo, Avenida Barão de Tefé, Centro. Rio de Janeiro
Horário: 10h30

 

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br

Livro: A Magia da Capoeira

O Capoeirista e Escritor Jean C. de Andrade apresenta seu segundo livro sobre uma luta Brasileira e eficáz,um pouco da história da capoeira, luta esta que se mistura com a cultura em meio a dança com golpes desequilibrantes e traumatizantes,criada pelos escravos no Brasil em meados do século XVII.

Estou na capoeira desde 1993, de lá para cá coleciono vários títulos e campeonatos,sendo também Árbitro da Federação Sul Mineira de Capoeira, também Campeão interno da Academia Santa Isabel e Vice Campeão Mineiro de Capoeira. Hoje sou  Professor, formado por Mestre Roque da Academia Santa Isabel de Bom Repouso MG. Mestre Roque é Formado de seu Irmão, Geraldo (Mestre Gêra) da Academia Santa Isabel de São Caetano do Sul SP.

Como um trabalho social dou aulas de capoeira para crianças na Escola Municipal de Estiva MG.

A capoeira juntamente com a natação é um excelente esporte físico, pois mexe com todo corpo,é um exercício físico e tanto, além de somar disciplina e  controle emocional.Salve Capoeira!!!! — Prof. Jean C. de Andrade-

Benefícios Da Capoeira

1Maior disposição para trabalho sexo e estudos.
2-Previne contra estresse.
3-Combate o excesso e a falta de peso.
4-Aumenta a força, reflexo, equilíbrio e agilidade.
5-Fortalece o sistema muscular, respiratório e cardio- vascular.
6-Contribui para regularização do sistema digestivo.
7-Oportuniza o domínio de eficazes técnicas de defesa.
8-Desenvolve sua sensibilidade artística.
9-Atua como terapia (o poder de concentração melhora o auto
(Controle emocional)
10-Depois da natação, a capoeira é o melhor esporte, pois mexe com todo o corpo.