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Mestre Cobra Mansa, Lázaro Farias & Documentário sobre Capoeira

Depois do sucesso do Mandinga em Manhattan (DOCTV*), Mestre Cobra Mansa e o cineasta Lázaro Farias** estão convidando todos os capoeiristas para "somarem e colaborarem" em um novo projeto denominado: "Roda do Mundo".
 
O projeto visa documentar a expansão da capoeira pelo mundo através de uma viagem por diversos países onde a capoeira está presente.
 
Um dos grandes trunfos deste documentário é a abordagem "multi-geração e desfragmentada" que o realizador pretende dar ao enredo deste projeto:
 
"Através do olhar de 3 gerações de capoeiristas , o documentário registrará a realidade da capoeira nesses lugares , a interação entre mestres e alunos das academias locais , que contarão como a capoeira chegou nessas cidade e como lá se estabeleceu, quem foram os pioneiros e qual é a situação da capoeira hoje, cada vez mais global. Mostrando assim a Mandinga, a malícia, o gingado e a luta de uma dança que se tornou símbolo de resistência."
 
Queremos louvar a atitude e a postura do realizador e de Mestre Cobra Mansa pela chamada pública, mais ao mesmo tempo levantar uma questão de grande relevância para manter o contexto e a seriedade desta proposta que visa fomentar a cooperação e a participação inter grupos/paises.
 
É fundamental manter a comunicação unilateral, incluindo nas pesquisas um verdadeiro sentido de inserção cultural, buscando através da enorme diversidade de elementos (grupos/mestres/trabalhos/países) abordar o maior número de possibilidades, para validar a verdadeira essência da "Chamada Pública" e criar um roteiro original e desprovido de "vaidades" e "verdades absolutas".
Abaixo segue convite de Mestre Cobra Mansa:
 
 
Lázaro FariasEstamos convidando a  todos os capoeiristas a participar de mais um documentário do grande diretor Lázaro Farias
Depois do sucesso do Mandinga em Manhattan estamos mais uma vez tentado fazer o nosso próximo documentário que se chamara a Roda do Mundo e  pretende documentar a expansão da capoeira pelo mundo através de uma viagem por mais de 20 países onde a capoeira se estabeleceu e conquistou a população local
 
Gostaríamos de manter  contato com pessoas de capoeira de vários estilos sem discriminação queremos envolver todos que desenvolvam  trabalhos em diferentes países, para que possamos desenvolver e mostrar todas as faces da capoeira.
 
 
As pessoas interessadas devem por favor entrar em contato com a nossa equipe de produção
 
Mestre Cobra Mansa
 

* O DOCTV é um programa pioneiro de fomento à parceria entre a TV pública e a produção independente desenvolvido pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, a TV Cultura e a Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais — ABEPEC. Criado em 2003, seu objetivo é promover a regionalização da produção de documentários, articular um circuito nacional de teledifusão através da Rede Pública de Televisão, e propor um modelo de negócio que viabilize mercados regionais para o documentário brasileiro.
 
 
** Lázaro Faria é um importante diretor, produtor e diretor de fotografia de cinema, vídeo e filmes publicitários, além de profundo conhecedor do espírito do povo baiano. Desde o início da sua carreira, dirigiu, produziu e fotografou mais de 1.000 comerciais em película para importantes clientes como: Telebrás, Correios e Telégrafos, Governo da Bahia e de Pernambuco, Fundação Roberto Marinho, dentre inúmeros outros clientes e já arrebatou muitos prêmios, como por exemplo: Prêmio Profissionais do Ano, da Rede Globo, em 1988, 1989 e 1990.

Porto Alegre: Projeto “Capoeira em Cartaz”


 

Mês

Proponente

Filme/DocumentárioLoca/Horário
28 – AbrilPaulo Antônio da CostaA Capoeira com instrumento de preservação ambiental e Mandinga em MahateanCECOPAM – rua Arroio Grande nº 50 – 9h
26 – MaioAna Lúcia Schutz SilvaFio da Navalha e Pastinha uma vida pela capoeiraPF Gastal /Usina do Gasômetro – 9h
30 – JunhoGustavo Lemos de AzevedoMandinga em MahateanPF Gastal /Usina do Gasômetro – 9h
28 – JulhoÁfricanamenteMestre Curió O Guardião da TradiçãoPF Gastal /Usina do Gasômetro – 9h
25 – AgostoOnílio Rodrigues da SilvaCapoeiragem na Bahia e Capoeira da Bahia Década de 80 – Narração em EspanholPF Gastal /Usina do Gasômetro – 9h
29 – setembroVitor Hugo NarcisoCapoeira Mercado Modelo da Bahia e Mandinga em MahateanCESMAPA – Lomba do Pinheiro – 9h rua Jaime Rollemberg de Lima nº 108 – Parada 4
27 – OutubroCelestino Jr dos Stos ConceiçãoLadia da Martinica e Dança de Guerra do Mestre BimbaAcademia Buffalo – Oscar Pereira nº 2336

 

Informações através do fone 3212-6373.                                                             

  Camilo de Lelis
  Coordenador da Descentralização

Maranhão, terra Mandinga

Mandinga (ou mandinka) refere-se a uma língua, uma região e um legado cultural. Hoje, vários dialetos Mandinga são falados por quase um milhão de pessoas na Guiné-Bisssau, no Senegal e na Gâmbia. A herança cultural remonta ao Império do Mali, um dos mais antigos grandes Estados no Ocidente Africano, que existiu entre aproximadamente 1200 e 1465……
Universidade de Essex, na Inglaterra
 
A etnicidade dos escravos africanos e de seus descendentes nas Américas é um tema amplo, complexo e polêmico. Amplo devido ao volume do tráfico negreiro (ao redor de 14 a 15 milhões, segundo os cálculos mais recentes) e à multiplicidade dos grupos étnicos deportados para as Américas. Complexo porque a etnicidade dos escravos e de seus descendentes crioulos, longe de constituir identidades imutáveis e fixas, foi submetida a processos constantes de re-elaboração dos dois lados do Atlântico. Assunto polêmico, finalmente, porque essas identidades constituem, até hoje, referências importantes na vida dos afro-descendentes e nas culturas do "Atlântico Negro".
 
A intenção deste artigo é tentar contribuir com o debate em torno das etnicidades afro-maranhenses, procurando resgatar a importância da cultura Mandinga, que, ao meu ver, foi até agora bastante desdenhada tanto por estudiosos quanto pela comunidade afro-maranhense. Inicio com alguns comentários introdutórios a respeito das "nações" e do tráfico negreiro para, em seguida, apresentar as primeiras evidências que demostram que o Maranhão é, talvez, mais do que qualquer outro estado brasileiro, uma terra Mandinga.
 
Mesmo constituindo consenso entre estudiosos, não é ainda bem divulgada entre o público mais amplo o fato que as "nações" africanas no Novo Mundo não derivaram necessariamente de "tribos" africanas de contornos bem definidos, mas, muitas vezes, das vicissitudes do tráfico, do interesse comercial dos negreiros e das necessidades dos cativos de reinventar uma identidade. As ‘nações’ podiam resultar, dessa maneira, do nome de uma entidade política (um reino), de uma língua comum a vários grupos étnicos ou simplesmente de um porto de embarque no litoral africano. A "nação" Angola, por exemplo, tem sua origem no porto e feitoria de Luanda, capital do reino de Angola, onde eram embarcados escravos procedentes das diferentes etnias e estados ao redor dessa colônia portuguesa. Como compartilhavam uma base cultural e lingüística comum, os Angolas, como os Cabinda e os Benguela, acabaram constituindo uma "nação" no Brasil. Mas trata-se de uma etnicidade nova, colonial.
 
Igualmente complicado e polissêmico é o significado do termo Mina. O termo deriva da feitoria e forte de El-Mina, no atual Ghana. Negros Minas eram todos os escravos embarcados nesse porto, independentemente de sua real origem étnica. Podia incluir negros oriundos de centenas de quilômetro mais ao Leste, do litoral da atual Nigéria e do Benin, como também de regiões situadas mais ao interior, incluindo a zona subsaariana do Sahel, residência dos fulas e peuls.
 
Não é de se estranhar, portanto, que estudiosos que trataram do assunto tenham incluído, debaixo do termo genérico Mina, grupos étnicos na circunferência do famigerado forte. Nina Rodrigues foi o primeiro a sugerir que muitos negros Mina fossem originários dos reinos Fanti e Ashanti, no atual Ghana, devido à sua proximidade geográfica.( Nina Rodrigues, Os africanos no Brasil, 5. ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1977, p. 147.) Nisso foi seguido por Artur Ramos, que dedicou uma seção aos ‘Fanti-Ashanti’ na sua discussão das culturas negras no Brasil, apesar de constatar que da cultura espiritual e material dos Fanti-Ashanti "nada ficou entre nós", com a exceção do termo Bosum.( Artur Ramos, As culturas negras no Novo Mundo, 4. ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1979, p. 209. )
 
Pesquisas mais recentes, no entanto, têm questionado essa asserção. Segundo Maria Inês Cortes de Oliveira, os portugueses, quando senhores de El-Mina, decidiram não vender negros desse litoral nem 10 milhas para o interior:
 
"Como posteriormente a Costa de Ouro passou sucessivamente para o controle dos holandeses e ingleses, a importação de cativos de origem Fanti e Ashanti ficou fora do raio de ação do tráfico português e brasileiro, que continuava a ser feito nos portos da Costa a Sotavento da Mina. Esses fatos mostram que, pelo menos desde o início do século XVII e durante o século XVIII, havia razões de sobra para que as populações da Costa do Ouro não fizessem parte dos contingentes africanos transferidos para o Brasil. O que podemos concluir é que o embarque de cativos dessa procedência, nos portos da Costa do Leste, se existiu, foi em tão pequena quantidade que nesse fato residiria a explicação dos pequenos vestígios que ficaram de sua passagem".( Oliveira, M. Inês Cortes de, "Quem eram os ‘negros da Guiné’? A origem dos africanos na Bahia". Afro-Ásia, no. 19-20, 37-74, 1997, aqui p. 62-63.)
 
Essa pequena revisão de dois autores clássicos dos estudos afro-brasileiros poderia não ter maiores conseqüências. Acontece, porém, que essa idéia sugerida por estudiosos, ou seja, de que numerosos escravos de procedência Fanti e Ashanti teriam desembarcado nas praias brasileiras e trazido com eles suas crenças e culturas, encantou líderes de comunidades religiosas influentes e passou a integrar um processo poderoso de reinvenção das tradições no Maranhão. Em São Luís, o terreiro Fanti-Ashanti, do Pai Euclides, é uma referência fundamental no universo do Tambor de Mina e do Candomblé do Maranhão, de maneira que podemos considerar Fanti-Ashanti uma "nação" afro-maranhense. Esse exemplo mostra como a cultura popular e a pesquisa acadêmica entretêm relações de influência mútuas, que vão além da simples dicotomia objeto de estudo – pesquisador.
 
Mas o que nos dizem as fontes históricas a respeito das etnias dos escravos maranhenses? Uma série de pesquisas monográficas, realizadas nas últimas décadas, contribuiu para um conhecimento mais preciso sobre o tráfico transatlântico de escravos.( Para uma síntese recente, ver Klein, Herbert S., The Transatlantic Slave Trade, Cambridge, Cambridge University Press, 1999. ) Esses estudos analisaram a organização do tráfico, as sociedades africanas, a viagem dos tumbeiros (o "middle passage") e o impacto do tráfico do lado americano. Tais estudos acabaram renovando a visão que tínhamos desse comércio. Mostram, por exemplo, que os traficantes europeus não eram todo-poderosos nas suas transações no litoral africano, mas tinham que negociar de maneira permanente com os reis e chefes africanos as condições do comércio e da aquisição de escravos. Estes não se contentavam com algumas bugigangas de pouco valor, mas exigiam produtos sofisticados como, por exemplo, armas, ferro produzido na Suécia ou tecidos da Índia.( Klein, Atlantic Slave Trade, p. 86-87; Thornton, John, Africa and Africans in the Making of the Atlantic World, 1400-1680, Cambridge, Cambridge University Press, 1992, p. 57-71.) Os europeus não estavam em condições de impor nem o sexo nem a idade dos cativos que adquiriram. Assim, a razão principal pela qual a maioria dos escravos deportados para as Américas era de sexo masculino reside não na procura do lado americano, como foi freqüentemente afirmado, mas na oferta do lado africano.
 
Infelizmente, o tráfico de escravos para o Maranhão não foi ainda objeto de maior atenção, com a exceção dos trabalhos de Manuel Dias e Antônio Carreira sobre o período da Companhia de Comércio.( Dias, Manuel Nunes, A Companhia Geral do Grão Pará e Maranhão, 1755-1778, Belém, Universidade Federal do Pará, 1970; Carreira, Antônio, As Companhias Pombalinas de Grão-Pará e Maranhão e Pernambuco e Paraíba. Porto, Editorial Presença, 1983. Ver também MacLachlan, Colin M., "African Slave Trade and Economic Development in Amazônia, 1700-1800", In: Toplin, R. B. (ed.), Slavery and Race Relations in Latin America. Westport, p. 112-145, 1974.) Destarte, apesar do Maranhão ser a quinta província escravista na época da Independência – depois da Bahia, Minas, Rio de Janeiro e Pernambuco -, onde residiam então 8,9 % de todos os escravos no Brasil, não foi realizado, ainda, nenhum estudo monográfico sobre o tráfico de escravos para essa região. Tampouco há estatísticas fidedignas para todo o período do tráfico.( É significativo a este respeito que a compilação recente de Eltis, David, et. al., The Transatlantic Slave Trade. A Database on CD-Rom (Cambridge University Press, 1999) não contém nenhum dado sobre o tráfico negreiro para o Maranhão do período 1779-1818.) Além dos referidos estudos sobre a Companhia, existem somente estatísticas contemporâneas para os anos 1812-1828, repetidas ad infinitum pelos historiadores subseqüentes. Juntando as estatísticas e estimativas disponíveis, cheguei ao número global de 114.000 africanos deportados para o Maranhão.( Ver Matthias Röhrig Assunção, Pflanzer, Sklaven und Kleinbauern in der brasilianischen Provinz Maranhão, 1800-1850, Frankfurt, Vervuert, 1993, pp. 78-80.) Como esses dados não levam em consideração o tráfico clandestino e o tráfico por terra vindo da Bahia, é possível que esse número tenha chegado a 140 mil.
 
Em relação às origens étnicas, as melhores informações são da época da Companhia de Comércio do Maranhão e Grão Pará, que gozava de um monopólio real de comércio não somente no Norte do Brasil, mas também nos rios da Guiné. Esse monopólio estava longe de ser absoluto, pois o título "Senhor de Guiné", que o rei português ostentava, não significava um domínio português de fato sobre a região.(Carreira, António, Os portugueses nos rios de Guiné, 1500-1900. Lisboa: Litografia Tejo, 1984, p. 61, 63. Ver também McLachlan, "African Slave Trade", p. 120.) A Companhia pagava um tributo no valor de um conto por ano aos soberanos de Cacheu e Bissau para que estes permitissem o funcionamento de feitorias na área.( Carreira, Os portuguêses, p. 30.)
 
Em Angola, pelo contrário, a Companhia era obrigada a competir com outros negreiros portugueses ou mesmo de outras nações. Miller estima que a Companhia não embarcou mais de 8.000 escravos angolanos durante o período inteiro de sua atividade nessa região, de 1756 a 1782.( Miller Joseph C., Way of Death. Merchant Capitalism and the Angolan Slave Trade, 1730-1830. London: J. Currey, 1988, p. 574.) Como resultado, a grande maioria dos escravos levados para o Maranhão nos porões dos navios da Companhia durante o período 1757-1777 provinham da Guiné: 44 % deles foram embarcados em Cacheu, 43% em Bissau, e apenas 12% em Angola.( Dias, Fomento, I, p. 468.) Nos anos subseqüentes ainda foi significativo o número de escravos vindos dos rios da Guiné para o Maranhão e Pará. Entre 1788 e 1801, ainda foram embarcados 17.691 escravos de Cacheu e Bissau para esses dois destinos.( Carreira, Os portuguêses, p. 37, 67.) Esses números referem-se aos escravos embarcados, não aos que chegaram vivos no Brasil. A mortalidade era significativa tanto nos barracões, onde os escravos esperavam seu embarque, na África, quanto na própria travessia. É provável que o número de escravos embarcados na Guiné tenha caído muito depois de 1815, devido à proibição inglesa de tráfico de escravos ao Norte do Equador, acatada por Portugal.
 
Várias conclusões provisórias podem ser tiradas desses dados tão incompletos. Primeiro, que a contribuição dos escravos da Guiné à população escrava do Maranhão deve ter sido importante. Esse tema tem sido pouco explorado, apesar da origem étnica aparecer em vários tipos de fontes, como inventários e livros de óbitos. Octávio da Costa Eduardo levantou informação a esse respeito em 100 inventários de São Luís e Codó, contendo informação sobre a origem de 1.011 escravos, agrupados por quatro regiões.( Eduardo, Octávio da Costa. The Negro in Northern Brazil. A Study in Acculturation. Seattle and London: University of Washington Press, 1966, p. 7. Do total de 457 escravos nascidos na África, 70 foram registrados apenas como africanos e não foram considerados nessas percentagens.) O grupo mais importante dos 387 africanos com procedência indicada provinha da região de Angola/Congo (48 %). O segundo grupo maior provinha dos rios de Guiné (36 %). Apenas 13 % eram originários da Baia do Benin (Mina, Nagô e Calabar). Os Moçambique e Camunda representavam os 3 % restantes. Quais eram as procedências específicas mais importantes? 30 % dos africanos foram registrados como Angola, 14 % como Mandinga, 11 % como Mina, 10 % como Cacheu e 7 % Bijagó.
 
Instrumentos Ancestrais de MandinkaEssa preponderância dos escravos Angola e a significativa presença dos Mandinga são confirmadas pelo livro de óbitos da freguesia do Itapecuru-mirim, uma das principais áreas de plantation. O livro cobre a primeira metade do século XIX e menciona uma quinzena de "nações" de escravos negros falecidos. Ao lado dos escravos Mina, Angola, Benguela, Congo e Cabinda, aparecem especificamente sete etnias da Guiné: Mandinga, Papel, Bijagó, Fula, Balanta, Cassange e Nalu. Os Mandinga são, de longe, os mais freqüentemente mencionados (20), junto com os escravos denominados Angola (21).( "Livro de Óbitos da Freguesia de Nossa Senhora das Dores do Itapecuru-mirim, 1807-1849", Arquivo da Arquidiocese, São Luís, Maranhão. Infelizmente um grande número de entradas não especifica a "nação" do falecido, contentando-se em assinalar que se tratava de um "preto" ou de uma "preta" escrava.)
 
Apesar da diminuição do tráfico proveniente da Guiné depois de 1810, os Mandinga continuaram a constituir um dos grupos étnicos mais significativos ao largo do século XIX. Numa partilha de bens de um fazendeiro de Guimarães, proprietário de 112 escravos, em 1844, os Angola constituem o grupo mais importante com 19, seguidos dos Mandinga, com sete escravos.( Ver a partilha amigável dos bens do Tenente Coronel Manoel Coelho de Souza, do 1.4.1844, in: Projeto Vida de Negro. Frechal, Terra de Preto. Quilombo reconhecido como reserva extrativista. São Luís: Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos, Centro de Cultura Negra do Maranhão, Associação de Moradores do Quilombo Frechal, 1996, p. 165-174.) Essas três fontes apontam para importância dos Mandinga, ao lado dos escravos Angola, na escravatura maranhense.
Mandinga (ou mandinka) refere-se a uma língua, uma região e um legado cultural. Hoje, vários dialetos Mandinga são falados por quase um milhão de pessoas na Guiné-Bisssau, no Senegal e na Gâmbia. A herança cultural remonta ao Império do Mali, um dos mais antigos grandes Estados no Ocidente Africano, que existiu entre aproximadamente 1200 e 1465. O Império do Mali controlava as rotas comerciais que atravessavam o Saara ocidental, negociando com ouro, cobre, escravos, sal e tecidos de algodão. Os seus soberanos, chamados "mansas", eram reputados por sua opulência e acabaram adotando o islã. O mais famoso, Mansa Musa, fez até uma peregrinação a Meca, em 1324, levando uma caravana de escravos e ouro. Os Mandinga são reputados por sua rica tradição musical e sobretudo por seus contadores de história e guardiões das tradições, os "griots". A contribuição desse grupo étnico e, mais geralmente, dos escravos provenientes dos rios da Guiné à cultura popular maranhense ainda não foi objeto de estudo, mas os dados apresentados aqui sugerem que deve ter sido muito mais importante do que geralmente se tem admitido. Seria importante levantar um léxico das palavras de origem africana usadas, ainda hoje, no Maranhão, para apurar a importância dos empréstimos de cada língua africana. Outra área onde existe um possível legado Mandinga é a culinária. O prato regional maranhense conhecido como arroz de cuxá é, provavelmente, de origem Mandinga, como sugeriu Antônio Carreira. Kutxá designa, nesse idioma, o quiabo-de-Angola ou vinagreira (Hibiscus sabdariffa, Lin.), cujas folhas verdes são usadas para um prato "de sabor acidulado, muito apreciado por quase todos os povos da Guiné".( Carreira, As Companhias Pombalinas, p. 103. Segundo Cascudo, Luís da Câmara, História da Alimentação no Brasil, Belo Horizonte, Itatiaia, 1983, II, p. 856 e 871, usavam-se duas variedades de quiabo no Brasil, ambos de origem africana: o hibiscus esculentus (chamado okra, na Nigéria, e quingombó, em Angola e algumas regiões da América) e o hibiscus sabdariffa, chamada vinagreira ou quiabo-de-Angola no Brasil. ) Isso contrasta com a etimologia dada pelo Aurélio, que deriva cuxá da língua Tupi, dos vocábulos ku (o que conserva) e xai (azedo). Atualmente, esse prato típico do Maranhão, ainda preparado à base de vinagreira, tornou-se o "carro chefe de sua opulenta cozinha".( Castro e Lima, Zelinda Machado de, Pecados da Gula, Comeres e beberes das gentes do Maranhão. Receitas, São Luís, Centro Brasileiro de Produção Cultural, 1998, p. 22.) Ou seja, o prato que veio a ser símbolo do Estado é possivelmente de origem Mandinga sem que essa procedência seja reconhecida. Por essa razão, me parece importante resgatar o Maranhão como terra Mandinga.
COMISSÃO MARANHENSE DE FOLCLORE – CMF
 
DIRETORIA:
Presidente: Sérgio Figueiredo Ferretti
Vice-presidente: Carlos Orlando de Lima
Secretária: Izaurina Maria de Azevedo Nunes
Tesoureira: Maria Michol Pinho de Carvalho
 
CORRESPONDÊNCIA:
CENTRO DE CULTURA POPULAR DOMINGOS VIEIRA FILHO
Rua do Giz (28 de Julho), 205/221 – Praia Grande.
CEP 65.075–680 – São Luís – Maranhão
Fone: (098) 231-1557 / 231 9361
As opiniões publicadas em artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, não comprometendo a CMF.
 
CONSELHO EDITORIAL:
Sérgio Figueiredo Ferretti
Carlos Orlando de Lima
Izaurina Maria de Azevedo Nunes
Maria Michol Pinho de Carvalho
Mundicarmo Maria Rocha Ferretti
Zelinda de Castro Lima
Roza Santos
EDIÇÃO:
Izaurina Maria de Azevedo Nunes
 
VERSÃO PARA A INTERNET:
Oscar Adelino Costa Neto
ENDEREÇO ELETRÔNICO:
E-MAIL:

Portal Capoeira e Capoeira-France juntos pela “capoeira iluminada”

O lancamento do filme Mestre Bimba a Capoeira Iluminada reuniu centenas de capoeiristas europeus em Lisboa e Porto no último fim de semana. Estiveram presentes mais de 700 capoeiristas e cerca de 40 profissionais da capoeira, reunidos em um encontro de amigos num ambiente iluminado que também destacou uma parceria : Portal Capoeira e Capoeira-france.com. A Capoeira-boutique.com (loja oficial da da Capoeira-France) quis participar dessa grande celebração voltada ao mestre Bimba e presenteiou os participantes do evento com camisetas da grife Cobracoral.
 
Um projeto Social:
 
A Capoeira-boutique.com (http://capoeira-boutique.com), é distribiudora oficial da marca Mestres (www.mestresbrasil.com), um projeto franco-brasileiro de comércio auto-sustentável que tem por meta a integração social de pessoas em risco social no Brasil, apoioando Ongs locais. 
 
Conteúdo dedicado aos capoeiristas francófonos:
 
O Capoeira-france.com (http://capoeira-france.com), oferece um conteúdo rico, multimídia, resgatando e ampliando e toda mandinga e raízes das artes afro-brasileira para um público francófono. Artigos, Fotos, Vídeos, Fórum dedicados aos capoeiristas da França…
 
Yê camará! Berimbau já chamou!

Nós do Portal Capoeira agradeçemos a parceria e o interesse em somar pela capoeira e desejamos a todos da família Capoeira-France.com muito sucesso para 2007 e que esta ação seja apenas o início de uma duradoura parceria.
 

Japão: Liga Japão de Capoeira

  • Informativo do Japão
     
    Foram Realizados as Primeiras Reuniões da Liga Japão de Capoeira 
Muito prazer meu nome e Renato Leão sou Prof. do Grupo Corrente Negra aqui no Japão e gostaria de informar no Brasil que ja tivemos duas reunioes estabelecidas uma no dia 02 /01/2006 na Região de Aichi Ken Nagoiya do qual foi estabelecida o Nascimento Da Liga Japão de Capoeira com Direcao de Paulo Rogerio Marques de Oliveira o Prof. Paulão do Grupo Mandinga e Vice Presidente o Prof. Renato Leão do Grupo Corrente Negra.
 
Estavam presentes na votacao os seguintes Dirigentes de Grupos : Mestre Vitor Do Grupo Wakonda, Contra Mestre Sílvio do Grupo Cais do Mar, Contra Mestre Moleza do Grupo Gaviões do Morro, Prof. Negao do Grupo Barauna, Prof. Alemao e Josef do Grupo Meninos da Bahia,rnProf. Eder e Felipe do Grupo Muzenza, Prof. Kenji do Grupo Garras de Ouro, Prof. Calunga do Grupo Guerreiros da Senzala, Prof. Trator do Grupo Marília Brasil,  Gilson, Panga entre outros presentes em seguida tivemos a segunda reunião que foi no dia 29 /01 /2006 na Região de Kansai e naquele presente momento foram discutidas pautas como:
 
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Mestre Cobra Mansa e o DVD Mandinga e Manhattan

Não tive a oportunidade de ver o documentário, mais amigos que assistiram elogiaram bastante.
Quem assim como eu não teve esta oportunidade, aproveite e entre em contato com o Mestre para adiquirir o DVD:  Mandinga e Manhattan
Luciano Milani

Mandinga e Manhattan conta como a capoeira rodou o mundo
 
Documentário premiado pelo Ministério da Cultura resgata a origem da capoeira a partir das vozes de seus mestres mais antigos.
Contemplado com o DOC TV, programa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura que financia filmes para exibição inédita em rede pública de televisão, o documentário Mandinga e Manhatan, produção baiana assinada pela X Filmes, deverá ser veiculado dia 20 de novembro em cadeia
nacional.
 
Com locações na Bahia, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Los Angeles, Michigan e Nova Iorque, o documentário traz depoimentos de diversos antropólogos e pesquisadores, além de mestres de capoeira responsáveis por divulgar mundialmente a capoeira, que hoje está em mais de 160 países de todos os continentes. O filme é dividido em três momentos: a história da capoeira, com relatos dos mestres antigos, entre eles João Grande e João Pequeno, este ainda residente no Brasil; o fluxo ou ida dos capoeiristas para o exterior; e o refluxo ou retorno dessa divulgação em termos de imagem
positiva para o Brasil.
 
A capoeira não só trouxe retorno financeiro ao Brasil, estimulando o turismo e virando uma espécie de grife, com produtos amplamente comercializados, mas ainda contribuiu para reverter a imagem do
Brasil de país violento e de prostituição, enfatiza o cineasta.
O filme conta como a capoeira se espalhou da Bahia para o mundo. O argumento do diretor é de que a capoeira não teria resistido a tanta repressão nem sobrevivido sem qualquer auxílio oficial em outros países – ou se instalado em Manhatan, em Nova Iorque, por exemplo, onde funciona a maior academia de
capoeira fora do Brasil, há 12 anos, dirigida pelo mestre João Grande – sem que seus mestres mais antigos tivessem usado muita mandinga, o ritual do candomblé feito aos orixá para proteção e abertura de caminhos. Era assim, segundo Lázaro Faria, que os capoeiristas lidavam com as adversidades. Ele
ainda considera admirável como a academia de João Grande é, no aspecto cultural, uma embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Lá João Grande é tratado como rei, teve o reconhecimento de diversas universidades americanas. Por isso, acho que os capoeiristas que chegaram ao exterior devem ter feito muita mandinga para dar continuidade a essa tradição, argumenta.
Muitos capoeiristas começaram a divulgar sua dança-luta em festivais internacionais, o mais conhecido deles, o Oba Open, responsável por levar para os Estados Unidos e a Europa, na década de 80, apresentações de grupos folclóricos brasileiros.
A capoeira ia junto e chamava mais a atenção, relembra mestre Cobra Mansa, também conhecido como mestre Cobrinha, neto de capoeira dos mestres João Pequeno e João Grande. Um dos  produtores e
consultor oficial do filme, mestre Cobrinha é da terceira geração de capoeiristas da Bahia, discípulo direto de mestre Morais, chegou a se graduar em Educação Física, no Brasil, e estudar Antropologia na
Universidade do Distrito de Colômbia, em Washington DC, nos Estados Unidos.
No documentário, mestre Cobrinha conta sua trajetória desde os tempos em que vivia pelos lados de cá até hoje, que roda o mundo diversas vezes por ano para divulgar a capoeira em palestras e workshops e cuidar das filiais da Fica, Fundação Internacional de Capoeira Angola, organização não-governamental que auxiliou a fundar, em 1996, com sede no Forte de Santo Antonio, em Salvador, e extensões nos Estados Unidos, França, Milão, Suécia, Londres, Alemanha, Finlândia e Tóquio.
 
Se voce  deseja comprar o DVD, ja esta a venda.
 
Por favor entre em contato Mestre Cobra mansa

 

Capoeira Angola: Encontro internacional reúne capoeiristas em Salvador

Nesta quarta-feira (04) acontece em Salvador o II Encontro Internacional de Capoeira Angola. O evento realizado pelo Grupo Semente do Jogo de Angola reunirá mestres e praticantes de Capoeira de diversos países com o objetivo de intercambiar idéias e aprofundar conhecimentos sobre a Capoeira Angola, gênero difundido pelo mestre Pastinha.
 
Estão sendo esperados visitantes de países como Canadá, Estados Unidos, Grécia, Alemanha, além de delegações de outros Estados do Brasil. Na oportunidade, serão realizadas oficinas de fabricação de instrumentos, palestras sobre cultura africana e ecologia, debates com renomados mestres da Capoeira Angola e ainda o lançamento do livro "Capoeiristas na cidade Bahia".
 
As atividades acontecerão no espaço Casa da Mandinga, no Garcia. A abertura será na Praça da Lapinha, Liberdade, e o encerramento na cidade de Cachoeira de São Félix, no Recôncavo.
 
A Capoeira Angola é uma das principais formas de resistência do povo negro no Brasil. Com o misto de dança e luta, era praticada pelos africanos escravizados, fazendo com que estes se preparassem para alguma rebelião ou conflito. Hoje a Capoeira Angola é conhecida em todo o mundo, despertando a curiosidade de brasileiros e estrangeiros.
 
PROGRAMAÇÃO
 
Dia 04
15h – Roda em frente à Igreja da Lapinha – Liberdade
 
Dia 05
16h30- Roda para os participantes na Casa da Mandinga, Rua José Alves Ferreira, n.º 165, Garcia.
 
Dia 06
17h- Palestra com Prof. Jorge Conceição – “Capoeira Angola e o resgate da ancestralidade ecológica”, na Casa da Mandinga, Garcia.
 
Dia 07
9h – Oficina de fabricação de Berimbau e Caxixi, na Casa da mandinga, Garcia.
17h – Roda aberta
 
19h30 – Coquetel, exposição de fotos e lançamento do Livro "Capoeiristas na cidade Bahia" de autoria do Contra Mestre Bel, na Casa da Mandinga, Garcia.
 
Dia 08
10h- Encerramento do Encontro com Roda na Praça principal de Cachoeira de São Félix, no Recôncavo baiano.
 
Mais informações pelo tel: (71) 3328-5756 / 8101-7320 (Fábio Mandinga) ou no site: