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Dia Nacional do Bumba Meu Boi

Lei institui o dia 30 de junho como o Dia Nacional do Bumba Meu Boi

Os praticantes e apreciadores da festa popular do Bumba Meu Boi têm agora mais um motivo para comemorar. O Governo Federal instituiu o dia 30 de junho como o Dia Nacional do Bumba Meu Boi  por meio da Lei nº 12.103 de 1º de dezembro de 2009 , publicada no dia 02 de dezembro de 2009, no Diário Oficial da União. A Lei foi criada tendo como base o Projeto de Lei nº 133/2009 da Câmara Legislativa, de autoria do deputado federal Carlos Brandão (PSDB/MA).

O projeto recebeu parecer favorável do Ministério da Cultura, que considera a festa do Bumba Meu Boi uma importante manifestação da cultura popular, uma das mais difundidas variações dos vários folguedos de boi existentes no país. O parecer técnico destaca os inúmeros grupos culturais,  e a enorme diversidade de estilos, ’sotaques’, sons e ritmos que constituem essa manifestação.

O Ministério da Cultura destaca ainda que a instituição de uma data comemorativa dessa relevante manifestação cultural certamente contribuirá para o reconhecimento e fortalecimento das culturas populares e da diversidade cultural brasileira, em congruência com as diretrizes da política cultural e com a Convenção da UNESCO sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. O Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão se encontra, atualmente, em processo de registro como patrimônio cultural imaterial brasileiro.

Folguedos de boi pelo Brasil

Os Folguedos de boi se difundiram pelo Brasil, com amplo leque de variações. Sua inserção no calendário festivo é variada. Conforme a região e a modalidade do boi, o folguedo insere-se no ciclo natalino, junino ou mesmo carnavalesco, composto de dança, drama e música desenvolvidos em torno do artefato que representa o boi. Na ampla variedade de suas encenações, o tema da morte e ressurreição do boi emerge seja diretamente, seja de forma alusiva. Em torno desse episódio dramático, agregam-se variados personagens. Há bois que não revivem e cujos corpos são simbolicamente partilhados, e há casos em que ele não morre, simplesmente ‘foge’, desaparecendo no fim da festa para retornar no ano seguinte.

Os festejos de Boi acontecem anualmente, em vários estados brasileiros e em cada um recebe um nome, ritmos, formas de apresentação, indumentárias, personagens, instrumentos, adereços e temas diferentes. Dessa forma, enquanto no Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas e Piauí é chamado Bumba Meu Boi, no Pará e Amazonas é Boi Bumbá ou Pavulagem; no Pernambuco é Boi Calemba ou Bumbá; no Ceará é Boi de Reis, Boi Surubim e Boi Zumbi; na Bahia é Boi Janeiro, Boi Estrela do Mar, Dromedário e Mulinha de Ouro; no Paraná e em Santa Catarina, é Boi de Mourão ou Boi de Mamão; em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Cabo Frio e Macaé é Bumba ou Folguedo do Boi; no Espírito Santo é Boi de Reis; no Rio Grande do Sul é Bumba, Boizinho, ou Boi Mamão; e em São Paulo é Boi de Jacá e Dança do Boi.

O folguedo do Bumba Meu Boi acontece no Maranhão e em outras localidades nordestinas. No Maranhão, onde o folguedo permanece excepcionalmente amplo e vivaz, os numerosos e diferentes grupos distinguem-se por um conjunto de características que configuram “sotaques” próprios, segundo a denominação nativa. Reconhecem-se na atualidade, entre outros, os “sotaques” de zabumba, matraca, orquestra, pindaré, e costa de mão. Muitos grupos realizam apresentações ao longo de todo o ano, e a apresentação tradicional junina está inserida na vida de inúmeras comunidades e também no calendário turístico oficial do Maranhão.

Mais informações sobre os festejos de boi no Maranhão e no Brasil podem ser obtidas pelo link:

Tesauro do Folclore  e da Cultura Popular: www.cnfcp.gov.br/tesauro/00002040.htm

Boletins da Comissão Maranhense de Folclore: cmfolclore.sites.uol.com.br/

Foto: Boi Bumbá fé em Deus – Maranhão

(Heli Espíndola – Comunicação/SID)

 

Comunicação SID/MinC

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CAPOEIRA: PRECONCEITO EM ALTA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

É com muita tristeza que informamos à comunidade universitária e à sociedade baiana e brasileira que o preconceito está em alta na Universidade Federal da Bahia. Não bastassem as infelizes declarações do professor Antonio Dantas (ex) coordenador da Faculdade de Medicina, com grande repercussão na mídia (ver reportagem publicada no Portal Capoeira) há cerca de um ano atrás, onde cita a execução do toque do berimbau como referência para dizer que o baiano tem pouca capacidade mental, temos agora outra manifestação eminente desse preconceito. Vamos aos fatos.

Desde que foi implantada na UFBA, em 2000, a Atividade Curricular em Comunidade (ou simplesmente ACC como é conhecida no ambiente universitário) tem sido uma experiência muito importante no que diz respeito a uma maior aproximação entre Universidade e Comunidade. Uma dessas ACCs – Ensino e Pesquisa na Roda de Capoeira – desenvolvida a partir da Faculdade de Educação da UFBA, foi uma das primeiras a serem implantadas no currículo e vem envolvendo estudantes de vários cursos em atividades sócio-educativas direcionadas às comunidades de capoeira, atuando em Salvador e Região Metropolitana, abrindo o espaço da universidade para estas comunidades, dando voz e visibilidade aos seus líderes e seus participantes (crianças, adolescentes e adultos) a partir de muitas atividades.

No entanto, a ACC EDC464 – Ensino e Pesquisa na Roda de Capoeira sofre, já há alguns semestres, o que poderíamos chamar de “pouco prestígio” junto a Pró-Reitoria de Extensão, órgão responsável pelas ACCs. Já não vinha recebendo o apoio financeiro a que todas as ACCs têm direito, o que  já tornava a tarefa de continuar um fardo pesado para alunos e professores comprometidos com essas ações e que apelaram freqüentemente ao próprio bolso para manter as atividades em funcionamento.

Temos durante esse tempo todo, tentado dialogar com representantes dessa Pró-Reitoria no sentido de sensibilizá-los sobre a necessidade e a importância da continuidade das ações dessa ACC, sobretudo em função dos compromissos estabelecidos com essas comunidades, que finalmente começam a enxergar a Universidade como uma parceira importante em sua luta por dignidade humana.

Fomos, então, surpreendidos nesse atual semestre com a notícia veiculada pela Pró-Reitoria de Extensão, de que a ACC Ensino e Pesquisa na Roda de Capoeira não seria mais oferecida. Depois de muito tentarmos, sequer uma explicação plausível nos foi dada para justificar tal atitude. Será que os saberes tratados pela capoeira não seriam nobres o suficiente, para justificar sua presença no currículo oficial da UFBA ???

Diante do exposto, viemos a público manifestar nossa INDIGNAÇÃO pela forma arbitrária com que essa decisão foi tomada, sem sequer possibilitar um diálogo e uma argumentação de nossa parte, que pudesse alterar tal decisão, o que nos faz acreditar que tal atitude trata-se de PRECONCEITO contra uma manifestação como a CAPOEIRA, que durante séculos foi perseguida e reprimida pelo poder, tida como coisa de “vadios” e “desordeiros”, e que apesar de hoje, ser considerada Patrimônio da Cultura Brasileira pelo IPHAN, e ser praticada em mais de 150 países no mundo inteiro, ainda sofre esse tipo de discriminação, e pior, justamente na Bahia, local de maior prestígio dessa manifestação em todo o mundo.

Reiteramos a relevância desta ACC na formação de estudantes de diversas áreas, o que confirma seu caráter aberto a todas as áreas do conhecimento. Destacamos a importância desta manifestação cultural não só para a formação humana de seus estudiosos na Universidade Federal da Bahia, mas também para a formação científica dos estudantes e professores desta instituição. A ACC 464 foi (e é) base para estudos monográficos, dissertações de mestrados, além de trabalhos apresentados em eventos como a SBPC em Campinas, o Seminário Interno de Pesquisa da UFBA em Salvador e em eventos internacionais, como o de Cuba – Pedagogia 2009.

A ACC busca aproximar o saber popular e acadêmico de forma democrática, sensível, auxiliando na superação de uma lógica retrógada que permeou por muito tempo os ambientes universitários e que, agora, cabe cada vez menos em um país que declara ser a diversidade cultural um dos seus grandes diferenciais. Para sermos diversos culturalmente, é preciso respeito com toda forma de cultura. Não é o que esta universidade mostra agindo desta forma em relação a essa já histórica e resistente ACC.

Em virtude do silêncio da Pró-Reitoria de Extensão sobre a justificativa da exclusão da ACC, consideramos que os canais de diálogo foram esgotados, e por isso apelamos a essa nota pública, no intuito de denunciar essa atitude discriminatória e preconceituosa, certos de que a comunidade acadêmica e a sociedade baiana se manifestarão a respeito.

 Salvador, 30 de março de 2009

 

Professores responsáveis atuais pela ACC 464: Ensino e Pesquisa na Roda de Capoeira (Faculdade de Educação):

Pedro Abib

Maria Cecília de Paula Silva

Antigos professores participantes:

José Luis Cirqueira Falcão (professor da UFSC, colaborador na criação da ACC 464 e sua inclusão no currículo da UFBA EM 2000)

Participantes:

Benício Boida de Andrade Júnior, estudante de filosofia (participante desde 2007.1)

Eduardo Evangelista Costa Bomfim, estudante de ciências sociais (participante desde 2006.2)

Fernando Lemos, estudante de arquitetura (participante desde 2006.2)

Franciane Simplício Figueiredo, mestre em educação (participante desde 2006.1)

Luciano Ferreira Guimarães, contramestre de capoeira (participante informal desde 2005.2)

José Luis Oliveira Cruz , mestre Bola Sete, mestre de capoeira (participante informal desde 2006.1)

Maria Luisa Bastos Pimenta Neves, estudante de pedagogia (participante desde 2004.1)

Priscila Lemos Menezes, estudante de letras vernáculas com uma língua estrangeira, (participante desde 2008.2)

Renato Silva Santos, estudante de educação física (participante desde 2007.2)

Sante Braga Dias Scaldaferri, mestre em educação (participante desde 2006.1)

Sergio Fachinetti, mestre Cafuné, mestre de capoeira (participante informal desde 2006.2).

Roda de Capoeira e Ofício dos Mestres de Capoeira

Roda de Capoeira poderá ser reconhecida como Patrimônio Cultural brasileiro
A prática e o conhecimento da manifestação devem ser reconhecidos como Patrimônio Cultural brasileiro

A Capoeira, arte que já sofreu intensa perseguição no Brasil, é a próxima manifestação candidata a Patrimônio Cultural brasileiro. O pedido de registro será apreciado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na reunião do dia 15 de julho, no Palácio Rio Branco, em Salvador.

A proposta prevê o registro da Roda de Capoeira, caracterizada como elemento estruturador e fundamental dessa manifestação, no Livro das Formas de Expressão. O processo de registro inclui, também, a inscrição do Ofício dos Mestres de Capoeira no Livro de Saberes.

Responsáveis pela divulgação desta atividade em mais de 150 países, os mestres terão, provavelmente, sua habilidade de ensino reconhecida. Cerca de 20 grupos baianos de Capoeira, juntamente com outros do Rio de Janeiro e do Recife, estarão em frente ao Palácio, se apresentando e aguardando o resultado da reunião.

Às 19h30, no Teatro Castro Alves, será aberta a exposição Na Roda da Capoeira, produzida a partir do inventário de referência cultural, realizado entre 2006 e 2007, para o registro da manifestação como Bem Cultural de Natureza Imaterial. Pinturas, esculturas em barro, instrumentos musicais, xilogravuras e folhetos de cordel compõem a mostra, que retrata o universo da Capoeira.

Em seguida, no mesmo local, haverá um grande evento em homenagem à Capoeira, oferecido pelo Ministério da Cultura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Fundação Cultural Palmares e pelo Governo do Estado da Bahia. Já estão confirmadas as apresentações de Roberto Mendes e Marienne de Castro, baianos do Recôncavo, dos percussionistas Naná Vasconcelos, Wilson Café e Ramiro Musotto, além do mestre capoeirista Lourimbau.

Programação

15h – Palácio Rio Branco – Praça Tomé de Sousa, s/ nº, Centro

* Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan/MinC, no Salão dos Espelhos
* Apresentação de grupos de Capoeira, em frente ao Palácio Rio Branco

19h30 – Teatro Castro Alves – Praça 2 de Julho, s/ nº, Campo Grande

* Abertura da exposição Na Roda da Capoeira
* Apresentações de Roberto Mendes, Naná Vasconcelos, Wilson Café, Ramiro Musotto e Mestre Lourimbau, no Teatro Castro Alves

Informações à Imprensa

Assessoria de Comunicação do Iphan: (61) 3326-8014/6864 e ascom@iphan.gov.br, com Helena Brandi ou Carine Almeida.

Assessoria de Comunicação do MinC: (61) 3316-2240/2205 e redacao@minc.gov.br, com Márcio Bueno ou Carol Lobo.

* Publicado por Comunicação Social/MinC – http://www.cultura.gov.br/site/2008/07/10/aviso-de-pauta-32/

A Esportivização da Cultura Capoeirana: Dilemas e Desafios das Políticas Públicas para o Setor

Introdução

Atualmente, há um debate polêmico com contornos indefinidos no meio capoeirano que se remete ao campo em que essa manifestação deve se situar: no campo do esporte ou no da cultura? O fato é que, paulatinamente, vem acontecendo um processo de esportivização da capoeira no Brasil e sua intensificação deu-se a partir da década de 1970, por ocasião da vinculação dessa manifestação da cultura afro-brasileira à Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP). Esse tratamento esportivo a ela dispensado foi, ao longo dos tempos, incrementado por competições, festivais, torneios etc, fomentados por algumas ações institucionais, como, por exemplo, os campeonatos organizados pela CBP, pela Confederação Brasileira de Capoeira (CBC)[1] e pelos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s)[2].

Entre os que debatem o fenômeno da esportivização no interior das práticas corporais em geral podemos encontrar vários autores que fundamentam suas críticas sob o argumento de que as manifestações da “cultura corporal de movimento” , ao serem esportivizadas, passam a ser tratadas de forma unidimensional e fragmentada, à medida que aspectos constitutivos relevantes inerentes às mesmas, como historicidade, determinantes sócio-políticos, subjetividade, exercício do lúdico, são subestimados em detrimentos de outros que caracterizam a lógica esportiva, como competição, racionalização, regramento, rendimento etc. No Brasil, podemos citar, entre outros autores: Bracht (1987, 1992 e 1997), Bruhns (1993), Castellani Filho (1988), Kunz (1991, 1994 e 1996) e Oliveira (1994).

A inclusão da capoeira no rol das práticas esportivas representa uma situação inusitada. Trata-se de uma manifestação oriunda das camadas subalternas, dos negros-escravos, que durante muitos anos foi condenada e proibida pelo poder constituído. Segundo Rego (1968), "o capoeira desde o seu aparecimento foi considerado um marginal, um delinqüente, em que a sociedade deveria vigiá-lo e as leis penais enquadrá-lo e puni-lo" (p. 291).

Ao adentrar o mundo esportivo, a capoeira passa a incorporar códigos e valores diferentes daqueles que a moldavam por ocasião de seu surgimento. Ela pode estar sendo recodificada, regrada e normatizada, negando, possivelmente, alguns dos seus elementos essenciais, como a o exercício do lúdico e espontaneidade.

Este artigo tem por objetivo analisar criticamente o processo histórico[3] de esportivização da capoeira a partir de suas relações com as instituições, os códigos e as legislações que regem o esporte nacional.

As considerações aqui apontadas podem servir como subsídios para a adoção de políticas públicas para o setor. A preocupação aqui não é identificar os indícios embrionários ou explícitos de conservação ou contestação dos valores impregnados no contexto da capoeira, sejam eles advindos da lógica esportiva ou cultural, nem tampouco defender o que é certo ou errado, mas tentar evidenciar a trama que se processa no interior dessa manifestação, a partir de arranjos e rearranjos traçados pelos sujeitos e instituições que com ela se envolvem.

 
Crítica Social ao Fenômeno da Esportivização

Cumpre aqui explicitar que o esporte é um dos mais expressivos fenômenos do mundo contemporâneo. Na esteira do capitalismo, expandiu-se a partir da Europa para todo o mundo e se transformou em expressão hegemônica no campo da cultura corporal de movimento.

Numa visão menos elaborada, esporte significa qualquer forma de exercitação física (jogos, lutas, danças e ginástica) cujo objetivo, para muitos, está associado a uma compensação do desgaste sofrido em decorrência do trabalho; ou então, a uma forma de canalizar o comportamento agressivo, ou ainda, a uma forma de satisfazer a necessidade de pertencimento a um coletivo. No sentido de entender melhor esse fenômeno, convém destacar que o esporte, tal como conhecemos nos dias de hoje, é resultado de um complexo processo de modificação de elementos da cultura corporal de movimento, que teve origem na Inglaterra, no século XVIII, a partir das transformações dos jogos populares pela nobreza inglesa, em decorrência da industrialização e da urbanização, que levaram a novos padrões de vida, com os quais aqueles jogos eram incompatíveis (DUNNING, citado por BRACHT, 1997, p. 10).

As características básicas que caracterizam o que poderíamos chamar de planeta esporte podem ser resumidas em: competição, rendimento físico-técnico, recorde, racionalização e cientifização do treinamento. É importante observar que tais características estão intimamente sintonizadas com os princípios que regem a sociedade capitalista.

Valter Bracht (1997) reconhece que o fenômeno esportivo é multifacetado, no entanto, identifica a supremacia de duas vertentes no seu interior: a) esporte de alto rendimento ou espetáculo e b) esporte como atividade de lazer. O esporte como atividade de lazer deriva do esporte de alto rendimento ou de espetáculo, mas também se apresenta de forma diferenciada em relação ao sentido interno de suas ações.

No bojo desse hegemônico fenômeno da cultura corporal de movimento, algumas críticas são levantadas, principalmente no contexto acadêmico, no que diz respeito aos seus valores humanos e sociais. Os fundamentos dessas críticas foram sistematizados por Bracht (1997) e estão consubstanciados, principalmente, nos pressupostos da teoria marxista ortodoxa, que analisa o esporte como elemento de reprodução da força de trabalho, nos da teoria crítica da Escola de Frankfurt, nos da teoria do “corpo disciplinado” de Michel Foucault e nos da teoria sociológica de Pierre Bourdieu.

É interessante destacar que tais críticas, mesmo que esporádicas e assistemáticas, remontam o início do século XX. Algumas delas estiveram associadas a movimentos sociais bem definidos, como, por exemplo, o movimento ginástico e esportivo organizado a partir de 1913 pelos trabalhadores da Bélgica, da Tchecoeslováquia, da França, da Inglaterra e da Alemanha, a partir de uma “Internacional Esportiva”. Os eventos esportivos e as olimpíadas dos trabalhadores aconteciam sem o uso do cronômetro, de fitas métricas e tabelas de resultados, exploravam exercícios lúdicos, as atividades coletivas e cultuavam gestos simbólicos de solidariedade. Este movimento realizou três grandes olimpíadas de trabalhadores e produziu grande quantidade de documentos que expressavam várias críticas ao chamada esporte “burguês”.

As críticas elaboradas a partir dos pressupostos de orientação frankfurteana (Teoria Crítica) tinham como referência básica o neo-marxismo expresso nas obras de Hebert Marcuse, Theodor Adorno, Max Horkheimer e Jürgen Habermas. Bracht (1997, p. 26 e 27), apoiado em Salamun, sumariza duas teses da Escola de Frankfurt que transpareceram na crítica ao esporte de forma mais pronunciada: a) a tese da coisificação ou alienação, segundo a qual nas sociedades industrializadas e no mundo do trabalho, a sociedade e os homens não são aquilo, que em função de suas possibilidades e sua natureza, poderiam ser. Neste caso, as relações se efetivam a partir de uma razão instrumental ou racionalizada, coisificando-as; b) a tese da repressão e manipulação, na qual a sociedade moderna altamente tecnologizada, industrializada e desenvolvida, representa um sistema de repressão, dominação e manipulação.

A partir dessa leitura, é possível afirmar que o esporte assume a função de estabilizador do sistema social como um todo, e pelo fascínio que exerce, muito bem monitorado pela mídia eletrônica, atua como um desvio da atenção das coisas que realmente garantem uma vida digna e como um atenuador das tensões sociais. Enfim, um elixir compensatório para amenizar as insuportáveis condições materiais em que vive a maior parte da população. “Assim, diluem-se as energias necessárias para uma transformação das condições societárias, que são assim inibidas e não acontecem. Todo gol comemorado no esporte é, na verdade, um gol contra a classe trabalhadora” (BRACHT, 1997, p.28).

Um outro aspecto destacado por Bracht (1997), refere-se à função ideológica do postulado da igualdade de chances no esporte. “A igualdade formal de chances no esporte pressupõe uma correspondente forma de sociedade. Tal idéia nega a fundamental desigualdade de chances inerente à sociedade capitalista e eleva o princípio esportivo da igualdade de chances a um princípio geral da sociedade” (p. 29).

As críticas ao esporte com base nos pressupostos do pensamento de Michel Foucault apontam que o mesmo promove disciplinação e controle do corpo através do treinamento e da manipulação, tornando-o uma peça da sociedade. Enquanto Adorno percebia o controle dos corpos através da manipulação psíquica, via meios de comunicação de massa, Foucault percebia tal integração sendo concretizada através de procedimentos disciplinares de corpos, levados a efeito por instituições como a escola, a fábrica, a prisão etc. Nesse raciocínio, o esporte moderno pode ser interpretado como disciplinador do corpo. Por intermédio do poder que circula e atua em cadeia em todas as instâncias sociais, o corpo é disciplinado não só no sentido “negativo” da repressão, mas também, no sentido “positivo” da manipulação/estimulação. A partir dessa ótica, o corpo já não tem linguagem própria, ele não se exercita, é exercitado, não é senhor de si, mas escravo de várias agências, como os clubes, os esportes, as torcidas, os quartéis etc., que os transforma em algo regulado, condicionado, fechado às experiências sensíveis.

As críticas ao esporte com base nos pressupostos da teoria da educação (socialização) de Bourdieu partem do princípio de que o consumo e prática do esporte contribuem para a reprodução das diferenças de classe. Segundo ele, o esporte traz consigo a marca de suas origens: além da ideologia aristocrática que aparentemente o propaga como atividade desinteressada e gratuita, perpetuada pelos rituais de celebração, “contribui para mascarar a verdade que realmente interessa, tanto nos dias de hoje quanto em sua origem (…)” (BOURDIEU, 1983, p.143).

Essas críticas endereçadas ao esporte em geral e ao de rendimento, de forma mais contundente, parecem não abalar a trajetória desse fenômeno. O esporte tornou-se unanimidade mundial, conquistou poder e é capaz de criar eventos que seduzem a maior parte da população do planeta, como a Copa do Mundo as Olimpíadas, por exemplo. Juntamente com a mídia, divulga padrões de comportamento de alto poder de contágio. Provoca histerias coletivas e, no caso do futebol, no Brasil, é capaz de desencadear comoção nacional e fazer com que todos (ou quase todos) seus habitantes se orgulhem de serem brasileiros, apesar das gritantes diferenças de classes sociais. Mas, por mais contundentes que sejam as críticas, por mais que tantos já tenham desaconselhado a sua prática, Kunz (1994, p. 44) destaca que “ninguém conseguiu abalar ou ameaçar, este tipo de esporte, mais do que ele próprio, nos últimos tempos” . E apresenta dois problemas muito sérios no mundo inteiro que podem levar à sua autodestruição: “o treinamento especializado precoce e o uso do doping” (p. 45).

As Propostas de Esportivização da Capoeira

O autor pioneiro a defender a capoeira como esporte foi Mello Morais (1893/1979) que na década de 1890 já sinalizava com a possibilidade da capoeira se transformar em “esporte nacional”. Como integrante das elites brancas da virada do século XIX, Mello Morais se utiliza de alguns argumentos realçados de positividade: a capoeira era esporte, era mestiça e era nacional. Para justificar seus postulados inverte praticamente todos os elementos dessa manifestação, construindo um “passado glorioso” para a mesma e destituindo o que ela tinha de “mal e bárbaro”. Com isso dá os primeiros passos no lento processo de transformação desse símbolo étnico em esporte.

Em 1928, o escritor Coelho Neto publicou o artigo “Nosso Jogo”, no qual apresenta uma proposta pedagógica de inclusão da capoeira nas escolas civis e militares, chamando a atenção para a excelência da capoeira como ginástica e estratégia de defesa individual. No mesmo ano, Aníbal Burlamaqui publica o livro: Ginástica Nacional (Capoeiragem) Metodizada e Regrada, onde apresenta regras para o jogo esportivo da capoeira (REIS, 1997).

Em 23 de julho de 1953, em Salvador, Mestre Bimba, o criador da Capoeira Regional[4], fez uma exibição com os seus alunos para Getúlio Vargas, no Palácio da Aclamação, ocasião em que ouviu do então Presidente da República: “a capoeira é o único esporte verdadeiramente nacional” (ALMEIDA, 1994, p. 44).

Outros autores apresentaram estudos sugerindo a transformação da capoeira em esporte institucionalizado. Entre eles, destaca-se o professor Inezil Penna Marinho[5]. Atualmente percebe-se que o movimento rumo ao processo de esportivização da capoeira tem adquirido mais vigor. Sob o discurso da necessidade de se organizar melhor para produzir mais, boa parte dos capoeiristas está adotando a lógica do sistema esportivo. Atualmente já são mais de vinte federações estaduais vinculadas a CBC.

Essa forma de organização da capoeira pelo víeis esportivo tem encontrado muitas resistências, tem sido alvo de ácidas críticas e tem servido mais para atender interesses pessoais e/ou corporativos do que para organizá-la efetivamente.

É importante reafirmar que a ação institucional que fomentou a vinculação da capoeira ao contexto esportivo foi o seu reconhecimento como modalidade esportiva pela Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP), em 1º de Janeiro de 1973. Tal reconhecimento, e conseqüente regulamentação, não encontrou ressonância por parte de expressivo número de líderes da capoeira nacional. O que pode ser observado é que o vínculo com a CBP pouco contribuiu para o crescimento e organização da capoeira em geral. Com a criação da CBC, em 1992, fica explícita a adoção de uma política esportiva para esta manifestação. A clara intenção de padronização, normatização e unificação de procedimentos dão a tônica do discurso para evitar, segundo seu primeiro presidente, “que curiosos e aventureiros a tornem uma grande confusão internacional e venha a desaparecer por completo” (CONFEDERAÇÃO RESPONDE, 1997, p. 4).

O fato é que isso não ocorreu e a capoeira ganhou o mundo nos últimos anos e esse fenômeno não ocorreu sob a égide do esporte, mas fundamentalmente, como símbolo da cultura brasileira.

A inclusão da capoeira nos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s) a partir de 1985 foi também um dos grandes motivos que contribuiu para o fomento da esportivização da capoeira. A capoeira então se projeta ao fazer parte da mais representativa festa dos esportes estudantis no Brasil.

As tentativas de se organizar e normatizar a capoeira vêm contribuindo para a sua evidência no cenário esportivo brasileiro. Entretanto, muitas dessas tentativas esbarram, na maioria das vezes, em diversos impasses e conflitos de lideranças ávidas em verem seus projetos pessoais serem contemplados pelas políticas públicas de fomento ao esporte.

O que se questiona em relação a essas tentativas de padronização da capoeira dentro dos contornos do esporte de rendimento, é se elas não estariam negando a pluraridade dessa manifestação cultural, bem como os seus valores sócio-históricos e culturais arquivados em seus rituais cantos e gestos. Com uma boa dose de irreverência e fértil imaginação, os capoeiristas que discordam dessas estratégias vem chamando essa capoeira padronizada de “capoeira shopping center”.

Considerações Finais

Á luz do que foi apresentado, procuraremos apontar alguns dilemas que permeiam as políticas públicas para o setor.

O fato é que a capoeira ainda carece de uma consistente política pública que dinamize o seu potencial formador tanto no campo esportivo como no campo cultural. As iniciativas levadas a cabo pelo poder público ainda são rarefeitas e pontuais como, por exemplo, o programa “Ponto de Cultura” , encampado pela Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura (SPPC/MinC), lançado em março de 2005, com aporte de R$ 1 milhão e 850 mil, para a implementação de dez “pontos de cultura” para a capoeira na cidade de Salvador.

No discurso proferido para representantes das Nações Unidas, em Genebra, no dia 19 de Agosto de 2004, o Ministro da Cultura do Brasil proclamou que “não foi fácil para a capoeira colocar o pé no mundo” e transformar-se numa arte planetária. “Muitas foram as adversidades enfrentadas ao longo da história: preconceitos sociais e raciais, perseguições policiais e rejeição das elites”. Na ocasião, anunciou que o governo brasileiro estava disposto a fazer uma reparação histórica em relação a esta manifestação dos africanos escravizados no Brasil e, naquela tribuna européia, diante de diplomatas do mundo inteiro, promoveu o lançamento das bases de um futuro Programa Brasileiro para a Capoeira.

Torna-se necessário, nesse momento, retomar o sentido político original da capoeira, ou seja, os motivos subjacentes e as circunstâncias em que ela foi criada. Produção cultural dos negros à época da escravidão, serviu como estratégia corporal de libertação e pautou-se pela contestação às regras de dominação social.

Assim, ao contrário do esporte, cuja mensagem principal está centrada nos princípios básicos da sobrepujança e das comparações objetivas, que têm como conseqüência imediata o selecionamento, a especialização e a instrumentalização (KUNZ, 1991), a mensagem da capoeira embutida em seus gestos, rituais e cânticos sugere indeterminação, ruptura e ambigüidade, onde a arte e a mandinga, ao refletirem uma interioridade, uma visão própria de mundo, incompatibilizam a padronização e o regramento.

Para Bracht (1997, p. 70) o esporte é:

uma atividade com um conjunto de regras de fácil compreensão, ao contrário por exemplo, das regras do jogo político que são complexas e muitas vezes não transparentes. O resultado de uma competição é anunciado imediatamente após o seu encerramento e não deixa dúvidas (…). A simplicidade de sua linguagem, faz possível que um jogo de futebol seja entendido e apreciado tanto aqui no Brasil, quanto na China, por exemplo.

A visão de que para termos bons capoeiristas teríamos que ter campeões soa como uma hipocrisia. Obviamente, não estamos aqui defendendo a total ausência de rendimento. Isso é impossível, mas sugerindo, como propõe Kunz (1996), um “rendimento como algo necessário mas não obrigatório” (p. 101). Nesse sentido, estamos de acordo com Valter Bracht quando destaca:

A idéia defendida e disseminada (e falsa) é a de que para motivar e termos uma população ativa esportiva e fisicamente precisamos de heróis esportivos que atuariam como exemplos, análoga à idéia de que para construirmos bons carros de passeio precisamos desenvolver carros de formula l.(BRACHT, 1997, p. 83)

A ambigüidade parece ser um componente intrínseco da capoeira, quando vista sob a lógica da cultura popular. Numa análise aligeirada ela pode denotar indeterminação, incerteza, dúvida, mas isso não é uma falha, defeito ou carência de um sentido, como destaca Chaui (1989). Trata-se de uma propriedade que contém ao mesmo tempo várias dimensões simultâneas.

É dentro dessa concepção multifacetada que as políticas públicas para a capoeira devem ser geridas. Ou seja, através de programas interministeriais e intersetoriais que envolvam as diversas interfaces da capoeira. As políticas públicas poderiam contribuir enormemente para o fomento desta que é um dos principais veículos de divulgação da cultura brasileira.

 

Referências

ALMEIDA, Raimundo C. A. de. A saga de Mestre Bimba. Salvador: Ginga Associação de Capoeira, 1994.

BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.

BRACHT, Valter. A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo …capitalista. In: Vitor Marinho de Oliveira (org.). Fundamentos pedagógicos: Educação Física. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1987.

Educação Física e aprendizagem social. Porto Alegre: Magister, 1992.

Sociologia crítica do esporte: uma introdução. Vitória: UFES/CEFD, 1997.

BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei n. 85/95 do Sr. José Coimbra. Reconhece a capoeira como um desporto genuinamente brasileiro e dá outras providências, 1995.

BRUHNS, Heloísa Turini. O corpo parceiro e o corpo adversário. Campinas-SP: Papirus, 1993.

CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas: Papirus, 1988.

CHAUI, Marilena. Conformismo e resistência: aspectos da cultura popular no Brasil. 3ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1989.

CONFEDERAÇÃO RESPONDE. Jornal Muzenza: o informativo da capoeira., Ano 3, n. 28, p. 4, 1997.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física, São Paulo: Cortez, 1992.

KUNZ, Elenor. Educação Física: ensino e mudanças. Ijuí: UNIJUÍ Editora, 1991.

Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: UNIJUÍ Editora, 1994.

O esporte na perspectiva do rendimento. Diretrizes curriculares para a educação física no ensino fundamental e na educação infantil da rede municipal de Florianópolis-SC. NEPEF/UFSC-SME, 1996.

MARINHO, Inezil Penna. A ginástica brasileira: resumo do projeto geral. 2ª Edição. Brasília: Autor, 1982.

MORAIS FILHO, Melo. Capoeiragem e capoeiras célebres. In: Festas e tradições populares. São Paulo: EUSP/Itatiaia, 1979.

OLIVEIRA, Vitor Marinho de. Consenso e conflito na educação física brasileira. Campinas: Papirus, 1994.

PIRES, Antônio Liberac Cardoso Simões. A capoeira no jogo das cores: criminalidade, cultura e racismo na cidade do Rio de Janeiro (1890-1937). (Dissertação de Mestrado), História, Campinas-SP, Unicamp, 1996.

REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.

REIS, Letícia Vidor de Souza. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher Brasil, 1977.

SALVADORI, M. A. B. Pedaços de uma sonora tradição popular (1890 –1950) (Dissertação de Mestrado) Campinas: Unicamp, Departamento de História. 1990.

SOARES, Carlos Eugênio Líbano. A negregada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro, 1850-1890. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994.

VIEIRA, Luiz Renato. O jogo de capoeira: cultura popular no Brasil. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.

FALCÃO, José Luiz Cirqueira

Dr., Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Mestre de Capoeira

Palavras-chaves: capoeira, esportivização, poder.

Bahia: Salvador sedia Encontro Internacional de Capoeira

Berço cultural da capoeira, Salvador sedia entre os dias 28 e 31 de janeiro, nas principais praças do Pelourinho, o IV Encontro Internacional de Capoeira – o Ginga Mundo. O evento, patrocinado pela Petrobras e organizado pelo projeto Mandinga – Associação Integrada de Educação, Artes e Esportes, reunirá representantes de vários países do mundo e já é considerado um divisor de águas na história dessa manifestação cultural. O encontro começa no Forte de Santo Antonio, dia 28, às 9h, com um café da manhã, e contará com a presença de autoridades do governo, mestres da capoeira, orquestra de berimbaus e representantes internacionais. Segundo o coordenador do Encontro, Jair Oliveira de Faria Júnior (mestre Sabiá), o evento vem fortalecendo os segmentos diferentes da capoeira, além de divulgar mais intensamente a arte no Brasil, uma vez que já ganhou reconhecimento internacional. "Já conseguimos um efeito multiplicador e o encontro será em abril na Bélgica", informa Sabiá. Um dos destaques do evento mais uma vez será o mestre de capoeira João Grande, que já conquistou o título de doutor honoris causa em Nova York pela divulgação da capoeira naquele país.

Mais de 163 países, segundo Sabiá, já desenvolvem estudos sobre a capoeira, principalmente nas universidades. Representantes do Japão, Rússia, Canadá, Suiça, Suécia, Inglaterra, Estados Unidos, entre outros países, e capoeiristas de diversos estados brasileiros, estarão se apresentando nos palcos e praças do Pelourinho. Manifestação afro-brasileira, desenvolvida por africanos escravos que viveram no Brasil, a capoeira está ajudando também a revitalizar outras lutas e danças africanas, a exemplo da Bassula – uma luta originária da Ilha de Luanda – e do moringue – luta inspirada na briga de galo e desenvolvida pelos africanos que trabalhavam nos canaviais. “O moringue estava esquecido na Ilha de Madagascar e de Reunion, mas a conquista de espaço alcançado pela capoeira ajudou a revitalizar essas e outras manifestações culturais africanas, que serão apresentadas também nesse evento”, diz Sabiá.

Estarão presentes também em Salvador os capoeiristas Lua Rasta, Cobra Mansa, Boca Rica, Neneu, Capixaba, entre outros. Uma homenagem será prestada aos capoeiristas João Grande e João Pequeno pela contribuição e serviços prestados à arte da capoeira. Serão apresentadas também as manifestações intituladas Ladja e Belé (da Martinica). O Brasil estará representado pelos grupos Berimbraw, Ganhadeiras de Itapuã, Samba de Lata, Samba Pandeiro e Viola, Maculelê de Santo Amaro, Frevo e Filhos de Gandhy. Ao longo do evento serão realizados palestras e seminários sobre a capoeira, sua história, importância cultural, social e econômica, levando em conta sua abrangência no Brasil e no mundo. Cada oficina terá a participação de aproximadamente 400 pessoas. No dia 31 será realizado o encerramento, que contará com a participação do Bando de Lua Rasta e o Afoxé Filhos de Gandhy. | O Mestre Sabiá atende pelo telefone (71) 9984-1278.

Fonte: Revista Fator – São Paulo – BR
http://www.revistafator.com.br

CAPOEIRA ANGOLA OU REGIONAL É FOLCLORE!

É comum capoeiristas, pesquisadores, estudiosos e mestres reagirem contra a afirmação óbvia de que a capoeira é folclore, incorrendo desta forma em um grande equívoco. Esta aversão pode ser originada do senso comum que diz ser o folclore algo velho, em desuso, ou pode estar atrelada também à idéia de que folclore é o espetáculo regional mostrado por grupos profissionais aos turistas. Estes shows na maioria das vezes deturpam a forma original da manifestação processo do qual é vítima a capoeira, o samba de roda e até o Candomblé que é uma religião. É possível também que pelo fato do governo Vargas tê-la aceita apenas como “folclore e desporto” tenha contribuído para tal aversão. Outra possível causa é a desinformação acadêmica do que seja folclore e quais sejam as suas características.
 
Manifestação concebida na cultura popular, a capoeira é o elemento folclórico que melhor representa a cultura brasileira. Segundo alguns estudiosos e folcloristas, o Folclore é uma manifestação da cultura popular que representa uma instância qualitativamente superior e estratificada desta cultura, pois ele é a representação simbólica de uma sociedade.
                                                                                                                    
É ocorrente, entre folcloristas brasileiros, uma frase de sucesso: “Tudo que é Folclore, é popular; porém nem tudo que é popular é Folclore”. Este refrão remete imediatamente a dois pontos básicos: o entendimento do termo popular e o reconhecimento da existência de níveis distintos no interior da mesma cultura. (FRADE, 1997)
 
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Documentário: A Capoeiragem na Bahia

Documentário produzido pela TVE Bahia no ano de 2000, vale como uma importante referencia cultural aos capoeiristas dispostos a conhecer mais sobre a capoeira da Bahia… uma boa dica para a sua videoteca!
Luciano Milani


A Capoeiragem na Bahia, produzido pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia / TV Educativa (IRDEB/TVE), documenta a capoeira, uma manifestação tão enraizada na cultura baiana, mas que, até então, não havia sido registrada em profundidade pela televisão e pelo cinema locais. O documentário aborda a questão controvertida das origens históricas da capoeira, sua imbricação africana-ameríndia-ibérica, sua relação com o Candomblé e as tradições desta dança/luta que se tornou um símbolo da manifestação corporal expressa no viço da ginga baiana. Além de enfocar as mudanças ocorridas na tradição e o surgimento das novas lideranças, o vídeo exibe imagens raras de duas grandes personalidades da capoeira da Bahia, os mestres Pastinha e Bimba – retiradas de películas das décadas de 50 e 60, telecinadas para exibição em TV pelo IRDEB -, e depoimentos de mestres da atualidade, do escultor Mário Cravo Júnior e do médico, ex-capoeirista e vice-governador Otto Alencar, que fala do preconceito de 30 anos atrás contra os que jogavam capoeira. A Capoeiragem na Bahia é o 33º documentário do Projeto de Mapeamento Cultural e Paisagístico da Bahia, uma iniciativa do IRDEB / TVE.

Título: A Capoeiragem na Bahia
Série:
Documentários
Duração:
57’
Gênero: Documentário

Sistema de Gravação: NTSC/Betacam
Realização: IRDEB/TVE/IAT
Ano: 2000

http://www.irdeb.ba.gov.br/videvideosacapoeiragemnabahia.htm

Capoeira: O lazer da indústria do turismo em Salvador

          Refletir sobre as experiências de lazer na atual sociedade tem se tornado um dos grande assuntos nos últimos anos. A maioria dos estudos e das pesquisas voltadas para o campo do lazer, nos tem fornecido discussões que colaboram para reflexões acerca das diversas experiências culturais desenvolvidas na atual sociedade, identificando assim, diversos problemas no qual temos que compreender, identificar e refletir de maneira consciente e crítica.
            Neste sentido, não podemos negar que tal reflexão se apresenta e se torna necessária quando observamos que na maioria das experiências culturais de lazer, e principalmente as que envolvem algumas manifestações da cultura popular brasileira como é o caso da capoeira, do samba e do futebol estão sendo desenvolvidas de maneira pejorativa e exacerbada e se aproximando a cada dia da lógica capitalista.
            Na maioria das vezes, as pessoas que estão à frente dessas experiências culturais não apresentam nenhum tipo de informação, entendimento e o pior de tudo, não compreendem os fundamentos, as tradições, os rituais e o processo histórico que a constituíram e a reconheceram como manifestações populares do nosso Brasil.
            Sendo assim, acreditamos que a capoeira uma manifestação de origem afro-brasileira no qual tudo nos levar crer ter sido criada e desenvolvida pelos negros africanos como um grito de liberdade no Brasil deva ser reconhecida como uma manifestação que expressa em sua particularidade e em seu ritual um misto de jogo, dança e luta de resistência do negro contra todo tipo de opressão.
            Tal característica de resistência apresentada pela capoeira, possibilita que a mesma expresse um aspecto de conformismo e resistência capaz de reverter determinada lógica, passando a ser compreendida e observada como um movimento revolucionário, que proporcionou aos escravos subsídios necessários para lutarem e alcançarem melhores condições de igualdade e liberdade, se é que podemos falar nisso nas atuais condições da sociedade brasileira.
            Porém, procuraremos relatar no desenvolvimento deste estudo algumas experiências vividas e observadas no período de 14 a 21 de novembro de 2004, na cidade Salvador/BA, período em que ocorreu a realização do XVI Encontro Nacional de Recreação e Lazer " ENAREL, evento que teve como tema "O lazer como cultura: o desafio da inclusão social".
            Ressaltamos que iremos apontar, em nossos próximos textos, apenas os pontos relevantes sobre os fatos ocorridos e que, ao nosso olhar, fornecem dados interessantes para uma intervenção crítica no campo do lazer, pois a capoeira uma manifestação da cultura popular que vem, a cada dia, conquistando mais adeptos, precisa ser compreendida como uma atividade que possibilita desenvolver a autonomia e a consciência crítica das pessoas acerca dos diversos problemas encontrados na atual sociedade e não apenas torna-se uma atividade a ser utilizada como válvula de escape dos turistas e das pessoas que querem desfrutar das riquezas do nosso país, da nossa cultura e enfim, de toda nossa sociedade numa visão geral.
            Acreditamos que devemos intervir de maneira consciente, buscando e desenvolvendo uma perspectiva crítica e transformadora de lazer que seja possível compreender, reconhecer os conhecimentos e os saberes proporcionados pelas manifestações populares brasileiras, valorizando o processo histórico de cada uma, o quanto elas representam o nosso país, pois caso contrário, estaremos passando uma borracha em todo um processo histórico de luta, resistência, conformismo e de superação.
            Portanto, a pesquisa que encontra-se em andamento tem como objetivo refletir, na particularidade prático-social do lazer, como a capoeira se intera por meio do seu aspecto de conformismo e de resistência das transformações que vem ocorrendo na atual sociedade do consumo e como articula respostas a esse processo globalizante.

MARCELO LAMPANCHE é formado em Educação Física (Bacharelado e Licenciatura plena) pela UNICSUL, desde 2004. Atualmente, é coordenador do Projeto Sócio-Cultural Cenlep Capoeira e um dos responsáveis pelo Grupo de Estudo sobre Capoeira e Lazer – GECAL e integrante (Monitor) do Grupo CapuraGinga em São Paulo-SP.
THELMA POLATO é Mestra em Educação Física na área de concentração Lazer, professora e praticante de Capoeira o Grupo CapuraGinga em São Paulo-SP.
 
Web site: www.capuragingacapoeira.com
Autor: Marcelo Lampanche e Thelma Polato
Fonte: www.capoeira.jex.com.br – Jornal do Capoeira
 

Roda Solidária!

O grupo Quilombolas de Luz Capoeira irá fazer uma roda com todos os capoeiras da região,para mobilizar o bairro.
 
O grupo perdeu o espaço cedido pela escola "Caetano de Campos" ,sofrendo preconceito e desrespeito.
 
Contamos com a presença de grupos de vários lugares de SP,de vizinhos e da imprensa,fazendo uma grande manifestação.
 
Contamos com a ajuda de todos!


data:sábado, 11 de junho de 2005
hora:14:00
local:pça Rooselvet (em frente á escola Patricia Galvão)
cidade:São paulo-SP (centro)
 
priscilasoaresdasilva@yahoo.com.br

Capoeira & Portais de informações

A cada dia que passa, a comunidade da Capoeira no Brasil, e especialmente do exterior (Europa!), começa a ser mais exigente quanto a qualidade de informações divulgadas nos infinitos “sites” virtuais. Neste artigo fazemos breve consideração sobre a significativa contribuição que alguns “portais” estão dando para a nova era da “Informação sobre Capoeira”, sem medo do novo, sem medo de apresentar o contraditório, sem medo de fazer uma leitura completa deste maravilhoso fenômeno chamado Capoeiragem, encarando-o como um fenômeno Nacional.

São Miguel – São Paulo – SP
Maio de 2005


A cada dia a capoeira vem demonstrando o seu verdadeiro poder de encantar as pessoas. Talvez esse seja um dos motivos de não podermos denominá-la somente como arte, ou como cultura, ou como uma luta, um jogo ou uma dança. Pois em suas particularidades, que envolvem aspectos de conformismo e resistência, essa manifestação se apresenta de maneira contraditória e complexa, tendo uma diversidade de significados para cada pessoa que está diretamente envolvida com ela.
 
Não podemos negar que a capoeira se transformou e evoluiu muito nos últimos anos. Porém, ressaltamos que algumas dessas transformações poderão ser perigosas para o desenvolvimento da capoeira – embora admitamos um mecanismo histórico de auto defesa da própria Capoeira – na atual sociedade, uma vez que as pessoas não estão tendo um comprometimento para que sejam mantidos fundamentos, rituais, tradições e saberes desenvolvidos pelos protagonistas da capoeira, os velhos mestres.
 
Neste sentido, acredito que todas as iniciativas que envolvem a capoeira de maneira crítica e consciente poderá contribuir para o seu desenvolvimento e reconhecimento. Observei que nos últimos cinco meses, estamos tendo um retorno muito gratificante e significativo através de alguns meios de comunicação que estão tratando a capoeira como ela realmente merece. São espaços destinados à veiculação de artigos, crônicas e debates que possibilitam trocas de informações entre os adeptos, profissionais e capoeirista de diversos países, raças e etnias.
 
Dentre essas iniciativas, destaco algumas que estão contribuindo não só para o reconhecimento da capoeira, mas que estão servindo como um espaço democrático de veiculação de informação acerca dos assuntos relacionados a capoeira. Além disso, percebemos que estes espaços estão possibilitando, também, o surgimento de muitas amizades e parcerias em busca de um mesmo objetivo: "VALORIZARMOS JUNTOS A NOSSA CAPOEIRA".
 

PORTAIS DEDICADOS À CAPOEIRA
 
Jornal do Capoeira
Jornal do Capoeira
Neste aspecto, destaco a grande importância dos seguintes sites:
– Jornal do Capoeira  
www.capoeira.jex.com.br sob a organização do Miltinho Astronauta (SP).
– Luciano Milani – Capoeira  
www.lmilani.com sob a organização do Professor Milani (Portugal).
– Capoeirista.com.br  www.capoeirista.com.br  sob a organização do Contramestre Wellington (SP) e do Professor Milani (Portugal).
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