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Documentário: A Capoeiragem na Bahia

Documentário produzido pela TVE Bahia no ano de 2000, vale como uma importante referencia cultural aos capoeiristas dispostos a conhecer mais sobre a capoeira da Bahia… uma boa dica para a sua videoteca!
Luciano Milani


A Capoeiragem na Bahia, produzido pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia / TV Educativa (IRDEB/TVE), documenta a capoeira, uma manifestação tão enraizada na cultura baiana, mas que, até então, não havia sido registrada em profundidade pela televisão e pelo cinema locais. O documentário aborda a questão controvertida das origens históricas da capoeira, sua imbricação africana-ameríndia-ibérica, sua relação com o Candomblé e as tradições desta dança/luta que se tornou um símbolo da manifestação corporal expressa no viço da ginga baiana. Além de enfocar as mudanças ocorridas na tradição e o surgimento das novas lideranças, o vídeo exibe imagens raras de duas grandes personalidades da capoeira da Bahia, os mestres Pastinha e Bimba – retiradas de películas das décadas de 50 e 60, telecinadas para exibição em TV pelo IRDEB -, e depoimentos de mestres da atualidade, do escultor Mário Cravo Júnior e do médico, ex-capoeirista e vice-governador Otto Alencar, que fala do preconceito de 30 anos atrás contra os que jogavam capoeira. A Capoeiragem na Bahia é o 33º documentário do Projeto de Mapeamento Cultural e Paisagístico da Bahia, uma iniciativa do IRDEB / TVE.

Título: A Capoeiragem na Bahia
Série:
Documentários
Duração:
57’
Gênero: Documentário

Sistema de Gravação: NTSC/Betacam
Realização: IRDEB/TVE/IAT
Ano: 2000

http://www.irdeb.ba.gov.br/videvideosacapoeiragemnabahia.htm

Major Miguel Nunes Vidigal

Um ano após a chegada de D. João VI (1808), criou-se a Secretaria de Polícia e foi organizada a Guarda Real de Polícia, sendo nomeado para sua chefia o major Nunes Vidigal, perseguidor implacável dos candomblés, das rodas de samba e especialmente dos capoeiras, “para quem reservava um tratamento especial, uma espécie de surras e torturas a que chamava de Ceia dos Camarões”. O major Vidigal foi descrito como "um homem alto, gordo, do calibre de um granadeiro, moleirão, de fala abemolada, mas um capoeira habilidoso, de um sangue-frio e de uma agilidade a toda prova, respeitado pelos mais temíveis capangas de sua época. Jogava maravilhosamente o pau, a faca, o murro e a navalha, sendo que nos golpes de cabeça e de pés era um todo inexcedível". Sobre ele, também disse Mário de Andrade: "O Major Vidigal, que principia aparecendo em 1809, foi durante muitos anos, mais que o chefe, o dono da Polícia colonial carioca. Habilíssimo nas diligências, perverso e ditatorial nos castigos, era o horror das classes desprotegidas do Rio de Janeiro. Alfredo Pujol lembra uma quadrinha que corria sobre ele no murmúrio do povo:
 
Avistei o Vidigal.
Fiquei sem sangue;
Se não sou tão ligeiro
O quati me lambe.
 
(Mário de Andrade, introdução às Memórias de um Sargento de Milícias, São Paulo, 1941).
 
*Em 10 de julho de 1843 faleceu no Rio o Marechal Miguel Nunes Vidigal, capoeira exímio e que apareceu, como o Major Vidigal, no livro "memórias de um sargento de milícias", um dos clássicos da nossa literatura.