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Reflexão: Capoeira Virtual, deixe a sua opnião…

Esta matéria foi inspirada no tópico criado no Orkut, para discutir a Capoeira Virtual, coloquei algumas opniões dos membros da comunidade, dando um maior enfoque a colocação do camarada Tulio.~
 
Participe colocando a sua opnião, utilizando os comentários, no final da matéria.


É inegavel a massificação da cultura virtual…
Qual é a sua opnião sobre a capoeira virtual: 
   
NUNO
Muito bom, confesso que aprendi mais sobre o que é capoeira no mundo virtual do que no real.Certos debates até se parecem com uma roda, algumas desavenças, brincadeiras, provocações mas sempre percebi muito respeito!
Vamos continuar e ampliar a nossa capoeira virtual!
Abraço a todos 
   
Tulio
Acredito que existem pessoas que realmente utilizam da Capoeira Virtual como uma fonte de aprendizado… pessoas dedicadas na difusão e crescimento da Capoeira… o conhecimento está sendo descentralizado… observavamos poucos entendedores do assunto anteriormente, fora a acessibilidade… como exemplos, Fred Abreu, Antônio Liberac, Dr. Decânio, Morais, Itapoan… entre outros… com aspectos acadêmicos, teóricos… a informação repassada "boca-a-boca"…. o acesso aos livros… um pouco complicado… os batizados eram feitos internamente, alguns amigos convidados… as opiniões centralizadas em um único indivíduo… o Mestre… A Capoeira Virtual… chegou com um perfil de dedicação… pessoas sérias… com responsabilidades de repassar um conhecimento… acesso aos historiadores, artigos, publicações, mestres de diversos lugares do Mundo… apresentando sua vivência… suas experiências… e atualmente… o Orkut… que promove um fórum de discussões mundiais… com pessoas que realmente buscam somar na Capoeira… viabilizando uma formação qualificada ao Capoeirista… uma diversidade de reflexões teóricas e técnicas… possibilitando maior entendimento da complexibilidade do Mundo da Capoeira… e mesmo com a distância entre os usuários… a demonstração de respeito e amizade… Capoeira… uma arte de fazer amigos!!!! um axé… continuemos em nossa busca rumo ao conhecimento… abraços!!!!

Angoleiras & Negritude

Jornal do Capoeira – Edição 43: 15 a 21 de Agosto de 2005
EDIÇÃO ESPECIAL- CAPOEIRA & NEGRITUDE
 
O Jornal do Capoeira sob a batuta do camarada Miltinho Astronauta, preparou esta semana uma edição especial! Protagonizando a Capoeira e a Negritude.
Confiram está matéria, dedicada especialmente as mulheres…
Luciano Milani 

Os princípios femininos, a resistência negra e a mulher angoleira
 
"O bom capoeirista nunca se exalta procura sempre estar calmo para poder refletir"
Mestre Pastinha
 
Vamos partir dessa grande colocação de Mestre Pastinha para abordar o tema a que nos colocamos dispostas a refletir aqui.
 
É sabido que dentro da História da humanidade já passamos por diversas revoluções (Agrícola, Industrial, do Conhecimento e da Informação) e que a maioria delas ficaram registradas como resultado de ações de homens, no sentido patriarcal do termo.
 
Desde a II Grande Guerra, entretanto, a mulher ocidental começou a retomar em muitos lugares o papel de gestão da vida social, papel esse próximo ao que a mulher representava no princípio do agrupamento humano, onde, para a preservação do grupo, a união em torno da matriarca era o ponto central na preservação da espécie.
 
 Passados 60 anos do final do Conflito Mundial o retrato que temos hoje em dia da mulher, numa realidade como a do Brasil, é muito diverso. Primeiro porque somos uma sociedade estratificada em camadas de acesso ao consumo, marcada essencialmente por um fator que condiciona a situação social atual: os mais de 300 anos de escravidão negra que contam boa parte de nossa História.
 
Dentro dessa diversidade de condições (sociais, econômicas, psicológicas) o que nos interessa nesse espaço é pensar sobre a contribuição da mulher, especialmente a mulher negra, nas formas de resistência à imposição do patriarcalismo, do preconceito e discriminação e das lutas a que estivemos dispostas a travar em prol de uma educação mais digna e zelosa dos princípios que conduzem a natureza feminina: subjetividade, ternura, cuidado, acolhida, nutrição, conservação, cooperação, sensibilidade, intuição, experiência do caráter sagrado e mistérios da vida e do mundo.
 

Mestre Tonho Matéria lança novos CDs

Mestre Tonho Matéria lança novos CDs de Capoeira, sendo um deles em parceria com Mestre Dedé, Salvador, BA
 
            Já estão na praça mais dois novos CDs de Capoeira que contam com a participação e produção de Mestre Tonho Matéria (Antonio Carlos Gomes Conceição). O primeiro é produção própria, e recebeu o título de "SOU MANGANGÁ", nome de seu grupo, que por sua vez é uma homenagem ao lendário Besouro Mangangá. O CD "SOU MANGANGÁ" foi gravado em Salvador nos Studios WR Discos, e produzido pelo Mestre Tonho Matéria em parceria com Nestor Madrid. O lançamento ficou a cargo da POLYDISC (GAL GRAVAÇÕES ARTÍSTICAS LTDA), com fotos por Osmar Gama. É um Cd que resgata a totalidade da música e da capoeira na Bahia. Com letras que prestam homenagem a vários grupos de capoeira e a vários mestres inclusive ao mestre Boa Gente. Contatos: (71) 9919-7093 e (71) 3256-9806, ou então por email: tmmanganga@hotmail.com
 
 
            O segundo CD é o "KILOMBOLA MANGANGÁ", uma parceria entre o mestre Dedé (Grupo Kilombola) e Tonho Matéria (Associação Cultural de Capoeira Mangangá). Foi gravado em Salvador no Studios  BPM em 2004, com fotos por Osmar Gama.. É um Cd independente, podendo ser adquirido pelo telefone (71)  9919-7093 e  3256-9806 (mestre Tonho Matéria) ou  então com o Mestre Dedé: (71) 8822-1118 e (71) 3365-4108, ou ainda por email: capoeirakilombolas@ig.com.br
 
 

Fonte: Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

Capoeiragem na tatame

Capoeiragem NA Tatame!
 
Capoeira é assunto da Revista TATAME deste mês
 
Não, não é erro de redação, a Capoeiragem está mesmo na  (Revista) TATAME, mês de abril.  Sendo uma revista sobre lutas, é nesta dimensão que a  multifacetada  Capoeira foi contemplada.  Não apenas com  um espaço, mas com três. Pois, além da matéria principal – A Capoeira no Território do Vale-Tudo –  há, também, uma ficha técnica da extraordinária Sra. Adalberto Alves, a Sapoti, uma capoeirista de apenas 69 anos, e uma crônica (Dando Bobeira na Roda).
 
Mas o prato forte, sem dúvida, é a matéria sobre Capoeira Luta (páginas 24/31) que já está incorporada na lista de discussão de todas as rodas.
 
Trata-se de assunto, convenhamos, que deve mesmo ser discutido com mais transparência. A Capoeira não ficará prejudicada com isto. Pelo contrário.
 
Pois não nos parece correto, correr as rodas e o mundo fazendo discurso de paz, amor, ecologia e inclusão social e, ao mesmo tempo, treinar os alunos para bater forte, de todas maneiras, inclusive fazendo halterofilismo e aprendendo outras lutas. Mas que fique claro, entendemos que a capoeira é também uma luta, não sendo crime, portanto, treiná-la como tal. O erro começa quando o "capoeira-casca grossa" passa a correr todo tipo de roda, não mais jogando capoeira, mas fazendo um "jogo de espera" para aplicar sua truculência, "levar pro chão e finalizar".  Saindo da roda "orgulhoso por ter deixado claro que sua capoeira é superior as demais". Será?
 
Não estará este "lutador de capoeira" usando de má fé, não estará, no fundo, derrubando é a própria essência da Capoeiragem?
 
Conseguirá, este "capoeira-casca grossa" fazer o mesmo num evento tipo "Ultimate Fighting".   Não creio, os lutadores que vem se apresentando nesses eventos, como oriundos da capoeira, normalmente utilizam não mais do que 1% do que a capoeira oferece, por quê?
 
Muito oportuna, portanto, esta reportagem da Revista Tatame.
 
Realmente há, por partes de alguns mestres de capoeira,  muita  contradição, primária e suspeita, muito mal disfarçada em "jogo de mandinga".
 
Grupos de capoeira "lá de fora" – já escrevemos sobre isto – já começam a se rebelar repudiando esta falsa malandragem, mais mercantil do que propriamente mandingueira.
 
De parabéns, portanto, a Revista Tatame pela matéria. E que outras venham. Quem sabe, não estará na hora de ressuscitar os tais laboratórios de luta de capoeira?
 
Tudo isto, é claro, sem prejuízo, sem constrangimento, sem desrespeito às demais formas de capoeiragem. Que, aliás, estão a merecer uma bela reportagem, também.
 

Fonte: Jornal do Capoeira: www.capoeira.jex.com.br
 

A saga do Negro Capoeira

Interlúdio de alguns capítulos para contar a saga do negro capoeira conhecido como King Kong
Crônica escrita por Mestre Tonho Matéria, onde o autor conta parte de sua própria história
 


Roberto? E quem disse que ele não era mole?
 
Um menino cheio de energia que fazia nas ruas do seu bairro um centro de vandalismo, uma espécie de membro da Nagoas que como um ser malta desequilibrava a esperança de paz dos seus vizinhos.
 
Carrasco lembra bem, certo dia quando encontrou pela primeira vez com ele na Praça da Sé sentado num dos bancos que ficava ali esperando alguém para o ócio, matutando algo que iria de uma forma não tão suntuosa, provocar um ato de alvoroço. Vestido com um macacão azul onde tinha o emblema do Liceu Arte e Ofício, que era o colégio onde estudava, isso era o que naquele momento demonstrava o nagoa. Sua mãe, dona Elza, uma negra descendente de africana legítima, ou seja, uma original filha de Luanda, não escondia o amor por ele, e nem conseguia dormir direito, porque seu quase primogênito não tinha horas para chegar a casa, vivia o tempo inteiro no meio das ruas, muitas vezes pongando em ônibus, o que chamamos de surfista de asfalto, desafiando a lei da sua própria gravidade.
 
Seu pai um quase Manuel Querino e sábio do seu povo onde, com gratidão, levava a vida inteira contando causos do tempo dos seus ancestrais. Ele era um homem de caráter forte e de sinceridade à flor da pele, conhecido como Mané do Burro, um mercador ambulante que vivia de calçadão em calçadão vendendo seus limões para levar pra dentro de casa o édulo que com muito esforço, e merecimento, era conseguido,  transformado-o em satisfação. Seus irmãos, dois descendentes também quase legítimos de Angolano, conhecidos como Barata e Negrura, eram os mais centrados de todos. Barata vivia falando consigo mesmo e não gostava muito de prosa. Já Negrura, por ser o mais velho dos três, tinha uma maneira diferente de se comportar com as pessoas. Ele andava jogando dama na porta do armazém de Branco, e assim levava sua calma vida de um rapaz que compreendia a vida que tinha.
 
Já seu irmão casula não, ele era um terror e não conseguia um minuto se quer deixar os vizinhos em paz. Muitas vezes foi preso pela guarda do bairro por estar fazendo baderna, e isso, simplesmente, por jogar pedra ao telhado do vizinho ou por procurar intrigas com quem passava quieto.
 
Ouve uma ocasião em que ele ficou de plantão na porta do mercadinho de Louro a espera de Panela, um garoto boxeador que morava na rua de baixo, conhecida como Rua das Pedreiras, por cisma. Só que teve um dia que ele se deu de mal com Panela, levando alguns cruzados no rosto, acompanhados de diretos e ganchos. E com isso levou-se anos e anos pra ser desmistificado esse rancor. Eles cresceram, se tornaram adultos, e não conseguiam se separar da infância. O menino era assim mesmo, um valente guerreiro que não sabia o que o destino estava protocolando para a sua vida.
 
Quando já trabalhando na Limpurb (Empresa de Limpeza Publica Urbana), continuava a cometer os mesmos atos de antes, era um erê com sua brasilerança de truculentos modos de agitar. Certa feita conseguiu escapulir da garupa do caminhão onde pegava os lixos que as donas de casa deixavam na porta, se ralando todo, tendo vários ferimentos em toda parte do corpo, e mesmo assim não aprendeu. A sorte dele foi que naquela época a empresa obrigava os seus funcionários a usarem um macacão cor de abóbora, com uma faixa em forma de um xis incandescente, para avisar aos motoristas que havia perigo, ou seja, homens trabalhando para limpar a cidade e ao mesmo tempo correndo risco de vida pendurado no que chamamos de "carro de lixo". Mas pra ele isso não importava muito e não tinha um valor se quer, não pensava muito em constituir família e nem tinha medo da morte tanto que fazia da sua vida um coquetel de riscos. Acredita-se que o mais importante disso tudo foi o que estava por vir, e nem ele mesmo teria noção disso.
 
O mais engraçado de tudo é a maneira como ele é, até hoje, conhecido e chamado no bairro por "Nenenquinha". E não perguntem qual a origem da palavra que ninguém saberá explicar. Talvez seja por conta de suas pelas travessuras, ou se, quando ainda era bebê, fosse a alcunha gerada por sua mãe por chamá-lo de Neném e os vizinhos de Quinha e daí surgiu Nenenquinha, uma junção de dois nomes carinhosos. Isso é uma hipótese! Na verdade o segredo do nome foi com dona Elza para o jardim dos espíritos de luz e lá ficou para sempre.
 
Voltando a falar de sua mãe, Elza foi uma verdadeira dona de casa que tinha em sua particularidade o segredo e sagrado dom de proteger. Proteção essa que virava noites e mais noites sentada na porta da casa esperando o último dos três filhos entrar e se deitar. Era uma pessoa maravilhosamente meiga e cheia de vigor. Não poupava uma bacia de roupa suja, ela lavava de ganho e mesmo aparentando seus 60 anos, que mais parecia uns 30 de tanta energia que esbanjava, não conseguia ser uma mãe descontente dos seus atos de ser sempre uma mãe exemplar. Brigava com qualquer um por causa dos seus bambinos, e não dispensava uma surra neles também. Na verdade todo povo de Ogum é assim mesmo, bastante guerreiro e imbatível.
 
Varias e varias vezes dona Edith ficava batendo papo até altas horas fazendo companhia a mãe Elza, como era chamada pelos meninos. Coitada, morreu cedo demais para uma mulher que era tão forte espiritualmente. Mais é isso mesmo, é o caminho de todos os negros que ainda vivem num quilombo sem ter certeza que a vida pode mudar a sorte de ser um doutor, o que na verdade aconteceu com seu tão protegido e amado filho.
 
Recordaremos um episodio que acontecera na Cidade Nova, quando um bloco de percussão passava arrastando o povão era uma zona danada, e ao mesmo tempo gostoso de ver o SPP passar tocando suas batucadas. Quando de repente, quem estava batendo nas pessoas? Ele, o próprio Roberto Nenenquinha, o temido pelas pessoas da área. O que tinha de bom era que ele nunca precisou usar armas para se defender, ele tinha já os punhos preparados para seus ataques sombrios. Mais com sempre terminava apanhando também ou indo preso.
 
Nenenquinha teve uma infância normal como qualquer criança do gueto tem. Foi vendedor de picolé e carregador de compra, e um dia tivera um sonho que iria modificar a sua vida. Aos pouco foi se descobrindo como negro e sabia que tinha uma razão mais profunda para se concretizar no universo, e ai conheceu uma dança que era uma mistura de luta que se espojava pelo chão e quem fosse de verdade o babalaô dessa dança não se sujava. Tomou gosto e mergulhou de vez e até hoje não conseguiu voltar do fundo do oceano dessa dança.
 
Que magia tem essa dança que não deixa ninguém viver sem falar nela? Principalmente quem a conhece e lhe tem como um guia protetor. Será que há magia e mistérios guardados com seus criadores que eles não conseguiram contar porque não tiveram tempo de achar um indivíduo capacitado de adquiri-la? Ou será que Deus colocou nas mãos do dona da estrada e mandou que ele se virasse sozinho por ai para sair emergindo de dentro de si essa dança num formato de dois corpos dentro de uma roda viva para dar significado ao mundo? Fica aqui essa interrogação.
 

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