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Africa: Elogiada adesão dos jovens à capoeira

Benguela – O membro graduado da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte Capoeira (Abadá) em Benguela Joaquim Tchivela elogiou a forma como os jovens daquela cidade aderem à prática da capoeira.

Em entrevista hoje à Angop, o responsável disse que os jovens têm reconhecido os benefícios dessa modalidade desportiva, por isso continuam a abraçar todos os dias a prática da capoeira.

Disse que aos fins-de-semana os capoeiristas benguelenses têm-se exibido em locais públicos, sobretudo na Praia Morena, para divulgarem a modalidade e atraírem mais pessoas.

Joaquim Tchivela sublinhou que a atitude dos jovens benguelenses contribui na Massificação da modalidade.

Informou que “a capoeira também ajuda a aliviar o stress do dia-a-dia, ajudando os jovens a melhorarem o seu modo de vida, proporcionando saúde”, afirmou.

Actualmente, a Abadá conta na província de Benguela com mais de 200 praticantes, dos quais quatro membros graduados.

No entanto, na cidade de Benguela, o organismo dispõe de três academias, enquanto o Lobito e a Catumbela têm uma cada.

A Abadá, que promove cursos de capoeira social gratuitamente para crianças a partir dos 10 anos, está representada nas províncias de Luanda e do Huambo.

Fonte: http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/desporto/

Crônica: FILOSOFIA DA CAPOEIRA – Mestre Chiquinho Correa

A Capoeira é cultura,  é a união das caracteristicas humanas: atitudes,
costumes, modo de agir, instituições e valores espirituais e matériais de um
grupo social, de um povo que se cria e se preserva, através da comunicação e
da cooperação entre individuos.
As raízes principais da capoeira são:
 
1 – Dos africanos, herdamos movimentos, rituais, fundamentos e a
religiosidade ( dos Deuses Iorubá vem o ritmo Ijexá e o refrão tonal a cada
tres batidas; e do povo bantu provem o berimbau.).
 
2 – Dos portugueses herdamos o improviso da dança popular chula, o pandeiro
e a viola.
 
3 – Dos nativos brasileiros, temos a nomeclatura dos movimentos, os titulos
dos cantos, os rituais e métodos de ensinamento.
 
La capoeira é la ricerca dell´universo, dello sviluppo fisico, mentale e
spirituale.
 
A capoeira é  o desenvolvimento fisico, mental e espiritual.
 
A  capoeira muda o modo de viver, harmonizando e equilibrado o ser, ligando
o homem com o céu e a terra, através da fantasia, da música, do jogo da
criatividade e da socialização.
 
Nessa forma de cooperação, não existe vencedores, nem perdedores.
 
É uma forma mutua de respeito.
 
Respeito e a sensibilidade que cada aluno deve ter pelo seu mestre, pelo
ritual da roda , pelos instrumentos, pelos cantos e pela espiritualidade da
capoeira.
 
O respeito é um valor que não se pode ver nem tocar, mas que se sente e que
sabemos que é necessário.
 
O Mestre deve comunicar-se para transformar o aluno em um discipulo.
 
O aluno deve ser sincero para que suas técnicas sejam verdadeiras.
 
Através do conhecimento o aluno com o tempo será um discipulo e depois um
mestre.
 
O verdadeiro capoeirista é aquele que pergunta ao mestre os fundamentos da
arte e que caminha com o mestre até o fim.
 
Assim, juntos, eles alcançam  o equilibrio fisico, mental e emocional:
 
Da união destes valores os movimentos  ganham vida, e a técnica a magia, e
tudo isso se transforma em energia pura e criativa que sustenta outros
valores.
 
Principalmente o valor do amor, que transforma o veneno, em agua cristalina.
 
Por isso se faz necessário,  manter o uso da sabedoria tradicional, para
fazer com que a nossa prática atual seja iluminada.
 
1 – O aluno que " pratica " só por curiosidade essa disciplina
interessando -se somente pela atividade fisica não permanecerá por muito
tempo na academia.
 
2 – O discipulo tem respeito pelo seu mestre e deve saber que a sua tarefa
será  prosseguir os seus ensinamentos, por isso ele aprende evolui e espera
com serenidade o seu tempo o seu momento.
 
E quem decide quando um discipulo será um mestre?
 
As cordas, cordeis, cinturas, conquistadas nos anos tem o significado
simbolico do tempo e da continuidade do caminho percorrido e não do tempo
para ser um mestre, isso vem estabelecido da humildade, da sabedoria e da
sensibilidade conquistada.
 
3 – O " Esperto " através da ambição, inveja, odio, ciumes, não respeira o
seu momento, depois de pouco tempo se convence de ter aprendido tudo e esse
convencimento lhe faz esquecer o respeito que tinha pelo seu mestre, que com
paixão e dedicação mestreza tramanda os ensinamentos a sua cultura
tradicional.
 
Não tem dignidade, honestidade, humildade, mas uma determinação egoista.
 
Não tendo profissionalidade, organiza cursos a um preço inferior as outras
escolas, procura criar discordia falando de um modo não verdadeiro do seu
mestre para impor suas falsas convicções.
 
O Individuo não é um mestre graças a ele mesmo:
 
O imediatista nao é aluno, nem discipulo. O que que ele é?
 
O imediatista não è um aluno, nem um discipulo, O que ele è? E simplesmente um
rapaz, geralmente individualista, e ligado materialmente as coisas.
 
Pode acontece que por férias ou para preparar uma tese universitária, vai a
Salvador,  ao Rio,  a São Paulo, ou a qualquer, outra, cidade do Brasil, a
curiosidade em certos casos  e a falta de honestidade faz com que ele venha
errar e a encontrar um falso mestre, a quem mostra a sua capacidade, sem
mais mencionar o nome do seu mestre que com paixão seguiu seus passos na sua
estrada do aprendimento. Por sua vez o falso mestre por pouco dinheiro
alimenta essa convicção do " Esperto " elogiando – o por sua capacidade
fisica e aconselhando o direito de desenvolver o seu grupo com o titulo de
professor sem nenhum reconhecimento, com o único vinculo de depositar ao
falso mestre um percetual anual da suas entradas.
 
Em virtude do que apenas foi escrito,  as escolas de capoeira se
proliferaram em pouco tempo, mas somente algumas transmitem realmente a
verdadeira cultura
 
Infelizmente, nem todas as academias tem como objetivo a cultura, algumas se
interessam somente pela atividade fisica e pensam somente na luta e não no
jogo, no egoismo e no excessivo desenvolvimento muscular, outras que se
interessam apenas pelo  discurso tradicionalista, tem como finalidade o
aspecto material da capoeira.
 
Não temos como controlar, nem mesmo através das federações mundiais. No
entanto,vamos procurar dar maior espaço  àqueles que realmente são ligados
as raizes e desejam criar um único mundo, ao menos, no que se  refere  a "
Capoeira ".
 
A Capoeira, è uma arte nobre, e è a raiz de um povo, que sofreu e que sofre,
e por esse motivo que deve ser respeitada.
 
A Capoeira tem como sinal o simbolo da união entre todos os mestres que
estao divulgando essa cultura em todo o mundo de maniera pura e sincera,
mantendo os seus principios e sem segundos fins.
A Capoeira, do presente somos nos e nossos alunos: Devemos trabalhar unidos
para o seu futuro.
 
Por esse motivo escrevo a " Filosofia da capoeira ". Mestre Chiquinho Correa
 
NÃO SOU ANGOLEIRO NÃO SOU REGIONAL
JOGO CAPOEIRA PRÁ MIM É LEGAL             2v
 
Alguns pode cantar assim:
 
Eu sou angoleiro não sou regional
Jogo capoeira pra mim é legal
 
Outros:
 
Eu não sou angoleiro Eu sou regional
Jogo capoeira pra mim é legal
 
Aqueles que sao inteligentes devem cantar desse modo:
 
NÃO SOU ANGOLEIRO NÃO SOU REGIONAL
JOGO CAPOEIRA PRÁ MIM É LEGAL             2v
 

Francisco Levino Correa da Silva in arte Mestre Chiquinho Correa; è um brasileiro poliedrico Professor de Estudos Sociais, compositor, interprete, musico, pesquisador , dançarino, coreografo, mestre de capoeira angola do  Grupo olo+xum = ( A energia com o amor ) aluno de Mestre Brasilia – www.oloxum.com,  mestre de samba, forró, salsa etc.., vive em Bolonha -Italia; desde 1990;
 
Tem  uma coluna sobre a capoeira e o samba na web: http://musibrasil.net/
 
Criador do CD e DVD didattico Samba Capoeira Agosto/2006
 
Autor da Musica TIM TIM TIM BERIMBAU  que sairà dia 23 de novembro como homenagem a capoeira e ao samba na Rede de TeleviSao Italiana RAI UNO no programa musical infantil  " Zecchino de Ouro "
 
www.oloxum.com – e.mail: cchiquinho@capoeirabologna.it – Tel + 39 3334924237

Americano (Muniz Sodré), aluno de Bimba

Americano (Muniz Sodré),  aluno de Bimba, no filme “MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA”
 
Sobre as prisões de capoeiristas na Bahia do século passado :

“Do que eu sei, do que eu ouvi Bimba contar, negro que era capoeirista na rua era amarrado no rabo do cavalo e era levado até o quartel de modo  que se dizia que era melhor brigar perto do quartel porque aí a distância que lhe amarravam no cavalo não era tão grande.”

USO DO SOM

Como usar os sons

  • VOZTERAPIA: O condicionamento que faz as crianças engolirem o choro e calarem a boca pode se traduzir mais tarde em distúrbios psicossomáticos. Segundo a terapeuta Sônia Prazeres, que estudou na Escola de Terapia de Voz e Movimento de Londres e dá um curso de vozterapia no Conservatório Brasileiro de Música, a emissão dos sons que perturbam a mente promove o equilíbrio físico e psicológico. A técnica da vozterapia faz parte da psicofonia, metodologia terapêutica desenvolvida na Europa nos últimos 20 anos.
 
  • EXERCÍCIOS: A musicalidade floresce quando é fortalecida desde cedo. Em mentes exercitadas, a música original surge de modo natural. As crianças tendem naturalmente para o improviso e a composição. Com 4 anos, mais da metade delas pode produzir algo original, segundo Robert Jourdain, autor de "Música, cérebro e êxtase". Jourdain adverte que, embora os resultados raramente sejam mozartianos, o prazer é compensador.
 
  • CRIATIVIDADE: A criança com alguma deficiência pode ser estimulada, como qualquer outra, a sentir prazer musical, quando seu córtex auditivo reúne sons individuais. Uma nota solitária apenas de uma viola tem a capacidade de trazer felicidade para um ouvido aguçado, afirma Jourdain.

A ÉTICA NOS MANUSCRITOS DE PASTINHA

Mestre Pastinha deixou traçado nos seus manuscritos  o roteiro do código de conduta (ética) dos capoeiristas de todas as  categoria (mestres, alunos e graduados).
As grandes preocupações do Venerando Mestre sempre foram o futuro da capoeira e os capoeiristas do futuro.
Talvez antevendo a transformação da capoeira-jogo num desporto pugilístico, em detrimento dos seus aspectos educacionais e lúdicos.
O  abandono do ritmo ijexá, majestoso, solene, gerador de movimentos elegantes e pacíficos, pelos toques rápidos e de caráter belicoso, é a base sobre a qual vem se desenvolvendo uma capoeira, mais preocupada em “soltar os golpes” que em se esquivar do movimentos de potencial agressivo, característica predominante entre os capoeiristas do passado aparentemente invisíveis e intangíveis como o vento (daí a lenda do desaparecimento sob forma de besouro, bananeira ou de simplesmente deixarem de ser vistos nos momentos de perigo) .
A influência da violência cada vez maior da sociedade moderna vem desviando a atenção dos verdadeiros fundamentos da capoeira, tornando-a em mais um fator de violência, sob o falso manto de defesa pessoal e de arte marcial, mero pugilato executado sob um fundo musica de caráter belicoso.
Mister se faz o retorno às origens, diria Frede Abreu, lembrando as  palavras singelas do nosso Mestre, no seu dialeto afro-baiano, um verdadeiro código de ética.
Seus conselho, guardados e obedecidos,  certamente tornariam desnecessária uma regulamentação ou codificação extensa e prolixa.


“Os mestre não pode ensinar com discortez nem de modo àgressivo, não . devemos procurar ficar isolados por que nada podemos fazer sem amôr ao esporte.”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7a, linhas 15-19)

O egoismo, a agressividade, a deslealdade, o orgulho, a vaidade, os interesses mercenários, levam ao isolamente – reverso da esportividade.


“O bom capoeirista nunca se exalta procura sempre estar calmo para poder reflitir com percisão e acerto; não discute com seus camaradas ou alunos, não touma o jogo sem ser sua vez; para não aborrecer os companheiros e dai surgir uma rixa; ensinar aos seus alunos -sem procurar fazer exibição de modo agresivo nem apresentar-se de modo discortez…”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7a, linhas 19-23)

A calma é indispensável à reflexão, à correção dos movimentos, à adaptação do jogo entre os pares,  tornando o espetáculo mais belo e seguro. Todo capoeirista deve ser cortês, evitando aborrecer ou irritar seus companheiros, enquanto mantém sua própria tranqüilidade!
Decanio Filho – A herança de Pastinha, (pág. 24)


“…sem amôr a nossa causa que é a causa da moralisação e aperfeicoamento desta luta tão bela quanto util: à nossa educação fisica; …”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 4-8)

A prática da capoeira deve ser regida pelo amor a esta arte,  instrumento de educação e não de discórdia!


“… não devemos procurar ficar isolado, porque nada podemos fazer; é muito certo o trocado popular que diz: a união faz a força:…”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 8-11)

Só o respeito mútuo, a observação dos princípios básicos esportivos (lealdade, humildade e obediência as regras) e a conservação da camaradagem permitem a união indispenável ao progresso da capoeira!


“…o nosso ideal de uma capoeira perfeita escoimada de erros, duma raça forte e sadia que num futuro proximo daremos ao nosso amado Brasil.”
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 14-17)

A prevenção dos erros por uma conduta educada, respeitosa, gentil, levará ao aprimoramento do nosso povo.

A ÉTICA NOS MANUSCRITOS DE PASTINHA

Mestre Pastinha deixou traçado nos seus manuscritos  o roteiro do código de conduta (ética) dos capoeiristas de todas as  categoria (mestres, alunos e graduados).
As grandes preocupações do Venerando Mestre sempre foram o futuro da capoeira e os capoeiristas do futuro.
Talvez antevendo a transformação da capoeira-jogo num desporto pugilístico, em detrimento dos seus aspectos educacionais e lúdicos.
O  abandono do ritmo ijexá, majestoso, solene, gerador de movimentos elegantes e pacíficos, pelos toques rápidos e de caráter belicoso, é a base sobre a qual vem se desenvolvendo uma capoeira, mais preocupada em "soltar os golpes" que em se esquivar do movimentos de potencial agressivo, característica predominante entre os capoeiristas do passado aparentemente invisíveis e intangíveis como o vento (daí a lenda do desaparecimento sob forma de besouro, bananeira ou de simplesmente deixarem de ser vistos nos momentos de perigo) .
A influência da violência cada vez maior da sociedade moderna vem desviando a atenção dos verdadeiros fundamentos da capoeira, tornando-a em mais um fator de violência, sob o falso manto de defesa pessoal e de arte marcial, mero pugilato executado sob um fundo musica de caráter belicoso.
Mister se faz o retorno às origens, diria Frede Abreu, lembrando as  palavras singelas do nosso Mestre, no seu dialeto afro-baiano, um verdadeiro código de ética.
Seus conselho, guardados e obedecidos,  certamente tornariam desnecessária uma regulamentação ou codificação extensa e prolixa.


"Os mestre não pode ensinar com discortez nem de modo àgressivo, não . devemos procurar ficar isolados por que nada podemos fazer sem amôr ao esporte."
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7a, linhas 15-19)

O egoismo, a agressividade, a deslealdade, o orgulho, a vaidade, os interesses mercenários, levam ao isolamente – reverso da esportividade.


"O bom capoeirista nunca se exalta procura sempre estar calmo para poder reflitir com percisão e acerto; não discute com seus camaradas ou alunos, não touma o jogo sem ser sua vez; para não aborrecer os companheiros e dai surgir uma rixa; ensinar aos seus alunos -sem procurar fazer exibição de modo agresivo nem apresentar-se de modo discortez…"
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7a, linhas 19-23)

A calma é indispensável à reflexão, à correção dos movimentos, à adaptação do jogo entre os pares,  tornando o espetáculo mais belo e seguro. Todo capoeirista deve ser cortês, evitando aborrecer ou irritar seus companheiros, enquanto mantém sua própria tranqüilidade!
Decanio Filho – A herança de Pastinha, (pág. 24)


"…sem amôr a nossa causa que é a causa da moralisação e aperfeicoamento desta luta tão bela quanto util: à nossa educação fisica; …"
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 4-8)

A prática da capoeira deve ser regida pelo amor a esta arte,  instrumento de educação e não de discórdia!


"… não devemos procurar ficar isolado, porque nada podemos fazer; é muito certo o trocado popular que diz: a união faz a força:…"
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 8-11)

Só o respeito mútuo, a observação dos princípios básicos esportivos (lealdade, humildade e obediência as regras) e a conservação da camaradagem permitem a união indispenável ao progresso da capoeira!


"…o nosso ideal de uma capoeira perfeita escoimada de erros, duma raça forte e sadia que num futuro proximo daremos ao nosso amado Brasil."
Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha (pág.7b, linhas 14-17)

A prevenção dos erros por uma conduta educada, respeitosa, gentil, levará ao aprimoramento do nosso povo.

A IMPORTÂNCIA DO TRANSE CAPOEIRANO NO JOGO DE CAPOEIRA DA BAHIA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Há muitos anos, cerca de 40, venho comparando o comportamento dos capoeiristas durante o jogo de capoeira da Bahia e suas atividades habituais.
O convívio com os praticantes das artes marciais orientais, do espiritismo, do candomblé; o estudo do hipnotismo, do ioga, da parapsicologia, da fisiopatologia do sono, dos estados modificados de consciência e a prática da meditação nos permitiram analisar o comportamento e o potencial do ser humano em diversas estágios de consciência.
Os registros históricos, científicos e religiosos de condições de bilocação, teletransporte, telecinesia, materializações e desmaterializações, bem como os estudos de física subatômica, nos vem atraindo a atenção para o efeito dos sons e dos ritmos sonoros sobre os níveis e estados de consciência, bem como a correspondência entre os mesmos e as manifestações motora e comportamentais daqueles sob a sua influência.
É notória a influência da música sobre o estado de humor das pessoas, basta lembrar a tristeza do toque de silêncio, a ternura da Ave-Maria, a agitação do Olodum e dos trios elétricos, os movimentos suaves do balé no "Lago do Cisne".
É evidente que os movimentos induzido pelo "reagge" são diferentes daqueles do samba, da valsa, do cancã ou do foxblue. Sem falar da marcha forçada sob o rufar dos tambores; da tranqüilidade do silêncio; da irritação pelos ruídos; do pânico ao bramir dos elefantes, do rugir do tigre, do estrondo das trovoadas; da sensação de bem estar e conforto trazida pelo ruflar da brisa suave na folhas…
A cultura africana encontramos o uso de música, ritmo e cânticos como gerenciadores, coordenadores, estimuladores de atividades comunitárias como pesca, caça, plantio, etc.
O candomblé oferece-nos uma variedade de toques de atabaques, com diversos ritmos e andamentos, capazes de desencadearem manifestações motoras padronizadas sob categorias de orixás.
É conveniente estudar as associações de toques, ritmos e andamentos com os padrões de comportamentos dos orixás e personalidades dos "filhos de santo" para melhor entendermos a influência dos toques, ritmos e andamentos nos desenvolvimento do jogo de capoeira, consoante a variedade de temperamentos e personalidades dos capoeiristas.
O exame das fotografias de Pierre Fatumbi Verger, de cenas de candomblé colhidas na África, documenta a identidade daqueles movimentos durante o transe dos orixás, que manifestam a atividade gerada pelos toques e ritmos musicais do candomblé e destes da capoeira.
É conveniente lembrar a associação dos estados de humor com as expressões faciais e posturas do corpo para compreendermos melhor as repercussões das modificações de estado de consciência e as manifestações motoras conseqüentes.
Todos reconhecemos os ombros caídos do desânimo, o olhar de tristeza, a vivacidade dos movimentos de alegria, a expressão corporal do animal prestes a atacar, etc.
Quantos outros quadros poderíamos citar?
Portanto, se a música pode alterar o estado de ânimo e as suas manifestações motoras estáticas e dinâmicas, forçosamente teremos que concluir que o andamento, ritmo, palmas e cantos também modificam o comportamento dos capoeiristas durante o jogo.

INFLUÊNCIA DO ARQUÉTIPO COMPORTAMENTAL

Ante um mesmo toque, ritmo e andamento, os diversos arquétipos manifestam sua identidade de modo particular, especifico para cada entidade comportamental (com nuanças especiais, intrínsecas a cada ser e cada momento histórico) de modo que o comportamento é praticamente imprevisível a cada instante, porém com um fluxo natural, espontâneo, ingênito, inato… instintivo como dizia Bimba.
Assim é o próprio Bimba conhecia o fato e afirmava "é o jeitcho dêle", permitindo que cada um jogasse capoeira com suas características pessoais.
Fato muito notório em certos capoeiristas de movimentos muito lentos, porém dotados de grande mobilidade articular e elasticidade, como Prof. Hélio Ramos, "Cascavel," Eziquiel "Jiquié", "Caveirinha", entre tantos. Assim é que "Atenilo" (jocosamente conhecido como "Relâmpago") um dos mais antigos dos alunos do Mestre, jamais modificou seu estilo tardo, lerdo, ingênuo, de praticar a capoeira.
Entretanto, ainda hoje não consigo reconhecer ou identificar os vários arquétipos de capoeiristas, mas posso perceber de modo vago, as semelhanças que se repetem independentemente de mestres, momento histórico e localização geográfica.
Assim é que venho detectando similitude do que chamamos de "jogo" (estilo pessoal, jeito particular de jogar) em alunos de diferentes mestres e em regiões diferentes, i.e., encontrando "jogos" parecidos com alguns dos companheiros de meus tempos antigos em locais diversos, como em Natal/RN, Goiânia/GO, etc.
Fato mais surpreendente foi ver, recentemente, na Academia de Mestre João Pequeno de Pastinha, aparecer um rapaz, cujo nome e mestre não consegui identificar, cerca de 17 anos, negro, alto, longilíneo; pescoço fino, elástico e forte; com um jogo incrivelmente semelhante ao do meu Mestre (Bimba), a ponto de me sugerir a sua reincarnação.

TOQUES PACÍFICOS E TOQUES DE GUERRA

Os vários toques, ritmos, andamentos e cânticos de candomblé associam-se a modificações de estados de consciência (transe de orixás) específicos de cada arquétipo. Sendo o estado de transe provocado pela adequação, sinergia, sintonia, harmonia, da música com o arquétipo (sensibilidade do ente sob seu campo energético ou vibratório).
Assim é que uma pessoa, sujeita aos diversos tipos de vibrações orfeônicas em campo sonoro desta natureza, poderá permanecer indiferente a vários padrões orfeônicos ou exteriorizar sua sensibilidade por manifestações motoras ou psicológicas em algum momento ou padrão, com o qual seu arquétipo se harmonize.
Consoante o tipo sonoro, pacífico, belicoso, calmo, agitado, lento, vivo, moderado, rápido, a entidade em sinergia manifestará sua sintonia por movimentos calmos, majestosos, vivos, violentos, guerreiros, etc.
Dentre os toques calmos destaca-se o ijexá, pela paz, alegria, felicidade e requebro a que se associa, razão pela qual permite os movimentos do samba de roda, do afoxé, batuque e capoeira.
A importância atribuída pelo nosso Mestre ao toque era tal que o compelia a usar apenas a musica do berimbau (tocado pelo próprio), sem pandeiro, para que os aprendizes fixassem o ritmo-melodia em toda sua plenitude. A exclusão de todo e qualquer outro instrumento que não berimbau e pandeiro da orquestra também decorria desta premissa.
Freqüentemente, quando os alunos jogavam com muito açodamento e velocidade durante um toque de "banguela" o Mestre resmungava:

"Tô disperdiçandu minha banguela!
"Só merecem mesmu a cavalaria!"
E…
"virava" para o toque mais duro e bruto da "regional"…
impiedosamente mais adequado para os embrutecidos…
insensíveis e afobados.

O CAMPO ENERGÉTICO
DA ORQUESTRA, CANTO, PALMAS E JOGO

O capoeirista, como todos os demais participantes duma roda de capoeira, está encerrado num campo energético, com o qual interage e portanto sujeito a todos os seus fatores em atividade
Reflete, portanto, não só seu estado pessoal, porém aquele do complexo energético da roda, sofrendo a influência de todo o conjunto.
Toda a excitação ambiental envolve os jogadores e transtorna a condução do espetáculo, o qual poderá evoluir para um circo romano em toda sua barbárie.
Razão pela qual, a assistência do jogo da capoeira, antigamente, nas festas de largo, assistia silenciosa e respeitadora, como numa cerimonia religiosa, o desenrolar do jogo de capoeira, procurando guardar os detalhes de cada um dos lances à procura da descoberta do mais habilidoso, elegante, malicioso, inteligente, destro dentre os participantes.
O silêncio e a paz ambiental propiciam a melhor percepção da mensagem orfeônica, o desenvolvimento do transe capoeirano e portanto, o desenrolar do jogo.
As palmas, introduzidas pelo Mestre Bimba para enfatizar a participação da assistência e esquentar o ritmo, alcançam atualmente intensidade tal, que não mais permitem ouvir o toque do berimbau e muitas vezes, sequer os cânticos, desnaturando a capoeira no seu ponto mais nobre, a musicalidade, fonte do transe, ponto capital do jogo.
O atabaque, formalmente condenado pelo Mestre Bimba, durante todo o tempo em que acompanhei a sua rota, foi introduzido pelo Mestre Pastinha e ulteriormente usado pelos grupos folclóricos, a partir de Camisa Roxa, Acordeom, Itapoan, etc. para enfatizar a "africanidade" original. Tocado por quem de direito, suave e discretamente, como pelas orquestras de Mestre Pastinha e seus descendentes; conhecedores dos arcanos, fundamentos, segredos musicais africanos, marca o andamento e acompanha o toque do berimbau, instrumento-rei da capoeira, ao qual deve acompanhar e jamais suplantar, obscurecer.
Em mão desabilitadas, como ocorre na rodas da chamada regional atual, torna-se arauto de ritmo guerreiro e acarretam um transe violento, que vem matando, ferindo, lesando impiedosamente os seus praticantes, desde que provoca um transe agressivo, belicosos, guerreiro, desenfreado e deve portanto ser proscrito em nome da legitimidade da capoeira e da segurança dos seus praticantes.
O agogô e o , são excelentes marcadores de compasso, indispensáveis nas orquestras de candomblé, embora não aceitos pelo Bimba, talvez por terem sido introduzidos por Pastinha, enriquecem as charangas dos seguidores do estilo de Mestre Pastinha e ajudam (e muito!) a manter a constância do andamento do toque.
O reco-reco, também introduzido pelo Mestre Pastinha, nos parece inócuo, sem maior expressão musical, dispensável, salvo para manter a tradição do estilo.
Aviola, hoje em desuso, de ausência lamentada pelo Mestre Pastinha em seus manuscritos, também encontrada no samba de roda, nos indica a origem comum da capoeira e do samba, como indicamos em nossos escritos sobre a família musical áfrico-brasileira.
Opandeiro, com redução dos guizos com recomendado pelo Mestre Bimba, marca o compasso e mantém a constância do andamento quando em mãos habilitadas. É comum no entanto que os mais afoitos (ou despreparados?) acelerem o ritmo ou se afastem do toque do berimbau, desde que não havendo treinamento adequado (ensaio) como fazem os descendentes de Mestre Pastinha ou responsável pela direção da orquestra ou charanga (fiscal no dizer de Mestre Pastinha) é comum alguém se apropriar indevidamente do manuseio deste instrumento.
Mestre Bimba dizia que "O pandeiro é o atabaque do capoeirista".
Oberimbau é o instrumento-rei da capoeira, vez que somente o seu aparecimento na rodas de capoeira (antigamente citadas apenas como " capoeira" pelo próprio Mestre Pastinha, algumas vezes referidas como "capoeira de Fulano de Tal") é que marca o surgimento da capoeira como a reconhecemos atualmente, a capoeira da Bahia, seja o estilo "angola" seja o "regional".
Torna-se portanto, indispensável ao bom desenvolvimento do jogo que seu toque predomine no ambiente, mantendo a uniformidade do ritmo e o entrosamento entre os parceiros duma "volta" ou "jogo", sem o qual fatalmente existirão os desencontros e a violência.

TEXTOS CORRELATOS

ESTADO DE CONSCIÊNCIA MODIFICADO (TRANSE CAPOEIRANO)

 Sob a influência do campo energético desenvolvido pelo ritmo-melodia ijexá e pelo ritual da capoeira, o seu praticante alcança um estado modificado de consciência em que o SER se comporta como parte integrante do conjunto harmonioso em se encontra inserido naquele momento.
 O capoeirista deixando de perceber a si mesmo como individualidade consciente, fusionando-se ao ambiente em que se desenvolve o jogo de capoeira. Passando a agir como parte integrante do quadro ambiental em desenvolvimento. Procedendo como se conhecesse ou apercebesse simultaneamente passado, presente e futuro (tudo que ocorreu, ocorre e ocorrerá a seguir) e se ajustando natural, insensível e instantaneamente ao processo atual.
Decanio Filho, A. A. – in Fundamentos da capoeira (texto publicado em Capoeira da Bahia Online para download). 

BERIMBAU – A LIGAÇÏ ENTRE O MANIFESTO E O INVISÍVEL

O capoeirista para jogar capoeira não precisa de conhecer a história e a técnica da capoeira, por que o ritmo/melodia põe o ouvinte diretamente em sintonia com a "capoeira" abstrata, que abrange a fonte etérea dos movimentos, os paradigmas de jogos, os arquétipos de capoeiristas e talvez com a própria "tradição". Por este motivo, poderemos aprender por ver, ouvir e dançar… como "Totônio de Maré" o fez no cais do porto de Salvador/BA.
"Itapoan" perguntou a "Maré" como aprendera capoeira e este respondeu:

"Vendo os outros jogarem. Gostei, entrei na roda e joguei!"

Conforme assisti em gravação VHS do acervo do Mestre Itapoan, em casa do mesmo.
E "Vovô Capoeira" fez o mesmo, aos 84 anos de idade, na roda de Mestre Canelão em Natal/RN.
Assim é que, aos poucos a conjugação da música com os movimentos relaxados vai orientando o capoeirista no caminho do transe que o conduzirá diretamente à fonte da capoeira, na face invisível da realidade, que não depende dos sentidos corpóreos.

COMPORTAMENTO HUMANO, VIBRAÇÃO SONORA E RITMO.

Em Ioga percebemos a importância dos mantras…
os gregos antigos atribuíram ao Logos o poder de organizar o Caos…
no Gênesis aprendemos a força do Verbo capaz de criar o Universo e a Vida…
… na África Antiga não foi diferente!

Os africanos ao divinizarem os seus ancestrais e cultua-los com ritmos e toques diferentes vinculados ou representativos de seus comportamentos, descobriram categorias fundamentais subjacentes ao nível de consciência, independentes de culturas e religiões, os arquétipos humanos, que denominaram de orixás.
O "SER" exposto às vibrações sonoras ritmadas oriundas dos atabaques entra em harmonia com as mesmas e passa a manifestar em movimentos rituais a sua consonância.
Tudo se passa como se o conteúdo musical dos toques de candomblé fosse aprofundando o nível vibracional do sistema nervoso central, especialmente do cérebro (tido como sede da consciência) e alcançando os níveis correspondentes ao arquétipo individual. Chegando a toldar a consciência e levando a um estado transicional em que o "SER" passa a manifestar, em movimentos rituais involuntários, atributos do arquétipo, através circuitos de reverberação medulo-espinhais como que gravados geneticamente na estrutura do seu sistema nervoso central.
Não é indispensável o conhecimento da doutrina e ritual do candomblé, bem como de componente genético africano para a sintonia com o ritmo do orixá correspondente, vez que já assistimos à chamada "incorporação" de entidades africanas em europeus em primeiro contacto com "exibição" de música de candomblé, portanto, fora do contexto religioso. Durante o tempo em que funcionei como "apresentador" do "show folclórico" de Mestre Bimba observei que alguns assistentes entravam em consonância ou harmonia com um determinado toque, não se deixando influenciar por outros, o que atribuí à correspondência orgânica ao arquétipo daquela pessoa, ao modo de categoria de comportamento em nível subconsciente.
Na capoeira, o ritmo ijexá, especialmente tocado pelo berimbau, conduz o ser humano a um nível vibratório, dos sistemas neuro-endócrino e motor, capaz de manifestar, de modo espontâneo e natural, padrões de comportamento representativos da personalidade de cada Ser em toda sua plenitude neuro-psico-cultural, integrando componentes genéticos, anatômicos, fisiológicos, culturais e experiências vivenciadas anteriormente, quiçá inclusive no momento.
Todos os capoeiristas conhecem o transe capoeirano, embora nem todos disto se apercebam, um estado de extrema euforia, e de integração ou acoplamento a outra ou outras personalidades participantes do mesmo evento, conduzindo a execução de atos acima da capacidade considerada como ‘normal".
Trata-se dum estado transitório, em que não há perda total de consciência, porém existe uma liberação de movimentos reflexos, exaltação do potencial e ampliação do campo de influência vital de cada "SER".
É interessante registrar que em outros membros da "família cultural da capoeira" (samba de roda, maculelê, afoxé, frevo, entre outros) encontramos estados transicionais assemelhados, em que os personagens ultrapassam suas limitações "normais". De outro modo não assistiríamos a idosos desfilando em "escola de samba" ou saracoteando em frevo…
Assim cada capoeirista desenvolve um estilo pessoal, representativo do seu "EU", manifestado de maneira imprevisível a cada jogo e a cada instante de cada jogo.
Consoante o arquétipo de cada praticante ou mestre, o momento histórico vivenciado, o contexto em que está se desenvolvendo, a capoeira pode assumir aspectos multifários, lúdicos, coreográficos, esportivos, competitivos, belicosos, educativos, corretivos, terapêuticos, etc.
Do mesmo modo e pelos mesmos motivos, cada tocador de berimbau manifesta a sua personalidade na afinação do instrumento, ritmo, andamento musical, impostação vocal e conteúdo do cântico.
Razões semelhantes criam a identidade de cada roda, a multiplicidade de estilos e impõe a alegria e a liberdade de criação como fundamentos da capoeira.
Por ser a própria Liberdade e a Felicidade de cada "SER" a capoeira não cabe, não pode ser enclausurada, em regulamentos e conceitos estanques, nem prisioneira de interesses mesquinhos, comerciais ou de outra natureza.
A capoeira oferece um gama infinito de representações motoras , comportamentais e musicais; de aplicações terapêuticas, pedagógicas, marciais e esportivas; além do aperfeiçoamento físico, mental e comportamental de cada praticante.
Cada um de nós cria uma capoeira pessoal, transitória e mutável, evolutiva, processual, como todos os valores humanos e poderá ser imitada, jamais reproduzida em clones, como produto industrial de fôrma, idêntico em todos detalhes.
É interessante o estudo do simbolismo dos constituintes da personalidade humana na arte iorubana que indica no mínimo a noção de níveis de consciência, pois entre os povos iorubanos a consciência (personalidade exterior) é representada pela coroa (ile ori), enquanto a personalidade íntima (ori inu) correspondente ao (subconsciente+inconsciente) é simbolizado pelo ibori, uma pequenasaliência no ponto mais alto da coroa.
Angelo A. Decanio Filhoo – Falando em capoeira, Coleção S. Salomão, CEPAC, Salvador/BA, pg: 51

MOVIMENTOS CIRCULARES EM CAPOEIRA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Os movimentos helicinos, circulares, predominam tipicamente no jogo de capoeira por herança cultural da dança religiosa do candomblé, sua raiz africana.
Como os músculos do corpo humano descrevem um trajeto elipsóide entre o ponto de origem e aqueloutro de inserção, concluímos que os movimento ciclóides devem propiciar maior rendimento motor em termos de velocidade e potência.
Analisaremos a seguir a relevância dos mesmos no gingado, na defensiva, no ataque e na coreografia.

NO GINGADO

O gingado é o movimento ritmado de todo o corpo acompanhando o toque do berimbau, com a finalidade precípua de manter o corpo relaxado; pés apoiados no terço anterior, deslizando levemente sobre o piso e o CGC em permanente deslocamento, pronto para esquiva, ataque, contra-ataque ou fuga.
Característica importante é o vai-e-vem do corpo, ora ensaiando um passo para diante, ora para trás; outras vezes esboçando giros sobre um pés, movimentos descendentes e ascendentes descrevendo espirais que não se concretizam; sempre procurando esquivar das aproximações do parceiro enquanto tenta abordá-lo sob ângulos diversos à procura de pontos indefesos.
Durante o gingado o praticante deve manter-se em movimento permanente, simulando tentativas de ataque, contra-ataque, executando movimentos para atrair ou distrair a atenção do parceiro; sempre vigiando as intenções do parceiro; guardando contínua postura mental de esquiva e proteção dos alvos potenciais de ataques, prestes a fugir, esquivar, negacear ou contra-atacar.
Assim o gingado é o fulcro da capoeira, donde partem todos os seus movimentos.
Por definição e conceito da própria capoeira, só podemos aceitar no jogo de capoeira movimentos gerados a partir do gingado, compatíveis com o ritual da roda e enquadrados no ritmo-melodia do toque de berimbau.
Obviamente, a dinâmica do gingado deve facilitar a esquiva em movimento tangencial, negando ou afastando o corpo do impacto direto.

NA DEFENSIVA

Em decorrência dos movimentos helicinos, os encontros com elementos externos passam a levar orientação tangencial no momento do impacto, transformando o valor da força viva (mv2/2) integral (i.e. multiplicado pelo seno de 90o (=1) num valor menor porque em ângulos > ou < do que 90o o valor do seno é inferior a l.
Deste modo a movimento defensivo circular, além de facilitar a esquiva, reduz acentuadamente o efeito do golpe traumático em ação.
O movimento giratório durante as quedas ou projeções conduz esta conclusão para o momento do impacto, que passa a ser tangencial (ângulo diferente de 90o) e não direto (=90o).
Princípio adotado no treinamento de "ukemi" no Judô, sob a denominação portuguesa de "rolamento", ao lado da "dispersão" da energia cinética pela batida da palma da mão contra o solo em tentativa de desprendimento do contato com o solo.

NO ATAQUE

A funda, que o pequeno Davi usou para vencer o gigante Golias, utiliza a aceleração centrífuga do movimento giratório como propulsora do seu projetil.
Assim, o movimento circular gera aumento da potência dos golpes, incrementando sua eficiência de modo notório, porque na extremidade do segmento contundente a velocidade é, proporcionalmente ao seu comprimento, um múltiplo da original na raiz do membro.
Observe-se também que os caratecas realizam um movimento de torção no momento do impacto para reforçar o impacto dos "tsuki".

NA COREOGRAFIA

O efeito estético da coreografia exige a leveza dos movimentos, a qual empresta aos mesmos uma elegância natural, algo como a evolução sinuosa das serpentes.
Os movimentos circulares, tendo por origem o centro de gravidade, comprometem o corpo como uma unidade, exigem um esforço segmentar bastante reduzido, emprestando graça e naturalidade ao conjunto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A inteligência corporal.

Mestre Yoshida falava muito numa inteligência bulbo-espinhal (Shinkei) em cooperação com a inteligência do cérebro (Nô)
A primeira (infra-encefálica, inconsciente, bulbomedular), atribuída pelo Prof. Jaime Martins Viana à criação de circuitos reverberantes medulares, fruto da repetição freqüente de movimentos durante o treinamento ou execução dum trabalho repetitivo, cujos circuitos seriam responsáveis pela resposta automática, reflexa ante uma situação da qual o SER toma conhecimento por um conjunto de dados periféricos inconscientes, veiculados pelos órgãos sensoriais de todo o corpo, interpretados pelo sistema nervoso central pela comparação, também a nível subconsciente, com situações semelhantes vivenciadas anteriormente.
Justifica-se deste a maior riqueza de recursos exibida pelos detentores de maior tempo de prática da "arte-e-manha de São Salomão", a superioridade técnica dos "mais velhos" e dos mestres, detentores de maior gama de padrões de comportamento, adquirido ao longo do tempo.
Durante a vida, encontrei oportunidades de enriquecer meus conhecimentos e habilidades com o aprendizado de artes manuais sobretudo marcenaria, carpintaria naval, mecânica, pintura automotiva, hidráulica em construção civil e pilotagem de embarcações diversas, entre outras.
Os mestres eram, na sua quase totalidade, de origem africana (sangüínea ou cultural), como soe acontecer em nosso meio e obviamente, adotavam o sistema de transmissão de conhecimentos usual no correspondente ambiente social.
O método é muito simples, inicialmente o mestre executa a tarefa de modo natural, algumas vezes em modo um pouco mais lento, como a enfatizar os momentos mais importantes, sem uso de muitos detalhes orais. A seguir entrega matéria prima e ferramenta, ordena a repetição da procedimento pelo aprendiz e afasta-se enquanto o aprendiz repete o trabalho; retornando para examinar o resultado final.
A repetição da operação permite o aprendizado dentro do potencial do aprendiz, evitando o surgimento dos "teorebas" e "papagaios" tão comuns nos meios acadêmicos, os "mestres" discursivos… parlapatões… "catedráticos" desprovidos de habilidade prática… doutores de beca, de anéis brilhantes, sem argola de outro na orelha, como diria Mestre Pastinha…
A fisiologia nervosa nos ensina que os movimentos complexos são desencadeados a partir de comandos simples.
Ao tomarmos uma colher de sopa, não desdobramos a ordem mental "tomar sopa" numa sucessão de atos voluntários ou conscientes, como:

  1. pegar a colher,
  2. levar a colher até o prato de sopa,
  3. mergulhar a colher na sopa,
  4. retirar a colher da massa líquida, sem derramar a sopa,
  5. levar a colher sem derramar o seu conteúdo, até à boca, etc;

simplesmente pensamos em "tomar sopa" e nosso corpo executa a seqüência completa de movimentos necessários ao cumprimento do desejo; interpretado como uma ordem completa, abrangendo uma série de etapas a serem cumpridas automaticamente.
Esta aptidão para encadear movimentos complexos a nível subconsciente, a serem desencadeado pela ativação de símbolos ou idéias, é que Mestre Yoshida denominava de inteligência medular em contraposição áqueloutra consciente, que está vinculada à atividade da cortical do cérebro.
A "inteligência corporal" tem a capacidade aprender a reagir a situações ambientais, a interagir com a evolução das mesmas a nível infra-consciente e criar manobras adequadas a uma dada situação, com base na experiência acumulada pela vivência pregressa de situações semelhantes.
Explicam-se deste modo as surpreendentes esquivas e/ou contra-ataques fulminantes durante um jogo de capoeira, sem o que o praticante precise analisar a situação ou elaborar uma solução para o momento.
Compreende-se assim a necessidade variar de parceiro, tão logo seja possível, desde os primeiros instantes do aprendizado, para ampliar as variações espontâneas de gestos, movimentos e manobras consoante a personalidade do companheiro. Acresce que a mudança de parceiro acostuma o principiante a não temer a desconhecimento do movimentos do oponente e a confiar nos reflexos do próprio corpo, que improvisa as reações a nível subconsciente.
Conseqüentemente, a repetição mecânica das seqüência, dispensando o acompanhamento meticuloso dos movimentos, sobretudo do movimento do seu desencadeamento, não aperfeiçoa a sua realização, nem multiplica os padrões de reflexos de esquiva e/ou contra-ataques.
Acompanhando cursos e treinamento de principiantes, venho verificando alunos iniciarem movimentos de esquiva antes do esboço do ataque ou executarem movimentos automatizados e desprovidos de objetividade, como a negativa antes da benção. Conseqüência do treinamento intensivo massificado, que poderá ser facilmente corrigida pela início do treinamento com movimentos cuidadosos e lentos, única maneira de evitar o medo de que leva ao principiante a se precipitar na esquiva ou defensiva, anulando o efeito benéfico da prática.
Mestre Bimba não consentia esta antecipação, pois quando o aluno assume o movimento defensivo ou a esquiva, antes do início do movimento do parceiro ativo, transforma uma manobra simulada de ataque e defesa em movimentos dissociados, despropositados e inócuos.
Mestre Pastinha enfatizava o treinamento prolongado sob o ritmo da "bateria" como o ponto alto da sua pedagogia, hábito que os seus seguidores mais próximos conservam até nossos tempos.
É indispensável portanto a confiança no parceiro e o cuidado durante a seqüência de ensino, bem como aguardar o justo momento da esquiva ou defensiva, para desenvolver o "golpe de vista" componente primordial do jogo capoeira.

CONCLUSÃO

As considerações acima nos permitem sugerir o aumento da carga horária de treinamento sob o toque do berimbau no ensino e prática da capoeira, reservando diariamente um período extra de exercícios físicos individuais.
Sistema este adotado pelo Mestre Bimba na época em que iniciei o aprendizado e seguido pelos "mais velhos" do meu tempo, para manutenção da aptidão física
A repetição exaustiva de seqüências de movimentos cria padrões estereotipados de comportamento, que permitem facilmente ao oponente a antecipação do movimento seguinte no seguimento do jogo, ocorrência indesejável e perigosa por motivos óbvios.
É indispensável lembrar que o jogo de capoeira é uma eterno improviso… a cada movimento o risco duma surpresa!

COMPORTAMENTO HUMANO, VIBRAÇÃO SONORA E RITMO IJEXÁ

Em Ioga percebemos a importância dos mantras.. .
os gregos antigos atribuíram ao Logos o poder de organizar o Caos…
no Gênesis aprendemos a força do Verbo capaz de criar o Universo e a Vida..
… na África Antiga não foi diferente!

O candomblé ao divinizar os ancestrais e cultua-los com ritmos e toques diferentes vinculados ou representativos de seus comportamentos descobriu categorias fundamentais subjacentes ao nível de consciência, independentes de culturas e religiões, os arquétipos humanos, que denominaram de orixás.

O "SER" exposto às vibrações sonoras ritmada oriundas dos atabaques entra em harmonia com as mesmas e passa a manifestar em movimentos rituais a sua consonância.
Tudo se passa como se o conteúdo musical dos toques de candomblé fosse aprofundando o nível vibracional do sistema nervoso central, especialmente do cérebro (tido como sede da consciência) e alcançando os níveis correspondentes ao arquétipo individual. Chegando a toldar a consciência e levando a um estado transicional em que o "SER" passa a manifestar, em movimentos rituais involuntários, atributos do arquétipo, através circuitos de reverberação meduloespinhais como que gravados geneticamente na estrutura do seu sistema nervoso central.

Não é indispensável o conhecimento da doutrina e ritual do candomblé, bem como de componente genético africano para a sintonia com o ritmo do orixá correspondente, vez que já assistimos à chamada "incorporação" de entidades africanas em europeus em primeiro contato com "exibição" de música de candomblé, ou com ritual religioso, portanto, fora do contexto religioso.

Durante o tempo em que funcionei como "apresentador" do "show folclórico" de Mestre Bimba observei que alguns assistentes entravam em consonância ou harmonia com um determinado toque, não se deixando influenciar por outros, o que atribuÍ à correspondência orgânica ao arquétipo daquela pessoa, ao modo de categoria de comportamento em nível subconsciente.

Na capoeira, o ritmo ijexá, especialmente tocado pelo berimbau, conduz o ser humano a um nível vibratório, dos sistemas neuroendócrino e motor, capaz de manifestar, de modo espontâneo e natural, padrões de comportamento representativos da personalidade de cada Ser em toda sua plenitude neuropsicocultural, integrando componentes genéticos, anatômicos, fisiológicos, culturais e experiências vivenciadas anteriormente, quiçá inclusive no momento.

Todos os capoeiristas conhecem o transe capoeirano, embora nem todos disto se apercebam. Um estado de extrema euforia, e de integração ou acoplamento a outra ou outras personalidades participantes do mesmo evento, conduzindo a execução de atos acima de capacidade considerada como "normal".

Trata-se dum estado transitório, em que não perda total de consciência, porém existe uma liberação de movimentos reflexos, exaltação do potencial e ampliação do campo de influência vital de cada "SER".

É interessante registrar que em outro membros da "família cultural da capoeira" (samba de roda, maculelê, afoxé, frevo, entre outros) encontramos estados transicionais assemelhados, em que os personagens ultrapassam suas limitações "normais". De outro jeito não assistiríamos a idosos desfilando em "escola de samba" ou saracoteando em frevo…

Assim cada capoeirista desenvolve um estilo pessoal, representativo do seu "EU’ de maneira imprevisível a cada jogo e a cada instante de cada jogo.
Consoante o arquétipo de cada praticante ou mestre, o momento histórico vivenciado, o contexto em que está se desenvolvendo, a capoeira pode assumir aspectos multifários, lúdicos, coreográficos, esportivos, competitivos, belicosos, educativos, corretivos, terapêuticos, etc.

Do mesmo modo e pelos mesmos motivos, cada tocador de berimbau manifesta a sua personalidade na afinação do instrumento, ritmo, andamento musical, impostação vocal e conteúdo do cântico.
Razões semelhantes criam a identidade de cada roda, a multiplicidade de estilos e impõe a alegria e a liberdade de criação como fundamentos da capoeira.

Por ser a própria Liberdade e a Felicidade de cada "SER" a capoeira não cabe, não pode ser enclausurada, em regulamentos e conceitos estanques, nem prisioneira de interesses mesquinhos, comerciais ou de outra natureza.

A capoeira oferece um gama infinito de representações motoras , comportamentais e musicais; de aplicações terapêuticas, pedagógicas, marciais e esportivas; além do aperfeiçoamento físico, mental e comportamental de cada praticante.
Cada um de nós cria uma capoeira pessoal, transitória e mutável, evolutiva, processual, como todos os valores humanos e poderá ser imitada, jamais reproduzida em clones, como produto industrial de fôrma, idêntico em todos detalhes.

Ética de Pastinha

Segue original dos procederes éticos de Pastinha – da forma como eles os deixou escritos.
 
"Os mestre não pode ensinar com discortez nem de modo àgressivo, não . devemos procurar ficar isolados por que nada podemos fazer sem amôr ao esporte. O egoismo, a agressividade, a deslealdade, o orgulho, a vaidade, os interesses mercenários, levam ao isolamento – reverso da esportividade.”

"O bom capoeirista nunca se exalta procura sempre estar calmo para poder reflitir com percisão e acerto; não discute com seus camaradas ou alunos, não touma o jogo sem ser sua vez; para não aborrecer os companheiros e dai surgir uma rixa; ensinar aos seus alunos -sem procurar fazer exibição de modo agresivo nem apresentar-se de modo discortez…"

“A calma é indispensável à reflexão, à correção dos movimentos, à adaptação do jogo entre os pares, tornando o espetáculo mais belo e seguro. Todo capoeirista deve ser cortês, evitando aborrecer ou irritar seus companheiros, enquanto mantém sua própria tranqüilidade!”

"…sem amôr a nossa causa que é a causa da moralisação e aperfeicoamento desta luta tão bela quanto util: à nossa educação fisica; …"

"… não devemos procurar ficar isolado, porque nada podemos fazer; é muito certo o trocado popular que diz: a união faz a força:…"

“Só o respeito mútuo, a observação dos princípios básicos esportivos (lealdade, humildade e obediência as regras) e a conservação da camaradagem permitem a união indispenável ao progresso da capoeira!”

"…o nosso ideal de uma capoeira perfeita escoimada de erros, duma raça forte e sadia que num futuro proximo daremos ao nosso amado Brasil."

“A prevenção dos erros por uma conduta educada, respeitosa, gentil, levará ao aprimoramento do nosso povo.”


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