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Os “novos Capitães do mato” do Século XXI

Em pleno século XXI, ano de 2010, encontramos novas versões de “novos Capitães do mato”. Como se formam estes capitães? Ainda hoje, apesar de tanto avanço no movimento progressivas da capoeira, encontramos escolas de formação de oprimidos. Escolas que cercam seus participantes, querendo invisibilizar alguns trabalhos de relevância social e dar maior visibilidade para outros. Pratica da cultura dominante. – O que é meu vale mais, o que é do outro, não tem valor. Portanto, cuidado com os “Novos Capitães do mato”. O que liberta o capoeira é o conhecimento histórico-social de sua luta, não como determinação, mas como possibilidade de reconstruir e transformar a sua comunidade. A cabeça do capoeira aponta para o chão, e seus pés para o céu, esse movimento chamamos de inversão. As raízes ancestrais são fortalecidas na medida em que buscamos aprofundar nossos conhecimentos.

A superficialidade e o senso comum, não emancipam os homens em suas lutas, muito pelo contrário, acomodam e aprisionam na sua ignorância. Ignorância esta, que faz ressurgir os “novos capitães do mato”. Repetindo e reproduzindo a história de dominação, que se perpetua através dos tempos e nos espaços onde se movimentam os capoeiras. A história formal foi construída e constituída pela ótica da cultura dominante, pela lógica de quem é detentor do poder.  
Besouro antes de morrer,Bateu na porta e falou.Meu filho cuida bem,Do que teu mestre ensinou…

Os Capitães do mato, sempre, foram homens que conheciam os segredos da arte-luta capoeira. E resolveram utiliza-la em beneficio próprio, e não em prol do bem comum. É preciso conhecer a história da capoeira, que é um movimento de luta e resistência socialmente construído e, também, conhecer a história dos homens que movem este movimento, e que fazem este movimento se mover. Porque, como diz a musica;  “nem tudo que reluz é ouro, e nem tudo que balança cai”.

Certa vez, numa palestra em Florianópolis, não me recordo o ano, mestre João Pequeno de Pastinha, disse: “quanto mais eu ando, mais eu vejo, quanto mais eu vejo, mais eu aprendo”. E aprendo sempre que convivo com as diferenças, isso me oportuniza dialogar e refletir sobre minha práxis, e me questiono? Como pode alguém dizer, que é a favor das ações afirmativas e das cotas raciais?

Se quando chega no meio do “saber popular”, se apresenta com mestrando de uma universidade de Porto Alegre no RS, e trás um discurso panfletário, sem fontes e referenciais teóricos, sem uma organização de idéias fundamentadas numa ordem mínima. Defende políticas de ações afirmativas e cotas raciais.

E quando se apresenta a um publico para tratar de questões raciais, trás frases de efeito, que destacam a manifestação racista no Brasil para reflexão. Faz uma critica ao hino do Rio Grande do Sul; “Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”, mas não trás sustentação teórica às criticas que faz. Pede reflexão, mas não dá base teórica para reflexão das pessoas presente.

E a meu ver, trata os presentes como subalternos, ao pensar que ao “saber popular” não precisa dar as devidas referencias para que, possam buscar as fontes primarias e questionar, criticar e repensar, os assuntos tratados no debate. Quem defende as cotas como forma de ressarcir os danos causados em outrora. Não pode negar fontes de produção e pesquisa para a emancipação dos oprimidos pelo sistema.

Negar acesso ao conhecimento produzido pela humanidade é, negar possibilidade de emancipação social para os que sempre tiveram negado poder de decidir pela argumentação teórica e sempre foram renegados ao segundo plano.

Por tanto, cuidado com os “novos capitães do mato” solto por este mundo.  Defendam suas ideias, questionem as falácias, fundamentem suas praticas e lutem por seus direitos de cidadãos do mundo.

Procurem conhecer a verdadeira história da capoeira, a história, que a história não escreveu, mas que os antigos mestres passam pela oralidade. E também, a verdadeira história dos capoeiristas que levantam bandeiras progressistas, conservadoras, neoliberais por este mundo à fora.   Um salve a todos irmãos.Feliz 2011 muita paz e saúde a todos.

 

Mestrando Paulo Grande / Movimento Capoeira Nação

Diretor da Confraria Gaúcha de Capoeira.

Um eterno aprendiz!

 

Referência:”Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.

Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, 1980.

Palmas: Sessão Solene para a entrega da comenda Zumbi dos Palmares

Aconteceu Sessão Solene para a entrega da comenda Zumbi dos Palmares, na Câmara Municipal de Palmas, criada com o objetivo de homenagear Entidades e pessoas que trabalham no Combate ao Racismo no Tocantins. Os homenageados foram Mãe Magna de Oxum (Aldenora Maria do Nascimento) pioneira na expansão da religião de Matriz africana em Palmas, o Grupo de Consciência Negra (GRUCONTO) e Mestre Timbau (Luiz Carlos Silva) que leva a capoeira aos moradores de periferias na cidade de Porto Nacional.

Representando o Prefeito de Palmas Raul Filho, a Secretária da Mulher Direitos Humanos e Equidade de Palmas, Rosimar Mendes frisou em seu pronunciamento a importância do combate ao racismo e também a outras formas de discriminação. Mendes também parabenizou o Vereador “Bismarque do Movimento pela autoria no projeto que cria a Comenda Zumbi dos Palmares”.

Entre os homenageados, Mestre Timbau frisou a importância da “prática da capoeira na periferia” e ressaltou a luta do povo negro e suas conquistas. Mãe Magna de Oxum frisou a importância do respeito às religiões. O representante do GRUCONTO, André Ribeiro, apontou “A importância do reconhecimento da luta de Zumbi dos Palmares e a valorização do povo negro” durante seu discurso na tribuna.

Para o Vereador Bismarque do Movimento a Comenda Zumbi dos Palmares é importante para valorizar “as lutas e conquistas do Movimento Negro e das religiões de Matriz africana no combate ao preconceito” afirmou durante pronunciamento.

A Câmara Municipal de Palmas é a única Instituição Tocantinense a premiar trabalhos de Combate ao Racismo no Estado. O Vereador Bismarque do Movimento é o autor do Projeto de resolução que cria a Comenda Zumbi dos Palmares. (Informações da ascom/VBM)

“África em Nós” resgata cultura e esporte em torneio

Dentro do projeto Cultura em Movimento, o Departamento de Cultura, Esporte e Lazer da Prefeitura de Registro, promoveu o Torneio G4 de Capoeira do Vale do Ribeira, “África em Nós”, que busca o resgate da cultura africana no Brasil, por meio do esporte e cultura, promovido pelo Grupo de Capoeira Nosso Senhor do Bonfim. A cidade de Cananeia foi a grande campeã, seguido por Registro, Iguape e Pariquera.

A abertura aconteceu no último domingo e envolveu desde crianças a partir dos cinco anos, até homens e mulheres até 60 anos que participaram das atividades. A abertura contou com a prefeita de Registro, Sandra Kennedy Viana, que em sua fala enfatizou a importância do esporte para a união e desenvolvimento disciplinar e pedagógico do cidadão.

O Torneio teve a participação de capoeiristas das cidades de Cananeia, Registro, Iguape, Pariquera Açu e foi coordenado pelo professor Gilson de Jesus Silva e contou com cerca de 400 pessoas e contou com o patrocínio também do Primu´s e Ciclo Ribeira. Conforme o educador físico, a idéia inicial de realizar o torneio é de Registro, da necessidade de se desenvolver a capoeira na cidade e promover mais atividades. “Nós queremos integrar essas e outras cidades dentro da capoeira”.

Além do torneio de capoeira, aconteceram as apresentações de maculelê com os grupos Filho de Cananeia e Samba de Roda Maracatu Princesa do Litoral de Iguape. Em Registro, as aulas de capoeira, por meio do Cultura em Movimento acontecem no Centro Social urbano, Bloco B, Arapongal e Vila São Francisco.

Fonte: http://diariodeiguape.com/

Brincando com a Arte do Movimento

Projeto inédito de capoeira do Objetivo Sorocaba extrapola a sala de aula e vira livro e CD

  • Intitulado “Brincando com a Arte do Movimento”, projeto visa transmitir valores culturais e educacionais aos estudantes através da capoeira.
  • Mestre Moraes, reconhecido internacionalmente, encanta-se com o projeto realizado por alunos, pais e professores.

Um projeto inédito envolvendo alunos, pais e professores do Objetivo Sorocaba extrapolou os muros da escola e ganhou um seleto espaço junto dos livros e CDs educativo-culturais.

Intitulado “Brincando com a Arte do Movimento”, o projeto consiste em aulas de capoeira voltadas a alunos da Educação Infantil até o Ensino Médio, com o intuito de transmitir valores educacionais e culturais através da prática desse esporte.  Diferentemente de como acontece na capoeira comum, as aulas não são ministradas com o objetivo único de se ensinar a jogar o esporte, mas sim de passar uma nova arte aos estudantes e ensinamentos importantes à convivência pacífica e harmoniosa entre todos.

Os resultados positivos desse trabalho, que vem sendo realizado há cinco anos, superaram as expectativas e acabaram por dar origem a um livro e um CD com ilustrações e letras de músicas feitas por alunos, pais e professores.  Pela sua relevância cultural e ineditismo, o trabalho também ganhou a atenção e o apadrinhamento do mestre capoeirista “Ginga”, do Centro Cultural de Capoeira Irmãos Unidos, parceiro da escola nesse projeto.

O Mestre Moraes, conhecido internacionalmente e considerado o maior divulgador da capoeira no mundo, também tomou conhecimento do projeto e interessou-se, inclusive, por sua divulgação. Capoeirista preocupado com a musicalidade da capoeira, Mestre Moraes já recebeu uma indicação, em 2004, para concorrer ao Grammy com um disco do gênero. “A importância do projeto está, justamente, no resgate de um elemento de suma importância na prática da capoeira: a musicalidade, que tem sido colocada em segundo plano graças à supervalorização dispensada à vertente esportiva da capoeira. O Projeto pode contribuir para que a história da nossa sociedade seja contada às nossas crianças de forma lúdica, mas objetiva”, afirma o Mestre.

Moraes ainda ressalta a importância da obra extraída no “Brincando com a Arte do Movimento”, pois, segundo ele, o objeto da música de capoeira é a comunicação de fatos relacionados a um determinado grupo social através de códigos, só conhecidos por aqueles que pertencem a um grupo identitário. “Comungo com a ideia do projeto e pretendo divulgá-la para que outros professores de capoeira possam formar capoeiristas completos. Aqui na Bahia já temos várias escolas que têm a capoeira em sua grade curricular, mas observo que a preocupação da maioria dos professores é com a formação de atletas”, avalia.

Sobre o CD, o professor Cristiano Aparecido Amancio dos Santos, coordenador das atividades com capoeira da unidade Portal da Colina do Objetivo Sorocaba e idealizador do projeto, conta que se tratou de atividade interdisciplinar. “Para elaborar a capa do CD com as músicas cantadas pelos alunos, um professor fez o desenho, as crianças do Infantil foram as responsáveis pela pintura e o Ensino Médio é quem fez o acabamento, tudo isso durante as aulas, o que integrou várias disciplinas”, conta.

Cristiano ressalta a importância dessa iniciativa para a formação das crianças e jovens. “No ‘Brincando com a Arte do Movimento’, a capoeira vem como estratégia de contribuição na formação educacional desses alunos. Eu costumo dizer que, no trabalho com a capoeira durante as aulas, não estou formando capoeiristas, estou formando cidadãos, pessoas e que esses aprendem brincando o que ninguém consegue ensinar”, diz.

O professor ainda comenta que a ideia da produção de um livro e um CD surgiu de uma necessidade encontrada durante as aulas de capoeira. “No início, as crianças tiveram certa dificuldade em entender a cultura capoeirista. Por exemplo, muitas músicas apresentavam letras antigas com as quais os alunos não se identificavam e não entendiam. Foi dessa oportunidade que surgiu a ideia de realizarmos um trabalho onde eles próprios pudessem criar as letras das músicas para jogarem nas aulas. Eles inventam, cantam e adéquam isso a algumas coisas já prontas da capoeira, contando também com a ajuda dos pais na elaboração das letras”, revela.

O “Brincando com a Arte do Movimento”, continua o professor, também chega com a missão de quebrar tabus e preconceitos. “Insisti nesse projeto, principalmente, porque as pessoas julgam a capoeira sem conhecer. Existe, de fato, um preconceito sobre o esporte, mas a capoeira pode sim ser um agente de formação pessoal. Por isso mesmo, trouxemos os pais dos estudantes interessados para mais perto de nós para que pudessem conhecer o intuito dessas aulas e eles também se encantaram”, expõe.

O CD e o livro “Brincando com a Arte do Movimento” poderão ser encontrados nas unidades do Objetivo Sorocaba – Centro e Portal da Colina – e pelo site da editora Publit (www.publit.com.br).

 

Fernanda Burattini
Q! Notícia Comunicação
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Capoeira Gospel

Já faz um tempo que eu queria saber o que é Capoeira Evangélica, mas em uma primeira tentativa, não encontrei muito sobre o assunto. Ao ler alguns dias atrás no site Bem Paraná sobre um encontro de Capoeira Gospel, lembrei dessa curiosidade e fui novamente atrás de informação.

Não encontrei nenhum texto destinado a dizer com todas as letras o que é a Capoeira Gospel, como surgiu e quais suas características, então resolvi eu mesma criar um texto sobre o assunto, o mais esclarecedor possível.

Para isso contei com a ajuda dos mestres Chocolate e Pantera, com quem conversei via e-mail, além de informações espalhadas por esse mundão que é a internet. O resultado vale a pena conferir.

Mas afinal, o que é a Capoeira Gospel?

A Capoeira Gospel, Capoeira Evangélica ou Capoeira Cristã não é um novo estilo de capoeira, mas um movimento de evangelização. Como disse Altair José dos Santos, o Mestre Chocolate, a capoeira é e sempre será capoeira, a forma de uso é que pode ser diferente. Neste caso, trata-se da capoeira que nós conhecemos, usada para os fins cristãos de evangelizar e louvar à Deus.

Não sendo um estilo, também não há como definir características específicas. Cada grupo cristão tem a sua forma de adaptar a capoeira à finalidade de evangelização, alguns de forma mais radical, outros de forma mais cuidadosa, com a preocupação de manter ao máximo as tradições da capoeira, mas sem ferir os princípios religiosos do praticante.

De uma forma geral, as músicas são o principal foco de mudanças, mas enquanto alguns grupos trocam as cantigas de capoeira por cânticos evangélicos, outros apenas excluem da roda músicas que citam santos e orixás. Obviamente não são utilizados sinal da cruz nem qualquer símbolo ritual ao entrar na roda e, em alguns casos, até mesmo as chamadas são evitadas.

História

É difícil definir com precisão quando surgiu a Capoeira Evangélica pois, ao que tudo indica, o movimento não teria originado de um único criador e se espalhado, mas teria surgido e se desenvolvido em locais, grupos e igrejas diferentes, conforme alguns capoeiristas foram se convertendo mas sem abandonar a nossa arte. Uma história nascida da soma de histórias pessoais.

Citado como um dos precursores do movimento pelo site da Eclésia – A Revista Evangélica do Brasil, Mestre Chocolate já era capoeirista quando se converteu em 1988, mas abandonou a capoeira por nove meses pois não via coerência entre o que viveu e o que presenciava no meio da capoeira e a nova vida que estava vivendo.

Mas Mestre Chocolate conheceu o ex-piloto de fórmula 1 Alex Dias Ribeiro, que na época era o líder da Atletas de Cristo, e com ele aprendeu a ver o esporte e a capoeira de uma forma diferente, como um presente de Deus.

No final de 1988, depois de procurar sem êxito algum grupo no Brasil com o qual se identificasse em seu novo modo de vida, começou seu trabalho ensinando capoeira e falando e Deus a garotos rebeldes e drogados.

No início, sem infra-estrutura e enfrentando muitas dificuldades dentro e fora do meio evangélico, mas logo em janeiro de 1989, já com academia, seu trabalho foi oficializado, nascendo assim a Associação de Capoeira Nova Visão.

Por coincidência, foi também em 1988 que José Pereira, o Mestre Pantera se converteu.

Pantera já treinava capoeira desde 1978 no Grupo Angolinha, onde continua até então, mas foi em 1995, graças ao interesse e a curiosidade de amigos evangélicos, que foi criado o Filhos de Jahveh, um núcleo gospel que faz parte do Grupo Angolinha e treina nas dependências da Primeira Igreja Batista de Santo André.

Quem souber mais sobre a origem da Capoeira Gospel ou tiver qualquer informação sobre este movimento, antes de 1988, não pense duas vezes: deixe seu comentário, ou envie via e-mail ([email protected]), para compartilhar-mos conhecimento.

Polêmica

Pelo que pude perceber pesquisando, a Capoeira Gospel vive no meio de um “campo de batalha”, sendo atacada por ambos os lados. Tanto o lado da capoeira, sob acusação de abandono às tradições, quanto pelo lado da Igreja, que ao que me parece pode ser até mais dura.

No site Vivos!, entre definições sobre a capoeira e citações de textos bíblicos se entende claramente uma interpretação de que a Capoeira Gospel estaria fazendo a “comunhão da luz com as trevas”.

Mas a Capoeira Gospel é uma semente plantada que, aos poucos, deve gerar cada vez mais tolerância e respeito entre capoeiristas e evangélicos.

 

Neila Vasconcelos – Venusiana – http://capoeiradevenus.blogspot.com

Vivendo do Escambo

Da terra quente e seca, os artistas viram colorir com suas fitas imaginárias uma cidade em calamidade. Era em 1991 em Janduís-RN, quando um grupo de atores, bailarinos e músicos tiveram a ideia de trocar água por arte. E trocaram mais. Além das gotas que encheram baldes e esperanças, os artistas criaram o Escambo. O movimento artístico que virou referência Brasil afora, acontece esta semana, de 15 a 18, em São Miguel do Gostoso, município do litoral norte potiguar, a 90 km de Natal.

“O movimento é a troca de experiências, de arte, de oficinas. É quando podemos apresentar nossos trabalhos e ter acesso a outros. Estamos aguardando 300 artistas vindos de diferentes partes do Brasil como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Maranhão”, contou Filippe Rodrigo, ator e organizador do Escambo. Filippe já nasceu no Escambo. Filho de Santos, fundador do grupo Alegria Alegria, o artista não lembra de outra forma de trabalhar com arte que não seja através da troca.

O Escambo segue a filosofia de troca de serviços. Por exemplo, quando o grupo faz uso de uma escola pública para se instalar, no lugar eles consertam os encanamentos, a parte elétrica e o que puderem fazer para aquele espaço melhorar. “Tudo é possível no Escambo. E a troca é o grande trunfo. É quando podemos experimentar a arte e recebê-la”, contou Rodrigo.

Ele lembra que até hoje já foram realizados 14 escambos, desde 1991, inclusive fora do Rio Grande do Norte quando aconteceram escambos no Ceará.

Como em São Miguel do Gostoso, o escambo acontece geralmente em quatro dias, período em que os artistas participam de oficinas, cortejos, apresentações e discussões sobre a arte e suas perspectivas. “Eles estarão aqui durante quatro dias realizando vivências, rodas de filmes, música, dança. Mesmo o movimento tendo começado com teatro, o que mais reúne gente nas praças é o cinema”, disse o organizador.

O VIVER conversou com Rodrigo uma semana antes do início do Escambo e constatou que mesmo com um aparente “deixe acontecer”, o Escambo é um movimento organizado e planejado. “Sempre seguimos um esquema de chegar antes na cidade e conhecer a comunidade e os possíveis lugares para instalações. Aqui em São Miguel estamos em parceria com a prefeitura que nos cedeu as escolas. E além da estrutura, esse primeiro contato é importante para conhecermos melhor as atividades culturais da cidade”, conta o artista.

Em São Miguel, a capoeira é um dos pontos fortes da comunidade, por isso o Escambo dará atenção especial ao grupo já formado. “É quando poderemos levar um outro grupo de capoeira com linguagem diferente para discutir sobre a atividade”.

Toda preocupação do Escambo vai além da arte. Junto às oficinas, as discussões e as aulas teóricas e práticas fazem parte da programação. Além dos grupos e mestres de folguedos, o convidado do Escambo desta temporada é o ator Ami Haddad, do grupo “Tá na Rua” do Rio de Janeiro. “Ele fará rodas de conversa com a comunidade e com os artistas e ficará em São Miguel até o dia 20 de janeiro.

Depois de tanta troca e de ecoar pelo Brasil inteiro, o movimento foi homenageado recentemente em São Paulo e tem em seu cadastro mais de 1.500 artistas de rua. Na visão de Rodrigo, o movimento é transformador de mundos e lembra muito a chegada do circo nas cidades. “É uma mudança interior”.

Ele lembra que muitas pessoas das comunidades visitadas ensaiam em fugir com os grupos de teatro. “Até hoje ninguém teve coragem, mas o interessante é quando a gente volta aos lugares e percebe que aquelas pessoas que desejavam sair, hoje transformam suas cidades com arte. Por isso é um movimento infinito”, finalizou Rodrigo.

Programação

15/01 sexta-feira
12h Chegada do grupo
14h grande reunião que é a chamada saudação e o fechamento de algumas comissões, organização e segurança;
16h30 – cortejo
17h20 – espetáculos que são três por noite
20h00 – mostra de filmes
Escambar – movimento da chegada nos bares com leitura de poesia,
música, até 2 da manhã

Dia 16/01 sábado
8h até 12h – vivências até
tarde: reunião de avaliação
16h – deslocamento dos grupos para comunidades vizinhas e assentamentos
Centro: espetáculos, mostra de filmes.

Dia 17/01 domingo:
8h30 até 12h – Vivência com Amir Haddad
13h30 – Vivência
16h40 – cortejo, espetáculos
20h00 – mostra de filmes

Dia 18/01 – segunda-feira
08h00 – Feira com espetáculo de teatro, música e bonecos
Roda de avaliação
Finalização dos Escambos

 

Fonte: Tribuna do Norte – http://tribunadonorte.com.br/

ALDEIA KILOMBO Século 21 lança os PRODUTOS CULTURAIS: PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá – MG

Curta metragem, revista, site e exposição fotográfica sobre a cultura popular de BH  têm lançamento no Palácio das Artes com a presença dos Mestres da Cultura Popular da cidade


AMANHÃ, SÁBADO, dia 05 de dezembro, a partir das 14h, no Palácio das Artes (Livraria Usina das Letras e sala Humberto Mauro), a ALDEIA KILOMBO Século 21, a Associação Cultural Eu Sou Angoleiro – ACESA e a ATOS Central de Imagens, realizam o lançamento dos produtos culturais “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá- MG”.

O evento integra as atividades em comemoração à CONSCIÊNCIA NEGRA e está sendo realizado com o coletivo ALDEIA KILOMBO SÉCULO 21, composto por oito segmentos da cultura popular de BH: Capoeira Angola, Dança Afro, Reggae, Hip Hop, Samba e Religiosidades (Candombe, Candomblé, e Congado).

Essas manifestações da cultura popular de BH foram abordadas como tema/PERSONAGENS do projeto “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá – MG” para a realização dos PRODUTOS CULTURAIS que serão lançados oficialmente no evento:

1- curta metragem “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá – MG” (realizado pelos alunos da Oficina de Produção Audiovisual “Documentos de Si”),
2- site www.eusouangoleiro. org.br
3- edição nº 3, da Revista “Angoleiro é o que Eu Sou!” (mais de 40 reportagens com mestres da cultura popular de MG).
4- Exposição fotográfica “Documentos de Si” (Still: fotos de cenas da gravação do curta)

ALDEIA KILOMBO SÉCULO 21 – ATRAÇÕES CULTURAIS
* RODA DE CAPOEIRA ANGOLA do grupo Eu Sou Angoleiro, com a participação especial de representantes de outros grupos de capoeira angola de BH.
* RODA DE CONVERSA: tema “Cultura de Raiz é resistência ancestral”
Com a presença de mestres da cultura popular de BH

D. Isabel (Rainha Conga de MG – Guarda de Congo e Moçambique 13 de Maio)

Mestre Dunga ( precursor da Capoeira Regional em MG),

Tatetu Arabomi (Movimento Nação Bantu),

Mestre Conga (velha guarda do Samba de BH),

Carlinhos de Oxossi (Grupo Fala Tambor)

Mediador: M. João Angoleiro

* MINI APRESENTAÇÕES de Dança Afro: Companhia Primitiva de Arte Negra

“PAZ NO MUNDO” EM NÚMEROS
Entre janeiro e março de 2009 realizamos as gravações do documentário em cinco estados: Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Salvador e Santo Amaro da Purificação (BA), Recife e  Olinda (PE) e Quilombo dos Palmares (Serra da Barriga- AL). Ao todo entrevistamos 25 mestres de capoeira angola (os mais expressivos/ importantes de cada estado);  18 mestres da cultura popular e ou agentes culturais; gravamos em 65 locações (12 BA, 25 RJ, 15 MG; 1 AL; 12 PE); Nossa equipe técnica contou com 30 profissionais e instruimos 23 alunos em nossas oficinas.

CAPOEIRA PARA ALÉM DO BESOURO
Mais do que a valorização dos golpes, da ênfase à luta, enfocada no filme “Besouro” o documentário “PAZ NO MUNDO CAMARÁ” propõe uma reflexão da capoeira para além do movimento corporal. O movimento da capoeira angola é um movimento de revolução pessoal e social. É uma luta, mas pela valorização de nossa ancestralidade, de nossas raízes e pela liberdade, realizadas nos terreiros da cultura popular em todo o Brasil.
O QUE É “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá”
Nosso projeto consiste principalmente na produção de um documentário televisivo de 55 minutos sobre os 400 anos da Capoeira Angola no Brasil. Através de uma ampla pesquisa realizada nos estados do Rio de Janeiro, Bahia (Salvador e Recôncavo Baiano), Pernambuco (Recife e Olinda), Alagoas (Parque Nacional Quilombo dos Palmares – Serra da Barriga) e Minas Gerais, buscamos compreender como a Capoeira Angola conseguiu em menos de um século, transformar- se de uma luta praticada pela “escória social”, o primeiro crime terror dos republicanos oitocentistas, em um “instrumento de inclusão social e paz no mundo” – palavras do Ministro da Cultura Gilberto Gil, proferidas em conferência na ONU/Genebra em 2004.
O documentário televisivo “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá”, foi idealizado pela ATOS Central de Imagens, em 2005 e desde 2007 vem sendo realizado em parceira com a Associação Cultural Eu Sou Angoleiro. Ele ficará pronto em 2010 e será veiculado no Canal Brasil, na TV América Latina (TAL), além de TVs abertas e fechadas exibidoras desse gênero, e em mais de 60 festivais e mostras de cinema no Brasil e no mundo. Serão produzidas 200 cópias desse produto cultural que poderá ser utilizado como um novo material didático, criado para subsidiar a implantação da Lei nº 10.639/03 em escolas de Minas Gerais, e também distribuído para imprensa, formadores de opinião, embaixadas e patrocinadores. 

TODOS OS PRODUTOS CULTURAIS do projeto PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá”:
1- Revista “Angoleiro É o que Eu Sou!” – Edição 3;
2- reformulação do site www.eusounagoleiro. org.br/portal200 9;
3- Oficinas de Produção Audiovisual “Documentos de Si” e de “Animação e Contação de Histórias”;
4- Exposição fotográfica;
5- curta metragem 15 min: “ PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a Volta que  o mundo dá- MG”;
6- documentário televiso, 55 min, “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a Volta que  o mundo dá”.

SERVIÇO
ALDEIA KILOMBO SÉCULO 21

faz o LANÇAMENTO dos produtos Culturais

“PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá- MG”

Data: 05/12/2009 – sábado
Local: Livraria Usina das Letras (Palácio das Artes) – Av. Afonso Pena, 1537, Funcionários.
Horário: 14h

ASCOM: Carem Abreu (9105-4369) 
Informações: (031) 4063-9822
www.atosimagens.com.br ou www.eusouangoleiro.org.br

Lançamento do Livro O corpo na capoeira

Livro escrito pelo professor Eusébio Lôbo (Mestre Pavão) analisa movimentos da capoeira.
Foi lançado na sexta-feira (20/11), no Centro Coreográfico do Rio, a coleção de livros O corpo na capoeira, escritos pelo professor Eusébio Lôbo (Mestre Pavão), do Departamento de Artes Corporais da Unicamp.
Nos quatro volumes, o autor lança um olhar sobre os golpes da capoeira levando em conta características espaciais e cinéticas do movimento do corpo.
Fonte: idanca.net

 

Politicas Públicas para Capoeira e a Lei 10.639

Estivemos em Alagoas na cidades Maceió e União dos Palmares falando sobre Politicas Públicas para Capoeira e a Lei 10.639 que institui o ensino da matriz africana e indigena na rede pública, foi um sucesso total com a participação dos mestres da velha guarda de Alagoas. Finalizando com a ida até o Quilombo dos Palmares.

A proposta:

INTRODUÇÃO

É conhecida a enorme dificuldade que os grupos de capoeira e as culturas populares historicamente enfrentam para dar continuidade às suas atividades e para manutenção de suas expressões.

A política pública de ações afirmativas vem avançando como conseqüência do aperfeiçoamento da democracia na sociedade brasileira ocorrida nos últimos anos com a participação e até mesmo o controle dos movimentos e entidades da sociedade civil organizada sobre o Executivo, o Legislativo e, principalmente, o Judiciário.

Nestes últimos anos os capoeiristas conquistaram espaços dentro das escolas públicas e privadas, com apoio da Unesco, como também em centros comunitários e na comunidade em geral.

A capoeira passou historicamente por diferentes fases em suas relações com o Estado brasileiro, desde a rejeição e perseguição nos anos de escravidão e pós-abolição até a absorção como símbolo de identidade nacional a partir dos anos 1930 quando passou a ser apresentada como “esporte nacional”.

Diferentes camadas sociais passaram a praticar a capoeira que passa também a ser muito incentivada pelo Estado nos anos da ditadura militar brasileira, no entanto, em seus aspectos disciplinadores e ufanistas.

Nos últimos anos, com a abertura democrática, a capoeira retorna ao gueto de onde nunca saiu e onde estava camuflada, ou melhor, pode mostrar a sua verdadeira identidade e ser uma Ferramenta de Inclusão Social.

Os governos e a classe política passam a perceber o movimento cultural popular que a capoeira representa. Em vários governos municipais e estaduais surgiram secretarias focadas na questão do negro e no próprio governo federal é criada a SEPIR (Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial), com estatuto de Ministério, para promover ações afirmativas em relação aos afro-brasileiros que vão desde o reconhecimento de terras quilombolas à lei 10.639/03 substituída pela 11.645/08. Sendo a capoeira uma manifestação reconhecidamente afro-brasileira são também nesses espaços que se inserem as políticas públicas voltadas especificamente para capoeira e os capoeiristas.

No entanto, mesmo com a série de lutas, diversas medidas e conquistas de ações afirmativas de forma generalizada para os afrodescendentes, não está ainda superada a questão da falta de políticas públicas específicas para capoeira e o exercício da mesma como profissão.

No Brasil os negros foram libertados e deixados na condição dos primeiros sem-teto, primeiros desempregados em massa, pois foram libertos sem nenhuma indenização ou oferta de um meio de sobrevivência digno, fazendo uma ponte diretamente das senzalas para as favelas e periferias das cidades brasileiras, diferente daquilo que ocorreu com os imigrantes europeus que substituíram a mão-de-obra escrava pela assalariada recebendo facilidades quanto à posse da terra e outros benefícios. Nesse período pós-abolição a capoeira e sua prática entraram para o Código Penal como crime em 1890, assim como a religião de matriz africana e quase tudo que pertencia à cultura afro-brasileira foi marginalizado e perseguido. O negro agora liberto era vigiado como criminoso potencial e suas práticas culturais eram consideradas ilegais.

Um dos aspectos que se destacam na análise do processo que perpetua a discriminação em nossas comunidades é o fato de que a exclusão social e a falta de políticas sociais e econômicas a que foram submetidos os ex-escravos, como trabalhadores livres da cidade e do campo, corresponderam também à negação a  tais camadas da população a possibilidade de elaborar sua história e o direito à sua própria memória. A negação de tal direito cria extrema dificuldade para desenvolver as identidades coletivas, que é um dos pilares do exercício da cidadania.

Por isso propomos aos capoeiristas um Movimento Nacional Integrado de Capoeira, para legitimar a classe da capoeira como um movimento organizado,  coletivo e integrado que lutará por políticas públicas para capoeira e para aquele que vive da capoeira em cada cidade da União.

Começaremos com eventos (seminários, congressos) municipais, regionais e estaduais. Cada coordenador ficará responsável por interagir com os capoeiristas de vários segmentos que praticam a capoeira, debatendo e se articulando para o movimento ser forte e legitimado em sua cidade, divulgando por meio de correio eletrônico, jornais, revistas, sites e os meios que dispuser para divulgar o Movimento Nacional Integrado de Capoeira e seus propósitos.

Os capoeirista dos movimentos municipais, regionais e estaduais deverão se mobilizar pelo convênio com prefeituras e governos do estado para a aplicação da lei 11.645.

LEI Nº 11.645, DE 10 MARÇO DE 2008.

Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

O Movimento Nacional Integrado se organizará para debates e articulações em seus diversos níveis, municipal, estadual, regional e nacionalmente, para o fortalecimento do Projeto Lei para a profissionalização da capoeira a ser debatido no Senado. Acreditamos em um Estado democrático no qual os capoeiristas possam ser convidados para contribuir e decidir sobre as políticas públicas para capoeira no Executivo, a partir de um Legislativo que seja sensível à causa dos capoeiristas, para assim atingirmos a melhoria das condições de vida daquele que vive da capoeira.

É claro e evidente que sem um Movimento Nacional Integrado de Capoeira organizado e atuante a luta pela melhoria das condições de vida do capoeirista se fragmenta e individualiza, nos fragilizando como grupo coletivo. Temos que ter consciência que não conseguiremos atingir o poder público de forma individual e fragmentada, sem a organização e atuação de um movimento nacional que aja de forma integrada e coletiva.

Cordialmente,
Mestre Gavião

Opnião:

Brasil não cumpre a Lei 10.639 que obriga o ensino da História e Cultura da África, diz Universidade

Agência VOA – 22 de agosto de 2009

Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil — Estudiosos da Universidade Federal de Minas Gerais desenvolvem no Brasil inteiro uma pesquisa para averiguar a aplicação da lei 10.639, que determina o ensino da história e cultura da África nas escolas brasileiras. Mas antes mesmo da conclusão do levantamento, que deve acontecer no fim deste ano, já é possível perceber que a lei, de 2003, não é cumprida na maioria das escolas. A informação é da coordenadora-geral de Diversidade e Inclusão Educacional da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, Leonor de Araújo.

Método Brincadeira de Angola: Capoeira para Crianças a partir de um ano

Apresentarei neste artigo o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA – capoeira para crianças”, que poderá ser utilizado para subsidiar professores que sentem necessidade de embasamento na sua prática com crianças pequenas, a partir de um ano. “-UM ANO??? COMO EH QUE PODE, ELES NÃO FAZEM NADA AINDA!!! NÃO EH POSSÍVEL ENSINAR CAPOEIRA PARA CRIANÇAS DE UM ANO!”, é a reacção que sempre recebo ao apresentar o método. Lembro a todos que, há duas décadas, diziam o mesmo sobre aulas para crianças de 4 ou 5 anos…

Desde os anos 90 vemos um crescimento enorme das aulas de capoeira para crianças, crescimento este que não foi acompanhado por uma preparação pedagógica dos professores, inclusive este que vos escreve.

Como a maioria dos professores, comecei a dar aulas muito jovem e, sem um prepare específico, me vi perdido nos primeiros dias. Isto foi em 1995… na época em que ligávamos para uma escola oferecendo capoeira e eles dizia: “capoeira não, vocês não tem judo?”…

Com o passar dos anos, me especializei em capoeira para crianças e desenvolvi o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA-Capoeira para crianças”. Continuei pesquisando e,  sentindo a necessidade de maior aprendizado, ingressei no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde me formei e por onde publiquei diversos artigos sobre capoeira e educação no meio academico.

O método BRINCADEIRA DE ANGOLA foi criado pela necessidade de se ultrapassar as aulas clássicas de capoeira para crianças, aulas estas muitas vezes adaptadas de jogos da Educação Física Escolar(EFE).

O intuito foi elaborar uma Pedagogia da Capoeira, especifica desta arte, tendo por base o estudo do ethos da capoeira, do que a distingue de outros campos do saber: a ancestralidade como base, os Mestres como meio e a emancipação como fim.

O método utiliza conhecimentos de diversas áreas academicas, reconhecendo o valor da EFE, da Psicologia, da Pediatria etc, mas eh fundamentalmente baseado nos conhecimentos ancestrais da Capoeira, divididos em 4 áreas complementares:  Movimento, Musica, Social, Afetiva.

Falarei neste artigo somente do aspecto psicomotor, de forma resumida. Sobre maiores detalhes podem contatar-me ou visitar o  site www.brincadeiradeangola.com.br – “Capoeira para crianças no Rio de Janeiro”.

MOVIMENTO NATURAL

Observando o jogo de Capoeira Angola de mestres como João Pequeno, impressiona a simplicidade dos movimentos utilizados e a ausência de estresse muscular, em posições corporais naturais ao corpo humano, como queda-de-quatro, cocorinha, rabo-de-arraia etc. A Capoeira Angola, praticada desta forma, eh  a base da simplicidade do método BRINCADEIRA DE ANGOLA  para crianças a partir de um ano, pois a maioria das crianças nesta idade já dominou os 5 estágios necessários para se mover com um repertório corporal similar ao utilizado pelo mestre João Pequeno e outros grandes mestres de capoeira Angola, que sabiamente chegam a uma idade avançada ainda vadiando capoeira.

Relaciono estes estágios com o mundo animal:

  1. Animais aquáticos: Contração e expansão.
  2. Repteis: Arrastar-se
  3. Quadrúpedes: Andar em quatro apoios
  4. Símios: acocorar-se
  5. Humano: Eretibilidade

 

Fases: 1- Animais aquáticos: Contração e expansão. 2- Repteis: Arrastar-se. 3- Quadrúpedes: Andar em quatro apoios. 4- Símios: acocorar-se. 5- Humano: Eretibilidade

Fase 1 – Animais aquáticos

Nesta fase acompanhamos os primeiros movimentos que a criança utilizou em seu desenvolvimento uterino, um meio aquático: contracao e expansão.
Preservar estes movimentos é essencial para a saúde corporal e para isso utilizamos materiais simples como colchões ou rolos de espuma, auxiliando as crianças a realizar rolamentos laterais ou frontais, como cambalhotas. Futuramente estes movimentos darão lugar a formas mais elaboradas de contração e expansão, como queda-de-rim.

Fase 2- Réptil

O arrastar eh a próxima fase no desenvolvimento motor da criança, quando ela realiza movimentos de oposição entre braços e pernas para se locomover.  Trabalhamos esta fase incentivando a criança a arrastar-se sobre rampas e colchões, preservando o movimento natural que futuramente será utilizado no jogo de chão da capoeira, como na “tesoura de Angola”.

Fase 3 – Quadrúpede

O andar em quatro apoios e crucial para a saúde da coluna vertebral, pois eh nesta fase que se definem as curvaturas lombares e cervicais. Nas aulas de capoeira eh extremamente simples utilizar jogos com animais para se trabalhar este movimento.

Fase 4- Símios

O acocorar confortavelmente, com a planta dos pés completamente chapadas no chão, eh um dos movimentos mais preciosos no repertório corporal humano e, infelizmente, devido ao mau uso de cadeiras e outros apetrechos modernos, extremamente árduo para adultos com encurtamentos musculares. Estes mesmos adultos que hoje não conseguem fazer uma simples cocorinha (mesmo que consigam fazer um mortal parafuso), perderam algo valioso no caminho: a naturalidade do movimento.
A evolução natural do movimento passa necessariamente do acocorar para o ficar de pé, ou seja, toda criança com desenvolvimento saudável, ira equilibrar-se primeiro de cócoras, para depois se levantar.
Nas aulas de capoeira eh possível intervir precocemente para a manutenção deste precioso movimento, nossa “cocorinha”.

Fase 5 – Eretibilidade

Em torno de um ano de idade a criança já se levanta e ensaia o seu futuro andar, que será dominado quando a oposição entre o movimento dos braços e das pernas for alcançado. Se simplesmente o professor de capoeira tocar seu berimbau e deixar a criança dançar livremente, sem apresentar modelos pré-determinados de ginga, ele verá o nascimento de uma ginga espontânea, criativa e natural ao corpo da criança.

Para pensar…

A criança de um ano de idade já tem domínio de todas estas fases, estando apta a ser iniciada no mundo da capoeira.
Fica para o professor a prazerosa missão de ser o catalisador deste processo, criando as condições necessárias para um aprendizado autêntico, emancipador e autónomo, pois construído de forma harmonica entre a naturalidade da evolução motora infantil e a sabedoria da gestualidade da capoeira.

 

Omri Breda (Ferradura) – Rio de Janeiro – [email protected] – www.brincadeiradeangola.com.br