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Um Menino de 92 Anos

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

O mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha.

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de Capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.

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Homenagem aos 50 anos de Mestre Jaime de Mar Grande

24 de Maio é dia de festa… dia de comemorar os 50 anos de Mestre Jaime de mar Grande!!!
 
Tive a oportunidade de conhecer Mestre Jaime pessoalmente em Abril de 2006 na minha visita ao Brasil, dono de uma simpatia natural e de uma tranquilidade que contagia, mestre Jaime cativa e conquista a todos em sua volta pela energia positiva…
 
Um dos momentos que mais marcaram a nossa vivência foi sem dúvida a roda no Barracão de mestre Cavaco, na zona Norte de SP, onde pude ouvir uma lição de sabedoria que mestre Jaime aprendeu com seu mestre e fez questão de retransmitir a todos os presentes… reforçando a boa pratica de que boa informação é aquela que é transmitida… e no final desta roda, num gesto de pura humildade e companheirismo, fez questão de salientar, valorizar e homenagear o trabalho que está sendo feito por toda a equipe e camaradas do Portal Capoeira. Fiquei sem palavras e muito admirado… e naquele momento percebi o tamanho do M com que se escreve Mestre Jaime de Mar Grande.
 
Homenagem aos 50 anos de Mestre Jaime de Mar GrandeMestre Jaime de Mar Grande é um legítimo representante da  Capoeira Angola da Ilha de Itaparica – BA, uma Capoeira Angola de Raiz, de Tradição e de Fundamento, Mestre Jaime aprendeu com Mestre Paulo dos Anjos, que por sua vez foi discípulo de Mestre Canjiquinha.
 
O primeiro contato de Jaime com a Angola de Mestre Paulo foi em Mar Grande, costa leste de Itaparica, no ano de 1965, quando Paulo dos Anjos mudou-se por um tempo de Salvador para a Ilha, e ali passou a ensinar "seus meninos".
 
De lá para cá muita coisa mudou na capoeira como um todo, mas mestre Jaime sempre praticou e preservou o que seu mestre lhe ensinou e confiou.
 
Para o Mestre Jaime existe uma enorme relevancia entre os aspectos naturais e uma simbiose entre os elementos que fazem parte da fabricação do Berimbau, muito antes do artesão começar a fabrica-lo: A forma, o clima, o local de origem da madeira, a preocupação ambiental, a energia de quem colheu a matéria prima, são apenas alguns dos aspectos importantes para que o instrumento possa ecoar… ele também chama a atenção para a presença na capoeira de todos os elementos da natureza: “a madeira e a cabaça (representando a mata), o aço, presente na corda do berimbau, o cobre e/ou pedra no dobrão que encostado de leve, com força, ou não encostando no arame, faz variar as notas musicais (representando os minerais), o couro utilizado no atabaque e nos pandeiros (representando os animais), a própria música (representando o ar) (…)”.
 
Mestre Jaime foi também um dos grandes responsáveis pela reintegração do falecido Mestre Gerson Quadrado a Capoeira, valorizando sempre a tradição e o respeito aos mais sábios e experientes…
 
Homenagem aos 50 anos de Mestre Jaime de Mar Grande
 
Um grande abraço meu AMIGO, que este meio século se repita pois a capoeira só tem a ganhar!!!
Muita paz, saúde e felicidade… Sucesso em sua caminhada!!!
 
Luciano Milani – Portal Capoeira