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A Cultura Popular perde um de seus grandes mestres

Mestre Biu Roque

A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural lamenta a morte, ocorrida na última sexta-feira, de um dos maiores mestres da cultura popular brasileira. João Soares da Silva, mais conhecido como Biu Roque, tinha 76 anos e foi um dos mestres populares mais respeitados da Zona da Mata pernambucana. Mestre Biu, um dos contemplados no Prêmio Culturas Populares 2009 – Edição Mestra Dona Izabel, atuava como artista nos gêneros musicais tradicionais como o Coco de Roda, a Ciranda, o Maracatu Rural e as toadas de Cavalo Marinho.

Mestre Biu Roque, que nasceu no município de Condado e residia na cidade de Aliança, no Pernambuco, foi cortador de cana, começou a atuar como músico aos 8 anos de idade e liderava o grupo Cavalo Marinho Boi Brasileiro. Biu Roque também participava do Maracatu de Baque Solto Estrela Brilhante de Nazaré da Mata, e integrava o grupo Fuloresta liderado pelo cantor e compositor Siba.

“Ele era um músico muito especial, porque tinha uma voz única e uma grande precisão e potência musical”, afirma Sérgio Roberto Veloso de Oliveira, o músico Siba, que apesar de ser de Recife, trabalha há cerca de 20 anos com os músicos da região da Zona da Mata e tinha uma relação pessoal com o Mestre Biu. “Musicalmente eu aprendi muito com ele, mas ganhei, acima de tudo, um grande amigo”, recorda o artista.

Para o secretário da Identidade e da Diversidade, Américo Córdula, a perda do Mestre Biu, que participou do último Encontro dos Mestres do Mundo, realizado no mês de março, na cidade de Limoeiro, no Ceará, é muito significativa para o segmento de culturas populares. “É uma pena, mas a SID apoiará sempre a difusão da maestria de sua arte”, lamenta o secretário acrescentando que “com certeza, no céu, ele Mestre Salustiano, falecido recentemente, vão realizar uma grande sambada”.

A integrante do Colegiado de Culturas Populares, Joana Corrêa, também acredita que o falecimento do Mestre Biu Roque seja uma grande perda para a cultura brasileira. “Um mestre que sem dúvida viverá em nossa memória”. Rejane Nóbrega, artista, educadora, pesquisadora e também conselheira do Colegiado de Culturas Populares afirma ter ficado sentida com a morte do artista. “Ainda bem que sua voz e sua maestria vão ficar para sempre nas nossas memórias e nos nossos ouvidos”, finaliza ela, recitando alguns versos de uma de suas canções: “Maria, minha Maria / Meu doce da melancia / Vem ver o belo luar / Que a tua ausência reclama / Ô que noite tão preciosa / Não deve dormir quem ama”.

 

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Bahia: Morre Mestre Neguinho do Samba, inventor do samba-reggae

Morreu no início da tarde deste sábado, 31, por volta das 14 horas, o baiano criador do samba-reggae, Antonio Luís Alves de Souza, mais conhecido como Neguinho do Samba, 54 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. O músico deixou sete filhos e uma legião de admiradores e alunos.

O corpo do artista, que foi um dos fundadores do Olodum e criador da Escola Didá, está sendo velado na Câmara dos Vereadores. O local e horário do enterro ainda não foram definidos, pois a família aguarda a chegada de um dos filhos, que mora na Itália.

Segundo informações da família, Neguinho já vinha reclamando da saúde nos últimos 15 dias. Nesta madrugada, por volta das 3 horas, o músico sentiu um mal estar e foi de táxi ao posto médico de Pernambués. No local, ele foi medicado e retornou à sua residência, no Pelourinho, voltando a se sentir mal no início desta tarde, quando veio a falecer.

Neguinho do Samba era diabético e cardiopata. Há três meses perdeu uma irmã. Pessoas próximas afirmaram que, em virtude disto, andava triste. Mas ele morreu onde queria: em sua residência, um casarão no Pelourinho, onde também funciona a Escola Didá.

“Ele deixou um legado, uma marca de como se faz samba na Bahia. Eu acompanhei o processo de desenvolvimento do Olodum e ele já experimentava as novas fusões do reggae com o samba. Depois, acompanhei o trabalho cultural que ele fez com a Banda Didá. E por ironia do destino faleceu dentro da própria escola”, declarou Gerônimo.

Perda irreparável – A Secretaria da Cultura suspendeu toda a programação cultural do Pelourinho, nestes sábado e domingo. Uma faixa preta permanecerá hasteada no Largo do Terreiro de Jesus, durante três dias, simbolizando o luto.

“A dor é enorme. Foi uma perda irreparável. Não perdemos somente um músico excepcional, mas uma personalidade. Ele foi muito generoso com todos à sua volta. Não dá para acreditar. É um astro que vai continuar vivo aqui com a gente“, declarou, emocionado, João Jorge, presidente do Olodum.

Neguinho do Samba – Fundador da escola de percussão do Olodum e do bloco Didá, ele também foi o inventor do ritmo “samba-reggae”, modificando tambores para conseguir afinações e sonoridades diferentes, criando um ritmo musical único, com a cara da Bahia.

Filho de um tocador de “bongô” e de uma lavadeira, Neguinho desde cedo treinava percussão tocando nas bacias de alumínio de sua mãe. Foi eletricista, ferreiro e camelô. Sua música chegou a ser internacionalmente reconhecida. Maestro do Olodum, tocou com David Byrne, Paul Simon e Michael Jackson. Com Simon, o Olodum gravou o CD The Rhythm of the Saints, em 1990. Feliz com o resultado do trabalho, Simon procurou o músico e lhe ofereceu um carro importado como forma de agradecimento. Neguinho agradeceu a oferta, mas preferiu mudar o presente, e, em vez de um carro, escolheu uma casa no Pelourinho, no mesmo valor, onde fundou sua escola.

Neguinho do Samba aparece no clipe de Michael Jackson They Don’t Care About Us, vestido nas cores do pan-africanismo (verde, amarelo e vermelho) regendo os percussionistas do Olodum.

Didá – O projeto nasceu pelas mãos de Neguinho, que via a necessidade de oferecer para as mulheres, principalmente as negras, um espaço para expor suas idéias e desenvolver atividades. Didá é uma associação cultural e sem fins lucrativos fundada em 1993 e que atua promovendo gratuitamente atividades educativas com base na arte e nas manifestações populares criadas e mantidas pelos africanos e por seus descendentes.

Atualmente, a instituição oferece 11 cursos – percussão, dança afro, teatro, capoeira, artesanato, canto, bateria, violão, cavaquinho, teclado e sopro, e chega a atender entre 600 a 800 crianças e adolescentes por ano.

Além dos cursos, o projeto se estende ao bloco afro carnavalesco, loja de artigos Didá e o projeto Sòdomo, centro de aprimoramento feminino Didá Banda Feminina.

Vídeo do grupo Olodum e Neguinho do Samba em homenagem a Michael Jackson, após a morte do astro:

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Fonte: http://www.atarde.com.br/cultura

São Luís – MA: Professor de capoeira e alunos massacram músico no Reviver

Nem só de boas notícias, eventos e documentos de valor histórico é feito o Portal Capoeira. Como todo e qualquer meio de comunicação disposto a informar de forma séria e coerente os seus leitores e visitantes, não podemos e não iremos fechar os olhos para os fatores negativos que acontecem dentro ou fora da grande roda…
Ao ler a matéria abaixo, publicado no Jornal Pequeno de São Luís – MA, fiquei terrivelmente aborrecido e triste em ver a "nossa capoeira" envolvida em um ato de pura ignorância e desrespeito à CAPOEIRA.
 
Fica aqui o canal aberto para reflexões sobre a violência dentro e fora da capoeira…
 Luciano Milani

Jornal Pequeno – São Luís – MA
Data de Publicação: 30 de julho de 2006
Agressão ocorreu em frente ao Bar do Porto, na Praia Grande
Na madrugada de sexta-feira (28), por volta das 3h da madrugada, no Bar do Porto, localizado na Praia Grande, o compositor e músico Chico Nô foi violentamente espancado, de forma brutal e desumana, pelo professor de capoeira da Academia “Acapuz”, conhecido como Luís Senzala, alguns amigos seus e um aluno gringo que estaria de visita à cidade.
Violência revoltante – Depois de uma rápida discussão por motivo banal, segundo testemunhas, os dois partiram para a agressão covarde contra o artista, atingindo-o a socos e pontapés jogando-o ao chão com violência e, posteriormente, estando o mesmo indefeso, pisaram em sua clavícula, fraturando-a gravemente. A crueldade foi presenciada por várias pessoas que estavam no local, que no exato momento da agressão, não contava com a presença de nenhum policial.
Desfalecido, o músico foi levado por amigos para a emergência do Hospital Djalma Marques (Socorrão I), onde foi atendido e medicado, tendo sido constatados vários hematomas, contusões e escoriações pelo corpo e cabeça. Chico Nô teve ainda a clavícula fraturada e terá de passar por intervenção cirúrgica.
As pessoas que assistiram a cena de selvageria comentaram que “é vergonhoso para o universo da capoeira, que tal instrutor use de suas habilidades para tamanho ato de agressão e covardia". As providências policiais e judiciais estão sendo tomadas pelos familiares e amigos, para que os agressores sejam devidamente punidos na forma da lei”, informou um grupo de artistas.

Naná de Vasconcelos

"Eu trabalho com percussão como se fosse uma orquestra"
   Viver só é possível enquanto o coração estiver batendo. Talvez isso explique o poder hipnotizante e a sensação de vitalidade que a percussão atrai. Essa idéia foi inspirada numa conversa com um dos nomes mais importantes da percussão mundial. Naná Vasconcelos é um artista impressionante, que faz de sua arte um instrumento de alegria e respeito. Se o reconhecimento para ser respeitado no Brasil tem que vir de "fora", que seja: Naná foi eleito sete vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat. Quer mais? Tem. Faz trilhas de balé para companhias de dança de vários países e atualmente está trabalhando para Pina Bausch, na Alemanha, para onde vai em outubro. Já compôs também para o cinema americano – tem residência em Nova York há 26 anos – em filmes como "Down by Law", de Jim Jarmush, "Procura-se Susan Desesperadamente", de Susan Seidelman, e "Amazonas", de Mika Kaurismak.
    Apesar disso tudo, ele sente falta e gostaria que a maioria de seus discos, lançados quase todos fora do País, fosse reeditada aqui. Talvez um ótimo presságio seja o recente lançamento editado pela gravadora Núcleo Contemporâneo. Trata-se do CD "Fragmentos", com trilhas sonoras compostas pelo músico para filmes, documentários e balés. Foi gravado em Paris, em 1998, e já editado na Europa, no Japão e nos Estados Unidos. No Brasil, Naná está mais atuante que nunca. Seja compondo ou atuando em filmes brasileiros ou dirigindo o Percpan, Panorama Percussivo Mundial, festival que é realizado todos os anos em Salvador. A biografia, a música, a expressão, a integridade, tudo é um show em Naná Vasconcelos. Veja a entrevista que o artista concedeu de Recife para a Página da Música.
PM – Naná, o que é a música para você?
NV – A música para mim é o que faz sentido na vida. É minha maneira de viver, minha razão de viver. Eu não sei fazer outra coisa a não ser música. Música é tudo para mim. Sou músico profissional desde os 12 anos de idade e sou autodidata, nunca fui a escola de música. Tive uma grande escola, que foi escola da vida, ouvindo todo tipo de música, como a folclórica, ou em bailes, cabaré. Comecei cedo no cabaré (risos). Hoje tenho consciência de que essa escola da vida me fez uma pessoa flexível. Aprendi a ouvir. E ouvir é uma das coisas mais importantes para um músico. Porque quando você aprende isso encontra seu espaço em qualquer situação em que estiver envolvido. No meu caso, às vezes eu toco um dia com um grupo punk rock, em outro vou tocar com um cantor religioso lá na Lapônia, na Noruega…
PM – Você acha que existe diferença entre o músico intuitivo e o músico acadêmico?
NV – Há uma grande diferença no sentido de que a intuição é uma das coisas mais fortes que nós temos. Aprender fazendo é diferente de aprender didaticamente. Inconscientemente a gente age assim: a pessoa que aprende didaticamente tem mais possibilidade de esquecer, porque ela confia muito no livro. Quando você aprende fazendo, o seu corpo se lembra, partindo do princípio de que o primeiro instrumento é a voz e o melhor é o corpo. É como aprender a andar de bicicleta. Vinte anos depois você pega a bicicleta e o seu corpo vai lembrar do equilíbrio. Além do que, aprendendo intuitivamente você tem possibilidade de ser mais um músico improvisador do que aquele músico que só aprendeu a ler. São poucos os músicos de orquestra sinfônica que tocam sem a partitura.
PM – Inclusive isso vem ao encontro das bases da educação moderna. Na verdade, descobriram o óbvio, de que quando aprende fazendo o indivíduo incorpora melhor o aprendizado.
NV – Um dos exercícios, em escolas de música, é tirar a partitura da frente para tentar memorizar aquilo. É um treinamento feito para o aluno não ficar bitolado a só tocar diante da partitura. É abrir dentro da sua cabeça outra maneira de fazer música.
PM – De que maneira você vê a percussão na música? Ela é base, melodia ou uma expressão musical por inteiro?
NV – Ela é uma expressão musical que depende muito da criatividade de cada um. Por exemplo, se você me der uma canção eu posso apresentar sugestões sobre esta música poder virar um samba ou um bolero. A percussão define essas coisas. Afinal, eu posso pegar uma melodia sua e apresentar três ou quatro opções. Quer dizer, a percussão num sentido rítmico. Eu trabalho com percussão como se fosse uma orquestra. Eu trabalho muita coisa dos timbres, da sonoridade, muito mais do que o elemento rítmico. Procuro extrair da percussão o senso de orquestração. Tento fazer uma percussão que dê ênfase ao visual que existe na música. A música tem um elemento visual muito forte. Villa-Lobos já fez isso quando compôs O Trem Caipira. Ele mostra o trem e depois coloca você na janela vendo as paisagens brasileiras. É escutar essa música e ver essa idéia assim. Eu trabalho muito nesse senso.
PM – Você sabe qual é a origem mais remota da percussão? Seria da África, talvez?
NV – A origem mais remota da percussão é a vida, porque se o coração não bater, não tem música, não tem vida! (risos). Mas a África é onde se propagou mais a percussão. Além dela, o Oriente, a Índia, as regiões mais antigas. O berimbau, por exemplo, tem similares na Índia e na Ásia, instrumentos de uma corda só. O símbolo do primeiro instrumento com corda, por exemplo, era o arco que virou corda. Assim como os índios americanos que tinham um arco que virou instrumento. A África é mãe eterna de tudo o que a gente faz criativamente. Estou falando de música, no caso. A África é o nome da tradição, e a filha mais nova da tradição chama-se internet (risos). Os africanos tinham como meio de comunicação os tambores ou batiam na madeira para mandar uma mensagem enquanto o outro respondia. Hoje a gente aperta um botão. Mas a mãe de toda essa tecnologia que existe hoje é a tradição. No caso, a África. A gente está imitando a natureza.
PM – Você tem muitos discos lançados em vários lugares, como Estados Unidos, Europa e Japão, e só três lançados aqui no Brasil. São eles o "Amazonas", de 1973, e dois nos anos 90, "Contando Histórias" e "Contaminação". Sem contar o "Fragmentos", que acabou de sair. Você não sente falta de outros títulos seus serem lançados aqui no Brasil?
NV – Claro, claro. Além de sentir falta eu já sofri muito, já chorei muito por causa disso. Mas eu entendi que para ser ouvido aqui no Brasil você tem de trabalhar aqui. No Brasil acontece tanta coisa que quem está lá fora, está lá fora, e ponto. Até com Tom Jobim ou João Gilberto quando moravam fora, ninguém nem falava deles por aqui. Quer dizer, é tanta coisa acontecendo no Brasil ao mesmo tempo que para você ser ouvido você tem de vir para cá. E agora está mais difícil, mesmo você estando aqui, porque a música virou um produto descartável. Mas isso ocorre por causa das gravadoras, não do público. Elas fabricam uma coisa que dura dois anos e dois discos, e pronto. Ninguém fala mais da Carla Perez. O axé está desaparecendo e eles vão colar outra coisa no lugar. Tinha o forró de Fortaleza que apareceu, como o Mastruz com Leite, depois desapareceu. Agora é o Falamansa, o forró universitário. Virou uma coisa descartável. Isso faz parte do marketing delas. Quando fui produzir o disco do Cordel do Fogo Encantado, uma gravadora falou que eles não tinham teclado, nem baixo, portanto estavam fora dos padrões de produto. No entanto, eles são originais e maravilhosos!
PM – Embora você continue com sua casa em Nova York, você está ficando mais tempo no Brasil. Com quais projetos você está envolvido no momento?
NV – Estou gravando um disco aqui. Também acabei de fazer a música de um curta no Recife, chamado "As Heroínas de Tejocupapo". Estou fazendo a trilha sonora do filme "Ginga", de Otávio Corrêa, e até participando do filme junto com a atriz Adriana Lessa. É a história, que foi adaptada para o Brasil, de uma rainha africana. Estou realizando também a trilha do filme "As Tentações de São Sebastião", de José Araújo, um longa-metragem. José Araújo foi quem fez "Sertão das Memórias", do qual tem músicas neste disco meu que acabou de ser lançado.
PM – Além de cinema tem outros projetos que você está fazendo?
NV – Estou envolvido com um projeto com a Pina Bausch, na Alemanha. Em outubro eu vou para lá. Outro projeto de dança é "A Sagração da Primavera", na Bélgica, com uma companhia chamada "As Palavras", uma companhia que ficou no lugar do Maurice Bejart. Esse espetáculo tem música do Stravinsky, mas entre um movimento e outro tem música minha.
PM – Está trabalhando bastante. Você está fazendo um disco também. Quando deve ficar pronto?
NV – Acho que daqui para o fim do ano está pronto.
PM – Como você está se apresentando atualmente?
NV – Atualmente tenho feito concertos solo ou com orquestra sinfônica. Fazer concertos solo acho interessante, porque procuro dar workshops dois dias antes do concerto. É uma maneira de encontrar os jovens músicos. E os meus workshops não são só para músicos. Chamam-se "Orgânico Workshops", que é o entendimento dos ritmos através do corpo. Então se abre um leque muito grande para atrizes, atores, dançarinos, músicos em geral, e não necessariamente só para percussionistas. É muito interessante porque encontro pessoas que, de uma certa forma, a música faz parte daquilo que elas fazem.
PM – Há bastante tempo você já é uma das influências mais importantes da música brasileira. A gente gostaria de saber quais foram suas influências, ou se ainda há coisas que te influenciam?
NV – Eu me influencio com tudo que me envolvo. Porque quando me envolvo, faço totalmente. No início, quem abriu muito a dimensão para mim foi o Milton Nascimento. Quando ele começou não tinha nem grupo ainda. Era só eu e o Milton. Aliás, o Milton e eu, porque eu fazia percussão para a música dele. Comecei a criar ritmos para a música do Milton e ele me deixava criar, isso foi muito bom. Quer dizer, me influenciou bastante. Hoje utilizo a minha voz influenciado pela voz maravilhosa que o Milton tem. Hermeto Pascoal é um grande percussionista, de uma certa forma, pela intuição e originalidade. Hermeto é responsável pela idéia de que tudo é percussão. Você pode pegar qualquer coisa e fazer virar um instrumento. Por exemplo, quando ele fez o Quarteto Novo e trouxe a queixada de burro. Isso são grandes idéias que o Hermeto lançou. Então ele foi uma influência muito grande na percussão.
PM – E no cenário contemporâneo? Você mencionou o Cordel do Fogo Encantado, como foi seu encontro com eles?
NV – Eles me convidaram para dirigir o disco deles e eu disse que tinha de conhecê-los primeiro. Eles estavam com dificuldade de vender seus shows porque ninguém os conhecia. A maneira que encontrei para conhecê-los foi quando fui fazer uma pequena turnê pelo interior de São Paulo e os convidei. Eu fazia meu show e os apresentava. Isso foi uma maneira de conhecê-los melhor. Mas o Cordel já estava pronto, o fato é que eles nunca tinham entrado em estúdio e meu trabalho foi muito mais de gravar bem o som dos instrumentos. Mas o fato de eles não conhecerem procedimentos de estúdio acabou sendo bom para não perderem a energia. Gravavam tudo direto. Se errassem, tinham de voltar e gravar tudo de novo. Não dava para emendar. Também conversava com o Lirinha, o líder do grupo, sugerindo idéias de colocar som de cigarra, fazer vinhetas, dando a idéia concepcional do trabalho. Foi maravilhoso. Eles são muito originais. Uma coisa que está vindo aí do sertão de Pernambuco.
PM – Como você vê essa questão regional, de identidade musical?
NV – Acho importante. Eu conheço o folclore do meu País. Tenho um projeto que se chama ABC Musical, que é educacional, para crianças, e conheço o folclore de diferentes regiões do Brasil. É isso que não me faz perder a identidade, mesmo morando fora todo esse tempo. Cada Estado nosso é uma mistura diferente. Tem coisas que só tem aqui em Pernambuco. A África do Maracatu só deu aqui. Ou o bumba-meu-boi, o tambor-de-crioula, lá no Maranhão, é uma outra África que o Brasil ainda não conhece bem. Porque todo o nosso folclore são verdadeiras óperas populares. Depois do Chico Science, começou a se falar muito em Maracatu.
PM – O que aconteceu no cenário da música brasileira foi muito interessante. Ao mesmo tempo que se internacionalizavam, os músicos também se voltaram para a música regional, muito a partir do Chico Science que isso parece ter ficado mais evidente…
NV – Exatamente. Ele abriu um grande leque. A música que está acontecendo no Brasil e que vai para fora do País tem bastante da cultura regional do Nordeste. Mestre Ambrósio, Nação Zumbi, Cordel do Fogo Encantado, mesmo o Mundo Livre S.A., Chão e Chinelo. Isso é maravilhoso!
 
CD "Fragmentos" – Lançamento Núcleo Contemporâneo
Site: www.nucleo.art.br / Tel. (11) 3873-1386