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Lançamento do Livro: “ABC DA CAPOEIRA PARA CRIANÇAS”

“ABC DA CAPOEIRA PARA CRIANÇAS” será lançado  QUADRA DA G.R.E.S. MOCIDADE UNIDA DO SANTA MARTA, neste sábado, 10 de Agosto de 2013.

Fruto de uma parceria entre o escritor carioca Victor Alvim, o Lobisomem e o ilustrador português Rui Apolinário, o livro infantil “ABC DA CAPOEIRA PARA CRIANÇAS” tem  linguagem simples, nomes de golpes, movimentos, importantes mestres, instrumentos musicais e suas funções, lutas africanas que originaram a capoeira, além de noções de cidadania, respeito à natureza, aos professores e amigos, são alguns dos elementos deste livro. Durante o evento,  Victor Alvim estará autografando os exemplares do livro, que estarão à venda no local.

A programação terá ainda apresentações folclóricas de Maculelê, Jongo e Samba de Roda com as crianças do projeto, além de batizado e troca de graduações, entre outras atividades.

O evento faz parte das comemorações dos 20 anos do trabalho social realizado no Santa Marta pelos professores de capoeira Anderson Bacurau, Chá Preto e Alex Sil. Atualmente os dois primeiros ministram suas aulas na Espanha e Portugal, deixando a continuidade do trabalho no morro Santa Marta aos cuidados do instrutor Alex Sil.

Na literatura de cordel brasileira, os “ABCs” são poemas onde cada estrofe se inicia com uma letra do alfabeto de forma sequencial. De A a Z.

Neste livro, “ABC da CAPOEIRA Para Crianças ” o autor apresenta, também neste formato, um poema em que procura citar, comentar e explicar, alguns dos mais importantes fundamentos e aspectos da arte capoeira.

A capoeira é uma arte brasileira que atualmente é praticada em mais de 100 países de todos os continentes. É um valioso instrumento de educação, utilizado em grande parte das escolas, universidades e projetos sociais do país. Costuma dizer-se que é uma “arte que engloba várias artes”, pois trabalha musicalidade, coordenação motora, história do Brasil, defesa pessoal, atividade física e mental entre dezenas de outras qualidades. O capoeirista toca, canta, compõe, joga, luta, interpreta, dança, confecciona instrumentos.

A CAPOEIRA foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL.

 

Os autores:

Victor Alvim I. Garcia nasceu no Rio de Janeiro. Iniciou-se na capoeira há mais de duas décadas nas aulas ministradas por Mestre Camisa no bairro de Laranjeiras, onde recebeu o apelido de “Lobisomem”. Membro da ABADÁ-CAPOEIRA, já ministrou aulas de capoeira em creches, escolas públicas e particulares, comunidades e projetos sociais entre outros. Compositor e cantador, depois de participar de diversos cds, em 2009 gravou seu primeiro cd solo intitulado “Capoeira Popular Brasileira”. Poeta popular,  autor de dezenas de títulos, em 2007 foi eleito membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

Rui Apolinário nasceu em Cascais, Portugal. Decidiu iniciar-se na capoeira após uma estadia em Porto Seguro onde assistiu a uma demonstração. É designer e ilustrador. Já ilustrou diversos livros infantis e aplicações multimídia.

 

Serviço:

Data: 10/08/2013 – Sábado
Horário: 9:30 às 12:30
Local: QUADRA DA G.R.E.S. MOCIDADE UNIDA DO SANTA MARTA
Endereço: Rua Jupira, 72 – Morro Santa Marta – Botafogo
ENTRADA FRANCA

O livro será vendido por R$ 10,00 (dez reais)

 

Alguns cordéis publicados pelo autor Victor Alvim:

·         O Magnífico Encontro de Zeca Pagodinho com a Patota de Cosme& Damião

·        A chegada de Bezerra da Silva no céu

·        Zumbi dos Palmares e Mestre Bimba em cordel

·        Cacique de Ramos em Cordel

Aconteceu: Projeto Capoeira, História e Musicalidade

Projeto Capoeira, História e Musicalidade faz apresentação na Rua do Lazer

O Projeto Capoeira, História e Musicalidade realizou na noite de sexta-feira (28), na Rua do Lazer, uma apresentação do grupo de capoeira Legião Brasileira.  O evento que está sendo desenvolvido através de uma parceria com a Fundação Antônio dos Santos Abranches (FASA)  e que foi idealizado por Andersom Fernando e Maresa Rebecca, ambos do curso de História da Católica, busca difundir essa expressão cultural brasileira que mistura arte-marcial, esporte, cultura popular e música, e que é originária dos povos formadores da nossa cultura, como os índios, negros e escravos.

Andersom Fernando falou que a ideia em lançar o projeto, nasceu de uma experiência fora do Brasil, através de um intercâmbio cultural do qual ele participou na Noruega. Além disso comentou sobre o preconceito que essa arte carrega aqui no país. “O projeto nasceu da experiência fora do Brasil, pois foi onde encontrei o ambiente perfeito para propor esse tipo de atividade pedagógica. Lá, eu realizei algumas apresentações culturais e pude perceber o imenso valor que as pessoas deram, ao contrário do Brasil. Então, esse foi o fator predominante, foi o que me motivou a trazer para a Universidade a capoeira e quebrar com esse estigma de que ela é marginalizada apenas por representar culturalmente a periferia”, destacou.

O projeto ao todo conta com quatro grupos de capoeira. O grupo Capoeira Gerais, do Curado I, o grupo Raízes de Angola, de São Lourenço da Mata, a Escola Perna Pesada, de Recife, além do grupo Legião Brasileira, de Camaragibe que se apresentou esta noite. O professor do grupo Legião Brasileira, Traíra, comentou sobre os objetivos e os benefícios que a prática da capoeira permite. ” Nosso maior objetivo é o de educar e socializar nosso alunos. Como boa parte moram de regiões de risco, ou seja, são de áreas periféricas, buscamos livrar todos eles do caminho das drogas, do álcool e do tráfico”, afirma.

A aluna de Jornalismo Daniele Monteiro conta sobre a importância do evento. “Eu acho muito importante a propagação dessas atividades, pois elas resgatam e valorizam a nossa cultura, que por sinal é muito rica”, diz.

Fonte: http://www.unicap.br

Pequeno capoeirista de Torres é exemplo de superação

Menino de 11 anos se esforça para vencer dificuldades impostas por doença

As palmas batem enquanto o pandeiro e o berimbau tocam. João Gabriel Schultz crava as mãos ao chão e com um misto de força e concentração joga as pernas para o ar. O menino de 11 anos surpreende a roda de capoeira com mais um movimento próximo da perfeição. Ele volta a “ficar de pé”, engatinha para as bordas da roda e observa os colegas naquela que é uma das aulas em que mais gosta.

A cena descrita poderia ser costumeira entre as tantas escolas de Torres em que é possível praticar capoeira como atividade complementar. Para João Gabriel, fazer parte desta rotina faz com que a palavra “costumeira” ganhe outro significado. Ele sofre de uma doença chamada artrogripose. Nasceu assim. O atrofiamento dos membros inferiores se deu quando o cordão umbilical enrolou-se em seus calcanhares e impediu o desenvolvimento das pernas durante a gestação.

— Ele acabou nascendo de cesária. Dificultou demais o parto. No pré-natal os médicos não viram nada, estava com peso bom, com tudo certinho — explica a mãe, Sônia Souza.

João Gabriel nasceu com 3,220 quilos e 49 centímetros em 23 de novembro de 1999. Passou três dias no hospital sem que os médicos conseguissem diagnosticar que tipo de doença fazia com que os dois pés ficassem dobrados para dentro. A mãe conta que passaram a entender o problema dele apenas um mês e 15 dias depois do nascimento.

— Tenho de correr a Porto Alegre porque o médico não conhece o problema dele.

João Gabriel usa as mãos para se locomover. Engatinha com desenvoltura pelos corredores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Manoel João Machado. Isso quando não está ziguezagueando pelos colegas dirigindo seu triciclo – adaptado para os pedais serem usados com as mãos. Normalmente, chama atenção dos pais dos colegas e acaba ganhando a simpatia dos adultos. É o caso de Amilton Teixeira. Pai de uma menina que também estuda na Manoel João Machado, ele se encantou pelo guri ao vê-lo passar voando com o triciclo em uma noite de poesias. Acabou virando uma espécie de “padrinho” de João Gabriel. Teixeira e alguns amigos se juntaram e deram ao menino um computador, uma mesinha e uma cadeira. Ainda falta o triciclo novo que já mandaram encomendar.

— Eu vi aquele menininho abaixado. Depois descobri que ele não conseguia andar. Ele é cativante, um exemplo de vida. Me emociono de ver a perseverança dele. Acho que me ajudou mais do que estou ajudando ele — revela Teixeira.

Em dezembro, dois acontecimentos serão decisivos para João Gabriel. Colorado fanático, ficará de olho no Mundial de Clubes em Abu Dhabi, de camisa do inter e bandeira na mão. No final do mês, dia 22, terá uma consulta no Hospital São Lucas da PUCRS para definir como poderá ser feita a “remodelagem” das pernas. Como já foram feitas duas cirurgias nos pés, a única chance de ele vir a andar seria a colocação de um fixador na lateral dos membros inferiores. A mãe já faz contas: o aparelho custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.

— O médico não garantiu e falou até na possibilidade de amputar, porque o problema é a canela e o pé. Se der certo em uma das perninhas, fazemos a outra, se não, temos de ver — projeta Sônia.

 

Alexandre Ernst | alexandre.ernst@zerohora.com.brhttp://zerohora.clicrbs.com.br/

Capoeira, Sincretismo, Santos e Orixás

A presença e a ligação dos Santos e Orixás com a Capoeira é sentida em diversas cantigas e ladainhas…

O Brasil sempre foi um país envolvido e mergulhado no sincretismo religioso, no misticismo… uma das maiores dadivas de nosso povo é a miscigenação… a misturas de raças, de culturas e religiões.

A capoeira nasceu em meio disso tudo, ela própria nasceu de misturas…

Existem diversas vertentes e estudos sobre isso… é sabido a influencia de lutas oriundas da África como o N´golo, a Dança da Zebra o Batuque…

A “camuflagem” da capoeira escrava em dança com intenção manhosa e maliciosa de iludir o feitor e o Senhor… foi o segredo da sua existência e permissão de prática no meio das Senzalas…

“A Capoeira, tem origens e raizes africanas…seu ventre, sua mãe… é conhecida como cultura negra… seu pai a liberdade… mais nasceu e foi criada no Brasil, algures no reconcavo Baiano… cercada de malandragem e brasilidade…”

…Bahia terra de todos os Santos… e Orixás…

É inegável a presença religiosa dentro da Capoeira… que em sua essência é um ritual… cheio de manifestaçãoes e referências a uma força maior… Iêêê viva meu Deus…

Este Deus representa a a força e a energia divina… que pode assumir diversos nomes, tão conhecidos por todos…

Ala… Buda… Deus… Brahma … e tantos outros…

Luciano Milani – Setembro de 2005

Segue o texto enviado pelo Mestre Decanio, sobre o tema:

Santos e Orixás o sincretismo na CapoeiraSantos e Orixás o sincretismo na Capoeira “Em “Falando em Capoeira” eu faço alusão a este fato e justifico: é conseqüência da capoeira ter sua raiz mística e musical no candomblé.

Os cânticos (oriki) louvam os atributos maravilhosos dos orixás. O sincretismo manhoso para evitar os preconceitos eclesiásticos leva ao uso de nomes de santos e trechos de orações, especialmente das ladainhas, em tentativas de lisonja dos censores.

São Bento é um santo a quem creditam uma vida mais próxima da Natureza e dos animais. Santo Amaro é o Protetor da área portuária onde surge a capoeira. Santo Antônio é associado a Ogum na Bahia e a Oxossi no Rio de Janeiro. São Lázaro é a Omolu (Obaluaê), (portador de varíola), na Bahia é representado por São Jerônimo no Rio .Oxalá é para fraseado pelo Senhor do Bonfim… São Jerônimo na Bahia é Xangô.

Tudo em busca de apaziguar a imagem do Diabo, Belzebu associada a Exu pelos cristãos. Santa Bárbara=Nhançã. Santa Maria pelo seu prestígio e interferência junto a Jesus Cristo (Oxalá) e Deus-Pai. De modo similar há referência a Lampião, Zumbi, Pedro Gordilho (Pedrito), Besouro Mangangá, Besouro e/ou mesmos personagens de lendas ou imaginários. Na verdade o importante é o efeito mântrico associado ao toque e sistema de rima poética tonal dos africanos, associado às modificações fonéticas das palavras e expressões para acoplamento à melopéa.”

 

Ser Capoerista é saber conviver… é saber respeitar… é ser acima de tudo um cidadão de espírito livre…
Combater as descriminações e as intolerâncias… dentro ou fora da roda. 

* Imagens enviadas pelo Mestre Decanio

Projeto reúne sambistas em homenagem a Geraldo Filme

Passados 13 anos da morte de Geraldo Filme, um dos mais importantes sambistas brasileiros e expoente do samba paulistano, o Centro Cultural Banco do Brasil reúne, em São Paulo, a partir de 6 de janeiro até o dia 3 de fevereiro 12 grupos e cantores no projeto “É tradição e o samba continua”.

Geraldo Filme nasceu em 1927 na cidade de São João da Boa Vista, em São Paulo. Foi criado na Barra Funda, onde teve contato com rodas de samba e capoeira. Com estas influências, tornou-se um dos nomes mais respeitados entre sambistas de todo Brasil, mas seu reconhecimento veio tarde, após sua morte, em 1995.

A cantora Fabiana Cozza, acompanhada do Quinteto em Branco e Preto, será a primeira da programação. Nos outros dias, os participantes serão acompanhados de uma banda fixa e todos os shows vão terminar com sambas de Filme.

O projeto, cujo nome saiu de um verso de seu clássico Tradição (Vai no Bexiga pra Ver), vai mostrar diversas modalidades, como o samba de terreiro e o samba de bumbo, típico do interior paulista, onde Filme nasceu e cresceu influenciado pelo canto dos escravos, que conheceu com a avó.

Integrante do Samba da Vela, padrinho de algumas e militante em outras comunidades, Chapinha assina a direção musical. “Sem bairrismo, bato sempre na mesma tecla para que se valorize mais o samba de São Paulo: Geraldo Filme, Zeca da Casa Verde, Talismã, Toniquinho Batuqueiro, Oswaldinho da Cuíca e outros que são menos lembrados”, diz Chapinha.

O samba de comunidade é uma das características marcantes do que se faz em São Paulo atualmente e que ganha mais visibilidade no projeto do CCBB. Além da Comunidade Samba da Vela (que divide o programa do dia 13 com Oswaldinho da Cuíca), tem também o Berço do Samba de São Matheus (dia 20, com Dona Inah), o Samba da Laje (dia 27, com Teroca e a Velha Guarda da Camisa Verde e Branco) e o Pagode da 27 (dia 3/2, com Graça Braga e Chapinha).

Geraldo Filme nasceu em 1927 na cidade de São João da Boa Vista, em São Paulo. Foi criado na Barra Funda, onde teve contato com rodas de samba e capoeira. Com estas influências, tornou-se um dos nomes mais respeitados entre sambistas de todo Brasil, mas seu reconhecimento veio tarde, após sua morte, em 1995.

Mais informações podem ser obtidas na página do CCBB.

http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/sp/DetalheEvento.jsp?Evento.codigo=33107&cod=4

São Paulo: Lançamento CD – Mestre Bigo

Francisco Tomé dos Santos Filho, o Mestre Bigo (Francisco 45), discipulo de Mestre Pastinha lança seu CD em São Paulo no terreiro do Mestre Plínio o Angoleiro Sim Sinhô.

 

 

 

Visite: http://www.angoleirosimsinho.org.br/eventos.html

 

Mestre Bigo, discípulo de Mestre Pastinha, conta um pouco sobre a sua vida na Capoeira Angola.

Revista Praticando Capoeira, páginas 14 a 16.
Texto: Letícia Cardoso de Carvalho

Francisco Tomé dos Santos Filho, o Mestre Bigo, nasceu em 1946, em Salvador-Bahia. Iniciou na capoeira em meados dos anos 50, após assistir a uma apresentação de capoeira onde viu Mestre Pastinha e Mestre Cobrinha Verde num emaranhado de corpos.

Treinou na Academia de Mestre Pastinha até 1975 (época em que casou-se e veio para São Paulo), convivendo com grandes expoentes da capoeira, como: João Grande, João Pequeno, Natividade, Papo Amarelo, Jonas, Bola Sete, Gildo Alfinete, Genésio Meio Quilo, Roberto Satanás, entre outros.

Após chegar em São Paulo ficou um tempo afastado da capoeira, mas afirma que em momento algum esteve separado dela, pois a capoeira está no seu sangue, correndo em suas veias. Em 1989, Mestre Bigo fundou a Academia de Capoeira Angola Ilê Axé, onde realiza um trabalho até hoje.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que Mestre Bigo concedeu à Revista Praticando Capoeira.

P. Capoeira: Como era a Capoeira Angola na época em que você começou a praticar?

Era um pouco diferente. Mestre Pastinha treinava Angola corrida e Angola amarrada. A Angola corrida era perigosa. Nós trocávamos pau com o pessoal da Regional. O regional levantava a perna lá em cima e o angoleiro dava rasteira. O angoleiro não levanta a perna lá em cima, pois sabe que se levantar vai cair.

Antes, para cada jogo era cantada uma ladainha, depois vinha o improviso e depois o corrido. O capoeirista jogava um certo tempo, então parava a roda e começava a cantar outra ladainha. Tomava muito tempo da gente. Hoje em dia têm mais capoeiristas e em virtude disso, tem menos tempo para jogar na roda.

P. Capoeira: Muitos capoeiristas que praticam Capoeira Regional afirmam que a Capoeira Angola é fraca como arte marcial. Qual a sua opinião?

Não acho não. A angola tem mais malícia. A Regional é só ataque, defesa e raiva. O angoleiro entra na roda dando risada. Capoeira são duas cobras. A Regional tem um veneno só. Já a Angola tem o veneno de várias cobras. O Regional entra na roda, fecha a mão, fecha a cara para bater. Quer dizer, é como se fosse uma cascavel, que avisa que vai te pegar. O angoleiro é o contrário. Seria como todas as cobras, que procura atrair o seu agressor e dar risada, para dar um bote só, no momento certo. O angoleiro quando vê que vai dar o bote e não vai pegar, ele não dá. Ele só dá o golpe certo. Na angola são poucos golpes, mas são todos originais. O angoleiro não desperdiça golpe. Angola é malícia, é manha, maldade, falsidade, ataque e defesa, alegria e tristeza. Depois vem a mandinga, que é o tempo que faz. O angoleiro não confia em ninguém. Ele confia e desconfia. Ele finge que não vê, que não escuta. O pessoal da Regional despreza a Angola (sem generalizar), é igual mãe e filho. A Angola é a mãe, e uma mãe nunca despreza o filho. Tem muita gente da Regional indo para a Angola para adquirir conhecimento, pois é na capoeira Angola que está o conhecimento. A Capoeira Angola nasceu na ânsia da liberdade. Ela nasceu como uma luta. Que lutou na Guerra do Paraguai não foi Regional, foi Angola. O pessoal pensa que Angola é fraca, não é não. Quando os angoleiros estão jogando parece que os dois são uma pessoa só, um transmite uma energia muito forte para o outro.

P. Capoeira: Qual era o sistema de ensino na Academia de Mestre Pastinha?

Ele começava com a ginga, era o primeiro passo. Depois, o primeiro golpe que ele ensinava era a meia lua de frente, que era para conhecer o seu adversário. Depois ele ensinava mais golpes de frente. Então, ele passava a ensinar os golpes giratórios; rabo de arraia, meia lua de costas e outros.

Agora, eu e Bola Sete gostávamos de chegar cedo para ficar conversando com o Mestre Pastinha, nós perguntávamos muitas coisas para ele e ele respondia. Ele dava muitos conselhos para nós, como:

"Sempre dobre uma esquina aberta"

"Não entre em lugar escuro"

"Se você desconfiar que uma pessoa está armada, jogue um cigarro aceso em cima dela que ela vai colocar a mão na arma".

"Sempre que estiver em um bar, sente-se olhando nos olhos do dono do bar, pois se acontecer qualquer coisa, os olhos dele vão avisar".

P. Capoeira: Por que grandes mestres de capoeira Angola estão hoje, de certa forma, "esquecidos", como aconteceu com Mestre Pastinha no final de sua vida?

Isso aconteceu mesmo. Eu falo que a Capoeira Angola muitas vezes castiga a gente. Se você anda um pouquinho errado ela castiga a gente. O caso do Mestre Pastinha foi inveja demais. Mestre Pastinha nunca jogou descalço. Antes da viagem dele para a África, ele foi fazer uma exibição num ginásio, na Bahia. Teve uma pessoa que falou para todo mundo jogar descalço, que capoeirista não nasceu calçado. Até esse dia, Mestre Pastinha nunca tinha jogado descalço numa roda de capoeira. Então, Mestre Pastinha tirou o sapato e foi jogar. Enquanto ele estava jogando, colocaram macumba no sapato dele. Mas a pessoa que fez isso também já morreu. O capoeirista sempre tem que pedir muita proteção. Quando o capoeira agacha ao pé do berimbau tem que se benzer, pedir proteção a Deus, pois ele vai para uma roda de capoeira sem saber a intenção de seu oponente. O capoeirista tem que descobrir nos olhos do seu oponente a intenção que ele vai tomar daquele momento em diante. Hoje em dia o capoeirista vai namorar e depois vai para a roda de capoeira; não pode, ele está como o corpo aberto, o capoeirista tem que estar de corpo e espírito limpo para transmitir uma energia positiva na roda de capoeira e em sua vida.

 

Lampião e Maria Bonita

Maior que Deus foi ninguem….
Valente foi Lampião….
Quando a policia chegou…
Acabou com o valentão…
 
Aquilo que foi amor…
Aquilo que foi paixão…
Morreu Maria Bonita…
Morreu abraçada com Lampião…
 
Não não não…
A mulher não nasceu para sofrer…
Não não não…
Ela não deveria morrer…
 
Não não não…
A mulher não nasceu para sofrer…
Não não não…
Ela tem de lutar por seu lugar…