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Jongo

Jongo: Os negros montam uma fogueira e iluminam o terreiro com tochas.

Do outro lado, armam uma barraca de bambu para os pagodes, um arrasta-pé onde os casais dançam o calango ao som da sanfona de oito baixos e pandeiro.

À meia-noite, a negra mais idosa e responsável pelo jongo interrompe o baile, sai da barraca e caminha para o terreiro de “terra batida”. É hora de acender a fogueira e formar a roda. As fagulhas da fogueira sobem pro céu e se misturam com as estrelas. Ela se benze nos tambores sagrados, pedindo licença aos pretos-velhos – antigos jongueiros que já morreram – para iniciar o jongo.

Improvisa um verso e canta o primeiro ponto de abertura. Todos respondem cantando alto e batendo palmas com grande animação. O baticum dos tambores é violento. O primeiro casal se dirige para o centro da roda. Começa a dança.

Durante a madrugada, os participantes assam na fogueira batata-doce, milho e amendoim. Alguns fumam cachimbo, tomam cachaça, café ou caldo de cana quente para se esquentar.

O jongo é muito animado e vai até o sol raiar, quando todos cantam para saudar o amanhecer ou “saravá a barra do dia”.

Dança-se o jongo no dia 13 de maio, consagrado aos pretos-velhos, nos dias de santos católicos de devoção da comunidade, nas festas juninas, nos casamentos e, mais recentemente, em apresentações públicas.

Os jongueiros dançam muitas vezes descalços, vestindo as roupas comuns do dia-a-dia.

O jongo é uma dança de roda e de umbigada. Um casal de cada vez dirige-se para o centro da roda girando em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. De vez em quando, aproximam-se e fazem a menção de uma umbigada. A umbigada no jongo é de longe.

Logo um outro entra roda, pedindo licença: “Dá uma beirada cumpadre!” ou “Bota fora ioiô!” Os casais, um de cada vez, vão se revezando até de manhã numa disputa de força, ginga e agilidade.

Durante a dança, o casal trava uma comunicação pelo olhar, que vai determinando o deslocamento pela roda e o momento da umbigada.
No jongo da Serrinha, existe um passo que se chama “tabiá”, uma pisada forte com o pé direito.

O jongo é dançado ao som de dois tambores, um grave (caxambu ou tambu) e um agudo (candongueiro). O repicar do candongueiro atravessa os vales, avisando aos jongueiros das fazendas distantes que é noite de jongo.Os tambores são feitos de tronco de árvores escavados com um pedaço de couro fixado com pregos numa das extremidades. São de origem bantu e conhecidos em Angola e no Brasil como “ngoma”. Antes do jongo começar, eles são aquecidos no calor da fogueira, que estica o couro e afina o som.

Em alguns locais, os tambores são acompanhados por uma cuíca de som grave, a angoma -puíta ou onça (na África chamada de “mpwita”), e por um chocalho de palha trançada com fundo de cabaça, chamado guará.

Durante a madrugada, os tambores começam a ficar úmidos de sereno, perdendo o som. Por isso são levados várias vezes para perto do fogo para serem afinados. Enquanto esperam, os jongueiros vão para a barraca dançar o calango.

Os tambores são sagrados, pois tem o poder de fazer a comunicação com o outro mundo, com os antepassados, indo “buscar quem mora longe”. No início da festa, os jongueiros vão se benzer, tocando levemente no seu couro em sinal de respeito.

Mestre Darcy inventou um terceiro tambor solista reproduzindo as células rítmicas emitidas pelos sons guturais que saiam da garganta da jongueira centenária Vovó Tereza quando essa dançava o jongo.

Ministério da Cultura (MinC), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Departamento do Patrimônio Imaterial, Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP).

 

Pontos

O canto do jongo é responsorial. É cantado primeiramente pelo solista, com versos livres improvisados, e o refrão respondido por todos.

Os pontos de jongo têm frases curtas que retratam o contato com a natureza, fatos do cotidiano, o dia-a-dia de trabalho braçal nas fazendas e a revolta com a opressão sofrida. São cantados no linguajar do homem rural, com sotaque de preto-velho, e gungunados, numa espécie de som gutural bem resmungado saído do peito.Os pontos misturam o português com heranças do dialeto africano de origem bantu, o quimbundo. São criados de improviso e exigem grande criatividade, agilidade mental e poesia, muito comuns aos negros bantus.

Os jongueiros trocaram o sentido das palavras criando um novo vocabulário passando a conversar entre si por meio dos pontos de jongo numa linguagem cifrada. Só alguém com muita experiência consegue entender os seus significados. Assim, os escravos se comunicavam por meio de mensagens secretas, que muitas vezes protestavam contra a escravidão, zombavam dos patrões publicamente, combinavam festas de tambor e fugas.Quando algum jongueiro quer cantar um outro ponto, interrompendo o anterior, ele põe as mãos no couro dos tambores e grita a palavra “machado” ou “cachoeira”. Isso cala os tambores, interrompendo o ponto anterior e a dança para que o jongueiro em seguida “tire” um novo ponto.Os pontos podem ser de diversos tipos:

  • abertura ou licença – para iniciar a roda de jongo
  • louvação – para saudar o local, o dono da casa ou um antepassado jongueiro
  • visaria – para alegrar a roda e divertir a comunidade
  • demanda, porfia ou “gurumenta” – para a briga, quando um jongueiro desafia seu rival a demonstrar sua sabedoria
  • encante – era cantado quando um jongueiro desejava enfeitiçar o outro pelo ponto
  • encerramento ou despedida – cantado ao amanhecer para saudar a chegada do dia e encerrar a festa

O JONGO E O SAMBA

O jongo influenciou decisivamente o nascimento do samba no Rio de Janeiro. No início do século 20 o jongo era o ritmo mais tocado no alto das primeiras favelas pelos fundadores das escolas de samba antes mesmo do samba nascer e se popularizar. Os antigos sambistas da velha guarda das escolas de samba realizavam rodas de jongo em suas casas. Nessas festas visitavam-se uns aos outros, recebendo também jongueiros do interior.

 

Os versos do partido-alto e do samba de terreiro são inventados na hora pelo improvisador. Esse canto de improviso nasceu das rodas de jongo. A umbigada, que na língua quimbundo se chama “semba”, originou o termo samba e também faz parte do samba primitivo. A “mpwita”, instrumento congo-angolano presente no jongo, é a avó africana das cuícas das baterias das escolas de samba.

 

O jongo, por ser uma festa de divertimento, mas com aspectos místicos, fez com que a dança se restringisse aos ambientes familiares. Por isso, ao contrário do samba, que logo conseguiu hegemonia nacional, acabou sendo pouco divulgado. O fato do jongo ser praticado apenas por idosos e proibido para os mais jovens foi outro fator que levou a dança a um processo acelerado de extinção.

 

Saiba Mais:

Jongo da Serrinha, Madureira, Rio de Janeiro

 

Wiki:

O jongo, também conhecido como caxambu e corimá, é dança brasileira de origem africana praticada ao som de tambores, como o caxambu. É essencialmente rural. Faz parte da cultura afro-brasileira. Influiu poderosamente na formação do samba carioca, em especial, e da cultura popular brasileira como um todo. Segundo os jongueiros, o jongo é o “avô” do samba.

Inserindo-se no âmbito das chamadas danças de umbigada (sendo, portanto, aparentado com o semba ou masemba de Angola), o jongo foi trazido para o Brasil por negros bantos, sequestrados para serem vendidos como escravos nos antigos reinos de Ndongo e do Kongo, região compreendida hoje por boa parte do território da República de Angola. Composto por música e dança características, animadas por poetas que se desafiam por meio da improvisação, ali, no momento, com cantigas ou pontos enigmáticos, o jongo tem, provavelmente, como uma de suas origens (pelo menos no que diz respeito à estrutura dos pontos cantados) o tradicional jogo de adivinhação angolano denominado jinongonongo.

Wiki: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jongo

Lançamento do livro “Capoeira: uma herança cultural afro-brasileira” no Sesc de Piracicaba

Sesc de Piracicaba promoveu no dia 16 de novembrodas 10h às 12h, a sessão de autógrafos do livro Capoeira – Uma herança cultura afro-brasileira,  que acaba de ser lançado pela Selo Negro Edições. As autoras da obra, as pesquisadoras Leticia Vidor de Sousa ReisElisabeth Vidor, receberam os convidados no Ginásio de Eventos do Sesc, que fica Rua Ipiranga, 155 – Piracicaba – São Paulo.
Veja abaixo algumas fotos do lançamento, que aconteceu juntamente com o 9º Encontro de Capoeira Angola.

“A capoeira é ambígua, ao mesmo tempo jogo, dança e luta. Seus movimentos corporais privilegiam os pés e os quadris e, ao inverterem a hierarquia corporal dominante, colocam o mundo literal e metaforicamente de pernas para o ar”, explicam as autoras. Segundo elas, para entender o significado social e simbólico dessa inversão utiliza-se a linguagem do corpo como fonte principal de informação para enunciar as regras da gramática gestual da capoeira.Reconhecida hoje como um dos símbolos da cultura brasileira, a capoeira nem sempre teve esse status. Os adeptos foram perseguidos durante muitos anos, especialmente na passagem do Império para a República. Associada à vadiagem e à violência, a capoeira só deixou de ser considerada crime há pouco mais de 80 anos. Atendendo ao que preconiza a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino das culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas nas escolas, Elisabeth e Letícia decidiram se aprofundar no estudo do tema. No livro, elas retratam as origens sociais e culturais do movimento e mostram como a capoeira contribuiu para que os negros conquistassem e ampliassem seu espaço político e social no Brasil.

A partir de uma abordagem inovadora, é possível entender a capoeira também como uma forma de resistência do negro, desde o tempo da escravidão até os dias atuais. Entre as várias culturas de resistência negra desenvolvidas no país, a capoeira é uma das mais significativas, constituída com base em culturas provenientes da África. Dividido em três capítulos, o livro traz, com detalhes, a história da capoeira carioca no século 19. As autoras fazem uma interpretação antropológica dos movimentos corporais da capoeira para a compreensão da especificidade da relação entre negros e brancos no Brasil.

 

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Capoeira

FCP celebra o 20 de novembro na Serra da Barriga-AL

A programação, que inclui cortejos, oficinas, shows e apresentações culturais, será encerrada com um show do cantor e compositor Martinho da Vila

A Fundação Cultural Palmares – MinC (FCP) preparou uma programação especial para as 10 mil pessoas que devem visitar o município de União dos Palmares, em Alagoas, até 20 de novembro – Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. De 17 a 20 de novembro, os visitantes poderão participar de cortejos, oficinas, shows e apresentações culturais que vão celebrar a data mais importante do calendário afro-brasileiro.

De acordo com Hilton Cobra, presidente da FCP – MinC, o intuito da programação, além de celebrar a data, e provocar discussões sobre cultura e estética negra. “Nós acreditamos que a arte e a cultura também são totalmente capazes de eliminar as barreiras da desigualdades e promovem a inclusão. A nossa população precisa disso”, afirma.

Sem barreiras geográficas – Jovens negras e negros de União dos Palmares e Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, vão transpor barreiras geográficas para trocar experiências sobre como eles se organizam na área cultural e em busca de políticas públicas nas duas cidades. É o Escambo Cultural: de Ceilândia à União dos Palmares, que acontece no dia 17, às 14h.

De acordo com Lindivaldo Júnior, diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira da FCP – MinC, a ação também está vinculada ao plano Juventude VIVA, programa do Governo Federal que visa à prevenção à violência contra a juventude negra. “O nosso encontro é uma forma de responder as últimas notícias que apontam que 35,2% das vítimas de homicídios ocorridos no Brasil em 2011 eram homens negros entre 15 e 29 anos”, aponta.

“Nós não vamos discutir questões de segurança pública, mas vamos buscar soluções dentro da cultura. Como os jovens de União dos Palmares estão se organizando para vencer as estatísticas? Quais ações os jovens de Ceilândia estão desenvolvendo? É isso que queremos descobrir”, completa Lindivaldo.

Corpo, cor e movimento – Entre os dias 18 e 19, a cultura negra, nas mais diversas formas e expressões, vai invadir União dos Palmares. Serão ministradas as oficinas “Juventude Negra: Corpo, Cor e Movimento”, que exibirão movimentos de Hip Hop e Breack, técnicas de discotecagem, conceitos de estética negra e movimentos de dança afro. Além dos encontros, o evento “Resistência Negra em Cortejo” levará aos moradores desfiles de afoxés de Alagoas e Pernambuco que sairão em cortejo até a Praça da Matriz.

O grande dia – A grande celebração será realizada no Parque Memorial Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga. O Parque, que é uma referência ao Quilombo dos Palmares – o maior, mais duradouro e mais organizado refúgio de escravos das Américas – será palco de atrações que têm como objetivo conscientizar, promover e valorizar as diversas artes e culturas afro-brasileiras.

O banho de cheiro realizado por religiosos de matriz africana inicia as atividades do dia, que contará ainda com cortejo sagrado e a cerimônia de depósito de flores na Lagoa Encantada dos Negros. O rito vivencia as religiosidades afro-brasileiras, ainda vítimas da intolerância religiosa, alimentada pelo ranço do racismo estrutural no país. “As celebrações reverenciam a memória do líder negro Zumbi dos Palmares, morto pelo escravismo e pelo racismo que continua na vida da população brasileira”, pontua Cobra.

Apresentações de tradições culturais,rodas de capoeira e oficinas fazem parte da agenda do dia, que será encerrada às 20 horas com o show de um dos principais nomes do samba,o cantor e compositor Martinho da Vila, que canta sucessos como “Canta, Canta Minha Gente”, “Mulheres” e “Madalena do Jucú”.

Confira a programação completa:

FCP celebra o 20 de novembro na Serra da Barriga-AL

Emancipação, inclusão e exclusão. Desafios do Passado e do Presente

Exposição traz fotos de negros escravos no Brasil

Até o ano de 1888, negros trazidos da África e seus descendentes viviam no Brasil como escravos. Eles trabalhavam sem receber salário e eram submetidos a compra ou troca, como se fossem objetos.

A exposição “Emancipação, Inclusão e Exclusão. Desafios do Passado e do Presente”, no Museu de Arte Contemporânea da USP, traz 72 imagens feitas entre 1860 e 80, de escravos e ex-escravos. A mostra, em parceria com o Instituto Moreira Salles, fica em cartaz até o dia 29 de novembro de 2013.

Na época em que as fotos foram tiradas, já circulavam entre os intelectuais críticas ao trabalho forçado.

Pelas lentes de brasileiros e estrangeiros, os negros –livres, escravizados ou libertos– foram retratados de diferentes formas: como modelos exóticos para análise científica, como parte do cenário ou como figuras principais.

Acervo Instituto Moreira Salles

PARA CONFERIR

Emancipação, inclusão e exclusão. Desafios do Passado e do Presente
QUANDO até 29/10; terça a domingo, das 10h às 18h
ONDE MAC Cidade Universitária (r. da praça do Relógio, 160; tel. 0/xx/11/3091-3039)
QUANTO grátis

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

Matéria sugerida por: Nélia Azevedo

Escravos, Capoeira, Capoeiragem…

 

Segundo o nosso querido e saudoso Mestre Decanio “Galera et Caterva… Um bom complemento para história da capoeira…”

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.

Ø      Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista.

o       A arte marcial (ainda) não era um crime.

§        Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou “capoeiras”) nas ruas.

Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruindo engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos.

Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

Ø      Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em “maltas”. Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

Ø      “As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças”, diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850).

o       Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras[1], historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

§        Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos.[2]

Ø      “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17.

o       Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta.

§        Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio[3].

·        Esses estivadores[4] negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias [5]para ver quem era o mais hábil.

§        O nome “capoeira” teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa. [6]

o       Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico.

Ø      “Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares”, diz Soares.

o       As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista. [7]

A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando “capoeiragem”.

 

 

CHIBATADAS E SERVIDÃO

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras, que passou a ser acrescida de castigos corporais.

Ø      Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante.

o        Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas.

Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

Ø      A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá[8].

o       Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias,  os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado “uma bofetada de mão aberta”.

Ø       Mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para manter a ordem[9].

o       Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

o       Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados.

Uma demonstração de poder e tanto!

 

 

GUERRA NAS RUAS

O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de dom Pedro I, que acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos.

Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios.

Os ânimos andavam exaltados.

Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais.

Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos, que exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira.

Ø      Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. [10]

A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.

Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o “imperador tirânico”, um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando “constituição” e “independência”. Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses.  Os xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas.Capoeiras[11] distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.

O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial.

  • A sorte de dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como “as noites das garrafadas”.[12]
    • A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.

Ø      O apoio dado pelos capoeiras [13]à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio.

o       Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça.

§        Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores.

Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada “gente preta”. O temor acabou se traduzindo em repressão, mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras.

A pior ocorreu em1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio.

Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos.

Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa; Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade.

Ø      “Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada”, afirma o historiador Soares.

o       “Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti.”

§        Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime. Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas.

·        Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos.

Ø      A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.

 

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro.

Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto.

De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas.

Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.

Ø      Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime[14]

o       Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19.

A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou “capoeiras”) nas ruas.

Ø      Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer.

o       Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791.[15] Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar.

Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Ø      Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos.

o       Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

§        Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em “maltas”. Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

Ø      “As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças”, diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850).

Ø      Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

o       Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial.

§        Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos. [16]

Ø      “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17.

o       Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta.

o       O nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores[17] negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome “capoeira” teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.[18]

Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. [19]

As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade.

Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico.[20]

“Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares”, diz Soares.

As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa.

Ø      Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista.

o       A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem.

Ø      Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando “capoeiragem[21]“.

 

 

CHIBATADAS E SERVIDÃO

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras.,que passou a ser acrescida de castigos corporais.

Ø      Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante.

Ø       Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banida[22]s.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados[23], que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas.

Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias, os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.[24]

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras.

Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos.

Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados.

Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado “uma bofetada de mão aberta”.

Ø      Mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, manter a ordem.

Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

Ø      Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados.

Uma demonstração de poder e tanto!

 


[1] Grifo AADF

[2] Idem

[3] Idem

[4] Observe-se que esta é uma atividade da população portuária. Grifo e observação de AADF.

[5] Idem

[6] Capoeira como sinônimo de capoeirista. Nota AADF

[7] Grifo AADF

[8] Idem

[9] Idem

[10] Grifo AADF

[11] Idem

[12] Idem

[13] Capoeirstas.Nota AADF

[14] Grifo AADF

[15] Idem

[16] Idem

[17] Idem

[18] Por metonímia. Nota AADF

[19] Idem

[20] Grifo AADF

[21] Idem

[22] Idem

[23] Idem

[24] Idem

 

Texto: Angelo Augusto Decanio Filho – 16/01/2007

Artistas e criadores culturais negros se reúnem com a ministra Marta Suplicy no Rio de Janeiro

Pela efetivação de políticas públicas para a cultura negra, lideranças do movimento negro, artistas e agentes culturais negros se reunirão, dia 09 de julho, às 16 horas, com a ministra da Cultura, Marta Suplicy, no Auditório do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), no Rio de Janeiro (RJ). Este evento é parte das mobilizações feitas no país inteiro em resposta à liminar que suspendeu os editais do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), destinados para produtores, criadores e pesquisadores negros.

 

O presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Hilton Cobra, participou de todas as reuniões e, mais uma vez, foi convidado a participar, o que reflete a compreensão da classe artística negra do papel da FCP na defesa dos interesses voltados para a cultura negra. Para Cobra, “a decisão de liberar o processo seletivo e manter os pagamentos suspensos não atende as reivindicações que escutei em todas as mobilizações pelo país”, disse.

 

FCP buscando soluções – Desde a suspensão dos editais, a Fundação Cultural Palmares participa de reuniões com

produtores culturais no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, a fim de encontrar formas de manter os processos de seleção. Mais três cidades, Belém/PA, Porto Alegre/RS e Aracajú/SE, se articulam para os debates com a presença de Hilton Cobra.

 

Acompanhe o caso – A decisão de suspender os editais foi proferida pelo juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão, em maio desse ano. O processo foi movido como ação popular pelo advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho, citando como réus a União Federal, a Funarte e a Fundação Biblioteca Nacional. No último dia 7 de junho, a Justiça Federal decidiu pela continuidade dos procedimentos relacionados aos Editais do MinC/SEPPIR. O documento garantiu que as atividades de seleção fossem retomadas. Entretanto, o pagamento dos prêmios continua suspenso até o julgamento final do processo.

 

Serviço

Data: 09 de julho de 2013

Horário: 16 horas

Local: CCBB RJ – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro

Mais informações: Movimento Akoben – Filipe Juliano (21) 9896.8213

 

Informações para a imprensa

Mara Karina Silva

Assessora de Comunicação/Fundação Cultural Palmares – MinC

Tel.: 55 (61) 3424.0185/ 9831.0215

E-mail: [email protected]

Hora e a vez do Maranhão sair em defesa dos editais para arte e cultura negra do MinC/SEPPIR

FCP vai ao Maranhão para discutir a elaboração de políticas públicas para as artes e culturas negras brasileiras

Os movimentos sociais que atuam para a garantia dos direitos da população negra cumprirão mais uma vez um papel primordial para redemocratização das políticas públicas para cultura no país. E, para contribuir com esse processo, a equipe da Fundação Cultural Palmares desembarca nesta quarta-feira, 26/06, em São Luis/MA.

Na quinta-feira, 27, acontece mais um encontro com produtores, criadores e pesquisadores negros para discutir estratégias de constitucionalidade dos editais do Ministério da Cultura (MinC), firmados em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), para o segmento.

Hilton Cobra, presidente da FCP defende uma maior representatividade de profissionais negros nas comissões formadas para a realização das licitações públicas voltadas para arte e cultura negra. Ele explica que nunca antes na história o negro fora incluído de forma igualitária nesses editais. “Antes a luta era incluir a criação negra nos editais, agora é preciso garantir o direito desses agentes exercerem a cidadania, por meio de um instrumento de valorização dos artistas e produtores negros no mercado de trabalho”, afirma.

FCP pelo Brasil – A expectativa é discutir estratégias para ampliar o acesso dos afro-brasileiros aos mecanismos de fomento à cultura, assim como aconteceu em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. Agentes culturais do estado de Sergipe também se preparam para debater ações jurídicas para reverter a situação e dar visibilidade às interferências praticadas contra a preservação da arte e da cultura negra.

Entenda o caso – A decisão de suspender os editais foi proferida pelo juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão, em maio desse ano. O processo foi movido como ação popular pelo advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho, citando como réus a União Federal, a Funarte e a Fundação Biblioteca Nacional.

No último dia 7 de junho, a Justiça Federal decidiu pela continuidade dos procedimentos relacionados aos Editais do MinC/SEPPIR. O documento garantiu que as atividades de seleção fossem retomadas. Entretanto, o pagamento dos prêmios continua suspenso até o julgamento final do processo.

 

Reuniões dos agentes culturais do Estado do Maranhão

  • Data: 27 de junho de 2013
  • Horário: 14 horas
  • Onde: Mandingueiros do Amanhã – Rua Portugal, 243 – 2º andar, Beco Catarina Mina – Centro Histórico.
  • Mais informações: (98) 3231-8570 / (61) 9682-6752

FCP realiza oficinas de capacitação para o Prêmio Culturas Populares

Os cursos são uma iniciativa do MinC, com apoio da Fundação Cultural Palmares, e vão preparar produtores culturais negros do Estado para participarem da premiação

Valorizar a cultura e a arte afro brasileira e capacitar os produtores culturais negros para incluí-los nos editais de fomento a cultura. São os objetivos das oficinas de capacitação para o Prêmio Culturas Populares, do Ministério da Cultura (MinC), propostas pela Fundação Cultural Palmares, que ocorrem de 8 a 29 de maio, em São Paulo/SP.

Para a premiação, o MinC oferecerá, em todo estado de São Paulo, 13 oficinas. Dessas, cinco serão organizadas pela FCP por meio de sua representação no estado, com o objetivo de mobilizar os agentes culturais negros para que desenvolvam propostas de acordo com o edital. As atividades vão prepará-los para preencher os roteiros de inscrição, cadastrar as ações, utilizar as ferramentas do Sistema MinC, entre outros. As oficinas serão realizadas em parceria com organizações do movimento negro paulista.

Poderão participar grupos negros de umbanda, candomblé, escolas de samba, quilombos, congada, maracatu, rituais e festas populares, arte popular, mitos, histórias e outras narrativas orais, processos populares de transmissão de conhecimentos, medicina popular, culinária popular, pinturas, desenhos, grafismos, artesanato e expressão plástica, escritos, danças dramáticas, audiovisual, entre outros.

Prêmio Culturas Populares – Desenvolvido pelo Ministério da Cultura por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), o prêmio tem como objetivo reconhecer a atuação de mestres, grupos e comunidades responsáveis por iniciativas exemplares que envolvam as expressões das culturas populares brasileiras. O edital, que tem inscrições abertas até 5 de julho, receberá propostas de projetos que desenvolvam atividades de difusão e práticas de expressões populares em processo de esquecimento.

A edição de 2013 homenageará o ator, produtor e cineasta Amácio Mazzaropi, nascido em São Paulo em 9 de abril de 1912. Serão premiados 350 participantes, divididos em 170 na categoria Mestres, 170 nas categorias Grupo/comunidade formal e informal e 10 para “Mestres In Memoriam”, como reconhecimento ao legado de valorização da arte e da cultura brasileira.

 

Informações para a imprensa

Mara Karina Silva

Assessora de Comunicação da Fundação Cultural Palmares

[email protected]

Tel: (61) 3424.0165/9831.0215

 

 

 

ENCERRAMENTO DAS OLIMPÍADAS: QUE CAPOEIRA É ESSA?

Assisti ao final das Olimpíadas em Londres. O Brasil, como sempre, apesar de não ter conquistado grandes medalhas, fez bonito. O encerramento em Londres, como de costume, foi cheio de pompas e fogos de artifício. O Brasil, país que vai sediar as próximas Olimpíadas em 2016, fez sua apresentação cultural. O samba foi destaque, com o gari Sorriso apresentando o Brasil de uma forma simples e bonita. Mas fiquei chocado quando, logo no início, depois da batucada, vi uma apresentação das mulatas brasileiras, com perucas e máscaras negras. Uma caricatura grotesca dos anos anos 50 em que era comum brancos com o rosto pintado de negro (os black faces) e até mesmo negros representarem um papel estereotipado, em que pulavam e imitavam macacos e animais para uma plateia branca, que esperava deles exatamente esse tipo de comportamento e estereótipo. Naquela época, em que o negro precisava de um espaço na TV e no teatro, era comum esse tipo de comportamento e até compreensível. Agora que estamos em 2012, depois de tantas lutas do movimento negro no Brasil e no mundo em prol de uma melhor imagem de nós negros, fiquei pasmado em ter que assistir tudo isso de novo!

Apesar do desconforto, continuei assistindo o encerramento quando tive uma decepção ainda maior: a apresentação da capoeira para o mundo! Começou com um grupo de acrobatas mal treinados, com o corpo todo cheio de óleo e um abadá branco, fazendo piruetas. Sem berimbau, sem canto, sem ginga, sem nada! Fiquei refletindo: que capoeira é essa que estamos apresentando para o mundo?! Aquilo mais parecia um circo com acrobacia para envergonhar qualquer atleta de ginástica olímpica. Acredito que os mesmos deveriam estar rindo ou chorando de vergonha. O que vimos foi um grupo de acrobatas mal treinados. Senti falta do nosso berimbau, o grande símbolo da capoeira. Na verdade, senti falta da capoeira! Não tiveram jogos de capoeira, somente acrobacias individuais. Será que a capoeira se tornou isso, uma apresentação acrobática sem ginga e sem berimbau? Foi triste, diante do preço tão alto que pagamos para conseguir chegar até lá. Valeu a pena ou aquilo foi só uma coisa “para inglês ver”? Acredito que para algumas pessoas talvez tenha sido a realização de um sonho se apresentar em uma final de Olimpíadas. Mas aonde está a nossa capoeira, essência, existência e alma? Como seria a capoeira nas Olimpíadas no Brasil? Estamos perdendo a nossa identidade, nossas raízes, tratando a capoeira como um produto rotulado, embalado e coreografado, “para inglês ver”. Nesse caminho, não importa mais sua historia ou trajetória, a capoeira está perdendo a sua alma dentro da trajetória esportiva. Fico apreensivo pelo futuro da capoeira nas Olimpíadas de 2016!

 

Mestre Cobra Mansa – [email protected]

Ato público celebra 21 de março no Rio de Janeiro

Um ato público, promovido nos jardins do Palácio Gustavo Capanema, marcou a celebração do 21 de março – Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial – pela Fundação Cultural Palmares. O ato é resultado de uma parceria entre a FCP/MinC e as entidades governamentais representativas da população negra nos âmbitos estadual e municipal do Rio de Janeiro. São elas: CEDINE – Conselho Estadual dos Direitos do Negro, COMDEDINE – Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro, SUPIR/RJ – Superintendência da Igualdade Racial e CEPIR/RJ – Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial.

Segundo o presidente da Fundação Cultural Palmares, esta parceria nasceu de um consenso, entre as instituições, sobre os sentimentos de liberdade, culto à natureza e alegria, características marcantes dos povos de ascendência africana. “Concordamos que realizar este Ato ‘na praça’ seria uma forma de mostrar que 21 de março é um dia que ficará marcado para sempre na história dos negros. Os jardins do Palácio Capanema formam uma autêntica praça e, como bem disse o poeta abolicionista Castro Alves, a praça é do povo”, lembrou Eloi Ferreira de Araujo.

O presidente da FCP conduziu o ato junto com os representantes das instituições parceiras e demais lideranças negras fluminenses, como o jornalista, advogado e ex-deputado Carlos Alberto Oliveira, o “Caó”, autor da lei 7.347 – que ficou conhecida pelo apelido do parlamentar e militante negro. Em 1985, a Lei estabeleceu o racismo como crime.

Memória e cultura – A data emblemática do massacre de Shaperville (ocorrido há 52 anos na África do Sul), que foi oficializada em 1976 pela ONU como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, também levou ao centro do Rio grupos de tradicionais manifestações culturais afro-brasileiras.

A abertura do ato consistiu na lavagem simbólica do prédio histórico que abriga a Representação Regional da FCP e outros órgãos do Ministério da Cultura, e foi feita nos moldes das religiões de matriz africana – entoada por mestre Cotoquinho e os atabaques dos Filhos de Gandhi, tendo na roda sacerdotes, sacerdotisas e membros de terreiros, vindos de Itaboraí, São João de Meriti e Belford Roxo.

Em seguida, foi a vez do Jongo da Serrinha, liderado por Vó Maria, fazer a sua apresentação, que foi complementada pela capoeira de mestre Camisa e seu grupo, Abada Capoeira.

Conquistas – Sem esconder a alegria de participar da celebração, Eloi Ferreira destacou o trabalho da FCP e as conquistas da população negra: “Ao longo de seus 24 anos, a Fundação Cultural Palmares tem se empenhado na promoção, proteção e difusão da cultura afro-brasileira e, nesse sentido, também tem construído ambientes para rememorar nossas datas históricas e nossas conquistas. Entre estas conquistas podemos destacar a Lei Caó, o ProUni, a Lei de Cotas, a Lei 10.639”, lembrou.

O presidente da Palmares ressaltou ainda a importância do reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombos e frisou a necessidade de avanço na titulação das terras dessas comunidades. Destacou, também, a significativa vitória que é o Estatuto da Igualdade Racial: “É o primeiro marco legal para a construção de igualdade de oportunidades entre negros e não negros em nosso país, é a primeira lei que responsabiliza o Estado pela reparação à perversidade que foi cometida contra a população negra”, finalizou Eloi Ferreira.

http://www.palmares.gov.br