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O que é mesmo a capoeira?

Jogo… Dança…. Luta….

É do senso comum dos capoeiristas pensar na Capoeira como uma prática polissémica que é simultaneamente um jogo, uma dança e uma luta. Se perguntarmos a um mestre mais experiente bem como a um novo praticante ambos podem sentir algum desconforto em classificar a capoeira em um campo estrito e preciso. Não sabemos conceituar o que somos ou no que nos tornamos mas sabemos o que não queremos ser. É essa forma enigmática do “decifra-me ou devoro-te” que torna certamente a capoeira uma arte instigante e curiosa.

Há uma certeza entretanto que nos acalenta e que também é do consenso geral dos praticantes, é de que a capoeira é uma arte. Sendo uma arte, concebemo-la como algo do campo da criatividade, da reinvenção e do imaginário. Convém deixar claro que se por um lado a polissemia da capoeira é algo delicioso é também angustiante e pouco didático. Sempre que tencionamos explicar a alguém, não capoeirista, o que ela é, caímos em explicações vagas que ela é uma dança em que se luta, um jogo em que se dança e por ai seguem as combinações. Para além disso o jogo do “ ser ou não ser “ deixa alguma angústia, afinal a pergunta fica sempre por responder. Sou daqueles que acredita que é bom ter certezas no que toca as nossas identidades, mesmo que sejam invenções confortantes.

Para mim há poucas dúvidas de que a capoeira, sendo uma arte, é uma arte marcial. Isso não exclui as suas peculiaridades e ligações mais intrínsecas ao campo da cultura, afro-brasileira em particular, nem tão pouco a restringe a parâmetros mais limitados que possamos conceber as artes marciais em geral, em particular as de origem oriental. Alguns pensam-na como uma filosofia, a da malandragem, como concebe o Mestre Nestor capoeira.

Foi exatamente o Mestre Nestor, cujos livros ainda fazem a cabeça de muitos praticantes no mundo, que primeiro lançou o lema: “No oriente existe o Zen, a Europa desenvolveu a psicanálise, no Brasil temos o jogo da capoeira”. Ora, quando falamos do Zen ou da psicanálise, falamos respetivamente de práticas de meditação, religião e ciência que permitem discernir a natureza humana, trata-la, fazê-la evoluir para níveis mentais mais elevados. Será que podemos enquadrar a capoeira nessa perspetiva atualmente? Ao compreende-la como uma arte marcial podemos conceber que ela pode cumprir esse papel emancipador do ser humano? No íntimo eu tenho as minhas dúvidas, mais por mero capricho prefiro acreditar que sim.

É possível aplicar a capoeira um conjunto de questões fundamentais que circundam também a existência humana, a vida. De onde vem a capoeira? Como ela se formou e o que ela se tornará? Não sabemos responder com total segurança a essas questões, tudo que se diga poderá ser mera especulação, ainda que tenha o crive acadêmico. Mas podemos acalentar algumas certezas a de que ela tem dado contributos importantes para as questões sociais e culturais das sociedades onde ela faz se presente.

Perguntei certa vez a um amigo estudioso do assunto qual era para ele, e até onde o seu conhecimento poderia alcançar, a origem da capoeira. Ele me respondeu que no seu entendimento não era uma questão histórica, que se podia provar por papéis a documentos acadêmicos, isso pouco interessava. Na verdade era uma questão ideológica, pois se dissermos que ela é afro-brasileira, por exemplo, estamos afirmando o papel do negro na sociedade brasileira e conferindo-lhe um certo grau de cidadania. Ou seja é enfim um posicionamento político.

De volta a frase do Mestre Nestor penso que caberá nas nossas reflexões sobre a capoeira questões mais profundas que, certamente os menos reflexivos sentirão dificuldades em compreender e acharão banais, pois a capoeira afinal joga-se apenas na roda e não carecerá de introspeção alguma. A capoeira ultrapassou limites inimagináveis, fronteiras geográficas, territórios culturais, limitações de gênero, classe, idade, enfim todas as contingências possíveis. Tudo isso por força de sua capacidade intrínseca de adaptar-se as mais hostis circunstâncias. No fundo, para quem as pratica sobretudo, ela diz muito sobre as nossas frágeis existências humanas e nos novos tempos globais que vivemos torna-se plena de significados.

Nesse novo encantamento do mundo inúmeras práticas ganham sentido, profanas e sagradas. O indivíduo ou os indivíduos buscam novas significações para as suas existências, novas formas de existir e ser para além das que habitualmente nos são concedidas a nascença. Somos brasileiros, espanhóis ou alemães por que nascemos em um determinado país que nos concedeu a cidadania, somos homens ou mulheres por que nossos órgãos genitais indicam um determinado género, somo brancos ou negros por que nossa pigmentação da pele assim o indica. Apesar desses traços indeléveis poucos somos tal como “naturalmente “ nos é concebido, mais ainda, somos o que nós construímos em nossas biografias. No jogo do “ser ou não ser “ a capoeira acaba por ter um papel determinante nos tempos pós-modernos e líquidos em que construímos a nossa maneira as nossas próprias identidades.

O que é mesmo a capoeira?

É do senso comum dos capoeiristas pensar na Capoeira como uma prática polissémica que é simultaneamente um jogo, uma dança e uma luta. Se perguntarmos a um mestre mais experiente bem como a um novo praticante ambos podem sentir algum desconforto em classificar a capoeira em um campo estrito e preciso. Não sabemos conceituar o que somos ou no que nos tornamos mas sabemos o que não queremos ser. É essa forma enigmática do “decifra-me ou devoro-te” que torna certamente a capoeira uma arte instigante e curiosa.

Há uma certeza entretanto que nos acalenta e que também é do consenso geral dos praticantes, é de que a capoeira é uma arte. Sendo uma arte, concebemo-la como algo do campo da criatividade, da reinvenção e do imaginário. Convém deixar claro que se por um lado a polissemia da capoeira é algo delicioso é também angustiante e pouco didático. Sempre que tencionamos explicar a alguém, não capoeirista, o que ela é, caímos em explicações vagas que ela é uma dança em que se luta, um jogo em que se dança e por ai seguem as combinações. Para além disso o jogo do “ ser ou não ser “ deixa alguma angústia, afinal a pergunta fica sempre por responder. Sou daqueles que acredita que é bom ter certezas no que toca as nossas identidades, mesmo que sejam invenções confortantes.

Para mim há poucas dúvidas de que a capoeira, sendo uma arte, é uma arte marcial. Isso não exclui as suas peculiaridades e ligações mais intrínsecas ao campo da cultura, afro-brasileira em particular, nem tão pouco a restringe a parâmetros mais limitados que possamos conceber as artes marciais em geral, em particular as de origem oriental. Alguns pensam-na como uma filosofia, a da malandragem, como concebe o Mestre Nestor capoeira.

Foi exatamente o Mestre Nestor, cujos livros ainda fazem a cabeça de muitos praticantes no mundo, que primeiro lançou o lema: “No oriente existe o Zen, a Europa desenvolveu a psicanálise, no Brasil temos o jogo da capoeira”. Ora, quando falamos do Zen ou da psicanálise, falamos respetivamente de práticas de meditação, religião e ciência que permitem discernir a natureza humana, trata-la, fazê-la evoluir para níveis mentais mais elevados. Será que podemos enquadrar a capoeira nessa perspetiva atualmente? Ao compreende-la como uma arte marcial podemos conceber que ela pode cumprir esse papel emancipador do ser humano? No íntimo eu tenho as minhas dúvidas, mais por mero capricho prefiro acreditar que sim.

É possível aplicar a capoeira um conjunto de questões fundamentais que circundam também a existência humana, a vida. De onde vem a capoeira? Como ela se formou e o que ela se tornará? Não sabemos responder com total segurança a essas questões, tudo que se diga poderá ser mera especulação, ainda que tenha o crive acadêmico. Mas podemos acalentar algumas certezas a de que ela tem dado contributos importantes para as questões sociais e culturais das sociedades onde ela faz se presente.

Perguntei certa vez a um amigo estudioso do assunto qual era para ele, e até onde o seu conhecimento poderia alcançar, a origem da capoeira. Ele me respondeu que no seu entendimento não era uma questão histórica, que se podia provar por papéis a documentos acadêmicos, isso pouco interessava. Na verdade era uma questão ideológica, pois se dissermos que ela é afro-brasileira, por exemplo, estamos afirmando o papel do negro na sociedade brasileira e conferindo-lhe um certo grau de cidadania. Ou seja é enfim um posicionamento político.

De volta a frase do Mestre Nestor penso que caberá nas nossas reflexões sobre a capoeira questões mais profundas que, certamente os menos reflexivos sentirão dificuldades em compreender e acharão banais, pois a capoeira afinal joga-se apenas na roda e não carecerá de introspeção alguma. A capoeira ultrapassou limites inimagináveis, fronteiras geográficas, territórios culturais, limitações de gênero, classe, idade, enfim todas as contingências possíveis. Tudo isso por força de sua capacidade intrínseca de adaptar-se as mais hostis circunstâncias. No fundo, para quem as pratica sobretudo, ela diz muito sobre as nossas frágeis existências humanas e nos novos tempos globais que vivemos torna-se plena de significados.

Nesse novo encantamento do mundo inúmeras práticas ganham sentido, profanas e sagradas. O indivíduo ou os indivíduos buscam novas significações para as suas existências, novas formas de existir e ser para além das que habitualmente nos são concedidas a nascença. Somos brasileiros, espanhóis ou alemães por que nascemos em um determinado país que nos concedeu a cidadania, somos homens ou mulheres por que nossos órgãos genitais indicam um determinado género, somo brancos ou negros por que nossa pigmentação da pele assim o indica. Apesar desses traços indeléveis poucos somos tal como “naturalmente “ nos é concebido, mais ainda, somos o que nós construímos em nossas biografias. No jogo do “ser ou não ser “ a capoeira acaba por ter um papel determinante nos tempos pós-modernos e líquidos em que construímos a nossa maneira as nossas próprias identidades.

Austrália: 5º Encontro Internacional de Capoeira Angola

Nós da ECAMAR (Escola de Capoeira Angola Mato Rasteiro) estaremos realizando o 5º Encontro Internacional de Capoeira Angola que será realizado do dia 16 e 20 de novembro em Sydney, tendo como convidado especial Mestre Plinio da cidade de Sao Paulo, Brasil. Que juntamento com o Mestre Roxinho, organizador do evento estaram ministrando várias oficinas de Capoeira Angola, seguido de palestras e apresentação de vídeos.

O Encontro este ano tem objetivo celebrar pelo 5º ano de sua realização, seguindo o mesmo intuito de presevar e promover a prática da Capoeira Angola, na Austrália e paises vizinhos em parceria com os grupos locais.

Aproveitando o ensejo para fazer o lançamento oficial do Livro Capoeira Angola “Histórias Cantorias e Versos”, do Mestre Roxinho.

Na mesma oportunidade estaremos oficialmente inaugurando nosso novo centro, local de desenvolvimento nossas atividades a qual chamamos de “Templo da Capoeira Angola na Austrália”.

Gostaria de aproveitar a oportunidade para convidar a todos os Capoeiristas, em especial àqueles que se encontrar na Austrália e países vizinhos para comparecerem ao evento pois será um prazer recebê-los em nossa casa.

Desde já agradeço

Mestre Roxinho

Para maiores informações:
www.capoeira-angola.com.au
Phone: 02 80848807
Mobile: 0435939980

A capoeira, o poder público e o fantasma dos maus capoeiras…

A cada nova experiência que vivenciamos em nossas tratativas de interface com o poder público, vemos sempre a capoeira ser testada em sua mais emotiva visão: a de se fazer representar perante tais poderes e não buscar evidenciar suas limitações, reais ou imaginárias, enquanto comunidade organizada que é um pressuposto nesse tipo de relação.

Essas inúmeras vezes em que vimos esse diálogo acontecer, ficou patente que temos sempre um problema que vagueia o subconsciente coletivo dos capoeiristas, que é a existência constante de uma referência e da busca da punição, controle ou simples extirpação desse contexto dos maus capoeiristas…

Esses personagens consomem uma energia incrível de nossos esforços na busca de dialogar com os órgãos públicos e representam o nosso mais inevitável e lamentável subconsciente coletivo, que é para onde sempre enviamos ou resgatamos esse personagem, produto principalmente de nossas limitações enquanto organização ou instituição capoeiristica.

É óbvio que em qualquer grupo humano existem os bons e os maus profissionais.

Não se trata de negar isso.

O que temos que perceber é o quanto nos custa essa luta constante com eles, aliás, sempre ausentes nesses debates… por razões óbvias também sabemos porque eles estão sempre ausentes:

  • primeiramente porque, caso estejam presentes irão, obviamente, se identificar como parte dos que são do bem
  • também por ser muito difícil fazer uma acusação frontal, do tipo: você é do grupo dos maus capoeiras… obviamente se isso acontecer iremos ter um outro tipo complicado de situação, que será de um desequilibrado bate-boca entre os participantes de qualquer reunião;
  • devemos e precisamos perceber que enquanto não houver um esclarecimento público a respeito da ética capoeiristica, ficará sempre muito difícil decidir quais serão os bons e os maus… por exemplo, os capoeiristas mais tradicionais e conseqüentemente menos violentos ou agressivos em seus estilos de jogo e didática, são hoje taxados de sarobeiros, que na verdade é algo de significado impreciso, provavelmente servindo antes para discriminar estilos e condutas menos performáticas;
  • se detivéssemos a clareza suficiente para identificar quais seriam os maus capoeiras, estaríamos aí diante de um outro dilema: quais os elementos para se fazer um julgamento deles…? ou seja, se estiverem incorrendo em alguma forma de crime, como assédio sexual, exploração sexual de menores, lesões corporais, etc., eles

estarão devidamente enquadrados como criminosos, passivos de punição pela legislação penal… a comunidade da capoeira não tem que substituir esses códigos e essas leis para resolver esses problemas, obviamente isso seria uma inocente tentativa de fazer justiça com as próprias mãos;

  • supondo que se chegue a conclusão de que se trata, enfim, de um mau capoeirista, segundo critérios mais clássicos de se avaliar as condutas tradicionais da capoeira, como questões de auto-graduação; sistemas de treinamento; tratamento agressivo com alunos ou capoeiristas de outros grupos (diversas formas de incentivo à xenofobia relativamente comum dentro dos grupos de capoeira). formas presunçosas de se auto proclamar detentor deste ou daquele mérito; uso indevido de conhecimentos e patentes de movimentos, toques, músicas, técnicas, etc.; ou mesmo o incitamento de alunos ao estilo de jogo mais agressivo ou violento… quem, na representatividade da capoeira irá julgar esses casos?? Segundo que critérios?? Quem pode se dizer detentor dessa verdade e dessa norma??
  • Em caso de admitirmos que não podemos julgar esses eventos dentro da capoeira, por que levar esses dilemas para um foro envolvendo terceiros? no caso o poder público nada pode fazer quando nós mesmos temos dúvidas sobre o que é legitimo e o que não é.
  • Há um outro aspecto que fica muito patente nessas discussões que é quanto ao desgaste que as reuniões sofrem por causa desse tema… é incrível como os capoeiristas deixam que esses fantasmas roubem nossa energia quando estamos diante de uma oportunidade inédita (como nos fóruns do pró-capoeira, nos congressos realizados pelo Ministério do Esporte, entre outros). Vale nesse caso a sabedoria de grandes mestres que sempre disseram: não fale do diabo porque ele aparece… em outras palavras nós os valorizamos quando permitimos que ocupem nosso tempo dentro de tão raras oportunidades.

Fica claro para nossos interlocutores do poder público que a capoeira tem um grande problema por causa de seus maus representantes e, no entanto, sabemos que isso representa uma minoria que sequer deveria ser tão considerada, senão vejamos:

  • Sabemos que a estatística de problemas graves envolvendo a capoeira é muito menor do que muitos outros esportes;
  • Sabemos que mesmo os ditos maus são tantas vezes responsáveis por grandes projetos dentro da capoeira e tantas vezes produzem grandes atletas, os quais acabam por perceber que estão no lugar errado e buscam outros espaços para seu aprendizado e crescimento, ou mudam de atitude por seus próprios critérios;
  • Sabemos ainda que estamos hoje diante de uma série de estímulos do mercado de lutas, que levam muitos mestres e professores a buscarem a marcialidade da capoeira como seu principal interesse… muitas vezes exclusivamente por uma questão de sobrevivência econômica e financeira… quem pode, de sã consciência, punir por isso ou condená-los? Temos que ter em conta a liberdade de escolha de estilo e de prioridade de foco de cada um;
  • Quanto aos sistemas de graduação que possam parecer a alguns sem mérito ou sem sentido, não cabe a nenhum de nós questionar, a menos que seja dentro de fóruns íntimos da própria capoeira, onde esse assunto possa ser discutido, de preferência dentro da mesma entidade a que pertençam os atores da discussão, sempre lembrando que isso é uma das mais históricas polêmicas dentro da capoeira e que ninguém pode se considerar o detentor da verdade ou da razão inquestionável, pois se trata de um tema delicado e impreciso, já conhecido de todos nós, cuja solução é, além de muito difícil, um eterno pomo da discórdia entre pessoas que muitas vezes partilham visões e interesses comuns, imagine num sentido mais amplo como cheguei a ver durante uma reunião do Pró-Capoeira do Ministério da Cultura, um dos grupos temáticos incluiu que o governo devia “implantar um sistema de graduação unificado”… será que estamos pedindo ao governo para nos impor algo assim?
  • Vale lembrar que não faz diferença praticamente nenhuma para uma questão cultural que envolva a capoeira a  questão da “graduação”, esse conceito foi introduzido pelo Mestre Bimba em um determinado contexto histórico e isso nos foi legado por ele como uma recurso de organização de nossa instituição capoeirista, seja por razões administrativa, econômica ou mesmo hierárquica, isso jamais deveria ter se tornado um cavalo de batalha onde tanta energia já se perdeu, a livre manifestação cultural da capoeira é uma de suas premissas, e direitos;
  • Vista sob a ótica desportivizante, a graduação tampouco é uma exigência de nenhum comitê olímpico ou marcial, onde são considerados, apenas, categorias compostas de idade e peso… no máximo estilos…  ou seja, mais uma vez sabemos que essa discussão é estéril e desnecessária… a não ser, claro, para grupos que partilhem de uma mesma organização, seja uma associação, federação, liga, escola, etc…
  • Muitos poderão entender que estejamos defendendo o caos na capoeira, perdoe-me os que assim pensam, mas estou apenas defendendo a razão no lugar de uma emoção infantil e estéril que a nada serve, mormente em locais e na presença de representantes do governo, muitas vezes interessados apenas em entender como podem ajudar a capoeira.

 

Fato é que temos que amadurecer nossa capacidade de dialogar com o poder público, seja porque temos antes de mais nada um direito de fato relacionado com essa relação entre a capoeira e ele (o poder público), seja porque muitas vezes as pessoas que estão participando de uma reunião conosco – a maioria das vezes técnicos-burocratas do governo, não possuem a mínima condição seja de resolver nossas questões históricas e muito menos de encontrar para nós os nossos fantasmas do mau…

Se não tivermos essa consciência e essa maturidade, qualquer diálogo será muito difícil e as nossas expectativas de participação no bolo do orçamento público será algo que teremos que esperar muito mais tempo até que possam se materializar como algo sólido para nós, os capoeiristas, os mestres, os professores, os estudiosos do assunto, os produtores, os patrocinadores, os alunos, os parceiros, os interessados em nosso trabalho dentro de escolas e outros espaços públicos.

Enfim a nossa maturidade profissional é um requisito para uma negociação mais racional e menos emocional com qualquer instituição ou poder público.

 

Mestre Skisyto (skisyto@gmail.com)

I Batizado e Entrega de Cordas do Projeto Gingando pela Paz no Haiti

Após um ano de labuta realizamos o I Batizado e Entrega de Cordas do Projeto Gingando pela Paz no Haiti. Sem dúvida um momento que irá permanecer em nossas lembranças. Dentre os momentos mais emocionantes, a caminhada pelo bairro de Bel-Air, considerado zona vermelha pela ONU, e o batizado dos nossos alunos, que teve início com o batizado do pequeno Bimba. filho de haitiano e francesa, o pequeno foi registrado com o nome do grande mestre após seus pais assistirem ao documentário, exibido no Centro Cultural do Brascil no Haiti. Um momento marcante.

Mais infomações sobre o evento

Este primeiro ano foi repleto de lutas, muito trabalho, muitas dificuldades, foi sim. Porém, cheio de alegrias e realizações. As dificuldades serviram para testar nossa capacidade de seguir acreditando em nossos sonhos; nossas quedas, para nos ensinar a levantar, sacudir a poeira e seguir caminhando e nossas vitórias para nos mostrar que estamos no caminho certo e que nunca, “nunca-em-tempo-algum”, devemos desistir dos nossos sonhos (recordando Augusto Cury). Devemos seguir reinventando, recriando. Pois cada dia é novo, cada luta é nova e nos renova; cada sede é nova ( inspirado em belo, belíssimo poema de Elisa Lucinda). Devemos seguir nos apaixonando pela vida, pelo bem, pelo desejo de fazer o bem, renovando a nossa fé a cada instante, essa deve ser a nossa oração, sempre, estejamos caídos ou de pé.

Que este ano seja repleto de lutas, pois sem elas não há vitórias, realizações… E que o Grande Arquiteto do Universo nos permita ter sabedoria para elas; que saibamos a hora de pegar em armas e de esperar. E que nossas armas sejam:

C oragem: para arriscar

A stúcia: para enfrentar os obstáculos sem ir de encontro a eles.

P aciência: qualidade essencial para quem deseja ser um vencedor.

O uvir: pois a palavra é prata, mas o silêncio é ouro.

E sperança: sem ela não existe sonhos.

I nteligência: para transformar os momentos difícies em oportunidades de aprendizado.

R esponsabilidade: consigo e com os outros.

A mor: esta Energia maravilhosa capaz de realizar os maiores milagres, de mover a maior de todas as montanhas: a nossa própria vontade.

E, claro, muita Ginga pela Paz, pela Harmonia, pelas coisas bonitas (inspirado em música da Fernandinha Abreu)

Fraternal Abraço a todos em nome da família Gingando pela Paz!

Saudade
Contramestre em Capoeira
Coordonnateur Projet Gingando pela Paz
www.vivario.org.br
Mobile: (509) 38540202
http://flaviosaudade.wordpress.com

Oportunidade de sonhar, um caminho para paz

Resumo: Capoeira, desenvolvimento e oportunidade.

O projeto visa o desenvolvimento de uma cultura de paz, através dos fundamentos básicos do jogo da capoeira, promove a inclusão social e minimiza a violência na comunidade. Numa parceria publico/privado busca dar oportunidade de uma perspectiva diferente de vida.

Começamos o Projeto que se intitula Parceria Solidária, em junho de 2005. Uma parceria do Instituto Maria Auxiliadora com a Escola Municipal Migrantes. Os principais objetivos são oportunizar o desenvolvimento de uma cultura de paz dentro da comunidade escolar, desenvolver os fundamentos básicos do jogo da capoeira e promover a inclusão social através da arte da capoeira. Em 2006 incorporou-se a este projeto, numa parceria do governo federal através da UNESCO e da prefeitura municipal de Porto Alegre o “PROJETO ESCOLA ABERTA”. Que fez com que as nossas aulas de uma, fosse para duas vezes por semana. O PROJETO ESCOLA ABERTA, viabilizou apoio de recursos financeiros, para eventos, saídas de campo e para compra de materiais para prática da capoeira; como: roupas (uniformes), instrumentos, etc. Este ano de 2009, no mês de junho completamos quatro anos de atividades.

As principais dificuldades no início do trabalho eram atenção e concentração da grande maioria dos alunos, questões de coordenação motora devido à falta de estímulos, questões de higiene pessoal e respeito ao próximo. Alguns valores psicomotores e de ordem ética, com os quais teríamos que nos deparar e iniciar uma discussão e reconstrução. Estreitar laços relacionais era uma estratégia de fundamental importância naquele momento.

A partir disso pude criar e alimentar sonhos de crescimento pessoal e profissional nos alunos. Enfim, criar uma nova perspectiva de futuro, uma nova visão de mundo, na qual a capoeira seja um caminho, que nos possibilite sonhar e construir uma cultura de paz.

Quem está preparado para enfrentar um cotidiano de luta e resistência, pode pensar em construir uma cultura de paz, e não violência. Para mim a violência é a falta de uma Educação transformadora, onde de objetos as crianças possam tornar-se sujeitos na construção das suas próprias histórias.

A falta de condições dignas de saúde pública e a desigualdade social são fatores complementam este quadro, e fazem parte deste contexto. Estes quesitos fazem com que nossas crianças cresçam com falta de perspectivas num futuro melhor.

A oficina de capoeira na “Escola Aberta” atua num contexto, e forma um elo de ligação entre a comunidade e a escola, abrindo as portas da mesma, para a população local. Oportuniza desta forma, a pratica de vivências da arte da capoeira, que por se tratar de uma arte-luta brasileira é desenvolvida num processo sócio-histórico-cultural de libertação. A capoeira é capaz de transformar a realidade severa em que vivem as crianças, num sonho ricamente promissor, através de valores tribais da essência africana, deixadas de herança da cultura afro-brasileira. Como os atos de cantar, dançar e tocar.

A musica instrumento de comunicação carrega um conteúdo histórico-cultural, em suas melodias, geralmente alegres e radiantes, faz com que as crianças transcendam e vibrem com suas possibilidades imaginarias e corporais, e assim, ocupem o seu tempo de forma construtiva e cheia de significados.

Os movimentos são gestos desafiadores que constroem a linguagem do corpo numa atividade cotidiana. Enriquecem esta linguagem multiplicando os seus recursos corporais. Dando-lhes força para descobrirem que são capazes de irem muito além. A inversão corporal é algo que fascina o capoeirista. Faz com que ele descubra uma nova forma de ver o mundo. E uma nova possibilidade de resolver seus problemas. E se podem fazer coisas tão desafiadoras com os seus corpos, podem fazer muito mais pelas suas vidas.

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Os toques, batidas e ritmos mostram suas capacidades de aprenderem uma outra linguagem, que é a linguagem musical. Esta linguagem permite a transcendência dos limites corporais. Já dizia o ditado popular: “Quem canta os males espanta”. E aprendendo a cantar eles descobrem outras possibilidades, e consequentemente, eles descobrem que são capazes de construírem seus sonhos e seus destinos.

E nós professores comprometidos com a transformação da sociedade, temos obrigação e compromisso em oportunizar aos nossos alunos, oportunidade de sonhar com um futuro melhor. Para a construção de uma sociedade onde a paz, seja a nossa maior meta. E a violência de espaço gradativamente a uma nova cultura.

Desta forma, acontece a colaboração dos projetos desenvolvidos na escola Migrantes. Na perspectiva de oportunizar a possibilidade de sonhar um caminho para a paz. Um caminho onde nossa escola e comunidade possam construir juntos, caminho este, que seja meio e não fim. Um novo caminho, uma nova visão de mundo e possibilidades para nossas crianças.

 

 

Nome: Paulo Lara Perkov ( Mestrando Paulo Grande)

Especialista em Educação Infantil pela UNISINOS.Professor de Educação Física Graduado pela UNISINOS.
Acadêmico de Administração na Faculdade Dom Bosco.
Mestrando em Capoeira na Associação de Capoeira Nação.

Projeto Capoeristas do Bem reúne crianças de Mãe Luiza

No bairro de Mãe Luiza, crianças estão aprendendo valores importantes, como disciplina e respeito pelo próximo, através das aulas de capoeira realizadas pela organização não-governamental Casa do Bem. Fundado há oito meses, o grupo de pequenos capoeiristas celebrou, na tarde deste sábado, na Escola Estadual Dinarte Mariz, a troca de cordão, uma mudança de nível no aprendizado dessa dança/luta, herança de nossas raízes negras.

O grupo Capoeiristas do Bem, como é chamado, possui atualmente 26 integrantes, na faixa de 8 a 12 anos. As aulas acontecem três vezes por semana, à tarde, e além de capoeira é ensinado também maculelê, samba de roda, noções de música e fabricação de instrumentos. “Esse trabalho é importante pois temos que mudar a imagem que a sociedade natalense tem de Mãe Luiza. Nosso trabalho aqui é ajudar essas crianças a darem importância ao futuro”, diz o mestre Josenilson “Petinha” , coordenador do projeto.

Pais, amigos e parentes dos capoeiristas-mirins foram prestigiar o evento, formando uma pequena platéia. Fotografando os passos dos filhos estava a auxiliar de cozinha Grace Silva Nascimento, mãe de Lucas, 7 anos, e de Bruno, 8. “É melhor eles estarem aqui do que na rua aprendendo o que não presta”, comenta, visivelmente orgulhosa.

O evento contou com a participação de capoeiristas experientes, que se apresentaram para os alunos do projeto e para os demais presentes, dando um verdadeiro show de técnica e agilidade. No pátio da escola soava berimbau, tambores e cantos.

O presidente da Casa do Bem, jornalista Flávio Rezende esclarece que as aulas de capoeira estão sendo realizadas na Escola Estaual Dinarte Mariz até que a construção da sede própria da ONG seja concluída. “Quando estiver pronta todas as nossas atividades serão transferidas para lá.” Os Capoeiristas do Futuro se apresentam amanhã à noite no Teatro Alberto Maranhão.

 

Fonte: Tribuna do Norte – http://tribunadonorte.com.br

Para saber mais: www.casadobem.org.br.

RJ: Kina Mutembua e Orquestra de Berimbaus faz show gratuito na UERJ

Espetáculo Coisas Nossas é apresentado para estudantes da rede pública do Rio.
 
A celebração da garra, ritmo e musicalidade afro-brasileira. Assim é o musical Coisas Nossas, apresentado pelo grupo Kina Mutembua e Orquestra de Berimbaus, da Ação Comunitária do Brasil/RJ (ACB/RJ). E a próxima apresentação do grupo será uma ação beneficente, pois no dia 17/08, às 14h, o espetáculo Coisas Nossas será apresentado gratuitamente no Teatro da UERJ Odylo Costa Filho para estudantes da rede pública do Rio.
 
Marcante pela sua interatividade, Coisas Nossas envolve a platéia em um rito de simbolismos e alegria. O show, criado durante o intercâmbio com artistas do Ballet Nacional de Ruanda em 2006, foi renovado e traz além de composições próprias do grupo, música em dialeto Banto, típico da África.
 
Todo o repertório é um resgate às perolas da música nacional como é o caso de Brasil Pandeiro de Assis Valente, um dos hinos do samba na década de 1940 e da famosa canção Alguém Me Avisou, de D. Ivone Lara. Ao lado destes sucessos, nomes como Ivan Lins e Clara Nunes. O detalhe está na interpretação das músicas que são levadas a toques de berimbau e percussão.
 
Sob a direção do coreógrafo Charles Nelson, autoridade em dança afro-brasileira, o espetáculo é composto por números que unem Dança Contemporânea, Capoeira, Maculelê e Samba de Roda. Coisas Nossas aposta na mistura de manifestações populares que deu origem ao povo brasileiro. Por toda essa brasilianidade, o espetáculo Coisas Nossas, criado a partir da experiência no Fórum Cultural Mundial 2006 marcou presença na primeira edição do Fashion Rio/2007.
 
Kina Mutembua e Orquestra de Berimbaus – Composto por jovens de 11 a 22 anos, o Kina Mutembua resulta do trabalho sócio-cultural da ACB/RJ, nas favelas da Maré e Cidade Alta, em Cordovil. Com um nome que significa "Dançando Com o Vento" na língua quicongo da etnia banto, o grupo conta no seu currículo com apresentações no exterior e em diversos eventos culturais. Além da geração de renda, o trabalho contribui para o amadurecimento profissional dos integrantes.
 
A partir dos resultados deste trabalho, surge a Orquestra de Berimbaus da ACB/RJ que tem como proposta mesclar o ritmo tradicional da capoeira com música popular brasileira e ritmos africanos. O grupo tem aprimorado suas técnicas com aulas de preparação musical com Mestre Berg (mestre de capoeira e doutorando em Cultura Popular), Luiza Marmelo (Jongo da Serrinha) preparadora vocal e de percussão com o músico Alexandre Pires.
 
Coisas Nossas na UERJ, dia 17/08/2007, às 14h, Teatro Odylo Costa Filho – UERJ, Rua São Francisco Xavier, 524, Maracanã – Rio de Janeiro (RJ).Preço: Entrada gratuita
 
Fonte: Revista Fator – Sao Paulo – http://www.revistafator.com.br

Mestre Oscar Niemeyer e a Capoeira em geral

Governo, regional e local, com apoio da sociedade, percebendo a genialidade de Antonio Gaudi, deu carta branca para ele criar em Barcelona. Pois muito bem, boa parte do charme da cidade e, consequentemente, do seu sempre crescente fluxo turístico, deve-se ao extraordinário talento do arquiteto catalão.
 
Em 1992, Barcelona sediou uma Olimpíada. Planejamento exemplar, execução ainda melhor. A abertura dos jogos ficou e ficará para sempre na história das olimpíadas. E nem será preciso lembrar o espetáculo a parte dado pelo “Dream Team” com seus superastros Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird…
 
Para efeito desse artigo, entretanto, quero lembrar como esses dois momentos – Gaudi e olimpíada – uniram-se para fortalecer, engrandecer e, sobretudo, urbanizar a já extraordinária – pela própria história – cidade de Barcelona.
 
E, em função dessa lembrança, dessa constatação, partindo do princípio que temos também, com cores próprias, brasileiras, o nosso Gaudi, e tendo em vista a escolha da cidade do Rio de Janeiro para sediar o Pan-Americano, por que a cidade – governo e sociedade – não deu carta-branca ao extraordinário arquiteto Oscar Niemeyer para ‘arquitetar’ o grande evento? Arquitetar totalmente, todas, absolutamente todas as construções que estão sendo feitas para esse tão importante e prazeroso evento internacional!?

Contribuição que, a meu ver, deveria começar pela criação do logotipo. Com todo respeito pelo responsável pelo desenho já escolhido, mestre Niemeyer, com base nas femininas e sensuais curvas da topografia do Rio, teria criado um símbolo que viraria febre de consumo entre os atletas e assistentes do Pan. Entraria, com destaque, para a galeria do melhores logotipos de eventos olímpicos. Assim como, entraria para história da arquitetura mundial, a minicidade que Niemeyer criaria para o Pan Rio 2007. O logotipo aprovado não é ruim, mas, convenhamos, não pode ser considerado a ‘cara’ do Rio. Não sendo possível deixar de registrar a semelhança, certamente involuntária, entre o símbolo do Pan Rio e alguns quadros historicamente consagrados. Não apenas o famoso Birds on Blue, de Henri Matisse, mas vários outros, como a coleção de pássaros azuis de Georges Braque.
 

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E o que tudo isso tem a ver com a Capoeira? Há décadas venho sugerindo aos governos a construção de um Memorial da Capoeiragem no Rio de Janeiro (que incluiria museu, biblioteca, oficinas, exposições, debates etc). Ninguém melhor do que Oscar Niemeyer para fazer esse projeto.
 
Definitivamente, o Carioca está perdendo qualidade, até para gostar de sua própria cidade, por sinal, apesar de tudo, ainda maravilhosa.
 
Em pouco tempo, a famosa piada vai trocar de cidade: “o melhor de Niterói não será mais a vista do Rio de Janeiro”, e sim, o “melhor do Rio será a vista do extraordinário Museu de Arte Contemporânea de Niterói”. Feito por quem?
 
Logotipo Pan RIODe maneira mais pessoal, e pretensiosa também, andei pensando em explorar o talento de Niemeyer. Tudo por ‘culpa’ de dois livros que acabo de terminar: 1. A quarta edição do livreto “Capoeira no Rio de Janeiro, no Brasil e no Mundo”, e 2. O meu primeiro romance – “Marraio Feridô Sô Rei”. Para esse último, pensei em procurar o grande arquiteto e, simplesmente, pedir que fizesse a capa. Prevaleceu o bom senso e preferi me socorrer da Texto & Imagem que, através da capista Sisa Resende, saiu-se admiravelmente bem da missão, Como pode ser comprovado pelas ilustrações aqui inseridas.
 
 

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Capoeira em Geral
 
Adentremos, pois, mais a fundo e novamente, nesse mundo encantado da Capoeiragem.
 
1. Coisas Nossas # 1

 
De mestre Berg, que está no cordel recém-publicado, recebo convite para assistir, no Teatro Rival, Rio, a peça Coisas Nossas. Com tratamento vip garantido, tratei de convidar toda a família e mais um casal americano de jornalistas. Ao chegar descobri que nossas mesas, especialmente reservadas, estavam ocupadas por uma meninada. São ‘coisas nossas’ pensei, com bom humor, demos meia volta e voltamos para a casa. Nada a falar ou escrever, portanto e infelizmente, do espetáculo em grande parte, suponho, calcado na Capoeiragem. O que não afeta em nada minha admiração pelo trabalho que o doutorando mestre Berg vem realizando, tanto assim que, dia 13 de maio, estaremos em sua casa, em Pilares, participando de grande festa. Até porque Pilares faz parte do meu livro “Marraio Ferido Sô Rei”. Isso se eu sobreviver ao almoço que meu primo Nei promoverá dia 12, marcando seus 65 anos de sucesso no mundo. Afinal, se em Barcelona 92 havia um Dream Team do basquetebol, na festa do Nei, podem apostar, haverá um Dream Team da fina música popular carioca. Que mestre Nei me perdoe essa americanada de Dream Team entrando no pagode.
 
2. Coisas Nossas # 2
 
Na qualidade de mestre em Administração Pública reajo mais fortemente do que seria normal, quando vejo alguma coisa, administrativamente raciocinando, fora do lugar. Como por exemplo, o princípio da publicidade sendo ignorado.
 
Vai daí que, ao receber e-mail sobre um concurso público, na UFDRJ, para o cargo de professor de capoeira, que estaria sendo feito sem o necessário ritual administrativo, respondi com veemência: Está errado, reaja, reclame, faça valer seus direitos (o remetente, estava entendendo eu,  era candidato potencial ao cargo).
 

Logotipo Pan RIOOntem, entretanto, um domingo ainda de sol (29 de abril), encontro casualmente na praia o Professor Augusto José Fascio Lopes (foto), chefe do Departamento de Lutas, da Faculdade de Educação Física, da UFRJ. O professor, mais conhecido como mestre Baiano Anzol, de modo firme e sereno, tratou de passar detalhes fundamentais a respeito do tal concurso: Todo ritual previsto em lei e regulamentos internos da Universidade foi rigorosamente cumprido, tivemos oito candidatos, entre eles os mestre Hulk e Ephrain, saiu vencedora mestre Rufatto, que também tem mestrado em Educação Física.
 

Ainda firme e sereno, e, sobretudo, com muita ética, o Professor lembrou que a quantia de R$ 30 mil, que a Petrobrás depositou na conta particular do então responsável Centro de Memória Artur Emídio estava causando certo mal-estar, até por que sua devolução estaria agora dependendo de inventário. Situação que, somada à reportagem recentemente publicada sobre a aplicação de verbas públicas em programas sócio-esportivos (visando a exclusão social…), vai colocando em cheque a maestria gerencial de alguns mestres de capoeira.
 
Encerro aqui essa discussão deixando claro que não esperava que o e-mail que enviei – e causou o desconforto – tivesse sido colocado na Internet. Como se sabe, fora do contexto em que é colocado originalmente, qualquer frase ou depoimento pode perder sentido ou ficar com sentido demais.
 
Conheço mestre Anzol há muito tempo, salvo engano, em 1971 e poucos, saímos na Capoeira da Mangueira, discutimos muito e sempre. Se há alguma chance de briga será em função da nova apresentação que apresento na quarta edição do meu cordel. Mas, espero que não, que ele mantenha o convite que sempre faz (mas jamais efetiva) de voltar a beber alguns copos da famosa bebida inventada por mestre Bimba – “mulher barbada” – que Anzol sabe fazer como ninguém.
 
Termino parabenizando a mestra vencedora e, ao mesmo tempo, lamentando a vida do professor, inclusive universitário, no Brasil. Ouvi certa vez, não tive oportunidade de comprovar, que no Japão, a única classe profissional dispensada de fazer reverência ao imperador é justamente a classe dos professores. Sabedoria oriental, sem professor não há o amanhã. De repente, parece ser isso mesmo que alguns poderosos querem: falência total da educação.
 

Fonte: http://www.forumvirtual.com.br/capoeira.htm