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Diretor do Mestre Bimba fala sobre o Filme no Canal Brasil e na TVE

Em entrevista gravada nos estúdios do programa REVISTA DO CINEMA BRASILEIRO o diretor do filme MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA, Luiz Fernando Goulart, falou durante quase meia hora, sobre o filme e sobre a importância da capoeira hoje no Brasil e no mundo.

Editado com imagens do filme, o programa irá ao ar nos seguintes canais, dias e horários:

 
CANAL BRASIL (NET) – (inédito) 15/08 (4ª feira) às 18h30 / reprise 5ª às 11h30.
 
TVE BRASIL – (inédito) 20/08 (2ª feira) às 21h30 / reprise aos sábados (25/08) às 18h30
 

Não percam e divulguem.

Precisamos aproveitar mais esta chance da capoeira começar a marcar presença constante na mídia brasileira.

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O Elo Perdido – Parte 2

A capoeira e os capoeiristas até 1930, estavam nas favelas, nos guetos, nos cais, nos armazéns, nas festas populares, nas feiras, com sua natureza combativa, irreverente. Não havia estilo de capoeira e nem escolas. Aprendia-se no dia-a-dia, nas rodas, nas feiras. Era coisa de vagabundos, marginais, negros… Éramos assim rotulados.
Os capoeiristas eram todos de uma mesma classe, classe inferior. Cada qual com seu jeito próprio de expressar fisicamente suas amarguras ou alegrias, porém com os mesmos objetivos culturais,mesmo que inconscientes, que era ser e existir com dignidade.
 
Promoveram fortes conflitos com a polícia, desencadeando uma verdadeira guerra à sociedade da primeira classe. O que era considerado pelos poderosos, bagunça, desordem, carnificina, para os capoeiristas era nada mais do que reivindicação dos direitos básicos. Era o nosso sindicato. Por isso, tentaram aniquilar os capoeiristas com prisões, assassinatos, leis federais, deportações, aliciações, como fazem nos dias de hoje, com os que ousam liderar qualquer movimento contra os interesses dos poderosos, são assassinados, comprados ou desmoralizados.
 
Os capoeiristas estavam apavorando a sociedade branca por terem espírito combativo, resistente, não se intimidavam, nem se vergavam diante do sistema. E a capoeira continuou combatendo, reivindicando, revidando, porém dissimulada, com sua identidade avessa, marginal, temida, respeitada. Os poderosos, na tentativa de suprimir a capoeira e os capoeiristas, passaram a conhecer o poder combativo e resistente dos mesmos. Não tendo êxito com pancadas e assassinatos, gerando sempre mais revolta e revide, mudaram a tática de combate à capoeira. Infiltraram-se, nos adotaram, e com a falsidade de sempre, de que iriam nos incluir, nos respeitar, simplesmente nos amansaram, enfraquecendo os ideais da luta cultural e quase nos matam o espírito.
 
Essa adoção da capoeira pelo governo teve início na época em que Getúlio Vargas foi o ditador do Brasil, na década de 30. Sabemos que os políticos representam os poderosos e tudo que fazem é para simplesmente se manterem no poder e darem continuidade ao covarde projeto de seus antepassados: “comer sem trabalhar”. No momento em que nossos reais inimigos nos adotaram, o conflito que era declarado, entre as elites e os da classe inferior, que antes invadiam, pilhavam os candomblés, reprimiam os capoeiristas, na tentativa e suprimir toda cultura afro, ficou mascarado. Aparentemente não havia mais conflito, a capoeira passaria a ser esporte nacional, passando a ser consumida pela classe média, que eram os filhos dos opressores. Sendo a capoeira um embate à eles mesmos, jamais poderiam compreender a fundo o que representava a capoeira para os que estavam na miséria. Só compreende realmente, quem sofre na pele, o que não era o caso da classe média. Tanto é verdade que Jair Moura, escritor e capoeirista, um dos poucos que o Mestre Bimba graduou, diz que “a capoeira antes de Bimba era instrumento de ataque e defesa manejado principalmente (na Bahia) por desordeiros indisciplinados das camadas mais humildes da população e que a maior contribuição de Bimba foi transformar a capoeira num esporte que granjeou muitos adeptos, além da criação de uma verdadeira metodologia para o aprendizado da luta dos negros, tornando-a um verdadeiro curso de educação física”. Verdadeiro absurdo, Jair Moura desvaloriza toda capoeira antes da adoção pelo governo, não percebe a face de resistência cultural, julgando-os simplesmente desordeiros. Não foi Bimba quem tirou a capoeira da “margem” e sim o Governo, para sua conveniência. Não estou culpando-os, tinham outros valores, comiam, estudavam, viajavam, iam ao teatro, eram direcionados para leitura etc… Muitos, até acredito que se sensibilizavam com tamanha desigualdade, mas muito longe de compreenderem de fato tal contraste.
 
O que me entristece é saber que muitos da classe inferior, que conseguiram com muito esforço e sacrifício estudarem, quebrando a regra da ignorância, foram absorvidos totalmente pelo sistema. E hoje cheios de títulos, trabalham para distanciar cada vez mais a capoeira de seu objetivo, transformando-a em simples atividade esportiva. Deturparam o trabalho do Mestre Bimba, que foi o escolhido pela elite para servir de modelo referência para todo esse processo de descaracterização dos reais objetivos culturais da capoeira.
 
Mestre Bimba foi um grande lutador e quando foi chamado para ir ao Palácio do Governo da Bahia, não tinha dúvida de que iria ser preso. A capoeira até então era “coisa” de malandro (da perspectiva da elite) e uma ameaça aos bons costumes. Sendo o Mestre negro e capoeirista, não restavam dúvidas quanto à sua prisão. Mas foi surpreendido pelo Interventor Geral da República, convidando-o para exibir sua capoeira aos “ilustres convidados”. Em 1937 então, Mestre Bimba foi autorizado pelo Governo a ensinar a capoeira em recintos fechados, tirando-a da “marginalidade”. Não é de estranhar tanta flexibilização por parte do Governo? Com certeza fizeram exigências, resultando em uma nova tradição para capoeira, tradição essa que não a associasse ao caráter marginal da então capoeira que era jogada e ensinada inclusive pelo próprio Mestre Bimba, antes de toda essa falsa abertura pelo Governo.
 
Mestre Bimba foi e sempre será para nós um grande capoeirista, mas para as elites não passou de inocente útil aos seus interesses. A capoeira saiu dos guetos, não os capoeiristas, tanto é verdade que depois de usado, Mestre Bimba foi descartado pelos mesmos, vindo a morrer na miséria como todos os de sua classe.
 
A classe média passou a consumir a capoeira, enxertaram seus valores, que não eram os valores dos que estavam nas favelas e promoveram a capoeira na versão burguesa mundo afora. Esse é o modelo de capoeira que ganhou espaço na mídia, visibilidade e apoio, em detrimento da capoeira cultural dos resistentes velhos mestres. A capoeira adentrou a sociedade, porém sem espírito, totalmente desprovida de suas raízes, sem identidade, sem causa, sem ideais.
Essa abertura do Governo à capoeira, não foi conquista dos capoeiristas, se fosse realmente nossa conquista, a capoeira não precisaria ser remodelada para o consumo das classes abastadas, perdendo totalmente a identidade.
 
Precisamos resgatar urgentemente para nossa expressão física, o espírito, os ideais por melhores condições de vida, por equilíbrio social entre os que trabalham e os que mandam trabalhar. Esse é o elo perdido, esses são os objetivos. Caso contrário, continuaremos a reproduzir o sistema social escravista, dentro de uma arte libertária.
 
Não estamos incluídos no contexto social, uma guerra social mascarada, onde as armas são as canetas e nossa total desarticulação. Com isso estamos permitindo que usem o nosso sindicato contra nós mesmos. Se não resgatarmos esse elo, a capoeira não terá mais o objetivo que teve no passado, que era combater a desigualdade social.
 
Para que possamos entender a capoeira de hoje, temos que urgentemente nos informar, ler as histórias do passado, para nos situarmos no presente. Sei que para nós é muito difícil ler, não somos educados para leitura e sim para televisão, propositalmente. A televisão trabalha para os ricos, adentra nossos lares, maquiando a escravidão, incentivando o racismo, impondo valores, modas, hábitos, atitudes, padrões. Onde há uma televisão ligada não há diálogo, ficam todos consumindo novelas e outros programas que nada contribuem para nossa vidas. Estamos descendo rio abaixo sem sabermos dos fatos anteriores, das escolhas feitas no passado, quem as fez e em que circunstâncias foram feitas, das quais estamos sofrendo as consequências.
 
Continuaremos reclamando e transferindo para o outro, o que por ignorância reproduzimos. Portanto, temos que nos organizar, nos unir, independente de grupos, ou estatutos, que foi outra forma eficaz de nos dividir. Temos que mandar à merda todos esses títulos, esses valores não servem para a capoeira, esses são valores dos burgueses.
 
Temos que parar de reproduzir o racismo, doença que nos divide, promovida hereditariamente pelas elites, sendo hoje fortemente mascarada, mas que convive conosco dia-a-dia. O fato de minha pele ser mais clara, ou mais escura, não significa que eu seja totalmente branco, ou negro, ou índio. Mesmo que haja entre nós alguém “puro”, não deve ser motivo para divisão. Nossa luta deve ser por equilíbrio social, respeito à nossa cultura, e não por supremacia de raças, sendo que estamos todos na mesma condição social. Se não nos livrarmos dessa doença chamada racismo, vamos continuar comendo restos e carregando esses miseráveis com nosso trabalho. Não podemos permitir que nos façam esquecer a escravidão do índio e do negro, com falsas histórias, ou queimando documentos como fez Rui Barbosa. Mas não devemos com isso nos dividir, pois hoje somos todos escravos. Compreendo que o negro sofra duplamente, sendo a sociedade hipócrita e racista.
 
Como se não bastassem as Federações de capoeira, que nos manipulam, vigiam, nos ditando regras, agora já temos os CREF´S, que vão criar seus filhos com o suor de nossas gingas.
 
Temos que reassumir a capoeira, exercitando as duas faces. Resgatar verdadeiramente os nossos verdadeiros Mestres. Valorizá-los de
verdade, e não simplesmente usá-los, como acontece atualmente.
As nossas reivindicações devem ser por direitos básicos, uma vez que pagamos por esses benefícios, através de duros impostos, que são desviados para o prazer e luxúrias da elite. Queremos escolas públicas em condições dignas, onde nossos heróicos professores da rede pública possam realizar seus trabalhos e serem valorizados. Universidades gratuitas para todos e em boas condições. Que o plano de saúde pública, que pagamos, realmente atenda com agilidade e eficiência os “contribuintes”.
 
Somos usados para produzir e para consumir, portanto, quem depende de quem afinal? Temos que compreender como funciona o sistema e atuarmos em benefício comum da classe. Somos os responsáveis por toda riqueza, que vem lá de trás com a escravidão do negro e do índio com a permissão e presença da Igreja Católica, que recebia 5% de cada escravo vendido.
 
Apesar de sendo nós os que alavancamos as riquezas, assim mesmo nos desvalorizam, imaginem quando as máquinas nos substituírem de vez, quando não precisarem mais dos nossos braços, onde seremos somente consumidores. Então, estará perdida de vez nossa luta.
 
Seremos jogados ao vento, como fizeram com os escravos em 1888 com a promulgação da Lei Áurea. Que por interesses comerciais, substituíram a mão-de-obra escrava dos negros, pela dos europeus. E ainda se não bastasse, tornaram a Princesa Isabel, uma escravocrata, na redentora dos negros. Infelizmente, muitas pessoas, inclusive capoeiristas, acreditam nessa mentira, são os que só vêem os fatos por cima. As histórias que nos contam, estão todas armadilhadas. Antes de acreditarmos nesses desgraçados, temos que ponderar, analisar a fundo os fatos. Sem eira nem beira, os negros foram jogados para as ruas, não tiveram direito sequer a um pedaço de terra para continuarem a sobreviver, depois de séculos de serventia e maus-tratos. As histórias se repetem, portanto: mãos à obra.
 
Dizem que é destino ser pobre, que somos incapazes, burros, inferiores, mas isso não é verdade, temos as mesma capacidade e potencial, o que falta é igualdade de condições. É muito cômodo apontar o dedo para as pessoas, e rotulá-las de burras, vagabundas, faveladas, quando temos quem nos ajude a enxergar o caminho, ou quando estamos inseridos nas classes abastadas da madrasta sociedade. Quando avançarmos na sociedade e tivermos nossos direitos
assegurados, então faremos nós mesmos nossas próprias escolhas.
Poderemos optar por estudar ou não, irmos ao dentista ou não, enfim… Teremos opção de escolha, o que não temos hoje.
 
Porque o mundo ainda é uma grande senzalaPortanto, temos um sindicato, temos uma força que é a capoeira, precisamos conhecê-la a fundo. Buscarmos dentro de nós alguma centelha de nobreza e aplicarmos nesse ideal. É uma luta árdua, onde não deve haver espaço para vaidades pessoais ou benefícios isolados.
 
Uma luta que levará tempo e sacrifício, devemos começar por nós mesmos.
Temos que tornar nossos espaços, onde exercitamos o físico, também em espaço cultural, ensinando os alunos não somente a jogar, a cantar, mas também a pensar, ajudando-os a situarem-se na história, para que sejam mais do que jogadores de capoeira ou valentões, sejam pensadores conscientes, para que possam contribuir para causa, passando à frente a mensagem.
Temos que substituir as cordas (graduações) por uma causa. Tornar os encontros de capoeira, para além do jogo, do canto. Temos a obrigação moral de contribuir para a vida dos nossos alunos, e não reproduzirmos o sistema, aproveitando-se da ignorância para tê-los às nossas conveniências.
 
A escravidão está em todos os lugares, mascarada de muitas formas, sendo promovida por capitães-do-mato travestidos, muitos deles de mestres de capoeira…”abre o zóio siri di mangue”.
 
Em causa estão as atitudes, não as pessoas!!!
 
Salve a liberdade… Viva Zumbi!
Mestre Pinóquio
 
[email protected]
 
Leia Também:  ELO PERDIDO – PARTE 1
 
CENTRAL CATARINENSE DE CAPOEIRA
Fundada em 29 de julho de 1998
CAÁ-PUÊRA
EDIÇÃO ESPECIAL:
O ELO PERDIDO – PARTE 2
POR MESTRE PINÓQUIO
MAIO DE 2007
 
ASSOCIAÇÃO CULTURAL CAPOEIRA QUILOMBOLA
“Porque o mundo ainda é uma grande senzala”
 

O Elo Perdido – Parte 1

"Porque o mundo ainda é uma grande senzala"
 
O Elo Perdido!
 

Há alguns anos (agosto de 1977) chegou em um Orfanato em Florianópolis, um capoeirista. Não tinha projetos escritos, estilo definido, desprovido de estatutos e graduações. Portava um berimbau, um lindo dobrão dourado e espírito… Ainda me lembro! Nos ensinava para além capoeira física. Nos tratava como filhos, nos respeitava. Foram singulares, imprescindíveis seus ensinamentos. Naturalmente chamávamos de Mestre.
 
Tive esse privilégio! Ensinou-me o suficiente, dando-me base para que seguisse com minha busca, que já é de natureza pessoal. Mesmo inconsciente, passou-me espírito e uma causa. Éramos um grupo de crianças carentes em um orfanato. Sentia, que éramos todos importantes. Nos treinos havia autoridade, mas não autoritarismo. O grupo existia em função das pessoas, e não o inverso.
 
Após uns quatro anos, tudo mudou. Já não éramos tão importantes. Os treinos passaram a ser autoritários. Passamos a ter projetos, regras, estilo, estatutos, linhas de frente, regimento interno… Sem nos consultar, o Mestre havia feito uma escolha. Mudou radicalmente sua forma de ensinar, perdendo sua identidade, e afastando o espírito. Nessa nova vertente não havia espaço para o questionamento.
 
A capoeira passou a ser algo alienante, onde já aprendíamos por métodos e sequências pré-estabelecidas. Mudou radicalmente o objetivo do trabalho. Não se forjou mais guerreiros livres, pensadores, andarilhos, tocadores, resistentes, e sim soldados sem causa. A instituição passou a ser mais importante do que as pessoas. Passou a ser uma empresa, com projeto de expansão. Formando professores da noite para o dia, com cerimônias de batismo, outorgando graduações aos precoces professores sem o mínimo conteúdo. Fazendo um desserviço à vida das pessoas, e o que é pior, usando o nome da capoeira. Sendo a capoeira uma arte de sociabilização, onde o objetivo é que as pessoas interajam, se comuniquem, independente de rótulos, grupos, encontrando no camarada aquilo que nos falta ou sobra, as diferenças se completam. Nessa nova vertente, os outros grupos eram tidos como inimigos.
 
Fomentou-se uma guerra física e cultural contra os supostos rivais, desencadeando uma série de inimizades gratuitas sem precedente. Sendo que essa guerra era para ser travada contra os reais inimigos. Para que os "soldados" estivessem mais preparados fisicamente, somente fisicamente, foram enxertadas dentro da capoeira outras lutas, descaracterizando completamente o jogo da capoeira na roda, e os objetivos culturais para vida. Onde a maldade substituiu a malícia, a brutalidade substituiu a arte, o barulho e a gritaria substituíram o canto, shows circenses substituíram jogo, a massificação substituiu a lucidez. Verdadeiro assassinato da cultura, e uma desconsideração total dos nossos velhos mestres, que muito lutaram, doaram- se para que essa força chegasse até nós. Um atalho que está sendo muito difícil reverter, pois essa vertente é a reprodução fiel do sistema social escravista.
"…(Portugal 13/07/2002 – Caro Mestre Pop… Venho através desta, dizer-lhe que sinto muito que tenhamos nos afastado por longo tempo. Estou no mesmo caminho e com o mesmo propósito. Por onde passo deixo boas pegadas e teu nome. Não posso, jamais neguei a tua importância, que talvez para ti não tenha tanta relevância o fato. Mestre, eu não esqueço o Orfanato. Lá sim, foi a raiz do teu trabalho. Sei também que eras muito novo e imaturo para perceberes o que hoje deve estar muito claro. Não esqueço de todas as nossas esperanças, as pessoas que influenciaram negativamente, os reais objetivos do teu trabalho, o compromisso da existência, a lealdade da missão, o resgate da esperança, o respeito à capoeira, a paciência com as pessoas, a valorização do ser humano!!! Volta e meia tento te resgatar para minha vida, já tentei com palavras e atitudes. Mas também sei que a fruta só dá no tempo. Não irei desistir, que Deus te proteja e ilumine. Quero também agradecer por teres aparecido no momento certo, e ter-me feito acreditar em algo que não mais exercitas, mas sei que ainda acreditas. Um abraço do discípulo Pinóquio.)…"
Felizmente, Mestre Pop retornou à vertente, dando grande contribuição à capoeira, dada sua grande experiência. Seja bem-vindo Mestre… a capoeira agradece e eu também! Atualmente atua com crianças carentes no mesmo Orfanato que eu o conheci. Integrante da Associação Cultural Quilombola.
 
Temos que perceber que a escravidão não acabou, somos todos escravos do sistema (anti) social, que teve início com a invasão do Brasil pelos portugueses há 500 anos. O sistema social do Brasil é escravista, dêem o nome que quiserem. Porém há hoje uma escravidão moderna. Temos que entender que somos uma mistura do negro. Hereditariamente, somos os escravos que vieram nos porões dos navios negreiros, porém miscigenados. O tempo não tira férias, tudo vai passando para frente. Não estamos mais nos porões dos navios negreiros, mas estamos nos porões da sociedade. Os burgueses de hoje, hereditariamente são os donos dos navios negreiros, que são os donos de tudo hoje, como foram seus pais no passado, e nós, os escravos de hoje, como foram nossos pais no passado.
 
Os capitães-do-mato estão por aí, porém de gravata, trocaram a chibata pela caneta, nos ofertando falsos sorrisos e falsas oportunidades. As senzalas, são as favelas. Os campos de cultivo de cana e café do passado, são as fábricas, as indústrias. Os grilhões são a nossa ignorância. Enquanto os filhos dos senhores vão para as universidades estudar e se prepararem para assumir o poder dos seus pais, os nossos filhos vão ser os próximos a carregá-los nas costas, e assim sucessivamente. A capoeira surgiu da necessidade de ser e ter dignidade, qualquer ato de desigualdade faz aflorar a capoeira. Foi forjada de todas essas covardias, todas as desigualdades cometidas. Esse espírito que chamamos de Capoeira, surgiu não se sabe de onde, mas sabe-se o porquê. Hoje está sendo instrumento dos poderosos, com a conivência de capoeiristas, que por ignorância ou conveniência se renderam ao sistema.
 
A moda atual é ser formado em educação física para se legitimar como profesor de Capoeira, como se a Capoeira precisasse da educação física. A escola da Capoeira é dinâmica, no dia-a-dia, na rua, em cada jogo, em cada rasteira, em cada viagem, em cada toque de berimbau… o Mestre ratificando com exemplos, seus ensinamentos, preparando o aluno para a roda/vida! Depois de muitos anos de vivência é que um capoeirista torna-se um Mestre. Não podemos confundir Capoeira com Educação Física, cada atividade com seu valor, porém têm objetivos diferentes. A Capoeira está para além da atividade física, está simultaneamente ligada à política humana, à luta de classes e ao embate às desigualdades socias. É incrível e triste saber que aqueles indivíduos que mais contribuem para descaracterizar a Capoeira são os mesmos que têm acesso à cultura acadêmica, confundem Capoeira com simples atividades físicas. O fato de terem status acadêmico, acreditam serem especialistas e fazem o que querem com a cultura popular, passando por cima de tudo e de todos, sendo que tratam-se de duas atividades completamente distintas. Muitos destes Mestres deveriam dar oportunidade a eles mesmos, matriculando-se em uma escola de Capoeira para a aprenderem, de fato. Irem visitar rodas de rua… não "rodas na rua". Talvez assim muitos deixassem de utilizar seu status de doutor para camuflar sua incompetência enquanto professores de Capoeira.
 
Capoeira….??? Falamos tanto que a capoeira é nossa filosofia de vida. Que filosofia? Será que não estamos perdidos dentro do que pensamos ser, e por não saber estamos contribuindo cada vez mais para a total descaracterização dos reais valores e objetivos? Será que não está nos faltando uma causa mais nobre do que simplesmente exprimirmos nossas vaidades pessoais? Ou transformá-la simplesmente em atividade esportiva? Ou ganharmos dinheiro?
Ou usarmos as rodas de capoeira pura e simplesmente para transferirmos para o outro as nossas angústias e revoltas? Será que o camarada que está conosco na mesma roda, na mesma pobreza é o nosso real inimigo? Não será ele tão vítima quanto nós?
 
Precisamos identificar nossos reais inimigos. Toda essa ignorância, essa falta gravíssima de não conhecermos hoje a fundo a capoeira, foi e é, meticulosamente propositada pelos nossos reais inimigos, que são os poderosos donos de tudo, para que realmente perdêssemos o elo da capoeira física à resistência cultural dos escravos. É como escutar uma música em uma língua que não conhecemos, balançamos o corpo para lá e para cá, mas a mensagem vai para o espaço. É óbvio, pois não entendemos a língua. Então a música não alcança em nós todo o objetivo e ficamos nos movimentando sem saber qual é a mensagem, como fantoches. É exatamente isso que fizemos hoje na capoeira. Estamos reduzidos a somente movimentos corporais, como um corpo sem vida, em decomposição. Sendo que é a vida que justifica o corpo. Portanto, a vida da capoeira é sem duvida a luta por melhores condições de vida dos oprimidos, de toda a classe operária. Sem esse objetivo não há vida, não tem o porquê da luta. Toda expressão física; a dança, o canto, o berimbau, a malandragem, o jogo; deveria ser conscientemente a materialização de nossas angústias, transformada e direcionada em protestos.
 
Assim é que faziam os capoeiristas do passado, eles não se reuniam somente para trocar pancadas uns com os outros, muito pelo contrário, as pancadas eram no real inimigo. A capoeira era o sindicato, linha de frente da classe, que reivindicava seus direitos através de suas rebeldias e que muito trabalho deu aos governantes. Infelizmente, a maioria dos Mestres de grupos (ou mega-grupos), conduz seus alunos como se fossem generais, com mão-de-ferro, esquecendo dos valores historicamente inerentes à Capoeira.
 
Mestre Pinóquio
Leia Também: O ELO PERDIDO PARTE 2
 
CENTRAL CATARINENSE DE CAPOEIRA
Fundada em 29 de julho de 1998
CAÁ-PUÊRA
EDIÇÃO ESPECIAL:
O ELO PERDIDO – PARTE 1
POR MESTRE PINÓQUIO
MARÇO DE 2007

Crônica: “A Arca da Capoeira”

Ela está com a rampa aberta para você subir!
 
Indivíduos estimulados a agirem sozinhos! Foi assim comigo, contigo e acontece com as mais novas gerações. Lembrem-se das avaliações escolares. Os castigos mais severos recaiam sobre os alunos que mais conversavam. Nossas classes de aulas, ainda possuem cadeiras enfileiradas, isoladas, ou seja, umas atrás das outras. O que se enxerga são as costas de nossos colegas quando deveríamos olhar nos olhos. Fomos, e ainda somos objetos em que se busca o sucesso, o status, e o dinheiro. Desde os primeiros anos na vida escolar, e até nos próprios berços, cercados de “caros badulaques” para que não choremos; o que espera é um cidadão “vencedor” que irá ter um ótimo emprego com altos salários e vivendo todo o capital que Karl Marx já havia previsto.
 
Nas escolas passamos em média 15 anos sentados em um espaço de aproximadamente meio metro quadrado ouvindo, ouvindo e ouvindo. Às vezes falamos, mais aí somos advertidos. Quando estamos prontos para começar a ter o tão sonhado sucesso, viramos máquinas. Máquinas de produzir, bater metas e buscar “benz” materiais. Mercedes-Benz!!! Se for BMW está valendo. Ah, e na maioria dos casos ainda continuamos sentados por mais 30 ou 40 anos. Só iremos levantar quando não temos mais idade nem para caminhar durante dez minutos.
 
Manfred Eigen, Prêmio Nobel de química em 1967, citou em seu livro O jogo: as leis naturais que regulam o acaso, que a sociedade humana organizada seria algo que superaria a individualidade. Não desmerecendo a conquista da individualidade, mas afirmando que é necessário superar o estado atual, autocentrado no indivíduo, para atingir o estado de descentralização, na qual se vive cooperativamente, de modo que o individual jamais é superior ao coletivo, e o coletivo, por sua vez, não suprime o indivíduo. Mas infelizmente não é isso que aprendemos em nossos caminhos cognitivos.
 
E será que é isto que ensinamos enquanto educadores, professores, mestres, doutores e porque não sonhadores? Será que estamos atentos à necessidade do coletivo em contrariedade ao individualismo? Pausa para análise… continuando… Mesmo próximo aos nossos olhares, o treino para vivermos a sós é alimentando fora das escolas e das salas,ou melhor; “senzalas de aula”. Os alunos passam boa parte de seu tempo fora das escolas em frente a computadores e televisores. Num aparente contato com o mundo. Frio e sem emoção. Infelizmente (e não gostaria de escrever novamente esta palavra ao menos neste ensaio) condicionados a não fazer bom uso dos avanços que a tecnologia nos possibilita.
 
 
No início de outubro deste ano o consultor de recursos humanos Ary Itnem Whitacker, de 46 anos, saiu em pleno horário de almoço na Avenida Paulista, a mais movimentada de São Paulo, carregando uma placa em que se está escrita, em letras garrafais, a frase “Dá Um Abraço”. Fazendo uma alusão de como a tecnologia criou um mal chamado de “inércia do afastamento”. O leitor deve estar se perguntando onde quero chegar com este papo de individualismo, isolamento tecnológico e rede de ensino equivocada. É simples, basta pensar em quanta gente nós conhecemos sem ao menos ouvir a voz. Pense, reflita!!! Loucura esta realidade que até certo tempo atrás não passava de ficção. Os avanços tecnológicos são positivos para nosso momento. Sim, são excelentes! Estas palavras só chegam até vocês através deles. Só precisamos utilizar estes recursos para um lugar comum. Um lugar bacana que talvez tenha o nome de “United City”, ou melhor, a Cidade da União. Particularmente para a nossa classe de trabalhadores braçais e gladiadores urbanos, os capoeiristas, esta “cidade” seria muito promissora, independente de partidos políticos e com legislação autônoma criada por nós. Será que estou viajando muito??? Voltando á www, quanta gente bacana eu não conheci pela tal internet. Quer dizer, tal sou eu, pois a internet é mais conhecida que qualquer um de nós. Talvez eu não possa dar um abraço num amigo virtual ou até mesmo desenrolar um jogo, numa roda real; concreta. Mas posso fazer uma chamada para um laço que há tempos está atado. Um laço que se desfaz com uma boa negaça levando ao chão as mãos de nossos nobres capoeiras e indo de encontro ao nosso sentido de coletividade. É aquele mesmo ideal coletivo que nos negaram há certo tempo atrás. Não podemos nem culpar ninguém por isso. Não houve estimulo para caminharmos todos juntos. Mas ainda há tempo!
 
O cérebro está em perfeita atividade e o coração ainda bate forte e compassado e estamos todos no mesmo barco. Talvez ele nos lembre um conhecido por aí como Arca de Noé. Um barco que não quer contar com tripulação distinta ou desunida. Não tem brasão ou escudo definido. Mas sim um barco que nos conduz para uma vida mais gratificante. Um barco que deve seguir mesmo que para isto tenhamos que empunhar os remos e trabalhar em sincronia. Um grande barco que apesar do “cheiro” de navio negreiro deve ainda carregar esta história. Não a negando; mas sim a enaltecendo. Uma embarcação que tem nos seus porões gente de todo tipo, não amarradas mas desamarrando tristeza, ódio e vaidades. Um grande barco para o ensino, os estudos e a reflexão e porque não para a recolocação social para ser simplista. Talvez Zumbi dos Palmares tenha tentado construir este barco e aguardava no quilombo, juntamente com sua tripulação, o momento certo de levá-lo ao mar. Um barco que seguirá o seu rumo dependendo de nossas metas e de como estabelecemos esta rota.
 
Um grande e lindo barco chamado apenas de CAPOEIRA!
 
Professor Beija-Flor
São Bernardo do Campo/S.P
Link: http://bfcapoeira.vilabol.com.br
e-mail: [email protected]
Projeto Beija-Flor Capoeira Para Todos e Grupo de Capoeira Macungo

Aconteceu: Porto Alegre/RS – Curso Aberto com Mestrando Tucano Preto

A todos amigos da capoeira !
 
Queremos informar,que durante uma semana na cidade de Porto Alegre/RS, foi realizado mais um encontro de capoeira aberto a toda comunidade capoeiristica da região sul, onde se fez presente o ministrante Ricardo Oliveira, ‘TUCANO PRETO’/SP, capoeirista renomado e responsavel por inumeros trabalhos voltados ao desenvolvimento da capoeira no Brasil e no exterior, sendo assim dos dias 12 ao 18 de agosto os que se fizeram presentes puderam contar com todo o profissionalismo desta equipe que entre aulas, palestras, rodas e outras saciaram a sua sede de busca ao conhecimento pela capoeira, historia e  atualiazação de movimentações que muito correspondem aos valores desta arte ancestral e futura.
 
Informamos ainda que a presença e o contato com inumeros capoeiristas de Porto Alegre/RS, somente somaram aos nossos conhecimentos e busca. Ainda assim informamos que toda a organização para a realização deste encontro se deu através do Professor Gororoba e todos seus alunos que mas uma vez deram conta do recado.
 
          Agradecemos a todos voces capoeiristas,por esta realização,deixando assim fluir livremente o  respeito pela capoeira em nossas vidas .
          Grande abraço a todos
 
 
Mestre.Tucano Preto /SP
Centro Integrado de Capoeira
telefone 55 11 – 84854981

Mestre Cobra Mansa: “Que 2006 seja um ano de muita paz, saúde…”

Prezados companheiros de vida,

Mais um ano se encerra e a sensação que temos é que, apesar de muita coisa concluída, muito ainda há para se fazer.
Corremos para dar conta de nossas obrigações, vamos tão rápido que, por vezes, deixamos de retribuir pequenos gestos de amizade e companheirismo.
 
Este é um momento para reavaliar nossos atos e definir nossos projetos, reconhecer que as circunstâncias têm influência sobre nós, mas que somos responsáveis por nós mesmos !
 
Desejo a você liberdade para pensar e agir em prol de seus sonhos, mantendo-se sempre com olhar adiante de seu presente.
 
Que 2006 seja um ano de muita paz, saúde, felicidades, sucesso e muita roda de capoeira para todos.
 
 M Cobra mansa

Mestra Cigana: “Feliz Natal de Luz a todos!”

Quero falar do real significado deste momento de amor, compaixão e paz.

Vou escolher meus presentes de maneira diferente.

Vou lembrar de todas as pessoas que um dia já passaram pela minha vida e mandarei a elas uma mensagem com meu profundo amor.

Lembrarei a todos do poder real que temos. Poder de escolher, de criar, de manifestar nossa divindade. O primeiro é de fazer parte de um enorme grupo e circundar o mundo num abraço de Luz, envolvendo a todos indistintamente numa energia vibrante, brilhante, que carregará afeto e alegria verdadeiras a todos nossos irmãos e irmãs, sobretudo aos que estiverem sozinhos, cansados e deprimidos.

Ninguém estará ou se sentirá sozinho se conseguir se conectar com esta Luz que irá emanar dos corações de tantos e tantos seres humanos despertos, abertos e cada vez mais conscientes da Unidade, do Amor Incondicional e da urgente necessidade de paz. Paz em todos os corações, a começar pelo nosso, que poderá estar mais capaz – dia após dia, de romper barreiras, de gerar tréguas cada vez mais longas e por todo lado, a começar pelo nosso núcleo familiar e de relacionamentos, se espalhando como semente poderosa por toda a Terra.

Este ano quero convidar a todos a fazerem este pensamento de amor. Mesmo que seja por apenas alguns minutos. Façam com intenção, lembrando sempre que o amor que mandamos aos outros, enche primeiro o nosso coração!

Que neste Natal nossos presentes sejam para a Alma.

Que se multipliquem ao infinito os abraços, os sorrisos, os perdões, os carinhos, os beijos, enfim, todos os gestos de boa vontade e que este abraço de Luz se torne a grande e verdadeira corrente do bem.

Que possamos lembrar de manter esta conexão de Luz a cada dia, com clareza e perseverança. Com ardor e humildade. Que façamos desta aliança na Luz nossa sintonia constante, para que o Natal se torne presente permanente em nós e à nossa volta, se manifestando em todos os corações todos os dias de nossa vida.

Feliz Natal de Luz a todos!

Mestra Cigana, iê!

Chora capoeira…Mestre Gerson Quadrado…

Em nome do Mestre Jaime de Mar Grande, comunicamos que neste domingo 17/04/05 veio a falecer na Ilha de Itaparica – BA, o Mestre Gerson Quadrado, grande capoeirista e conhecedor da nossa cultura popular.
 
Gerson Francisco – Mestre Gerson Quadrado
01/07/1925 à 17/04/05
 
E em nome do Grupo Capoeira Mogadouro e de todos os membros e visitantes deste site deixamos aqui nossos sentimentos.
 
Chora capoeira… capoeira chora….
Salve Mestre Gerson… continue a vadiar… e zelar pela Capoeira… Axé!