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Onde estão as capoeiristas da história?

Quem já teve curiosidade, interesse, ou mesmo sentiu necessidade de conhecer mais sobre a história das mulheres na capoeira, sabe o que é frustração.

Com um pouco de persistência se encontram nomes como Rosa Palmeirão, Maria Doze Homens, Nega Didi, Calça Rala e Maria Pára o Bonde, mas as informações não vão muito além.

Mesmo sobre o pouco que encontramos há muitas dúvidas, pois não se sabe situar com precisão a linha que divide o que é história real e o que é lenda.

Até mesmo sobre Dandara, grande guerreira do Quilombo de Palmares e esposa de Zumbi, atualmente não há mais do que duas linhas na Wikipédia, tão conceituada enciclopédia online.

Mas a falta de informação não é de espantar quando lembramos da discriminação sofrida pelo negro e sua cultura, e do preconceito sofrido pelas mulheres. Na soma, a mulher capoeirista recebeu discriminação em dobro, e sua importância para a história não foi reconhecida.

Trata-se de um erro que não deve ser relevado. A capoeirista de ontem ainda pode e deve ser tema de muita pesquisa. As histórias devem ser contadas e as informações precisam ser reunidas, documentadas e disponibilizadas a quem tem interesse de conhecer e passar a diante.

E a capoeirista que batalha hoje deve ser valorizada e ter seus trabalhos e conquistas reconhecidos, pra que seu nome e seus feitos constem na história de amanhã.

Fonte: capoeiradevenus.blogspot.com

Maranhão: Mestre Felipe morre aos 84 anos

Faleceu por volta das 20h30 de ontem, aos 84 anos de idade, Felipe Neres Figueiredo, o Mestre Felipe, um dos maiores mestres de tambor de crioulas do Maranhão. Ele estava internado no Hospital Universitário Presidente Dutra há duas semanas e ontem teve uma parada cardíaca, em decorrência de um efizema pulmonar e uma obstrução na uretra.

Mestre Felipe era natural de São Vicente Férrer e começou a tocar tambor aos três anos de idade. Atualmente ele comandava o Tambor de Crioula União de São Benedito – Mestre Felipe, com vários CDs gravados.

O corpo de Mestre Felipe deveria ser levado ainda na madrugada de hoje para a casa dele, na rua São Jorge, número 5, na Vila Conceição/Coroadinho, próximo à Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Mas será trasladado para a sua terra natal, à tarde ou amanhã, para ser sepultado, pedido feito pelo mestre.

Fonte: Jornal Pequeno – http://www.jornalpequeno.com.br

Foto:G.FERREIRA

I PAPOEIRA: CAPOEIRA DE HOJE – OS MITOS DE ONTEM E AS VERDADES DE HOJE

*Promovido pela Associação Cultural Nova Era*

Tomando por base a atuação da Associação Cultural Nova Era, as quais fundamentam-se em abordagens sociais e educativas considerando, inclusive, os eixos de inclusão social, o grupo centra seus planejamentos com maior autonomia e clareza na definição de novas ações que visam estimular a integração entre os participantes do grupo. É, neste sentido, que estaremos
promovendo o I PAPOEIRA: CAPOEIRA DE HOJE – OS MITOS DE ONTEM E AS VERDADES DE HOJE, no dia 03 de agosto, das 14 às 17 horas, no Colégio Santa Catarina, na Estrada do Arraial. O Encontro pretende, especificamente, disseminar a arte capoeira através das ações da Associação Cultural Nova Era, promovendo uma outra dimensão da capoeiragem com debates e estudos.

*Caracterização*

A Associação Cultural Nova Era é um centro cultural que favorece a execução da arte capoeira. Viabiliza aulas de capoeira angola, regional, e contemporânea, frevo, coco, maculelê, samba de roda, ciranda, dança afro, entre outras vertentes culturais, enfatizando o resgate da cultura local e a atuação do grupo. Desenvolve atividades sócio-culturais (inclusive em localidades em que se há situação de risco) e um efetivo trabalho de conscientização nas escolas públicas, aliando os objetivos do grupo às
necessidades dos praticantes, as quais referem-se, em sua maioria, às questões de apoio social e efetivo. O grupo é formado por profissionais especializados para a execução das atividades previstas, em especial no trabalho voluntário em escolas da rede estadual e municipal, associações de moradores e creches. Temos pólos de ação na sede do Grupo (Alto Nossa Sra.
de Fátima – Associação de Moradores) e em outras localidades, inclusive em escolas e academias.

*Objetivos*

– Resgatar costumes da cultura afro-brasileira, pernambucana, e de cada região de atuação do grupo, aliando-se aos princípios e práticas dacapoeira;
– Colaborar para o desenvolvimento da capoeira e seus praticantes;
– Promover o ensino da capoeira nos seguintes aspectos: brincadeira,
poesia, música, dança, liberdade, esporte, arte e luta;
– Realizar encontros periódicos entre os integrantes do grupo e demais grupos;
– Estabelecer a instituição de seminários, cursos e oficinas, incentivando a produção de conhecimentos;
– Viabilizar o intercâmbio entre a Associação Cultural Nova Era e demais grupos.

*Concepções*

As concepções da Associação Cultural Nova Era fundamentam-se em buscar o desenvolvimento do nível técnico, teórico e pedagógico da capoeira. Trabalhar e estimular tal arte como representação autêntica de movimentos culturais constitui a essência do grupo, o qual visa contribuir para a formação de novos profissionais da capoeira numa visão de respeito,
disciplina, socialização, liberdade de expressão e cidadania. Acrescenta-se a questão de que a valorização pessoal é chave mestra do grupo, incentivando-se, inclusive, espaços democráticos. Nesta direção, têm-se como metas específicas utilizar a capoeira como recurso pedagógico, artístico e cultural, com a valorização e práticas de cidadania.

*Organização:*

Profº Ismar Martins 8813-6008 *[email protected]*

Profº Julio Capilé: 8861-7109

Supervisão Geral: Mestre Toinho Pipoca

Mônica Beltrão


*PROGRAMAÇÃO*

14 às 14: 15 – Apresentação das autoridades e convidados

14:20 às 15:00 – Apresentação Cultural

– Maracatu
– Frevo
– Maculelê

15:00 às 16:30 – Palestras

– Mestre Ferrugem – Antonio Paulino da Silva Neto
– Mestre Toinho Pipoca – Antonio Carlos da Silva
– Mestre Espinhela – Minervino Peixoto
– Mônica Beltrão

– Interventores: Mestre Marco Coca-Cola

Mestre Ulisses Cangaia

16:30 às 17 hs – Roda de Capoeira

Bahia: Outorga Título Doutor Honoris Causa – Mestre João Pequeno

Gostaria de comunicar a todos que ontem (23/04) ocorreu a solenidade de entrega do título de Doutor Honoris Causa ao Mestre João Pequeno de Pastinha, no salão nobre da Reitoria da UFBA, conforme amplamente anunciado.

Foi um momento histórico nessa universidade, que finalmente reconhece pública e oficialmente, os saberes de um homem não letrado, que nunca frequentou a escola e que mal sabe assinar seu nome, mas que tem uma contribuição imensa na preservação da cultura e tradição afro-brasileiras

O auditório estava cheio e pudemos reconhecer entre os participantes, muitos capoeiristas, mestres, contra-mestres, alunos e população em geral.

O estranho foi identificar apenas uma presença ínfima, de poquíssimos colegas professores desta universidade. Foi constragedor para todos perceberem a ausência dos doutores e mestres da UFBA, "legítimos" representantes do saber científico, que ao que parece, não deram tanta importância a esse momento ímpar em nossa universidade. Nem os próprios colegas da Faculdade de Educação, proponente do título, compareceram à solenidade, que além da nossa diretora Celi Taffarel, contou com a presença de somente mais três colegas.

Há algumas semanas atrás, pudemos presenciar no Teatro Castro Alves, a outorga do mesmo título ao nobre Abdias do Nascimento, pela UNEB, com a presença maciça do corpo docente daquela instituição, prestando a justa reverência a esse grande personagem de nossa história.

Será que nossos nobres colegas da UFBA ficaram constrangidos em dividir o "douto" do salão nobre da reitoria com um nonagenário capoeirista analfabeto ???

Parece que temos ainda um percurso muito longo a percorrer no sentido de superar o pensamento retrógrado e preconceituoso reinante na academia, que não reconhece o valor e a dignidade dos saberes populares frente aos saberes científicos, e não faz o mínimo esforço para prestigiar um momento tão importante para sociedade baiana, como foi a solenidade de ontem à noite.

Lamento muito !

Prof. Pedro Abib – FACED/UFBA

Brasília DF: Violência e Morte – A Capoeira chora!!!

Mais uma triste notícia envolvendo a capoeira nos jornais… Desta vez o berimbau chorou lá pelos bandas de Brasília, a capital de nosso país, onde o conceituado Jornal Correio Brasiliense, através de sua edição online noticiou a morte de Ivan da Costa, um promotor de Eventos de 29 anos de idade. Ivan foi violentamente atacado por MONSTROS pois acredito não poder usar o termo "capoeiristas" conforme cita o Jornal, pois nós sabemos que um verdadeiro capoeirista não iria tomar esta atitude!!!
 
É lamentável ver a capoeira envolvida e citada de forma tão triste nos jornais…  e ainda mais triste é ver que alguns dos acusados eram professores de capoeira (é preciso saber separar o joio do trigo! é preciso ressaltar o quanto é digna a nossa missão pois um verdadeiro PROFESSOR, UM VERDADEIRO CAPOEIRISTA é acima de tudo um EDUCADOR!!!)… mais o fato é que a violência esta ai, se fez presente e vitimou am jovem cidadão… que fique bem claro o nosso repúdio a toda e qualquer ação envolvendo a violência seja ela qual for…
Que este caso seja tratado pelas autoridades e que os acusados sejam tratados com todo o rigor da lei!!!
 
Luciano Milani
 
Segue a matéria publicada no Correio Brasiliense:

Agressores de Ivan da Costa mostram frieza na delegacia
Renato Alvez
Do Correio Braziliense – http://noticias.correioweb.com.br
Reprodução/Edilson Rodrigues/ Paulo de Oliveira/CB
01/09/2006 – 08h13: Em uma conversa com o delegado Antônio Coelho, titular da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), os capoeiristas Francisco Edilson Rodrigues de Sousa Júnior, 21 anos, e Fernando Marques Robias, 26, explicitaram o nível de brutalidade que levou à morte o promotor de eventos Ivan Rodrigo da Costa, 29. “Bati. Bati legal”, disse o primeiro, o Macumba (3). “Se pudesse, batia de novo”, afirmou o segundo, conhecido como Lacraia (2).
Segundo o delegado, três dos cinco acusados de agredir Ivan, contaram, ontem, os detalhes do espancamento sofrido pelo promotor de eventos na madrugada de 21 de agosto. A vítima morreu nove dias depois. “O que mais me impressionou foi a frieza do Francisco e do Fernando. Eles não demonstraram arrependimento”, afirmou Coelho.
 
Nenhum dos acusados, porém, aceitou depor formalmente. Orientados por três advogados, alegaram que só falarão em juízo. Os cinco são moradores do Cruzeiro Novo, colegas de infância. Quatro têm o nome como suspeito em ocorrências policias. Três são professores de capoeira (leia quadro). Todos estão presos. Serão indiciados por homicídio triplamente qualificado – ação em grupo que teve motivo fútil sem chance de defesa à vítima. Se condenados, poderão pegar até 30 anos de cadeia cada um.
 
A prisão preventiva dos cinco foi decretada pelo juiz Edilberto Martins de Oliveira, do Tribunal do Júri de Brasília, na noite de quarta-feira. Em sua decisão, o magistrado destaca que, para dificultar a ação da polícia, os suspeitos retiraram as fotografias do Orkut – site de relacionamento – no dia seguinte às agressões contra o promotor de eventos. “Por outro lado,o potencial de periculosidade revelado pelo comportamento impiedoso e brutal que se atribui aos indiciados, que, por motivo banal, espancaram uma das vítimas até que ela desfalecesse, faz com que se presuma o risco a que estará, aparentemente, submetido o corpo social, na hipótese de serem mantidos em liberdade”, destacou o juiz.
Socos e pontapés
 
O laudo de exame de corpo de delito de Ivan, assinado por dois peritos do Instituto de Medicina Legal (IML) da Polícia Civil comprova que o jovem morreu de infecção generalizada e politraumatismo, decorrentes das agressões. Mostra que a vítima levou socos e pontapés na parte superior do corpo e teve ferimentos externos e internos (veja infografia).
Ivan, que tinha 1,71m e 79kg, foi agredido pelos cinco homens na saída da boate Fashion Club, no Setor Comercial Norte. Os acusados têm de 1,78m a 1,90m, de 85kg a 98kg. Eles haviam saído da boate depois que Ivan. O promotor de eventos, a namorada e o amigo Luiz Roberto Lopes, 23, trocavam o pneu do carro e acabaram surpreendidos por uma Parati que fazia manobras bruscas em marcha a ré no estacionamento. Luiz deu uma batida de alerta no vidro traseiro do veículo. Foi o suficiente para os cinco suspeitos descerem do carro e atacá-los com golpes de capoeira. As pancadas em Ivan provocaram ferimentos na cabeça e ruptura no intestino.
 
Os cinco agressores foram filmados pelo circuito interno de tevê da boate entrando e saindo juntos do estabelecimento. Eles teriam sido expulsos da casa noturna por causa de uma briga, segundo funcionários da Fashion Club. “As imagens não mostram isso. Vamos ouvir os seguranças da boate para saber o que houve realmente”, disse ontem Antônio Coelho.
 
Alexandre Nascimento e Edson Junior, os últimos a se entregarem à polícia – apareceram na 2ª DP às 14h30 de quarta-feira – passaram a madrugada , manhã e tarde de ontem na delegacia. No começo da noite, seguiram para a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), no Sudoeste. Hoje devem ir para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde os outros três acusados estão desde quarta.
Seqüestro-relâmpago
 
Edson é o que tem o nome envolvido no crime mais grave, ocorrido antes da morte de Ivan. Ele é apontado como suspeito de seqüestro-relâmpago ocorrido em 5 de janeiro de 2004, no Sudoeste. Segundo a ocorrência 83/2004 da 3ª DP (Cruzeiro), Édson e um garoto de 16 anos na época, renderam um casal no estacionamento do Supermercado Bom Motivo, na Avenida Comercial do Sudoeste.
Dizendo ter uma arma sob a camisa, a dupla obrigou o homem e a mulher a entrar no carro e seguir até um caixa eletrônico, onde tiveram que sacar R$ 1 mil. As vítimas foram abandonadas perto da Granja do Torto. O caso ainda não foi julgado.

 

Mestre Pinatti comemora 76 voltas do mundo

 
O internacionalmente conhecido Mestre Djamir Pinatti, um dos veteranos da capoeira paulistana, comemorou no dia 13 de abril sua 76a. Volta do Mundo.
 
Apesar do aniversário ter sido no dia 13, foi somente ontem, dia 26, que o Terreiro de São Bento Pequeno realizou a festa.
 
Foi uma Roda-festa mais precisamente. Sua roda de aniversário já se tornou tradição na cidade.
 
 
A cada ano que passa mestre Pinatti faz questão de jogar com um número maior de convidados. Neste ano, por completar 76 anos de vida, Pinatti realizou 76 jogos ininterruptos, sendo alguns na base da malandragem, outros na base do jogo mesmo.
 
 
 Por e-mail, mais precisamente de Nova Iorque, recebemos em nossa Redação a solicitação de informações de como adquirir um exemplar do livro que mestre Pinatti está editando. Tão logo a obra "Capoeiras de São Paulo: da gestão federativa a capoeiragem livre como o vento" fique pronta, mestre Pinatti enviará alguns exemplares para serem sorteados entre nossos amigos leitores.
 

 

        Sobre a roda-festa de ontem, segundo nosso correspondente em exercício, Luciano Milani – do Portal Capoeira -, estiveram presentes na São Bento Pequeno os seguintes camaradas: Bugalu & alunos, representando o Mestre Aberrê; Barriga, Coruja, Cói, Carlos Caboclo, algumas "meninas" do Mestre Adelmo, os formados da casa e, é claro, o próprio Milani.
 


 

Mestre Pinatti e Milani
 
Miltinho Astronauta
Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
2006 – Ano Internacional da Mulher Capoeirista no Jornal do Capoeira

Cortejo na abertura dos Jogos Quilombolas

Uma apresentação de capoeira da angola feita por integrantes do Projeto Raízes, da Secretaria de Justiça do Pará, abriu a programação do III Jogos Quilombolas, na Praça da Cultura, em Cametá, no final da tarde de domingo (20). Logo em seguida duas lideranças deram boas vindas aos  600 representantes de 170 comunidades quilombolas, de 22 municípios, que participam até a próxima sexta-feira do evento.

A programação continuou com chegada do grupo cametaense Bambaê do Rosário, um dos mais tradicionais da comunidade negra na região do Baixo-Tocantins. Eles mostraram a dança ritual, típica das comunidades Mola, Itapocu e Juaba, em Cametá, onde acontece a coroação do rei e da rainha nas festas de louvor à Nossa Senhora do Rosário. Os integrantes seguiram em cortejo pelas ruas da cidade, cantando e dançando ao som de maracás, em músicas que lembram lamento e adoração.

Os moradores foram para as janelas das casas acompanhar a passagem do cortejo que seguiu em direção à praça São João Batista, na orla da cidade. No meio do caminho foi inaugurada pelo Secretário Especial de Promoção Social Gerson Peres, um monumento comemorativo aos III Jogos Quilombolas de Cametá.

Lá foram entregues, três títulos definitivos de posse da terra para as comunidades quilombolas de São Manoel, Conceição do Mirindeua e Santa Maria de Tracateua, no município de Moju. O Programa Raízes, também repassou recursos no valor de R$ 450 mil para desenvolvimento de atividades de geração de emprego e renda nas comunidades quilombolas, como produção de farinha, apicultura e avicultura. O dinheiro também servirá para compra de equipamentos, barcos e máquinas agrícolas.Ainda no palco montado na praça, onze lideranças de comunidades negras foram homenageadas com placas comemorativas, pelo trabalho desenvolvido em prol da comunidade. Todos os homenageados fazem parte da velha guarda. Um deles fez o rito de passagem, entregando um colar para um jovem quilombola, que assumiu o compromisso de continuar a luta das comunidades remanescentes.

A cerimônia de abertura dos jogos encerrou com uma missa afro em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado ontem. Participam dos jogos, comunidades quilombolas de Abaetetuba, Acará,Alenquer, Ananindeua, Augusto Corrêa, Baião, Colares, Cachoeira do Piriá, Cametá, Capitão-Poço, Irituia, Mocajuba, Mojú, Óbidos, Oeiras do Pará, Oriximiná, Santa Isabel, Salvaterra, Santarém, São Miguel do Guamá, Tracateua e Viseu.

Fotografia – Paralelo a toda essa programação, foi aberta ontem a Exposição Fotográfica “Quilombos do Pará”, dos fotógrafos Paulo Sampaio e Carlos Penteado. Ela está funcionando no Salão da Paróquia São João Batista. As fotos mostram o cotidiano de diversas comunidades quilombolas do Pará. A exposição atraiu centenas de moradores na noite de ontem.

A programação dos III Jogos Quilombolas do Pará só encerra na sexta-feira (25). Até lá o publico cametaense vai poder assistir, durante o dia, disputas esportivas de capoeira da angola, futebol de campo, futebol de salão, vôlei de quadra, canoagem, futebol de areia, corrida, salto a distância, cabo de guerra e natação. A noite, na praça matriz da cidade, vão acontecer apresentações culturais de Ópera Cabloca (Cametá), Samba de Cacete ( Belém), Tambor de Crioula(Cachoeira do Piriá), Aiué (Oriximiná, Banguê Cinco de Ouro(Abaetetuba), Marambiré (Alenquer), Danças Afro (Acará), Boi de Porto Alegre (Cametá) e Dança do Gambá (Gurupá).

Durante toda esta semana, a Fundação Curro Velho estará oferecendo oficinas de Trança Afro, Confecção de Bijuterias com Beneficiamento de Sementes e Argila, Ritmo Afro, Brincadeiras de Jogos Infantis, Danças Nativas e Confecção de Estandartes. Ainda dentro da programação dos jogos quilombolas, vai acontecer o Circuito de Capoeira Angola na Cidade, Mostra de Gastronomia e Artesanato de Comunidades Quilombolas, lançamento do CD “Bumbarqueira- Cantigas de Quilombos de Cametá” e lançamento do Vídeo “ Terra de Negro 3”, sobre comunidades do Acará e Abaetetuba.

Nota de Falecimento do Mestre Liminha

Caros colegas,

Hoje dia 03 de novembro 2005, a capoeira amanheceu mais triste em Geneve na
Suiça, pois veio Falecer na noite de ontem nosso irmao Antonio Carlos de Lima,
conhecido nos meios da Capoeira como Mestre Liminha.
 
O Grande Mestre Liminha muito conhecido na baixada Santista, Brasil e no mundo, ontem nos deixou!
 
Ontem à noite, eu estive com um colega fazendo uma visita na Academia de Capoeira do Mestre Liminha na cidade de Geneve, mesmo estando se sentindo mau, ele foi a sua academia para nos recepcionar. Apesar de muitas dores, o Mestre Liminha colocou todo o seu sentimento de um verdadeiro Capoeira, nao se deixando abater pela dor, mostrando a felicidade por reencontrar os colega da Capoeira, porem falou da tristeza nao poder vadiar com nos naquele momento. Apesar de tudo foi uma longa conversa e uma velha vadiaçao, com muito amor no coraçao.
 
Logo apos Mestre Liminha se despediu de nos, e tomamos caminhos inversos um
ao outro.
E nesta manha, recebo a noticia que Mestre Liminha tomou um caminho mais
distante, aonde eu nao poderei o acompanha-lo.
 
Descanse em Paz e que o Senhor lhe acompanhe!
 
"Tudo tem seu tempo determinado, e ha tempo para todo o proposito debaixo do céu"
 
Vibraçoes Positivas do seu colega,
 
Mestre Faisca

LEI ÁUREA

"Lei 3.353 de 13 de Maio de 1888 Declara Extinta A Escravidão no Brasil".

A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Magestade o Imperador, o senhor D. Pedro II faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:

Art 1o – É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.

Art 2o – Revogam-se as disposições em contrário.

Manda portanto a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.

O Secretário de Estado dos Negócios da Arquitetura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de Sua Magestada o Imperador, a faça imprimir e correr.

Dada no palácio do Rio de Janeiro, em 13 de Maio de 1888, 67 da Independência e do Império. Princesa Regente Imperial – Rodrigo Augusto da Silva.

Desde 1 hora da tarde de anteontem começou a afluir no Arsenal da Marinha da corte grande número de senhoras e cavalheiros que ali iam esperar a chegada de Sua Alteza a Princesa Imperial Regente.

As 2 horas e 3/4 da tarde chegou a galeota imperial trazendo a seu bordo Sua Alteza a Princesa Regente acompanhada de seu augusto esposo Sua Alteza o Sr. Conde d’Eu, general Miranda Reis, e chefe de divisão João Mendes Salgado e dos ministros de agricultura e império.

Sua Alteza trajava um vestido de sêda cor de pérolas, guarneado de rendas valencianas. Ao saltar no Arsenal foi Sua Alteza vistoriada pelas senhoras que ali se achavam, erguendo-se vivas a Sua Alteza e a Sua Magestade o Imperador.

Às 2 1/2 horas da tarde já era difícil atravessar-se o perímetro compreendido nas proximidades do paço da cidade. Calculamos para mais de 10.000 o número de cidadãos, que ali aguardavam a chegada de Sua Alteza Princesa Regente. (…)

Pouco antes das 3 horas da tarde, anunciada a chegada de Sua Alteza por entusiasmáticos gritos do povo, que em delírio a aclamava, abrindo alas, ministério, camaristas e damas do paço vieram recebê-la à porta.

Acompanhada de seu augusto esposo, subiu a princesa, tendo formado alas na sacada grande número de senhoras que atiravam flores sobre a excelsa Regente.

Em seguida a comissão do senado fez a sua entrada na sala do trono para apresentar a Sua Alteza os autógrafos da lei. Nesta raia acham-se à direita do trono ministros e à esquerda os semanários e damas do paço. A comissão colocou-se em frente ao trono, junto ao qual estava Sua Alteza, de pé, então o sr. Senador Dantas, relator da comissão, depois de proferir algumas palavras, entregou os autógrafos ao presidente do conselho, para que este, por sua vez, os entregasse a Sua Alteza.

O sr. ministro da agricultura, depois de traçar por baixo dos autógrafos o seguinte: – Princesa Imperial Regente em nome de S.M. o Imperador, consente – entregou-os a Sua Alteza que os assinou bem como o decreto, servindo-se da riquíssima e delicada pena de ouro que lhe foi oferecida.

O povo que se aglomerava em frente do paço, ao saber que já estava sancionada a grande Lei chamou Sua Alteza, que aparecendo à janela, foi saudada por estrepitosos vivas. (…)"
Gazeta da Tarde, 15 de maio de 1888.

"Durante o dia e a noite de ontem continuavam cheios de animação as festas comemorativas da liberdade nacional. A rua do Ouvidor, constantemente cheia de povo, apresentava o belo aspecto dos grandes dias fluminenses. As casas marginais primorosamente ornamentadas estavam repletas de senhoras. De tempos em tempos, aqui, alí, acorria um viva aos heróis da abolição cortava os ares estridentes.

De ocasiões em ocasiões, um prestito passava saudando as redações dos diversos jornais. Geral o contentamento, enfim, transbordando da grande alma popular, que andava cantando a epopéia homerica da redenção."
Cidade do Rio, 18 de maio de 1888.

"A sessão do senado foi das mais imponentes e solenes que se tem visto. Antes de abrir-se a sessão, o povo que cercava todo o edifício, com justificada avidez de assistir ao que ali se ia passar, invadiu os corredores e recintos da câmara vitalícia.

As galerias, ocupadas por senhoras, davam um aspecto novo e entusiasmático ao senado, onde reina a calma imperturbável da experiencia.

Ao terminar o seu discurso, o senador Correia, que se congratulou com o país pela passagem do projeto, teve uma ovação por parte do povo.

Apenas o senado aprovou quase unanimemente o projeto, irrompeu uma salva prolongada de palmas, e vivas e saudações foram levantadas ao senado, ao gabinete 10 de março, à absolvição, aos senadores abolicionistas e a S.A. Imperial Regente.

Sobre os senadores caiu nessa ocasião uma chuva de flores, que cobriu completamente o tapete; foram saltados muitos passarinhos e pombas. (…)
Gazeta de Notícias, 14 de maio de 1888.

"Continuavam ontem com extraordinária animação os festejos populares. Ondas de povo percorriam a rua do Ouvidor e outras ruas e praças, em todas as direções, manifestando por explosões do mais vivo contentamento o seu entusiasmo pela promulgação da gloriosa lei que, extingüindo o elemento servil, assinalou o começo de uma nova era de grandeza, de paz e de prosperidade para o império brasileiro. (…) Em cada frase pronunciada acerca do faustoso acontecimento traduzia-se o mais alto sentimento patriótico, e parecia que vinham ela do coração, reverberações de luz.

Mal podemos descrever o que vimos. Tão imponente, tão deslumbrante e magestoso é o belíssimo quado de um povo agitado pela febre do patriotismo, que só d’ele poderá fazer idéia quem o viu, como nós vimos. Afigura-se-nos que raríssimas são as histórias das nações os fatos comemorados pelo povo com tanta alegria, com tanto entusiasmo, como o da promulgação da gloriosa lei de 13 de maio de 1888." – Gazeta de Notícias, 15 de maio de 1888.
"Carbonário – Rio 14 de maio de 1888 : –

Coube ainda a muito dos descrentes desta reforma vê-la realizada em nossos dias. Daí essa alegria imensa, maior mesmo do que era dado esperar, de fato tão auspicioso. Maior, porque a alegria de nossa população é tão sincera, que não tem dado lugar a mais leves exprobação ao povo em sua expansão. Muitos eram os que desejavam de coração, ardentemente, anciosamente, mas não supunham vê-la tão cedo realizada. Foi talvez a isso devido a expansão relativamente acanhada do primeiro momento da lei. O golpe era muito profundo, a transformação era tão grande como se fosse um renovamento da sociedade.

Hoje como que nos sentimos em uma pátria nova, respirando um ambiente mais puro, lobrigando mais vastos horizontes. O futuro além se nos mostra risonho e como que nos acena para um abraço de grandezas.

Nós caminhavamos para a luz, através de uma sombra enorme e densa, projetada por essa assombrosa barreira colocada em meio da estrada que trilhavamos – a escravidão. Para que sobre nós se projetasse um pouco dessa luz interna, que se derrama pelas nações cultas, era preciso que essa barreira caisse.

Então, apareceram para a grande derrubada os operários do bem – uns fortes operários, no parlamento e nas associações ateram ombros à assombrosa derrubada. E venceram! Foi ontem! Quando a grande barreira monstruosa da escravidão desabou e caiu, sentiu-se a projeção de uma luz, que nos ilumina. Ficamos atônitos, deslumbrados, como se saissemos de um recinto de trevas para um campo de luz. Bem hajam os que tanto trabalharam por essa grande lei! Não se poderia descrever o entusiasmo do povo desde o momento da promulgação da lei. A cidade vestiu-se de galas, o povo encheu-se goso, o governo cobriu-se de glória!

Nas casas, como nas ruas, a alegria tem sido imensa, indizível, franca e cordeal. Nenhum festejo organizado, nenhuma estudada e falsa manifestação de regozijo; de cada peito rompe um brado, de cada canto surge um homem, de cada homem sai um entusista. E por toda a parte o regozijo é o mesmo, imenso, impossível de descrever.

É que a felicidade que rebentou nesse dia imensamente grande, que completou para o Brasil a obra da sua independência real, é do tamanho de muitos anos de escravidão.

Devia ter sido assim tão grande, tão santa, tão bela, a alegria do povo hebreu quando para além das margens do Jordão, perdida nas névoas do caminho à terra do martírio, ele pôde dizer ao descansar da fuga:

– Enfim, estamos livres, e no seio de Abraham!

Tanto podem hoje dizer os ex-escravos do Brasil, que longe do cativeiro, encontram-se finalmente no seio de irmãos.

Grande e santo dia esse em que se fez a liberdade da nossa pátria!
O Carbonário, 16 de maio de 1888.

"Está extinta a escravidão no Brasil. Desde ontem, 13 de maio de 1888, entramos para a comunhão dos povos livres. Está apagada a nódoa da nossa pátria. Já não fazemos exceção no mundo.

Por uma série de circunstâncias felizes fizemos em uma semana uma lei que em outros países levaria nos. Fizemos sem demora e sem uma gota de sangue. (…)

Para o grande resultado de ontem concorreram todas as classes da comunhão social, todos os partidos, todos os centros de atividade intelectual, moral, social do país.

A glória mais pura da abolição ficará de certo pertencendo ao movimento abolicionista, cuja história não é este o momento de escrever, mas que libertou províncias sem lei, converteu ambos os partidos à sua idéia, deu homens de Estado a ambos eles e nunca de outra coisa se preocupou senão dos escravos, inundando de luz a consciência nacional.(…)"

"Em todos os pontos do império repercutiu agradavelmente a notícia da promulgação e sanção da lei que extingüiu no Brasil a escravidão. Durante a tarde e a noite de ontem fomos obsequiados com telegramas de congratulações em número avultado e é com prazer que publicamos todas essas felicitações, que exprimem o júbilo nacional pela áurea lei que destruiu os velhos moldes da sociedade brasileira e passou a ser a página mais gloriosa da legislação pátria."

"O júbilo popular explodiu ontem como bem poucas vezes temos presenciado. Nenhum coração saberia conter a onda entusiasmo que o inundava, altaneira, grandiosa, efervescente.

Desde pela manhã, o grande acontecimento, que será sempre o maior da história brasileira, agitava as massas e as ruas centrais da cidade e imediações do senado e paço imperial tinham festivo aspecto, constante e crescente movimento de povo, expansivo, radiante. Era finalmente chegado de atingir-se ao termo da grande conquista, campanha renhida, luta porfiada, sem tréguas, em que a parte honesta da população de todo o império se tinha empenhado desde há dez anos.O decreto da abolição tinha de ser assinado e para isso reuniu-se o senado extraordinariamente. (…)

É inútil dizer que no rosto de toda gente transparecia a alegria franca, a boa alegria com que o patriota dá mais um passo para o progresso da sua pátria. Fora como dentro o povo agitava-se irrequieto, em ondas movediças, à espera do momento em que se declarasse que apenas faltava a assinatura da princesa regente para que o escravo tivesse desaparecido do Brasil. (…)

Logo que se publicou a notícia da assinatura do decreto, as bandas de música estacionadas em frente ao palácio executaram o hino nacional, e as manifestações festivas mais se acentuaram prolongando-se até a noite. O entusiamo popular cresceu e avigorou-se rapidamente, e a instâncias do povo Sua Alteza a Princesa Imperial assomou a uma das janelas do palácio, em meio de ruídos e unânime saudação de mais de 10.000 pessoas que enchiam a praça D. Pedro II . (…)" –
O Paiz, 14 de maio de 1888.

"No meio do entusiasmo do povo pelo sucesso do dia, revelava a multidão a sincera satisfação pelas boas notícias que se haviam recebido acerca do estado de Sua Magestade o Imperador. O povo brasileiro não podia esquecer, nessa hora em que o pátria festejava a iniciação de uma nova era social, que em país estrangeiro estava enfermo o seu Monarca, aquele que, verdadeiramente dedicado aos interesses nacionais, tem o seu nome inscrito nos fatos da história do progresso do Brasil. (…)" –
Diário de Notícias, 14 de maio de 1888.

"Continuaram ontem os festejos em regozijo pela passagem da lei áurea da extinção da escravidão. A rua do Ouvidor esteve cheia de povo todo o dia e durante uma grande parte da noite, sendo impossível quase transitar-se por esta rua.

Passaram encorporados os estudantes da Escola Politécnica, os empregados da câmara municipal e o Club Abrahão Lincoln, composto de empregados da estrada de ferro D. Pedro II, todos acompanhados de bandas de música.

Uma comissão desta última sociedade, composta dos Srs. Henrique do Carmo, Lourenço Viana, Bartolomeu Castro e Eduardo Dias de Moura, subiu ao nosso escritório, sendo nessa ocasião abraçada pela redação. (…)"

"O tribunal do juri, ontem, manifestou de maneira eloqüente que também se associava no regozijo geral pela extinção da escravidão. (…)

Os empregados e despachantes da câmara municipal organizaram ontem uma esplêndida e estrondosa manifestação aos vereadores, em regozijo à extinção total dos escravisados no Brasil.

À 1 hora da tarde mais ou menos, achando-se presentes todos os srs. vereadores, penetraram os manifestantes na sala das sessões, precedidos pela banda de música do 1o batalhão de infanteria. (…)" –
O Paiz, 15 de maio de 1888
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Fonte: www.escoladeartecapoeira.com.br

"Lei 3.353 de 13 de Maio de 1888 Declara Extinta A Escravidão no Brasil".