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RJ: espetáculo “Água de Beber”

Selecionado para o 8º Festival Premiers Pas, em Paris, o espetáculo “Água de Beber” volta ao Rio de Janeiro, de 12 de outubro a 4 de novembro, no Teatro Maria Clara Machado, no Planetário da Gávea.

Baseado no livro “Santugri: contos de mandinga e capoeiragem”, de Muniz Sodré, seis atores-músicos-capoeiristas levam ao palco música ao vivo, dança e teatro, encenando pequenas histórias que giram em torno de fatos históricos sobre a marginalidade no Rio de Janeiro no final do século XIX como um convite à reflexão sobre os mitos e segredos da capoeira e sobre a nossa identidade cultural.

Endereço:Teatro Maria Clara Machado – Planetário da Gávea – Rua Padre Leonel Franca – 240 – – Gávea

Horário:Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h.

Faixa de Preço:R$ 20,00.

maiores informações:
Conheça mais em nossa pagina do Facebook:  https://www.facebook.com/aguadebebercamara

curta e compartilha nossa capoeira não pode parar…. Axé!!!!

De Chica da Silva à Pelé: O Negro Sem a Terra

PALMARES, UM PROJETO DE NAÇÃO: DE CHICA DA SILVA À PELÉ: O NEGRO SEM A TERRA

“A imaginação de construção da nação brasileira ficou restrita à terra, à sua posse, à distribuição e ao seu usufruto pôr uma etnia dominante”
(Luis Mir).

Este escrito é como que um ensaio a algumas considerações a serem feitas a respeito da obra de dois séculos a trás – a Transposição das Águas do São Francisco – já em meio-andamento meio-suspensa. Aquele canal é a primeira e a mais importante porta para a última e permanente das fronteiras agrícolas do Brasil. Tenho me referido ao último dos mercados nacionais do Mundo: a população negra. Todos os ciclos econômicos do Brasil foram queimados sem o negro. Salvo a industrialização, em um período breve, mas proveitoso. De todos os ciclos econômicos o negro não participou (se quer como consumidor privilegiado de algo) porque não teve Terra. Esta nova fase da agricultura permanente é inimaginável pensar-se o negro excluído da Terra.

O negro sem a terra ficará a mercê dos favores das atividades marginais. Do negro acabaram com a alforria; botaram no lugar o “direito-a”, ou seja pulou de Chica da Silva para “Pelé”. Um e outro tão atolados no dinheiro, quanto sem rumo – porque a ambos não foi dado a terra, – não tiveram “a” origem, portanto não tiveram para onde voltar. Antes até mesmo da educação terá de ser a Terra. A educação deverá ser atitude dele, negro. Antes de tudo, a indenização, composta de duas partes – a) terra; b) dinheiro, em espécie; e uma conseqüente – assistência técnica-comercial em diversas faixas e longo tempo, (calcadas na experiência para com os imigrantes europeus e japoneses, principalmente).

Chica deu aos filhos educação esmerada: da batina a passagem por academias romanas. Ainda assim tiveram o desfecho próximo ao do filho de Pelé: dos quatro filhos homens de Chica, de um sendo padre, dos outros três a debateram-se para ingressar no seio da nobreza – é tudo quanto se sabe; das 9 mulheres a maioria tornando-se freiras, não deixaram pegadas diferentes dos rastros das outras quatro, no que pese a educação de proa em colégios internos católicos. Tudo o mais foi o “sem-eira-nem-beira”, de quem não tem a terra; assim também não é discutido o filho do Pelé além das fronteiras de um princípio constitucional tão ilegítimo, perverso quanto irreal – o de que “todos são iguais perante a Lei”: São iguais os que têm a terra e desiguais os que não a tem. Todos nós sabemos o destino dos Pedro de Almeida, desde 1685, porque tiveram terra, nasceram com “o pé na Terra”, tinham para onde voltar a cada mexida na vida. Tinham a origem e na origem encontravam a própria origem – primos, tios, avós, amigos de infância com interesses comuns. Pelé e Chica, cada um a seu tempo, foi sorteado, no “regime da antiga quota” para servir de “cala-a-boca”. Quem de nós não ouviu o pito – ” racismo? que nada, olhe o exemplo de Pelé”. Vamos resumir algumas genealogias e seus fatos.

 

– ‘Séc. XVII, Henrique Dias, o “gov. dos pretos” e o Gov. Souto Maior, ambos lutaram para destruir Palmares. Da árvore Souto Maior, não preciso falar – estão entre fazendas e palácios -; e os “herdeiros Henrique Dias” – onde estão? Com certeza nalguma favela, ou dizimados, entre os Séc. XVII e XVIII, talvez nem chegaram ao Séc. XIX.

– Por que foram dizimados, bem antes, ou estão nalguma favela?

– Porque Não tiveram terra. Na família, é preciso dentre seus membros, uma parte considerável tê-la. É a referência, é para onde se possa “voltar”, num dado instante da vida, encontrar seus iguais.

– Por que não tiveram, se as terras de Palmares foram loteadas entre seus destruidores? Se o pagamento de tudo era a terra? Se todos os outros, de comandantes a soldados, a tiveram?

– Henrique Dias sendo negro não podia ter terra. Ainda hoje, o negro não pode! Sob mil disfarces, mas não pode. Há notícias de que ainda há demanda judicial inacabada com as terras de Palmares. As demandas de Jorge Velho, por mais e mais terra, chegaram à Republica. Não há um único processo, levantado até agora, envolvendo o negro Henrique Dias. Como não há registro de um palmo de terra destinada aos comandantes dos “Batalhões dos Henriques”. Por que? – Por ser negro!

 

Séc. XVIII, alguns dados sobre Chica da Silva – alforriada no pé do altar pôr e para unir-se a João Fernandes. Diziam do Contratador ser mais rico que o Rei de Portugal.

– Chica ficou viúva com muito dinheiro, tinha muita capacidade para ganhar dinheiro, porque não comprou terra? Não comprou porque não podia, não podia por ser negra. De Chica viuva – “negra alforriada não podia casar com seu senhor”; mas sem casar não poderia pertencer à irmandade religiosa dos brancas – Chica pertenceu às três: dos mulatos, dos pretos e dos brancos. Sem casar teria sepultura comum – foi sepultada na Igreja de São Francisco de Assis, em Tijuco, irmandade reservada à elite senhorial branca. O não casamento de Chica poderá ter sido artifício para tomarem-lhe a herança.

PONTINHA, uma ponte pequena? Lá isso não, uai! – OMILAGRE DA TERRA.

– Séc. XVIII, CHICO REI, também alguns dados. De Chico Rei sabe-se, com certeza tinha irmãos e parentes muitos. A história do ouro carregado nos cabelos é enganação, todos os negros tinham cabelo. E os donos das minas, seus capitães, eram o que foram, o que são: Chico Rei também foi sorteado na política da antiga quota, como “cala-a-boca”.

Um endereço, uma História: Há em Minas um lugar chamado PONTINHA, antes um lugar de Diamantina, hoje Município de Pompeu. “Esta pontinha de terra” a Padroeira vendeu a Chico Rei, pelo Padre Moreira. O Padre Moreira fez os documentos como sendo para uns parentes dele (padre) que haviam de chegar de Portugal, e para não ter desconfiança, deu o nome a todos de Fulano, Sicrano, MOREIRA… Antes da queima de Rui “pegou fogo” o cartório onde tinha a escritura dos MOREIRAS…. Dona Mariquinha, viúva dum figuraço, ainda moça, por amancebia entre os Moreiras, tomou-lhes as dores (pelo seu “pedacinho de ébano” diziam as más línguas), arranjou novos documentos, “tudo nos conformes”. E estão lá, para quem quiser ir conhecer. Com o advento do Estatuto da Terra, 1964, pouco tempo depois grileiros contumazes quiseram tomar Pontinha dos Moreiras. Alguns deles foram levados a Brasília… um outro padre, falavam do Dep. Monsenhor Arruda Câmara, de Pernambuco, os socorreu. Ainda apareceram falsas escrituras, noticiou-se muito este fato…. Estão lá os Moreiras, pé na Terra.

Séc. XX # XXI, Pelé pôde ter o dinheiro que teve; pôde ser o que foi (embaixador do café, plenipotenciário, Ministro de Estado) pôde ter até banco, (sistema financeiro), não pôde ter terra.

Que se aponte um negro, em qualquer lugar do Brasil candidato a um outro “Rei da Soja”, com léguas e léguas de terra, metendo a mão no Banco do Brasil – pode ser de jogador de futebol a ganhador de loteria.

Na região do São Francisco, onde restou o maior número de lugares habitados por negros, (dos fugidos aos libertos), em todo o vale das culturas irrigadas, com todo o conjunto de obras feitas com dinheiro público, de cunho Estado, a população negra, que não perdera a terra, está sem poder usar água, neste tempo de duas décadas, a mais.

 

André Pêssego, Berimbau Brasil – SP/SP

 

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

Marília: Batizado traz mestre Joel para curso no Negro Fujão

Aconteceu: Marília, São Paulo: Batizado traz mestre Joel para curso no Negro Fujão
 
A presença do mestre Joel, atual presidente da Associação Brasileira de Capoeira (Abracap), foi a principal atração da 3ª edição do Batizado e Troca de Graduação do grupo Negro Fujão de Marília realizado domingo no distrito de Padre Nóbrega, na zona norte.
Segundo informou o co-organizador do evento, o instrutor Fábio Luiz Mattos Ribeiro, 20 anos, o ‘Dunga’, o mestre Joel aproveitou a passagem por Marília para ministrar um curso sobre capoeira regional e uma palestra a respeito do que é ser um mestre de capoeira.
“Nas caminhadas que o mestre faz pelo País e o mundo, ele notou que muita gente tem assumido a condição de mestre com pouco mais de dez anos de prática de capoeira”, lembrou ‘Dunga’. “Na verdade, esse título cabe para quem tem mais de 20, 30 anos”.
 
O instrutor disse ter ficado surpreso com a presença do mestre Joel entre os 150 capoeiristas participantes do evento – pelo menos 100 vieram juntos com ele da matriz do Negro Fujão, com sede em Guarulhos. Os demais foram alunos das filiais de Marília e Padre Nóbrega.
“Não é sempre que nós contamos aqui na cidade com personalidades tão importantes do nosso meio”, afirmou ‘Dunga’ que lamentou a participação de apenas dois monitores de outros grupos fixados na cidade. “Mandei convites para todos”, garantiu.
 
Filiais – Atualmente, o instrutor ministra as suas aulas em um barracão construído em sua própria residência na rua Leonel Benevides de Rezende, 325, no Santa Antonieta às 2ªs, 4ªs e 6ªs, das 19hs às 20h30 e aos sábados e domingos das 10 às 12 horas.
De abril de 2004 até fevereiro deste ano ele mantinha as atividades no Centro Comunitário do Poliesportivo “Nhô Constâncio”. “O apoio que tínhamos lá sumiu e aí decidir trazer as aulas para casa”, contou. A filial de Padre Nóbrega é dirigida por Eduardo Cândido da Silva, 25 anos.
 
Associação Brasileira de Capoeira – ABRACAP
Rua Dona Germaine Burchard 451 – 7 Andar – SP – Cep: 05002-062
Presidente: Mestre Joel

Literatura de Cordel – Zumbi e o quilombo de Palmares

HISTÓRIA DE ZUMBI E OS QUILOMBOS DOS PALMARES
Desde do princípio do mundo
que existe escravidão
e a África forneceu
de negros grande porção
todos vendidos no mundo
pra aumentar a produção.
Além de escravizarem
os índios tão cruelmente
e o pobre negro também
pacífico e obediente
que trabalhava obrigado
ao chicote e à corrente.
Os negros eram vendidos
como qualquer animal
pra trabalhar nos engenhos
fazenda ou canavial
para manter dos senhores
a riqueza colossal.
Negro não falava alto
e não tinha garantia
tinha somente o dever
de trabalhar noite e dia
sem sossego e sem descanso
na maior selvageria.
E ali não se indagava
se eram seres humanos
reinava o preconceito
dos senhores desumanos
que castigavam os escravos
com castigos mais tiranos.
Não acreditavam que
escravo tinha coração
separavam pais e filhos
a irmã e o irmão
sem a menor piedade
sem dó e sem compaixão.
Mas tudo tem seu limite
e assim pôde chegar
o momento que os negros
não puderam suportar
a dor e o sofrimento
e começaram alarmar.
Começaram dando gritos
de revolta e ironia
e na hora que encontravam
facilidade fugia(m)
internavam-se no mato
durante a noite e o dia.
Mas isso adiantava
muito pouco aos escravos
porque os seus senhores
com os seus jagunços bravos
traziam como se os pobres
fizessem grandes agravos.
Até que chegou o dia
de um a um entender
que uma só criatura
nada podia fazer
e muitas pessoas unidas
lutando têm que vencer.
Começaram fugir em grupos
todos espertos e atentos
fugiram para as florestas
formavam agrupamentos
pra ver se um dia acabavam
com seus grandes sofrimentos.
Destinados a todo custo
enfrentarem uma desgraça
e só por meio desse grupo
é que resistiam à caça
que os senhores faziam
por vingança e por pirraça.
A esses agrupamentos
davam o nome de quilombos
andavam juntos iguais
a revoadas de pombos
e quem enfrentava a eles
saía de lá aos tombos.
E houve muitos quilombos
de Norte a Sul do Brasil
tinha um mais resistente
perigoso e mais sutil
alcançou mais longa vida
e heroismo a mais de mil.
E mais de 50 anos
este quilombo durou
e durante este período
o governador lutou
junto aos fazendeiros
e nada disto adiantou.
Por mais de 30 quilombos
o Palmares era formado
medindo umas 30 léguas
de matas por todo lado
com cerca de 30 mil
pessoas era habitado.
Palmares tinha seus reis
um rei pra cada cidade
mas havia o rei dos reis
Gangazumba na verdade
esse vivia em Macacos
capital da majestade.
Cercado dos seus ministros
que lhe davam bons conselhos
pra falar com Gangazumba
só se falava de joelhos
um homem de pele preta
de sangue e olhos vermelhos.
Em Palmares havia leis
com ordens e disciplina
um exército fortificado
pra não cair em ruína
e quando morria um chefe
outro assumia a rotina.
Veio muitos lutadores
no tempo dos holandeses
e os negros combatiam
fazendeiros portugueses
nas armadilhas dos negros
os brancos eram fregueses.
Durante uns 50 anos
houve muita guerra fria
negros não tinham sossego
enfrentando rebeldia
em busca da liberdade
lutavam de noite e dia.
Veio Domingo[s] Jorge Velho
e também Gomes Carrilho
enviado dos holandeses
seguindo do bosque o trilho
os escravos brigavam unidos
tio, sobrinho, pai e filho.
1655
data de muita esperança
quando os escravos lutavam
sem ter ódio e sem vingança
a fim duma liberdade
que quem luta sempre alcança.
Todos escravos lutavam
sem se arredarem dali
dizendo ao inimigo
se for forte venha aqui
e nesse ano nasceu
o futuro chefe Zumbi.
Num dos 20 mocambos
daquela localidade
do quilombo dos Palmares
terra da Felicidade
nasceu Zumbi a esperança
de toda comunidade.
Comunidades quilombolas
cobertas de matagal
desde a Serra da Barriga
à zona do litoral
até próximo a Garanhuns
sofriam do mesmo mal.
Nesse ano ali chegou
uma grande expedição
mandada contra Palmares
com armas e munição
para vencer os escravos
ou lhes dá voz de prisão.
Mas não puderam vencer
aquela luta renhida
prenderam entre outra presa
uma cria recém-nascida
era o garoto Zumbi
no primeiro ano de vida.
Por incrível que pareça
este garoto foi salvo
por um expedicionário
um soldado alto e alvo
que trouxe o menino e deu
ao padre de Porto Calvo.
E o padre que era humano
de bondoso coração
dispensou ao pretinho
uma amorosa afeição
foi criando e foi-lhe dando
cuidadosa instrução.
Para ser religioso
se dedicou sem porém
aprendeu bem o Latim
e o Portuguës também
e muitas outras matérias
pra ser um homem de bem.
Com 15 anos de idade
o Zumbi abandonou
ao padre de Porto Calvo
para Palmares voltou
e foi legalmente livre
de alegre ele vibrou.
A sua ascensão política
veio na flor da idade
assumiu a direção
de uma comunidade
denominada mocambo
Zumbi foi autoridade.
Zumbi com 15 anos
ainda quase menino
recebeu um grande posto
por capricho do destino
e ficou sendo o maioral
do estado palmarino.
Ele era o chefe máximo
em cima daquela serra
era o grande comandante
feito o ministro da guerra
pra defender sua pele
sua gente e sua terra.
Nesse tempo houve uma série
de derrotas militares
o prestígio de Gangazumba
abalou por todos lares
e Zumbi foi nomeado
comandante dos Palmares.
Naquele mesmo tempo
Zumba foi assassinado
pelas mãos de seus ministros
isto assim foi comprovado
e Zumbi assumiu o posto
que Zumba havia deixado.
Com a morte de Gangazumba
as pazes foram frustradas
com o poder colonial
e Zumbi sempre às caladas
planejava uma guerra
com o povo de mãos armadas.
E Zumbi logo tornou-se
um "revolucionário"
formou uma ditadura
executou os falsários
os aliados de Ganga
que lhe seriam contrários.
Fortificou os principais
mocambos destes lugares
transferiu populações
com seus planos militares
e 10 anos moveu guerra
no quiombo dos Palmares.
Essa guerra era implacável
ao poder colonial
Zumbi era o comandante
com sua força brutal
em busca da liberdade
para seu povo em geral.
Atraiu o inimigo
com sua força sensata
e levou as suas tropas
para a Zona da Mata
e os negros ali faziam
verdadeiro mata-mata.
E faziam nas fazendas
uma rápida invasão
com suas tropas armadas
e levou à perfeição
a tática de Gangazumba
para ser mais valentão.
Ele se valia das
manobras e emboscadas
fazia espionagens
aparições inesperadas
e com isso todas tropas
inimigas eram lesadas.
Zumbi enfrentava a luta
sem desânimo nem fadiga
findou atraindo as tropas
para Serra da Barriga
a capital fortificada
contra as forças inimigas.
E ali enfrentou mais forte
a força colonialista
que era irregular
comandada pelo paulista
Domingos Jorge Velho
que não saía da pista.
Domingos Jorge que veio
junto a seus militares
infligir uma derrota
lutando junto a seus pares
previa ver uma queda
definitiva em Palmares.
Palmares era protegido
por uma forte barreira
uma muralha segura
de pedra, barro, madeira
e nem um tropa inimiga
rompia aquela trincheira.
Jorge Velho descobriu
que a muralha era cercada
por valados e estrepes
não permitindo a entrada
e foi procurar um meio
pra fazer sua cilada.
E assim aconteceu
numa noite de neblina
ele achou a solução
pra sua fúria ferina
levantando outra muralha
pra ver a carnificina.
Levantou a contramuralha
feita em diagonal
que esta lhe protegesse
do fogo do seu rival
na madrugada atacou
com o seu bando infernal.
Ele atacou com as armas
com o ódio e a vingança
nos combatentes palmarinos
ele fez grande matança
matou também as mulheres
animais, velho e criança.
Zumbi tentou escapar
num valado descoberto
e Deus protegeu a ele
dando-lhe o caminho certo
quando morreu encontrou
o caminho do céu aberto.
E Domingos Jorge Velho
o diabo carregou
botou ele nas profundas
nunca mais ele voltou
o branco ruim foi ao inferno
o preto bom se salvou.
O Estado palmarino
desta vez foi destruído
vamos dá viva a Zumbi
o herói preto e querido
que viveu sempre em guerra
pra ver seu povo abolido.
Agora falo no índio
que primeiro habitou a terra
a terra pertence a ele
mas seus direitos se encerra
e para ele viver hoje
é preciso fazer guerra.
Índio não tem egoísmo
nem luxo nem vaidade
ele precisa viver
na sua propriedade
e não viver como escravo
sem calma e sem liberdade.
Quando o índio está sofrendo
nem um branco lhe socorre
nas armas dos brancos ricos
sempre um pobre índio morre
enquanto o sangue do índio
na veia do branco corre.
Zumbi morreu sendo herói
recordista Brasileiro
venceu 40 batalhas
no tempo do cativeiro
e seu nome se registrou
na bola do mundo inteiro.
O índio vive na terra
honesto a sua pureza
não tem maldade consigo
mas vive na incerteza
lutando pelo que é seu
dado pela natureza.
Assim como o negro um dia
recebeu a liberdade
vamos deixar que o índio
viva em paz e à vontade
que ele é um ser humano
sem ter ódio e sem maldade.
Aqui eu termino os versos
de Zumbi o veterano
que enfrentou o exército
do governo pernambucano
e hoje é considerado
o herói alagoano.
Resta saber quem me ajuda
neste livro que escrevi
contando as fortes batalhas
do nosso herói Zumbi
que se fosse vivo hoje
estava com nós aqui.
(Em O cordel; testemunha da história do Brasil. Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa, 1987. Literatura popular em verso, antologia – nova série, 2)