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SÃO LUÍS: Escolinhas recebem kits esportivos e Material para prática da Capoeira

SÃO LUÍS – Alunos das 76 escolinhas de esporte, mantidas pela Prefeitura em vários bairros de São Luís, receberam materiais esportivos adquiridos com recursos do Projeto Movimento e Resgate Esportivo, premiado em 2007 pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA). Os kits foram entregues nesta segunda-feira (22) pelo prefeito Tadeu Palácio, em solenidade que reuniu, no Parque do Bom Menino, instrutores e alunos das escolinhas e pais das crianças e dos adolescentes. O projeto foi novamente aprovado este ano pelo Conselho para aquisição de kits em 2009.

Durante o evento o prefeito Tadeu Palácio anunciou para este mês a inauguração de quatro academias de ginástica, no Parque do Bom Menino e na Via Park Rio das Bicas (Avenida dos Africanos). Serão duas academias para adultos e duas para pessoas da terceira idade, todas equipadas.

O Projeto Movimento e Resgate Esportivo foi selecionado pelo CMDCA e recebeu recursos no valor de R$120 mil do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente para a aquisição de materiais esportivos para a escolinhas que atendem hoje cerca de 4.500 nas modalidades de futebol de campo, futsal, handebol, vôlei, basquete, karatê, natação, judô, capoeira e atletismo. Os kits possuem bolas para as várias modalidades, coletes, calções, meiões, chuteiras e redes. As escolinhas também receberam cones e as de capoeira, instrumentos de percussão para as aulas.

O secretário da Semdel, Miguel Pinheiro, destacou a parceria mantida com os instrutores das escolinhas para o sucesso do projeto que, a partir da prática esportiva, promove a proteção integral de crianças e adolescentes com idade entre 6 e 17 anos. Com o desesvolvimento dessas ações, o índice de repetência nas escolas públicas da rede municipal de ensino, cujos alunos participam do projeto, reduziu de 50% para 4%.

Para o instrutor de karatê da escolinha da Vila Palmeira, mestre e faixa preta Rubens Almeida, com a participação nas atividades esportivas os alunos tiveram melhor desempenho na escola formal. "Os pais nos procuram para contar o quanto os filhos melhoraram. O karatê desenvolve não apenas a técnica, mas também o equilíbrio emocional e a disciplina, por isso o aluno passa a ter melhor rendimento em tudo que faz", afirmou o instrutor. "Sempre quis fazer karatê, mas meus pais não tinha condições financeiras de pagar uma academia. Quando soube da escolinha no meu bairro pedi para minha mãe me inscrever. Como para freqüentar as atividades esportivas precisava estar bem na minha escola, me dediquei muito mais", contou o estudante Lucas Saraiva, 13 anos, morador da Vila Palmeira e aluno da 6ª série da Unidade de Educação Básica Rio Grande do Norte.

A presidente do CMDCA, Ilvaneide Keila Ferreira, explicou que dos 18 projetos selecionados pela entidade no ano passado, 16 foram da sociedade civil e dois da Prefeitura que ganhou o concurso também como o projeto "Vincular: um lugar em família", desenvolvido pela Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas). A secretária do órgão, Leila Brandão, disse que a iniciativa beneficiou o Lar Dom Calábria e o Educandário Santo Antônio, ambos conveniados com o município. "Lugar de criança é na família, pois o abrigo é um local para a criança ficar de forma temporária e excepcional", afirmou. Leila Brandão disse que por meio do projeto, que foi novamente selecionado pelo CMDAC para 2009 e que vai atender quatro abrigos, os técnicos da secretaria procuram fortalecer os vínculos familiares das crianças para que retornem para suas famílias.

Rainha do Engenho é declarada utilidade pública por vereadores na Câmara de Paulínia

A entidade atende 320 crianças e passará a firmar acordos e convênios para fins sociais

Foi aprovado na última terça-feira ,1°,na Sessão da Câmara Municipal, o projeto de lei do Vereador Francisco de Almeida Bonavita Barros, que declara de utilidade pública a Associação Educacional Cultural de Capoeira Rainha do Engenho.

A Associação é uma entidade sem fins lucrativos e faz parte do Projeto Anastácia, que surgiu da necessidade de realizar uma atividade física, cultural e sócio-educativa, utilizando o aprendizado dos jogos de capoeira com crianças, adolescentes e adultos, sem distinção de idade, raça, cor, religião, classe social, formação cultural como também a inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais.

São 320 crianças atendidas no projeto . Segundo Domingos Anastácio de Brito, presidente da Associação, “Estamos sempre lidando com crianças problemáticas e o objetivo é tirar as crianças e adolescentes das ruas e do convívio com drogas e bebidas”, diz ele.

Com a declaração de utilidade pública, a Associação passa a promover intercâmbios e firmar convênios e acordos com pessoas físicas e empresas, objetivando os fins sociais. Também passaria a receber uma verba da prefeitura e participar de Conselhos da Criança e do Adolescente ,existentes na cidade e no Estado. “ Até agora, o projeto vive somente com a doação de empresários, pais de alunos, autoridades locais e estaduais e agora esperamos muito receber essa verba, mas o mais interessante é poder firmar convênios e participar de conselhos”, completa.

A instituição conta com uma equipe de profissionais como educador social, contra mestre, e mais quatro instrutores. A triagem dos alunos é feita por uma assistente social a partir do pedido dos pais ou familiares, que solicitam a presença de um dos representantes e em cima do problema de cada criança é elaborada uma aula específica.

As aulas de capoeira são ministradas em diversos núcleos, inclusive na sede que fica na Rua Carlos Gomes, 493, no bairro João Aranha. Para maiores informações, falar com mestre Domingos ou com Maria da Guia pelos telefones 3933.2783/ 9242.2647/ 8152.1873 ou pelo site www.capoeirarainhadoengenho.com.br.

Por Alethea Patrícia

Paulinia news

Rio Grande/RS: Projeto “Jogando Capoeira”

Projeto "Jogando Capoeira" contempla jovens no BGV

Os jovens de 5 a 17 anos do bairro Getúlio Vargas (BGV) estão aprendendo a arte da capoeira levando os estudos a sério. Trata-se do projeto "Jogando Capoeira", que é executado no bairro pelo mestre Saci e o monitor Setenta. O projeto é gratuito e conta com 25 alunos.

O mestre Saci comentou que o projeto dá oportunidade dos jovens se integrarem com a comunidade através do esporte, além do conhecimento de uma nova cultura.

Este é o primeiro ano do projeto no BGV, em anos anteriores, o projeto foi executado em outros bairros da cidade. Para 2008, o projeto deve ser executado no bairro Dom Bosquinho. Atualmente, no bairro Getúlio Vargas, o projeto conta com 25 alunos, devido ao espaço que foi cedido pelo presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Getúlio Vargas, José Assis da Luz.

As aulas acontecem às terças e quintas-feiras e junto com elas são oferecidas oficinas de berimbau e atabaque – instrumentos tocados quando o esporte é praticado. Como forma de incentivo aos estudos, os coordenadores prometeram um berimbau aos jovens que apresentassem nota dez em todas as matérias da escola.

"A capoeira é uma maneira de ajudar as crianças a praticarem um esporte, resgatando-as de algumas coisas negativas que jovens nessa idade podem se envolver", disse o mestre Saci, que tem 21 anos de capoeira e é mestre há dois anos. O mestre completou dizendo que não é cobrado nada para os jovens interessados, mas a presença dos pais é solicitada. "Cobramos apenas a presença dos pais, que é o maior incentivo que esses jovens podem ter", encerrou Saci.

Atualmente, o projeto "Jogando Capoeira" tem suas aulas ministradas na rua Mariano Espíndola (antiga rua 6), 196, no BGV.
Os telefones de contato do projeto são (53) 9959-5091 e 8406-1377.

Fonte: Jornal Agora – José Finkler – http://www.jornalagora.com.br

Da Marginalidade ao Sucesso Internacional – Capoeira: Infância, Atividade & Saude

Da Marginalidade ao Sucesso Internacional a Capoeira vem cada vez mais se expandindo e ganhando adeptos pelos 4 cantos do mundo…
 
Há menos de um século a capoeira era considerada prática marginal e hoje esta mesma "forma de expressão", esta "arma da cidadania", este nossa "arte malandra", ganhou relevância, se expandiu… Conquistou os sete mares… é claro que todo este processo foi sendo desenhado, forjado e articulado em "nossa" história recente… Através de figuras importantes dentro do universo capoeiristico e por que não dizer dentro do universo sóciol cultural brasileiro… Apenas com carater ilustrativo irei fazer menção a alguns nomes (sem desmerecer os que aqui não figurarem), são eles: Waldemar da Paixão, Daniel Coutinho, Vicente Ferreira Pastinha, Manuel dos Reis Machado, José Ramos Do Nascimento, Washington Bruno da Silva, Rafael Alves França, Annibal Burlamaqui, Agenor Sampaio, entre outros…
 
Fica como sugestão de leitura e pesquisa a importancia da globalização no processo de dissiminação da capoeira pelo mundo e a introdução no ambiente acadêmico (escolas e universidades), vale ainda ressaltar dentro deste contexto as palavras do grande Mestre Decanio: "A Capoeira é um ESCOLA de CIDADANIA"
 
Segue matéria recolhida do Jornal O Dia Online, do Rio de Janeiro, onde a CAPOEIRA é citada de forma muito positiva no processo de desenvolvimento infantil.
Luciano Milani
Criança ativa e com mais saúde
 
A prática de esportes não serve só para perder peso: é boa para a auto-estima e favorece a convivência social
 
Rio – Em tempos de Orkut e videogame, a garotada parece não querer mais saber de bola e bicicleta. Mas, apesar de toda a tecnologia, ainda não inventaram uma pílula que substitua os benefícios da prática esportiva. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), cerca de 50% dos meninos e 25% das meninas em idade escolar fazem atividades físicas.
 
“Estudos revelam que crianças e adolescentes ativos transformam-se em adultos não-sedentários. Com isso, eles ficam menos sujeitos a doenças, como obesidade, hipertensão e diabetes”, afirma o diretor do Grupo de Trabalho em Pediatria e Medicina Desportiva da SBP, Ricardo Barros.
 
Segundo especialistas, a prática de atividades esportivas é recomendada para crianças de todas as idades. Algumas modalidades, como natação, chegam a ser indicadas inclusive para bebês, a partir dos seis meses.
 
“A natação ajuda a desenvolver a musculatura, a melhorar a coordenação motora e a aumentar a capacidade pulmonar do indivíduo”, enumera o pediatra Antonio Carlos Turner, do Hospital Balbino, em Olaria. Para ele, a atividade deve ser escolhida de acordo com a aptidão da criança e ser praticada por 40 minutos, duas ou três vezes por semana.
 
APRENDENDO A PERDER
 
Tão importante quanto praticar uma atividade física, ressalta Ricardo Barros, é gostar da modalidade escolhida. Principalmente no caso dos mais novos. “Toda atividade física deve ser divertida e relaxante. Por isso, a escolha deve ser feita pelos futuros ‘atletas’ com o objetivo de sentir prazer e não de obter resultados”, salienta.
 
Mas os benefícios proporcionados vão além da prevenção de futuras doenças. “Através da prática de esportes, crianças aprendem a conviver umas com as outras e a dividir erros e acertos. Assim, passam a entender que regras existem para protegê-las e que, por isso, precisam ser respeitadas”, avalia a psicóloga Márcia Sampaio, do Hospital Memorial, no Engenho de Dentro.
 
A estudante Fernanda Madasi, de 13 anos, admite que mudou muito desde que começou a praticar CAPOEIRA, aos 10. “Antes de conhecer a capoeira, era muito tímida e preguiçosa. O esporte me deu disposição para fazer ainda mais exercício”, conta.
 
Já para Marcos Vinícius Passos, 8 anos, a prática do caratê serviu como válvula de escape. Ele diz que o pai resolveu matriculá-lo no curso porque sempre foi muito agitado e, pior, vivia implicando com a irmã mais velha, Jéssica. “Essa garotada tem uma energia que precisa ser canalizada. O mais impressionante é que o caratê melhora até o rendimento na escola”, afirma o mestre Genival Ferreira.
 
Quando o assunto é competição, porém, os pais precisam estar atentos para não exagerar na cobrança. “Os adultos devem estimular as crianças a melhorar o desempenho esportivo sem acirrar demais a competitividade”, explica Márcia Sampaio. Para ela, os pais devem ajudar os filhos a lidar com as frustrações.
 
Aos 10 anos, Marcelo Kogut já participou de dois torneios de tênis: perdeu um e ganhou outro. Embora reconheça que a derrota tenha sido ruim, não desanimou. “Fiquei triste quando perdi, mas, mesmo assim, treinei bastante para a outra disputa”, lembra. Para a mãe, Marta Kogut, a participação em um torneio, mais do que a fazer aces e voleios, ensinou o pequeno Marcelo a administrar vitórias e derrotas.
 
Em excesso, exercícios podem ser até prejudiciais
 
A prática de atividades físicas em excesso pode ser prejudicial à saúde dos mais jovens. “Criança também precisa ter tempo para ser criança. Se for da vontade dela, também é saudável passar um certo tempo sem absolutamente nada para fazer”, ressalta a psicóloga Márcia Sampaio.
 
Para que a criança possa recuperar a energia gasta, é recomendável que a prática de atividades esportivas não exceda duas ou três vezes por semana. O pediatra Ricardo Barros salienta que pais e médicos devem ficar atentos ao comportamento dos mais novos.
 
“Fadiga, sono excessivo, falta de apetite, alteração de humor, recusa em ir à escola e queda da performance no esporte são sinais de que o exercício pode estar sendo maléfico à saúde”, alerta.
 
A escolha da atividade pelos pais, e não pelas crianças, também deve ser evitada. “Às vezes os adultos influenciam os filhos e isso não costuma fazer bem porque o grau de exigência é grande, com objetivos pré-determinados. Nesses casos, a criança acaba abandonando o exercício”, diz Ricardo.
 
Apesar da pouca idade, Louise Vieira, 7 anos, se orgulha de ter escolhido a natação. Hoje, ela nada pelo menos três vezes por semana. “Ela pode até faltar à escola, mas não aceita faltar à natação de jeito nenhum”, brinca sua mãe, Graça Vieira.
 
Para Ricardo, alimentação saudável e ingestão de líquidos também são fundamentais para evitar danos à saúde. A prática de esportes deve ser sempre acompanhada de segurança e os limites individuais de cada criança, respeitados pelos pais.
  
FAIXA ETÁRIA
 
Cada criança tem características físicas e psicológicas próprias. Mas, de modo geral, algumas atividades são indicadas para determinadas faixas etárias.
 
ATÉ OS 6 ANOS
Atividades que envolvem brincadeiras e lazer. Não deve haver cobrança dos pais sobre aprendizado do esporte praticado.
 
DOS 6 AOS 8 ANOS
Atividades de iniciação para reforçar as habilidades específicas de cada criança. Natação, corrida, salto, futebol, capoeira, surfe e ginástica são algumas das atividades indicadas.
 
DOS 9 AOS 12 ANOS
Adequado para atividades que requisitam velocidade. Recomenda-se a prática de ciclismo e atletismo.
 
APÓS OS 13 ANOS
A partir dessa idade, os torneios e as competições já estão liberados. É necessário, porém, que haja prevenção contra lesões físicas e traumas psicológicos.
 

O 13 Que a História não contou

Treze de maio de 1888 passou para a história do Brasil como o dia em que teria se acabado a escravidão em terras tupiniquins. Depois que a pena da princesa anunciou por decreto que não mais haveria jugo, a população negra a partir de então seria livre, não teria mais senhorio e poderia viver com dignidade e igualdade.
 
Assim a escola me ensinou, assim eu aprendi e assim acreditei durante longos anos da minha vida. É certo que nunca entendi bem porque a Princesa Isabel, “A Redentora”, decidira tomar tal atitude contrariando os interesses dos que detinham o poder e entrando em sintonia com os anseios da subjugada população negra, de alguns poetas, intelectuais e políticos sonhadores que se diziam abolicionistas. Pensava: foi uma verdadeira revolução sem sangue feita por uma mulher de coragem.
O que a escola nunca me ensinou foi que à época, os negócios do açúcar brasileiro, que era a  principal fonte de riqueza nacional e onde estava alocada aproximadamente 90% da mão-de-obra escrava, iam de mal a pior. O açúcar da América Central era mais barato, mais próximo dos grandes mercados e de melhor qualidade que o nosso. Não dava para competir. Infelizmente só aprendi a  “História da Conveniência”, e Geografia Física onde os aspectos políticos e econômicos “não eram” de nosso interesse.
 
O imenso contingente de escravos tornara-se então um fardo para os senhores de engenho. Como sustentar esta ”horda” de homens, mulheres e crianças, mesmo sob miseráveis condições, diante de tal crise econômica? Era a pergunta que não se calava e que teve apenas uma resposta: Demissão em massa. Sim amigos e amigas, a demissão em massa foi a solução encontrada para os trabalhadores e trabalhadoras forçados que edificaram e sustentavam  a economia nacional. E foi a maior, mais cruel de todos os tempos e quiçá de todas as partes do mundo.
 
Foi uma demissão sem direitos trabalhistas, quando milhões de trabalhadores saíram do único abrigo que conheceram por toda a vida apenas com seus míseros pertences e a roupa do corpo. E não tinham direito a ficar se quisessem. Só os mais aptos ao trabalho ou os que possuíssem alguma especialização foram mantidos como empregados, apenas pelo interesse do seu senhorio capitalista. Esta demissão teve um nome bonito: Lei Áurea.
 
Antes dela, porém, vieram outras da mesma forma convenientes aos interesses da classe dominante. Vejamos: A primeira foi a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que proibia o tráfico. Como a Inglaterra na prática já havia decidido interceptar e apreender os navios negreiros, libertando os escravizados, então, foi uma lei inócua.
 
A segunda, a Lei do Ventre Livre, 1871, serviu apenas para diminuir a pressão social dos abolicionistas. Ela não tinha aplicação prática, pois, como a criança pode ser livre com pais escravos? Será que ela, a criança, teria escola,  moradia digna e cidadania enquanto seus pais estavam nas senzalas? Ela, que ainda seria tutelada até a idade de 21 anos pelos senhores de seus pais, teria vida de cidadã ou de escrava?
 
A terceira, a Lei dos Sexagenários, 1885, foi a mais perversa de todas, pois a expectativa de vida do cidadão livre à época era de 60/ 65 anos e a do escravo 32/40 anos. Eram raros os que chegavam à idade contemplada pela lei. Era muito difícil ter o controle da idade exata do escravo. Ainda hoje não são poucas as pessoas que não possuem registro de nascimento. Então, se o negro estivesse apto ao trabalho, forte, com boa saúde, era fácil dizer que ele ainda não tivesse alcançado a idade prevista pela lei. Porém se ele estivesse doente ou imprestável para o trabalho, nada mais cômodo que conferir-lhe os 60 anos e mandá-lo embora.
 
Após a “libertação”, o imenso contingente “livre”, dentre os quais estavam os  fracos, doentes, velhos, crianças e outros “excedentes”, foi enxotado de uma hora para outra para o olho da rua. Não havia uma política agrária nem instrução pública e gratuita para os libertos, como defendia Joaquim Nabuco. Você já parou para refletir sobre as futuras condições de vida dos(as) que foram “libertados”? 
 
  • Onde iriam morar?
  • Como iriam sobreviver?
  • Iriam ser respeitados de uma hora para outra como cidadãos e cidadãs?
  • Que tipo de oportunidades a “sociedade” que eles construíram ofereceria para que esta gente construísse sua vida?
     
  
Não é preciso ser especialista em sociologia para responder a estas indagações. Mas onde foi parar esta gente escorraçada das ruas das cidades por “vadiagem”? Que não tinha trabalho para sustentar a si nem a sua eventual família, nem moradia digna? Foi parar na periferia das cidades, morando em casas(?) miseráveis, sem esgoto, luz, água tratada, lazer, trabalho, educação, saúde, dignidade… Onde permanece, em sua grande maioria, até os dias atuais. Alguma semelhança com a Rocinha, Alagados, Pela Porco, Buraco Quente, Vigário Geral, Jardim Felicidade, Vila Zumbi, não é mera coincidência.
 
Morros, favelas, invasões, palafitas; ícones da desigualdade social convivendo lado a lado com o progresso, o conforto, a saúde, o lazer, a educação, o trabalho, a vida digna. Morros, favelas, invasões, palafitas; locus do subemprego, da miséria, da violência, da informalidade, da contravenção, da exclusão, da fome, da morte em vida, da vida que finda a mingua, da injustiça social… Vergonha nacional.  Nova versão do antigo jugo escravocrata, quilombos urbanos do século XXI.
 
 
* Acúrsio Esteves é professor da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, Faculdades Jorge Amado e FACDELTA, em Salvador, Bahia. É também autor do livro A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento e de Pedagogia do Brincar em parceria com a professora Disalda Leite.
 
Contactos: (71) 9946-4743  /  (71) 3233-9255   –  
acursio1@gmail.com

PESQUISA: O COMPORTAMENTO DOS PAIS EM RELAÇÃO À PRÁTICA DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

APRESENTAÇÃO DOS DADOS DA PESQUISA
 
Realizamos durante o primeiro semestre do ano 2006, 100 entrevistas com pais ou responsáveis por crianças de 03 à 06 anos de idade que freqüentam unidades de educação infantil municipais e particulares dos municípios de Santo André/SP, São Bernardo do Campo/SP e São Caetano do Sul/SP. Adotamos o método qualitativo descritivo, formulando perguntas que nos esclarecessem a realidade quando os pais optam pela atividade física que o filho irá praticar na escola de educação infantil e também na visão ou idéia que fazem da capoeira e seus benefícios. Ou seja, como estes pais pensam a respeito da arte capoeira e seus mestres/professores dentro da educação infantil e como se comportam ou influenciam nas escolhas esportivas de seus filhos.
 
Dos dados coletados nas pesquisas, estabelecemos as seguintes categorias de análises e interpretações:
MODALIDADES ESPORTIVAS OFERECIDAS PELAS INSTITUIÇÕES
ATIVIDADES QUE DESPERTAM MAIOR INTERESSE DAS CRIANÇAS
A CONCEPÇÃO DE CAPOEIRA
O PROFESSOR DE CAPOEIRA
A PRÁTICA DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
 
Análise e Conclusão
 
Após analisarmos os dados concluímos que estamos diante de um fenômeno revolucionário dentro do universo da capoeira com as suas adaptações dentro da sociedade e em especial no cenário da educação infantil (primeira infância que contempla dos 02 aos 06 anos de idade). Em dado momento ela estava nas senzalas e era a arma dos negros escravos para alcançarem a liberdade. Passou então por uma fase de marginalidade onde ser capoeirista, significava pertencer a alguma malta ou bando e estar sujeito a penas como prisão ou deportação. Hoje vive um cenário promissor ganhando o planeta e tendo como resposta o trabalho pedagógico através da prática biopsicossocial.
 
Com a sua transição, e acompanhada de figuras ilustres como Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Annibal Bulamarqui, Mestre Waldemar da Liberdade entre outros, a capoeira se tornou uma poderosa ginástica e um método de ensino que levava à sociedade disciplina e saúde. Mesmo que influenciada por um conceito higienista (defesa da educação física nas escolas para a eugenização da raça brasileira, implantação de hábitos saudáveis, salientando o seu aspecto simbólico, cultural e histórico)
 
Então, o Presidente Vargas derruba o decreto que fazia da capoeira um crime e transpõe a sua prática para instituições de ensino e ambientes fechados. Ela ganha as escolas, as universidades as instituições militares. Mas como fazer com que se adequasse a estes novos ambientes? Ambientes estes em geral distintos às senzalas e navios negreiros, as ruas e praças. E isto, ainda, sem perder suas raízes e seus fundamentos.    
Enxergamos então, com base nestes estudos e pesquisas a habilidade e a criatividade dos educadores sociais (mestres/professores de capoeira) em propagar a capoeira e utilizá-la como ferramenta pedagógica e de inclusão social . A sua história está entrelaçada com as raízes da escravidão e a sua prática é algo mágico para quem realiza e belo a quem admira.
 
Nas escolas de educação infantil, a capoeira ganha o respeito e a admiração das crianças. Notamos que de fato, isto se deve muito à didática e a metodologia do professor que está dirigindo a modalidade. Contudo, uma roda de capoeira é singular, é única. E neste espaço a criança se alegra, salta, gira e retira deste momento o melhor resultado.
 
A aceitação da capoeira, pelos mais diversos meios da sociedade, melhorou nos últimos cinco anos e ainda não sabíamos em que ponto isto se encontrava. Certamente, até mesmo para nossa surpresa, as respostas concedidas nas pesquisas realizadas pelo nosso projeto, nos levaram a concluir que os pais acreditam nos benefícios físicos e sociais através da prática da capoeira. E que certamente a cultura ainda é muito valorizada, apesar de sofrer enormes transformações de caráter e conteúdo.
 
Não cabe a nós, descartarmos o preconceito, embutido em nossa sociedade e que certamente ainda dificulta o trabalho de muitos professores e mestres. Não só na capoeira, mas com diversas manifestações que construíram a herança cultural do povo como o maculelê, o samba de roda, a puxada de rede as danças regionais como o carimbó, a catira e o maracatu, enfim; uma série de temas trabalhados juntamente com a herança cultural dos africanos que proporcionam ao professor de educação corporal um “arsenal” de brincadeiras e possibilidades. Em dados momentos na análise das respostas, isto ficou evidente, porém em pequeno percentual (cerca de 18% das respostas)
 
O processo de explicitação do valor da capoeira e de suas tradições se faz necessário e afirmamos que é até importante para a sua riqueza enquanto cultura e não produto de consumo em massa. Cabe ao educador de capoeira quebrar com este paradigma e sanar dúvidas e até mesmo sofismas que estão “embutidos” no imaginário popular; o chamado inconsciente coletivo.
 
As construções de idéias e conclusões por parte da sociedade dependem muito do que estes enxergam na mídia e, alguns programas exibidos em canais abertos e fechados de televisão recentemente para a população, já associam a capoeira com educação e isto certamente influenciou os pais nas respostas de caráter qualitativo que obtivemos com nossas pesquisas, já que alguns até comentaram a nós que haviam assistido algo sobre capoeira relacionado com educação e inclusão social em programas de televisão.
 
Certamente, o trabalho de alguns mestres e professores, com qualidade e realizando bons eventos, também contribuiu para a melhoria no campo de inserção da capoeira. Isto servirá como base para que futuramente outros professores possam ter o reconhecimento de sua profissão como mestres de capoeira e/ou educadores de capoeira sem sofrerem preconceito ou discriminação.
 
Conseguimos ainda concluir que a imagem do mestre/professor de capoeira está ligada a disciplina e sabedoria. Quebrando um padrão “marginalizado” e que sempre associou a capoeira com “malandragem”. Cerca de 80% dos entrevistados fizeram associação dos professores de capoeira com palavras como “educação” e “disciplina”. Não alvo de nossa pesquisa, mas nitidamente notado, foi a diplomação do capoeirista no ambiente acadêmico. Buscando agregar aos seus conhecimentos novas perspectivas biológicas, humanas ou sociais.
 
Aulas de Capoeira na Educação Infantil / P.B.F São Bernardo do Campo/SPContudo, a capoeira ainda precisaria ser implantada por um número maior de escolas e unidades de educação infantil em razão da promissora mão-de-obra existente no mercado, pois apenas 30% dos entrevistados reconheciam a modalidade na escola em que seus filhos lecionavam. Talvez a construção de bons projetos nesta área, publicidade ou até programas de incentivo, poderiam proliferar o número de escolas de educação infantil que optariam pela prática da capoeira. Este processo, de certa forma foi identificado, pois no último ano a procura por professores de capoeira nas unidades de Educação Infantil quase triplicou com base nos coordenadores e proprietários que nos procuram para implantar o projeto de capoeira nas suas instituições. Que este estudo seja capaz de apontar ao profissional que lida com capoeira a missão que está sob sua responsabilidade. Preencher os espaços que estão nos abrindo e ainda conscientizar educadores e coordenadores pedagógicos da importância de nossa arte dentro do universo educacional. Uma arte que ganha espaço a cada dia, mas que precisa ser muito bem conduzida para não perder a direção em que caminha.
 
Adeus, Adeus! Boa Viagem
 
Pesquisa Realizada pelo Projeto Beija-Flor Capoeira Para Todos
Data: Março de 2006 à Agosto de 2006
Responsáveis pela Pesquisa de Campo
Ricardo Augusto da Costa
Rodrigo César Gomes da Silva
Análise Prof. Cristiane Guzzoni
 
Para obter a pesquisa da integra enviar pedido no e-mail: beijaflor@portalcapoeira.com
Visite: http://bfcapoeira.vilabol.com.br

A Capoeira e as Crianças: Renovação e Alegria

Hoje se comemora o dia da criança. Precisamos de data certa para comemorar quase tudo. Além de toda a festa e animação proporcionada pelo período, vem à mente daqueles que um dia também já foram crianças uma série de lembranças e saudades que somente quem as viveu sabe dá o devido valor.
 
Momentos únicos que não voltam mais. Amigos, lugares, estradas, objetos, situações que ficam guardadas em algum lugar confortável das nossas memórias.
 
Tempos bons àqueles onde não sentíamos o peso do mundo. As responsabilidades e desafios que o tempo joga nos braços de todos…
 
Fase em que tudo se torna superlativo, enorme… Onde o sentimento de proteção era evidente… Daqueles amigos de infância que hoje só guardamos aquela última imagem durante uma brincadeira… Onde estará aquela tranqüilidade, que surgia no fim de cada noite, sem ter nenhum “abacaxi” para se resolver no outro dia…?
 
                                     Ah… que saudade da infância!
 
Onde o sentimento de proteção era evidente… Daquela paixão de infância… Saudade de ser criança onde se faziam amizades de forma rápida e duradoura sem usar de critérios preconceituosos ou absurdos que os adultos possuem…
 
Tempos em que a maior preocupação era encontrar outro motivo para brincar ainda mais… Saudades de brincar no quintal do melhor amigo o dia inteiro e repetir tudo no outro dia… de subir em árvores mesmo com a bronca dos pais…
 
Mas nem todas as crianças usufruem dessas realidades de brincadeira e alegria.
Fome, abandono, abusos… formam o dia a dia de muitas crianças em todo o planeta.
Ao som de um berimbau, crianças que um dia estiveram nessa situação de estar às margens da sociedade, aos poucos estão recuperando o sentido de ser criança novamente.
 
A inclusão social, o bom andar acadêmico e o respeito com os pais são os reflexos mais visíveis.
 
A Capoeira integra. Faz com que a criança aumente significativamente seus laços sociais e perceptivos e toma consciência do fator coletivo do qual ela faz parte.
 
Muitos são os projetos por todo o planeta que usa a Capoeira como ferramenta para a inserção das crianças no meio social. Pais e responsáveis por essas mesmas crianças estão em crescente confirmação de que a ginga é uma via saudável de bem-estar e de aumento do ciclo de amizades.
 
Algo que é cristalino como a água: o fator de renovação da Capoeira por intermédio dessa meninada. O objetivo de sempre é buscar a consonância com a realidade, os caminhos por onde a Capoeira irremediavelmente terá que percorrer. A evolução que está sendo discutida, mais de forma parcial e com interesses em anexo, não contribui em nada para o real crescimento sustentável da nossa arte-brasileira.
 
O brincar de uma criança é a manifestação pura da nossa arte-ginga!
 
Movimentos, embalos e canções que nos leva a um passado nem tão distante de leveza e sentimentos naturais embasados num pensamento de criança.
 
                         Ah, que saudade da infância!
 
Tempos onde queríamos ser adultos e hoje queremos voltar a ser crianças. Paradoxo que ninguém explica. Talvez por vivermos neste “mundo cão”, resta-nos, às vezes, mergulhar em todo aquele mar de ótimas lembranças que jamais sairão da mente… Cheiros, visões, sensações, lugares que fazem parte de um passado, mas que parecem intactos no nosso presente…
 
Mas tudo ocorre em seu tempo…. Todas as fases da vida nos ensinam algo que irá repercutir em todos os campos da existência de cada um… Isso acontece comigo, com você, meu camarada! Ninguém foge desta regra natural! O tempo é o senhor de tudo e de todos! Não há vitória se tentar lutar contra ele… Porém, uma aliança de boa convivência é possível e necessária.
 
É sempre bom lembrar de coisas boas! E vamos lembrar que as crianças de hoje, serão os futuros detentores do conhecimento da Capoeira de um amanhã cheio de expectativas. Elas serão as mensageiras de uma esperança restaurada, de uma Capoeira livre de parcialidades ou cânceres de alguns interesses pessoais. Uma Capoeira consciente e renovada a cada geração! Sempre preservando a memória daqueles que fizeram da Capoeira uma arte reconhecida e lutando todos os dias contra a visão marginal que a luta cultural carregava e que ainda hoje tenta se livrar de algumas manchas que alguns trataram de depositar em nossa expressão de cultura…
 
Vamos utilizar a simplicidade das crianças e sustentar de forma ampla e definitiva os preceitos e objetivos do sempre crescer da nossa arte Capoeira!
 
Fiquemos com as crianças e não com as infantilidades na arte de lidar com as responsabilidades!
 
O desejo é único: Felicidades e pensamentos que formem opiniões para as nossas crianças! E que a Capoeira seja sempre o parque temático desse universo que sucessivamente ganha novas cores no olhar de cada criança ao pé do berimbau.
 
Abraços fraternos, camaradas!
 
Shion

Gato de Botas, Crianças & Capoeira: Projeto comemora o 6º aniversário

{jgquote}Doutores da alma: Crianças atendidas pelo Gato de Botas em aula de capoeira: projeto comemora o 6º aniversário e já atendeu mais de 1,2 mil crianças, utilizando de diversas formas de interagir e fomentar a ludicidade nas crianças. Vale ressaltar a introdução da CAPOEIRA no projeto e suas mais valias como forte aliada no processo de motricidade e poderosa ferramenta de inclusão social.
 
Luciano Milani{/jgquote}
  
Especialistas do projeto Gato de Botas tratam 1,2 mil crianças com dificuldade de aprendizagem; 40% têm distúrbios.
 
A falta de tratamento em estudantes com dificuldade de aprendizagem pode levar à marginalidade. A afirmação é da psicopedagoga Ângela Maria Traldi Cecato, diretora do projeto Gato de Botas em Rio Preto.
O projeto completa seis anos hoje e já atendeu 1,2 mil alunos com dificuldade de aprendizado matriculados na rede pública de ensino na cidade.
Segundo o médico José Alexandre Bastos, chefe do serviço de neurologia infantil da Famerp (Faculdade de Medicina de Rio Preto), cerca de 40% das crianças com mau rendimento escolar apresentam algum tipo de distúrbio mental.
O mais comum, segundo ele, é a dislexia [dificuldade na leitura e escrita], que atinge até 6% das crianças. A discalculia [dificuldade em lidar com os números] aparece em segundo e atinge até 3% dos alunos. Em seguida aparece a disgrafia [alteração de sílabas e letras] e distúrbios secundários como epilepsia, problemas de audição entre outros.
 
“Se a criança não for tratada ela se sente excluída, isolada e busca uma inclusão fora do meio escolar. Daí a facilidade para entrar no submundo”, explica o neurologista.
Ele explica ainda que 60% dos alunos com mau rendimento escolar apresentam dificuldade de aprendizado por razões sociais.
“São causas não cerebrais. Por exemplo, estrutura familiar deficitária, pressão escolar, perda de alguém querido e até mesmo a ausência dos pais”, explica a diretora.
 
Atualmente são atendidas pelo Gato de Botas 300 crianças. Outras 200 aguardam na fila. “O sucesso do projeto é fruto do trabalho multidisciplinar.”
 
Pais participam do tratamento
Além das crianças, o bom resultado do tratamento depende a participação dos pais. “O acompanhamento é importante para os pais compreenderem o problema e auxiliar na motivação do filho”, diz a diretora.
A filha da cobradora Maria Ângela Pereira da Costa foi uma das primeiras a participar do Gato de Botas.
Ela conta que a filha Mariana tem dislexia e que percebeu a dificuldade de aprendizagem quando ela ainda estava na pré-escola.
“Ela não gostava da escola, confundia o nome das furtas e não conseguia reconhecer as letras.”
Mariana estuda hoje na 6ª série da escola Noêmia Bueno do Vale e já comenta em ser fisioterapeuta.
“Ela é outra pessoa hoje. É participativa, gosta de estudar e apaixonada por gibis. Ela já tem uma coleção com mais de 200”, diz.
 
Aprendizagem
 

Projeto
Voltado para crianças de 7 a 12 anos matriculadas na rede pública com dificuldade de aprendizagem. Encaminhamento é feito por professores. No Gato de Botas é feito o diagnóstico e uma equipe multidisciplinar trata o problema
 
Equipe
É formada por pedagogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta, neurologista, neuropsicólogo, psiquiatra e professores
 
Atividades
As crianças freqüentam o Gato de Botas duas vezes por semana, sempre em horário alternado ao da escola. Elas recebem atendimento de especialistas, participam de aulas de recreação (para melhorar coordenação motora), artes e informática. Os pais se reúnem uma vez por semana
 
Tratamento
Depende do problema diagnosticado. Em casos mais complexos as crianças são atendidas por até dois anos. A fila de espera chega a 200 crianças
 

Cronica: O Espírito de um Capoeira

O Camarada Shion, lá da Parnaíba – Piauí, nos enviou esta cronica, que nós do Portal Capoeira esperamos que seja a primeira de muitas… onde o autor nos retrata a visão e o sentimento do "Espírito de um capoeira"…


Tudo começa em um momento de quase acaso. Passeando em uma praça arborizada, repleta de sons de pássaros ao fim de uma tarde. Os raios do sol estão mansos, provocam uma sensação formidável com seu calor terno. Em um repente, apenas um barulho produzido por um instrumento curioso, acompanhado de palmas e cantos num ritmo que anima e prende a atenção. Pais, mães e filhos são direcionados – parecendo uma ação inconsciente – àquela curiosa roda formada por pessoas contentes e sincronizando um mesmo pensamento.
 
Como se fossem guiados por uma força estranha, quem estar de fora dessa roda sente-se atraído e convidado a acompanhar – mesmo q sendo na simples batida do pé – uma música que é entoada com emoção e força.
 
Sob olhares curiosos e surpreendidos, pernas e braços realizam acrobacias e movimentos que encantam e fascinam quem participa daquela roda. A musicalidade parece a força motriz de toda aquela gente que canta e luta num ritmo da ginga característica.
 
Este é um cenário típico da nossa arte Capoeira. Uma atividade que fortalece nossas capacidades físicas e, conseqüentemente, enaltece nossas faculdades mentais.
 
Sempre gostei de acompanhar rodas de capoeira. Sentia-me bem – mesmo q só observando – em presenciar aquelas manifestações de alegria e festividade. Infelizmente, por conta de limitações de minha saúde – à época  – não era possível minha participação de forma efetiva e direta.
 
Hoje, sadio, pratico capoeira. Satisfação enorme em estar em contato com essa arte! A cada dia crio novos vínculos amistosos e me perco na imensidão de informações que faz dessa arte algo ímpar. Estórias, lendas e mitos fazem dessa arte um “não sei o quê” de mistérios, causos e surpresas!
 
Quando vem a reflexão, confirmo que minha atração pela capoeira se deva pela simplicidade que una todos no microcosmo da roda de axé. Costumamos dá vazão às coisas complexas e sem utilidade, ao fim. E a capoeira nos faz seguir sempre na retidão da igualdade. Dentro de uma roda, Mestres, Graduados e Novatos respiram o mesmo ar e escutam a mesma música, sem distinções. Todos são iguais naquele momento. Preto- branco, rico-pobre… não há espaços para padrões sociais de segregação.
 
Confesso que a capoeira me redirecionou  às trilhas do “ser simples”. Particularmente, minhas atividades cotidianas me faziam distantes das coisas simples que compõem a vida. Sinto que estou em voga novamente. Graças ao esforço pessoal por meio da capoeira.
 
A capoeira em sua totalidade não cabe em algumas linhas, definitivamente. Mas também sei que essa mesma capoeira permite manifestações que preencham livros e livros ou apenas uma frase – esta q seja dita com satisfação e verdade.
 
Talvez seja por isso que nossa arte abrace todos! A arte-ginga não se resume a este ou aquele grupo… a capoeira é bem mais significativa, por mais que alguns acreditem no contrário. Uma minoria, felizmente!
 
Façamos então nossa parte em retribuição aos grandes Mestres do passado e aos atuais! Valorizemos os esforços colossais para uma imagem limpa e sem rasuras da nossa arte! Façamos por onde! Ações!
 
Precisamos mostrar para todos aqueles que insistem, que a capoeira é uma ferramenta importantíssima na imprescindível tarefa da educação. Os pais precisam de um reflexo nos boletins dos filhos, para que exista uma motivação. Os envolvidos na capoeira devem incentivar os respectivos alunos para que estes permaneçam a otimizar seus desempenhos nas salas de aula. A educação é a passagem mais fácil e eficaz na construção de um cidadão nato e firme nas próprias opiniões.
 
Dessa forma, quem trabalha na capoeira de coração poderá tirar dessa mesma o próprio sustento. Assim como qualquer outro ofício, viver da Capoeira para quem a ama, é a realização. E é apenas dessa forma educadora que um dia esta realidade será testemunhada. 
 
Vamos agir, colega velho! Cada camarada possui uma qualidade que o define. Usemos nossos atributos dentro e fora da roda. Vamos falar, expandir, corrigir, errar e acertar! O que não vale é a morosidade e a acomodação. Cada grupo de capoeira possui uma força enorme! Basta atentar para tal fato.
 
“Capoeira é defesa e ataque, é ginga no corpo, é malandragem! É licuri que quebra dendê! E quem não conhece capoeira, não pode dá seu valor!”
 
Iê, Capoeira!
 
Shion
Grupo Muzenza
Parnaíba – Piauí

Entrevista do Amigo e Capoeirista Julio Ikeda, Graduado Japones

Entrevista do Amigo e Capoeirista Julio Ikeda, Graduado Japones, que atualmente esta desenvolvendo seu trabalho na terra do sol.
Ele conta como começou na capoeira e a inter relação das culturas… "A capoeira no Japão"
 

01 – COMO FOI SEU PRIMEIRO CONTATO COM A ARTE DA CAPOEIRA?
 
JAPONÊS: Meu Pai era professor de judô e me disse que gostaria que eu praticasse um esporte dizendo que era o melhor caminho para se educar um filho atitude de um Pai com grande sabedoria e inteligência que me ensina muito até hoje! Então saímos para procurar uma modalidade fomos ver o karate o kung fu e a Capoeira ao chegar a uma academia de capoeira estava tendo uma roda aquela musica e aquelas pessoas jogando foram me envolvendo por inteiro fiquei louco para treinar, lembro da minha ansiedade quando saímos para procurar uma academia perto da casa que morávamos e achamos o grupo cordão de ouro com o estagiário Thiane na época corda azul do mestre Suassuna era no Tremembé, bairro próximo a minha casa, lembro bem da minha primeira aula me deixou gingando e fazendo meia lua de frente e queixada por cima de um cavalete boas lembranças…
 
02 – COMO FOI SUA CAMINHADA NA CAPOEIRA ANTES DE ENTRAR PARA O GRUPO HERANÇA CULTURAL CAPOEIRA?
 
JAPONÊS: Iniciei capoeira em 1978 com Thiane estagiário do Mestre Suassuna posteriormente treinei na academia do Mestre Suassuna onde senti uma vibração enorme e hoje entendo porque ele é tão respeitado lembranças do falecido Biriba, Risadinha, Dal (minhoca), Marcelo Caveirinha, Thiane, Flavio Tucano etc… Grandes mestres participavam de suas rodas… Inesquecível! Após este período treinei com risadinha ele abriu uma academia na Maestro vila lobos rua no qual eu morava aquela época no Tucuruvi. treinei com ele até ele fundar o filho de Zambi,depois acabei me afastando por um longo período voltei a treinar com então mestre Zambi(risadinha)na quadra orion no mandaqui após sumiço inesperado do mestre !Procurei outro grupo conhecendo o Mestre Catitu no qual estou até hoje!Na minha vida de capoeira trago comigo enorme respeito por todos que conheci muitos pararam muitos se tornaram muito conhecidos, mas eu parabenizo aqueles que carregaram em sua alma o espírito de um verdadeiro capoeirista. 
 
03 – O QUE TE FEZ ENTRAR PARA O GRUPO HERANÇA CULTURAL?
 
JAPONÊS: Bom quando mestre Zambi sumiu do lugar onde ele dava suas aulas fiquei meio chateado na época achei que não considerava os seus alunos eu amo a capoeira e ela esta em todo lugar então resolvi procurar outro grupo. Encontrei o Mestre Catitu voltei a treinar na academia Gaviões do Karate com instrutor Ligeirinho e o Mestre dava suas aulas lá também percebi que o Mestre se integrava muito com seus alunos ganhando minha admiração e respeito ,e assim sendo como manda a tradição criei uma vontade imensa de ajudar o Grupo fazendo a minha parte como integrante do grupo nunca quis aparecer e até hoje sou assim sei o que vi e passei na vida de capoeirista e para mim o mais importante é o que sinto não o que vou provar para os outros por isso hoje faço meu trabalho somando tudo que aprendi na minha vida inteira assim como todos que trabalham com a Capoeira com a própria interpretação! Gostaria de salientar que admiro muito mestre Zambi e aprendi muito com ele sendo muito grato a ele ainda mais sendo o primeiro aluno dele. 
 
04 – COMO ESTÁ SEU TRABALHO NO JAPÃO E QUE VISÃO VOCÊ TEM PARA ESSE TRABALHO?
 
JAPONÊS: Meu trabalho no Japão esta em um ótimo ritmo tem hoje a oportunidade de apresentar a capoeira nas univerdades japonesas por todo o Japão por intermédio da presidente da associação internacional de cultura motivo pelo qual acho a importância deste trabalho enorme para o mundo da capoeira, pois estamos apresentando a nossa arte para uma cultura milenar em um Pais de enorme desenvolvimento tecnológico com uma igualdade social incrível sendo assim destacasse quem tem o que dizer e não quem tem mais dinheiro, pois todos ganham um equivalente, para ter uma vida com dignidade. Como dou aula em uma escola brasileira vejo a importância do meu trabalho no dia a dia iniciei o trabalho há um mês e percebi que a capoeira poderia abrir as portas de uma maneira bastante saudável para eles ,eu trabalho a capoeira para o desenvolvimento total da mente e do corpo e estou totalmente satisfeito com os resultados tive um amadurecimento enorme neste Pais e hoje sinto muita segurança no meu trabalho .Meu objetivo e mostrar aos políticos brasileiros que somos felizes pelo que somos e não pelo que temos e por este caminho poder ajudar meu Pais através de uma grande conscientização.
 
05 – COMO ESTÁ A ACEITAÇÃO DA CAPOEIRA NO JAPÃO?
 
JAPONÊS: Ainda estou trabalhando para divulga – lá atingi um publico que forma opiniões um publico de alto nível intelectual universitário e Professores das universidades e sinto um interesse enorme pela arte Capoeira japonês entusiasmadíssimos pelo poder da Capoeira. Quero muito iniciar um trabalho pra japoneses mesmo podendo assim enraizar a nossa cultura e semear bons frutos respeitando a tradição e os ensinamentos de mestre Bimba e Pastinha e tantos Mestres de Capoeira ,respeitar a ideologia da capoeira que nasceu para lutar pela liberdade e contra o preconceito racial objetivos nobres que tornam a capoeira mais de que um esporte uma filosofia de vida. axé Japonês Capoeira 
Julio Ikeda - Graduado Japones

IÊ CAPOEIRA ENTREVISTA – GRADUADO JAPONÊS 
Entrevista autorizada para divulgação por Julio Ikeda – capoeiraIkeda@hotmail.com
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