Blog

palmas

Vendo Artigos etiquetados em: palmas

Aconteceu: “Festival Internacional Palmas para Capoeira”

De 29 de junho a 01 de julho, aconteceu o “Festival Internacional Palmas para Capoeira”, edição 2012, em Palmas capital do Tocantins, evento este promovido pelo grupo Terreiro Capoeira, pioneiro no estado do Tocantins, no qual vem realizando eventos desde 1990.

O “Festival Internacional Palmas para Capoeira” busca promover a formação de educadores de capoeira convivendo sob a condução de mestres especialistas no processo de tradição da capoeira, visando o crescimento e a difusão da cultura popular brasileira em seus desdobramentos sócio-educativo, artístico e cultural. Estima-se a participação de 800 pessoas entre capoeiristas (tocantinenses e de outras U.F. e países), empresariado, representantes do poder público e sociedade em geral.

Serão realizadas oficinas, palestras, papoeira e também uma atividade em especial, fixando uma parceria com a Universidade da Maturidade – UMA/UFT, a programação trará a realização de vivência da Capoterapia com os alunos da referida instituição, proporcionando uma experiência de uma nova proposta de estilo de vida, através de uma vertente exclusiva para a prática de pessoas que se encontram na “melhor idade” impulsionada pelos fundamentos basilares da Capoeira.

Palmas: Sessão Solene para a entrega da comenda Zumbi dos Palmares

Aconteceu Sessão Solene para a entrega da comenda Zumbi dos Palmares, na Câmara Municipal de Palmas, criada com o objetivo de homenagear Entidades e pessoas que trabalham no Combate ao Racismo no Tocantins. Os homenageados foram Mãe Magna de Oxum (Aldenora Maria do Nascimento) pioneira na expansão da religião de Matriz africana em Palmas, o Grupo de Consciência Negra (GRUCONTO) e Mestre Timbau (Luiz Carlos Silva) que leva a capoeira aos moradores de periferias na cidade de Porto Nacional.

Representando o Prefeito de Palmas Raul Filho, a Secretária da Mulher Direitos Humanos e Equidade de Palmas, Rosimar Mendes frisou em seu pronunciamento a importância do combate ao racismo e também a outras formas de discriminação. Mendes também parabenizou o Vereador “Bismarque do Movimento pela autoria no projeto que cria a Comenda Zumbi dos Palmares”.

Entre os homenageados, Mestre Timbau frisou a importância da “prática da capoeira na periferia” e ressaltou a luta do povo negro e suas conquistas. Mãe Magna de Oxum frisou a importância do respeito às religiões. O representante do GRUCONTO, André Ribeiro, apontou “A importância do reconhecimento da luta de Zumbi dos Palmares e a valorização do povo negro” durante seu discurso na tribuna.

Para o Vereador Bismarque do Movimento a Comenda Zumbi dos Palmares é importante para valorizar “as lutas e conquistas do Movimento Negro e das religiões de Matriz africana no combate ao preconceito” afirmou durante pronunciamento.

A Câmara Municipal de Palmas é a única Instituição Tocantinense a premiar trabalhos de Combate ao Racismo no Estado. O Vereador Bismarque do Movimento é o autor do Projeto de resolução que cria a Comenda Zumbi dos Palmares. (Informações da ascom/VBM)

Bairro de Fortaleza cria moeda própria e enriquece

Banco Palmas dá até 90 dias para pagar empréstimos e, acredite, sem juros. Moradores montam negócios e desenvolvem a região.

Em plena capital do Ceará, um bairro onde algo diferente passa de mão em mão. A palma é uma moeda que só circula no Conjunto Palmeiras. Cada palma equivale a R$ 1. Esse cantinho de Fortaleza ainda tem outra surpresa: um banco próprio, só dos moradores. A idéia surgiu há onze anos.

“A grande pergunta que nós nos fazíamos na época era: por que somos pobres? Nós já construímos um bairro e fizemos mutirões. A resposta mais simples era: nós somos pobres, porque não temos dinheiro. Se não temos dinheiro, somos pobres. Parecia óbvio”, lembra o coordenador do Banco Palmas, Joaquim Melo.

Só parecia. Uma pesquisa feita, na época, mostrou que o consumo de todos os moradores do bairro chegava a R$ 1,3 milhão por mês.

“O grande problema era que todos os produtos vinham de fora. Tudo se comprava, da coisa mais simples, como uma vassoura ou um sabão. Até mesmo um corte de cabelo era feito fora do bairro. Na verdade, as pessoas não eram pobres. Elas se empobreciam, porque perdiam as suas poupanças internas. Então, já tinha aqui uma base monetária que se esvaziava como um balde furado. Tudo ia para o ralo”, conta seu Joaquim.

Então, como segurar esse dinheiro dentro do bairro? E como incentivar o comércio e a criação de pequenas empresas no local? A resposta veio com o banco e com a nova moeda.

Funciona assim: o Banco Palmas recebe reais do Banco do Brasil e paga 1% de juro ao mês. Aí, o Banco Palmas empresta para os moradores que querem montar um negócio com juros mensais que variam de 1,5% a 3%. Essa diferença é o que sustenta o banco.

Darcília de Lima e Silva foi uma das primeiras clientes. Hoje, ela toca uma confecção, mas faz questão de contar como era a vida na região, quando ela chegou, há mais de 30 anos.

“Era uma favela dentro do mato, onde não tinha água encanada, não tinha saneamento, nem energia. A gente vivia dentro do mato mesmo”, lembra a microempresária.

Os moradores transformaram o que era uma grande favela em um bairro. Dona Darcília e mais 12 amigas conseguiram um empréstimo no banco e criaram a Palma Fashion, uma grife popular. No início, eram apenas três máquinas e alguns metros de tecido. Hoje, são 44. E elas chegam a entregar 2,5 mil peças por mês.

“Do lucro total, 50% são repartidos em salários. Com a outra parte, a gente faz investimentos”, revela dona Darcília, coordenadora do Palma Fashion.

Os jovens também têm vez. Com um empréstimo, um grupo criou a Palma Limpe, uma pequena fábrica de produtos de limpeza. Elias Lino dos Santos é o chefe da turma. Menino pobre, ele passou a infância trabalhando para ajudar a mãe. Mesmo assim, conseguiu entrar na Universidade Federal do Ceará (UFC), onde faz o curso de filosofia.

“Esse trabalho me dá o necessário, para que eu mantenha a minha vida, possa me alimentar, me vestir, ajudar a minha mãe e possa manter o curso que eu faço. Embora o curso seja em uma universidade pública, tenho muitos custos. E os custos são altos, como passagem, livros e xérox. Então, meu trabalho permite que eu faça isso, além de me dar uma responsabilidade”, explica o coordenador da Palma Limpe, Elias Lino dos Santos.

Os produtos são um sucesso no Conjunto Palmeiras. Da feira ao supermercado, eles já disputam espaço com outros de marcas famosas.

O banco também faz empréstimos pessoais, nesse caso, a moeda são as palmas. Os clientes têm até 90 dias para pagar e, acredite, sem juros.

A vendedora autônoma Sonivanda Holanda vende roupas e cosméticos. Ela pediu ajuda, porque o dinheiro para as despesas acabou antes do fim do mês.

Nome limpo no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), Serasa, comprovação de renda, avalista: o Banco Palmas não exige nada disso para conceder o empréstimo. Basta apresentar, no balcão, a identidade e o CPF. O mais importante é que tem que ser morador do bairro.

É claro que existem alguns cuidados para evitar o calote. Por exemplo, a ficha do cliente passa por uma análise, só que um jeito nada comum: quem dá as informações sobre a pessoa que está tentando o crédito é a própria comunidade. E aí, dependendo do que os vizinhos disserem, nada feito e adeus, dinheiro!

Givanilson Holanda, o Gil, é o analista de crédito do banco, o homem que libera o dinheiro. Uma das missões dele foi checar com os vizinhos a ficha de dona Sonivanda.

Uma vizinha conta que dona Sonivanda mora no bairro há muitos anos. Outra afirma que ela é uma boa cliente e que emprestaria R$ 100 a Sonivanda.

“A pergunta chave é: você teria coragem de emprestar tanto para ela? Dois vizinhos disseram que sim. Afirmaram, com certeza, que emprestariam. Por mim, o crédito dela está aprovado. Pode pegar o dinheiro”, explica Gil.

Já com as cem palmas na mão, ela foi direto ao mercado comprar os mantimentos que estavam faltando. Quem paga na moeda do bairro ainda ganha desconto.

“Tive um desconto de 5%. Foi ótimo! Gosto de comprar sempre com palmas, porque a gente tem dois meses de prazo. Mas eu sempre pago antes, porque o bairro cresce”, diz dona Sonivanda.

Pelo jeito, o supermercado atrai mais clientes e fatura mais.

“O concorrente que só aceitava real já dançou. Com a moeda palma, a gente põe combustível, paga água, luz, telefone e, se sobrar, a gente pode trocar por real. Não tem perda”, garante o comerciante Sena Pereira de Souza.

Em uma década, o Banco Palmas ajudou a criar 50 pequenas empresas e a experiência se multiplicou. Hoje, há outros 40 bancos comunitários em sete estados. No Conjunto Palmeiras, essa ideia provocou mudanças no dia a dia das pessoas. Mais que isso: incentivou muita gente a se valorizar.

“Acho que se eu pudesse reduzir em uma palavra seria superação, superação de preconceitos, por sermos jovens. É uma superação de desafios. É a prova de que nós somos capazes”, constata Elias Lino dos Santos, coordenador da Palma Limpe.

“Quando comparo a minha vida de quando cheguei aqui com a minha vida de agora, eu me lembro de uma canção que sempre gosto de cantar: ‘Sabor de mel’. ‘A minha vitória hoje tem sabor de mel’, como diz a canção. A minha irmã liga para mim, às vezes, e diz que quando lembra do sofrimento que passou aqui não tem nem vontade de passear por aqui. Eu digo para ela vir, porque agora está diferente. Agora, ela vai ver pelo Globo Repórter. Estou feliz por isso”, finaliza dona Darcília.

Fonte:

http://g1.globo.com/globoreporter/0,,MUL1052010-16619,00-BAIRRO+DE+FORTALEZA+CRIA+MOEDA+PROPRIA+E+ENRIQUECE.html

Palmas: 1ª Mostra de Danças da Capoeira

O Grupo Candeias, sob a coordenação do Prof. Batalha, realiza neste sábado a 1ª mostra de danças da capoeira a partir das 18 horas no Teatro Fernanda Montenegro em Palmas.
 
O evento comemora os 20 anos de capoeira do Prof. Batalha e 10 anos de Associação Candeias. A associação desenvolve vários projetos com crianças e jovens carentes.
 
O evento contará com participação de vários capoeiristas de renome no mundo da capoeira.
Além de mostrar as várias manifestações da capoeira, como as danças de maculelê, Dança Guerreira, Puxada de Rede dentre outras.
 
O evento começará no dia 15 e terminará no dia 17.
 

Segue a programação:
 
Dia 15 de junho
18:00 Roda na Feira da 304 Sul;
21:00 Roda na Faculdade Objetivo.
 
Dia 16 de junho
09:00h Palestra Espaço Cultural;
11:00h Roda aberta na Av. JK em frente casa São Paulo;
14:30h Cursos (Espaço Cultural)
18:00h Abertura Oficial do Evento Teatro Fernanda Montenegro
Mostra de danças
Troca de corda
 
Dia 17 de junho
09:00h Cursos (Espaço Cultural);
16:00h Apresentação Palmas Shopping:
18:00h Roda na Feira do Bosque.
 
Maiores informações:

Prof. Batalha
92335330
 

Praia Grande: Feira reúne 130 capoeiristas na cidade

Em comemoração ao 119º ano da Abolição da Escravatura, a 1ª Feira de Capoeira de Praia Grande reuniu 130 capoeiristas em torno de mestres de renome nacional, como Lima, de Santos; Geraldo, de Cubatão, Caranguejo, de Praia Grande; e Jogo de Dentro, de Salvador. Realizado no Ginásio Rodrigão, o evento arrecadou cerca de 300 quilos de alimentos que foram doados à Casa da Criança e do Adolescente de Praia Grande.
Para o organizador do evento, José Roberto dos Santos, mais conhecido como professor Betinho, a idéia foi destacar a capoeira e mostrar aos seus praticantes o potencial do esporte na região. “É um orgulho recebermos um evento como este. Espero que esta tenha sido a primeira de muitas feiras. A intenção agora é tornar esse evento anual”, afirma.
 
A feira de Praia Grande, realizada no último domingo (13), foi a primeira do Estado. “A Cidade mais uma vez sai na frente no que diz respeito ao esporte”, destacou professor Betinho.
 
Além dos jogos, os capoeiristas participaram de cursos de aperfeiçoamento destinado a professores e praticantes. O público pôde conhecer instrumentos e objetos ligados ao esporte, como atabaques, agogôs, berimbaus, alem de revistas, cds e peças de vestuário.
 
– Tradição:
 
No final do século XIX, a capoeira era proibida em todo o País. Decretos impunham duras penas aos praticantes. A perseguição ocorria pelo fato de a capoeira ter em sua essência a liberdade. Apesar das provações, resistiu e sobreviveu até os dias atuais. De luta proibida, passou a ser um esporte nacional, genuinamente brasileiro.
Manifestação da cultura popular brasileira, a capoeira reúne características peculiares: é um misto de luta, jogo e dança. O ritmo e as características do jogo são regidos pelo toque do berimbau, instrumento preponderante na orquestra de capoeira, que inclui pandeiro, atabaque, agogô e reco-reco, entre outros.
 
Os cânticos (às vezes acompanhados de palmas) também têm função importante na determinação do tipo de jogo. É um excepcional sistema de autodefesa e treinamento físico, destacando-se entre as modalidades desportivas por ser a única originariamente brasileira e fundamentada em nossas tradições culturais.
 
O espaço em que se pratica a capoeira é a roda: círculo em torno do qual se sentam (ou apenas se agacham) os praticantes. Junto à entrada da roda ficam os instrumentos, com o berimbau ao centro, comandando a roda. Todos os participantes devem saber tocar os instrumentos, de modo que possam se revezar na função, permitindo assim que todos tenham sua vez de jogar.
 
As palmas são de responsabilidade daqueles que estão sentados assistindo, esperando sua vez de jogar, acompanhando sempre o ritmo ditado pelo berimbau. Todos devem responder em coro aos versos cantados. Uma boa roda de capoeira acontece quando todos os envolvidos, ainda que poucos, estiverem participando com vontade, dando corpo ao acompanhamento musical e aumentando assim a motivação daqueles que jogam.
 

Palmas-TO: Oficina de Capoeira Angola com Mestre Jogo de Dentro

Mestre Jogo de Dentro vem construindo ao longo de sua caminhada, respeito e reconhecimento por todos os lugares que tem ministrado workshops e oficinas, transmitindo a Capoeira Angola a essa nova geração de capoeiras, Mestre Jogo de Dentro tem em sua bagagem o privilégio de aprender e se formar com o Mestre João Pequeno (João Pereira dos Santos) um dos mais antigos capoeiristas ainda vivo, discípulo do eterno M. Pastinha.
 
O Tocantins será presenteado com a presença do Mestre Jogo de Dentro que ministrará Oficinas de Capoeira Angola em Palmas-TO, no dia 9 de junho, no clube dos Oficiais da PM, as 18 horas e dia 10 em Fortaleza do Tabocão, qualificando e ensinando um pouco dos fundamentos desta que é uma das maiores expressões da cultura popular brasileira aos capoeiristas da capital e interior do Tocantins.
 
Este evento contará com a presença de capoeiristas e mestres de todo o estado, dentre os quais: M. Fumaça (Arraias), M. Tambor(Palmas), M. Jean Surfista(Palmas), Mt. Geléia(Dianópolis), M. Zé Maria (Barreiras-BA), M. Bizorro(Palmas), Mt. Índio(Palmas) e M. Pombo de Ouro-DF (aluno do M. Bimba) que ministrará a PAPOEIRA, projeto idealizado por este, que tem como objetivo maior, alem de interagir os capoeiristas das mais diferentes linhagens, qualifica-los com palestras com profissionais das mais diferentes áreas (Juristas, fisioterapeutas etc) e atentar as novas gerações quanto a fundamentos da nossa capoeiragem que andam em desuso.
 
Informações : 63- 9982-9241 c/Bira ou 8407-1425 c/ Asa Delta
 
asadelta_to@hotmail.com

Convite Open Fest 2005 em Palmas – TO

Amigos,
 
tenho o prazer de enviar com a antecedencia que foi possivel, o convite para nosso evento deste ano, em Palmas-TO, onde estaremos promovendo uma grande festa em torno da capoeira e suas questões…
 
Contamos com todos voces, em particular os que estejam próximos e peço o seu apoio para ajudar na divulgação deste movimento, que traz em si o grande desafio de fazer a capoeira seguir seu curso, onde estiver, sempre com a busca desse espírito fantástica do axé!!
 
Todos serão bem vindos e enriquecerão a festa!
 
Axé e obrigado.
Mestre Squisito

Iúna

Este toque foi criado por Mestre Bimba e comanda um jogo a ser executado exclusivamente por alunos formados e mestres.
Era costume, na academia de Mestre Bimba, que os alunos aplaudissem um companheiro, depois que este realizasse um jogo de iúna. O jogo é acrobático e técnico e os capoeiristas devem explorar a beleza dos golpes e movimentos, integrando-se e respeitando-se dentro da roda. Não há canto, nem palmas durante a execução deste toque.

* Dizem os antigos que neste toque ressoa o canto da ave Inhuma (ou Anhuma) e conta a lenda que ela é portadora de uma força mágica. Encantada, dos seus pios de desprende a magia dos deuses…

Mestre Bimba

Mestre Bimba

No dia 23 de novembro de 1899 nasceu no bairro de Engenho Velho, freguesia de Brotas, cidade de Salvador, Bahia, Manoel dos Reis Machado. Teve como pai Luís Cândido Machado, caboclo de Feira de Santana. Sua mãe, Maria Martinha do Bonfim, era uma crioula de Cachoeira.
Logo ao nascer o garoto ganhou um nome que se tornaria símbolo e sinônimo da Capoeira. Isso graças a uma frase dita à hora do parto: – olha a bimbinha dele! Esta exclamação definiu o resultado de uma aposta entre a mãe da criança – que imaginava uma menina – e a parteira, que previra um menino. Ninguém seria capaz de pensar, naquele momento, que Bimba passaria a ser um nome destinado a acompanhar o futuro capoeira em sua entrada na história do jogo.
O aprendizado de lutas se iniciou com o pai, à época famoso lutador de batuque – uma antiga forma de luta negra. Aos 12 anos começou a aprender Capoeira com o africano Bentinho, capitão da Cia. de Navegação Bahiana.
Segundo suas palavras, o sistema de aulas à época era bastante violento. As rodas eram formadas na Estrada das Boiadas (atual bairro da Liberdade), em Salvador, num ritmo bravio ao som do berimbau. Mestre Bimba costumava recordar um golpe formidável aplicado por Bentinho, que o acertara na cabeça, provocando um desmaio até o dia seguinte…
Seu trabalho como mestre-capoeira iria distinguir-se pela divulgação do jogo em todos os recantos do país e a elaboração de um sistema próprio de treinamento e transmissão dos conhecimentos e técnicas do jogo: a Capoeira Regional Bahiana.
Graças aos seus esforços foi aberta a primeira Academia de Capoeira com autorização oficial. Esta seria a forma adotada por inúmeros mestres para obter e legalizar um espaço, onde a prática do jogo não sofreria o perigo de perseguições. Afinal, era o ano de 1937 e o país vivia sob uma ditadura – período que sempre se destaca pela generalização
das arbitrariedade e cometimento de toda sorte de violências pelos detentores do poder.
E o que era tolerado em um dia poderia ser reprimido no outro.
Em sua vida Bimba foi trapicheiro, doqueiro, carroceiro, carpinteiro. Mas acima de qualquer coisa e por todo o tempo, mestre de capoeira. Um dos maiores nomes deste ofício.
Ninguém melhor que um contemporâneo de Bimba para descrevê-lo brincando a Capoeira. Ramagem Badaró – de conhecida família bahiana da zona de cultivo do cacau, que foi enfocada por Jorge Amado em Terras do Sem Fim -, jornalista, advogado e escritor, autor do romance O Sol, deixou interessante relato acerca do mestre, no artigo intitulado
‘Os negros lutam suas lutas misteriosas; Bimba é o grande rei negro do misterioso rito africano’, publicado em Saga – magazine das Américas, no ano de 1944, em Salvador.
"Tinha uma difícil missão a cumprir. Encontrar um assunto para uma reportagem que não fosse sobre guerras, suicídios ou crime. Um assunto diferente que não proviesse da fonte comum de todas as reportagens da cidade. Das delegacias de polícia, do Necrotério ou da Assistência.
Porque os casos de delegacia são sempre os mesmos: roubo, crime e sedução. Os de Necrotério são anacrônicos e os de Assistência, banalíssimos. ‘Estava nesse dilema, quando passou um negro de andar gingante de capoeira. Tinha resolvido o problema. Lembrei-me de mestre Bimba e da velha Roça do Lobo. Fui até o bairro elegante dos Barris, em cujos flancos se derramam em desordem as casas de taipa da vala do Dique. Presépios de palha da miséria sem esperança dos homens do povo. Quando comecei a descer pela picada aberta na ladeira pelos pés
descalços e calosos daquela gente que nasce com o atavismo dos párias e a herança do infortúnio, já os sons dos berimbaus traziam aos meus ouvidos o cartão de Boas Vindas do terreiro de mestre Bimba.
Continuei descendo, até que de repente o caminho se alargou e se confundiu com o terreiro onde os homens lutavam Capoeira. O povo formava um círculo ao redor dos dois homens lutando.
Jogando Capoeira no centro do círculo.
‘O berimbau batia compassadamente, tin-tin-tin… tin-tin-tin… tin-tin-tin…
enquanto os homens pulavam, caíam, levantavam-se num salto e deixavam-se cair outra vez, se golpeando mutuamente. O povo batia palmas acompanhando a música dos berimbaus e cantando
o estribilho da Capoeira:

Zum, zum, zum, zum
Capoeira mata um
Zum, zum, zum, zum
No terreiro fica um…
Caí também no meio da turma e comecei a bater palmas e a tentar cantar o zum, zum da Capoeira (…)."
Badaró narra o instante que precede a entrada do mestre Bimba no jogo e a emoção que tomou conta dos espectadores.
"De súbito, o tin-tin nervoso dos berimbaus sumiu, calou-se, parou. Os berimbaus deixaram de tocar.
Os homens que estavam lutando também pararam. Com as roupas molhadas de suor desenhando nas dobras
do corpo os músculos possantes.
Os assistentes aplaudiram os homens que tinham acabado de lutar. E eles cantaram um corrido, agradecendo os aplausos.

Ai-ai de lelô
Iem-ien de lalá
Adeus meus irmãos
Nós vamos rezar
‘Nesse momento gritaram:
– Mestre Bimba vai lutar!
‘Todo mundo se voltou para trás, batendo palmas e gritando.
– Mestre Bimba… mestre… viva… viva… vivôôôôôô.
‘Um preto agigantado entrou no círculo formado pelo povo. Sorrindo. A multidão aplaudiu com mais força.

  

Read More