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O Samba de Botequim de Pedrão

Pedro Abib, conhecido como Pedrão, é um compositor paulista de quase dois metros de altura que zanzou entre Campinas e São Paulo antes de se mudar para Salvador e fincar raízes por lá. Se o samba já fazia parte de sua vida há quase 20 anos, foi na Bahia que a música encontrou terreno fértil para crescer em forma de trabalho autoral e virar disco – o bom Samba de Botequim, que acaba de ser lançado de forma independente.

Gravado de maio a outubro de 2008, o CD apresenta o Grupo Botequim, fundado há três anos por Pedrão com o objetivo de pesquisar e divulgar a obra de sambistas baianos, como Batatinha, Edil Pacheco, Ederaldo Gentil e Riachão. “A indústria do axé music é muito forte e praticamente acabou com o samba na Bahia. Por isso, a importância do resgate”, diz Ênio Bernardes, ex-integrante do grupo Cupinzeiro e parceiro de Pedrão em Tem Que Se Cuidar, de longe a melhor faixa do álbum.
Apesar da proposta do grupo ser a valorização da cultura baiana e seus compositores, o disco não se limita à geografia local: Pedrão canta suas origens paulistas em Samba da Benção 2, interpretada por Regiane Pomares. Na faixa, feita com Edu de Maria, ele recusa a ideia de que São Paulo é o “túmulo do samba” e rebate a frase dita por Vinicius de Moraes: “Faço samba sim, poetinha/ e o batuque daqui ecoa, ecoa/ com a benção de todos os sambistas/ desta terra da garoa”.
Um dos pontos altos do CD é o encontro de Pedrão e Walmir Lima, sambista que fez relativo sucesso nos anos 70 e depois desapareceu. Ambos assinam e dividem a faixa Quebra-Mar, um partido-alto recheado de versos irreverentes e tocado sem a correria habitual, na cadência baiana: “A lua quando fica nova/ sinal que a maré tá vazante/ a onda na reviravolta/ carrega o siri arrogante”.
Outro representante da velha guarda a participar do disco é Edil Pacheco, em Tenda de Babalaô: “Cheguei então sorrateiro/ Na Baixa do Sapateiro/ No Largo de São Miguel/ Ao som do cavaco e pandeiro/ Ergui as mãos ao céu”. Em Casa de Dona Cabocla, que reproduz o clima de um tradicional reduto boêmio na Bahia, diz a letra: “Me serviram cambuí/ depois um gengibre que veio gelado/ Dona Cabocla abriu a cerveja/ e Rosenilda me trouxe um traçado”.
Apenas duas faixas destoam do conjunto da obra: Meu Lugar e Ceci trazem melodias repetitivas e até mesmo enfadonhas. No geral, porém, Samba de Botequim preserva e respeita o melhor da tradição do gênero, seja nos arranjos, seja na formação instrumental (“cozinha” composta por pandeiro de couro, tamborim, surdo e repique de anel). O título do álbum não é aleatório: gravado num clima informal, o repertório é a trilha sonora perfeita para a mesa do bar.

Fonte: Bruno Ribeiro – http://botequimdobruno.blogspot.com

Pedro Abib é colunista do Portal Capoeira, responsável pela rúbrica Crônicas da Capoeiragem

Oficina de Capoeira Angola Mestre Jogo de Dentro

Encontro de camarados, organizado por alunos responsáveis por núcleos do Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola, em Campinas e Piracicaba.
Serão realizados treinos com o mestre, em Campinas, Limeira e Piracicaba, além de oficinas com convidados e de rodas abertas a todos os interessados.

informações: www.sementedojogodeangola.org.br

 

Oficina de Capoeira Angola Mestre Jogo de Dentro
11 a 14 de Dezembro — 2008

Programação

5 f- dia 11/12
E.C. Semente – Campinas
16h -18h: treino com M. Jogo de Dentro
19h: roda
Av. Santa Isabel, 2070 – Barão Geraldo F. 19-3289-8011

6 f- dia 12/12
CESET(Unicamp) – Limeira:
10h-12h – treino com M. Jogo de Dentro
R. Paschoal Marmo, 1888, Jd. Nova Itália,
F. 19-21133492, 2113-3368

C.C. Monte Alegre – Piracicaba:
16h-18h: treino para crianças/iniciantes
18h-19h: apresentação de resenhas
19h-21h: roda aberta
Av. Com. Pedro Morganti, sn- Monte Alegre

sáb.- dia 13/12
CDHU- Campinas
9h -11h: treino com M. Jogo de Dentro
11h -12h: rítmo
14h -16h: oficina de afinação de atabaque e
encouramento de pandeiro (Toshiro)
16h -18h: treino para crianças/iniciantes
19h: roda

dom.- dia 14/12
CDHU- Campinas
9h -11h: treino com M. Jogo de Dentro
11h -12h: oficina de maculele (G.
Cordão de Ouro)
14h -16h: oficina de danças regionais
16h: roda aberta / samba de roda
R. José Mendonça, 341 – CDHU

Contribuição
R$20/dia de atividade; ou
R$60 todos os dias + camiseta
Inscrições Limitadas

Contatos:
Danny – 19-91170194
Cristiano – 19-96421397
Guga – 19-81622492

Mestre Kenura: Lançamento do Cd Capoeira Água de Menino

Almerito Almeida Santos , é um destes Mestres de estilo "DISCRETO", é destas pessoas que trabalham por uma causa maior… sem a vaidade de "aparecer".
Mestre Kenura, mesmo indiretamente é responsável pela formação cultural e sucesso de muitos CAPOEIRISTAS, hoje espalhados pelos 7 mares…
 
Conheci Mestre Kenura no final da década de 90, na Casa de Capoeira Malungos, Pinheiros, SP. Figura serena, sábia e que contagiava a todos com seu amor incondicional a capoeira.
 
Fico imensamente feliz, de que após tanto tempo, encontre este sensacional Malungo, remando… tocando o barco… e disseminando cultura e conhecimento por este "Mundão de meu Deus"…
 
Muito paz e sucesso com o "Água de Menino"
 
Luciano Milani
Mestre Kenura  – Capoeira água de menino
 
A"Capoeira água de menino" é um estilo criado e desenvolvido pelo Mestre Kenura que aplica, também, angola e regional, além de trabalhar com manifestações folclóricas inerentes à mesma cultura, como samba de roda, maculelê, frevo, entre outras.
Neste seu segundo disco, Kenura apresenta além de composições próprias, toques e ladainhas da capoeira regional e da capoeira angola, sambas de roda, apresentando a capoeira como forma de expressão, ressaltando seu aspectos folclóricos, dança e movimentos. O disco gravado pelo grupo de capoeira Água de Menino, contou ainda com as participações especiais de Dinho Nascimento e Gereba.
 
ficha técnica:
 
MESTRE KENURA – Almerito Almeida Santos
Voz, berimbau, atabaque, pandeiro, agogô, letras e arranjos
Grupo Água de menino – instrumentação
Anne Dieterich (coro)
Ariene Leite (coro)
Eduardo Donine (coro)
Felipe Soares (coro, acordeon)
Fernanda Yazbeck (coro)
Helena Alessi (coro)
Helena Giordano Salgado (coro)
Joana Junqueira (coro)
José Antonio S. Prata (coro)
Maitá Figueiredo (coro)
Majoí Fávero Gongora (coro)
Mariana Laura (coro)
Rafael Côrrea Leme (coro)
Regina Cassimiro (coro)
Rogério Vilas Boas (coro)
Tati Ribeiro (coro)
Theresa Dino (coro)
Tomé Borba (coro)
Uilson Domingues (coro)
 
Participações especiais:
 

Bruno Prado (atabaque)
Dinho Nascimento (atabaque, chocalho e pandeiro)
Elisete Aparecida de Castro (coro)
Enimar dos Reis (coro)
Gabriel Nascimento (atabaque, surdo, pandeiro e berimbau)
Gereba (violão e viola)
Marcos de Freitas Santos (atabaque, agogô e berimbau)
Sandra Virgínia de Castro (coro)
Silvana Maria de Castro (coro)
Sonia Regina de Castro (coro)
 
 

Cuiabá: 9ª Prefeitura em Movimento: Oficinas de Capoeira conquistam crianças

Centenas de crianças participam de oficinas e se divertem na Tenda Circense montada pela Secretaria da Cultura de Cuiabá, na 9ª da Prefeitura em Movimento, que contempla 10 bairros da regional sul, do pólo III, de 13 a 18 de março. O espaço para as artes está montado no bairro Osmar Cabral e abriga uma série de atividades, envolvendo também ações de outras secretarias.
 
Na tarde de quinta-feira, o palhaço Tampinha arrancou o riso da criançada. Em seguida, o mestre Macarrão, idealizador do Grupo de Capoeira Lendas do Cativeiro, ensinou noções de Capoeira para mais de 20 crianças. Mestre Macarrão desenvolve o projeto no Osmar Cabral desde o ano passado, reunindo 30 crianças de 8 a 15 anos, e conta com a parceria da Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria da Cultura.
"Iremos ampliar o projeto, alcançar mais bairros", adiantou Macarrão, que destaca a importância da capoeira na vida das pessoas. Segundo ele, a criança aprende a ter mais disciplina, tocar berimbau, atabaque, cantar, refletindo num melhor aprendizado na sala de aula. No sábado, todos os capoeiristas do Grupo Lendas do Cativeiro vão participar das atividades na Tenda Circense. Outra oficina que conquistou a turminha foi a de Pandeiro, ministrada por Caçula do Pandeiro. Ritmo e manuseio do instrumento de percussão conduziram a aula, que terminou com a elaboração de coreografia. Na noite, o show da Aptus ganhou o picadeiro.
Na sexta-feira, as atividades começam a partir das 9 horas e seguem durante todo o dia com oficinas de capoeira, hip hop, percussão, samba, mostras de cinema, performances circenses, e a alegria do palhaço Tampinha. O show fica por conta do eletro ritmo da Mingau Mix. (Ana Cristina Vieira/PMC)

Internacinal Capoeira Meeting in Utrcht Holland

Aconteceu em Utrecht veja vido e Site anexo.
Mestra Suely) Sao Farncisco/USA, Contra-mestra MArisa/USA. Chicago, Contra-Mestra Maria PAndeiro Bremen/Germany, Professora Ursula-Paris e muito mais…organizado por Mestre Paulão Capoeira Brasil – Holland
 
ObrigadarnAxé

MAria PAndeiro
 
http://www.youtube.com/watch?v=d-4K6h9Fqe8&search=capoeira%20women

Ladainhas, de Mestre Mintirinha

Eu até chorei
Quando vieram me avisar
Que o Grande Capoeira partiu para nunca mais voltar
Prepare a manta mamãe…
Prepare o cavalo meu irmão…
A distancia é tão grande
Mas eu tenho que ir pra lá…
Vou, vou correndo como vou
E como vou
Meu cavalo como trota na ladeira
É a última homenagem que presto a esse Capoeira
E quando eu cheguei
Olha, eu não suportei
Sou cabra rude, macho e forte
Mas assim mesmo chorei
A tristeza era tão grande
Que o atabaque até furou
O pandeiro inconsolável para sempre se calou
Reco-reco amargurado caiu no chão, se quebrou
Somente o berimbau foi o que continuou
Prestando a sua homenagem a seu dono, seu senhor
Iê chora o berimbau
Iê chora o berimbau, Camará…
Iê lamenta o pandeiro
Iê lamenta o pandeiro, Camará…

E lá vou eu
Por esse mundo afora
Não tem dia nem tem hora
Agora é só eu e Deus
Viver sozinho
É a força do destino
Recordar essa lembrança
No meu peito a esperança
De ter você
Novamente nos meus braços
Te beijando, te abraçando
Louco, louco te amando
Agora é só eu e Deus
Agora é só eu e Deus, camará…

Luís Américo da Silva
Mestre Mintirinha



Instrumentos musicais e Capoeira

Artigo de Raphael Pereira Moreno onde o autor aborda a função dos instrumentos musicais na história da Capoeira.


 
MÚSICA: A história e a função dos instrumentos musicais na capoeira.

Seguindo as notas sobre a origem da capoeira no Brasil (Toques de Capoeira nº 1 e n° 2), chegamos à conclusão de que nos três focos iniciais, Rio, Bahia e Pernambuco, a capoeira se apresentou de formas diferentes, nem sempre sendo acompanhada por música e instrumentos. Portanto, ao falar de instrumentos musicais, estou me referindo à capoeira que foi encontrada inicialmente na Bahia e que hoje em dia se espalhou pelo mundo.

É muito difícil determinar com precisão a data de inserção de um determinado instrumento musical na capoeira. Além disso, em alguns livros e relatos, folcloristas, capoeiras e pesquisadores em geral descrevem as histórias dos instrumentos de forma definitiva, o que provavelmente corresponde à capoeira que vivenciaram, acabando por chegar em algumas conclusões contraditórias. Tentarei analisar os registros que tive acesso e citar as fontes que considero mais importantes.

O primeiro registro de um instrumento musical relacionado com o jogo da capoeira aparece no início do século XIX, em 1835. Nessa ocasião, o artista Johann Moritz Rugendas apresenta na gravura de nome “Dança da Guerra”, o jogo da capoeira sendo brincado ao som de uma espécie de tambor.

Esse registro é importantíssimo e clássico na capoeira, pois comprova a utilização do tambor durante uma vadiação ” ou seria treinamento para luta? – de capoeira do século XIX. Porém não significa que nesta época não existissem outros instrumentos musicais associados ao jogo. Aquela foi a forma retratada por Rugendas, não excluindo a possibilidade da presença de outros instrumentos. Como descrevi antes, essa pode ter sido a capoeira que Rugendas viu e viveu durante sua estadia no Brasil. Porém, o mais importante é o registro da capoeira como manifestação muito difundida no início do século XIX, e da importância dos instrumentos musicais no jogo.

Seguindo os registros históricos, podemos perceber que a introdução de alguns instrumentos musicais utilizados atualmente é recente. Tudo indica que instrumentos como o agogô e reco-reco foram associados ao jogo da capoeira no século XX. Muitos aparecem com a criação do Centro Esportivo de Capoeira Angola de Mestre Pastinha, ou seguindo a criatividade dos capoeiras. Há relatos de outros instrumentos presentes também no ritual da Angola, ou na Capoeira primitiva da Bahia, como é o caso da palma-de-mão e até da Viola (vide depoimento de Mestre Pastinha). Pastinha se referia à Capoeira Santamarense, onde segundo o Etnomusicólogo Thiago de Oliveira Pinto a Capoeira, o Samba e o Candomblé sempre tiveram uma interação muito forte.

Na seqüência são apresentados os instrumentos musicais mais utilizados nas rodas atuais de capoeira.

O Berimbau

Caindo na classificação das cítaras, o berimbau que conhecemos hoje em dia pode ser descrito por um arco de madeira flexível, onde suas pontas são ligadas por um arame, tendo como caixa de ressonância uma cabaça que é presa em uma das pontas da madeira.

A origem desse instrumento ainda não é definida. Trata-se de um dos instrumentos musicais mais antigos, e segundo Kay Shaffe, já era conhecido por volta de 15.000 a.C. A entrada do berimbau no Brasil também não pode ser estabelecida com precisão, mas é provável a associação com os escravos. Desde os primeiros registros, o berimbau sempre apareceu sendo tocado por negros africanos e descendentes, além do fato dos arcos musicais africanos serem iguais aos brasileiros, em construção. Waldeloir Rego também cita que em Cuba, o berimbau, lá chamado de sambi entre outros nomes, aparece em cultos religiosos de origem afro-cubanas. Outra característica que reforça a introdução africana do berimbau no Brasil, é o fato de que antes da colonização, não existem registros de arcos musicais na cultura dos índios que aqui viviam.

Recentemente, circulou através de mensagem (e-mail) do capoeira Teimosia, se não me falha a memória, uma página de uma revista internacional de percussão contendo desenhos de arcos musicais de diversos lugares do mundo. Dentre os esboços, a maior parte composta de um arco contendo uma caixa de ressonância das mais variadas formas e presas nos mais variados lugares. O comentário vale para ressaltar que analisei os desenhos e o arco musical que mais se assemelha com o “nosso” berimbau estava classificado como instrumento musical da Tanzânia… ???? 

Um dos primeiros registros de um berimbau no Brasil foi realizado na alfândega do porto de Santos, em 1739. O instrumento também foi descrito por Debret em 1826. Em seu trabalho intitulado “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, o artista francês apresenta o desenho de um cego tocador de berimbau pedindo esmola, com uma breve descrição do instrumento e modo de tocar.

Uma vez no Brasil, ainda é muito difícil precisar a data da associação do berimbau com a capoeira. Atualmente, o instrumento é considerado indispensável na bateria de capoeira. Normalmente tocado por mestres ou capoeiras mais antigos, ele é utilizado para comandar as rodas, estabelecendo o ritmo das músicas e do jogo. O berimbau, junto com o canto do mestre, também dá a senha para o início e fim da brincadeira. Atualmente a arte de tocar o berimbau é utilizada inclusive para mostrar o conhecimento do capoeira, como tem sido muito discutido nesses dias.

Humbo, rucumbo, rucungo, rucumbo, urucungo, lucungo, gunga hungo, m”bolumbumba, marimba, gobo, bucumbunga, bucumbumba, uricungo, oricungo, orucungo, matungo, macungo, berimbau de barriga, violam e viola de arame são alguns dos nomes utilizados na literatura para descrever o berimbau. Hoje em dia, os nomes que sobreviveram, até devido à utilização nas cantigas são berimbau, gunga e viola. Dizem inclusive que o nome berimbau seria de origem portuguesa, enquanto gunga seria o nome africano, que na língua Yorubá significa Rei.

Nas rodas de capoeira, o instrumento tanto aparece sozinho, na maioria das vezes nas rodas da chamada Capoeira Regional, quanto em parceria com outros berimbaus. Porém, hoje em dia é comum vermos nas rodas de Capoeira Angola a bateria formada por três berimbaus. Um de som grave também chamado berra-boi ou gunga, um de som agudo chamado viola, e um último de som intermediário entre os dois primeiros, chamado médio. Durante o jogo de capoeira, cada berimbau possui sua função, e dessa forma, nas rodas de capoeira angola, cada um segue um toque, uma batida diferente. Uma ressalva se faz para lembrar dos mestres que montam sua charanga (bateria) conforme os modos da Luta Regional Baiana de mestre Bimba. Neste caso, mesmo que na bateria existam dois berimbaus, em geral ambos seguem o mesmo toque.

Como existem diversos toques de berimbau, ficando a cargo de cada mestre de capoeira a escolha “certa” ou que mais lhe agrada, sugiro para os interessados a leitura do livro “Monografias Folclóricas 2 ” O Berimbau-de-barriga e seus toques”, de Kay Shaffer. Nesse livro, o autor percorre a história do berimbau e analisa os toques mais utilizados pelos capoeiras mais famosos, inclusive descrevendo os mesmos através de partituras.

De som marcante, o berimbau se tornou um instrumento característico da capoeira. Tão característico que ao vermos um arco musical com esse formato, as pessoas, capoeiras ou não, já associam imediatamente a imagem ao jogo de capoeira. O mesmo não acontece com os outros instrumentos presentes na bateria de capoeira, como pandeiro, atabaque e outros, pois eles aparecem também em outras manifestações da cultura afro-brasileira como o samba, o jongo dentre muitas outras.

O assunto segue e num próximo TOQUE serão abordadas a história e a utilização de outros instrumentos também presentes no ritual do jogo de capoeira.

Pandeiro

Muito difundido e utilizado por diversos povos, o pandeiro é considerado um instrumento muito antigo, encontrado na Índia e até junto aos egípcios (1700 a.C.), com função de instrumento marcador de ritmo e acompanhamento. Da cultura árabe surge o adufe, que é um pandeiro quadrado sem platinelas.

A maior parte dos estudos aponta para chegada do pandeiro ao Brasil por via portuguesa. Inclusive existe registro que esse tambor já estaria presente na primeira procissão de Corpus Christi, realizada na Bahia, a 13 de junho de 1549. Fato esse que reforça a hipótese da chegada do pandeiro em navegações portuguesas para o Brasil, uma vez que a mão de obra escrava utilizada em maior quantidade nessa época era indígena. Com o passar do tempo, o instrumento foi absorvido pelos negros que passaram a utilizá-lo em suas manifestações culturais no Brasil.

Na capoeira, o pandeiro trabalha na marcação do ritmo estabelecido pelo berimbau. Na maioria das rodas de capoeira, o pandeiro utilizado possui pele de couro animal, tornando-se assim menos estridente. Inclusive, existem relatos de que Mestre Bimba retirava algumas platinelas do instrumento, tornando o som ainda mais grave, o que ele considerava o tambor da Regional. Em recente texto sobre instrumentos musicais, o amigo Miltinho Astronauta cita o cuidado que alguns capoeiras têm com seus instrumentos, como o saudoso Mestre Cosmo tinha com a afinação dos pandeiros. Segundo o mestre, os pandeiros deveriam ser afinados no tempo… no sereno, e tocados em pares, onde um marcava o passo e o outro se soltava no solo. 

Atabaque

Assim como o pandeiro, os tambores são instrumentos muito antigos. Difundido na África, o tambor também aparece em registros persas e árabes. Inclusive o termo atabaque é de origem árabe. Mesmo com essa ligação africana, acredita-se que o instrumento já tinha sido trazido por mãos portuguesas quando chegaram os escravos africanos.

Uma vez aqui no Brasil, o atabaque foi incorporado à cultura afro-brasileira de uma forma tão intensa que grande parte das manifestações culturais e religiões afro-brasileiras, se não todas, apresentam o tambor como instrumento musical marcante. O samba, o jongo, o maculelê, o batuque, a umbanda e principalmente o candomblé são exemplos.

Em documentário do diretor pernambucano Alexandre Fafe, apresentado recentemente pela TV Cultura, aparecem velhos e jovens participando de uma brincadeira que eles denominam Batuque de Inhanhum. Muito parecida com o Jongo, essa manifestação de origem negra se apresenta em uma roda, onde homens e mulheres se revezam no centro dançando em duplas, seguindo o som dos instrumentos tocados pelos mais experientes. No documentário, Inhanhum é mostrada como uma cidade muito simples, que através de seus moradores, tenta manter viva a cultura popular da região. Tão simples que o ritmo do Batuque é feito por tocadores de latas e pandeiros. Os instrumentistas que entoam as antigas cantigas utilizam latas usadas (de tinta ou óleo) para desenvolver o som. Ao assistir essa passagem, me veio a idéia do tambor como um instrumento rítmico totalmente intuitivo. Na verdade, o bater sincronizado das mãos nos mais diversos objetos (lembrando Sivuca e Hermeto Pascoal) faz ecoar sons, sendo os tambores construções evoluídas que otimizam assim o som emanado das batidas.

Porém, mais do que um instrumento musical, o atabaque é considerado por muitos um instrumento sagrado. No candomblé, os atabaques possuem participação especial, capazes de realizar, junto com os cantos, a ligação entre o mundo dos homens e dos orixás. Na capoeira, como não poderia deixar de ser, o atabaque se fez presente nos primórdios do jogo. Instrumento que, quando bem tocado, fornece uma beleza maior às baterias, aparece com freqüência nas rodas de capoeira como instrumento de marcação do ritmo estabelecido pelo berimbau. Uma exceção surge nas vadiações dos capoeiras que seguem “à risca” os ensinamentos de mestre Bimba, dentre os quais a não utilização do atabaque.

Mesmo que alguns pesquisadores afirmem que a utilização do tambor na capoeira não teve uma continuidade histórica, e que o atabaque foi introduzido na capoeira recentemente, talvez por Mestre Canjiquinha, com todo o respeito, considero improvável tal fato. Mestre Bimba, retirando o atabaque da sua bateria antes da década de 30 do século passado, só poderia ter tomado tal decisão se o atabaque estivesse presente na capoeira. Além disso, não desmerecendo os recursos e a criatividade do mestre da alegria, Mestre Canjiquinha nasceu em 1925, o que nos leva a concluir, após uma análise de datas, que seria muito improvável que o mesmo tivesse sido o responsável pela inserção do atabaque na capoeira.

Reco-reco

Instrumento comumente feito de um gomo de bambu, ou até mesmo uma cabaça alongada, com sulcos e tocado com uma vareta. Também aparece em construção de metal contendo molas ao invés de sulcos, como pude assistir em roda de mestre Curió. Acredita-se na sua origem africana, uma vez que sempre esteve ligado às manifestações afro-brasileiras. Atualmente, se mostra presente principalmente no samba, mas também empresta seu ritmo à outros folguetos como o lundu e até mesmo o reggae.

O reco-reco históricamente parece ter sido introduzido na capoeria através do Centro Esportivo de Capoeira Angola de mestre Pastinha. Hoje em dia aparece em muitas rodas dando sua contribuição na marcação do ritmo do jogo. Segundo Miltinho Astronauta, Mestre Gato Preto, um dos organizadores da Capoeria Angola no Vale do Paraiba, introduziu uma forma diferente de se dar início à bateria. No caso, o reco-reco inicia tocando, para só então, depois da assistência perceber que o ritual está sendo iniciado, é que o Berimbau inicia o toque de Angola, seguido pelo São Bento Grande, Angolinha (no Viola) e demais acompanhamentos. Mas em outros trabalhos também orientados por Mestre Gato Preto isto não acontece, ou seja, quem começa tocando sempre são os três berimbaus, e o reco-reco entra com os instrumentos de apoio.

Agogô

Instrumento musical formado por dois cones metálicos unidos por um arco também de metal, o agogô é outro instrumento muito presente na cultura afro-brasileira. Sua entrada no Brasil aconteceu com a chegada dos negros africanos. Inclusive o vocábulo agogô é de origem nagô e significa sino. Assim como no caso do reco-reco, sua aparição inicial nas baterias de capoeira ocorreu, possivelmente, através dos mestres Pastinha e Canjiquinha.

Presente em diversas danças e ritmos da cultura popular, sua maior participação é muito comum no samba e nos terreiros, nas cerimônias religiosas afro-brasileiras.

Considerações finais

Esse breve descritivo sobre os instrumentos nos permite navegar um pouco pela história da capoeira, tentando seguir sua evolução até se tornar o que conhecemos hoje. Nos faz perceber o valor da fusão das culturas na formação da capoeira mostrando mais uma vez seu caráter afro-brasileiro.

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Samba de Roda

SAMBA DE RODA


É uma expressão musical, coreográfica, poética e festiva das mais importantes e significativas da cultura brasileira. Exerceu influência no samba carioca e, até hoje, é uma das referências do samba nacional.



O samba de roda teve início por volta de 1860, como manifestação da cultura dos africanos que vieram para o Brasil. De acordo com pesquisas históricas, o Samba de Roda foi uma das bases de formação do samba carioca.


A manifestação está dividida em dois grupos característicos: o samba chula e samba corrido. No primeiro, os participantes não sambam enquanto os cantores gritam a chula – uma forma de poesia. A dança só tem início após a declamação, quando uma pessoa por vez samba de roda no meio da roda ao som dos instrumentos e de palmas. Já no samba corrido, todos sambam enquanto dois solistas e o coral se alternam no canto.


O samba de roda está ligado ao culto aos orixás e caboclos, à capoeira e à comida de azeite. A cultura portuguesa está também presente na manifestação cultural por meio da viola, do pandeiro e da língua utilizada nas canções.

Foi considerado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio imaterial. O ritmo e dança teve sua candidatura ao Livro do Tombo (que registra os patrimônios protegidos pelo IPHAN) lançada em 4 de outubro de 2004, e, depois de ampla pesquisa a respeito de sua história, o samba de roda foi finalmente registrado como patrimônio imaterial em 25 de novembro de 2005, status que traz muitos benefícios para a cultura popular e, sobretudo, para a cultura do Recôncavo Baiano, berço do samba de roda.


Na Capoeira:


O Samba de Roda, como o próprio nome diz, se caracteriza por uma roda em que as mulheres, e também os homens, começam a sambar de tal forma, que todos os capoeiristas presentes acabam entrando no samba. As rodas são sempre animadas e cheias de alto astral e nelas, as mulheres mostram toda sua sensualidade de uma maneira graciosa. Geralmente, o Samba de roda começa após o encerramento das rodas de capoeira gerando a descontração de todos.

 

Curiosidades:

Em alguns terreiros de samba de candomblé como o da Mãe Alice (na Bahia), o Samba de Roda pode ser visto e apreciado na sua forma mais tradicional. As famosas baianas da Mãe Alice como Nita, Edinha, Marinalva, Joselita, entre outras, fizeram parte da chamada TURMA DE BIMBA, nos anos 50 e 60.

A orquestra do samba de roda é composta por pandeiro, violão, chocalho e prato de cozinha arranhado por uma faca.


Samba é uma palavra provavelmente procedente do quimbundo semba e significa umbigda, empregada para designar uma dança de roda popular no Brasil. Músicas essas dançadas pelos escravos e que desenvolveram-se-se em uma área que vai desde o Maranhão até São Paulo. Receberam, em cada Estado brasileiro, um nome diferente e um jeito diferente de ser tocadas. Dos nomes e das ramificações desse ritmo africano temos hoje o tambor de crioula no Maranhão; o bambelô no Rio Grande do Norte; o coco, o milindo, o piaui e o samba no Ceará e na Paraíba; o coco de parelha trocada, o coco solto, o troca parelha ou coco trocado, o virado e o coco em fileira em Pernambuco; o samba de roda e o batebaú na Bahia; o jongo, o samba-lenço, o samba-rural e o samba de roda em São Paulo; o caxambú, o jongo, o samba e o partido alto no Rio.

 

 

Desde 1870, o cruzamento de influências entre o lundu (origem africana), a polca, a habanera, o maxixe e o tango começou a produzir um tipo de música que tendia ritmicamente para o samba. Há muitas variantes de samba por todo o Brasil.


O samba paulista é famoso pela dança de solista em centro de roda e tem como instrumentos as violas, os adufes, os pandeiros. No Rio de Janeiro o samba era inicialmente dança de roda entre os habitantes dos morros. Foi daí que nasceu o samba urbano carioca, espalhado hoje por todo o Brasil, e que tem como instrumentos padrão o tamborim, o violão, o pandeiro, o cavaquinho, a cuíca, o surdo, as caixas etc.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES E VIDEOS SOBRE SAMBA DE RODA:

 

Em Santiago do Iguape, a jovem Riane conta sobre o surgimento dos grupos de samba de roda na comunidade. Um relato sensível e afetuoso sobre uma das manifestações culturais mais importantes do Recôncavo.

Documentário realizado na disciplina Montagem e Edição 2 – Curso de Cinema e Audiovisual – UFRB

A UNESCO,em novembro de 2005, consagrou o Samba de Roda do Recôncavo Baiano como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Este documentário, muito antes de emitir conceitos para explicar um fenômeno,pretende prestar uma modesta homenagem a todas as pessoas que,no pleno exercício da sua brasilidade,são os verdadeiros
responsáveis por essa conquista.