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Taís Araújo tem aulas de capoeira com mestre de Lázaro Ramos

Para viver a golpista Sheila no seriado “O Dentista Mascarado”, Taís Araújo recorreu à capoeira. A revelação foi feita pela atriz durante coletiva para apresentar o seriado realizada nesta segunda (18) em um hotel na zona sul do Rio.

“O seriado tem muitas cenas de ação e sento necessidade de ter um melhor condicionamento físico”, contou Taís, que tem feito aulas com o mesmo professor que treinou o marido, Lázaro Ramos, para a novela “Lado a Lado”. Na trama o ator interpretou o capoeirista Zé Maria.

“Eu já havia feito capoeira quando fiz a Preta de ‘Da Cor do Pecado’. Está sendo ótimo”, frisou a atriz, que abriu mão das férias de três meses pelo seriado.

“Tinha planejado viajar com o Lázaro e o João, mas não consegui recusar esse trabalho. O texto é maravilhoso e o elenco incrível. É também uma coisa nova na minha carreira”, opinou ela referindo-se a fazer parte de uma série cômica.

“Lázaro é um grande parceiro e entendeu que era importante para mim”, disse Taís quando indagada se o parceiro não ficou decepcionado em adiar a viagem.

Sobre o filho, João Vicente, ela garantiu que o menino é “levado” e que tem tido tempo para acompanhar todo seu desenvolvimento.

“Ele já fala e é uma graça. Ainda não colocamos ele na escola, mas tenho tempo para ficar com ele, em um seriado gravamos menos”, explicou a atriz que afirmou que a mudança de visual não confundiu o filho.

“João já é um bofe, nem repara nessas coisas de cabelo. Cheguei em casa depois de ter cortado e ele me pegou na mão e me levou ao quarto dele como se nada tivesse acontecido”, relembrou Taís aos risos.

“O Dentista Mascarado” é escrito por Alexandre Machado e Fernanda Young e tem direção de José Alvarenga. A estreia acontece no dia 5 de abril.

 

Fonte: http://celebridades.uol.com.br

O PORTAL Capoeira RS se uniu ao Portal Capoeira

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O PORTAL Capoeira RS se uniu ao Portal Capoeira do colega Luciano Milani.
Aqui você encontra tudo quando o assunto é capoeira!!
 

Existem três maneiras de você participar do Portal Capoeira. Escolha a forma mais adequada a sua necessidade…
 
1º Registro de usuário do Portal Capoeira. (Sem Contribuição – Free)
Acesso ao conteúdo, a áreas restritas ao usuário, envio de sites ao WebRing e muito mais…
 
2º Registro de Site Membro do Portal Capoeira. (Contribuição)
Alojamento, e-mail, divulgação, criação e gestão do seu próprio site…
www.seusite.portalcapoeira.com
 
3º Parceiro do Portal Capoeira (Sem Contribuição – Troca de Banners)
Presença no diretório de sites parceiros e no WebRing do Portal Capoeira
 
 

Capoeiragem e Capoeiras

Capoeiragem e Capoeiras: "Um artigo valioso para todo e qualquer mestre-pesquisador" – Miltinho Astronaulta
 
Crônica publicada na Revista Criminal (1929, Rio), enviada à Redação do Jornal do Capoeira (www.capoeira.jex.com.br), em formato original, por Mestre André Luiz Lacé.

Nota:
Esta cronica foi publicada em sua integra no Jornal do Capoeira (www.capoeira.jex.com.br), com excelentes comentários do editor do jornal, Miltinho Astronaulta. Vale a pena conhecer e se deliciar com esta pérola da nossa literatura clássica.
Neste sentido o Jornal do Capoeira vem fazendo um trabalho ímpar… onde procura mesclar as informações, as notícias, os eventos e tudo que esta ligado direta ou indiretamente ao universo da capoeira… Resgatando material fundamental para alimentar e fomentar a nossa cultura e a nossa curiosidade…
Uma atenção especial deve ser dada a coluna: Literatura Clássica, mantida pelo Jornal do Capoeira, principalmente pelo seu valor histórico, cultural e raro…
Temos a certeza de que a fórmula do sucesso do Jornal do Capoeira é o trabalho, feito em equipe, por sinal um  excelente time de colaboradores…
 
Nosso site mesmo que informalmente tambem se sente orgulhoso… pois tem Miltinho e o Jornal do Capoeira como "Parceiros…. Amigos"
 
É este nosso jogo… é jogo de camamaradas… em prol da capoeira.
Luciano Milani.

"Capoeiragem e Capoeiras"
por Paulo Várzea (jornalista e capoeira)
 
            Madrid tem o chulo; Buenos Aires, o compadron; Lisboa, o fadista, e o Rio de Janeiro, o capoeira. Nas varias modalidades da sua ligeireza e destreza physica, a capoeira sobrecede os seus rivaes. É um acrobata prodigioso. Salta, desarticula-se todo para passar um tombo, para metter a cabeça. E faz isso de repente, sem alarde, na surdina. Dois, três, quatro golpes seus, simultâneos, continuados, embaraçaram, confundem, atordoam e dominam o adversário.
            Inimigo leal, jamais ataca pelas costas. É um sujeito valente. Alcunhado, também, de capadócio, malandro, bam-bam-bam, o capoeira, como o próprio nome está dizendo, vem das capoeiras ao tempo colonial. E não foi apenas o vadio, o molequete desertor das casernas, o escravo evadido das fazendas, foi também o jornalista, o deputado, o engenheiro e o general. São famosas as scenas de capoeiragem jogadas outróra no Rio, no antigo Café Londres, de madrugada, entre literatos, deputados e militares.
            Naquelle tempo, na terra carioca, a capoeiragem era uma instituição devidamente organizada em partidos: os guyamús, os nagôas, flor da gente, franciscanos, luzitanos, conceição da marinha, conceição da glória, boccas-rasgadas, natividades, monduros, caxinguelês etc.
            Estes partidos travavam diariamente, nas ruas, terríveis conflictos e, porque constituís-
sem sério perigo para a segurança pública, foram depois energicamente combatidos por um próprio capoeira, o Dr. Sampaio Ferraz, ex-chefe de polícia. Diminuídos nas suas proporções, os capoeiras hoje são quase raros e já não mais dão a conhecer pelos grupos, mas isoladamente, pelo próprio nome de baptismo. A terra natal, os bairros, o mulherio, o defeito phisico e moral passaram a influir na celebridade do malandro moderno: "Cardosinho da Saúde", "Hespanholito", "Canella de Vidro", "Galleguinho", "Cabeleireira", "Mulatinho deo Catete", "Camisa Pretas", "Treme-Treme", "Carvoeiro", "Cabo-Verde", "Bonitinho do Castello" e "Paulo da Zazá".
 
O capoeira moderno, como o antigo, não tem occupação. Faz das suas habilidades, da sua disposição o mesmo que faziam os espadachins do século XVII. Consummado acrobata, põe suas façanhas a serviço dos magnatas, dos políticos, do bicheiros e, especialmente, dos donos das tavolagens, desde os clubs elegantes até as batotas sórdidas, desde os cabarés até os ranchos. Na guarda de um desses antros elle é um leão, leão de chácara. Joga ahi, a vida num desprendimento de louco e termina, invariavelmente, numa explosão de tragedia. Há que mostrar as qualidades… "Ou subo ou desço", diz referindo-se a ir para a cadeia (subir) ou morrer (descer).
 
 
Os malandros de facto são ciosos da fama. Considera, a guarda de uma espelunca como um compromisso de vida ou de morte. Não querem ficar com o prestigio abalado, a cara suja… Erradamente, fazemos a idéia de que o malandro é um bandido. Entretanto, elle não é assim tão execrável. Há que o conhecer, para vel-o como é expansivo, maneiroso, sympathico… Quando é inimigo, é cruel; quando vai visital-o e leva-lhe notícias e presentes: o crivo (cigarro), cabello (fumo), papagaio (jornal), tendo antes o cuidado de baratinar o hafra (o guarda) da galeria.
 
Mas, com a mesma mão com que pratica taes generosidades, elle tira uma vida. E, com a mesma habilidade com eu faz essas coisas, tange o violão, o cavaquinho, o berimbao «grifo do Editor». Aquellas modinhas que às vezes ouvimos da cama, cantadas na rua, dormecida e deserta são delle, o poeta seresteiro que recolhe à casa.
O malandro é também um bohemio. E não é capaz de delinqüir de outro modo que não seja com a sua arte. Da capoeiragem, só della, desfruta o provento com que mantém o dandysmo exótico em que vive. Já viram a indumentária de um malandro? É curiosa: chapéo de panno ou de palha cahido sobre os olhos ou atirado par traz, sobre a nuca; na falta do colarrinho, um lenço no pescoço, à guiza de gravata; paletó folgado; calças largas, bocca de sino, bombachas ou balão, cahidad dobre os sapatos de pelica de bico fino com salto apionado ou de carrapeta; prendendo as calças à cintura, um cinto com fivelas complicadas, escondendo a sardinha ou o páo de fogo…
 
Assim vestido, o malandro está frajóla, tem a dica, a herva, a grana, o dinheiro… Mal vestido, está de tanga, a nenhum, teso, limpo… Aos domingos, o malandro dedica-se de corpo e alma á sua brincadeira predilecta – a batucada ou samba.
 
Batucada ou samba é um mixto de divertimento e escola, escola de malandragem improvisada nos terenos baldios, nos recantos longíquos da cidade. Ahi, abrigados da polícia, os malandros romam a roda e iniciam o samba. O ritual é um sapateado marcado pelo batido dos pandeiros, pelo sacolejar dos chocalhos e pelo Coro dos sambistas, cantando o amor e a morte… Nos sambas, também entram mulheres. Puxar o samba é jogar em verso a deixa a um dos pareiros da roda:
 
Por exemplo:
"Sou Arthur de Catumby
Vou tirar uma pequena
Contando daqui p`r`ali
Ella faz uma dezena…"
 
O Coro rompe:
 
"Contando daqui p`r`ali
Ella faz uma dezena…"
 
O puxador corre a roda, trocando passes complicados, fazendo letras, presepadas. De repente pára deante de um parceiro. Finge que vae dar um tombo no companheiro e dá uma umbigada. Esta ceremonia chama-se tirar… É um preceito e um desafio, pelo que cumpre ao desafiado ir substituir no centro, o desafiante. Se o desafiado é mulher, sahe batendo com o salto das chinellas no chão, cadenciadamente, rebolando os quadris, sacolejando os braços num retinir de pulseiras até defrontar um oturo parceiro, a quem repete o preceito e canta:
 
"Sou Zazá de Deodoro
Sambista do tenpo antigo
Derrubei o Theodoro
E agora vou comtigo…"
 
O desafiado entra para a roda e vae reproduzir o ´receito adeante, improvisando:
 
"Já vi muié, é das pouca,
Prepara muito cozido
Já vi muié bate boca
Mas dá in home? Duvido…"
 
E assim, todos os sambeiros, cada um por sua vez, passam pelo centro. Tal é o samba.
 
Mas a batucada é differente. Nella não entram mulheres. Tomam parte somente homens. Os mesmos instrumentos e mais o atabaque; o mesmo modo de sapatear, igual característica. Apenas os batuqueiros ficam em posição de sentido, pés juntos, com a máxima attenção nos movimentos do puxador, cujos golpes são jogados de surpresa para derrubar…
 
"O batuque é da arrelia
Na Saúde e na Gambôa
Masda Favella á Alegria
É dansa de gente atôa…"
 
O côro repete:
 
"Mas da Favella á Alegria
É dansa de gente atôa…"
 
O puxador, mal soa o ultimo verso do côro, manda o golpe> tesoura, rapa, banda, bahú, bahiana, abeçada, susto, cama, bengala, fedegoso, chulipa, rabo de arraia, tombo de lafeira etc. O parceiro que sahiu fora canta:
"Gosto mais da Babylonia,
Topo ambém a Mangueira
Mas nas falas da Colônia,
Eu prefiro a Geladeira…"
 
Todavia, a batucada mais importante é a batucada braba ou surda, ora marcada pelo coro, ora pelas pernas. Ás pernas compete falar pelo individuo, dizer das suas habilitações. Mas, para entrar nessa batucada há que ser malandro de facto e não de informações. Sendo uma reunião onde é posta em jogo a competência do reguez, a ella de ordinário, só acode a malandragem pesada que, por direitos de conquista, representa o prestígio, a força dos diversos reductos da cidade.
            Na batucada surda quando um acompanhamento fala, o outro fica mudo. Quando o côro cala, falam as pernas. As pernas dizem, pelo puxador, o verso e jogam também a deixa… E quando falam as pernas, os olhos se accendem em lampejos de laminas brilhantes para espreitar os movimentos do puxador que ameaça. É a hora das comidas…da onça beber água:
          
–                          Toma, séo Abóbora…
–                          Repete, séo Chandas…
 
            Três, quatro, cinco golpes consecutivos riscam o ar, provocando um arrepio nas espinhas. Afinal um corpo vacila e tomba. Então o coro que está alerta, abafa a queda, cantando a meia voz, ironicamente:
 
            "Boléa,
Boléador…
Boléa…"
 
            No ardor da dansa, os batuqueiros chegam a cheirar a sangue… De mistura com o suor dos corpos offegantes, o bafio quente da cachaça, chamada de capote, quando chove, e de ventarola, quando está calor. E a visão é a de uma scena de pantomina numa paisagem pobre, a meio de uma ruela deserta, com rancho em ruína e lampeões bruxulentos, á cuja claridade da vida os batuqueiros se agitam, cabriolam, rasteja nervosos e espectraes como si fossem fantoches que dansassem e arfassem… E a música rouca, monótona, lúgubre, reboa lá no alto do morro, emquanto cá debaixo a cidade dorme sob o levario de outro das luzes. Neses reductos, a essas horas, a polícia não vae…
E quando apparece, vê apenas para recolher cadáveres com que a farandula da morte costuma saudal-as pelas manhãs…
 
            A Penha, D. Clara, Madureira, Deodoro, Parada Cordeiro foram redctos trdicionaes de sambas e batucadas. Mas hoje os sítios maisecolhidos para essas dansas são os morros: Capão, da Mangueira, Pendura-Saia, Urubu, Salgueiro, Kerozene, Conceição, Mundo-Novo,Paraíso, Favella, Pinto e as estações de Merety e Braz de Pinna.
 
–                          Porque são zonas próprias para o pessoal pyrá…
–                          Isso é verdade…
 
Éramos dois querecordavamos o tempo da coroa sentados áquella mesa. Á porta do café, sujeitos estrnahos divagavam sobre coisas estranhas… Após molhar a palavra, o parceiro proseguiu:
 
–                     Sambistas, batuqueiros de verdade conheci ´pucos e esses poucos foram Apollonio, Bamba, Cento eOnze, Cleto, Albino, Jacaré, Zé Maria, Camaleão, Sahara, Branda, Catita, Espada, Nua, Beatriz, Reúna, Careca, Emerentina e Violeta.
 
Nisto, interrompendo a conversa, approximou-se um mulatinho despachado, que falou:
 
–                          Olá, compadre !
 
O parceiro resmungou:
–                          Olá, mano !
 
Mas o mulato estava com toda a corda e puxou conversa…
 
–                          Quando deixaste Petrópolis?
–                     Menino, eu nunca estive em Petrópolis. Estive, sim, em Therezópolis, no convento. De uma feita tirando 15; da outra 12 (e espalmou as mãos para melhor enumerar s sentenças). Como, vês, não fui lá para sujar no cubo… não sou malandro barato… (E dardejando o olhar em redor, um olhar perscrutador, revelou cautelosamente, como se fosse contar um segredo): Despachei dois. Mas a vaga lá está a sua espera…
–                          Passo. Si a quizesse, tinha ido occupal-a hoje mesmo.
–                          Cachorro quente?
–                          Figuração…
–                          Na boa?
–                          Na boa. Mas tu sabes… eu sou de circo… Fiz a viagem… o besta metteu os peitos… Foi a conta… Caberei elle…
–                          Brucutu…
–                          Chão…
–                          Knock-put?
–                          Não.. o bruto trasteou… Eu lhe disse: "Vem que eu te recebo!" Mas o cabra pediu hábeas, fez meio-dia…
–                          Foi na batata!
–                          Ah! Commigo não tem bandeira… E está ahi como estive vae não vae…
–                          O diabo tenta a gente, Pinga…
–                          Se tenta…
–                          Sempre levando vantagem…
–                          Qual ´o meu? Bem, vou roda… Boas festas…
–                          Já? Mulato presença.
–                          Já, negro frajola.
E o mulato partiu gingando.
–                          Oh! Balão – exclamei.
–                          Conhece-o? – inquiriu o parceiro.
–                          De vista.
–                          É o Pinga-fogo…
–                     Esse é malandro moderno, da turma do Atônico Branco, Joazinho da Lapa, Leão, Broa, Cirineu, Antonico, Ferreira, Petit… gente que se estraçalhou nos entreveros dos clubes.
–                     Mesmo porque os veteranos já se foram na sua quase totalidade: João Ferreira, Prata-Preta, João Grande, Hespanholito, Galleguinho, Carlito, Cardozinho, Zé do Senado, Três Tempos, Braço de Ouro, Bonzão, Satyro, Manoel do Friso, Arthur Mulatinho, Massa-Bruta, Gato Brito, Manduca da Praia, Camisa Preta, Alfredo Bexiga, Leão da Noite, Antonico, Zé Moço, Quitute, Camisa do Paraíso, Zuzú, Mello, Cambuca…
–                          E dessa geração quaes são os que sobrevivem?
–                     Poucos: Gallo, Arthur da Conceição, Cabo Verde, Vacca Brava, Getúlio, Geraldo, Januário, Leopoldo, Guerreiro, Russo da Pirajá, Bonitinho do Castello, Marinheiro, Quincas e Mette-Braço.
–                     Logo essa fúria de destruição entre os malandros é coisa velha e continua mesmo depois que a Polícia passou a perseguir as maltas, essas lutas diminuíram. Mas, quando chegava a época do Carnaval, ellas voltavam a recrudescer.
–                          O Carnaval era um pretexto par o grito de guerra…
–                     Era. As maltas, para passarem despercebidas da polícia, sahiam á rua disfarçadas em cordões. Á frente, mascaradas de caboclos, de reis, derainhas, de velhos, de caveiras, de diabos, iam os chefes, emquanto atrás seguia o corpo da matula empunhando archotes e estandartes dos quaes ressaltavam estes dísticos ameaçadores: Teimosos de São Christovão, Filhos da Machadinha, Destemidos de Catumby, Heroes das Chamas, Invencíveis do Cattete, Dragões do Mar, Triumpho de Botafogo, Couraceiros do Inferno, Estrella da Concordia, Heróes Brasileiros…
–                          E com isso as maltas voltavam a luctar nas ruas, ás barbas da polícia…          
–                          Voltavam.
–                          É assim, muito malandro embarcou…
–                          Muito. Mas hoje não dá mais disso…
–                          A capoeiragem está cahindo…
–                          Qual nada… Em decadência estão os aficccionados…
–                          Achas, então que a capoeiragem é ionvencível?
–                          Sem dúvida…
–                          Mas se já não existem mais capoeiras…
–                          Existem. Mas esses não se prestam a exhibições públicas. O capoeira de facto não se mostra.
–                          É opprtunista…
–                          Justo. E por isso mesmo é que elle diz, e com acerto: Na hora é que se vê. Capoeira de exhibição só os do tempo da mandninga.
–                          E onde ficam os que hoje se exhibem no circos?
–                          Truta…
–                          Tapeação?
–                          Justo…
–                          Tens razão, compadre…
–                          Razão e memória…
–                          E terás baos pernas como tens boa memória?
–                          Só vendo…
–                          Achote-se velho…
–                     Qual velho. Velhos são os trapos… Tenho 62, mas sinto-me tão leve quanto uma pluma. Eu não desminto as qualidades, não nego o nome… Sou o mesmo "Bode" do passado que pulva, que dava marradas… Formei na malta dos guaymús, fui malandro e até hoje não vi piaba que me tocasse, perna que me derrubasse. E si tomei este risco que me deu um guardião de bordo (e mostrou a faze esquerda, onde lhe vi um tremendo gilvaz que ia das pálpebras ao pavilhão da orelha) foi porque estava dormindo… Naquelle tempo, quando havia rolo em terra, a bordo logo diziam: "Isto foi o Bode ou o Apollonio que se espalharam em terra!…" Justamente dali a instantes um de nós dois arribava a bordo escoltado e tendo sob um dos braços um feixe de facões que tomávamos aos "meganhas"…
–                          E hoje serias capaz de repetir a dose, de solta a cachorra?
–                     Deus me livre… Trinta annos de cadeia, na cubata, de sobrado, no convento, transformam os homens. Hoje tenho pavor aos rolos. Só de ouvir o griullo (apito) do cardeal (soldado) eu me aflijo, tremo e soffro…
–                          É o pavor da jaula…
–                          Justo
–                          Deverás?
–                          Deveras.
–                          Mentira… – interrompeu um patusco ao lado.
 
"Bode" deitou ao chereta umolhar de quemn não gostou da patsucada. Assumptou. Por fim espirrou em tom confidencial, na surdina:
–                          Gente de D. Justa. Cuidado…
–                     Compreendi-lhe as falas. Aquelle cabra que mexera com elle era um tira entre outros tirasd. A cana estava ali, braba. Convinha sahir. Dar o fora. "Bode" não perdeu tempo. Empinou-se á guisa de despedida espirrou:
–                          Au revoir. E disponha desse negro.
–                          Para tudo? – perguntei-lhe.
–                          Para tudo.
–                          Mesmo para um gallo?
–                          Conforme… Si for gallo, 50$, estou comtigo… Quem não quer as massas?…
–                          Não, "bode", é para um gallo de briga que eu preciso de ti… Serviço de sangue…
–                          Misericórdia! Sahe azar! Commigo, não!
 
E saltou para a rua, lépido, aos pulinhos, aos corcovos, de cabeça baixa, olhos em fogo. E de repente desabalou num arranco, como si fosse mesmo um bode de verdade, preto, enorme, de duas pernas.
Estaquei na calçada, espantado, perplexo com tamanha agilidade em tamanha velhice. Por fim cheguei a conclusão de que, como o "Bode" , também eu nunca apanhei. Entrei em conflitos sérios, metti-me em batucadas brabas. De uma feita. Na Penha de Nictheroy, parti o braço de um parceiro com uma banda secca…
Pudera, eu era discípulo do mestre "Peru", aquelle malandro esguio e avermelhado que foi cocheiro de carro e que certa vez matou, com uma cabeçada certeira, precisa, um saltimbanco japonez no largo de Camtumby!
Se o "Bode" foi celebre, eu não fui menos famoso… Eu sou o …"Vagabundo",,,, um repórter.
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DESENVOLVIMENTO DE FLEXIBILIDADE

(TREINAMENTO 3 s)

Ter uma boa flexibilidade é sumamente importante para o desenvolvimento do praticante da capoeira, por motivos óbvios, porém que merecem ser lembrados:

– Um atleta com maior índice de flexibilidade tem menor chances de se machucar.

– Melhora consideravelmente sua técnica.

– Sua agilidade e coordenação ganham com isto.

– A prevenção e alívio da sensação tardia de dor muscular que por vezes sobrevém após atividades a que não estamos habituados. É preciso lembrar que não devemos confundir as dores musculares relativas à nossa sensação de desconforto com as advindas de lesão. Um músculo lesionado não deve ser alongado, e por isso deve tomar cuidado quando da identificação das causas da dor.

– A própria essência do jogo da capoeira pede que o seu executante seja flexível, ao contrário de outras artes marciais, embora atualmente exista um consenso geral da importância do trabalho de flexibilidade em qualquer atividade física.
 

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COMO POSSO ENCONTRAR A VERDADEIRA CAPOEIRA?

Mensagem Original
De: Juliana Chahoud
Para: adecan@e-net.com,br
Enviada em: Sábado, 14 de Agosto de 1999, 23:03
Assunto: capoeira
Oi!! Sou estudante e capoeirista, sou apaixonada por esta arte e queria parabenizá-lo por sua página. Gosto muito da tradição da capoeira, o que está sendo muito raro encontrar ultimamente, por isso gostaria de pedir uma sugestão de como posso encontrar a verdadeira capoeira !!
Gostaria de saber sobre o que o Mestre Bimba dizia, e também se ainda é possível encontrar o disco dele.
Desde já agradeço e mais uma vez parabéns por resgatar a verdadeira capoeira ( quase chorei quando vi os manuscritos de Pastinha !).
Um abraço e Salve !
Juliana.

Juliana:
Grato pela msg.

A verdadeira capoeira de cada um de nós e
aquela que mora no corpo de cada qual.
Existem padrões éticos, técnicos
e musicais, porém a capoeira é
a manifestação comportamental
de cada ser
expressão maior da individualidade humana.

Só é capoeirista quem se liberou de todas as amarras culturais e bloqueios psicodinâmicos, inclusive dos mestres e deixa apenas a "capoeira" fluir livre e suavemente pelo próprio corpo, aparecendo nos seus movimentos e estado de espírito.

Os fundamentos estratégicos da capoeira são simples
música, esquiva, parceria e amor.

Sem dúvida alguma, o primado pertence ao amor…
Pela vida, pela capoeira, pela arte, pelo prazer de apenas "jogar" com a pureza e a inocência da eterna criança que existe escondida no coração de cada um de nós.

A postura comportamental de esquiva ao impacto de movimentos, simulados ou não, de ataque ou que envolvam perigo de qualquer natureza trás no bojo a segurança da sua prática, ao lado de reflexos inconscientes de preservação da integridade física e da vida, gerando um sistema de defesa pessoal "sui generais", "instintivo" nas palavras de Mestre Bimba.

A parceria é fundamental.

Sem o parceiro não se pode jogar, nem aprender, a capoeira.

Somente a presença do parceiro permite o desenvolvimento da autoconfianca na capacidade de improvisar os movimentos de esquiva ante a movimentos partidos doutro alguém cuja vontade e intenção não controlamos.
Para conhecermos os pensamentos e movimentos subsequentes de alguém precisamos deste alguém como parceiro-adversário.

A música é a própria essência, a raiz mística da capoeira. Responsável e guia do estado modificado de consciência do capoeirista, comanda a natureza e a dinâmica dos seus movimentos. Controla a agressividade, desfaz os bloqueios psico-dinâmicos e gera o prazer lúdico da sua prática.

A associação destas forças primárias comanda o ritual,
garante o cavalheirismo e esportividade do jogo da capoeira!
O mestre é apenas o maestro,
comanda o balé da vida que chamamos de capoeira!

Existe no mercado um CD "Curso de Capoeira Regional", reprodução digital do disco original de polivil de Bimba, com alguns defeitos técnicos.
Para seu treinamento pessoal recomendo o CD de Moraes "Capoeira Angola de Salvador", que uso para prática individual capoeira como ginástica aeróbica e manutenção da aptidão física.
As palavras de Bimba você encontrará em A HERANÇA DE MESTRE BIMBA
Os nossos comentários de trechos selecionados de Mestre Pastinha encontram-se em A herança de Pastinha.
"Falando em capoeira" encerra minhas observações pessoais, depoimentos, pesquisas, experiências e lições (que recebi de mestres, de capoeiristas e da vida) como médico e como criatura.
Axé!
Decanio.

FOTO-ANÁLISE – GINGADO Decanio e Boinha

Decanio e Boinha
 
O capoeirista ao gingar deve estar relaxado! Para estar relaxado deve estar calmo. Para estar calmo deve estar confiante em si. Para confiar não pode ter medo. Para não ter medo necessita confiar no parceiro e em si mesmo. Para confiar no parceiro deverá obedecer ao ritual e aos preceitos de ética implicitos no jogo da capoeira da Bahia!
As fotos acima exibem a tranqüilidade e o prazer de Boinha, já na terceira idade jogando capoeira com um antigo parceiro.
Observem a foto de conjunto e os detalhes do contexto… tudo é alegria e prazer… o resto é lucro!
A capoeira-jogo pode e deve ser praticada na terceira idade para a manutenção da vitalidade e da alegria de viver!

MOVIMENTOS CIRCULARES EM CAPOEIRA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Os movimentos helicinos, circulares, predominam tipicamente no jogo de capoeira por herança cultural da dança religiosa do candomblé, sua raiz africana.
Como os músculos do corpo humano descrevem um trajeto elipsóide entre o ponto de origem e aqueloutro de inserção, concluímos que os movimento ciclóides devem propiciar maior rendimento motor em termos de velocidade e potência.
Analisaremos a seguir a relevância dos mesmos no gingado, na defensiva, no ataque e na coreografia.

NO GINGADO

O gingado é o movimento ritmado de todo o corpo acompanhando o toque do berimbau, com a finalidade precípua de manter o corpo relaxado; pés apoiados no terço anterior, deslizando levemente sobre o piso e o CGC em permanente deslocamento, pronto para esquiva, ataque, contra-ataque ou fuga.
Característica importante é o vai-e-vem do corpo, ora ensaiando um passo para diante, ora para trás; outras vezes esboçando giros sobre um pés, movimentos descendentes e ascendentes descrevendo espirais que não se concretizam; sempre procurando esquivar das aproximações do parceiro enquanto tenta abordá-lo sob ângulos diversos à procura de pontos indefesos.
Durante o gingado o praticante deve manter-se em movimento permanente, simulando tentativas de ataque, contra-ataque, executando movimentos para atrair ou distrair a atenção do parceiro; sempre vigiando as intenções do parceiro; guardando contínua postura mental de esquiva e proteção dos alvos potenciais de ataques, prestes a fugir, esquivar, negacear ou contra-atacar.
Assim o gingado é o fulcro da capoeira, donde partem todos os seus movimentos.
Por definição e conceito da própria capoeira, só podemos aceitar no jogo de capoeira movimentos gerados a partir do gingado, compatíveis com o ritual da roda e enquadrados no ritmo-melodia do toque de berimbau.
Obviamente, a dinâmica do gingado deve facilitar a esquiva em movimento tangencial, negando ou afastando o corpo do impacto direto.

NA DEFENSIVA

Em decorrência dos movimentos helicinos, os encontros com elementos externos passam a levar orientação tangencial no momento do impacto, transformando o valor da força viva (mv2/2) integral (i.e. multiplicado pelo seno de 90o (=1) num valor menor porque em ângulos > ou < do que 90o o valor do seno é inferior a l.
Deste modo a movimento defensivo circular, além de facilitar a esquiva, reduz acentuadamente o efeito do golpe traumático em ação.
O movimento giratório durante as quedas ou projeções conduz esta conclusão para o momento do impacto, que passa a ser tangencial (ângulo diferente de 90o) e não direto (=90o).
Princípio adotado no treinamento de "ukemi" no Judô, sob a denominação portuguesa de "rolamento", ao lado da "dispersão" da energia cinética pela batida da palma da mão contra o solo em tentativa de desprendimento do contato com o solo.

NO ATAQUE

A funda, que o pequeno Davi usou para vencer o gigante Golias, utiliza a aceleração centrífuga do movimento giratório como propulsora do seu projetil.
Assim, o movimento circular gera aumento da potência dos golpes, incrementando sua eficiência de modo notório, porque na extremidade do segmento contundente a velocidade é, proporcionalmente ao seu comprimento, um múltiplo da original na raiz do membro.
Observe-se também que os caratecas realizam um movimento de torção no momento do impacto para reforçar o impacto dos "tsuki".

NA COREOGRAFIA

O efeito estético da coreografia exige a leveza dos movimentos, a qual empresta aos mesmos uma elegância natural, algo como a evolução sinuosa das serpentes.
Os movimentos circulares, tendo por origem o centro de gravidade, comprometem o corpo como uma unidade, exigem um esforço segmentar bastante reduzido, emprestando graça e naturalidade ao conjunto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A inteligência corporal.

Mestre Yoshida falava muito numa inteligência bulbo-espinhal (Shinkei) em cooperação com a inteligência do cérebro (Nô)
A primeira (infra-encefálica, inconsciente, bulbomedular), atribuída pelo Prof. Jaime Martins Viana à criação de circuitos reverberantes medulares, fruto da repetição freqüente de movimentos durante o treinamento ou execução dum trabalho repetitivo, cujos circuitos seriam responsáveis pela resposta automática, reflexa ante uma situação da qual o SER toma conhecimento por um conjunto de dados periféricos inconscientes, veiculados pelos órgãos sensoriais de todo o corpo, interpretados pelo sistema nervoso central pela comparação, também a nível subconsciente, com situações semelhantes vivenciadas anteriormente.
Justifica-se deste a maior riqueza de recursos exibida pelos detentores de maior tempo de prática da "arte-e-manha de São Salomão", a superioridade técnica dos "mais velhos" e dos mestres, detentores de maior gama de padrões de comportamento, adquirido ao longo do tempo.
Durante a vida, encontrei oportunidades de enriquecer meus conhecimentos e habilidades com o aprendizado de artes manuais sobretudo marcenaria, carpintaria naval, mecânica, pintura automotiva, hidráulica em construção civil e pilotagem de embarcações diversas, entre outras.
Os mestres eram, na sua quase totalidade, de origem africana (sangüínea ou cultural), como soe acontecer em nosso meio e obviamente, adotavam o sistema de transmissão de conhecimentos usual no correspondente ambiente social.
O método é muito simples, inicialmente o mestre executa a tarefa de modo natural, algumas vezes em modo um pouco mais lento, como a enfatizar os momentos mais importantes, sem uso de muitos detalhes orais. A seguir entrega matéria prima e ferramenta, ordena a repetição da procedimento pelo aprendiz e afasta-se enquanto o aprendiz repete o trabalho; retornando para examinar o resultado final.
A repetição da operação permite o aprendizado dentro do potencial do aprendiz, evitando o surgimento dos "teorebas" e "papagaios" tão comuns nos meios acadêmicos, os "mestres" discursivos… parlapatões… "catedráticos" desprovidos de habilidade prática… doutores de beca, de anéis brilhantes, sem argola de outro na orelha, como diria Mestre Pastinha…
A fisiologia nervosa nos ensina que os movimentos complexos são desencadeados a partir de comandos simples.
Ao tomarmos uma colher de sopa, não desdobramos a ordem mental "tomar sopa" numa sucessão de atos voluntários ou conscientes, como:

  1. pegar a colher,
  2. levar a colher até o prato de sopa,
  3. mergulhar a colher na sopa,
  4. retirar a colher da massa líquida, sem derramar a sopa,
  5. levar a colher sem derramar o seu conteúdo, até à boca, etc;

simplesmente pensamos em "tomar sopa" e nosso corpo executa a seqüência completa de movimentos necessários ao cumprimento do desejo; interpretado como uma ordem completa, abrangendo uma série de etapas a serem cumpridas automaticamente.
Esta aptidão para encadear movimentos complexos a nível subconsciente, a serem desencadeado pela ativação de símbolos ou idéias, é que Mestre Yoshida denominava de inteligência medular em contraposição áqueloutra consciente, que está vinculada à atividade da cortical do cérebro.
A "inteligência corporal" tem a capacidade aprender a reagir a situações ambientais, a interagir com a evolução das mesmas a nível infra-consciente e criar manobras adequadas a uma dada situação, com base na experiência acumulada pela vivência pregressa de situações semelhantes.
Explicam-se deste modo as surpreendentes esquivas e/ou contra-ataques fulminantes durante um jogo de capoeira, sem o que o praticante precise analisar a situação ou elaborar uma solução para o momento.
Compreende-se assim a necessidade variar de parceiro, tão logo seja possível, desde os primeiros instantes do aprendizado, para ampliar as variações espontâneas de gestos, movimentos e manobras consoante a personalidade do companheiro. Acresce que a mudança de parceiro acostuma o principiante a não temer a desconhecimento do movimentos do oponente e a confiar nos reflexos do próprio corpo, que improvisa as reações a nível subconsciente.
Conseqüentemente, a repetição mecânica das seqüência, dispensando o acompanhamento meticuloso dos movimentos, sobretudo do movimento do seu desencadeamento, não aperfeiçoa a sua realização, nem multiplica os padrões de reflexos de esquiva e/ou contra-ataques.
Acompanhando cursos e treinamento de principiantes, venho verificando alunos iniciarem movimentos de esquiva antes do esboço do ataque ou executarem movimentos automatizados e desprovidos de objetividade, como a negativa antes da benção. Conseqüência do treinamento intensivo massificado, que poderá ser facilmente corrigida pela início do treinamento com movimentos cuidadosos e lentos, única maneira de evitar o medo de que leva ao principiante a se precipitar na esquiva ou defensiva, anulando o efeito benéfico da prática.
Mestre Bimba não consentia esta antecipação, pois quando o aluno assume o movimento defensivo ou a esquiva, antes do início do movimento do parceiro ativo, transforma uma manobra simulada de ataque e defesa em movimentos dissociados, despropositados e inócuos.
Mestre Pastinha enfatizava o treinamento prolongado sob o ritmo da "bateria" como o ponto alto da sua pedagogia, hábito que os seus seguidores mais próximos conservam até nossos tempos.
É indispensável portanto a confiança no parceiro e o cuidado durante a seqüência de ensino, bem como aguardar o justo momento da esquiva ou defensiva, para desenvolver o "golpe de vista" componente primordial do jogo capoeira.

CONCLUSÃO

As considerações acima nos permitem sugerir o aumento da carga horária de treinamento sob o toque do berimbau no ensino e prática da capoeira, reservando diariamente um período extra de exercícios físicos individuais.
Sistema este adotado pelo Mestre Bimba na época em que iniciei o aprendizado e seguido pelos "mais velhos" do meu tempo, para manutenção da aptidão física
A repetição exaustiva de seqüências de movimentos cria padrões estereotipados de comportamento, que permitem facilmente ao oponente a antecipação do movimento seguinte no seguimento do jogo, ocorrência indesejável e perigosa por motivos óbvios.
É indispensável lembrar que o jogo de capoeira é uma eterno improviso… a cada movimento o risco duma surpresa!

A verdadeira Capoeira…

A verdadeira capoeira de cada um de nós e
aquela que mora no corpo de cada qual.
Existem padrões éticos, técnicos
e musicais, porém a capoeira é
a manifestação comportamental
de cada ser
expressão maior da individualidade humana.
Só é capoeirista quem se liberou de todas as amarras culturais e bloqueios psicodinâmicos, inclusive dos mestres e deixa apenas a "capoeira"
fluir livre e suavemente pelo próprio corpo, aparecendo nos seus movimentos e estado de espírito.
Os fundamentos estratégicos da capoeira são simples
música, esquiva, parceria e amor.
Sem dúvida alguma, o primado pertence ao amor…
Pela vida, pela capoeira, pela arte, pelo prazer de apenas "jogar" com a pureza e a inocência da eterna criança que existe escondida no coração
de cada um de nós.
A postura comportamental de esquiva ao impacto de movimentos, simulados ou não, de ataque ou que envolvam perigo de qualquer natureza trás
no bojo a segurança da sua prática, ao lado de reflexos inconscientes de preservação da integridade física e da vida, gerando um sistema de
defesa pessoal "sui generais", "instintivo" nas palavras de Mestre Bimba.
A parceria é fundamental.
Sem o parceiro não se pode jogar, nem aprender, a capoeira.
Somente a presença do parceiro permite o desenvolvimento da autoconfianca na capacidade de improvisar os movimentos de esquiva ante a
movimentos partidos doutro alguém cuja vontade e intenção não controlamos.
Para conhecermos os pensamentos e movimentos subsequentes de alguém precisamos deste alguém como parceiro-adversário.
A música é a própria essência, a raiz mística da capoeira. Responsável e guia do estado modificado de consciência do capoeirista, comanda a
natureza e a dinâmica dos seus movimentos. Controla a agressividade, desfaz os bloqueios psico-dinâmicos e gera o prazer lúdico da sua prática.
A associação destas forças primárias comanda o ritual,
garante o cavalheirismo e esportividade do jogo da capoeira!
O mestre é apenas o maestro,
comanda o balé da vida que chamamos de capoeira!
"Falando em capoeira" encerra minhas observações pessoais, depoimentos, pesquisas, experiências e lições (que recebi de mestres, de
capoeiristas e da vida) como médico e como criatura.
Axé!
Mestre Decanio.
 
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