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Emancipação, inclusão e exclusão. Desafios do Passado e do Presente

Exposição traz fotos de negros escravos no Brasil

Até o ano de 1888, negros trazidos da África e seus descendentes viviam no Brasil como escravos. Eles trabalhavam sem receber salário e eram submetidos a compra ou troca, como se fossem objetos.

A exposição “Emancipação, Inclusão e Exclusão. Desafios do Passado e do Presente”, no Museu de Arte Contemporânea da USP, traz 72 imagens feitas entre 1860 e 80, de escravos e ex-escravos. A mostra, em parceria com o Instituto Moreira Salles, fica em cartaz até o dia 29 de novembro de 2013.

Na época em que as fotos foram tiradas, já circulavam entre os intelectuais críticas ao trabalho forçado.

Pelas lentes de brasileiros e estrangeiros, os negros –livres, escravizados ou libertos– foram retratados de diferentes formas: como modelos exóticos para análise científica, como parte do cenário ou como figuras principais.

Acervo Instituto Moreira Salles

PARA CONFERIR

Emancipação, inclusão e exclusão. Desafios do Passado e do Presente
QUANDO até 29/10; terça a domingo, das 10h às 18h
ONDE MAC Cidade Universitária (r. da praça do Relógio, 160; tel. 0/xx/11/3091-3039)
QUANTO grátis

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

Matéria sugerida por: Nélia Azevedo

Orgulho e preconceito em um mesmo esporte

Capoeirista de Bauru quer aproveitar os Jogos Abertos para mostrar seu valor e acabar com discriminação

A capoeira é um esporte que sofre preconceito de tudo quanto é lado. Do campo religioso, por parte de alas mais radicais que a associam ao candomblé e umbanda. De etnia, por ser de origem negra. 

E até mesmo esportiva, pois muitos nem consideram a modalidade como prática esportiva. Não bastasse isso, a modalidade teve pouco apoio até mesmo da cidade para acabar com as discriminações sofridas pelos praticantes da modalidade.

“O preconceito está presente, mas seria facilmente suplantado se tivesse mais apoio. Temos um espaço fantástico, estamos numa região boa. Tudo isso contribui para uma divulgação positiva”, comentou Alberto Pereira, professor da Casa da Capoeira e do time bauruense. A modalidade é a quinta da série do BOM DIA sobre os Jogos Abertos. A competição, aliás, é a grande vitrine esperada pelos praticantes. Mais do que medalhas, a capoeira de Bauru quer atenção e respeito no evento que acontecerá em novembro na cidade.

“A gente precisa muito dessa atenção. Tudo o que a gente faz aqui é no peito. Tanto que estamos tentando realizar desde o início do ano um treinamento com a equipe completa, mas não conseguimos. Falta estrutura para trazer todo o pessoal que treina no Fortunato Rocha Lima”, comentou o atleta André Luiz Bastasini, o Parada. Ele ganhou uma medalha de bronze nos Jogos Regionais ao lado de duas atletas que treinam no Fortunato: as irmãs Leda Maria Pereira e Lidiane Maria Pereira. Elas começaram praticamente juntas na capoeira e preferem deixar os problemas de lado para praticarem o esporte que gostam.

“Foi amor à primeira vista. Eu tinha 14 anos e nunca mais parei de ir. Nem mesmo quando eu me machucava eu deixava de ir nas rodas de capoeira”, garantiu Lidiane, que depois completou. “Estou muito ansiosa para que chegue logo os Jogos Abertos”. As duas são as únicas representantes femininas da equipe bauruense. Na capoeira são quatro categorias masculinas e quatro femininas. Mas o time está desfalcado e jogará com apenas cinco representantes. Além dos três já citados, completam o grupo André José e Jorge Oliveira.

CAPOEIRA Bauruense
Objetivos
Equipe está incompleta e sabe das dificuldades que terá na primeira divisão ao lado de Guarulhos, Piracicaba e Ribeirão Preto. Uma medalha, de qualquer cor, já seria um prêmio.

Avaliação BOM DIA
Sem apoio adequado e ainda sofrendo com preconceito, até mesmo uma medalha parece improvável. As maiores chances são no peso médio masculino, mas mesmo assim seria zebra.

Em 2011
A capoeira bauruense não esteve presente nos Jogos Abertos do ano passado, em Mogi Guaçu. Muitos atletas competiram por outras cidades no ano passado pela falta de apoio daqui.

Em família
A equipe feminina de Bauru é uma verdadeira família. E isso não é figura de linguagem. As duas atletas são irmãs e competem juntas. Leda, no meio pesado, e Lidiane, no pesado, estarão presentes.

 

Fonte: GUSTAVO LONGO
gustavo.longo@bomdiabauru.com.br

Osasco: Tarde dos Cantadores

Estaremos realizando no dia 19 de Setembro mais uma edição da “Tarde dos Cantadores”, que ano passado levou um grande público, entre capoeiristas, simpatizantes, familiares e amigos, ao Clube Palmeiras. Este ano vamos levar a nossa festa a Osasco, contando com a presença de todos que ano passado engrandeceram a nossa festa.

Como no ano anterior toda a renda será revertida para a reconstrução do CEMB – Centro Educacional Mestre Bimba – as obras estão a todo vapor, muita coisa já foi feita, mas muita coisa ainda vem por ai. Venham celebrar a música da capoeira, a cultura brasileira!

Ingressos R$ 10,00

Toda a renda será revertida para a reconstrução do CEMB

Obs. Lançamento do CD do Boa Voz – 3 vol.

Local:
Centro de Eventos Pedro Bortolosso
Av. Visconde de Nova Granada, 513
Jd. Alvorada
Osasco – São Paulo – Brasil

Instrutor Lampanche
ABADÁ-CAPOEIRA

Évora, O Nosso Encontro

Foi com muito prazer que participei nos últimos dias 11, 12 e 13 de setembro, na bela cidade de Évora, na região do Alentejo em Portugal, de um encontro de capoeira muito peculiar e também muito especial. Não por caso, esse evento foi batizado de “Nosso Encontro” e chegou agora à sua décima edição.

São 10 anos de uma idéia que surgiu do Mestre Beija-Flor e tornada realidade através da competência e esforço do nosso querido Mestre Umoi, no qual mestres, contra-mestres, professores, alunos ou simplesmente “capoeiras” de Portugal e de vários países da Europa, se reúnem num local belíssimo, para se confraternizarem, trocarem idéias e experiências, jogar muita capoeira – de todos os estilos e matrizes – fazer samba e enfim, recarregar suas baterias para continuar na luta cotidiana pela preservação e valorização da capoeira, na qual todos ali estão firmemente envolvidos.

Évora é uma cidade muito antiga, com registros no século II D.C., provavelmente fundada pelos Celtas e depois conquistada pelos Romanos, que deixaram ali belíssimas marcas da sua civilização como o Templo de Diana, a Grande Muralha que protege a cidade ou o imponente Aqueduto. Posteriormente foi tomada pelos Mouros e depois reconquistada pelos Cristãos no século XII. A cidade tem algo de especial e logo na chegada, o visitante percebe uma certa “magia” no ar, o que levou o grande escritor português José Saramago a dizer que “…Evora é principalmente um estado de espírito, aquele estado de espírito que, ao longo da sua história, a fez defender quase sempre o lugar do passado sem negar ao presente”.

E é nesse belo e mágico lugar, que todos os anos acontece o “Nosso Encontro”, que além dos mestres que há muitos anos são responsáveis pela disseminação da capoeira em terras européias, teve como convidado especial o Mestre Plínio do Grupo “Angoleiros Sim Sinhô” de São Paulo, que fez uma palestra muito envolvente e esclarecedora, principalmente para os praticantes de outros estilos, sobre o universo da capoeira angola, suas tradições e peculiaridades. E demonstrou também suas habilidades de um bom sambista, entoando pérolas do Samba-de-Roda do Recôncavo Baiano, enquanto tocava o seu pandeiro, regado com aquela boa “espremidinha”, na qual tive o prazer de acompanhá-lo.

Encontros como esse, permitem um interessante diálogo e uma rica convivência entre os participantes, e mais do que isso, permite uma conscientização cada vez maior sobre a importância de se conhecer a capoeira com mais profundidade, de se respeitar sua diversidade, de compreender e valorizar as tradições dessa arte, sem ignorar as transformações pelas quais a capoeira também passa, pois capoeira é cultura e como tudo que é cultura, é dinâmico e se transforma constantemente. Por isso vale aqui lembrar novamente as sábias palavras de Saramago: “…defender o lugar do passado, sem negar o presente“.

Fica aí  a sugestão: em 2010, vamos todos à Évora !!!

Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Livro: “MESTRES E CAPOEIRAS FAMOSOS DA BAHIA”

RELEASE DO LIVRO: “MESTRES E CAPOEIRAS FAMOSOS DA BAHIA”

Autor/Coordenador: Pedro Abib 

O livro MESTRES E CAPOEIRAS FAMOSOS DA BAHIA, foi lançado no último mês de março no Forte da Capoeira em Salvador-Bahia. Esse livro se baseou numa pesquisa histórica apoiando-se também em referências sócio-antropológicas, que realizou um levantamento biográfico sobre 50 mestres e capoeiras da Bahia já falecidos, entre os mais representativos dessa manifestação.. 

A execução da pesquisa ficou a cargo do Grupo MEL (Mídia, Memória, Educação e Lazer) da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, sob a coordenação do Prof. Pedro Abib, residindo atualmente em Lisboa-Portugal e que é também capoeirista há 20 anos, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Participaram como pesquisadores, uma equipe multidisciplinar de alunos da graduação e pós-graduação de várias áreas do conhecimento (Educação Física, Artes Plásticas, Pedagogia, Comunicação). 

Esse livro busca recuperar a memória dos tempos áureos da capoeira baiana através de histórias e casos envolvendo os capoeiristas mais famosos, como os mestres Pastinha, Bimba e Besouro Mangangá, alguns mais conhecidos como Noronha, Cobrinha Verde, Canjiquinha e Valdemar, mas também outros menos lembrados, como Pedro Mineiro, Inocêncio Sete Mortes, Caboclinho, Duquinha, Pedro Porreta, Aberrê, Samuel Querido de Deus e Noca de Jacó, sem também esquecermos de algumas mulheres, como Maria Doze Homens, Cattu, Salomé e Angélica Endiabrada, entre outros tantos personagens. 

Procuramos utilizar, como fontes dessa pesquisa, todas as vozes a que poderíamos ter acesso: aquelas que surgem de documentos, livros, registros, notas de jornais, manuscritos, fotografias, filmes, gravuras e desenhos; mas também, aquelas vozes que surgem de relatos orais, “causos”, cantigas, mitos, lendas e do depoimento de pessoas que foram contemporâneas e, de certa forma, conviveram com muitos dos personagens enfocados neste trabalho. Uma busca difícil e minuciosa por traços de um passado ainda a ser melhor compreendido pelas gerações do presente e do futuro.  

Muito se tem ainda, a pesquisar sobre essa fonte inesgotável que é a história dessa gente marginalizada que deu dignidade e reconhecimento à capoeira. Recuperar esse passado é uma tarefa que ainda se faz necessária. Essa pesquisa foi apenas um passo inicial. 

COMO ADQUIRIR O LIVRO

Contatos:

NO BRASIL: com a editora edufba@ufba.br

NO EXTERIOR: com o autor pedrabib@gmail.com Tel. em Portugal: (351) 965577554

Capoeira na Escola, uma ferramenta no auxílio do aprendizado

Nada mais importante do que a "Educação".
 
Dentro deste contexto alternativo a Escola Municipal Primeiro de Maio, no Bairro de Massaranduba, Bahia, utiliza diversas ferramentas para melhorar o padrão do ensino e a frequência escolar, entre elas a CAPOEIRA.
 
Para nós capoeiristas é uma honra e uma felicidade saber que a "nossa arte" está sendo utilizada com MESTRIA, seguindo o bom caminho e possibilitando aos alunos a "VERDADEIRA ESCOLA DE CIDADANIA"
 
Luciano Milani

 

 

Professores reduzem a taxa de repetência
Fernanda Santa Rosa – A Tarde On Line – Salvador

Com metodologia de ensino alternativa e comprometimento da comunidade escolar, a Escola Municipal Primeiro de Maio, no bairro de Massaranduba, está conseguindo driblar os padrões negativos da educação brasileira. Tanto que, a partir do dia 10 de setembro, a pequena unidade escolar vai ser apresentada nacionalmente em uma campanha televisiva do Ministério da Educação (MEC), como modelo de gestão.
 
O colégio foi escolhido depois que, no final do ano passado, se destacou no estudo Aprova Brasil, realizado pelo MEC em parceria com o Unicef. A pesquisa selecionou os 33 melhores resultados em aprendizagem num universo de 40 mil escolas públicas do País. Em apenas dois anos, a Primeiro de Maio conseguiu reduzir a taxa de repetência, de 32,1% para 6,8%, e o índice de evasão, de 12,2% para 4,7%, graças a projetos de valorização da identidade dos alunos e da comunidade.
 
No ano passado, o destaque foi o projeto Histórias e memórias de Itapagipe, que motivou os alunos, com pesquisas, palestras, maquetes e visitação aos locais históricos. “Como o assunto tem a ver com a realidade das crianças, elas despertam o interesse, e os pais ficam mais participativos”, explica a diretora Simone Barbosa.
 
Ela conta que, este ano, a iniciativa tem continuidade com o programa Amar, cuidar e viver Itapagipe. As aulas são voltadas para o meio ambiente. “A maioria dos pais são catadores de material reciclável, e tem muito menino que se sente humilhado. Explicamos a importância deste trabalho”, diz a diretora.
 
Mudanças – O resultado se percebe em garotos como Jutahy Neves, 10 anos, aluno da 3ª série do ensino fundamental. Antes agressivo e disperso, o menino tem, hoje, notas acima da média e bom comportamento. “Antes, eu só tirava 2, era ruim mesmo nos estudos. Agora, tiro 7 e até 9”, diz o estudante, com orgulho. O mesmo acontece com Alysson Santos, 11 anos, na 4ª série. “Já não faltava às aulas, mas agora está mais interessante, por causa da capoeira”, garante.
 
Outro ponto que indica o caminho para o sucesso é o envolvimento da população local, com professores voluntários de artes, música e capoeira. A professora Lindalva Lima, embora seja contratada, faz questão de se unir a este time da boa vontade e extrapolar as suas funções convencionais. Conhecida moradora da comunidade, ela vai à casa de cada aluno da escola com mais de três faltas para saber os motivos da ausência. “Além de ensinar, sou secretária e também ajudo na limpeza, porque acho que é um trabalho com amor. Meus filhos se criaram aqui”, diz.
 
Apesar de bons resultados, a escola passa por dificuldades para se manter. A unidade tem instalações muito reduzidas para os 291 alunos da educação infantil à 4 série. Os recursos da Secretaria Municipal de Educação (Smec) não são suficientes para garantir a expansão dos projetos.
 
“Fizeram uma reforma em janeiro, trocando as divisórias da sala, o que melhorou problemas, como o barulho. Mas falta muita coisa, como lugar para os eventos e atividades às quais a gente se propõe”, diz a diretora. Para a visitação do bairro, no ano passado, ela lembra que, por falta de um veículo, só teve uma solução: “Fomos somente a alguns lugares e a pé”.
 

A Capoeira e as Crianças: Renovação e Alegria

Hoje se comemora o dia da criança. Precisamos de data certa para comemorar quase tudo. Além de toda a festa e animação proporcionada pelo período, vem à mente daqueles que um dia também já foram crianças uma série de lembranças e saudades que somente quem as viveu sabe dá o devido valor.
 
Momentos únicos que não voltam mais. Amigos, lugares, estradas, objetos, situações que ficam guardadas em algum lugar confortável das nossas memórias.
 
Tempos bons àqueles onde não sentíamos o peso do mundo. As responsabilidades e desafios que o tempo joga nos braços de todos…
 
Fase em que tudo se torna superlativo, enorme… Onde o sentimento de proteção era evidente… Daqueles amigos de infância que hoje só guardamos aquela última imagem durante uma brincadeira… Onde estará aquela tranqüilidade, que surgia no fim de cada noite, sem ter nenhum “abacaxi” para se resolver no outro dia…?
 
                                     Ah… que saudade da infância!
 
Onde o sentimento de proteção era evidente… Daquela paixão de infância… Saudade de ser criança onde se faziam amizades de forma rápida e duradoura sem usar de critérios preconceituosos ou absurdos que os adultos possuem…
 
Tempos em que a maior preocupação era encontrar outro motivo para brincar ainda mais… Saudades de brincar no quintal do melhor amigo o dia inteiro e repetir tudo no outro dia… de subir em árvores mesmo com a bronca dos pais…
 
Mas nem todas as crianças usufruem dessas realidades de brincadeira e alegria.
Fome, abandono, abusos… formam o dia a dia de muitas crianças em todo o planeta.
Ao som de um berimbau, crianças que um dia estiveram nessa situação de estar às margens da sociedade, aos poucos estão recuperando o sentido de ser criança novamente.
 
A inclusão social, o bom andar acadêmico e o respeito com os pais são os reflexos mais visíveis.
 
A Capoeira integra. Faz com que a criança aumente significativamente seus laços sociais e perceptivos e toma consciência do fator coletivo do qual ela faz parte.
 
Muitos são os projetos por todo o planeta que usa a Capoeira como ferramenta para a inserção das crianças no meio social. Pais e responsáveis por essas mesmas crianças estão em crescente confirmação de que a ginga é uma via saudável de bem-estar e de aumento do ciclo de amizades.
 
Algo que é cristalino como a água: o fator de renovação da Capoeira por intermédio dessa meninada. O objetivo de sempre é buscar a consonância com a realidade, os caminhos por onde a Capoeira irremediavelmente terá que percorrer. A evolução que está sendo discutida, mais de forma parcial e com interesses em anexo, não contribui em nada para o real crescimento sustentável da nossa arte-brasileira.
 
O brincar de uma criança é a manifestação pura da nossa arte-ginga!
 
Movimentos, embalos e canções que nos leva a um passado nem tão distante de leveza e sentimentos naturais embasados num pensamento de criança.
 
                         Ah, que saudade da infância!
 
Tempos onde queríamos ser adultos e hoje queremos voltar a ser crianças. Paradoxo que ninguém explica. Talvez por vivermos neste “mundo cão”, resta-nos, às vezes, mergulhar em todo aquele mar de ótimas lembranças que jamais sairão da mente… Cheiros, visões, sensações, lugares que fazem parte de um passado, mas que parecem intactos no nosso presente…
 
Mas tudo ocorre em seu tempo…. Todas as fases da vida nos ensinam algo que irá repercutir em todos os campos da existência de cada um… Isso acontece comigo, com você, meu camarada! Ninguém foge desta regra natural! O tempo é o senhor de tudo e de todos! Não há vitória se tentar lutar contra ele… Porém, uma aliança de boa convivência é possível e necessária.
 
É sempre bom lembrar de coisas boas! E vamos lembrar que as crianças de hoje, serão os futuros detentores do conhecimento da Capoeira de um amanhã cheio de expectativas. Elas serão as mensageiras de uma esperança restaurada, de uma Capoeira livre de parcialidades ou cânceres de alguns interesses pessoais. Uma Capoeira consciente e renovada a cada geração! Sempre preservando a memória daqueles que fizeram da Capoeira uma arte reconhecida e lutando todos os dias contra a visão marginal que a luta cultural carregava e que ainda hoje tenta se livrar de algumas manchas que alguns trataram de depositar em nossa expressão de cultura…
 
Vamos utilizar a simplicidade das crianças e sustentar de forma ampla e definitiva os preceitos e objetivos do sempre crescer da nossa arte Capoeira!
 
Fiquemos com as crianças e não com as infantilidades na arte de lidar com as responsabilidades!
 
O desejo é único: Felicidades e pensamentos que formem opiniões para as nossas crianças! E que a Capoeira seja sempre o parque temático desse universo que sucessivamente ganha novas cores no olhar de cada criança ao pé do berimbau.
 
Abraços fraternos, camaradas!
 
Shion

Hoje não quero falar…

Ladainha…
 
Hoje não quero falar de racismo sexista, não quero articular debates, não quero ver nenhuma legislação, não quero o drama cotidiano da discriminação, não quero falar dos véus negros das mulheres muçulmanas nem das tristezas femininas do Sudão, muito menos do choro das
circuncisadas da Guiné Bissau e nem do ácido jogado no rosto de centenas de paquistanesas.
 
Hoje, mas só hoje, não vou falar do turismo sexual que explora e mata o amor no coração de meninas moças brasileiras.
Só para termos um dia legal, hoje eu não vou falar das jovens armadas no Iraque e nem das escravas violentadas nas colônias européias, nem das pobres e faveladas mendigando dignidade.
 
Hoje eu não quero lembrar “o porquê” foi criado o Dia Internacional da Mulher, das 129 operárias queimadas vivas em Nova Iorque ou do estopim da Revolução Russa liderado por tecelãs e costureiras em Petrogrado.
Só hoje prometo não falar das grávidas expulsas de casa, nem das estupradas, espancadas e torturadas.
 
Apenas por algumas horas eu não falarei da trágica invisibilidade das mulheres no passado.
Hoje eu vou contar vitórias como as de Teresa de Benguela, Dandara, Rosa do Palmeirão, Luísa Mahin, Beatriz Beata de Nhançã, Fogareiro, Patrimônio, Janja, Selma, Edna, Cigana, Mulheres, mulheres, mulheres, Marias, Claudias, Sarahs, Morganas e Janaínas, Mulheres…Cristinas, Natálias, Lilians, Mulheres…
 
Nossas conquistas de pernas pro ar, mas só hoje eu não quero lembrar o quanto nos custou dirigir uma Roda de Capoeira.
Maíra Hora

Acúrsio Esteves: Sobre a “Semana Decanio”

O Mestre Decânio na verdade significa um grande elo entre o passado e o presente da capoeira. Como representante do passado é um dos mestres mais antigos que desfrutou e muito da companhia do Mestre Bimba e é, conforme o depoimento apresentado por Luciano Milani "um dos principais responsáveis pela criação e documentação da Luta Regional Bahiana".

Como representante da atualidade é uma das personalidades da capoeira que tem contribuído de forma significativa e abundante com excelentes publicações sobre diversos aspectos da capoeira, se configurando assim como um dos mestres mais antigos e atuantes do Brasil e do mundo. E o melhor de tudo isso, é que tenho o privilégio de gozar da sua companhia, oportunidade em que partilha comigo os seus vastos conhecimentos sem reservas nem pulo-do-gato.

Na foto estamos Decânio e eu, em momento de "papoeiragem". Este comentário refere-se à "Semana Decânio: Uma Homenagem ao Mestre"


O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNIBAHIA/UNEB e é professor da Secretaria Municipal de Educação de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu.
Contactos: (71) 3233-9255 / 9946-4743 – acursio@oi.com.br, acursio1@terra.com.br

Decanio, aluno de Bimba

 Decanio, aluno de Bimba, no filme MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA
 
Sobre a atividade de estivador de Bimba :
 
Ele era ajudante de carregador. O trabalho dele principal qual era?
carregar a faca dos estivadores. Como? Ele subia o elevador do taboão. Onde
tinha um posto policial, que, correr os estivadores, que eram conhecidos
como valentões, como brigões, pra pegar as facas.

Comprava um pão de um quilo, isso ele me contou foi assim cortava no meio,
enfiava fazia um buraco e botava o cabo, enfiava do outro lado e emendava o
pão. Passado o posto policial, ele entregava os pães a cada estivador e ia
embora