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Os Velhos Mestres da Vadiação Baiana

VIEIRA, Luiz Renato. Os velhos mestres da vadiação baiana. Revista Capoeira, n. 7, 1999

Neste texto, pretendemos abordar alguns aspectos da capoeiragem baiana do início do século passado — principalmente dos anos 30 aos anos 50 — , a partir de informações obtidas junto aos chamados “velhos mestres”, alguns dos quais já falecidos, como os mestres Caiçara, Canjiquinha, Bobó, Ferreirinha, Paulo dos Anjos e Waldemar da Liberdade, também conhecido como Waldemar do Pero Vaz. Na realidade, para falar da capoeira baiana do início do século passado, seria necessário destacar a participação de figuras como Samuel Querido de Deus, Nagé, Aberrê, Juvenal, Barbosa, Onça-Preta, Amorzinho, Zacarias, Cabelo Bom e outros. Mas não é nossa proposta detalhar a vida e os feitos desses grandes capoeiras, neste momento. Daremos maior ênfase a alguns dos que fizeram a ligação da antiga capoeiragem baiana com a realidade que vivemos, hoje em dia.

Os “velhos mestres” da capoeira da Bahia são considerados os guardiões das tradições da capoeira. É preciso notar que, em outros estados brasileiros, principalmente no Rio de Janeiro, também encontramos velhos mestres, defendendo as tradições da nossa arte-luta, mas aqui nos referiremos somente a alguns dos mestres baianos. Quando falamos de velhos mestres, estamos tratando, na verdade, de pessoas que, ao longo dos anos, acumularam imensa experiência nas rodas de capoeira e na vida, tornando-se importantíssimas referências para os capoeiras das gerações mais novas. Esses personagens da história da capoeira vêm sendo redescobertos e valorizados. Muitos ainda vivem em grandes dificuldades e alguns outros chegaram a morrer na pobreza, como mestre Pastinha. Esperamos que, com o grande crescimento que a capoeira vem apresentando, esses verdadeiros mestres tenham seu lugar reconhecido na história da cultura popular brasileira.

A maioria dos velhos mestres baianos representa a escola da capoeira Angola (embora alguns se recusem a aceitar a dicotomia Angola/Regional) e entre eles podemos citar: Bobó, Caiçara, Canjiquinha, Ferreirinha, Paulo dos Anjos, Waldemar do Pero Vaz, João Pequeno, Gigante, João Grande e Curió. Dessa lista, infelizmente, apenas os quatro últimos ainda estão vivos.

É muito difícil estabelecer, rigorosamente, “linhas de filiação”, quando falamos dos velhos mestres, uma vez que no tempo em que a maior parte desses grandes capoeiras iniciou-se na luta, a prática era informal e, em alguns casos, realizada nas ruas de Salvador, aos domingos ou nas festas de largo. No entanto, mestre Pastinha aparece como a mais importante figura nas tradições da Angola e referem-se a ele como “o mestre que me ensinou”, entre outros, os mestres: Curió, João Pequeno e João Grande. Na realidade, além de ter sido um respeitado mestre, Pastinha se destaca como o principal articulador da capoeira Angola junto aos poderes públicos de sua época, obtendo apoio dos órgãos de turismo e outras instituições estaduais e municipais. Alguns dos velhos mestres ressaltam seu papel como “presidente da capoeira”, principalmente em virtude de sua atuação na fundação do Centro Esportivo de Capoeira Angola, em 1941, com o objetivo de reunir alguns dos melhores capoeiristas da Bahia. Além de mestre Caiçara, contribuíram para a organização do Centro Esportivo de Capoeira Angola, Pastinha, Traíra, Pivô, Waldemar da Liberdade e outros capoeiras da época.

Os mestres Canjiquinha e Caiçara foram discípulos de Aberrê, que Caiçara descreve como “um filho de escravos trazidos da África”. Bobó e Ferreirinha afirmavam ter aprendido capoeira com mestres de Santo Amaro da Purificação, respectivamente Benedito de Santo Amaro e Antônio Asa Branca. Mestre Gigante, também conhecido como Bigodinho, aprendeu a arte com um dos capoeiristas mais famosos de seu tempo, o Cobrinha Verde, tendo depois praticado no Centro Esportivo de mestre Pastinha. Freqüentou por muito tempo, também, a academia de Capoeira Regional de mestre Bimba que, segundo fomos informados, o considerava “o melhor tocador de berimbau da Bahia”. Mestre Paulo dos Anjos, recentemente falecido e um capoeirista mais jovem entre os velhos mestres, foi aluno de mestre Canjiquinha. Mestre Waldemar do Pero Vaz, tendo iniciado a prática da capoeira em 1936, já com 20 anos de idade, foi aluno de capoeiras que figuram como verdadeiros mitos na nossa memória: Canário Pardo, Piripiri, Talavi e Siri-de-Mangue. Mestre Waldemar tem um papel particularmente importante na história da capoeiragem baiana porque, antes de Pastinha se destacar como o principal organizador dos angoleiros, já figurava como liderança que unia os “bambas” da capoeira tradicional, não vinculados à escola de mestre Bimba.

Naquela época, o aprendizado ocorria de maneira vivencial; na maioria dos casos, na própria roda de capoeira. Assim, o iniciante aprendia com os jogadores mais experimentados, informalmente. Embora, já em 1932, tenha sido fundada por mestre Bimba a primeira academia, o aprendizado informal da capoeira, nas ruas de Salvador, predominou até meados da década de 50. De acordo com mestre Gigante, “Naquela época não havia academia. Somente no dia de domingo é que tinha a vadiagem na rua” .

Mestre Waldemar, por exemplo, como já afirmamos, organizou por muitos anos a roda mais famosa de Salvador, no Corta-Braço, na Estrada da Liberdade. Comparando o aprendizado informal de sua época com os treinamentos de capoeira nas academias atuais, observou: “A roda na Liberdade era ao ar livre, perto do arvoredo. Eu fazia o ringue na sombra e botava a rapaziada pra jogar. Depois eu fiz um barracão de palha grande, e vinha tudo quanto era capoeirista da Bahia”.

Assim, o jogo da capoeira aparecia integrado ao cotidiano do povo, como a “pelada”. Embora existissem os “cobras”, não havia uma rigorosa exigência do domínio da técnica do jogo, mas apenas o conhecimento do ritual da roda e o respeito ao mestre e aos mais antigos. Mesmo havendo os pontos tradicionais de reunião dos capoeiras, principalmente nos domingos à tarde, qualquer ocasião em que se encontrassem era propícia à realização de rodas. Portanto, os bares, as praças, os mercados e as feiras, freqüentemente, eram palco de rodas inesperadas. Eram também comuns as rodas realizadas com o objetivo de recolher dinheiro dos assistentes para ser distribuído entre os capoeiristas. Em alguns locais, estes recolhiam com a boca as cédulas lançadas ao chão da roda, executando complexos movimentos de destreza e equilíbrio sobre as mãos ou, simplesmente, “passando o chapéu” entre os assistentes.

Sendo uma prática comum no cotidiano da época, a capoeira não exigia nenhuma indumentária especial: o praticante participava calçado e com a roupa do dia-a-dia. Nas rodas mais tradicionais, aos domingos, alguns dos capoeiristas mais destacados faziam questão de se apresentar, trajando refinados ternos de linho branco, como era comum até meados deste século. Vejamos o que disse mestre Paulo dos Anjos sobre o assunto: “Seu Waldemar ia pra roda de capoeira vestido de linho diagonal, uma fazenda que não era qualquer um que vestia não. Chapéu Rameson 3x e sapato da Clark. Você que fosse jogar com ele e, por desacerto, sem querer, você encostasse seu pé sujo no linho diagonal de Waldemar. Não era nem louco!”.

São muito comuns, na literatura e nos depoimentos, as referências ao traje branco dos capoeiristas do passado, o que se relaciona com a tradição de que capoeira que é bom não cai, nem permite que o outro lhe encoste o pé. No entanto, esse traje não chegou a caracterizar uma vestimenta específica para o jogo. Apenas mais tarde, no final da década de 50, as academias de capoeira passaram a adotar uniformes diferenciados pelas cores das camisetas e das calças, embora mestre Pastinha já adotasse o uniforme amarelo e preto, desde os anos 40.

Os ambientes freqüentados pela maioria dos capoeiristas e o contexto em que aconteciam as rodas, eram fatores que colaboravam para os diversos choques com a polícia, embora o último período de ferrenha perseguição aos capoeiras baianos tenha sido a década de 20, quando foi chefe de polícia, Pedro de Azevedo Gordilho, conhecido como Pedrito. Então, a partir da década de 30, foi deixando de existir uma atitude repressiva, especificamente contra os capoeiristas, mas a polícia continuou criando problemas para muitos. Entre os mestres mais idosos da Bahia, há os que se referem, orgulhosamente, aos conflitos de que participaram, inclusive com a polícia, ilustrando o discurso com suas cicatrizes de facadas e tiros, como mestre Caiçara. Mas Canjiquinha também ressalta a perseguição de que foi vítima: “A gente jogava capoeira nos dias de domingo. Não tinha academia e quando aparecia a polícia a gente tinha que sair correndo”.

Por outro lado, há casos em que a própria polícia ajudava a “manter a ordem” nas rodas, o que nos mostra como sempre foi complexa a relação da capoeira com as instituições e o poder no Brasil. Vejamos, por exemplo, o que afirmou mestre Waldemar, sobre a roda que organizava na década de 40: “Uma vez, eu fui na delegacia da Liberdade pedir ao delegado que mandasse polícia para olhar a roda que eu fazia. Tinha muito capoeirista aparecendo lá e criando confusão. Ele disse que não precisava não: ‘mande seus alunos dar uma cipoada neles e trazer aqui’”.

Os mestres eram figuras altamente respeitadas, destacando-se dos demais pela habilidade no jogo, nos toques do berimbau e nas cantigas. Alguns dos mais famosos que mantinham rodas de capoeira eram mestre Bimba, que fazia roda aos domingos no Alto de Amaralina; mestre Waldemar do Pero Vaz, com sua roda na Estrada da Liberdade; mestre Pastinha, que reunia os capoeiristas no Largo do Pelourinho e mestre Cobrinha Verde, com sua roda no Chame-Chame. Os mestres ocupavam lugar especial nas rodas de capoeira. Era sempre o mestre que iniciava e encerrava a roda, fazia recomendações nos cânticos e podia comprar qualquer jogo que estivesse acontecendo, escolhendo qualquer capoeirista para jogar. Além disso, não se permitia comprar jogo de mestre: apenas outro capoeirista, na mesma condição, poderia fazê-lo. Os mais antigos ressaltam, insistentemente, o fato de que nas rodas, hoje em dia, os mestres não são tratados com a distinção dos outros tempos. Nas palavras de mestre Curió: “Tem alunos que chegam na roda e tomam o berimbau do mestre, tomam o berimbau de minha mão. No meu tempo não tinha isso não. O mestre dava se quisesse. E quando o mestre estava jogando, o aluno não podia entrar”.

É importante ressaltar que, embora questionem algumas atitudes dos capoeiras da atualidade — como, por exemplo, o desrespeito aos rituais tradicionais —, os velhos mestres, em geral, demonstram grande admiração pelo crescimento e reconhecimento que a capoeira vem alcançando. De uma certa forma, podemos dizer que é a concretização de seus sonhos, embora ainda haja muita coisa a fazer e a resgatar do passado.

Temos, realmente, muito a aprender com esses mestres. Entendemos que a história não é a ciência do passado, mas a chave para que possamos, conhecendo o passado, construir um futuro melhor. Há fundamentos essenciais que podemos aprender ouvindo, observando e conhecendo as histórias e estórias desses importantes personagens da nossa história e da nossa cultura.

 

As entrevistas citadas foram realizadas entre 1988 e 1989, e constam do livro:

VIEIRA, Luiz Renato. O jogo da capoeira: corpo e cultura popular no Brasil. 2a ed., Rio de Janeiro: Ed. Sprint, 1998.

 

Mestre Luiz Renato

Mestre de Capoeira do Grupo Beribazu, formado pelo Mestre Zulu. Sociólogo, mestre em sociologia (UnB) e doutor em sociologia da cultura (UnB/Univ. de Paris I – Sorbonne). Especialista em políticas públicas e gestão governamental (ENAP-MPOG). Ensina a capoeira desde 1981. Coordenador do Projeto Capoeira Atividade Comunitária – Centro de Capoeira da UnB desde 1990. Autor de livros e diversos artigos sobre a capoeira e outros temas relacionados à educação e à cultura popular publicados em revistas científicas nas áreas de políticas públicas, ciências sociais e educação física. Professor universitário e Consultor Legislativo do Senado Federal na área de cultura. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2001134054398981

 

Fonte:

Grupo de Estudos de História da Capoeira

Blog do Grupo de Estudos de História da Capoeira, vinculado ao Projeto Comunitário Capoeira – Centro de Capoeira da UnB

http://estudoscapoeira.blogspot.com/

2ª Caminhada em homenagem aos mestres da tradição afro-brasileira destaca os anciãos da Congada

O Afoxé Asè Omo Odé, casas de Candomblé e Umbanda, grupos de Capoeira e Congada realizam uma grande caminhada para reverenciar a história de Pai João de Abuque, Mestre Bimba, Mestre Pastinha e também Mestre Mancha Negra, Seu Onofre e Seu Osório, no dia 18 de setembro, a partir das 15h, no Setor Pedro Ludovico, em um momento de afirmação da cultura negra em Goiânia.

O papel fundamental dos mais velhos na cultura afro-brasileira revela a força de uma tradição que tem resistido às transformações do tempo e da História: a transmissão oral de valores, concepções e saberes que compõem a memória coletiva desse grupo social. E é também por meio dessa forma específica de preservar sua cultura e sabedoria de vida que os anciãos são reconhecidos como mestres, como guardiões da memória e da tradição.

E com o objetivo de resgatar a história desses mestres que têm em comum a luta pela cultura afro-brasileira, é que a Associação Desportiva e Cultural Capoeira Mestre Bimba, por meio do Afoxé Asé Omo Odé realiza neste sábado (18/09) a partir das 15 horas, uma grande caminhada que visa reunir representantes de várias expressões culturais e religiosas de Goiânia em homenagem a Pai João de Abuque, o mais antigo babalorixá e primeiro ancestral do Candomblé Goiano; Mestre Bimba, o criador da Capoeira Regional; Mestre Pastinha, um dos ícones da Capoeira Angola e também Lázaro Eurípedes Silva (Mestre Mancha Negra), Seu Onofre Costa dos Santos e Seu Osório Alves, três importantes mestres da Congada em Goiânia.

A caminhada sairá do Ilè Ibá Ibomim, Casa de Pai João de Abuque, localizada na rua 1059, qd.134, lt.04, Setor Pedro Ludovico às 15 horas e percorrerá a rua 1064, a avenida Circular e depois retornará à Casa de Pai João, onde será realizado o encerramento do evento, com apresentações culturais de congada, capoeira e samba de roda, um momento de valorização da riqueza e diversidade da cultura afro-brasileira. “Essa segunda edição da caminhada é a continuidade de um trabalho de reconhecimento da história e luta desses mestres que nos dão força para continuar. Se estamos aqui hoje, devemos isso a eles”, afirma com entusiasmo Mestre Luizinho, filho de Mestre Bimba, ogã do Ilé Ibá Ibomim e organizador da caminhada.

Guardiões da memória

Pai João de Abuque

O Candomblé em Goiás tem como referência a figura de João Martins Alves, mais conhecido como Pai João de Abuque, o primeiro babalorixá do Estado. Um grande mestre e pai de muitos filhos, que iniciados em sua casa, o Ilè Ibá Ibomim, hoje também são babalorixás; homem de vida simples, mas que apesar de todas as dificuldades tinha sua casa sempre aberta para acolher os outros. E apesar de sua experiência na religião, Pai João de Abuque falava que ainda estava aprendendo e por isso sempre recorria a um mestre mais velho, a quem devia respeito e gratidão.

Na década de 1990, Pai João de Abuque, juntamente com outras lideranças afro criou o Afoxé Asé Omo Odé, bloco que levou o candomblé e a cultura afro-brasileira para as ruas da capital, nos carnavais de 1990 a 1993, e que sob a proteção de Oxóssi continua a destacar as cores, os ritmos, e as bênçãos da religiosidade de matriz africana em Goiânia, relembrando assim a história de vida e luta de Pai João, que em setembro de 2006, tornou-se o primeiro ancestral do candomblé goiano.

Mestre Bimba

Em um momento histórico em que a prática da Capoeira era proibida, Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como Mestre Bimba ao fazer uma reinterpretação de elementos físicos e simbólicos desse jogo criou a Luta Regional Baiana, depois chamada de Capoeira Regional. E ao destacar seu potencial artístico e educativo, Mestre Bimba lutou pela valorização da cultura negra na sociedade baiana.

Buscando o apoio que não teria recebido em Salvador, em 1973, Mestre Bimba mudou-se com a família para Goiânia, cidade onde faleceu em fevereiro de 1974. Porém, o legado desse mestre e da capoeira regional se mantém na memória, e se renovam na continuidade de seu método, que por meio de seus filhos e discípulos é transmitido hoje nos quatro continentes.

Mestre Pastinha

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, ou simplesmente Mestre Pastinha, foi um dos primeiros capoeiristas a analisar a capoeira como filosofia, destacando assim a natureza desportista e lúdica desse jogo, principalmente em sua capacidade de comunicação.  Assim, também teve papel significativo na legalização da Capoeira e em seu reconhecimento como fenômeno cultural e prática esportiva.

Mestre Pastinha faleceu em 13 de novembro de 1981 em Salvador, mas permanece vivo nas rodas de capoeira e nessa tradição que continua sendo transmitida por aqueles que outrora foram seus alunos e hoje também são importantes mestres, como João Grande, Curió, Bola Sete, João Pequeno e tantos outros, que imortalizam o amor incondicional de Mestre Pastinha à Capoeira Angola, “mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista.”

Nessa segunda edição da caminhada também três anciãos da Congada em Goiânia são homenageados: Lázaro Eurípedes Silva (Mestre Mancha Negra), criador e presidente do Terno Moçambique; Seu Onofre Costa dos Santos, fundador da Congada Irmandade 13 de maio e Seu Osório Alves, capitão do Terno Verde e Preto da Congada da Vila João Vaz. Mestres que com os ritmos da caixa de congo, os cantos, as danças, as rezas e os louvores a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia, esses mestres mantêm viva a congada, expressão artística e também um espaço de celebração da cultura e religiosidade de matriz africana, expressa em cores, ritmos, movimentos corporais e valores pelos quais homens e mulheres são capazes de preservar essa tradição, que une parentes e amigos pela continuidade dessa memória coletiva. “Nada mais justo do que destacar o trabalho dos mestres da Congada, conhecedores e divulgadores da cultura afro-brasileira em Goiás, acrescenta Mestre Luizinho.

A Associação

Com 11 anos de existência, a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba tem desenvolvido diversas ações de valorização da cultura e religiosidade afro-brasileira em Goiás. Por meio da capoeira, do afoxé, do samba-de-roda, e da puxada-de-rede essa instituição criada por Luis Lopes Machado (Mestre Luizinho) divulga o legado de Mestre Bimba, e assim também o rico universo da tradição afro-brasileira.

Para a realização desta Caminhada, a Associação tem como parceiros a Belcar Caminhões, Secretaria de Estado de Políticas Públicas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (Semira), Pontão de Cultura República do Cerrado, Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), OlhO Comunicação Estratégica, DJ Claudinho e o Bloco Negróides Baque Cerrado.

Serviço

2ª Caminhada em homenagem aos mestres da tradição afro-brasileira
Data: 18 de setembro    
Horário: 15 horas
Percurso: Saída da Casa de Pai João de Abuque (Ilé Ibá Ibomim) na rua 1059, quadra 134, lote 04, no Setor Pedro Ludovico.
Mais Informações: Ceiça Ferreira (62) 8191-2122 / Janaína Gomes (62) 8419-2739

Oficina Luso-Belga de Capoeira Angola

Através dos núcleos na Europa, nas cidades de Bruxelas e Coimbra, dirigidos por Mestre Faísca, o CECA-RV estará realizando um evento intitulado Oficina Luso-Belga de Capoeira Angola, com a seguinte reflexão:

 

O C.E.C.A. Rio Vermelho e a expanssão da Capoeira Angola.

 

O acontecimento buscará destacar o fato da AJPP-CECA-RV estar dando oportunidade a diferentes contextos sociais entrarem em contato com um conhecimento produzido a partir da diáspora africana no Brasil.

Pautado na preservação e propagação da Capoeira Angola, a partir da concepção do Mestre João Pequeno de Pastinha, o trabalho dirigido por Mestre Faísca tem como objetivo manter vivo o legado dos Mestres Benedito, Pastinha e João Pequeno, atuando na formação de novos angoleiros. O que significa um trabalho amplo que envolve fundamentalmente um modo-de-ser, ou seja, a transmissão de um saber, de um conhecimento, através da relação mestre/discípulo. Desta forma, a Capoeira torna-se um bem cultural capaz de informar a vida em sociedade, bem como um elemento fomentador de diálogo e convivência harmônica entre pessoas de diferentes culturas e nacionalidades.

Através dos ensinamentos passados por Mestre João Pequeno de Pastinha, Mestre Faísca conduz um trabalho voltado a produzir núcleos de pesquisa e formação. Uma iniciativa coletiva em que se desenvolve um trabalho considerando todas as pessoas participantes de forma igualitária, independente da origem ou de outra forma de diferenciação social, como, por exemplo, etnia ou religião.

Há distinção apenas por mérito, estando todo o trabalho, tal como uma unidade, direcionado por uma linha de conhecimento. O que não permite uma condução diferenciada nos diferentes núcleos por seus responsáveis, uma vez que, independente da graduação destes, todos se reportam a Mestre Faísca como responsável pelo trabalho de formação e pesquisa da cultura afro-brasileira.

Dessa maneira, a AJPP-CECA-RV afirma uma lógica de expansão da Capoeira Angola pautada, não pela prestação de serviço, nem pela disputa de mercado, mas sim pela disseminação de uma manifestação cultural que tem sua especificidade no que se refere à transmissão do conhecimento e de seus valores. O que significa buscar o saber ancestral de um Mestre de Capoeira Angola, que, pela transmissão oral, conduz o aprendizado e a consequente perpetuação da arte.

 

Mestre Faísca
A.J.P.P. – C.E.C.A. – Rio Vermelho

www.ceca-riovermelho.org.br

(71) 8813-9060 / 9214-5476

Portugal: Capoeira Angola a semente começa a germinar

Capoeira Angola inaugura Academia Alabê em Santarém.

A Capoeira Angola “Grande Pequeno Sou Eu” inaugura dia 8 de Maio, às 14h00, em Santarém a 1ª Academia de Capoeira Angola, em Portugal. Do programa de inauguração consta às 14h00 uma aula com o Mestre Robson Bocão e às 18h00 uma Roda com o capoeiristas presentes.

A nova academia de capoeira, vai ficar instalada no terceiro andar do prédio número 16 da Avenida 5 de Outubro (Av. Das Portas do Sol), em Santarém. O acto de inauguração é aberto a toda a população.

O Mirante – http://semanal.omirante.pt

 

Nota do Editor:

Gostaria que o conceituado meio de comunicação on-line (O Mirante – http://semanal.omirante.pt), verificasse de forma mais responsável a reportagem pois como parece muito óbvio a academia do Mestre Bocão não é e nunca foi a 1ª Academia de Capoeira Angola, em Portugal.

Este tipo de posicionamento acontece com frequência e por vezes jovens ou inexperientes jornalistas comentem este tipo de descuido…

É certo de que não existe uma grande tradição de Capoeira Angola em Portugal e nos últimos anos, felizmente, temos tido a honra e a alegria deste estilo, largamente praticado em outros países da europa, estar finalmente sendo finalmente “plantado” em solo Portugues.

Conheço pessoalmente o Mestre Bocão e sou um admirador da sua capoeira, e de forma alguma venho fazer este comentário para desmerecer ou diminuir seu excelente trabalho…

Apenas me coloco como parceiro e também responsável por um dos principais meios de comunicação direcionada ao capoeiragem, com o respeito e a coerência necessária para escrever e publicar artigos.

  • Fica a reflexão e também algumas referências importantes:

Mestre Pé de Chumbo (CECA) já mantém em Portugal trabalho com capoeira angola a alguns anos em Aveiro, sendo responsável por um dos mais belos momentos da capoeira portuguesa quando nos brindou com a visita do Grande Mestre João Pequeno de Pastinha.
Contra-mestre Pernalonga (Irmãos Guerreiros – Cazuá) também mantém um excelente trabalho na linha da capoeira de “Pastinha” no Porto.

Sucesso ao camarada Angolinha, responsável Academia Alabê em Santarém.

Seja bem vindo Mestre Robson Bocão, é certo que Portugal está carente de grandes profissionais da Capoeira Angola como o senhor para disseminar esta antiga arte, repleta de misticismos, códigos e malandragem…

Assim outros como eu que adoram a capoeira, poderam ter mais opções para “vadiar”…

Um forte abraço

Luciano Milani
www.portalcapoeira.com

Mestre Boca Rica no Forte da Capoeira

Nascido em Maragogipe, no lendário recôncavo baiano, Manoel Silva veio pra Salvador aos 15 anos e se filiou na Academia de Mestre Pastinha, acompanhando-o até seus últimos dias. Com vários CDs gravados, depois de percorrer diversos países, ele questiona: “Os grandes mestres, como Bimba, Pastinha, Valdemar, se acabaram na maior lástima. O que se vende da Bahia é a capoeira e o candomblé, mas cadê os poderes públicos que não apóiam, não ajudam? É um descaso com os mestres antigos”.

Para as novas gerações, Mestre Boca Rica relembra: “Mestre Pastinha falava: Eu sei que vou morrer, mas quero ver a capoeira no lugar dela, no teatro, na televisão, no cinema, na escola, na universidade… Aí eu falava comigo: será que esse velho tá ficando maluco? E não deu outra, a capoeira veio crescendo, hoje tá em mais de 200 países pelo mundo afora. Nós já estamos descendo a ladeira e são vocês que têm que levar essa capoeira de angola pra frente, não a deixar morrer, se acabar”.

Mestre Boca Rica, que recentemente se afastou da presidência da ABCA, mantém sua academia em Salvador, Bahia no Forte da Capoeira.

 

Utilidade Pública:

Segunda à sexta:  Aula de Toque/Ritmo e Movimento
Quarta: Roda aberta ás 19:00 hrs

Local: Forte de Santo Antônio além do Carmo (Forte da Capoeira) Salvador – BA

 

Contato: [email protected]

Pastinha: Filosofia e Poesia

Em homenagem à Vicente Ferreira Pastinha, o Portal Capoeira exalta o Mestre, propondo a toda comunidade capoeirística o “VIVA  PASTINHA”.

Um mês dedicado a Vida e Obra deste Grande Homem e Mestre de Capoeira.
Dia 05 de Abril, Mestre Pastinha iria completar 121 anos, se estivesse “fisicamente vivo”…

Deixo-vos com a excelente crônica do Grande Amigo e Colaborador do Portal, Pedro Abib.

Luciano Milani

PASTINHA: FILOSOFIA E POESIA

A história do Brasil é recheada de fatos e personagens surpreendentes. Alguns desses impressionam pela força de sua personalidade, pela dimensão de seus atos, pela sabedoria de suas palavras e pela importância de seu legado.

Estou falando de Vicente Ferreira Pastinha – o Mestre Pastinha. Mulato franzino, filho de um comerciante espanhol e uma negra vendedora de acarajé, tornou-se um dos símbolos mais importantes não só da capoeira, mas de toda cultura afro-brasileira.

Nascido no dia 5 de abril de 1889 em Salvador, Pastinha conta que aprendeu capoeira ainda menino, com um ex-escravo chamado Benedito, que frequentemente via Pastinha apanhando de um menino mais velho, na rua, em frente à sua casa. O velho escravo então chamou o menino Pastinha e disse que ia lhe ensinar uma coisa, e que ele nunca mais ia apanhar desse menino. Foi assim que Pastinha se iniciou nas artes da capoeiragem.

Aos 12 anos, Pastinha entrou para a Marinha e chegou a ensinar capoeira por lá. Depois disso, mesmo trabalhando em diversas profissões como engraxate, vendedor de jornal e na construção civil, o seu envolvimento com a capoeira não diminuía. Porém, Pastinha ficou sumido por um bom tempo, cerca de 20 anos, e desse período não se tem nenhuma notícia sobre ele. Ele só reaparece já no início dos anos 40, quando então é apresentado ao guarda civil Amorzinho, e assume o Centro Esportivo de Capoeira Angola, que o tornou famoso. Foi lá que ele construiu os alicerces que serviram de base para a constituição da capoeira angola nos moldes que conhecemos nos dias de hoje.

Pastinha assumiu um papel de destaque na capoeira por possuir uma grande capacidade de liderança e, sobretudo, por conseguir elaborar toda uma filosofia em torno dessa manifestação, que foi capaz de elevar a capoeira do lugar de onde se encontrava – a marginalidade e a contravenção – para tornar-se um dos mais importantes símbolos da cultura nacional. Os seus manuscritos, organizados com muito carinho pelo mestre Decânio e posteriormente publicados, são um legado para as futuras gerações e constituem-se como um verdadeiro tratado de filosofia humanista, além do seu caráter profundamente poético.

A capoeira espalhou-se pelos quatro cantos do planeta, e mestre Pastinha é reconhecido no mundo inteiro por ter sido um dos nomes mais importantes na luta pela preservação de uma cultura que foi historicamente perseguida e violentada, mas que hoje goza de um enorme prestígio, onde quer que um berimbau soe seus acordes. Devemos isso a ele. Salve Mestre Pastinha – o Guardião da Capoeira Angola !!!

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Academia de João Pequeno de Pastinha – CECA: QUÃO NEGRO SOMOS

Camaradas, Divulgo a todos o evento em S.Carlos que a Teia das Culturas (ponto do cultura onde temos o nucleo da Academia de João Pequeno de Pastinha sob coordenação do Mestre Pé de Chumo) está realizando junto com seus parceiros.
Compareçam…
Abraços
Dedê

Academia de João Pequeno de Pastinha – CECA


ENCONTRO DE FORMAÇÃO “QUÃO NEGRO SOMOS”
Módulo I

Este encontro de formação visa reunir diversas ações direcionadas à valorização dos saberes da cultura popular afro-brasileira, objetivando estabelecer um diálogo entre diferentes atores envolvidos com a transmissão destes saberes no município de São Carlos, bem como contribuir para a troca de experiências e interlocução entre os conhecimentos transmitidos no ambiente escolar e os saberes da cultura popular afro-brasileira. É direcionado ao corpo docente da rede municipal de ensino, estudantes, pesquisadores e demais interessados da comunidade são carlense.

PROGRAMAÇÃO

18.03 – Quinta-Feira
Local: Paço Municipal
19h – Mesa de abertura: Cultura Afro-Brasileira na Educação: Parcerias e Possibilidades. Presença de representantes: Ministério da Cultura, Prefeitura Municipal de São Carlos, NEAB/UFSCar e Teia – Casa de Criação
20h30 – Apresentação Cultural: Grupo Girafulô

19.03 – Sexta-Feira
Local: Paço Municipal
19h- Mesa: Perspectivas na relação entre saberes populares e escolares. Presença de representantes dos Grupos Culturais: Urucungus, Ação Griô, Teia das Culturas e da Câmara Técnica de Educação das Relações Étnico-Raciais, do Conselho Municipal de Educação de São Carlos.
20h30 – Cortejo: Grupo Rochedo de Ouro / São Carlos

20.03 – Sábado
Manhã – SESC São Carlos
9h00 – 10h30 Mostra de Trabalhos da Cultura Popular Afro-Brasileira (exposição de painéis com ações, experiências e projetos desenvolvidos em São Carlos).
10h30 – 12h- Roda de Conversa: Cultura Afro-Brasileira: Ações Locais e Troca de Experiências (troca de experiências entre professores-autores dos trabalhos apresentados, grupos de cultura popular, sociedade civil organizada e comunidade).

Tarde – SESC São Carlos
14:30h – 18:00
Oficina I: Formação de Pedagogia Griô (com o grupo Ação Griô) Público-alvo: professores e educadores (Ação Griô)
Público-alvo: professores e educadores

Oficina II: Práticas Culturais com o Grupo Urucungus – Campinas
Público-alvo: estudantes

Noite – Teia – Casa de Criação
19h – 22h Hora Feliz
Encontro Aberto de Confraternização

21.03 – Domingo
Local: Centro da Juventude Elaine Viviane – Monte Carlo
15h – 22h Festival Cultura
Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia João Pequeno de Pastinha; Companhia de Santo Reis Estrela Guia, Grupo Rochedo de Ouro, Grupo de Pesquisa e Prática em Danças Brasileiras – Girafulô, Ala Show da Escola de Samba Rosas Negras, Jamil e o Grupo de Catira Pés Palmas e Coração, Mc Teddy paçoca e Beat Majester’s CPP São Carlos, Urucungos Puítas e Quijêngues. Alimentação e Feira de Economia Solidária

INSCRIÇÕES

As inscrições para participação no evento só serão aceitas via e-mail: [email protected]

Dados a serem encaminhados para Inscrição:

Nome:
Endereço:
Cidade:
Telefone:
Título do Trabalho
(caso queira apresentar trabalho no dia 20.03):
Instituição em que trabalha:
e-mail:

Importante: Só serão emitidos certificados aos participantes que estiverem presentes em todas as atividades dos dias 18, 19 e 20. O módulo II desta formação será oferecido no 2º. semestre. Serão emitidos certificados totalizando 30h aos participantes dos módulos I e II.

APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS

Serão aceitos trabalhos como relatos de experiências, atividades, projetos em andamento ou concluídos na área de Cultura Popular Afro-Brasileira. As inscrições são gratuitas e o período para envio dos trabalhos é de 26 de Fevereiro a 12 de Março de 2010. As inscrições serão efetivadas por meio do encaminhamento dos dados de inscrição, juntamente com o resumo do trabalho anexado ao e-mail para o seguinte endereço: [email protected] Só serão aceitas as inscrições encaminhadas por e-mail.

INFORMAÇÕES

Informações sobre inscrições, resumos, formato dos painéis: [email protected] ou na Secretaria Municipal de Educação 3373-3223 c/ Lucelina.

Saiba mais sobre a Programação: www.teia.org.br

Um Menino de 92 Anos

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

O mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha.

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de Capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.

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CECA Florianópolis – Ancestralidade na Roda

Convidamos todos vocês para o evento que estamos realizando em Florianópolis, com o tema Ancestralidade na Roda, sejam bem vindos.

Academia João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola – Florianópolis na direção do Mestre Faísca promoverá Oficina de Capoeira Angola, com a temática “Ancestralidade na Roda”. A Oficina faz parte de uma série de vivências proporcionada pela passagem do Mestre Faísca na ilha de Florianópolis.  Nos dias 13 e 14 estará ocorrendo atividades abertas a comunidade, na qual no dia 13 haverá exibição de um Vídeo Documentário sobre a vida do Mestre Pastinha e sua importância para História da Capoeira; e no dia 14 a Oficina de Capoeira Angola. Após as atividades teremos oportunidade de dialogar e refletir junto às orientações do Mestre.

Diante de nossa cultura Ocidental em que se estimula exageradamente o imediatismo, e muitas vezes desprezam importantes referenciais históricos, que o contato com os mestres desta arte se faz indispensável e fundamental para a construção do conhecimento que tem como base de transferência a Oralidade. É no empenho de possibilitar essas vivências que focamos a questão histórica e Ancestral da Capoeira angola, e mais especificamente do Centro Esportivo de Capoeira Angola, no sentido da construção e fortalecimento dos valores e princípios preservados pelo mestre Pastinha, e mantidos vivos pelo Mestre João Pequeno

Os valores e princípios da capoeira angola fazem dela um instrumento poderoso de desenvolvimento pessoal e social. Sua prática ajuda a estimular a concentração, equilíbrio físico e mental, além de promover integração social. Neste universo cultural todos devem ser incluídos, pois sua ritualística acontece a partir da integração de um coletivo, e deve prevalecer uma dinâmica que possibilite uma interação comunitária para além das relações individualistas tão presentes na nossa sociedade moderna.

A Academia João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola – Florianópolis existe desde meados de 2004, e tem o desafio de dar continuidade a semente do Mestre Pastinha e contribuir para mantê-lo vivo na roda da Capoeira Angola, dado a sua importância e riqueza para a história e cultura de nosso país. Vicente Ferreira Pastinha morreu no ano de 1981, e durante décadas dedicou-se ao ensino da Capoeira. Mesmo completamente cego, não deixava seus discípulos. Ele continua vivo nos capoeiras, nas rodas, nas cantigas, no jogo. Ele morre em corpo, mas vive em espírito, e deixa um legado que é referência para nós deste Centro. E como nesta cultura devemos respeitar e valorizar os mais experientes, celebramos o Dr. Mestre João Pequeno como referência maior da ancestralidade desta arte, já que há 28 anos ele vem tomando conta e supervisionando os fundamentos da Capoeira Angola, que foi confiado pelo Mestre Pastinha.

Mestre Faísca - Ancestralidade na Roda - Florianópolis“João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”. Mestre Pastinha

Vibrações Positivas,

Mestre Faísca

A.J.P.P. – C.E.C.A. – Rio Vermelho

www.ceca-riovermelho.org.br

tel: (71) 8813-9060

Cinema de graça no Forte da Capoeira

O Centro Esportivo de Capoeira Angola – CECA, que funciona no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, promove, nesta sexta-feira (30), às 19h, mais uma sessão do projeto Cinema, Capoeira e Samba. A entrada é gratuita.

O projeto acontece todas as últimas sextas-feiras de cada mês, exibe filmes e documentários em DVD sobre a capoeira e outros aspectos da cultura e da história da Bahia.

Desta vez serão exibidos os filmes “Pastinha, uma vida pela capoeira”, de Antonio Carlos Murici, e “A linha do trem, um caminho esquecido”.

Depois das exibições, acontece a tradicional Roda de Samba Tradicional, com o Grupo Botequim.

O Forte de Santo Antonio Além do Carmo fica localizado na Praça Barão do Triunfo, Largo de Santo Antônio.

 

Mais sobre o Forte da Capoeira

O projeto “Forte da Capoeira”

Em 1997, visando recuperar e reformar a estrutura física do imóvel, permitindo que nele se desenvolvessem atividades artísticas e culturais que garantissem a sua utilização e preservação, o Ministério da Cultura e o Governo do Estado, através do IPAC, iniciou estudos que levaram à elaboração de projeto de restauro, a cargo da arquiteta Etelvina Rebouças. Essa elaboração foi financiada pelo Programa de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR I), com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e o custo das obras, previstas para serem executadas em doze meses, estava estimado de 2,5 a 3 milhões de Reais. Aguardava-se, entre fins de 2004 e início de 2005, a aprovação final pelo IPHAN, definindo os critérios para que as mesmas pudessem ser licitadas. A Companhia de Desenvolvimento Urbano (CONDER), que acompanhou o processo desde o início, deveria ser o órgão executor da reforma, já tendo inclusive providenciando pequenos reparos no imóvel, enquanto não se iniciam as obras. Outros recursos para a intervenção deviam ser captados, prevendo-se a possibilidade de terem como origem a segunda etapa do PRODETUR II.

O tema que garantiu a identidade cultural e a auto-sustentação do forte foi a Capoeira, uma vez que as suas instalações vinham sendo utilizadas desde 1981 pela Academia de João Pequeno, discípulo de Mestre Pastinha. Posteriormente, o segundo pavimento passou a ser utilizado pelo Grupo de Capoeira de Angola Pelourinho (GCAP), de Mestre Moraes.

Graças à ONG Associação Brasileira de Preservação da Capoeira – Forte da Capoeira, com o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria da Cultura e Turismo (SCT), é que foram disponibilizados os recursos para a recuperação e restauro do monumento, sob a coordenação das arquitetas Vivian Lene e Luciana Guerra. No local foram implantados um pátio para atividades coletivas com cerca de 800 metros quadrados, um memorial alusivo aos grandes mestres da capoeira baiana (com objetos pessoais, bibliografia, fotos e vídeos) e seis salas de aula para a prática da capoeira. A estes somam-se ainda espaços para videoteca, biblioteca, oficina de fabricação de berimbaus, caxixis e pandeiros, e jardim. Complementarmente, os capoeiristas contam com um anexo, composto de duas áreas externas de recreação, quadra poliesportiva e parque infantil, utilizados como espaços de lazer pela comunidade do local e de bairros vizinhos.

Após a conclusão das obras de reforma em fins de 2006, o forte foi reaberto como Forte da Capoeira – Centro de Referência, Pesquisa e Memória da Capoeira da Bahia, instituição que tem por objetivo preservar e promover a Capoeira.

Desde 5 de novembro de 2007, com o novo governo estadual, o forte passou a ter uma nova gestão, através do IPAC e do Governo do Estado da Bahia.

 

Fontes: http://ibahia.globo.com e Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/