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Exemplo da Mulher-Capoeira!

Decidi divulgar esta matéria, publicada originalmente no Jornal do Capoeira,  por considera-la de grande importancia e desta forma também homenagear o lindo trabalho deste grupo de guerreiras!
Luciano Milani

Nesta crônica, homenageamos o trabalho extraordinário realizado pelas professoras Bebezonas do Ginga dos Ventos – Capital Paulista.
CAPOEIRA GINGA DOS VENTOS
Uma família de guerreiras
Preliminares:
Essa arte fascinante que é a capoeira é algo realmente singular em sua pluralidade. Explico! Ao mesmo tempo que, quando questionados, muitos mestres respondem "não sou A nem B, sou Capoeira", ao colocarmos em prática as formas de expressar nossa Capoeira é possível observar um amplo espectro de diversidade.
 
Quando dei início à série "Coletânea da Capoeira em São Paulo" – sonho idealizado por Mestre André Lacé, e que aos poucos vai ganhando adeptos – tratei de elencar os mestres, grupos e capoeiras que representariam a Capoeira em nosso Estado. Considerando-se, é claro, as diversas formas da prática e época.
 
Em se tratando da "coletânea", o time começa a receber reforço, ou seja, alguns volumes de Coletâneas da Capoeira em alguns estados já estão em andamento. Na Paraíba, João Pessoa, Benedito dos Santos (Bené) é quem coordena os trabalhos. No Rio Grande do Sul é a vez do Tairone Sant´anna (Gigante). Em São Luis do Maranhão o Prof. Leopoldo Vaz encontra-se com a tarefa de casa bem adiantada.
 
Em São Paulo estamos, a bem da verdade, em uma força-tarefa: Raphael Moreno em São Carlos; Carlos Cavalheiro em Sorocaba e eu na região do Vale do Paraíba e Litoral Norte. E tem mais gente chegando!
 
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E “seu Bimba” foi notícia até em Sorocaba

Artigo sobre a repercussão em Sorocaba, São Paulo, da vinda de Mestre Bimba e seus discípulos para a Capital Paulista, ano de 1940

Por Carlos Carvalho Cavalheiro
Sorocaba – São Paulo
Maio de 2005
 

Ao Mestre Damião, com admiração.

                                                            

                  Manoel dos Reis Machado, conhecido como Mestre Bimba, criador da capoeira regional baiana, esteve em São Paulo no final da década de 1940, a partir de contatos de alunos seus com empresários de lutas e amigos da capital paulista, para divulgar a sua capoeira baiana em exibições no ginásio do Pacaembu (SANTOS, 1996).

                   Essas exibições, que se estenderam depois para o Rio de Janeiro, foram as primeiras sementes para o sucesso da capoeira regional baiana no sudeste do Brasil. Basta lembrarmo-nos de que Mestre Damião (Esdras Magalhães dos Santos) foi, muito provavelmente, o primeiro a ensinar em academia essa forma regional da capoeira na cidade de São Paulo, sendo esse mestre um dos componentes da comitiva de Mestre Bimba. 

E foi assim que, de setembro de 1950 a maio de 1951, funcionou em São Paulo a primeira Academia de Capoeira (Luta Regional Baiana)…" (SANTOS, 1996).
 

                          A despeito de, no futuro, surgir qualquer outra informação diferente desta, o que se deve considerar é que o fato de Mestre Damião ter ensinado capoeira regional baiana em São Paulo, em academia – portanto, de maneira formal – está amplamente documentado. Entretanto, isso não exclui a existência da prática da capoeira (em suas formas e vertentes) em solo paulista antes do final da década de 1940 ou início de 1950. Muitos documentos aprovam essa prática mesmo no século XIX.

  
A postura de 17 de novembro de 1832, uma entre muitas, proibia o jogo da capoeira: "…Trazem oculto em um pequeno pau escondido entre a manga da jaqueta ou perna da calça uma espécie de punhal…" (DIAS, 2001).
 

                              Letícia Vidor de Sousa Reis (2000) ao citar Lilia Moritz Schwarcz, apresenta publicações do jornal Província de São Paulo (que se tornará posteriormente O Estado de São Paulo), datadas do final do século XIX, acerca da capoeira e de capoeiristas da capital paulista. E é conhecido ainda o conflito entre a polícia e recrutas do exército, estes últimos capoeiristas, na cidade de São Paulo em 1892 (CAVALHEIRO, 2000).

                         Essas informações da capoeira em solo paulista demonstram que a na sua gênese a luta afro-brasileira foi difundida para praticamente todas as regiões do país, especialmente a partir de 1850 com o fortalecimento do tráfico interno de escravos. E, embora faltem estudos a respeito, pode ter originado diversas formas regionais como a pernada, a tiririca, a punga, o bate-coxa, o cangapé (ou cambapé) entre outros.

                          Porém, com relação à capoeira regional baiana, a documentação até agora angariada nos dá conta de ter chegado a São Paulo por volta de 1948/49 e ter seu ensino formalizado em academia a partir de 1950.
 

No ano de 50 e 51

Mestre Damião ministrou

Primeiro curso oficial de Capoeira

Que em São Paulo se registrou

Na academia de Kid Jofre

Waldemar Zumbano da CBP atestou.  (ASTRONAUTA, 2004).
 

                            A importância histórica da apresentação da comitiva de Mestre Bimba em São Paulo pode ser medida tanto pelos frutos advindos desse trabalho, como pela repercussão que houve nos meios de comunicação, especialmente a imprensa especializada em esporte. A verdade é que essa apresentação da comitiva de Mestre Bimba foi essencial para a capoeira regional baiana ser o que é hoje, especialmente em São Paulo.

                          Em Sorocaba, interior de São Paulo, a notícia da vinda de Bimba e seus alunos foi noticiada pela Folha de Sorocaba, um importante jornal da época. Eis a nota:

"Mestre Bimba"exibir-se-á no Pacaembú.

O "mestre"trouxe consigo os seus oito melhores alunos. " Espectativa em torno da estréia do "rei dos capoeiras".

Um espetáculo inédito está reservado aos paulistas, hoje á noite, no ginásio do Pacaembú, com a apresentação, ao público bandeirante, de "Mestre Bimba", o rei dos capoeiras.

A luta nacional ganhou notoriedade na Bahia com o aparecimento de "Mestre Bimba", desfrutando de grande popularidade esse baiano, graças a destreza, malícia e coragem por ele demonstrados no emprego da capoeira como excelente método de defesa e ataque.

Tornando-se famoso:  "Mestre Bimba" de temível arruaceiro que era, sendo o terror da polícia da terra do vatapá, converteu-se, dedicando-se a ministrar os ensinamentos e segredos da capoeiragem.
Desde logo sua "academia" passou a ser freqüentada por médicos, engenheiros, advogados, oficiais do Exército, da Marinha, Aviação e Polícia que lá iam em busca das lições do "mestre" capacitados, da eficiência e valor do sistema aplicado tanto para defesa como para o ataque.

As lições surtiram o efeito desejado, sendo hoje "Mestre Bimba" um homem respeitado, tal a admiração que os alunos devotam ao "professor".

É este precisamente o afamado capoeira  que os paulistas irão ter o ensejo de apreciar no ginásio do Pacaembu, "Mestre Bimba"estrelará com oito dos seus melhores alunos.

O espetáculo pelo seu aspecto inédito, vem sendo aguardado com ansiedade e geral expectativa, sendo grande o número de pessoas curiosas por apreciá-lo, e ao mesmo tempo

aquilatar se é verídico o que apregoam das vantagens da capoeiragem.
 

LOCAL DAS REFREGAS
 
Na capoeiragem todos os golpes são lícitos, tornando-se por esse motivo uma luta bastante movimentada e que requer amplo espaço para os antagonistas desferirem os mais variados golpes e os respectivos contra-golpes.

Para esclarecimento devemos elucidar que existem quarenta e cinco golpes , dos quais vinte e dois são mortais, e para cada golpes são empregados dois outros contra-golpes, e os combates são disputados ao som de um curioso instrumento, a que eles denominam berimbau.

Assim as refregas são travadas num grande estrado armado ao res do chão, de maneira a permitir que os contendores possam se movimentar à vontade, negaceando para desferir de improviso espetaculares golpes. (FOLHA DE SOROCABA, 09 Fev 1949).

                      Em São Paulo, como não poderia ser diferente, a presença de Bimba foi amplamente comentada, até mesmo nas rodas da malandragem, dos "espertos", dos jogadores da tiririca.

                      Toniquinho Batuqueiro, em entrevista cedida em março de 2005, alude ao fato de Pato N"Água, talvez o mais hábil dos jogadores de tiririca da época, ter se disposto a enfrentar os capoeiras da comitiva de Bimba no Pacaembu, fato esse que não ocorreu. Segundo Toniquinho, houve mesmo uma inflamação do pessoal da tiririca esperando a desmoralização que Pato N"Água poderia proporcionar aos baianos.

                     Apenas ânimos "regionalistas", nenhuma animosidade acirrada contra qualquer capoeira baiano.

 

Carlos Carvalho Cavalheiro.
 
O autor é pesquisador autônomo da história e do folclore de Sorocaba. Sócio efetivo da Comissão Paulista de Folclore (IBECC/UNESCO). Licenciado em História pela UNISO. Especialista (pós-graduação) em Gestão Ambiental – Faculdade Senac.


Bibliografia:                       

ASTRONAUTA, Miltinho – Capoeiras do Vale do Paraiba e Litoral Norte – Ed. do Autor – 2004.

CAVALHEIRO, Carlos Carvalho – Cantadores – o folclore de Sorocaba e região (encarte de CD) – Linc – 2000.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva – Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX " Brasiliense " 2001.

FOLHA DE SOROCABA " "Mestre Bimba" exibir-se-á no Pacaembú – 09 fev 1949.

REIS, Letícia Vidor de Sousa – O mundo de pernas para o ar – A capoeira no Brasil – Publisher Brasil – 2000.

SANTOS, Esdras M. – Conversando sobre capoeira… – JAC Gráfica e Editora " 1996.


Ilustração: Folha de Sorocaba " 9 de Fevereiro de 1949 " Fotografado por Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho
 
Autor: Carlos Carvalho Cavalheiro
 

www.capoeira.jex.com.br

 

Capoeira Paulista se Reune para discutir Jogos Regionais

O Governo do Estado de São Paulo convoca entidades representativas da Capoeira Paulista com o intuito de estabelecer critérios para os Jogos Regionais
São Paulo reúne ENTIDADES DE REPRESENTAÇÃO ESTADUAL DA CAPOEIRA
 
De parabéns São Paulo, pela iniciativa e, sobretudo, pelos bons resultados.
Iniciativa da Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer, bons resultados obtidos graças à coordenação hábil do Sr. Antonio Carlos Pereira,  Divisão de Esporte da Coordenadoria de Esporte e Lazer da mencionada  Secretaria.
Ainda não foi desta vez, entretanto, que a Capoeira começou a ser discutida em seus aspectos mais transcendentais.  Mas, temos certeza, que este momento não tardará.
Entendemos até, é importante que fique claro,  que a estratégia do Governo está muito certa:  pautar apenas um assunto,  no caso a presença da Capoeiragem nos Jogos Regionais.
À medida que as lideranças da capoeira forem aprimorando suas propostas e  a capacidade de bem discutir em assembléia, aí sim, o Governo do Estado poderá até coordenar reuniões mais abrangentes, onde todos os ricos aspectos desta fascinante e multifacetada Arte Afro-Brasileira da Capoeiragem serão discutidos.
Vários excelentes subprodutos, tenho certeza, surgirão nesta segunda fase, inclusive, a elaboração e lançamento itinerante, pelo Estado a fora, de um  "Álbum dos Mestres e Capoeira em São Paulo". "Álbum" que, na realidade, será um grande Diagnóstico da Capoeira em São Paulo, sem um diagnóstico desse, vale sempre lembrar,  todo e qualquer projeto de capoeira, por definição, será sempre casuístico, capenga e efêmero.
 
Voltemos à reunião.
Além do Professor Antonio Pereira, Coordenador de Esporte e Lazer, dois assessores da Secretaria de Estado da Juventude Esporte e Lazer, as seguintes entidades capoeirísticas se fizeram representar: 1. Federação Internacional de Capoeira,  FICA (Doutor-Mestre Sergio Vieira, presidente);  2. Federação de Capoeira do Estado de São Paulo,  FECAESP (Mestre Tim); 3. Federação Paulista de Capoeira, FPC (Mestre Valdenor);    4. Liga Nacional de Capoeira (Mestre Marcial);  5. Órgão Supremo Administrativo da Capoeira,  OSACABRAC (Mestre Marquinhos);   6. Sindicato do Capoeira  (Mestre Da Bahia); 7. Associação Brasileira da Capoeira, ABRACAP (Mestre Helinho); 8. Ricardo Urbano Saliba (Grupo Candeias) e o Jornal do Capoeira (Editor: Miltinho Astronauta).
 
A situação, todos reconheceram, é no mínimo curiosa, um órgão Internacional  ("FICA")
realizando funções que seriam mais adequadamente alocadas a um órgão estadual ou, no máximo, a um órgão federal. Por acaso a sede deste órgão internacional fica em São Paulo, mas, apenas para demonstrar o absurdo, institucional e gerencial desta "ingerência",  bastará o leitor imaginar a FICA coordenando diretamente um evento em Viterbo, na Itália. Ora, se Viterbo tem, como tem, várias academias de capoeiras, se a Itália tem, como tem,  uma Federação Italiana de Capoeira, não caberá jamais a um órgão internacional se intrometer em tais eventos. Cabe sim, a FICA exercitar uma intensa interação com as entidades a ela filiadas, quais sejam, as federações nacionais.  A menos que se queira violentar um dos mais consagrados princípios da Administração " o alcance de controle. Por oportuno, colocamos este Jornal a disposição da FICA para que ela publique o que, até hoje ninguém sabe com muita precisão:  os nomes, os endereços e a diretoria de todas as federações nacionais formalmente filiadas a FICA, com o registro público de cada uma dessas federações.
A principal consenso, tanto por parte do Governo Estadual, quando por parte das entidades ali representadas, é que é necessário a realização de um Congresso Técnico para elaborar um novo Regulamento que contemple a visão de todos os representantes. De modos que o regulamento não seja exclusivamente "com a cara" da FICA/CBC. E, é claro, que para que este novo regulamento seja proposto, não haja necessidade de filiação por parte das demais entidades à FICA e Confederação Brasileira de Capoeira.
A despeito desta situação inusitada, a reunião admitiu que, ainda este ano, a FICA estará à frente dos Jogos Regionais, especialmente no que tange a treinamento de árbitros. O que, seguramente, levantará uma questão muito razoável: e a Confederação Brasileira de Capoeira,  não "apitará" nada?
Não que haja um consenso sobre ela (a Confederação Brasileira de Capoeira), mas, nos demais esportes,  se me permitem uma linguagem de esquina, "é assim que a banda toca".
Enfim, todos os caminhos e, sobretudo, todos os problemas, apontam na direção da necessidade de se fazer um grande Diagnóstico da Capoeiragem em São Paulo e no Brasil.
Relevem a repetição. De parabéns está o Governo Estadual por abrir este canal de diálogo entre as diversas entidades de representação da Capoeira no Estado de São Paulo.
 


Miltinho Astronauta

 
Jornal do Capoeira, abril – 2005  – www.capoeira.jex.com.br

Capoeira – de fundo do quintal à gloria mundial

CA P O E I R A G E M – Da "Volta do Mundo" no fundo de um quintal paulista à  "Volta ao Mundo de Meu Deus"
 
"O que é isto meu amor
Venha me dizer
Isto é Fundo de Quintal
É pagode (Capoeira?) pra valer"
 
 
 
Assim seria a versão de um dos sambas da grande compositora mangueirense (Grêmio Recreativo Estação Primeira da Mangueira, Rio de Janeiro) Leci Brandão (foto, à direita) , caso tivesse passado pela Rua Comendador João Gabriel, 56-fundos, Bairro Mirandópolis, no ano de 1965, São Paulo.
 
 
Acontece que naquele endereço, mais precisamente no quintal, a céu aberto da casa de dona Alice Furtado Pinat (Mãe de Mestre Pinatti), estava se formando um dos primeiros grupos de Capoeira paulista.
 
Tratava-se na verdade de um espaço cedido pela família dos Pinatti – tradicional família italiana que veio da região de Ribeirão Preto para a capital paulista " para que um de seus filhos, o Djamir, juntamente com seu novo amigo Reinaldo, fundasse a "Academia de Capoeira Regional de Elite de São Paulo".
 
Mestre Pinatti " ou mais precisamente Pinat " guarda com carinho uma carteirinha remanescente daquela época, sendo que a mesma ilustrará o livro que ele está escrevendo sobre a Capoeira Paulista. Conhecendo-o bem, como estou aprendendo a faze-lo, certamente o título deverá ser algo como "Capoeira Paulista " do Fundo do Quintal ao Fundo da Alma".
 
No seu livro, de maneira emocionada, Pinatti começa contando como foi sua iniciação na Arte da Capoeiragem. Com detalhes preciosos que vão surpreender o mundo, como, por exemplo, a o perfil do seu primeiro parceiro na ousada empreitada, um jovem chamado Reinaldo, de sobrenome Ramos Suassuna, hoje, mundialmente conhecido como Mestre Suassuna.
 
Na ocasião Pinat trabalhava em um banco, e convenceu a família a permitir que alguns amigos se reunissem, duas ou três vezes por semana, para aprender, com eles, as artimanhas da Capoeiragem.
 
Suassuna, de maneira apaixonada, era o responsável por grande parte dos treinos. Estivesse frio ou calor, lá estava ele e os alunos treinando e se aperfeiçoando na rasteira, na cabeçada, no aú e na armada. Exímio jogador e também grande na cantoria.
 
Até em dia de chuva, lá no quintal, estavam os intrépidos capoeiras. Para não perder tempo, eles se protegiam na entrada de uma das portas da casa, onde, numa parte coberta tinha um tanque de lavar roupa, e ali ensaiavam toques de berimbau e pandeiro e ensaiavam cantos de capoeira. Cessando a chuva a roda recomeçava.
 
Vez ou outra, apareciam convidados especiais, grandes capoeiras como Paulo Gomes, Paulão, Marcão, Lopes, Brasília, Zé de Mola e outros. Nomes que, diga-se de passagem, merecem também um espaço próprio.
 
Em outras ocasiões, parte do grupo, normalmente sob o comando de Suassuna e do próprio Pinatti, caiam para as bandas do Brás (Rua Bresser), onde iam visitar a "academia" do Mestre Zé de Freitas, ou então testavam suas capoeiras na academia do Mestre Waldemar Alfaiate " vindo do Rio de Janeiro, com academia na Rua Bela Cintra, Bairro do Bexiga.
 
Mestre Zé de Freitas, aliás, que hoje vive em Alagoinha, na Bahia, é um dos pioneiros da Capoeira em solo paulista e merece ser devidamente entrevistado, tendo seus depoimentos documentados para que parte da Memória da Capoeira Paulista não se perca com o tempo. Chegaremos lá.
 
Este "modelo de treinamento", registre-se, não é, nem foi exclusividade paulista. A bem da verdade, esses tipos de treinos aconteciam bem antes da era das Academias de Capoeira. O uso de locais improvisados para treino e rodas foi comum nos tempos antigos. Senão, vejamos.
 
Mestre Waldemar da Liberdade tinha seu Barracão de Capoeira Angola (década dos 50), onde mestres como Nagé, Traira e o próprio João Grande vadiavam nos finais de semana, mormente nos dias de domingo e dias santos.
 
Antes disso, no Rio de Janeiro, o saudoso Mestre Sinhô (o paulista-carioca Agenor Sampaio), natural de Santos, conhecido também, simplesmente como Sinhozinho, formava alguns campeões em diversas modalidades de luta e/ou esportiva.
 
André Lace, em seu livro "Capoeiragem no Rio Antigo" (2002) relata que, nos idos de 1930, Sinhozinho preparava seus alunos em um terreno baldio, improvisando equipamentos de forma simples e engenhosa. Por exemplo, um cabo de vassoura com um sapatão acoplado na base transforma-se em perfeito equipamento para se treinar e aperfeiçoar as entradas e saídas das rasteiras.
O mesmo livro, registra a importância do livro de Zuma Burlamaqui (1928), o confronto do campista Cyríaco Macaco Velho (1909) , e o misterioso livro de ODC (1907)
 
Voltando à atualidade paulista, dia desses, Suassuna e Pinatti, ambos consagrados pela excelência de seus trabalhos e pelas incessantes lutas pela causa Capoeira, tiveram um encontro inesperado no saguão do aeroporto de Guarulhos. Suassuna estava regressando de Israel. Pinatti indo para uma de suas freqüentes viagens internacionais, talvez Amsterdã.
 
Mestre Pinatti, em tom emocionado, comenta ao colega das antigas: "Suassuna, você já parou para pensar que daquele quintal da… você e eu alcançamos fama e glória com nossa Capoeira?".
 
E mais ainda, que se imortalizariam na História da Capoeira Paulista!
 
 
Capoeiristicamente,
 

Na foto: Mestres Pinat & Limão, Praça da República, 1969.
 
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Mestre Brasília

Mestre Brasília
 
Antônio Cardoso Andrade, mestre Brasília, é também um dos pioneiros da Capoeira paulista. Aprendeu com mestre Canjiquinha, de quem foi amigo dedicado. Veio para São Paulo, gostou, acabou ficando. Praticava capoeira na antiga CMTC, com mestre Melo, e na academia do mestre Zé de Freitas, no Brás. Conheceu então mestre Suassuna, e juntos fundaram uma academia, a “Cordão de Ouro”, que viria a se tornar no pólo principal da Capoeira paulista. Joga com extrema elegância e habilidade. Mantém academia e casa de espetáculos em São Paulo, à rua Pedroso de Moraes,645 3 andar fone é 011 30970607. É vice-presidente cultural da Federação de Capoeira do Estado de São Paulo, entidade filiada à Confederação Brasileira de Capoeira e à Federação Internacional de Capoeira; atualmente, é presidente do Conselho Superior de Mestres – seção São Paulo.