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Haiti: Berimbau já fez chamada, já é hora de lutar

Cidadania: Gingando pela Paz no Haiti – Relatos de um capoeirista em terras haitianas

Domingo, 17 de janeiro, 18:30

Hoje a alegria voltou a fazer morada no meu coração. Hoje, graças a Deus, pude ver o sorriso dos meu alunos, das minhas crianças. Pude abraça-las, beijá-las, olhá-las nos olhos. Após dias de ansiedade, fui até Kay-nou. E que felicidade foi reencontrá-las, ver aqueles olhinhos brilhando de felicidade.

Ao passar pelas ruas de Bel-Air já ouvi o chamado de um deles: Iê capoeira!”. Era o Canário, que acenava, feliz, em meio a multidão. E mal cheguei a Kay-nou, logo fui rodeado de crianças. Elas surgiam em meio às tendas, inúmeras delas. Vinham gritando o meu nome, perguntando pelos outros, pela Aíla, Linheiro, Beija-Flor, Paollo (Nó Cego). Eufóricas seguravam em minhas mãos, abraçavam-me, beijavam-me o rosto. Por mais que escrevesse aqui, por mais que virasse a noite esmerando-me em frente ao computador, não conseguiria descrever o meu sentimento naquela hora. E nem tenho essa pretenção.

Caminhamos para ver como estavam as coisas, para ver as pessoas. Eles acompanhavam-me, agarrando minhas mãos, meus braços. Enquanto caminhávamos mais apareciam e juntavam-se ao grupo. Quando percebi éramos uma pequena malta caminhando entre as barracas. Mães e pais vinham falar conosco, nos abraçar, saber dos outros. E chegavam mais e mais. E meu coração desejando que mais chegassem…

Nos dirigimos ao espaço da capoeira. Paredes no chão e boa parte do telhado caído. Até pouco tempo aquele espaço estava colorido, florido de pessoas… Uma grande festa para o nosso primeiro batizado e entrega de cordas e para comemorar o nosso primeiro aniverário. Um ano juntos, de muita luta e suor. Porém, o sentimento foi de esperança, apesar dos inúmeros tijolos pelo chão. E apesar das paredes caídas, pude ver um grande horizonte pela frente. E isso me encheu de força e esperança. Esperança que se fortaleceu com as palavras de um Rubem emocionado: vamos construir um espaço ainda melhor! E eu tenho certeza que sim.

Reunimos as crianças em uma roda. Bem, tentamos, pois haviam muitas crianças que não faziam [não faziam] parte do projeto. Conversamos bastante, elas muito atentas e cobrando atenção dos mais novos. Logo eles perguntaram se podiam vestir seus uniformes. E bastou ouvir um sim e saíram correndo para as barracas. Voltaram com uniforme. Claro, aqueles cuja a casa não havia desmoronado…

Nos reunimos sob uma árvore. O berimbau rompeu o silêncio. A Inúna pediu licença e chorou as vítimas, aquelas que deixaram o jogo desta existência para habitar uma nova morada. Pediu luz para os que se foram, proteção e força para os que aqui ficaram. E em cântico celebramos o ontem, o hoje e o amanhã. Celebramos a dádiva de estarmos vivos e saudáveis. Naquele momento, éramos um. A dor de um era a dor de todos, assim como a alegria, a esperança e a fé. Cantamos, enquanto eles desejam jogar o jogo, dar pernada e ficar de pernas para o ar. Faltou-nos espaço, mas não para o nosso cantar, que percorreu todo espaço. Faltou-nos comida, mas não a força para as nossas palmas. Cantamos, jogamos bola, conversamos…

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BIMBA DESAFIA OS CAPOEIRISTAS BAHIANOS

          A capoeira é um jogo genuinamente brasileiro. Na Bahia, é o mesmo praticado em grande escala. Temos uma série de nomes de grande projecção na difficil lucta da "raspa e da queda".

         Infelizmente, quase que não se assiste a demonstrações desse jogo, que é aliás, bem interessante. Que se movimentam os nossos capoeiristas, para o soerguimento do jogo que abraçaram.

Um desafio

          Esteve, hontem, em nossa redacção o sr. Manoel dos Reis, mais conhecido nas nossas rodas desportivas por Mestre Bimba, que em palestra comnosco pediu que lançassemos em seu nome um desafio aos capoeiristas desta capital, dentre os quaes figura Samuel Pescador, Eugenio e Henrique Bahia, para a realização de um encontro que deverá effectuar-se no proximo domingo.

          Bimba espera que o seu desafio seja acceito.

Jornal Diário da Bahia – Salvador, 28/01/1936

Fonte: www.filhosdebimba.fhp.com.br