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A Capoeira Angola segundo Mestre Pastinha

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, conhecido como Mestre Pastinha, nasceu em 1889, em Salvador, aprendeu a lutar com um negro de nome Benedito, que, ao vê-lo apanhar de um garoto mais velho, resolveu ensinar-lhe os golpes, guardas e malícias da Angola.

Mestre Pastinha começou a ensinar capoeira em 1910, depois de um período de oito anos na Marinha de Guerra do Brasil. Seu primeiro discípulo foi Raimundo Aberê, que, por sua vez, se tornou um exímio capoeirista, conhecido em toda a Bahia.

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Vídeo de 1991, comemorativo dos Dez Anos de Atividades do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho do Rio de Janeiro, realizado por Antonio Carlos Muricy. 
Editado a partir de uma seleção de vídeos VHS dos arquivos do grupo, reúne grandes bambas, grandes angoleiros, cariocas ou não, como os Mestres Moraes, Neco Pelourinho, Zé Carlos, Braga, Marco Aurélio, Armandinho, Angolinha, Lumumba, Rogério, Valmir, Brinco, Manoel, entre outros.

Apesar da precária qualidade técnica, retrata momentos extraordinários da Capoeira Angola carioca, e inclusive jogos raros, como o “Jogo do Dinheiro”, aqui registrado em dois grandes momentos, um o jogo de Mestre Neco Pelourinho com Mestre Braga, e o outro um jogo entre o Mestre Armandinho e Mestre Zé Carlos.

Traz também um momento raro de violência em uma roda de Angola, quando Mestre Rogério aplica um rabo de arraia em Mestre Lumumba e o atinge em cheio. É extraordinária a calma e serenidade de Lumumba, em se recuperar e responder no jogo, na Capoeira, a Rogério.

Traz reflexões de Mestre Pastinha, o Guardião da Capoeira Angola, e uma pequena história da Capoeira, narrados por Mestre Brinco e Mestre Neco Pelourinho.
Memória da Capoeira Angola carioca, ouro puro.

Nestor capoeira: Encontros com grandes Mestres – Pastinha

Alo rapaziada… Neste mes de setembro vou falar de outro primeiro encontro marcante com os grandes mestres do passado: meu encontro com mestre Pastinha em 1969, em Salvador. Eu estava no Grupo Senzala (RJ), tinha 23 anos e acabara de receber minha “corda-vermelha” (a graduação mais alta da Senzala); e mestre Pastinha tinha 80 anos e ainda comandava a roda num sobrado no Largo do Pelourinho (Salvador). Espero que vocês curtam, Nestor.

Cheguei no Largo do Pelourinho, nº19, uns 15 minutos antes de começar a roda.

É óbvio que não botei minha corda-vermelha na cintura pois sabia do antagonismo entre capoeiristas baianos e cariocas, e de regionais versus angoleiros – e o Grupo Senzala, ao qual eu pertencia, e que começava rapidamente a tomar um lugar de destaque no cenário nacional depois de ser tri-campeão do Berimbau de Ouro (em 1967, 1968 e 1969), era carioca e inspirava-se na regional de mestre Bimba.

Além disto, eu estava numa posição super-delicada: o Ballet Brasileiro da Bahia, cujo corpo de baile era formado pelas dondoquinhas mais patricinhas e ricas de Salvador, tinha feito uma excursão se apresentando nos melhores tearos do Rio de Janeiro (Teatro Municipal), Vitória, Belo Horizonte, e agora finalizavam a turnê em sua cidade natal – Salvador. OBallet estava em contato com  a Dalal Ashcar, uma ricaça que morava no Rio e que amava e patrocinava a dança clássica, e tinham chamdo os três primeiros-bailarinos e as duas primeira-baliarinas do Teatro Municipal do  Rio de Janeiro para dar um lance profissional ao Ballet. O espetáculo tinha números de dança clássica, moderna, jazz, e também de “folclore” – samba, bumba-meu-boi, congada, maculelê e capoeira. Inusitadamente o Ballet da Bahia não chamou capoeiristas de Salvador para compor o elenco; chamaram três capoeiras do Grupo Senzala do Rio: Augusto “Baiano  Anzol” (que hoje é professor de Educação Física e Diretor do Departamento de Artes Marciais da UFRJ), o falecido Helinho, e eu (Nestor Capoeira).

 

Por todas essas, quando cheguei em  Salvador no fim da tournê pelo Brasil, eu fui em Pastinha sozinho e “disfarçado”: calça e camisa brancas, sapatos (regional joga descalço, mas angoleiro só joga de sapato), e dizia para todos que era mineiro – disfarçando, também, o “s” com o chiado de “x”.  Eu dizia que era mineiro, o que não era exatamente uma mentira – tinha nascido em Belo Horizonte mas fui criado no Rio desde os 2 anos de idade.

 

O sobrado onde mestre Pastinha dava aulas não era exclusivo da capoeira, Pastinha só podia utilizá-lo dois ou tres dias na semana por algumas horas; haviam outros lances que tambem funcionavam lá.

Eu cheguei cedo, pensando que a sala do sobrado ia estar lotado. Mas não tinha ninguém. O salão estava vazio. Só tinha um cara, que eu saquei que devia ser o zelador, comendo um “prato feito”, sentado perto de uma das janelas.

– Quem é que está aí?

– Sou um visitante de Minas Gerais.  Estava querendo saber se era possível assistir à roda do mestre Pastinha.

– Chegue mais, meu filho.  O pessoal deve começar a chegar daqui a pouco.  Aceita almoçar?

Declinei o convite e fiquei sentado, ao lado do corôa, trocando uma idéia e observando pela janela o movimento no Largo do Pelourinho, logo abaixo.  De repente, olhei com mais cuidado o rosto do velhinho e subitamente percebi que já o conhecia de fotografias ; não era zelador, nem varredor porra nenhuma, era o próprio mestre Pastinha.

Fiquei tão emocionado com a simplicidade e o acolhimento caloroso do venerando mestre – um dos meus ídolos – que meus olhos se encheram de lágrimas.

Mestre Pastinha já tinha 80 anos, naquela época.  Quase já não enxergava mais nada, apenas sombras e vultos.  É dessa época, outra conhecida frase sua:

“Capoeirista, menino da menina dos meus olhos”.

 

Em mestre Pastinha havia um real alto-astral.

Mas, de maneira geral, havia tanta desconfiança entre capoeiristas que, alguns dias mais tarde, tomando cachaça e fumando uns baseados com uns capoeiristas malandros, no antigo Mercado Modelo (que “pegou” fogo, quando o governo quis mudá-lo de lugar, e os barraqueiros não), tive até que mostrar a carteira de identidade quando um dos malandragens me imprensou:

–  Tu não é mineiro porra nenhuma.  Minas Gerais não tem capoeira.

– Qual é, meu irmão, pra que eu ia mentir?

– Além do mais, tem todo esse papo de “qual é, meu irmão” da malandragem carioca.  Tá achando que nós é otário?

Com essa, o resto da galera, que tinha estado na roda de rua da qual eu participara, se sentiu ofendido.

– Essa porra desse carioca tá achando que nós é otário!

Insistiu meu interlocutor, e o grupo foi lentamente se fechando em torno de mim.  A coisa não estava boa e eu tive que apelar.

– Já vi que você é esperto.  Tão esperto que é capaz de chamar um cara de mentiroso e advinhar onde ele nasceu.  Então vamos fazer o seguinte: vou mandar descer seis cervejas.  Vou pagar as seis.  Agora se eu provar que sou mineiro, aí eu só pago três, e você paga as outras três.

A malandragem gostou.  Aplausos e risadas.  As seis cervejas geladérrimas, já sendo abertas, em cima do balcão.

– Agora é que eu quero  ver!

– Tu foi mexer com o cara!  Não foge da raia não!

Aí, puxei o brabilaque do bolso e dei uma carteirada no malandro – “data de nascimento: 29/9/1946, naturalidade: Minas Gerais”.

Foi um escracho geral.  Todo mundo entornando as cervejas, sacaneando meu interlocutor e, eu, o queridinho da rapaziada.

Mas percebi que tinha feito um inimigo. E me lembrei de meu mestre, Leopoldina: “o bom  negócio tem de ser bom pra todo mundo”.

Ora, eu não posso dizer que sou malandro, mas tive escola.  Além disto, sempre tive sorte.  E otário com sorte é duas vezes malandro. Então, reverti a situação.  Me virei pro interlocutor e mandei.

– Mas é o seguinte.  Eu não estava mentindo, mas você também não está totalmente errado.  Eu tenho viajado bastante pro Rio, fazendo umas tranzações por lá.  E peguei muita coisa do jogo de lá.  Você, como capoeira experiente, sacou a influência carioca.  Por isso, em tua homenagem, um camarada que conhece a fundo a capoeira, vou mandar descer mais três lourinhas geladas, por minha conta.

Foi um sucesso da porra!

 

Alguns anos mais tarde, nos 1970s, mestre Pastinha teve sua academia tomada pelas autoridades – o IPAC -, sob o pretexto das reformas do Largo do Pelourinho. Ao final das obras o espaço foi dado ao SENAC, uma escola de cozinha baiana com seu restaurante. Mestre Pastinha perdeu tudo, os móveis, mais de uma dezena de bancos de jacarandá, os berimbaus, os registros e fotos e reportagens.

Jorge Amado arranjou que recebesse um salário mínimo mensal. Era muito pouco para Pastinha, sua mulher, Maria Romélia de Oliveira que vendia acarajé, e seus três filhos. Sem falar de mais de uma dezena de filhos adotivos, a maioria já adultos em 1970. De sua academia, guardou apenas um banco de madeira onde se sentavam os tocadores de berimbau.

Mestre Pastinha – velho, cego, abandonado -, viveu os anos seguintes num quartinho, na Ladeira do Pelourinho, na miséria.

Finalmente, em 1979, ajudado por Vivaldo da Costa Lima, conseguiu que a prefeitura lhe cedesse um espaço na Ladeira do  Ferrão. Seus alunos, como João Grande e João Pequeno, davam as aulas, mas Pastinha já estava cego e amargurado

 

A capoeira de nada precisa, quem precisa sou eu… Quero falar com o Dr. Antonio Carlos Magalhães (o governador), há muito  tempo venho dizendo isto, mas ninguém me atende (484)

 

Em 1979 foi internado num hospital público onde ficou um ano e, ao sair de lá, foi para o abrigo público para idosos, Abrigo D. Pedro II.

Faleceu aos 92 anos de idade, em 13 de novembro de 1981, e seu amigo, o pintor Carybé, teve de pagar seu enterro.

Bahia: Morre Mestre Neguinho do Samba, inventor do samba-reggae

Morreu no início da tarde deste sábado, 31, por volta das 14 horas, o baiano criador do samba-reggae, Antonio Luís Alves de Souza, mais conhecido como Neguinho do Samba, 54 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. O músico deixou sete filhos e uma legião de admiradores e alunos.

O corpo do artista, que foi um dos fundadores do Olodum e criador da Escola Didá, está sendo velado na Câmara dos Vereadores. O local e horário do enterro ainda não foram definidos, pois a família aguarda a chegada de um dos filhos, que mora na Itália.

Segundo informações da família, Neguinho já vinha reclamando da saúde nos últimos 15 dias. Nesta madrugada, por volta das 3 horas, o músico sentiu um mal estar e foi de táxi ao posto médico de Pernambués. No local, ele foi medicado e retornou à sua residência, no Pelourinho, voltando a se sentir mal no início desta tarde, quando veio a falecer.

Neguinho do Samba era diabético e cardiopata. Há três meses perdeu uma irmã. Pessoas próximas afirmaram que, em virtude disto, andava triste. Mas ele morreu onde queria: em sua residência, um casarão no Pelourinho, onde também funciona a Escola Didá.

“Ele deixou um legado, uma marca de como se faz samba na Bahia. Eu acompanhei o processo de desenvolvimento do Olodum e ele já experimentava as novas fusões do reggae com o samba. Depois, acompanhei o trabalho cultural que ele fez com a Banda Didá. E por ironia do destino faleceu dentro da própria escola”, declarou Gerônimo.

Perda irreparável – A Secretaria da Cultura suspendeu toda a programação cultural do Pelourinho, nestes sábado e domingo. Uma faixa preta permanecerá hasteada no Largo do Terreiro de Jesus, durante três dias, simbolizando o luto.

“A dor é enorme. Foi uma perda irreparável. Não perdemos somente um músico excepcional, mas uma personalidade. Ele foi muito generoso com todos à sua volta. Não dá para acreditar. É um astro que vai continuar vivo aqui com a gente“, declarou, emocionado, João Jorge, presidente do Olodum.

Neguinho do Samba – Fundador da escola de percussão do Olodum e do bloco Didá, ele também foi o inventor do ritmo “samba-reggae”, modificando tambores para conseguir afinações e sonoridades diferentes, criando um ritmo musical único, com a cara da Bahia.

Filho de um tocador de “bongô” e de uma lavadeira, Neguinho desde cedo treinava percussão tocando nas bacias de alumínio de sua mãe. Foi eletricista, ferreiro e camelô. Sua música chegou a ser internacionalmente reconhecida. Maestro do Olodum, tocou com David Byrne, Paul Simon e Michael Jackson. Com Simon, o Olodum gravou o CD The Rhythm of the Saints, em 1990. Feliz com o resultado do trabalho, Simon procurou o músico e lhe ofereceu um carro importado como forma de agradecimento. Neguinho agradeceu a oferta, mas preferiu mudar o presente, e, em vez de um carro, escolheu uma casa no Pelourinho, no mesmo valor, onde fundou sua escola.

Neguinho do Samba aparece no clipe de Michael Jackson They Don’t Care About Us, vestido nas cores do pan-africanismo (verde, amarelo e vermelho) regendo os percussionistas do Olodum.

Didá – O projeto nasceu pelas mãos de Neguinho, que via a necessidade de oferecer para as mulheres, principalmente as negras, um espaço para expor suas idéias e desenvolver atividades. Didá é uma associação cultural e sem fins lucrativos fundada em 1993 e que atua promovendo gratuitamente atividades educativas com base na arte e nas manifestações populares criadas e mantidas pelos africanos e por seus descendentes.

Atualmente, a instituição oferece 11 cursos – percussão, dança afro, teatro, capoeira, artesanato, canto, bateria, violão, cavaquinho, teclado e sopro, e chega a atender entre 600 a 800 crianças e adolescentes por ano.

Além dos cursos, o projeto se estende ao bloco afro carnavalesco, loja de artigos Didá e o projeto Sòdomo, centro de aprimoramento feminino Didá Banda Feminina.

Vídeo do grupo Olodum e Neguinho do Samba em homenagem a Michael Jackson, após a morte do astro:

{youtube}dO7l9oro__A{/youtube}


Fonte: http://www.atarde.com.br/cultura

Lançamento: DVD Mestre Lua Rasta

Lançamento do DVD de Mestre Lua Rasta:
“A Capoeiragem de um Mestre e seu Bando Anunciador”
Dia 15 de Abril no Cine Glauber
Um Documentário de Gabriela Barreto
Mestre LUA RASTA
rua Inacio Acioli, no 3 Pelourinho Salvador 71 3322 67 50
atelierlua@hotmail.com

Mestre Curió: Oficina de Capoeira Angola Solidária

O PONTO DE CULTURA ESCOLA DE CAPOEIRA ANGOLA IRMÃOS GÊMEOS DE MESTRE CURIÓ
Oferece: OFICINA DE CAPOEIRA ANGOLA Solidária VOCÊ! Angola ou Regional Participe!

Entrada

1 pac. Fralda Geriátrica, 1 lata de leite em pó ou Material de limpeza para ser doada ao abrigo D. Pedro II, lugar onde M. Pastinha viveu seus últimos dias de VIDA!

ESTA OFICINA  É EM  HOMENAGEM AO GRANDE E INESQUECÍVEL MESTRE PASTINHA PELA PASSAGEM DO DIA DE SEU NASCIMENTO 05 de Abril.

Programação:

04/04 – Sábado

Oficina de Capoeira Angola com M. Curió.

 9 às 11h.

15 às 16h.- Bate Papo – Tema: Capoeira Angola e M. Pastinha.

Local: R. Gregório de Matos nº. 09,  2º andar – Pelourinho- Salvador

05/04 – Domingo

9:30 às 11:30h– Roda de Capoeira Angola aberta.

Local: Forte de Stº Antonio além do Carmo, sala 05

Encerramento com um delicioso MUNGUNZÁ.

Informações e Inscrições: Esc. de Cap. Angola Irmãos Gêmeos de M. Curió

R. Gregório de Matos nº 09 , 2º andar- Pelourinho-Centro Histórico – Salvador
Fone: 71 3321-0396 / 9998-1813 M. Curió ou M. Jararaca.

OBS: Inscrições abertas apartir de 20 /03 à 03/04/2009

Apartir de 10: às 17:h da tarde exceto sábado e Domingo

Jaime Martins dos Santos – Mestre Curió

            Presidente

Salvador: Mercado de São Miguel está em situação de abandono

O Mercado de São Miguel, localizado na Baixa de Sapateiros, faz parte juntamente com o Pelourinho da área tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, mas está esquecido. A situação do edifício construído em 1965 que já foi uma propriedade particular encontra-se depredado. Além dos problemas com a infraestrutura física, a segurança e os constantes assaltos e usuários de drogas que ficam no local amedrontam a população.

‘Eu faço um trabalho com a capoeira no mercado há vários anos e o mercado encontra-se abandonado. É uma área de risco, o que espanta compradores e turistas’, disse o mestre de capoeira angola, José Alves, também conhecido como Mestre Zé do Lenço.

Segundo ele, que também é membro do Conselho de Mestres da ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola (Pelourinho) e Presidente da Associação de Capoeira Angola Relíquia Espinho Remoso, a prefeitura que á responsável pelo espaço já foi notificada e fez a promessa de tomar providências para a recuperação do Mercado. ‘Eles disseram que o projeto já foi aprovado e que as obras começariam ainda neste mês de janeiro’, disse o Mestre Zé do Lenço.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (SESP), o projeto realmente existe e já está em estágio avançado de tramitação junto ao Ministério da Cultura. Ainda segundo a SESP, a revitalização do Mercado de São Miguel foi inserida em um projeto maior de revitalização de toda a região da Baixa dos Sapateiros.

Com o objetivo de pressionar as autoridades e chamar atenção da população para o problema, o Mestre Zé do Lenço organizou uma roda de capoeira angola na frente do Mercado de São Miguel, na tarde desta quarta-feira (14).

Bahia: Capoeira Angola – Resistência de um Povo

Capoeira Angola – Resistência de um Povo” é o tema do evento que vai apresentar a filosofia, ética, hierarquia e principais diferenças entre a capoeira de Angola e a regional, entre 19 e 24 de janeiro.

O XX Evento da Escola de Capoeira Angola Irmãos Gêmeos, de mestre Curió, é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secult), através da Fundação Gregório de Matos, e o Ministério da Cultura.

O anfitrião será Jaime Martins, o mestre Curió, que com 71 anos ainda pratica e dá aulas de capoeira. O evento será realizado na Escola de Capoeira Angola, sediada no Pelourinho. Os interessados devem fazer as inscrições através do telefone: 71 3321-0396 ou pelo e-mail mestrecurio@yahoo.com.br.

Fonte: http://www.imbui.com.br

Bahia: Tributo a Mestre Bigodinho

Tributo a Mestre Bigodinho

Mestre Bigodinho, exímo cantador e tocador de berimbau, nasceu em Acupe de Santo Amaro em setembro de 1933. Ele començou na capoeira em 1950 com o Mestre Waldemar da Paixão. Nos anos 70, afastou-se devido a repressão e discriminação sofrida na epoca. Em 97, incentivado por seu amigo, o Mestre Lua Rasta, retornou ao convívio da capoeira para a satisfação de todos que admiram essa arte.
O Mestre reside atualmente em Salvador e leva seu conhecimento e amor pela capoeira a todos que se aproximam dele.

O Mestre Ivan de Santo Amaro da Associação de capoeira Netos de Angola
(ACANA) e o Ateliê Percussivo do Mestre Lua Rasta convidam a comunidade da capoeira a participar do:

Programação :

Sexta-feira, 22/08, em Salvador

10:00 : Lançamento do documentário "Memórias do Recôncavo : Besouro e outros capoeiras", de Pedro Abib, na Sala de Arte da Faculdade de Educação na UFBA com a presença das crianças capoeiristas de Santo Amaro.

15:00 : Apresentação e roda das crianças capoeiristas de Santo Amaro no Terreiro de Jesus, Pelourinho.

20:00 : Roda de rua com presença de Mestres e confraternização no Terreiro de Jesus, Pelourinho

Sábado, 23/08, em Santo Amaro

8:00 : Saída de Salvador para Santo Amaro

11:00 : Roda de Boas vindas na Praça da Matriz.

14:30 : Oficinas na Casa do Samba de Santo Amaro

– Mestre Ivan : Capoeira Angola

– Samba de Roda de Dona Nicinha

18:00 : Bate-papo no Barracão com Mestre Bigodinho e velhos mestres do Recôncavo – Roda

19:30 : Exibição do DVD doTributo ao Mestre Ferreirinha, evento realizados em 2007 em Santo Amaro

Domingo, 24/08, em Santo Amaro e Acupe

9:00 : Café coletivo no Barracão

9:40 : Saída para Acupe, cidade natal de Mestre Bigodinho

10:30 : Roda de capoeira em Acupe

11:30 : Oficina de maculelê com Mestre Adó

14:00 : Retorno para Santo Amaro

17:00 : Roda no Passeio da Matriz

18:30 : Retorno para Salvador

Inscrição:

R$ 60,00 para residentes no Brasil

R$ 100,00 para residentes no exterior

A inscrição dará direito à camisa do evento, participação nas oficinas, transporte entre Salvador, Santo Amaro e Acupe e café da manhã coletivo no domingo, 24/08.

*Atenção ! Esta taxa não cobre as despesas com alimentação e hospedagem durante as atividades realizadas em Salvador, no dia 22/08, bem como não cobre as despesas referentes a almoço e jantar em Santo Amaro. No entanto indicaremos locais parceiros para alimentação dos participantes.

Contato e informação para inscrição :

Atelier Percussivo do Mestre Lua Rasta
Rua Inacio Aciolli, no 3
Pelourinho – Salvador – Bahia

Tel : (71) 3322 67 50 – 8786 32 03

Entrevista: Mestre Bamba

Mestre Bamba em entrevista exclusiva ao Portal Capoeira realizada em Lisboa durante o 10º Festival Internacional de Capoeira do Grupo Alto Astral (Contra-mestre Marco Antonio).

RUBENS COSTA SILVA – MESTRE BAMBA

Profissão: Funcionário Público nº 05 Especial, MESTRE DE CAPOEIRA e atual Presidente da Associação de Capoeira Mestre Bimba.
Diploma dado pelo Mestre Vermelho 27, porém o Mestre Bamba já era reconhecido como Mestre de Capoeira.
Local de Trabalho: Rua das Laranjeiras, 01 – Pelourinho e em breve também estaremos no Forte de Santo Antônio e Carmo.
Nascimento: 04/09/1964

Ingressei na Associação de Capoeira Mestre Bimba, no ano de 1977, para assistir as aulas de capoeira Angola ministrada pelo Mestre Gato da Bahia no IPAC localizado no Pelourinho, logo em seguida assisti uma roda de capoeira no Terreiro de Jesus, de todos que jogaram, me interessei pelo Mestre Vermelho Boxel. De certa forma o destino me jogava para a capoeira, não foi difícil mas também não foi fácil, minha mãe tinha um pequeno restaurante no Pelourinho , lá conheci Mestre Vermelho Boxel. No mesmo ano comecei a treinar na Associação de Capoeira Mestre Bimba, administrada pelo Mestre Vermelho 27, mas meu primeiro Mestre foi Cecílio de Jesus Calheiro (Mestre Vermelho Boxel), fui auxiliado por vários outros Mestres no que era possível tais como Coringa, Durval (Ferro Velho), Boa Gente, Bahia e até pelo Mestre Vermelho 27, que além de meu Mestre foi e será sempre meu compadre (batizou meu filho) Kléber.

Completamente leigo, não tinha idéia dos trâmites legais da Capoeira Regional , nem do Centro de Cultura Física Regional, nem de dar continuidade ao legado administrado pelo Mestre Vermelho 27.

Passei a ver o Mestre Vermelho 27 com olhos diferentes, entendi toda sua percepção em manter aberto já a Associação de Capoeira Mestre Bimba que com a ida do Mestre para Goiás já não tinha o mesmo nome. Como compadre não me criou dificuldade para nada, aprendi o máximo que pude, foi difícil mas aprendi um pouco da história real e da sociedade baiana na resistência a um arte luta dança como a capoeira.

A partir desse momento comecei a entender todas as dificuldades enfrentadas pelos mestres de capoeira antigos, principalmente para Mestre Bimba e familiares, com a falta de apoio moral, social e principalmente histórica para um legado que invade o Brasil e o mundo.

Após a morte do Mestre Vermelho 27 em 1996, já estávamos preocupados com a preservação da nossa história de capoeira, consultei vários mestres antigos e achei apoio em vários no que o meu papel de preservar a metodologia de Capoeira Regional, procuro sempre ter uma mente aberta, aceito sugestões, ouço conselhos deixava-me ouvir e ser ouvido pelas pessoas ligadas a capoeira.

Hoje tenho absoluta certeza de que o tempo me trouxe a maturidade, a humildade necessária para dizer que ainda não sei tudo, mas tenho procurado me empenhar o bastante para saber que o aprendizado leva tempo, e conhecimento não se compra : SE ADQUIRE.

EU, Mestre (Rubens Silva) Bamba como discípulo do Mestre Vermelho 27, pretendo até o fim da minha vida tão somente preservar o trabalho da Capoeira Regional que me foi transmitido e respeitar qualquer outro estilo de capoeira sem criticas que venha a destruir o nome CAPOEIRA.

Sempre falo para meus alunos, e nos eventos que participo que não sou o dono da CAPOEIRA REGIONAL, tive vários Mestres; e sempre respeitarei meu MESTRE VERMELHO 27.

Estou transmitindo todos os ensinamentos que aprendi e todos os dias descubro que tenho mais a aprender.

Enfim sinto-me uma pessoa de moral ilibada, seja dentro do âmbito da capoeira, familiar ou profissional.

Meus alunos com fé em DEUS, jamais sentirão vergonha quando ouvir chamar meu nome em qualquer evento que seja.

Fonte da Biografia: www.capoeiramestrebimba.com.br/mestre_bamba.htm

Mestre Bamba, Cabeção, Mestre Orelha e Milani – Lisboa
10º Festival Internacional de Capoeira Grupo Alto Astral

* Agradecimento especial ao Mestre Bamba e seu filho (Cabeção) que durante o Festival de Capoeira em Lisboa, nos mostraram e verdadeira simplicidade e a relação harmoniosa entre pai e filho.

Obrigado mestre Bamba pela disponibilidade, atenção e prontidão.

Prazer enorme te reencontrar em Valência no evento do amigo Careca.

Luciano Milani

Bahia: Apesar de homenagem, capoeira tem pouco apoio

O tema escolhido para o Carnaval pela Prefeitura de Salvador este ano – Capoeira é ginga de corpo – homenageia a luta-esporte que colocou o Brasil no mapa das artes marciais mundiais. Tão tradicional como o próprio traje da baiana, entretanto, a capoeiragem, no restante do ano, não é a prioridade nas esferas culturais do poder público, seja municipal, estadual ou federal.

Oportunamente, para homenageá-la, uma roda com 1.500 integrantes está programada para a noite de quinta-feira de Carnaval no Pelourinho, contando com a presença de músicos do grupo mineiro Berimbrown. Outros eventos também estão marcados dentro do projeto Capoeira Ginga Mundo, entre os dias 28 e 31 de janeiro, no Pelourinho. O evento é produzido há quatro anos pela Associação Integrada de Educação, Artes e Esportes. Este ano, conta com o patrocínio da Petrobras e os apoios da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Estadual de Cultura (Secult) – a coincidência do evento com o Carnaval foi a sopa no mel para as instituições.

Mas, fora estas coligações culturais de última hora, haverá um comprometimento mais sério com esta arte-luta ligada à resistência, ou tudo não passa de especulação afrocultural? Do ponto de vista do apoio nas esferas federal, estadual e municipal, pode-se dizer que a “farinha” ainda é pouca. Na Secult, não há nada específico para a luta nos programas de incentivo.

Fazcultura – Pelo Programa FazCultura, o único contemplado este ano foi o Grupo de Capoeira Dois Antônios, da Feira de Santana, que pretende implantar oito núcleos de capoeira em distritos e bairros da sua cidade de origem. A principal referência da cena capoeirana baiana é o Forte de Santo Antônio, que abriga cinco dos principais mestres na capoeira baiana. Após a reforma da fortificação, inaugurada pelo governo Paulo Souto em 2006, o espaço passou a ser referência.

Os baluartes da arte ali sediada são a academia de mestre João Pequeno de Pastinha (o grande homenageado do ano, pelos seus 90 anos); a Escola de Capoeira Filhos de mestre Bimba, dirigida por seu filho, mestre Nenel; a Oficina de Ladainhas e Corridos, com mestre Waldemar da Paixão; o Terreiro de Mandinga, com mestre Ezequiel; e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, de mestre Morais.

Cordeiros – Por sinal, Morais vê com ceticismo a homenagem que se quer prestar à arte-luta afro-brasileira na folia momesca de 2008. “Não é a primeira vez que a capoeira sai no Carnaval. O que falta refletir é de que forma sai. Todo ano, inclusive, saem os capoeiristas cordeiros ou os capoeiristas com caixa de isopor e só sendo capoeirista para transitar sem derrubar a caixa”.

O panorama atual foi discutido em um evento que homenageou os 90 anos de mestre João Pequeno, mês passado. Capoeirista e doutorado em ciências sociais aplicadas à educação pela Unicamp, Pedro Abib relembrou que “a capoeira Angola começou a ser abafada nas últimas décadas e praticamente desapareceria se, nos anos 80, os mestres Morais e João Pequeno não revigorassem a tradição”.

Funceb – A Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) também não tem proposta exclusiva à capoeira. Pela tangente, o seu edital Mestres da Cultura Popular contemplou um grupo de capoeira entre 25 selecionados, (foram 75 grupos ao todo), o Grupo Angola Cativeiro, de Santo Amaro. Cada contemplado ganhou R$ 6 mil para suas ações – 4% para a capoeira.

Por outro lado, explica a presidente da Funceb, Gisele Nussbaumer, a instituição promoverá Cursos Livres de Capoeira na Escola de Dança da Ufba, no Pelourinho. A parceria entre a Funceb e a escola oferece 25 vagas, mas apenas para alunos dos 5 aos 17 anos, com aulas gratuitas a serem ministradas pelos mestres Zambi e Tamarindo. Informações: 71-3322-5350.

Fonte: A Tarde On Line – Salvador, BR – http://www.atarde.com.br