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V Congresso de MULHERES CAPOEIRÍSTAS

Pessoal segue em anexo o convite para o nosso V Congresso de Mulheres Capoeirístas, caso alguem se interesse favor entrar em contatoto pelos fones: (83) 88231996 / 32083158 / 32417695.
Um abraço e conto com a presença de todas e todos.
 
Contra-Mestre Rafael Magnata.   AXÉ!!!
 

João Pessoa, 25 de Outubro, 2005.

 

À Mestras, Mestres, Contra- Mestras(es), Alunas(os) e Simpatizantes.

 

Convite

A participação feminina na capoeira é um fato em constante desenvolvimento. A mulher conquistou, definitivamente, seu espaço nesta arte brasileira. Hoje já contamos com diversas mestras, contra-mestras, professoras e  alunas. Isto prova o que dizia Mestre Pastinha, “capoeira é pra homem, menino e mulher”.

Diante disto, o Núcleo Menina Pérola, da ONG Pérola Negra, por intermédio de suas alunas, estará realizando nos dias 25, 26 e 27 de março do corrente ano, no Parque Zoológico Arruda Câmara (BICA) em João Pessoa, a partir das 08:00 horas, o V Congresso de Mulheres Capoeiristas, que tem como principal objetivo à integração das capoeiristas e o fortalecimento da prática da capoeira.

A inscrição para participar do evento, tem o investimento no valor de R$ 15,00, com direito a alimentação e ao kit (camisa, certificado, crachá, e toda programação). Para as pessoas de outro estado, estará incluso o alojamento.

O congresso se propõe, além de integrar, conscientizar as praticantes desta nossa arte, sobre questões relevantes de nosso cotidiano, tais como: saúde, o papel da mulher na sociedade, as novas tendências na prática da capoeira, as questões de gêneros entre outras.

Certos de que a participação de suas alunas é de fundamental importância, contamos com o vosso apoio e incentivo.

 

Agradecemos desde já,

Atenciosamente,

 

 


À Coordenação.

REUNIÃO COM CAPOEIRISTAS: 15/10/2005 – João Pessoa

Instituições:

  • Luiz Carlos Vasconcelos (Funjope);
  • Lau Siqueira (Funjope);
  • Emilson Ribeiro (Funjope);
  • João Balula (Movimento Negro da Paraíba);

    Capoeiras:

  • Tina (Capoeira Angola Comunidade/Novais);
  • Severo (Capoeira Visão de Vida);
  • Zumga (Capoeira Afro-Nagô);
  • Rafael Magnata (Capoeira Badauê);
  • Carrasco (Capoeira Arte-Brasil);
  • Robô (Capoeira Birimbal Dourado);
  • Guerreiro (Capoeira Mukambu);
  • Má da Bahia (Capoeira Brasa-Brasil);
  • Charada (Capoeira Cobra-Coral).

    Dentre Outras/os:

  • Adeilson (Angola/Cabedelo);
  • Zimbelê (Afro-Nagô);
  • Malu (Angola/Guerreiros);
  • Lima (Afro-Nagô);
  • Alberto (Badauê);
  • Benedito dos Santos (Gr. Zumbí de Cultura Popular);
  • Ligeirinho (Afro-Nagô);

    Foi Registrada Ausência de Leão (motivo de força maior).

    SUGESTÕES DA REUNIÃO

    • Os Mestres serão responsáveis pelo controle de participação dos Alunos no evento;
    • Cortejo de Capoeiristas = Juntar
    • [email protected] no Posto 99 e sair em caminhada para a Praia, pelas 16h; [email protected] passando em todas as Rodas);
  • Rodas de Capoeira na Praia, das 17h às 21h (proximidade das Ilhas de Culto);
  • Criar formas de Integração de Graduações nessas Rodas (
  • Haverá um Stand (Barraca) do Pessoal de Capoeira (no perímetro da Festa);
  • Caminhão-Bau para transportar Instrumental e Material;
  • Definição de um Número Apropriado de Participantes cuja Funjope deverá ajudar no Transporte (se falou em mais ou menos 25 de cada Grupo), não sendo proibido os Demais irem por suas posses;
  • O Cachê deverá ser para o Grupo (Escola) e não para Indivíduos ou Ramificações grupais;
  • Fazer um Reggistro/Mapeamento da Atividade de Capoeira que os Grupos realizam na cidade;
  • Esta Reunião definiu quem estará participando do evento (integrado ao mesmo);
  • Os Grupos/Escolas ausentes deverão se agregar ao Deliberado.

    Posto o Deliberado.

    João Pessoa – Outubro de 2005.
     


  • Adupe-M´odupe-Axé!
    83 – 9978-6308!

Entrevista exclusiva com José Luiz Oliveira Cruz, Mestre Bola Sete.

"A humildade foi a maior lição que tive nesses 37 anos de Capoeira Angola"
 
José Luiz Oliveira Cruz, o mestre Bola Sete, nasceu em 31 de maio de 1950, iniciou na capoeira em 1962 como auto didata, em 1968 começa a treinar com o grande capoeirista Pessoa Bababá, marinheiro da marinha Mercante e discípulo de Mestre Pastinha, em 1969 ingressa na academia de Vicente Ferreira Pastinha, onde ocupou o cargo de Fiscal de Campo, diplomado pelo próprio Mestre Pastinha em 1979, hoje trabalha no Setor de Transporte, na Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração, é membro do concelho da Associação Brasileira de Capoeira Angola, Bola Sete diz que os valores tradicionais dessa arte estão sendo esquecidos.
 
"A capoeira praticada hoje não é autêntica, pois é feita apenas para impressionar com seus saltos acrobáticos e agressivos"

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Os Manuscritos do Mestre Pastinha, o “Caderno-Albo”: disponível para download!

Durante a visita do camarada Bruno Souza (Teimosia), ao Mestre Decanio, em 2003, eles se encaregaram de nos presentear com uma raridade… uma verdadeira jóia da capoeiragem… digitalizaram todos os manuscritos de Vicente Ferreira Pastinha, para garantir a preservação do material histórico.
 
Os manuscritos do Mestre Pastinha. O famoso "caderno-albo", onde Pastinha deixou sua poesia, desenhos, sabedoria e experiências de vida, é um calhamaço de 200 e poucas páginas – já amarelecidas pelo tempo.
 
A letra e a prosa são rebuscadas, mas é um prazer ver destiladas ali a sabedoria simples e profunda do mestre.
 
A leitura é boa para capoeiristas, historiadores e qualquer pessoa que acredite que se pode aprender com o passado.
 
As páginas foram digitalizadas em alta resolução (formato JPG), permitindo uma boa impressão.
 
Para iniciar o download, clique nas imagens ou clique aqui.
 
Cortesia: Mestre Decanio e Teimosia

Homenagem ao aniversário do Mestre Gilvan

Quero falar várias coisas, sobre alguém muito especial. Advinha onde ele anda? Deve estar dentro do peito de cada aluno ou caminha pelo ar de quem já ouviu falar. Quem sabe? Pode até estar aqui do lado, bem mais perto do que pensamos, a força persistente de um coração jovem e uma mente segura no que faz, sempre deixando em nossos caminhos a grande lição de vida.
Certo dia, tentaram podar seus momentos, idéias e projetos, até duvidarão de sua capacidade, queriam desviar o seu destino, mostrando que a melhor solução seria cruzar os braços para as nossas crianças, jovens e 3ª idade, que são massacradas diante da sociedade feita de pedras.
Mas esse coração cheio de Deus resistiu, mostrou que há esperança, que há vida em tudo que se toca com amor e determinação.
Essa cara séria com esse sorriso de menino, quantas vezes de pé, erguido, sem ter medo de tentar, certo que sua jornada será longa, mas renovam-se as esperanças em cada dia que se plantam flores e espinhos.
Nós do Projeto Iniciar Capoeira, fruto de sua amizade, dessa prova de amor… Agradecemos, MESTRE por você ser nosso pai, nossa mãe e nosso amigo na hora que precisamos de ti… Obrigado, por ser você esta pessoa especial que tivemos o prazer de te conhecer.
 
Sabemos que tudo o que é bom, não dura para sempre, mas sabemos que o que é bom, dura o suficiente para tornar-se INESQUECIVEL.
MESTRE GILVAN, você será sempre uma pessoa inesquecível em nossas vidas!
 
Este texto foi feito em homenagem ao aniversário do Mestre Gilvan por todos aqueles que fazem parte da família Ladainha e será comemorado dia 10/05 às 9 h na sede da Associação de Capoeira Ladainha, QNL 30 Conjunto “A” Lotes 31/33 Taguatinga Norte (Av. Hélio Prates).

Sonia de Andrade / DF

Estresse: O Assassino Silencioso

Na segunda quinzena de julho, o mundo surpreendeu-se com a notícia de que a espaçonave russa, a estação espacial Mir (paz), ficara sem energia por uma ordem errada do comandante Vladimir Tsibliev.

O médico, que cuida dos tripulantes, Igor Goncharov, explicou, com a maior naturalidade, que o engano fora resultante do estresse do comandante. Nunca a palavra estresse ganhou tamanha notoriedade em circunstâncias tão dramáticas.

Formatação/Editoração modificada por AADF

E o que é estresse? Não há ainda uma definição para o mesmo nos compêndios de patologia médica. É o dicionário Aurélio que nos diz que o estresse (em bom português) é "o conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras capazes de perturbar a homeostase" (equilíbrio).

Hoje o termo estresse é amplamente usado na linguagem atual e nos meios de comunicação. Designa uma agressão, que leva ao desconforto, ou as conseqüência desta agressão. É uma resposta a uma demanda, de modo certo ou errado.

O estresse corresponde a uma relação entre o indivíduo e o meio. Trata-se, portanto, de uma agressão e reação, de uma interação entre a agressão e a resposta, como propôs o médico canadense Hans Selye, o criador da moderna conceituação de estresse. O estresse fisiológico é uma adaptação normal; quando a resposta é patológica, em indivíduo mal-adaptado, registra-se uma disfunção, que leva a distúrbios transitórios ou a doenças graves, mas, no mínimo agrava as já existentes e pode desencadear aquelas para as quais a pessoa é geneticamente predisposta. Aí torna-se um caso médico por excelência. Nestas circunstâncias desenvolve-se a famosa síndrome de adaptação, ou a luta-e-fuga (fight or flight), na expressão do próprio Selye.

Segundo a colocação dada ao estresse por este autor, num congresso realizado em Munique, em 1988, "o estresse é o resultado do homem criar uma civilização, que, ele, o próprio homem não mais consegue suportar". E, em se calculando que o seu aumento anual chega a 1%, e que hoje atinge cerca de 60% de executivos (veja uma pesquisa anexa), pode-se chamar de a "doença do século" ou, melhor dizendo, " "a doença do terceiro milênio". Trata-se de um sério problema social econômico, pois é uma preocupação de saúde pública, pois ceifa pessoas ainda jovens, em idade produtiva e geralmente ocupando cargos de responsabilidade, imobilizando e invalidando as forças produtivas da nação; e é mais importante ainda no Brasil que, por ser um país ainda jovem, exclui da atividade pessoas necessárias ao seu desenvolvimento. Não se sabe exatamente a incidência no Brasil, mas nos Estados Unidos gastam-se de 50 a 75 bilhões de dólares por ano em despesas diretas e indiretas: isto dá uma despesa e 750 dólares por ano por pessoa, que trabalha.

A vulnerabilidade hereditária, mais a preocupação com o futuro, num tempo de incertezas, de um o país que estabiliza a moeda, mas aumenta o número de desempregados, ao mesmo tempo em que a qualidade de vida piora, existem os medos do envelhecimento em más condições, e do empobrecimento, além de alimentação inadequada, pouco lazer, a falta de apoio familiar adequado e um consumismo exagerado. Todos são fatores pessoais, familiares, sociais, econômicos e profissionais, que originam a sensação de estresse e seu conseqüente desencadeamento de doenças, de uma simples azia à queda imunológica, que pode predispor infecções e até neoplasias.

A Universidade de Boston elaborou um teste rápido e auto-aplicável (anexo), onde você pode "medir" o nível de seu estresse.

Se você passou incólume, pare de ler o artigo.

Mas, se você se "encontrou" nos itens apontados, mesmo em nível baixo, siga cuidadosamente a exposição.

O Que Provoca o Estresse?

São os grandes problemas da nossa vida que, de modo agudo, ou crônico, nos lançam no estresse. Diversos pesquisadores notaram que a mudança é um dos mais efetivos agentes estressores. Assim, qualquer mudança em nossas vidas tem o potencial de causar estresse, tanto as boas quanto as más. O estresse ocorre, então, de forma variável, dependendo da intensidade do evento de mudança, que pode ir desde a morte do cônjuge, o índice máximo na escala de estresse, até pequenas infrações de trânsito ou mesmo a saída para as tão merecidas férias.

Certos eventos em nossas vidas são tão estressantes, que caracterizam a situação de trauma (lesão ou dano) psíquico. Recentemente as ciências mentais reconheceram uma nova síndrome, batizada de Distúrbio de estresse pós-traumático, uma verdadeira doença, pertencente ao estudo da angústia. Tornou-se bem sistematizada a partir da volta dos "viet-vets", ou veteranos da guerra do Vietnam. Esta doença ocorre com quadros agudos de angústia, grave e até invalidante, quando a ex-vítima é exposta a situações similares, tornando a desencadear todos os sintomas ansiosos severos, que conheceram durante a violência a que estiveram submetidos: são os "flash-backs", que revivenciam as situações traumatizantes.

Isto não é aplicado apenas a veteranos de guerra; vejam-se os crescentes índices de violência urbana e as suas vítimas, que vivem quadros de desespero permanente, quando não atendidos adequadamente em serviço psiquiátrico de reconhecida competência na área. Bombas, acidentes automobilísticos ou aéreos, desabamentos, assaltos com extrema violência, seqüestros prolongados, estupros, etc. são causas comuns do distúrbio de estresse pós-traumático. O tratamento costuma ser demorado, mas tende a um bom prognóstico.

Quais São as Bases Funcionais do Estresse ?

Da Silva, um cirurgião americano do século passado, foi o primeiro a perceber que soldados feridos só caíam prostrados após alcançarem a meta: isto é, lutavam ainda sob efeito de ‘adrenalina’. O fisiologista Walter Cannon observou que as reações alerta/luta e fuga em animais desencadeavam um maciço aumento das catecolaminas urinárias (substâncias decorrentes do metabolismo da adrenalina).

O cientista que estudou pela primeira vez o estresse, Hans Selye descreveu uma resposta fisiológica generalizada ao estresse, caracterizada pela seguinte seqüência:

A percepção de um perigo eminente ou de um evento traumático é realizado pela parte do cérebro denominado córtex; e interpretado por uma enorme rede de neurônios que abrange grandes partes do encéfalo, envolvendo, inclusive, os circuitos da memória;

Determinada a relevância do estímulo, o córtex aciona um circuito cerebral subcortical, localizado na parte do cérebro denominada sistema límbico, através das estruturas que controlam as emoções e as funções dos sistemas viscerais (coração, vasos sanguíneos, pupilas, sistema gastrintestinal, etc.) através do chamado sistema nervoso autônomo. Estas estruturas são a amídala e o hipotálamo, principalmente. A ativação dessas vias vai causar alterações como dilatação pupilar, palidez, aceleração e aumento da força das batidas cardíacas e da respiração, ereção dos pelos, sudorese, paralisação do trânsito gastrintestinal, secreção da parte medular das glândulas adrenais (adrenalina e noradrenalina), etc.; e que constituem os sinais e sintomas da ativação tipo luta-ou-fuga descrevidos por Cannon;

Ao mesmo tempo, o hipotálamo comanda uma ativação da glândula hipófise, situada na base do cérebro, com a qual tem estreitas relações. No estresse, o principal hormônio liberado pela hipófise é o ACTH (o chamado hormônio do estresse), que, carregado pelo sangue, vai até a parte cortical (camada externa) das glândulas adrenais (situadas sobre os dois rins), e provocando um aumento da secreção de hormônios corticosteróide. Estes hormônios têm amplas ações sobre praticamente todos os tecidos do corpo, alterando o seu metabolismo, a síntese de proteínas, a resistência imunológica, as inflamações e infecções provocadas por agressões externas, etc. O seu grau de ativação pode ser avaliado medindo-se a quantidade de cortisol no sangue.

Essa descarga dupla de agentes hormonais de intensa ação orgânica: de um lado a adrenalina, pela medula da adrenal, e de outro, os corticóides, pela sua camada cortical, levaram os cientistas a caracterizar essas glândulas como sendo o principal mediador do estresse.

Essas respostas são normais em qualquer situação de dano, perigo, doença, etc. Assim, dizemos que existe um certo nível de estresse que é normal e até importante para a defesa do organismo, ao qual denominamos de eustress. O perigo para o organismo passa a ocorrer quando a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal se torna crônico e repetido. Nesse momento, começam a surgir as alterações patológicas causadas pelo nível constantemente elevado desses hormônios.

Assim, reconhece-se que o estresse tem três fases, que se sucedem quando os agentes estressores continuam de forma não interrompida em sua ação:

A fase aguda

Esta é a fase em que os estímulos estressores começam a agir. Nosso cérebro e hormônios reagem rapidamente, e nós podemos perceber os seus efeitos, mas somos geralmente incapazes de notar o trabalho silencioso do estresse crônico nesta fase.

A fase de resistência

Se o estresse persiste, é nesta fase que começam a aparecer as primeiras conseqüências mentais, emocionais e físicas do estresse crônico. Perda de concentração mental, instabilidade emocional, depressão, palpitações cardíacas, suores frios, dores musculares ou dores de cabeça freqüentes são os sinais evidentes, mas muitas pessoas ainda não conseguem relacioná-los ao estresse, e a síndrome pode prosseguir até a sua fase final e mais perigosa:

A fase de exaustão

Esta é a fase em que o organismo capitula aos efeitos do estresse, levando à instalação de doenças físicas ou psíquicas.

Problemas Causados pelo Estresse

O estresse pode ser causador e/ou agravador de uma série de doenças, que vão da asma, às doenças dermatológicas, passando pelas alérgicas e imunológicas; todas elas relacionadas de alguma forma à ativação excessiva e prolongada do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

Na área do sistema digestivo, é sabido por todos que o estresse pode desencadear desde uma simples gastrite, até uma úlcera: o famoso cirurgião Alípio Corrêa Neto, da USP e da Escola Paulista de Medicina (hoje Universidade Federal de São Paulo), dizia que se alguém afirmasse, há 20 anos atrás, que a úlcera péptica era psicossomática (leia-se somatoforme), ririam dele; hoje, se deixasse de dizê-lo, ririam dele.

Mas, é principalmente em nível de coração, ou mais precisamente, em nível das coronárias, que o estresse pode ser um matador silencioso.

Uma ativação repetida e crônica do sistema nervoso autônomo, numa pessoa que já tenha problemas de lesão da camada interna das artérias coronárias (aterosclerose), provocadas por fumo, gordura excessiva na alimentação, obesidade ou colesterol elevado, etc., vai levar a muitos problemas, tais como diminuição do fluxo sanguíneo adequado para manter a oxigenação dos tecidos musculares cardíacos (miocárdio). Isso leva à chamada isquemia do miocárdio, que é acompanhada de dores no coração (angina), principalmente quando se faz algum esforço, e até ao infarto do coração (ataque cardíaco), provocado pela morte das células musculares do coração, por falta de oxigênio. A adrenalina tem o poder de contrair esses vasos, agravando o problema de quem já os tem com o diâmetro reduzido pelas placas. O resultado para essas pessoas pode ser até a morte, que muitas vezes acompanha um estresse agudo.

Outros problemas comuns são a ruptura da parede dos vasos enfraquecidos pela placa aterosclerótica, ou a trombose (entupimento completo do vaso coronariano). Um pequeno coágulo (trombo) pode desencadear uma cascata de coagulação, que também pode levar à morte. O nível elevado de adrenalina também pode provocar alterações irregulares do ritmo cardíaco, denominadas de arritmias ("batedeira"), que também diminuem o fluxo de sangue pelo sistema cardiovascular.

Outros sintomas

No campo clínico (somático) os distúrbios ainda ditos ‘neuro-vegetativos’ são comuns: quadro de astenia (sensação de fraqueza e fadiga), tensão muscular elevada com cãibras e formação de fibralgias musculares (nódulos dolorosos nos músculos dos ombros e das costas, por exemplo), tremores, sudorese (suor intenso), cefaléias tensionais (dores de cabeça provocas pela tensão psíquica) e enxaqueca, lombalgias e braquialgias (dores nas costas e nos ombros e braços), hipertensão arterial, palpitações e batedeiras, dores pré-cordiais, colopatias (distúrbios da absorção e da contração do intestino grosso) e até dores urinárias sem sinais de infecção.

O laboratório clínico fornece outros detalhes indicativos da intensa ativação patológica no estresse: aumento da concentração do sangue e do conteúdo de plaquetas (células responsáveis pela coagulação sangüínea), alteração do nível de cortisol, alterações de catecolaminas urinárias e alterações de hormônios hipofisários e sexuais, além dos aumentos de glicemia (açúcar no sangue) e colesterol, este por conta do LDL, ou o ‘mau colesterol’.

Sintomas psíquicos

Nas ocasiões estressantes, e mesmo fora delas, manifesta-se uma gama de reações de ordem psicológica e psiquiátrica. Ou, pelo menos temporárias, perturbações de comportamento ou exacerbação de problemas sociopáticos.

Os problemas ansiosos com a sintomatologia clínica, além de irritabilidade, fraqueza, nervosismo, medos, ruminação de idéias, exacerbação de atos falhos e obsessivos, além de rituais compulsivos, aumentam sensivelmente. A angústia é comum e as exacerbações de sensibilidade com provocações e discussões são mais freqüentes.

Do ponto de vista depressivo, a queda ou o aumento do apetite, as alterações de sono, a irritabilidade, a apatia e adinamia, o torpor afetivo e a perda de interesse e desempenhos sexuais são comumente encontrados.

Existem também as "fugas", que todos conhecemos. Quando não se apela para a auto-medicação com ansiolíticos (um perigo!), a pessoa refugia-se na bebida e mesmo no consumo de drogas ilícitas de uso e abuso, além de aumentar a quantidade de cigarros fumados, quando for fumante.

São estas as condições da derrocada à qual o estresse leva a pessoa, principalmente quando esta tiver uma personalidade hiperativa.

Como Diminuir o Estresse ?

Em um excelente artigo sobre estresse, principalmente no trabalho (e a maior parte de nós trabalha), o psiquiatra Cyro Masci sugere medidas profiláticas iniciais, secundárias e terciárias. Mas, em resumo, quando possível, devemos parar para pensar; para nos darmos a liberdade de termos um tempo para refletir sobre cada um de nós e seus esquemas pessoais, familiares, sociais, de trabalho, de estudos e até econômico-financeiros. Devemos reformular a vida, procurando reduzir as áreas geradoras de estresse. Um bom psiquiatra pode nos ajudar nesta tarefa.

Muitas vezes haverá a necessidade de uso concomitante de um tratamento medicamentoso, geralmente através dos modernos antidepressivos serotoninérgicos (ISRS) com ou sem ansiolíticos e/ou beta-bloqueadores por um tempo definido: começo, meio e fim.

Quando já existe um quadro orgânico instalado, desde uma simples gastrite a asma ou alteração cardiorrespiratória, a busca de atendimento clínico é fundamental. A correção da alteração clínica é imprescindível. E esta pode ir de um simples a complexo tratamento ou resumir-se somente às necessárias mudanças do modo de viver, incluindo lazer ou uma pequena prática esportiva constante (porque não uma caminhada diária?, que faz bem a qualquer um de nós).

Mas, a principal atitude ainda é um alerta ao modo de viver e de trabalhar com as vivências e com as emoções que a vida nos proporciona. E aí está verdadeira e milenar sabedoria.


[1] DR. VLADIMIR BERNIK, Médico psiquiatra (pela AMB/ABP e pelo CFM). Coordenador da Clínica de Estresse de S. Paulo. Ex-Professor Regente de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas de Santos (até 1995). Consultor do Comitê Centre for Health Economics da Organização Mundial da Saúde junto à Universidade de York. ex-presidente da Sociedade de Hipnose Médica de São Paulo e ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose. Médico do Trabalho (MTb – 1982) e integrantes da primeira turma de Especialistas em Medicina do Trabalho da AMB/ANAMT (janeiro de 1984). Ex-médico perito do Instituto Médico Legal de S. Paulo e perito judicial. Autor do "Primeiro Curso de Psiquiatria para o Médico Clínico" e de mais 158 trabalhos científicos. publicados.

Academias & fiscalização na Bahia

CREF fiscaliza academias de capoeira, arte marciais, ioga e dança na Bahia
 
Metade das academias da cidade (Salvador) está irregular
Academias lutam para se adequar à legislação
 
Salvador possui cerca de 800 academias, sendo que pelo menos 400 funcionam irregularmente. O alerta foi feito pelo presidente do Conselho Regional de Educação Física (Cref) para Bahia e Sergipe, Carlos Pimentel, na, na sede da entidade, localizada na Avenida Antonio Carlos Magalhães. Por conta disso, Pimentel garantiu que, a partir de março deste ano, o órgão vai endurecer o jogo contra os estabelecimentos que estão em atividade sem regulamentação, através de blitze que serão realizadas com apoio da Polícia Civil.
 
Pimentel garante que a intenção do Cref é fazer com que os proprietários desses estabelecimentos se adeqüem à legislação que rege o setor. Pela Lei 9.696, de 1º de setembro de 1998, qualquer academia tem por obrigação dispor de um profissional diplomado em educação física e que tenha registro no Cref.
 
Entre outros dispositivos, a lei determina ainda que os estabelecimentos também sejam registrados no Cref e inscritos no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), possuam alvará de funcionamento expedido pela prefeitura e tenham passado pelo crivo da Vigilância Sanitária. "É muito comum ver academias que funcionam sem cumprir o que manda a lei. Algumas obedecem a um ou outro dispositivo; outras, a nenhum deles", informa Pimentel.
 
Como exemplo de academia irregular, o presidente do Cref lembra do caso da Pavão e Cia, que foi contratada pelo Órgão Gestor de Mão-de-Obra do Trabalho Portuário nos Portos de Aratu e Salvador (Ogmosa) para auxiliar no teste de aptidão física durante a segunda etapa do processo seletivo da entidade. Na ocasião, o estudante de filosofia Alan Mascelani Werneck morreu enquanto participava da prova.
 
O caso, ocorrido em 17 de fevereiro último, ganhou as manchetes dos jornais e reabriu a discussão em torno da importância de se manter profissionais regulamentados em qualquer estabelecimento voltado à prática desportiva. "Dou suporte técnico a concursos da Polícia Federal e nunca tive problemas. Sabe por quê? Pois eles se eliminam na origem. E quem é capacitado para trabalhar com educação física sabe que um atestado informando que determinada pessoa está apta a exercer atividade física não é igual ao que garante que ele está apto a realizar teste de aptidão física, o que exige exames mais detalhados e minuciosos", dispara Pimentel.
 
No entanto, ele reconhece que a busca pela regulamentação da profissão e de academias esbarra em setores dispostos a não ceder à legislação. "Isso é muito comum nos estabelecimentos que ensinam artes marciais, capoeira, ioga e dança, e algumas federações que os representam", enumera. Ele explica que para quem já exercia a profissão antes de 1998, a lei prevê a possibilidade do registro de provisionado no Cref.
 
Nestes casos, basta que o profissional se inscreva no conselho e realize o Programa de Instrução para Provisionados (PIP). "O objetivo não é, por exemplo, ensinar um mestre de capoeira as técnicas da luta, porque isso ele já sabe melhor do que nós. O intuito é dotá-lo de noções de ética, psicologia aplicada ao esporte, pedagogia, didática e primeiros socorros", justifica Pimentel.

Projeto provoca polêmica
 
Na Câmara dos Deputados, tramita o Projeto de Lei 7.320/02, de autoria do deputado federal Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), cujo teor pede a liberação dos instrutores de artes marciais, capoeira, dança, ioga e pilates da fiscalização dos conselhos regionais de educação física. "É na expectativa dessa aprovação que muitos profissionais se apegam para não se regularizarem", explica o assessor de comunicação do Cref, Marco Monteiro.
 
Não é o que pensa o professor de jiu-jitsu Ricardo Carvalho, da Academia Edson Carvalho, uma das mais conhecidas da capital. Carvalho reconhece que o estabelecimento onde leciona está irregular, mas garante que trabalha em busca da regulamentação. "A lei é nova e isso requer tempo para que as pessoas se adeqüem", afirma. Para ele, a questão financeira é o que pesa na hora de se ajustar às normas. De acordo com o Cref, as taxas para inscrição no órgão custam R$360 por ano para pessoas jurídicas (estabelecimentos) e R$180 para pessoas físicas. Caro? "Nem tanto", minimiza Pimentel.
 
Carvalho diz entender a importância da regulamentação e do trabalho desenvolvido pelo conselho. "Sempre instruo meus alunos que pretendem ensinar arte marcial a procurar a faculdade e se formarem", garante. "Mas viver de arte marcial é difícil", justifica. Ele diz que não possui registro no Cref e que vai procurar se adequar à lei.
 
Segundo Pimentel, a regulamentação dos provisionados só vale para quem já trabalhava no ramo antes de 1998. "Depois desta data, só com diploma de graduação em educação física", declara. "Veja o caso do pilates. Quando ele é utilizado apenas para reabilitação, o fisioterapeuta é autorizado a trabalhar. Mas se for para condicionamento físico, aí tem que ter registro no Cref", salienta.
 
Pimentel acrescenta que outro problema encontrado nas academias de Salvador é a utilização de estagiários no lugar de profissionais regulamentados. "É mão-de-obra barata. Isso não é correto, pois coloca o corpo da pessoa nas mãos de quem ainda não está preparado para lidar com ele. O estagiário, por definição, é aquele que está em fase de aprendizado", destaca. Ele conta que 90% das mais de 2.500 academias baianas utilizam esse tipo de expediente.
 

Entrevista com Mestre Bigodinho

Mestre Condena Política na Capoeira
 
Entrevista com Mestre Bigodinho, Angoleiro da Bahia, no Dia da Independência da Bahia (2 Julho de 2004)
 
Benedito dos Santos (Bené)
João Pessoa-PB
Fev – 2005
 
Falar em cultura popular da Bahia é falar da própria Bahia. Em recente viagem realizada a Salvador, até como intuito de elaborar material para o curso de especialização em jornalismo cultural, pude observar vários aspectos de se ver a cultura popular baiana.
 
A entrevista se deu na Capital da Capoeira Angola, no dia 2 de julho de 2004, dia da Independência da Bahia.
 
Há cultura popular produzida para turista, onde estão presentes os traços da indústria cultural; já para o povo baiano, o que vale é a alegria, e nesse contexto as roupagens se misturam. 
 
Cultura popular mesmo, aquela feita pelas mãos sedentas de seus cultuadores, a autentica, é deixada de lado. Porquê?. Acredito que prevalece a teoria do ultrapassado, e do "sem valor cultural". No contexto geral da entrevista feita com Reinaldo Santana, internacionalmente conhecido como Mestre Bigodinho, pudemos observar que esta nossa visão reflete-se nas palavras do mestre.
 
Partindo da inferência da Industria Cultural, perguntei ao mestre a importância  da capoeira no desfile do dia da independência da Bahia. [….] Depois de alguns segundos pensativo,  o mestre, com seu saber popular, comenta:
 
"o dia dois de julho é mais velho que a capoeira, a capoeira nunca acompanhou o dia da independência. Acontece que agora é  lazer, um esporte, um samba. A capoeira agora é tudo. Por isso,  ela foi incorporada ao dois de julho, porque antes não tinha não!. Agora, particularmente, a capoeira não é mais capoeira. A capoeira está mais que capoeira. É política!.É política!." – frisou o mestre  Bigodinho. Continuando seu pensamento, o mestre diz mais. "porque você vê,  se tiver um capoeira e não tiver um político no meio não é capoeira!".
 
Na visão do mestre Bigodinho, praticante que passou por várias gerações de mestres, existe poucas esperanças de uma capoeira voltada para a sua realidade, isto visto pelo próprio Estado da Bahia, berço da historia da Capoeira.
 
"Eu não estou dizendo que a capoeira é só política, o que eu estou dizendo é o que estou vendo dentro. No meu tempo não tinha "política", nem no tempo dos meus mestres… digo meus mestres, porque meus mestres são Mestres Waldemar,  Traíra e Zacarias… esse pessoal mais antigo. E hoje em dia, a capoeira é uma beleza! (…) naquele tempo a capoeira que eu via na rua (…) naquele tempo de 1960 em diante, só via mestre Waldemar, depois foi crescendo, eu também.  Fui chegando, os mestres morreram e  ficou pra gente, agora  cada qual que jogue como sabe, como puder, porque a capoeira é uma traição, a pessoa que sabe jogar capoeira, nunca tira os olhos de cima do adversário, e a pessoa que brinca capoeira hoje em dia, tem que saber entrar e sair.."
JCap – Mestre, "essa abertura" pela sociedade, ela é real e tem um aproveitamento pela juventude?
 
M. Bigodinho – A capoeira hoje em dia não pode se afirmar. Sabe por quê? Porque tem lobo engolindo lobo, e nunca engole o lobo certo. Agora, no meu tempo, a capoeira não prestava, no meu tempo não. No meu tempo, no tempo do meu mestre, não jogava homem, com menino e nem mulher. Hoje em dia mulher joga, menino joga. Joga quem puder, salve-se quem puder, agora tudo é bom… E por que os mestres de capoeira de hoje em dia não se unem para fazer assim? Pelo menos, né, dizer assim: "olha mestre, o senhor vai dar ali  uma aula aos meus meninos"… Uma aula de que? De canto! Aula de que? De  pandeiro! Aula de que?! De cantoria! Tudo bem, você pode ir, chega lá (…) o que meu mestre fazia comigo eu não posso fazer com os alunos deles, por que eles (os alunos) querem me bater, então, eu não vou designar funções não. Eu digo a você, a capoeira tá crescendo, más tá se desvalorizando, porque não tem uma pessoa que conheça e tome a frente prá dizer é isso e é isso! e vai até o fim. Porque naquele tempo, quando se falava na palavra "Mestre" os alunos respeitavam, brincavam, tudo legal, tudo mais…
 
Continuando seu raciocínio, o mestre Bigodinho relata. "Hoje em dia tem mestre, contra-mestre, trenel, ave  Maria!…que eu nunca tinha visto isto. Instrutor,  professor. E interessante! Vem perguntar a mim, que não sei de nada?", interroga o mestre!
 
JCap – Mestre Bigodinho, qual a capoeira ideal nos dias de hoje na sua concepção?
 
M. Bigodinho – "A capoeira de hoje em dia, não é como a capoeira de antigamente, porque no meu tempo, enquanto mais dos meus mestres, a capoeira era jogada, hoje em dia, a capoeira é pulada, dou uma pernada pra cima, escalou uma perna, já é capoeira e no meu tempo, seu mestre (…) hoje eles nem sabem o que é uma chamada", sentencia o mestre. Continuando seu pensamento arremata: – "tinha que vir fechado, se viesse aberto apanhava, porque hoje em dia, quando você faz uma chamada, o cara dá um pulo, dá dois pulos, três pulos, outro pulo, depois vêm, tá errado " a chamada na capoeira é pra descanso, lhe chamou, você tem que atender, não é fazer mais do que está se fazendo", – finalizou o mestre Bigodinho.
 
Na foto. Mestre Dinelson, Mestre Bigodinho & Bené
 
Bené é pesquisador de Cultura Popular da Paraíba, e integrante do Grupo Zumbi de Cultura Popular
 
Autor: Benedito dos Santos (Bené)