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Aniversário de Mestre Bimba!!!

Viva seu Bimba!!!

Em homenagem ao aniversário de Mestre Bimba, que nasceu em 23 de Novembro de 1900 (segundo documento obtido na Comissão de Desportos da Aeronáutica no Estado da Guanabara) separamos uma coletânea de matérias, livros, músicas, videos e arquivos disponíveis no Portal Capoeira que falam sobre Mestre Bimba, uma das mais importantes figuras da capoeira.


Leia, pesquise e conheça mais sobre este ícone da cultura Brasileira…

Separamos em tópicos as nossas sugestões de leitura e entretenimento:

 

  • Livros
  • Músicas
  • Videos
  • Fotos
  • Artigos e Publicações
Alguns depoimentos (*retidados do filme “MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA”) de personagens importantes da capoeira:

Frede Abreu, historiador

sobre o “Marketing” pessoal de Bimba:

“Mestre Bimba surpreende a sociedade, com um outro tipo de comportamento. O que era a expectativa da sociedade em torno de um capoeirista, ele contraria. Ele aparece como um homem direito, como um homem sério.”

Carlos Eugênio Líbano, antropólogo

sobre o projeto de Bimba de dar dignidade à capoeira:

“Mestre Bimba tinha uma inteligência viva, muito superior à maioria. Ele tinha uma visão de longo prazo que poucos tinham. Ele percebe que a capoeira estava enredada na repressão. Então, ele se vê como o redentor da capoeira, como o modernizador da capoeira. Ela tem que deixar de ser uma coisa marginalizada, proibida, reprimida, descriminada.”

Americano (Muniz Sodré), aluno de Bimba

Sobre as prisões de capoeiristas na Bahia do século passado:

“Do que eu sei, do que eu ouvi Bimba contar, negro que era capoeirista na rua era amarrado no rabo do cavalo e era levado até o quartel de modo que se dizia que era melhor brigar perto do quartel porque aí a distância que lhe amarravam no cavalo não era tão grande.”

Mestre Itapoan, aluno de Bimba

Sobre a fase “Capoeirista de Rua” de Bimba:

“Mestre Bimba teve uma fase de capoeirista de rua. Chegou ao ponto inclusive, teve preso tantas outras vezes, que o delegado chamou ele uma vez e quis botar ele como inspetor de quarteirão do bairro que ele morava, porque aí, ele ia se policiar porque era o inspetor e não ia brigar entendeu? Ia ficar mais calmo. Mas ele disse que não que capoeira sempre teve contra a polícia, como é que ele ia ficar do lado da polícia?”

Mestre Decanio, aluno de Bimba

Sobre a atividade de estivador de Bimba:

Ele era ajudante de carregador. O trabalho dele principal qual era?
carregar a faca dos estivadores. Como? Ele subia o elevador do taboão. Onde tinha um posto policial, que, correr os estivadores, que eram conhecidos como valentões, como brigões, pra pegar as facas.

Comprava um pão de um quilo, isso ele me contou foi assim cortava no meio, enfiava fazia um buraco e botava o cabo, enfiava do outro lado e emendava o pão. Passado o posto policial, ele entregava os pães a cada estivador e ia embora.

 

Selecione o tópico e saboreie as nossas sugestões de leitura e entretenimento:

Brasília DF: Violência e Morte – A Capoeira chora!!!

Mais uma triste notícia envolvendo a capoeira nos jornais… Desta vez o berimbau chorou lá pelos bandas de Brasília, a capital de nosso país, onde o conceituado Jornal Correio Brasiliense, através de sua edição online noticiou a morte de Ivan da Costa, um promotor de Eventos de 29 anos de idade. Ivan foi violentamente atacado por MONSTROS pois acredito não poder usar o termo "capoeiristas" conforme cita o Jornal, pois nós sabemos que um verdadeiro capoeirista não iria tomar esta atitude!!!
 
É lamentável ver a capoeira envolvida e citada de forma tão triste nos jornais…  e ainda mais triste é ver que alguns dos acusados eram professores de capoeira (é preciso saber separar o joio do trigo! é preciso ressaltar o quanto é digna a nossa missão pois um verdadeiro PROFESSOR, UM VERDADEIRO CAPOEIRISTA é acima de tudo um EDUCADOR!!!)… mais o fato é que a violência esta ai, se fez presente e vitimou am jovem cidadão… que fique bem claro o nosso repúdio a toda e qualquer ação envolvendo a violência seja ela qual for…
Que este caso seja tratado pelas autoridades e que os acusados sejam tratados com todo o rigor da lei!!!
 
Luciano Milani
 
Segue a matéria publicada no Correio Brasiliense:

Agressores de Ivan da Costa mostram frieza na delegacia
Renato Alvez
Do Correio Braziliense – http://noticias.correioweb.com.br
Reprodução/Edilson Rodrigues/ Paulo de Oliveira/CB
01/09/2006 – 08h13: Em uma conversa com o delegado Antônio Coelho, titular da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), os capoeiristas Francisco Edilson Rodrigues de Sousa Júnior, 21 anos, e Fernando Marques Robias, 26, explicitaram o nível de brutalidade que levou à morte o promotor de eventos Ivan Rodrigo da Costa, 29. “Bati. Bati legal”, disse o primeiro, o Macumba (3). “Se pudesse, batia de novo”, afirmou o segundo, conhecido como Lacraia (2).
Segundo o delegado, três dos cinco acusados de agredir Ivan, contaram, ontem, os detalhes do espancamento sofrido pelo promotor de eventos na madrugada de 21 de agosto. A vítima morreu nove dias depois. “O que mais me impressionou foi a frieza do Francisco e do Fernando. Eles não demonstraram arrependimento”, afirmou Coelho.
 
Nenhum dos acusados, porém, aceitou depor formalmente. Orientados por três advogados, alegaram que só falarão em juízo. Os cinco são moradores do Cruzeiro Novo, colegas de infância. Quatro têm o nome como suspeito em ocorrências policias. Três são professores de capoeira (leia quadro). Todos estão presos. Serão indiciados por homicídio triplamente qualificado – ação em grupo que teve motivo fútil sem chance de defesa à vítima. Se condenados, poderão pegar até 30 anos de cadeia cada um.
 
A prisão preventiva dos cinco foi decretada pelo juiz Edilberto Martins de Oliveira, do Tribunal do Júri de Brasília, na noite de quarta-feira. Em sua decisão, o magistrado destaca que, para dificultar a ação da polícia, os suspeitos retiraram as fotografias do Orkut – site de relacionamento – no dia seguinte às agressões contra o promotor de eventos. “Por outro lado,o potencial de periculosidade revelado pelo comportamento impiedoso e brutal que se atribui aos indiciados, que, por motivo banal, espancaram uma das vítimas até que ela desfalecesse, faz com que se presuma o risco a que estará, aparentemente, submetido o corpo social, na hipótese de serem mantidos em liberdade”, destacou o juiz.
Socos e pontapés
 
O laudo de exame de corpo de delito de Ivan, assinado por dois peritos do Instituto de Medicina Legal (IML) da Polícia Civil comprova que o jovem morreu de infecção generalizada e politraumatismo, decorrentes das agressões. Mostra que a vítima levou socos e pontapés na parte superior do corpo e teve ferimentos externos e internos (veja infografia).
Ivan, que tinha 1,71m e 79kg, foi agredido pelos cinco homens na saída da boate Fashion Club, no Setor Comercial Norte. Os acusados têm de 1,78m a 1,90m, de 85kg a 98kg. Eles haviam saído da boate depois que Ivan. O promotor de eventos, a namorada e o amigo Luiz Roberto Lopes, 23, trocavam o pneu do carro e acabaram surpreendidos por uma Parati que fazia manobras bruscas em marcha a ré no estacionamento. Luiz deu uma batida de alerta no vidro traseiro do veículo. Foi o suficiente para os cinco suspeitos descerem do carro e atacá-los com golpes de capoeira. As pancadas em Ivan provocaram ferimentos na cabeça e ruptura no intestino.
 
Os cinco agressores foram filmados pelo circuito interno de tevê da boate entrando e saindo juntos do estabelecimento. Eles teriam sido expulsos da casa noturna por causa de uma briga, segundo funcionários da Fashion Club. “As imagens não mostram isso. Vamos ouvir os seguranças da boate para saber o que houve realmente”, disse ontem Antônio Coelho.
 
Alexandre Nascimento e Edson Junior, os últimos a se entregarem à polícia – apareceram na 2ª DP às 14h30 de quarta-feira – passaram a madrugada , manhã e tarde de ontem na delegacia. No começo da noite, seguiram para a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), no Sudoeste. Hoje devem ir para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde os outros três acusados estão desde quarta.
Seqüestro-relâmpago
 
Edson é o que tem o nome envolvido no crime mais grave, ocorrido antes da morte de Ivan. Ele é apontado como suspeito de seqüestro-relâmpago ocorrido em 5 de janeiro de 2004, no Sudoeste. Segundo a ocorrência 83/2004 da 3ª DP (Cruzeiro), Édson e um garoto de 16 anos na época, renderam um casal no estacionamento do Supermercado Bom Motivo, na Avenida Comercial do Sudoeste.
Dizendo ter uma arma sob a camisa, a dupla obrigou o homem e a mulher a entrar no carro e seguir até um caixa eletrônico, onde tiveram que sacar R$ 1 mil. As vítimas foram abandonadas perto da Granja do Torto. O caso ainda não foi julgado.

 

Roda Capoeira

Roda Capoeira, Ginga pernada e rasteira

O que fizeram da capoeira?
Zum zum zum
Zum zum zum
Eu não tenho cordão nenhum
Capoeira não se aprende mais na rua
Depois que virou mercadoria
Só se aprende na academia
Cadê o negro que pula
Cadê negro que canta
Negro cadê você?
Estão trocando o berimbau pelo Cd
Ai ai AidÊ Joga bonito que eu quero aprende
Mas quero aprender na rua
Com as coisas que estão na vida
Por isso mexo nessa ferida
E agora e que eu quero ver
Cadê a dança do povo
A luta de libertação
Cadê a ginga bonita
Me diga onde ficou?
Mudaram o jeito de corpo
Fazendo do capoeira
Um mero consumidor
Vou dizer a meu senhor Que a manteiga derramou
E derramou manchando jogo de rua
Da dança do povo fagueiro
E em troca de dinheiro se joga de Sapatilha
Não e mais o jogo da família O jogo da troca de olhar
Da arte e da malícia Que já foi caso de policia
E hoje se perde no tempo
Mas acho que ainda há tempo
De poder recuperar
É só esquecer a elite
E deixar que o branco imite
O jeito do negro jogar
Adeus adeus Boa viagem
Que me conteste Quem tiver coragem

Antonio Luiz Ferreira Bahia


Professor da UFEBA, Faculdade Jorge Amado , UNINE, Mestrando em educação pela UFEBA

Entrevista e matéria especial com o autor de: A capoeira escrava e outras tradições rebeldes

A capoeira escrava e outras tradições rebeldes
Ao estudar a prática dos negros, historiador encontra aspectos desconhecidos das relações entre escravos, senhores e Estado

O historiador carioca Carlos Eugênio Líbano Soares não tem dúvidas: a capoeira nasceu na América, apesar de articulada por elementos comuns na cultura africana – entre eles a dança e a língua – e é uma resposta dos escravos a um novo ambiente urbano, que começou a ser formado no início do século 18. A tese está no livro “A capoeira escrava e outras tradições rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850)”, publicado pela Editora da Unicamp. Soares vasculhou arquivos em Portugal, Angola e no Brasil para fundamentar sua obra.

Não foi a primeira incursão do pesquisador pelo tema. Em “A negregada instituição: os capoeiras na corte imperial, 1850-1890” (Editora Access), livro premiado pelo Arquivo Municipal do Rio de Janeiro e sua dissertação de mestrado defendida na Unicamp em 1993, Soares promove uma leitura inédita da capoeira, ancorada na literatura e numa vasta documentação política e policial. Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, por exemplo, foram fontes de pesquisa. A obra de Plácido de Abreu, escritor português pouco conhecido na chamada época de ouro da literatura (final do século 19 e começo do 20), foi da mesma forma objeto de análise. Abreu foi capoeira, assim como muitos imigrantes de várias nacio-nalidades na época. Depois acabou denunciando-a como algo marginal e perigoso.

Em geral, lembra o pesquisador, a capoeira era estudada como tema antropológico. “Falava-se muita bobagem da mais importante manifestação de rua do século 19 no Brasil”, testemunha Soares, que privilegiou a abordagem historiográfica da capoeira ligada à escravidão, sua área de pesquisa na Unicamp. A inserção do tema numa perspectiva histórica fez surgir até uma linha de estudo que vem conquistando adeptos, além de revelar aspectos até então desconhecidos.

Um deles, abordado em “A negregada…”, revela as ligações políticas dos escravos com a elite, sobretudo após a Guerra do Paraguai, que foi um divisor de águas na segunda metade do século 19. Os capoeiras eram uma espécie de esteio eleitoral de um grupo do Partido Conservador, que acreditava na negociação política do fim da escravidão. Conhecido como Grupo do Visconde do Rio Branco, seus integrantes promoveram a Lei do Ventre Livre e, depois, a Lei Áurea. Nesse contexto de apoio eleitoral, os capoeiras atacavam os membros do Partido Liberal e do Partido Republicano, garantindo a vitória dos conservadores nas urnas. “Não era o capanguismo clássico do meio rural, havia uma troca de favores”, diz Soares, que manteve em “A capoeira escrava” a mesma linha investigativa e de rigor na pesquisa de seu primeiro livro. A seguir, trechos da entrevista concedida pelo historiador.

Jornal da Unicamp – O que levou o senhor a voltar à primeira metade do século 19, depois de abordar um período posterior em seu primeiro livro?
Carlos Soares – Há todo um debate envolvendo a origem da capoeira, de onde ela veio etc. Fala-se muita bobagem, muita asneira. Como a capoeira do século 19 passou por um período fortemente escravista, com uma população africana muito grande, meu objetivo era palmilhar essa coisa da origem. Mas sabendo que a origem não está no século 19, e sim no século 18. Está nos primórdios da sociedade urbana. A capoeira é um fenômeno urbano, que anuncia uma leitura de negros africanos e crioulos para o mundo urbano colonial.

P – O senhor poderia precisar quando a capoeira surgiu?
R – Você tem, a partir do início do século 18, a formação de uma sociedade urbana colonial pela primeira vez, em Minas e no Rio de Janeiro. A grande cidade do ciclo do ouro era o Rio de Janeiro, para onde convergiam todas as remessas de ouro que iam para a corte. A cidade cresceu muito, tanto que virou capital da colônia. Houve ali uma espécie de revolução urbana durante o século 18, que com certeza trouxe os africanos, já que até 1700 a população escrava no Rio era quase toda indígena.

P – O senhor cita, em seu livro, a união entre grupos diferentes de capoeiras. Como vê a chamada organização de rua dentro desse contexto?
R – De um lado você tinha africanos vindos de um ponto distante do continente e que não se conheciam originalmente. Eles estavam num ambiente novo, tenso, de concentração, porque a cidade colonial era pequena, mas concentrava uma população densa. Os africanos traziam bagagens culturais diferentes, mas alguns elementos eram mais ou menos articuláveis, a língua, por exemplo. Acredito que também a dança foi importante, já que os povos se articularam nesse sentido. A capoeira, então, era uma forma de união desses diversos grupos. Agora, é importante colocar que o termo capoeira foi dado pela ordem policial. Eles eram identificados assim. Isso cria um problema, já que de certa forma você tem uma identificação grupal que não parte do grupo, mas sim do seu rival.

P – E como eles chamavam a dança?
R – Os termos da documentação são o “jogo do capoeira”. Agora, da dança é o seguinte: todos esses povos trazem uma bagagem cultural com diversas danças e artes marciais. Eu estive em Angola pesquisando em 1995 e, no Museu Etnográfico de Luanda, pude perceber que essas danças, por mais diferentes, tinham um ponto comum. Possivelmente essas semelhanças fossem articuladas na América. Quer dizer: capoeira, na minha hipótese, nasceu na América. Ela não nasceu na África. Ela foi formada com elementos africanos e articulada de forma inédita no território escravista.

P – Como as nações étnicas se relacionavam com a capoeira?
R – Eles criaram uma coisa nova em cima de elementos já tradicionais. Foram muitos os elementos. A capoeira nunca foi uma prática de um grupo ou nação determinada. Ela sempre foi um pólo de união de diversos grupos. É um espaço mais ou menos aberto. Você tem os grupos com diversas origens: os benguelas, os cabindas. Isso aponta que ela era um ponto de união de grupos diferenciados, e não uma coisa étnica, determinada. Ela foi transformada pelas interações africanas.

P – Muitos estudiosos relacionavam a capoeira aos meios de resistência dos escravos no mundo rural. Como se originou essa teoria?
R – No início do século 20, sobretudo na Semana de Arte Moderna, quando há uma tentativa de se resgatar a história do negro, não mais como inferior e perigoso, mas como pertencente à nacionalidade, nasce também o estereótipo da resistência. Isso era novo para a época. E nesse mito da resistência, o principal era o quilombo, numa visão até idílica. Tornou-se até mais idílica depois. Estudiosos estavam naquela época presos ao modelo da escravidão rural – que durou mais tempo e que, por isso, seria o modelo principal –, a escravidão agrária, da senzala, onde estava a maioria quando houve a Abolição.

P – E a escravidão urbana?
R – Estava um pouco esquecida. Aí colocaram a capoeira dentro desse modelo da escravidão rural, que plasmou mesmo a memória da Abolição, com a fazenda, a senzala, o cafezal e tudo o mais. Então se criou uma versão da história da capoeira no século 20 ligada ao quilombo, à história da resistência. Fora isso, o movimento negro pegou esses elementos também e os trabalhou meio que embolados. Durante muitos anos foi passada essa coisa de que a capoeira era não sei o quê do quilombo, que era uma espécie de panacéia para todos os elementos da cultura negra. As fontes de época, tanto na primeira como na segunda metade, são muito claras: a capoeira é urbana. Aliás, cheguei nela através da escravidão urbana. Quando comecei a pesquisar, antes mesmo de entrar no mestrado, meu objetivo era mostrar a escravidão urbana. Em geral, a nossa academia está muito presa a esse modelo do quilombo, da questão rural. E há poucos trabalhos sobre escravidão urbana.

P – Nesse contexto, a capoeira passa também a ser um elemento de resistência?
R – A capoeira é uma resposta de escravos urbanos a um novo ambiente. O quilombo é importante, mas não se misturava muito. Havia uma visão idílica de que o capoeira queria fugir para o quilombo, distante, nas montanhas. E ali que se criava um reino isolado. Os escravos do quilombo têm contato com os escravos da senzala; então, não é uma coisa isolada. Muito menos a fuga é uma coisa da liberdade, abstrata. O capoeira não é um escravo que vai fugir. Ele vive dentro do ambiente urbano e tem ganhos dentro desse ambiente. Existem casos, lógico, ligados à fuga, mas em geral isso é raro, porque, invariavelmente, é uma forma de luta adaptada a esse meio urbano.

P – Como os capoeiras transitavam nesse meio urbano?
R – A cidade colonial era repleta de becos, de vielas, de ruas estreitas, uma cidade congestionada. Uma cidade de pequenas fachadas e grandes quintais, com toda uma ordenação labiríntica. A capoeira é uma forma de luta adaptada a esse ambiente. O objetivo não é destruir o inimigo, mas sim possibilitar que ele fuja daquela cena em que foi agredido. É uma forma de defesa.


P – De certa forma, eles se prevaleciam da topografia da cidade?

R – Esse mundo urbano era um mundo violento. Sendo assim, era preciso dominar uma forma de luta para se manter nele. O escravo não era só atacado por policiais brancos, mas sim por outros escravos também. Para usufruir as regalias da cidade, ele precisava de uma forma de defesa. Quando um senhor colocava um escravo na rua – como artesão ou até para buscar água –, esse africano tinha que ser safo, tinha que se livrar, ser esperto, se não ele era roubado facilmente. E aí o senhor perdia mercadoria. O próprio senhor estimulava o escravo a se defender. A capoeira não era uma coisa contra o senhoriato. Era uma forma até de maximizar os lucros, já que o capoeira era um escravo que se defendia.

P – Como se estabeleciam as relações entre polícia e senhores?
R – Os senhores reclamavam das prisões porque, bem ou mal, os escravos geravam lucros. Havia fuga é lógico, mas dentro da cidade. Ele sabia que se chegasse na casa senhorial sem o pagamento, seria castigado. Ele fugia então para conseguir o dinheiro. Fugia também por causa de mulher, festa etc. Os escravos tinham muitas relações fora da escravidão. Eles tinham a figura do padrinho, em geral outro homem branco, que empenhava a palavra para o senhor em caso de fuga, intermediando a volta do escravo, conseguindo a garantia de que não seria castigado. Eles se relacionavam com libertos, com escravos, com ciganos, com todo o mundo.

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Mestre Itapoan, aluno de Bimba

Mestre Itapoan, aluno de Bimba, no filme “MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA”
 
Sobre a fase “Capoeirista de Rua” de Bimba :

“Mestre Bimba teve uma fase de capoeirista de rua. Chegou ao ponto inclusive, teve preso tantas outras vezes, que o delegado chamou ele uma vez e quis botar ele como inspetor de quarteirão do bairro que ele morava, porque aí, ele ia se policiar porque era o inspetor e não ia brigar entendeu? Ia ficar mais calmo. Mas ele disse que não que capoeira sempre teve contra a polícia, como é que ele ia ficar do lado da polícia?”

Capoeiragem e Capoeiras

Capoeiragem e Capoeiras: "Um artigo valioso para todo e qualquer mestre-pesquisador" – Miltinho Astronaulta
 
Crônica publicada na Revista Criminal (1929, Rio), enviada à Redação do Jornal do Capoeira (www.capoeira.jex.com.br), em formato original, por Mestre André Luiz Lacé.

Nota:
Esta cronica foi publicada em sua integra no Jornal do Capoeira (www.capoeira.jex.com.br), com excelentes comentários do editor do jornal, Miltinho Astronaulta. Vale a pena conhecer e se deliciar com esta pérola da nossa literatura clássica.
Neste sentido o Jornal do Capoeira vem fazendo um trabalho ímpar… onde procura mesclar as informações, as notícias, os eventos e tudo que esta ligado direta ou indiretamente ao universo da capoeira… Resgatando material fundamental para alimentar e fomentar a nossa cultura e a nossa curiosidade…
Uma atenção especial deve ser dada a coluna: Literatura Clássica, mantida pelo Jornal do Capoeira, principalmente pelo seu valor histórico, cultural e raro…
Temos a certeza de que a fórmula do sucesso do Jornal do Capoeira é o trabalho, feito em equipe, por sinal um  excelente time de colaboradores…
 
Nosso site mesmo que informalmente tambem se sente orgulhoso… pois tem Miltinho e o Jornal do Capoeira como "Parceiros…. Amigos"
 
É este nosso jogo… é jogo de camamaradas… em prol da capoeira.
Luciano Milani.

"Capoeiragem e Capoeiras"
por Paulo Várzea (jornalista e capoeira)
 
            Madrid tem o chulo; Buenos Aires, o compadron; Lisboa, o fadista, e o Rio de Janeiro, o capoeira. Nas varias modalidades da sua ligeireza e destreza physica, a capoeira sobrecede os seus rivaes. É um acrobata prodigioso. Salta, desarticula-se todo para passar um tombo, para metter a cabeça. E faz isso de repente, sem alarde, na surdina. Dois, três, quatro golpes seus, simultâneos, continuados, embaraçaram, confundem, atordoam e dominam o adversário.
            Inimigo leal, jamais ataca pelas costas. É um sujeito valente. Alcunhado, também, de capadócio, malandro, bam-bam-bam, o capoeira, como o próprio nome está dizendo, vem das capoeiras ao tempo colonial. E não foi apenas o vadio, o molequete desertor das casernas, o escravo evadido das fazendas, foi também o jornalista, o deputado, o engenheiro e o general. São famosas as scenas de capoeiragem jogadas outróra no Rio, no antigo Café Londres, de madrugada, entre literatos, deputados e militares.
            Naquelle tempo, na terra carioca, a capoeiragem era uma instituição devidamente organizada em partidos: os guyamús, os nagôas, flor da gente, franciscanos, luzitanos, conceição da marinha, conceição da glória, boccas-rasgadas, natividades, monduros, caxinguelês etc.
            Estes partidos travavam diariamente, nas ruas, terríveis conflictos e, porque constituís-
sem sério perigo para a segurança pública, foram depois energicamente combatidos por um próprio capoeira, o Dr. Sampaio Ferraz, ex-chefe de polícia. Diminuídos nas suas proporções, os capoeiras hoje são quase raros e já não mais dão a conhecer pelos grupos, mas isoladamente, pelo próprio nome de baptismo. A terra natal, os bairros, o mulherio, o defeito phisico e moral passaram a influir na celebridade do malandro moderno: "Cardosinho da Saúde", "Hespanholito", "Canella de Vidro", "Galleguinho", "Cabeleireira", "Mulatinho deo Catete", "Camisa Pretas", "Treme-Treme", "Carvoeiro", "Cabo-Verde", "Bonitinho do Castello" e "Paulo da Zazá".
 
O capoeira moderno, como o antigo, não tem occupação. Faz das suas habilidades, da sua disposição o mesmo que faziam os espadachins do século XVII. Consummado acrobata, põe suas façanhas a serviço dos magnatas, dos políticos, do bicheiros e, especialmente, dos donos das tavolagens, desde os clubs elegantes até as batotas sórdidas, desde os cabarés até os ranchos. Na guarda de um desses antros elle é um leão, leão de chácara. Joga ahi, a vida num desprendimento de louco e termina, invariavelmente, numa explosão de tragedia. Há que mostrar as qualidades… "Ou subo ou desço", diz referindo-se a ir para a cadeia (subir) ou morrer (descer).
 
 
Os malandros de facto são ciosos da fama. Considera, a guarda de uma espelunca como um compromisso de vida ou de morte. Não querem ficar com o prestigio abalado, a cara suja… Erradamente, fazemos a idéia de que o malandro é um bandido. Entretanto, elle não é assim tão execrável. Há que o conhecer, para vel-o como é expansivo, maneiroso, sympathico… Quando é inimigo, é cruel; quando vai visital-o e leva-lhe notícias e presentes: o crivo (cigarro), cabello (fumo), papagaio (jornal), tendo antes o cuidado de baratinar o hafra (o guarda) da galeria.
 
Mas, com a mesma mão com que pratica taes generosidades, elle tira uma vida. E, com a mesma habilidade com eu faz essas coisas, tange o violão, o cavaquinho, o berimbao «grifo do Editor». Aquellas modinhas que às vezes ouvimos da cama, cantadas na rua, dormecida e deserta são delle, o poeta seresteiro que recolhe à casa.
O malandro é também um bohemio. E não é capaz de delinqüir de outro modo que não seja com a sua arte. Da capoeiragem, só della, desfruta o provento com que mantém o dandysmo exótico em que vive. Já viram a indumentária de um malandro? É curiosa: chapéo de panno ou de palha cahido sobre os olhos ou atirado par traz, sobre a nuca; na falta do colarrinho, um lenço no pescoço, à guiza de gravata; paletó folgado; calças largas, bocca de sino, bombachas ou balão, cahidad dobre os sapatos de pelica de bico fino com salto apionado ou de carrapeta; prendendo as calças à cintura, um cinto com fivelas complicadas, escondendo a sardinha ou o páo de fogo…
 
Assim vestido, o malandro está frajóla, tem a dica, a herva, a grana, o dinheiro… Mal vestido, está de tanga, a nenhum, teso, limpo… Aos domingos, o malandro dedica-se de corpo e alma á sua brincadeira predilecta – a batucada ou samba.
 
Batucada ou samba é um mixto de divertimento e escola, escola de malandragem improvisada nos terenos baldios, nos recantos longíquos da cidade. Ahi, abrigados da polícia, os malandros romam a roda e iniciam o samba. O ritual é um sapateado marcado pelo batido dos pandeiros, pelo sacolejar dos chocalhos e pelo Coro dos sambistas, cantando o amor e a morte… Nos sambas, também entram mulheres. Puxar o samba é jogar em verso a deixa a um dos pareiros da roda:
 
Por exemplo:
"Sou Arthur de Catumby
Vou tirar uma pequena
Contando daqui p`r`ali
Ella faz uma dezena…"
 
O Coro rompe:
 
"Contando daqui p`r`ali
Ella faz uma dezena…"
 
O puxador corre a roda, trocando passes complicados, fazendo letras, presepadas. De repente pára deante de um parceiro. Finge que vae dar um tombo no companheiro e dá uma umbigada. Esta ceremonia chama-se tirar… É um preceito e um desafio, pelo que cumpre ao desafiado ir substituir no centro, o desafiante. Se o desafiado é mulher, sahe batendo com o salto das chinellas no chão, cadenciadamente, rebolando os quadris, sacolejando os braços num retinir de pulseiras até defrontar um oturo parceiro, a quem repete o preceito e canta:
 
"Sou Zazá de Deodoro
Sambista do tenpo antigo
Derrubei o Theodoro
E agora vou comtigo…"
 
O desafiado entra para a roda e vae reproduzir o ´receito adeante, improvisando:
 
"Já vi muié, é das pouca,
Prepara muito cozido
Já vi muié bate boca
Mas dá in home? Duvido…"
 
E assim, todos os sambeiros, cada um por sua vez, passam pelo centro. Tal é o samba.
 
Mas a batucada é differente. Nella não entram mulheres. Tomam parte somente homens. Os mesmos instrumentos e mais o atabaque; o mesmo modo de sapatear, igual característica. Apenas os batuqueiros ficam em posição de sentido, pés juntos, com a máxima attenção nos movimentos do puxador, cujos golpes são jogados de surpresa para derrubar…
 
"O batuque é da arrelia
Na Saúde e na Gambôa
Masda Favella á Alegria
É dansa de gente atôa…"
 
O côro repete:
 
"Mas da Favella á Alegria
É dansa de gente atôa…"
 
O puxador, mal soa o ultimo verso do côro, manda o golpe> tesoura, rapa, banda, bahú, bahiana, abeçada, susto, cama, bengala, fedegoso, chulipa, rabo de arraia, tombo de lafeira etc. O parceiro que sahiu fora canta:
"Gosto mais da Babylonia,
Topo ambém a Mangueira
Mas nas falas da Colônia,
Eu prefiro a Geladeira…"
 
Todavia, a batucada mais importante é a batucada braba ou surda, ora marcada pelo coro, ora pelas pernas. Ás pernas compete falar pelo individuo, dizer das suas habilitações. Mas, para entrar nessa batucada há que ser malandro de facto e não de informações. Sendo uma reunião onde é posta em jogo a competência do reguez, a ella de ordinário, só acode a malandragem pesada que, por direitos de conquista, representa o prestígio, a força dos diversos reductos da cidade.
            Na batucada surda quando um acompanhamento fala, o outro fica mudo. Quando o côro cala, falam as pernas. As pernas dizem, pelo puxador, o verso e jogam também a deixa… E quando falam as pernas, os olhos se accendem em lampejos de laminas brilhantes para espreitar os movimentos do puxador que ameaça. É a hora das comidas…da onça beber água:
          
–                          Toma, séo Abóbora…
–                          Repete, séo Chandas…
 
            Três, quatro, cinco golpes consecutivos riscam o ar, provocando um arrepio nas espinhas. Afinal um corpo vacila e tomba. Então o coro que está alerta, abafa a queda, cantando a meia voz, ironicamente:
 
            "Boléa,
Boléador…
Boléa…"
 
            No ardor da dansa, os batuqueiros chegam a cheirar a sangue… De mistura com o suor dos corpos offegantes, o bafio quente da cachaça, chamada de capote, quando chove, e de ventarola, quando está calor. E a visão é a de uma scena de pantomina numa paisagem pobre, a meio de uma ruela deserta, com rancho em ruína e lampeões bruxulentos, á cuja claridade da vida os batuqueiros se agitam, cabriolam, rasteja nervosos e espectraes como si fossem fantoches que dansassem e arfassem… E a música rouca, monótona, lúgubre, reboa lá no alto do morro, emquanto cá debaixo a cidade dorme sob o levario de outro das luzes. Neses reductos, a essas horas, a polícia não vae…
E quando apparece, vê apenas para recolher cadáveres com que a farandula da morte costuma saudal-as pelas manhãs…
 
            A Penha, D. Clara, Madureira, Deodoro, Parada Cordeiro foram redctos trdicionaes de sambas e batucadas. Mas hoje os sítios maisecolhidos para essas dansas são os morros: Capão, da Mangueira, Pendura-Saia, Urubu, Salgueiro, Kerozene, Conceição, Mundo-Novo,Paraíso, Favella, Pinto e as estações de Merety e Braz de Pinna.
 
–                          Porque são zonas próprias para o pessoal pyrá…
–                          Isso é verdade…
 
Éramos dois querecordavamos o tempo da coroa sentados áquella mesa. Á porta do café, sujeitos estrnahos divagavam sobre coisas estranhas… Após molhar a palavra, o parceiro proseguiu:
 
–                     Sambistas, batuqueiros de verdade conheci ´pucos e esses poucos foram Apollonio, Bamba, Cento eOnze, Cleto, Albino, Jacaré, Zé Maria, Camaleão, Sahara, Branda, Catita, Espada, Nua, Beatriz, Reúna, Careca, Emerentina e Violeta.
 
Nisto, interrompendo a conversa, approximou-se um mulatinho despachado, que falou:
 
–                          Olá, compadre !
 
O parceiro resmungou:
–                          Olá, mano !
 
Mas o mulato estava com toda a corda e puxou conversa…
 
–                          Quando deixaste Petrópolis?
–                     Menino, eu nunca estive em Petrópolis. Estive, sim, em Therezópolis, no convento. De uma feita tirando 15; da outra 12 (e espalmou as mãos para melhor enumerar s sentenças). Como, vês, não fui lá para sujar no cubo… não sou malandro barato… (E dardejando o olhar em redor, um olhar perscrutador, revelou cautelosamente, como se fosse contar um segredo): Despachei dois. Mas a vaga lá está a sua espera…
–                          Passo. Si a quizesse, tinha ido occupal-a hoje mesmo.
–                          Cachorro quente?
–                          Figuração…
–                          Na boa?
–                          Na boa. Mas tu sabes… eu sou de circo… Fiz a viagem… o besta metteu os peitos… Foi a conta… Caberei elle…
–                          Brucutu…
–                          Chão…
–                          Knock-put?
–                          Não.. o bruto trasteou… Eu lhe disse: "Vem que eu te recebo!" Mas o cabra pediu hábeas, fez meio-dia…
–                          Foi na batata!
–                          Ah! Commigo não tem bandeira… E está ahi como estive vae não vae…
–                          O diabo tenta a gente, Pinga…
–                          Se tenta…
–                          Sempre levando vantagem…
–                          Qual ´o meu? Bem, vou roda… Boas festas…
–                          Já? Mulato presença.
–                          Já, negro frajola.
E o mulato partiu gingando.
–                          Oh! Balão – exclamei.
–                          Conhece-o? – inquiriu o parceiro.
–                          De vista.
–                          É o Pinga-fogo…
–                     Esse é malandro moderno, da turma do Atônico Branco, Joazinho da Lapa, Leão, Broa, Cirineu, Antonico, Ferreira, Petit… gente que se estraçalhou nos entreveros dos clubes.
–                     Mesmo porque os veteranos já se foram na sua quase totalidade: João Ferreira, Prata-Preta, João Grande, Hespanholito, Galleguinho, Carlito, Cardozinho, Zé do Senado, Três Tempos, Braço de Ouro, Bonzão, Satyro, Manoel do Friso, Arthur Mulatinho, Massa-Bruta, Gato Brito, Manduca da Praia, Camisa Preta, Alfredo Bexiga, Leão da Noite, Antonico, Zé Moço, Quitute, Camisa do Paraíso, Zuzú, Mello, Cambuca…
–                          E dessa geração quaes são os que sobrevivem?
–                     Poucos: Gallo, Arthur da Conceição, Cabo Verde, Vacca Brava, Getúlio, Geraldo, Januário, Leopoldo, Guerreiro, Russo da Pirajá, Bonitinho do Castello, Marinheiro, Quincas e Mette-Braço.
–                     Logo essa fúria de destruição entre os malandros é coisa velha e continua mesmo depois que a Polícia passou a perseguir as maltas, essas lutas diminuíram. Mas, quando chegava a época do Carnaval, ellas voltavam a recrudescer.
–                          O Carnaval era um pretexto par o grito de guerra…
–                     Era. As maltas, para passarem despercebidas da polícia, sahiam á rua disfarçadas em cordões. Á frente, mascaradas de caboclos, de reis, derainhas, de velhos, de caveiras, de diabos, iam os chefes, emquanto atrás seguia o corpo da matula empunhando archotes e estandartes dos quaes ressaltavam estes dísticos ameaçadores: Teimosos de São Christovão, Filhos da Machadinha, Destemidos de Catumby, Heroes das Chamas, Invencíveis do Cattete, Dragões do Mar, Triumpho de Botafogo, Couraceiros do Inferno, Estrella da Concordia, Heróes Brasileiros…
–                          E com isso as maltas voltavam a luctar nas ruas, ás barbas da polícia…          
–                          Voltavam.
–                          É assim, muito malandro embarcou…
–                          Muito. Mas hoje não dá mais disso…
–                          A capoeiragem está cahindo…
–                          Qual nada… Em decadência estão os aficccionados…
–                          Achas, então que a capoeiragem é ionvencível?
–                          Sem dúvida…
–                          Mas se já não existem mais capoeiras…
–                          Existem. Mas esses não se prestam a exhibições públicas. O capoeira de facto não se mostra.
–                          É opprtunista…
–                          Justo. E por isso mesmo é que elle diz, e com acerto: Na hora é que se vê. Capoeira de exhibição só os do tempo da mandninga.
–                          E onde ficam os que hoje se exhibem no circos?
–                          Truta…
–                          Tapeação?
–                          Justo…
–                          Tens razão, compadre…
–                          Razão e memória…
–                          E terás baos pernas como tens boa memória?
–                          Só vendo…
–                          Achote-se velho…
–                     Qual velho. Velhos são os trapos… Tenho 62, mas sinto-me tão leve quanto uma pluma. Eu não desminto as qualidades, não nego o nome… Sou o mesmo "Bode" do passado que pulva, que dava marradas… Formei na malta dos guaymús, fui malandro e até hoje não vi piaba que me tocasse, perna que me derrubasse. E si tomei este risco que me deu um guardião de bordo (e mostrou a faze esquerda, onde lhe vi um tremendo gilvaz que ia das pálpebras ao pavilhão da orelha) foi porque estava dormindo… Naquelle tempo, quando havia rolo em terra, a bordo logo diziam: "Isto foi o Bode ou o Apollonio que se espalharam em terra!…" Justamente dali a instantes um de nós dois arribava a bordo escoltado e tendo sob um dos braços um feixe de facões que tomávamos aos "meganhas"…
–                          E hoje serias capaz de repetir a dose, de solta a cachorra?
–                     Deus me livre… Trinta annos de cadeia, na cubata, de sobrado, no convento, transformam os homens. Hoje tenho pavor aos rolos. Só de ouvir o griullo (apito) do cardeal (soldado) eu me aflijo, tremo e soffro…
–                          É o pavor da jaula…
–                          Justo
–                          Deverás?
–                          Deveras.
–                          Mentira… – interrompeu um patusco ao lado.
 
"Bode" deitou ao chereta umolhar de quemn não gostou da patsucada. Assumptou. Por fim espirrou em tom confidencial, na surdina:
–                          Gente de D. Justa. Cuidado…
–                     Compreendi-lhe as falas. Aquelle cabra que mexera com elle era um tira entre outros tirasd. A cana estava ali, braba. Convinha sahir. Dar o fora. "Bode" não perdeu tempo. Empinou-se á guisa de despedida espirrou:
–                          Au revoir. E disponha desse negro.
–                          Para tudo? – perguntei-lhe.
–                          Para tudo.
–                          Mesmo para um gallo?
–                          Conforme… Si for gallo, 50$, estou comtigo… Quem não quer as massas?…
–                          Não, "bode", é para um gallo de briga que eu preciso de ti… Serviço de sangue…
–                          Misericórdia! Sahe azar! Commigo, não!
 
E saltou para a rua, lépido, aos pulinhos, aos corcovos, de cabeça baixa, olhos em fogo. E de repente desabalou num arranco, como si fosse mesmo um bode de verdade, preto, enorme, de duas pernas.
Estaquei na calçada, espantado, perplexo com tamanha agilidade em tamanha velhice. Por fim cheguei a conclusão de que, como o "Bode" , também eu nunca apanhei. Entrei em conflitos sérios, metti-me em batucadas brabas. De uma feita. Na Penha de Nictheroy, parti o braço de um parceiro com uma banda secca…
Pudera, eu era discípulo do mestre "Peru", aquelle malandro esguio e avermelhado que foi cocheiro de carro e que certa vez matou, com uma cabeçada certeira, precisa, um saltimbanco japonez no largo de Camtumby!
Se o "Bode" foi celebre, eu não fui menos famoso… Eu sou o …"Vagabundo",,,, um repórter.
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Lampião e Maria Bonita

Maior que Deus foi ninguem….
Valente foi Lampião….
Quando a policia chegou…
Acabou com o valentão…
 
Aquilo que foi amor…
Aquilo que foi paixão…
Morreu Maria Bonita…
Morreu abraçada com Lampião…
 
Não não não…
A mulher não nasceu para sofrer…
Não não não…
Ela não deveria morrer…
 
Não não não…
A mulher não nasceu para sofrer…
Não não não…
Ela tem de lutar por seu lugar…

TATUAGENS PERIGOSAS

Existe uma forma de tatuagem chamada estrela azul (Blue Star) que está sendo vendida nas escolas. É um pedaço de papel contendo uma estrela azul, tem o tamanho de uma borracha de apagar e cada estrela esta impregnado com LSD. A droga é absorvida pela pele pelo simples manuseio do papel.
Existem também algumas tatuagens em forma de selos (correio) com as seguintes figuras: * Superman * Mickey mouse * Palhaços * Personagens da Disney * Bart Simpson * Borboletas.

Todas estão impregnadas com drogas! Algumas com estriquinina!

Se alguma criança possui uma das tatuagens acima descritas, não as deixem utilizarem.
As reações são se instalam muito rapidamente.
Sintomas: * Alucinações. * Vômitos. * Crises incontroláveis de riso. * Mudança no comportamento e na temperatura do corpo.

Vamos manter estas tatuagens perigosas longe das nossas crianças!

Copie e distribua esta nota ao seu local de trabalho, aos amigos, às escolas locais, as igrejas eoutras agremiações comunitárias.

DIGA NÃO ÀS DROGAS !!!
FAÇA ESPORTE, TREINE CAPOEIRA !!!

Fonte:

  • J.O. Donnel – Danbury Hospital- Serviço de Tratamento de Pacientes Dependentes da Quimica.
  • MedicMail – Referencias da Medicina via Internet * Primeiro "site" brasileiro voltado para a area medica e da saude * Nosso dominio na Internet: * http://www.medicmail.com *   E-Mail: * medicweb@iconet.com.br*     Sao Jose dos Campos – SP – Brasil
    * Fone/Fax: + 55 (012) 341-7581
  • SECRETARIA DE ESTADO DOS NEGOCIOS DA SEGURANÇA PUBLICA
    POLICIA CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO
    DELEGACIA SECCIONAL DE POLICIA DE CATANDUVA
    RUA CAFELANDIA, 312 – V. CELSO MOUAD – FONE: 522-5261

Major Miguel Nunes Vidigal

Um ano após a chegada de D. João VI (1808), criou-se a Secretaria de Polícia e foi organizada a Guarda Real de Polícia, sendo nomeado para sua chefia o major Nunes Vidigal, perseguidor implacável dos candomblés, das rodas de samba e especialmente dos capoeiras, “para quem reservava um tratamento especial, uma espécie de surras e torturas a que chamava de Ceia dos Camarões”. O major Vidigal foi descrito como "um homem alto, gordo, do calibre de um granadeiro, moleirão, de fala abemolada, mas um capoeira habilidoso, de um sangue-frio e de uma agilidade a toda prova, respeitado pelos mais temíveis capangas de sua época. Jogava maravilhosamente o pau, a faca, o murro e a navalha, sendo que nos golpes de cabeça e de pés era um todo inexcedível". Sobre ele, também disse Mário de Andrade: "O Major Vidigal, que principia aparecendo em 1809, foi durante muitos anos, mais que o chefe, o dono da Polícia colonial carioca. Habilíssimo nas diligências, perverso e ditatorial nos castigos, era o horror das classes desprotegidas do Rio de Janeiro. Alfredo Pujol lembra uma quadrinha que corria sobre ele no murmúrio do povo:
 
Avistei o Vidigal.
Fiquei sem sangue;
Se não sou tão ligeiro
O quati me lambe.
 
(Mário de Andrade, introdução às Memórias de um Sargento de Milícias, São Paulo, 1941).
 
*Em 10 de julho de 1843 faleceu no Rio o Marechal Miguel Nunes Vidigal, capoeira exímio e que apareceu, como o Major Vidigal, no livro "memórias de um sargento de milícias", um dos clássicos da nossa literatura.