Blog

população

Vendo Artigos etiquetados em: população

Ato público celebra 21 de março no Rio de Janeiro

Um ato público, promovido nos jardins do Palácio Gustavo Capanema, marcou a celebração do 21 de março – Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial – pela Fundação Cultural Palmares. O ato é resultado de uma parceria entre a FCP/MinC e as entidades governamentais representativas da população negra nos âmbitos estadual e municipal do Rio de Janeiro. São elas: CEDINE – Conselho Estadual dos Direitos do Negro, COMDEDINE – Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro, SUPIR/RJ – Superintendência da Igualdade Racial e CEPIR/RJ – Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial.

Segundo o presidente da Fundação Cultural Palmares, esta parceria nasceu de um consenso, entre as instituições, sobre os sentimentos de liberdade, culto à natureza e alegria, características marcantes dos povos de ascendência africana. “Concordamos que realizar este Ato ‘na praça’ seria uma forma de mostrar que 21 de março é um dia que ficará marcado para sempre na história dos negros. Os jardins do Palácio Capanema formam uma autêntica praça e, como bem disse o poeta abolicionista Castro Alves, a praça é do povo”, lembrou Eloi Ferreira de Araujo.

O presidente da FCP conduziu o ato junto com os representantes das instituições parceiras e demais lideranças negras fluminenses, como o jornalista, advogado e ex-deputado Carlos Alberto Oliveira, o “Caó”, autor da lei 7.347 – que ficou conhecida pelo apelido do parlamentar e militante negro. Em 1985, a Lei estabeleceu o racismo como crime.

Memória e cultura – A data emblemática do massacre de Shaperville (ocorrido há 52 anos na África do Sul), que foi oficializada em 1976 pela ONU como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, também levou ao centro do Rio grupos de tradicionais manifestações culturais afro-brasileiras.

A abertura do ato consistiu na lavagem simbólica do prédio histórico que abriga a Representação Regional da FCP e outros órgãos do Ministério da Cultura, e foi feita nos moldes das religiões de matriz africana – entoada por mestre Cotoquinho e os atabaques dos Filhos de Gandhi, tendo na roda sacerdotes, sacerdotisas e membros de terreiros, vindos de Itaboraí, São João de Meriti e Belford Roxo.

Em seguida, foi a vez do Jongo da Serrinha, liderado por Vó Maria, fazer a sua apresentação, que foi complementada pela capoeira de mestre Camisa e seu grupo, Abada Capoeira.

Conquistas – Sem esconder a alegria de participar da celebração, Eloi Ferreira destacou o trabalho da FCP e as conquistas da população negra: “Ao longo de seus 24 anos, a Fundação Cultural Palmares tem se empenhado na promoção, proteção e difusão da cultura afro-brasileira e, nesse sentido, também tem construído ambientes para rememorar nossas datas históricas e nossas conquistas. Entre estas conquistas podemos destacar a Lei Caó, o ProUni, a Lei de Cotas, a Lei 10.639”, lembrou.

O presidente da Palmares ressaltou ainda a importância do reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombos e frisou a necessidade de avanço na titulação das terras dessas comunidades. Destacou, também, a significativa vitória que é o Estatuto da Igualdade Racial: “É o primeiro marco legal para a construção de igualdade de oportunidades entre negros e não negros em nosso país, é a primeira lei que responsabiliza o Estado pela reparação à perversidade que foi cometida contra a população negra”, finalizou Eloi Ferreira.

http://www.palmares.gov.br

Ação social promoverá doação de sangue

Neste fim de semana, a população de Mauá participa de mais uma edição do Diário do Grande ABC nos Bairros. Nesta etapa os moradores poderão doar sangue para ajudar os hospitais a suprir um déficit de aproximadamente 40% no estoque de seus bancos de sangue. A iniciativa é pioneira na ação social deste ano. O evento é promovido pelo Diário, e ocorre das 9h às 16h, na EE Florisbella de Campos Werneck (Rua Raimundo Montanaria, 10-B – bairro 4º Centenário).

A Colsan (Associação Beneficente de Coleta de Sangue) marcará presença na unidade de ensino com duas funcionárias que alertarão pais e mães sobre a importância das doações aos hospitais da região. Quem quiser doar, pode optar por três locais: o CHM (Centro Hospitalar Municipal de Santo André); o Hospital Estadual Mário Covas; e o Hospital Anchieta, em São Bernardo.

Funcionária da Colsan, Neuci Couto explica que a população não adere à doação de sangue porque não entende como funciona o processo. “No sábado, vamos explicar como as pessoas podem doar e quais hospitais devem procurar”, destacou.

Presidente da associação de moradores da região, Agnaldo Souza apoia a ação social por conta dos serviços de Saúde oferecidos durante o evento.

Apresentações de capoeira são destaque

Quem comparecer sábado ao Diário do Grande ABC nos Bairros realizado na EE Florisbella de Campos Werneck, terá a oportunidade de participar das apresentações de capoeira do grupo ADC Filhos de Gandhi. As demonstrações irão ocorrer na parte da manhã e encerram o evento no fim da tarde.

De todas as atividades que vão ocorrer no dia, a capoeira é a preferida entre os alunos da escola.

A ação social é promovida pelo Diário e tem patrocínio do governo do Estado de São Paulo, da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), da Universidade Metodista de São Paulo, da Rede Farma Fórmulas, do Colégio Renil Educação Profissional, de Lígia Cabeleireiros e da Novety Cosmético.

Aprovado com emendas na Câmara, Estatuto da Igualdade Racial será novamente examinado pelo Senado em 2010

Tramitando no Congresso Nacional desde maio de 2003, o projeto de lei do Senado que institui o Estatuto da Igualdade Racial (PLS 213/03) será novamente examinado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) nos primeiros meses de 2010. Aprovado no Senado em novembro de 2005, o texto foi enviado à Câmara, onde foi acolhido, em setembro de 2009, sob a forma de substitutivo, com várias alterações ao texto original, motivo pelo qual voltou para nova análise dos senadores.

O autor do projeto original é o senador Paulo Paim (PT-RS), que já defendeu a aprovação do estatuto por diversas vezes da tribuna do Plenário do Senado. O relator, Demóstenes Torres (DEM-GO), apresentou parecer favorável, com emendas, à aprovação do projeto em dezembro do ano passado.

Entre outros pontos, o projeto de Paim institui pena de até três anos para quem praticar racismo pela internet, incentiva a contratação de negros pelas empresas e reconhece a capoeira como esporte. Resultado de mais de seis anos de discussão no Congresso, o texto aprovado na Câmara faz mudanças substanciais no projeto original. Reduz de 30% para 10% a proporção de candidatos negros que os partidos devem ter nas eleições (atualmente, só há reserva para mulheres); retira a obrigatoriedade de reserva, nos estabelecimentos públicos, de vagas para alunos negros vindos de escolas públicas na mesma proporção dessa etnia na população; e suprime a indicação “igualdade” do dispositivo que trata da contratação de atores negros em produções artísticas.

O substitutivo da Câmara define como desigualdade racial todas as situações injustificadas de diferenciação de acesso e fruição de bens, serviços e oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de raça, cor, descendência, origem nacional ou étnica. Define como população negra o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pelo IBGE.

O substitutivo que será apreciado pela CCJ também trata de políticas públicas e programas especiais adotados pela iniciativa privada e o Estado para a correção das desigualdades raciais e a promoção da igualdade de oportunidades. Prevê ainda acesso universal e igualitário ao Sistema Único de Saúde (SUS) para promoção, proteção e recuperação da saúde da população negra, que deverá ficar a cargo de instituições públicas federais, estaduais, distrital e municipais da administração direta e indireta. O objetivo é garantir tratamento e especialização em doenças mais comuns na raça negra, como a anemia falciforme.

A proposta determina também que seja obrigatória a disciplina que trate da história geral da África e da população negra no Brasil nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio públicos e privados. Além disso, o Estatuto da Igualdade Racial assegura o livre exercício dos cultos religiosos de origem africana, prevendo assistência religiosa aos seus seguidores em hospitais e institui que os programas de moradia do governo deverão assegurar tratamento equitativo à população negra, devendo fazer o mesmo os bancos públicos e privados que atuam em financiamento habitacional.

Helena Daltro Pontual e Augusto Castro / Agência Senado

Capoeira & propaganda de cigarros

Marca de cigarros lança campanha na Indonésia, onde a Capoeira aparece como propaganda.

Não é de hoje que a Capoeira têm sido convidada a participar de campanhas publicitárias, comerciais em televisão, revistas e jornais. Evitando fazer propaganda de ninguém, mas é comum nós vermos algumas “vinhetas” nos intervalos de alguns canais da TV Brasileira, onde a Capoeira aparece como um símbolo de Brasilidade.

Algumas delas criadas até por nosso saudoso REDI, do Rio de Janeiro. Uma rede de hipermercados têm também utilizado a Capoeira com uma boa conotação.

Mestre Jorge Draga, que desenvolve seu trabalho em Perth, Austrália, foi convidado para participar de um comercial de Cigarros na Indonésia. As vantagens seriam diversas, indo de hotel 5 estrelas, passagens aéreas e também um excelente cache! Ele não aceitou!

Mas como podemos ver na foto ao lado, outros se dispuseram a tal.

Junto com a ilustração segue o seguinte texto: Como pode um grupo de Capoeira se expor numa propaganda dessas. Isso mostra que nem todos os grupos de Capoeira tem a mesma essência, pois, enquanto alguns se dedicam a ensinar seus alunos a não fumarem etc, outros, como podem ver na foto, até comerciais de cigarro fazem.

Você deixaria teu filho nas mãos de um grupo desse?

Por isso quando procurar um grupo de Capoeira de verdade, pesquise seus princípios. Existem muitos por ai, e não generalize, pois existem capoeiristas de verdade.

Parabéns Mestre Jorge Draga!

PNAD – Tabagismo


Base: Ano de 2008

17,2% dos brasileiros fumam; 52,1% deles pensam em parar

Cerca de 24,6 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais de idade fumavam derivados de tabaco em 2008, o que correspondia a 17,2% da população nessa faixa etária. Os percentuais de fumantes eram maiores entre os homens (21,6%), entre as pessoas de 45 a 64 anos de idade (22,7%), entre os moradores da região Sul do país (19,0%), os que viviam na área rural (20,4%), os menos escolarizados (25,0% entre os sem instrução ou com menos de um ano de estudo) e os de menor rendimento domiciliar per capita (19,9% entre os sem rendimento ou com menos de ¼ de salário mínimo). A maior parte deles começou a fumar com 17 a 19 anos de idade, e, dentre os que fumavam diariamente, o mais comum era consumir por dia de 15 a 24 cigarros, sendo o primeiro fumado entre 6 e 30 minutos após acordar. Um fator que impactava na idade de começar a fumar era a escolaridade.

Por outro lado, a quase totalidade dos fumantes (93,0%) afirmava saber que o cigarro pode causar doenças graves, e um pouco mais da metade deles (52,1%) disse que pensava ou planejava parar de fumar, sendo que 65,0% dos fumantes informaram que as advertências nos rótulos dos cigarros fizeram pensar em parar de fumar.

Esses são alguns destaques da Pesquisa Especial de Tabagismo (Petab), que traça um panorama inédito e detalhado do uso de produtos derivados de tabaco no Brasil, entre as pessoas de 15 anos ou mais de idade, com informações para o país, as grandes regiões e as unidades da federação. A Petab foi realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, com a atuação técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), e aplicada a uma subamostra (cerca de 51 mil domicílios) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008. A pesquisa seguiu o modelo da GATS (Global Adult Tobacco Survey), que está sendo realizada também em outros 13 países1, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O projeto internacional envolve também a Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health (EUA) e tem financiamento da Bloomberg Philantropies.

No Brasil, em 2008, 17,5% da população de 15 anos ou mais de idade eram usuários de produtos derivados de tabaco (fumado ou não)2, o que correspondia a 25 milhões de pessoas. Regionalmente, o maior percentual de usuários estava no Sul (19,0%) e os menores no Sudeste e Centro-Oeste (16,9% em cada um). Em todas as regiões, o percentual de homens usuários era maior que o de mulheres.

Os usuários de tabaco não fumado eram 0,4% dos brasileiros de 15 anos ou mais de idade, percentual maior entre os homens (0,6%) e na região Nordeste (0,9%).

Assim, 17,2% da população na faixa de idade investigada (24,6 milhões de pessoas) consumiam tabaco fumado, ou seja, eram fumantes de tabaco, sendo 14,8 milhões homens (21,6% do total de 15 anos ou mais de idade) e 9,8 milhões mulheres (13,1% do total nesse grupo etário).

Dos fumantes, apenas cerca de 3 milhões (equivalentes a 12,2% do contingente de fumantes e a 2,1% do total da população de 15 anos ou mais de idade) fumavam ocasionalmente.

Entre os não fumantes (118,4 milhões de pessoas ou 82,8% da população de 15 anos ou mais de idade), 78,1% (64,7% da população de 15 anos ou mais de idade, o equivalente a 92,5 milhões de pessoas) nunca haviam fumado, percentual que era maior entre as mulheres (71,7% do total das mulheres de 15 anos ou mais) do que entre os homens (57,0%).

Já os ex-fumantes (26 milhões de pessoas) eram 18,2% da população de 15 anos ou mais de idade e 22,0% dos não fumantes, em 2008.

Maiores percentuais de fumantes estão entre os homens, na região Sul, na área rural, entre os menos escolarizados e os de menor rendimento domiciliar per capita

A região Sul tinha, em 2008, o maior percentual de fumantes de tabaco (19,0%), sendo os menores percentuais verificados no Centro-Oeste (16,6%) e Sudeste (16,7%). Entre os homens, os maiores percentuais de fumantes estavam no Nordeste (22,9% ou 4,2 milhões de pessoas) e no Sul (22,5% ou 2,3 milhões); já entre as mulheres, eles foram verificados no Sul (15,9%) e Sudeste (13,3%).

Entre as unidades da federação (UF), os maiores percentuais de fumantes de tabaco na população de 15 anos ou mais estavam no Acre (22,1%), Rio Grande do Sul (20,7%) e Paraíba (20,2%), enquanto os menores estavam no Amazonas (13,9%), no Distrito Federal (13,4%) e em Sergipe (13,1%).

O percentual de fumantes de tabaco era maior na zona rural (20,4% ou 4,4 milhões de pessoas) que na urbana (16,6% ou 20,1 milhões de pessoas). O maior percentual de fumantes estava entre as pessoas sem instrução ou com menos de um ano de estudo (25,7% do total desse grupo). No outro extremo, das pessoas que tinham 11 anos ou mais de estudo, 11,9% fumavam – comportamento que se repetia em todas as regiões do país. O percentual de fumantes também era maior entre os que se declararam pretos ou pardos (19,0%) do que entre os brancos (15,3%), o que também se verificava regionalmente.

O grupo etário de 45 a 64 anos tinha a maior concentração de fumantes (22,7% das pessoas nessa faixa), fato que se verificava em todas as regiões do país.

Foi possível observar ainda, sobretudo nas regiões Sul e Nordeste, que, quanto maior o rendimento domiciliar per capita, menor a proporção de fumantes, conforme tabela a seguir.

Escolaridade é fator que impacta na idade de começar a fumar

Dos 24,6 milhões de fumantes de tabaco, 21,5 milhões (87,4%) fumavam todos os dias, o que correspondia a 15,1% das pessoas de 15 anos ou mais de idade. Entre os homens dessa faixa etária, 18,9% eram fumantes diários e 2,7% ocasionais, percentuais que eram de, respectivamente, 11,5% e 1,6% entre as mulheres. Mais uma vez, a região Sul apresentava os maiores percentuais de fumantes diários, tanto na população total (17,3%), quanto entre os homens (20,5%) e mulheres (14,3%).

A maior proporção de fumantes ou ex-fumantes diários com 20 a 34 anos de idade iniciou o hábito de fumar na faixa etária dos 17 a 19 anos (31,9%), situação que se verificava entre os homens (34,1%), mulheres (28,7%), na zona urbana (32,3%) e rural (29,8%) e em quase todas as regiões, exceto no Nordeste, onde a distribuição por faixa etária era mais homogênea: menos de 15 anos (23,7%); 15 e 16 anos (27,5%); 17 a 19 anos (27,3%); 20 anos e mais (21,5%).

A escolaridade é um fator que impacta na idade de começar a fumar: entre as pessoas sem instrução ou com menos de um ano de estudo, a proporção dos que começaram a fumar antes dos 15 anos de idade chega a 40,8%.

17,1% das pessoas de 15 anos ou mais de idade fumam cigarros; 85,4% delas diariamente

Os cigarros3 são o principal produto consumido pelos usuários de derivados do tabaco: os fumantes de cigarro somavam, em 2008, 24,4 milhões de pessoas, 99,5% do total de usuários de tabaco fumado. Os fumantes de cigarro representavam 17,1% dos brasileiros de 15 anos ou mais de idade, 21,5% dos homens e 13,0% das mulheres nessa faixa etária.

Dos 24,4 milhões de fumantes de cigarro, 85,6% (14,6% do total da população de 15 anos ou mais de idade, ou 20,9 milhões de pessoas) fumavam diariamente. Regionalmente, mais uma vez o destaque ficou com o Sul, onde 16,8% das pessoas de 15 anos ou mais de idade fumavam cigarro diariamente. Os menores percentuais ficaram nas regiões Norte (13,1%) e Nordeste (13,8%). Entre as unidades da federação, o Rio Grande do Sul (18,4%) apresentava a maior incidência de fumantes diários de cigarros, enquanto o Amapá (8,2%) tinha a menor percentagem.

Maior parcela dos fumantes diários consome entre 15 e 24 cigarros por dia

A maior parcela dos fumantes diários de cigarro (33,9%) fumava entre 15 e 24 cigarros por dia (35,6% entre os homens e 31,2% entre as mulheres). Na zona urbana, esse percentual chegou a 36,1%.

O percentual de fumantes que consumiam de 15 a 24 cigarros por dia era menor que a média nacional nas regiões Norte (26,5%) e Nordeste (24,6%), e maior no Centro-Oeste (34,3%), Sudeste (37,7%) e Sul (40,1%). Por outro lado, as regiões Norte (20,9%) e Nordeste (20,6%) ficavam acima da média nacional (16,3%) no que diz respeito ao fumo diário de menos de cinco cigarros, enquanto as regiões Sudeste (15,3%), Centro-Oeste (13,8%) e Sul (11,8%) estavam abaixo da média.

O mais comum era que os fumantes diários de cigarro levassem de 6 a 30 minutos após acordar para fumar o primeiro cigarro (39,3%). A proporção dos que fumavam em até cinco minutos após acordar era de 21,0%, enquanto, no outro extremo, 25,6% dos fumantes demoravam mais de 61 minutos para fumar depois que acordavam.

Os ex-fumantes diários de derivados de tabaco eram 14,1% da população de 15 anos ou mais de idade, em 2008, ou 20,1 milhões de pessoas (17,2% entre os homens e 11,2% entre as mulheres).

Entre os que pararam de fumar, predominam aqueles que deixaram o hábito há dez ou mais anos (57,3%) – situação que se verifica na divisão por sexo (60,1% dos homens e 53,3% das mulheres) e por situação de moradia rural (53,6%) e urbana (58,0%).

Dentre os que fumavam ou pararam de fumar nos últimos 12 meses (26,6 milhões de pessoas), 45,6% haviam tentado parar de fumar nesse mesmo período (43,0% entre os homens e 49,5% entre as mulheres). Nesse grupo dos que tentaram parar de fumar, 6,7% usaram medicamentos e 15,2% foram aconselhados por profissionais.

Mais da metade dos fumantes diz que planeja parar, mas só 7,3% no curto prazo

Dos fumantes de qualquer derivado de tabaco (24,6 milhões de pessoas), 52,1% afirmaram planejar ou pensar em parar de fumar (49,2% entre os homens e 57,1% entre as mulheres). Os percentuais de fumantes que pensavam em parar de fumar eram maiores no Distrito Federal (62,2%), Tocantins (61,3%) e na Bahia (61,1%) e menores no Amazonas (35,3%) e Rondônia (38,2%).

Pouco mais de um em cada três fumantes (33,5%) mencionou a intenção de parar algum dia, mas não nos 12 meses seguintes à entrevista; 11,4% disseram pensar em parar nos 12 meses seguintes; e apenas 7,3% manifestaram a intenção de parar de fumar no mês seguinte à pesquisa (set.08). Esse comportamento se verificava em todas as regiões.

Por outro lado, 57,1% dos fumantes brasileiros foram advertidos a parar de fumar (55,7% entre os homens e 58,5% entre as mulheres), sendo que as advertências foram mais frequentes no Sudeste (59,5%) e Sul (59,3%) e menos comuns na região Norte (49,9%).

Exposição à fumaça produzida por fumantes era mais comum em casa

O local mais apontado de exposição à fumaça produzida pelo consumo de tabaco por terceiros era a própria casa, por 27,9% do total de 15 anos ou mais de idade – percentual que chegava a 33,0% no Nordeste. A exposição no trabalho era relatada, em 2008, por 24,4% das pessoas de 15 anos ou mais de idade que trabalhavam fora (11,6 milhões em números absolutos) – chegando a 26,0% no Sudeste. Já em restaurantes, o percentual alcançou 9,9% – indo a 12,3% no Sudeste.

Fumantes da região Sul gastavam, em média, quase R$ 100 por mês com cigarros

Os bares, botequins e restaurantes eram os locais mais utilizados para compra de cigarros industrializados no Brasil, citados por 53,8% dos fumantes. Também foram citados com frequência os supermercados, mercadinhos e mercearias (21,7%) e as padarias e lanchonetes (14,8%).

Em média, os fumantes de cigarros industrializados gastavam R$ 78,43 por mês com cigarros. Os homens (R$ 89,27) gastavam mais que as mulheres (R$ 62,80). Regionalmente, os menores valores foram informados no Norte (R$ 59,97) e Nordeste (R$ 59,14), e o maior, no Sul (R$ 98,99). O Sudeste teve gasto médio de R$ 78,39 por mês, e o Centro-Oeste, de R$ 93,42.

As propagandas de cigarro em pontos de venda eram percebidas por 31,3% das pessoas de 15 anos ou mais de idade, sendo os percentuais de 38,2% entre os fumantes e 29,9% entre os não fumantes. Regionalmente, esse tipo de propaganda era menos percebido no Norte do país (por 18,0% das pessoas de 15 anos ou mais); enquanto no Sudeste ele atingia 35,2% e no Sul, 35,4%.

Propagandas em locais diferentes dos pontos de venda ou em eventos esportivos foram observadas por 21,3% das pessoas de 15 anos ou mais de idade, sendo os percentuais de 20,1% entre os fumantes e 21,5% entre os não fumantes.

Por outro lado, campanhas contra o fumo veiculadas em televisão ou rádio foram percebidas por 67,0% das pessoas de 15 anos ou mais de idade, proporção que foi de 67,7% entre os fumantes e de 66,9% entre os não fumantes.

65,0% pensaram em parar de fumar por causa das advertências nos maços de cigarro

Mais da metade dos fumantes (65,0%) disseram que pensaram em parar de fumar por causa dos rótulos de advertência nos maços de cigarro (63,5% entre os homens e 67,2% entre as mulheres). Os rótulos causaram menos impacto na região Norte (59,6% dos fumantes pensaram em parar) e mais impacto no Sudeste (66,7%) e Centro-Oeste (66,1%). O impacto dos rótulos foi maior em Roraima (91,7% pensaram em parar de fumar), Rondônia (75,0%) e Distrito Federal (74,7%) e menor no Amazonas (50,2%), em Alagoas (45,8%) e no Acre (45,2%).

93,0% dos fumantes sabem que cigarro pode causar doenças graves

Fumar causa sérias doenças. É o que afirmaram acreditar 96,1% dos brasileiros de 15 anos ou mais de idade, percentual que chega a 93,0% entre os fumantes e a 96,7% entre os não fumantes. A percepção apontada com mais frequência é a de que o tabaco causa câncer de pulmão (94,7% do total de pessoas investigadas, 90,6% dos fumantes e 95,6% dos não fumantes). Os riscos associados a derrames foram os menos citados (por 73,1% da população de 15 anos ou mais), chegando, ainda assim, a frequências de 70,1% entre os fumantes e 73,7% entre os não fumantes.

Notas:

1 Além do Brasil, Bangladesh, China, Filipinas, Índia, México, Egito, Polônia, Rússia, Tailândia, Turquia, Ucrânia, Uruguai e Vietnã. Os dados da Tailândia já foram divulgados e podem ser acessados no http://www.cdc.gov/tobacco/global/gats/countries/sear/fact_sheets/thailand/index.htm.

2 Produtos de tabaco fumado (que emitem fumaça): cigarro industrializado; cigarro de palha ou enrolado à mão; cigarro de Bali ou cravo; bidis/ indianos; charuto ou cigarrilha; cachimbo ou narguilé. Produtos de tabaco não fumado (que não emitem fumaça): rapé; fumo de mascar e snus ou snuffs.

3 Produto do tabaco enrolado e que emite fumaça. São considerados nessa categoria cigarro industrializado, cigarro de Bali/ cravo e cigarro de palha ou enrolado à mão.

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

Capoeira paulista no séc. XIX – Santos / SP

E as hostilidades, platônicas de início, constantes de remoques, indiretas, versos sarcásticos nos jornais, serenatas provocadoras, logo descambaram para o terreno da desforra pessoal, em choques de capoeiragem – a degradante luta física tão da época -, e em sangrentos conflitos, dificilmente contidos pela polícia, mantida sempre em permanente e previdente alerta. Com a lenta infiltração do ideal republicano nos dois grupos, a harmonia e a mútua aproximação foram se estabelecendo entre ambos, e quando a Abolição e a República eclodiram em bem da Pátria, Quarteleiros e Valongueiros, os velhos e rancorosos “inimigos”, fraternizaram afinal”.
Carlos Cavalheiro

 

HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS

1944 – por Guedes Coelho


Em 26 de março de 1944, o diário santista A Tribuna publicou uma edição especial comemorativa do cinqüentenário desse jornal (exemplar no acervo do historiador Waldir Rueda), que incluiu matéria de três páginas escrita pelo médico sanitarista e vereador Heitor Guedes Coelho (1879-1951), que também se destacou como filantropo e historiógrafo, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santos (grafia atualizada nesta transcrição):

A metamorfose de Santos

Panorama santista do último quartel do século passado (N.E.: século XIX) – O flagelo das epidemias que dizimavam a população adventícia – Obras de melhoramento urbano – Vultos notáveis que muito contribuíram para o saneamento e aformoseamento da atual “Cidade-Ninféia”

Guedes Coelho
(Especial para a edição do Cinqüentenário da A Tribuna)

“Patriam libertatem et charitatem docui”

Modelo de concisão e expressão, a se condensarem nestas quatro simples palavras três séculos da existência de Santos, à nossa legenda faltariam, contudo, para maior latitude, amplitude da significação procurada, mais duas bem curtas: “et Redemptionem”. Nela, lacônica e sintética evocação: relembra-se a germinação, plantada por Braz Cubas, da árvore da Caridade, de conseqüente frondejamento pelo Basil afora nas primitivas capitanias.

Recorda-se a partida, serra acima, do príncipe galante, e na imediata materialização no Ipiranga, do patriótico objetivo dos Andradas, daqui, seu berço, partidos para, ou em Lisboa, no Parlamento, ou no Rio, quer nos Paços Regenciais, quer no seio do povo carioca, tecer a trama patriótica e sagrada, que se epilogaria na radiosa manhã de 7 de setembro de 1822.

Para completar-lhe, integrar-lhe mais a ampla e justa comemoração, se ao dístico cívico, já consagrado pelo Tempo, e identificado na própria consciência nacional, se pudesse modificar ao sabor das conveniências eventuais ou inesperados sucessos, impor-se-lhe-ia o acréscimo de mais duas reminiscências – do movimento abolicionista e da propaganda republicana. Porque, se aquele se estendeu, com intensidades diversas, segundo os climas regional-sociais, como no Ceará, terra de João Cordeiro, já redenta antes de 13 de maio de 1888, em Santos é que o ideal libertário conseguiu, a completar teóricas, retóricas e platônicas incursões manifestas alhures, o ambiente de verdadeira e eficiente praticidade.

No seio da adiantada sociedade santista formou-se uma legião de abnegados, de moços animados de nobres pensamentos e varonis energias, a “Boemia Abolicionista”, que fazia coletas, subscrições, a fim de comprar cartas de alforria ou organizar espetáculos beneficentes, como aquele célebre, da representação de “A sombra da cabana”, de José André do Sacramento Macuco, para com o seu produto possibilitar a entrega, em cena aberta, do documento redentor a um escravo mulato claro, quase tão branco como seus protetores.

O faro sherlockiano dos igualitaristas santistas indicou-lhes, malgrado o sigilo mantido pelos interessados, a passagem num pequeno barco procedente do Sul, e amarrada ao mastro principal do navio, de uma jovem escrava, branca de cor, a vender-se na praça do Rio.

…E Santos libertou-a!

E eles, num largo gesto de abnegação, cotizaram-se para o seu resgate ao preço de seiscentos mil réis, bem alto para tal “mercadoria”, inferior na valia a um bom cavalo de corrida.

Quis o Destino, cumulando-a de bens, que a moça alforriada, não destituída de graças físicas, se casasse vantajosamente com um bom esposo, abonado de fortuna.

Em Santos, mais do que em São Paulo, aprazia aos dois grandes próceres da Abolição, já lendários hoje, Luiz Gama, primeiro, Antônio Bento depois, pronunciar as famosas conferências no Teatro Guarani, assistidas e aplaudidas por Geraldo Leite da Fonseca, João Otávio dos Santos, Xavier Pinheiro, dr. Alexandre Martins Rodrigues, Luiz de Matos, Américo e Francisco Martins dos Santos, José Teodoro dos Santos Pereira (Santos Garrafão), Henrique Porchat, dr. Vicente de Carvalho, dr. Rubim César, João Guerra, Júlio Conceição, Júlio Maurício, Eugênio Wansuit, ex-imperial marinheiro, bravo agitador em comícios públicos…

A dois santistas, dr. Joaquim Xavier da Silveira e o farmacêutico José Inácio da Glória, na “Imprensa”, órgão de combate fundado em 1871, pôde-se atribuir o início da campanha abolicionista intensiva.

A súbita morte, vitimado por varíola, de Xavier da Silveira, geralmente estimado, filho estremecido de Santos, adorável poeta, bom advogado, eloqüente tribuno, forrado de extremada bondade e simpatia, comoveu tanto a população de Santos que, exaltados os ânimos políticos na população de seu bairro, os Quartéis, de idéias conservadoras, e a do Valongo, o mais rico e valorizado, liberal na convicção, ressurgiu a velha rivalidade com pleno recrudescimento do antigo ódio, latente de muito tempo, em pacífico rescaldo.

E as hostilidades, platônicas de início, constantes de remoques, indiretas, versos sarcásticos nos jornais, serenatas provocadoras, logo descambaram para o terreno da desforra pessoal, em choques de capoeiragem – a degradante luta física tão da época -, e em sangrentos conflitos, dificilmente contidos pela polícia, mantida sempre em permanente e previdente alerta. Com a lenta infiltração do ideal republicano nos dois grupos, a harmonia e a mútua aproximação foram se estabelecendo entre ambos, e quando a Abolição e a República eclodiram em bem da Pátria, Quarteleiros e Valongueiros, os velhos e rancorosos “inimigos”, fraternizaram afinal.

A Palmares santista

Quando o mísero negro fugido, vindo do interior, atingia o alto da Serra de Paranapiacaba, e divisava o Mar, ajoelhava-se e rendia graças a Deus, porque também via a liberdade, o remate de tormentos cruéis…

É que então, através as névoas da distância, ele percebia a Canaã dos oprimidos, aquele novo Palmares incruento, inacessível à sanha truculenta do “capitão do mato”, reduto do pacífico “Zumbi”, Quintino de Lacerda, o negro analfabeto que um dia ascenderia à curul de vereador da Municipalidade Santista. Preto de alma branca – o largo coração transbordante de bondade e caridade padecente das mesmas dores que torturavam seus irmãos de raça, de cuja triste sorte compartilhava antes – não só entre estes, como no seio da população inteira, estimado e admirado pela sua cívica coragem toda dedicada à luta contra o escravagismo – era ele, antigo cozinheiro dos irmãos Lacerda Franco, e ex-ensacador de café de meu pai, quando comissário e exportador.

José Guedes Coelho, jovem ainda, aos 30 anos de idade, logo empobrecia em 1887, quando do grande “crack” financeiro produzido pela súbita, inesperada, imprevista depreciação do café nos grandes mercados importadores de Liverpool, Rotterdam, Havre, Bremen, Hamburgo, Antuérpia, e só determinada e conhecida bem tarde, pouco antes da entrega do café já em adiantada viagem e, a pagar-se ao preço do dia, o que importou na falência dele, de Matias Costa, de Simão da Silveira e de muitas outras firmas prestigiosas.

Fato bem interessante, demonstrativo da dedicada afeição granjeada por Quintino, deu-se no instante de sua posse como camarista municipal, após legítimo pleito. Depois de assinada a ata por seus colegas, quando em último lugar lhe coube a vez, ele se quedou perplexo ante o livro, pois não sabia escrever. O presidente da sessão, ante este fato inédito, único, ia suspendê-la quando, a “una voce”, todos os muitos espectadores, inúmeros amigos de Quintino, se lhe opuseram; e, à vista da pacificidade tolerante da força policial, fiscal e garantia da mesma, e da resoluta decisão de Quintino em se apossar “à outrance”, o digno chefe da Edilidade renunciou à vereança e à presidência da corporação. Sendo empossado como edil, o suplente Antônio Dias Pina e Melo, elevado à presidência da Câmara, investiu-o em sua nova dignidade municipal.

A política federal, na infância da República, foi agitadíssima, e, rota a hemi-secular paz que nos envolveu durante a fase monárquica, não só na própria Nação, como nos Estados e nos Municípios, sob o influxo de ambiciosas paixões, ao desvario de espíritos desorientados, golpes de Estado, revoluções, dissoluções de assembléias, rupturas de cartas constitucionais se sucediam, anarquisando a Pátria.

E aquela Câmara, perturbada por acesa politicagem, recheou-se de incidentes tumultuários e deselegantes, culminados na renúncia coletiva de seus membros, à exceção dele, Quintino, único a se manter firme em seu posto. Saídos seus pares, vendo-se só, ele fechou a sala das sessões e, enfiando a chave no bolso, as retirou, se retirou, dizendo: “Agora sô vereadô municipá e gerá…”

Do antigo presidente da Municipalidade, Antônio Dias Pina e Melo, durante curto período, nortista de origem, morto há cerca de 20 anos, e com quem entretive relações de amizade, eu soube ter sido uma das maiores vítimas da grave crise financeira do Estado do Amazonas. Atingido pela ruidosa “debacle” econômica, conseqüente à queda da exportação da borracha, vencida na competição comercial pela vantajosa superioridade da concorrente malaia, procedente dos seringais de Java e Sumatra.

Despachante aduaneiro, e moço ainda, indo para o Amazonas, em pleno fastígio então – quando em Manaus, modelarmente urbanizada, se construía o melhor teatro do Brasil – o pequeno capital que levou, multiplicando-se, creditou-lhe uma fortuna de vários milhares de contos de réis, possuidor que se fez de importantes e produtivos seringais e de muitos barcos de navegação fluvial.

E a Fatalidade que a tantos arruinou, despenhando-os dos píncaros da Fortuna ao abismo da Miséria, arrancou-lhe o produto legítimo de inteligentes esforços.

E, mais pobre que antes, ele, superiormente conformado, voltou para reencetar aqui suas atividades aduaneiras interrompidas pela miragem amazônica, colocando-se na casa A. Freire e Cia.

A exemplo de idêntico procedimento da província do Ceará, Santos dera ao Brasil esplêndida lição de Fraternidade no dia 14 de março de 1886, com a redenção do último escravo residente em seu âmbito, e promovida pela Sociedade 27 de Fevereiro.

As grandes batalhas de Santos

Pela última década da monarquia, no Brasil inteiro, vindos desde 1872, da célebre convenção de Itu, republicanos havia e muitos, mas, comodistas, sossegados, teóricos, platônicos, e que ao Tempo, numa paciente fé de indolente beduíno, confiava o desenvolvimento e a eclosão feliz de seu ideal. Mister se fazia, entretanto, para a vitória da propaganda audaz, destemerosa, a afrontar revides traiçoeiros, reações violentas, em desprezo da própria vida, com o objetivo de infiltrar o credo democrático na consciência do exército e das massas populares.

E então, predestinados, surgiram a arriscar a existência através perigos e insídias, Lopes Trovão, na Corte, e Silva Jardim em Santos e São Paulo. E este, onde amadureceu suas convicções, urdiu seu audacioso plano, senão na silenciosa Santos, enquanto iluminava cérebros infantis na histórica Escola José Bonifácio? Santos, pois, no concerto das grandes cidades brasileiras, sagrou-se pioneira e campeã de quatro grandes campanhas: da Caridade, da Independência, da Liberdade do Negro escravo, da República.

 

Para quem quiser mais informações sobre essa rivalidade entre moradores de dois bairros santistas, Valongo e Quartéis, um livro interessante e que também trata dos quilombos e da luta pela abolição na cidade é Uma cidade na transição – Santos: 1870-1913, de Ana Lúcia Duarte Lanna, em especial o capítulo 1. A informação é de que a fraternização veio, na verdade, do interesse de ambas as partes em enfrentar a derrubada da Igreja de Santo Antonio, em fins de 1860, para a construção da estrada de ferro cortando a região portuária. Dessa união, inclusive, teria surgido o “espírito santista”.

Pedro Cunha – pedrocunha@usp.br

Fonte: http://www.novomilenio.inf.br

 

Enviado por:

Joel Pires Marques – joelpmarques1@gmail.com

Carlos Cavalheiro – carlosccavalheiro@yahoo.com.br

Salvador: Mercado de São Miguel está em situação de abandono

O Mercado de São Miguel, localizado na Baixa de Sapateiros, faz parte juntamente com o Pelourinho da área tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, mas está esquecido. A situação do edifício construído em 1965 que já foi uma propriedade particular encontra-se depredado. Além dos problemas com a infraestrutura física, a segurança e os constantes assaltos e usuários de drogas que ficam no local amedrontam a população.

‘Eu faço um trabalho com a capoeira no mercado há vários anos e o mercado encontra-se abandonado. É uma área de risco, o que espanta compradores e turistas’, disse o mestre de capoeira angola, José Alves, também conhecido como Mestre Zé do Lenço.

Segundo ele, que também é membro do Conselho de Mestres da ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola (Pelourinho) e Presidente da Associação de Capoeira Angola Relíquia Espinho Remoso, a prefeitura que á responsável pelo espaço já foi notificada e fez a promessa de tomar providências para a recuperação do Mercado. ‘Eles disseram que o projeto já foi aprovado e que as obras começariam ainda neste mês de janeiro’, disse o Mestre Zé do Lenço.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (SESP), o projeto realmente existe e já está em estágio avançado de tramitação junto ao Ministério da Cultura. Ainda segundo a SESP, a revitalização do Mercado de São Miguel foi inserida em um projeto maior de revitalização de toda a região da Baixa dos Sapateiros.

Com o objetivo de pressionar as autoridades e chamar atenção da população para o problema, o Mestre Zé do Lenço organizou uma roda de capoeira angola na frente do Mercado de São Miguel, na tarde desta quarta-feira (14).

Governo do Rio adere a Fórum de Promoção da Igualdade Racial

Rio de Janeiro – O governo do Rio de Janeiro firmou nesta terca-feira (17) termo de adesão ao Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial. O convênio foi firmado com as presenças dos ministros Orlando Silva Jr., dos Esportes, e Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Social, além do governador Sérgio Cabral.
 
Durante a solenidade, também foi assinado Termo de Cooperação Técnica para a implantação de programas de apoio às 25 comunidades quilombolas do estado do Rio de Janeiro. Pelo acordo, o Sesi-RJ vai realizar o censo demográfico da população fluminense de afrodescendentes – que servirá de parâmetro para que seja traçado um diagnóstico da situação socioeconômica dessa população de modo a orientar a aplicação nas comunidades quilombolas fluminenses dos programas Cozinha Brasil, Alimentação Inteligente e Alfabetização de Jovens e Adultos.
 
Para a ministra Matilde Ribeiro a adesão do Rio ao Fórum presta uma enorme contribuição para a redução das desigualdades no país, principalmente ao promover a igualdade social e racial.
 
“É uma iniciativa, envolvendo os governos federal e estadual, que já deveria estar acontecendo no país desde a época da abolicão da escravidão. Os governos hoje, aqui estão se comprometendo a desenvolver ações conjuntas visando à inclusão e a geração de oportunidades tendo como foco os grupos que vem sofrendo discriminação histórica no país: como os negros, os indígenas e ciganos, entre outros”.
 
O convênio assinado entre o governo do estado e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial tem como objetivo estabelecer parcerias para o desenvolvimento de ações que beneficiem as populações negra, indígena, cigana, judaica, árabe e muçulmana, que constituem os grupos étnico-raciais historicamente discriminados.
 
Na ocasião também foram firmadas com o CO-Rio, a União e o governo do estado parcerias para promover a interação de jovens, assim como dos internos do Degase, aos eventos dos Jogos Pan-americanos.
Já com a Confederação Brasileira de Capoeira foi criado o projeto Ginga Brasil, visando à promoção da capoeira como um elemento cultural, social e político a ser desenvolvido em quilombos e comunidades carentes.
Ao final da cerimônia houve uma apresentação do cantor e compositor Altair Veloso e uma demonstração de grupos de capoeira. Convidados, o governador Sérgio Cabral e o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, arriscaram alguns passos de capoeira no meio do salão Nobre do Palácio Guanabara.
 
Entre os diversos convidados, estiveram presentes as atrizes Ruth de Souza, Chica Xavier e Maria Ceiça, atual superintendente de Igualdade Racial do estado, os atores Milton Gonçalves, Antonio Pitanga, as cantoras Sandra de Sá e Eliane Pitman, e o índio pajé Tobi, da etnia tupi-guarani.
 
O Rio de Janeiro será o primeiro estado da federação a implementar o projeto de resgate das populações remanescentes de quilombos. A escolha partiu da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e do Conselho Nacional do Sesi.
 
Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Brasília: Projeto Aprendendo com a Cultura Brasileira

 Há quatro anos, o grupo Cordão de Ouro Brasília, por meio do Instituto Volta Por Cima, desenvolve o projeto social Aprendendo com a Cultura Brasileira. O Projeto tem a missão de utilizar as potencialidades educacionais da capoeira e do folclore nacional, contribuindo para a formação dos jovens vivendo em abrigos. A população atendida (de 7 a 18 anos) tem se beneficiado do convívio integrado com os demais participantes do grupo e com profissionais regularmente convidados para ministrar oficinas (capoeira angola, regional, samba de roda, maculelê e dança afro), palestras e grupos de estudo.
 
Foi notório o desenvolvimento físico e psíquico das crianças, pois muitas delas declararam se sentirem “iguais” aos demais envolvidos nas atividades e em condições, caso se dedicassem, de alcançar reconhecimento dentro e fora da capoeira. Pelo contato com as “mães sociais” ficou claro o impacto positivo não só na vivencia cultural, mas, principalmente nos âmbitos familiar e escolar.
Uma das características marcantes desse Projeto é o perfil de responsabilidade social promovido pelo Grupo Cordão de Ouro em Brasília. A abordagem do Projeto consiste em promover a educação e inclusão social de crianças e jovens em situação de risco social por meio do encontro, em aulas, de alunos da comunidade e do estrangeiro, com a população atendida no Projeto.
 
Este ano nossos alunos participarão mais uma vez das oficinas e palestras do III Intercâmbio Brasil Suécia, evento realizado por meio do Programa de Intercâmbio Brasil – Suécia . Mais uma vez, nossos alunos terão a oportunidade de vivenciar atividades que reforçam sua identidade cultural e promovem a interculturalidade entre povos tão distintos.
 


 
Academia Cordão de Ouro | Instituto Volta por Cima | CLN 107, Bloco "A", Ap. 208 CEP 70743-510 Brasília DF, Brasil | +55 61  3443.8450 | 8111.0647 |  www.cordaodeouro.org