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O Canto da Mulher na Capoeira

Está em fase de produção o CD O Canto da Mulher na Capoeira, gravado exclusivamente por mulheres capoeiristas, professoras e alunas da ABADA Capoeira.

A idéia pioneira surgiu durante o Encontro Feminino ABADA Capoeira, realizado em maio deste ano e, graças a união e a determinação das mulheres envolvidas, a iniciativa foi levada a diante, com a escolha das letras, ensaios e, enfim, a gravação do CD em estúdio, no último sábado, dia 24 de julho, conforme informação do blog oficial da ABADA. 

O Canto da Mulher na Capoeira vem reduzir a lacuna que tanto lamentei no início do mês no texto A ausência de vozes femininas na Capoeira, portanto é com muita alegria e satisfação que recebi e repasso esta notícia, na expectativa de muito sucesso para as novas cantadoras.

Ainda não foi informada uma data para o lançamento do CD, mas após lançado, O Canto da Mulher na Capoeira poderá ser adquirido a R$ 30 cada.

 

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Assédio Sexual, o que fazer?

Há quem defenda que se o assédio sexual acontece em todo lugar, não precisa ser discutido no meio da capoeira. Porém, como mulher, acredito que se o assédio sexual deve ser discutido em todo lugar em que possa estar presente.

Embora não exista uma estatística a respeito, é fato que o assédio sexual é um dos motivos que levam mulheres à troca de grupos e até abandonar a capoeira.

Muito mais do que uma cantada inconveniente, o assédio sexual envolve constrangimentos, chantagens e até ameaças.

Infelizmente, a Lei número 10224, de 15 de maio de 2001 se aplica ao assédio apenas no ambiente de trabalho, portanto em outros ambientes cabe à mulher fazer o possível (e o impossível) para sair deste tipo de situação. Algumas atitudes podem ajudar:

* Procure manter distância do autor do assédio, quando for inevitável se aproximar, peça a um amigo ou amiga que lhe acompanhe;

* Diga ao autor do assédio com clareza que sua conduta a incomoda. Tentar por panos quentes com medo de parecer agressiva só prolonga a situação;

* Se o assédio vem de um colega do grupo, comunique seu mestre ou professor, com certeza ele pode ajudá-la;

* Se o assédio vem do próprio mestre ou professor, lembre-se que existem muitos mestres sérios, de conduta respeitável, portanto não se sinta obrigada a se submeter a este tipo de tratamento.

* Caso sinta que sua segurança está ameaçada, não pense duas vezes, faça uma denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher pois, embora a Lei 10224 se refira ao assédio no trabalho, os casos mais graves podem se enquadrar em outras questões legais.

 

Fontes:

Ajuda Emocional – http://ajudaemocional.tripod.com/rep/id78.html

Delas – http://delas.ig.com.br/assedio+sexual/n1237491675245.html

Vila Mulher – http://vilamulher.terra.com.br/assedio-sexual-saiba-seus-direitos-5-1-37-29.html

Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ass%C3%A9dio_sexual

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Rodas femininas: incentivo ou discriminação?

Com a justificativa de incentivar a participação de mulheres na capoeira, muitos grupos fazem rodas femininas ou têm um momento na roda no qual só as mulheres jogam.
A intenção pode ser boa, mas separar às mulheres dos homens será mesmo um incentivo para que elas joguem?
É certo que algumas mulheres, normalmente as iniciantes, preferem jogar entre mulheres. Mas não seria mais adequado incentivá-las a superar esse receio jogando com todos, ao invés de acomodá-las nessa situação de insegurança?
A ideia de separar para incluir parece contraditória pois toda mulher capoeirista pode e deve jogar com os homens. Negar isso é  colocar a mulher em uma situação de inferioridade, portanto esta não é a melhor forma de mostrar às mulheres que elas também têm espaço na capoeira.
Fazer uma roda só de mulheres, como uma homenagem em uma data especial, é uma atitude legal, de reconhecimento e, portanto, muito bem vinda.
Mas alimentar hábito de fazer rodas separadas ou um momento à parte para as mulheres abre espaço para a discriminação.
É a união, e não a divisão, que anda de braços dados com a igualdade.


Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Projeto kizomba uma iniciativa do povo de terreiro

O que é realizado no projeto cultural kizomba.

O Projeto kizomba visa atuar junto a Crianças e Adolescentes e idosos da Comunidade e seu entorno no reforço à auto-estima, através do fortalecimento da identidade destes, através da educação, formação cidadã e conscientização de seu papel social, político e econômico. O Projeto kizomba na realidade já acontece de forma precária devido às poucas condições econômicas da comunidade, atendemos cerca de 100 crianças, adolescentes e idosos, na orientação sócio cultural, onde os mesmos aprendem sobre a história e a cultura afro-brasileira, através de oficinas de dança afro,canto, capoeira, samba de roda, maculelê e percução. Estes jovens são recebidos na comunidade que busca através deste trabalho retira-los das ruas e, portanto dos perigos das drogas, da marginalidade. Muitos pais deixam suas crianças no período em que precisam trabalhar e muitos destes acabam se tornando presas fáceis para a marginalidade e tráfico de drogas, principalmente em comunidades como a nossa próximas de vilas e favelas e, portanto, da precariedade de   benefícios sociais. Ainda temos os idosos que facilmente são esquecidos pelas famílias, quando não mais fazem parte da cadeia econômica, vários destes tem buscado a Associação como forma de entretenimento e de alento.

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Justificativa

Todo este trabalho foi reconhecido recentemente pela Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura, que atendendo a solicitação da comunidade que se auto define como remanescente de quilombo foi publicado pelo Diário da União o reconhecimento da comunidade Manzo Ngunzo Kaiango como comunidade remanescente de Quilombo, o primeiro com estas características no Estado de Minas Gerais.  

Nossa Meta

Buscar parceiros e colaboradores para o Projeto CULTURAL KIZOMBA, que reconhecem sua importância e acreditam que poderá desenvolver e crescer em suas propostas, além é claro, a possibilidade de oferecer aos jovens e adolescentes de nossa comunidade resultados positivos no aprendizado e na sua formação cidadã. Acreditamos que não basta investir, se não tivermos condições para tal. Por isso, seu apoio torna-se fundamental para nosso prosseguimento e avanço

Nosso objetivo

Para atingir tal objetivo, todo ano é realizado um evento cultural onde fazemos mostra de todo nosso trabalho junto a comunidade e convidados teremos um publico esperado de 250 pessoas onde serviremos café da manha e almoço para todos. O evento acontecera de 09as 15; 00hs no mês 07 de 2009.

 Iniciamos uma de nossas metas, buscando sua colaboração através de doações, Nós sabemos que essa meta é de grande importância para trazer impactos positivo para nossa comunidade e agradeceríamos muito o seu apoio.

Sua contribuição, será de grande ajuda para que esse evento possa acontecer.

E Para agradecer sua contribuição, colocamo-nos à disposição para divulgar o nome da empresa doadora em nossos eventos e materiais.

Agradecemos por ter lido esta carta e conhecido nosso projeto, e esperamos que você considere nosso pedido de doação.

Se tiver qualquer perguntam, ou precisar de mais informações, sinta-se à vontade para enviar um e-mail projetoculturalkizomba@hotmail.com ou entre em contato pessoalmente tel:31 32835986

 

ASS: CASSIA CRISTINA DA SILVA  

Associação Quilombola Manzo Ngunzo Kaiango

07.981.042/0001-08

Rua São Tiago, 216

Santa Efigenia- Belo Horizonte – MG

CEP-30.260-500 Tel. 3283.5986

A Capoeira no Labirinto das Possibilidades

A Capoeira no Labirinto das Possibilidades
Historia, símbolos, significados e significantes.
Em um mundo de dualidades e dialéticas, tentaremos discutir algumas questões para além do certo e errado, preto e branco, sol e lua, dia e noite, bem e mal. Propomos uma "trialética" nas possibilidades, pois queremos dialogar com uma terceira lógica (polilogica) que acrescente sem inviabilizar ou sobrepor as anteriores, queremos cantar “cantando” de improviso ou tocar no improvável de um rítimo que ainda não pertença a ‘melodia” da vida cotidiana, inalterada e sistematizada pela repetição burocrática dos fazeres pensantes desde Aristóteles.
 
Para esclarecer o intuito deste trabalho, sugiro que imaginemos uma simples árvore, que ao ser olhada por um agricultor desperta o interesse por sua capacidade produtiva, já para homem faminto desperta a perspectiva de alimento por seus frutos, num marceneiro despertaria a idéia de construção de móveis e no cupim despertaria o alimento pela sua madeira, ou seja, mesmo um símbolo simples como uma árvore poderá despertar diferentes possibilidades de desejos e interpretações a partir dos significados dados a mesma por variados significantes.Trazendo para o mundo da capoeira, se pensarmos no berimbau, símbolo máximo da capoeiragem, logo entenderemos, pois o mesmo não fez sempre parte da capoeira, mas hoje é impossível pensar na capoeiragem sem ele, portanto, o que teria sido dessa necessária associação, se quando o primeiro berimbau que fosse introduzido na capoeira, alguém falasse: Epa…. Isso não pode, pois esse instrumento não faz parte das tradições da arte..?  Talvez um outro instrumento ocupasse o lugar do berimbau, ou não, mas a questão principal não é essa e sim, que em dado momento histórico o novo foi aceito, modificando as regras e sendo resignificado diante de uma comunidade, portanto pensar hoje em produção de conhecimento em capoeira passa necessariamente por reconhecer a mudança num contexto de significados e significantes.
 
Como arqueiro de nossa história tencionarei  o arco e flecha da vida, puxando a seta do saber para “traz” e apontando-a para frente, flecharei no futuro algumas possibilidades a partir de interlocuções com o passado e seus diferentes contextos. Pergunto-me se Bimba hoje teria uma Regional de sistematização tão próxima dos métodos de ginástica, mesmo sabendo que atualmente não estamos tão influenciados pelos mesmos nem vivemos uma ditadura facista  que nos obrigue a criar um método com a “cara” de nossa sociedade?  Ou consideraremos puro acaso esses acontecimentos?  Recuso-me e pela negação desses acasos proponho nos dias de hoje a “Polilogica”, ou seja, uma possibilidade de analise da capoeiragem que ultrapasse o certo e errado, tradicional e moderno, proponho partirmos para o funcional legitimado pelos atores sociais diretamente implicados nessa arte, defendendo o diálogo para os combinados palpáveis no cotidiano e não as tradições empoeiradas dos livros da estante ou de cabeças do mundo de “Peter pan”, que não admitem crescer, transformando suas práticas em verdadeiras “terras do nunca”.
 
Ainda temos a Regional de Bimba, Angola de Pastinha ou os berimbaus de Waldemar? Arrisco-me a dizer que não, e isso pelo simples fato de ter sido impossível para Bimba remontar a capoeira de Bentinho ou Pastinha à de Benedito, pois os tempos mudam as pessoas e as pessoas mudam os tempos, sendo a dinâmica cultural impossível de ser congelada ou “xerocada” em sua totalidade.  Quem se considerar “Capoeira XEROX” que atire a primeira pedra…
 
Quero deixar claro que não faço aqui apologia a essas aberrações vendidas por aí com o nome de capoeira, pois não estou defendendo a lógica de que qualquer mudança e necessária e justa, e sim que são legítimas as mudanças adaptativas da capoeira há nosso tempo, desde que as mesmas tenham referencias na ancestralidade histórica e funcional da arte.
 
Uma preocupação que não devemos deixar passar desapercebida e que não podemos confundir as mudanças funcionais adaptativas com a subserviência aos ditames do capital, ou seja, não podemos ingenuamente pensar que a dita capoeira “contemporânea” representa a modernidade, o estilo mais moderno e todo resto e coisa do passado, pois os elementos metodologicos dessa forma “bizarra” de capoeira não possuem nada de “novo”, haja vista, que ainda utilizam processos de estímulo-resposta, macro ginástica, adestramento e seqüências idiotizantes, como os velhos métodos de ginástica da década de trinta, sendo assim, o que existe de moderno nessa “nova-velha” capoeira? Talvez seja a aparência superficial ou o significado dado por um significante alienado e desprovido de elementos teóricos para identificar os equívocos do método hora mascarado pela falsa modernidade.
 
A capoeira contemporânea carioca propõe seqüências de ensino de mandinga, negarças e até mesmo de posturas para se colocar numa roda, ou seja, seria como tentar reproduzir em serie, seqüências, a poesia de Caetano Veloso, as pinturas de Rugidas, as composições de Chiquinha Gonzaga ou o canto de Paulo dos Anjos. Impossível, pois no máximo o que conseguem é fazer cópias mal feitas de uma coisa “Denorex”, que parece, mas não e…  A nossa capoeira não cabe nessa “industrialização de homens”, e isso não só pela minha vontade, mas por sua referencia histórica repleta de uma ancestralidade que em seu método, de ensino-aprendizagem, denota um caminho no sentido contrário ao positivismo dessa ciência “gelada” e dos ditames técnicos-metodologicos alienantes da classe dominante.
 
E necessário, portanto um processo de investigação da realidade que possa desnudar as contradições do modo de produção, revelando historicamente as ingerências do capital na maior parte de vida humana, incluindo a capoeiragem, ou seja, precisamos verificar criticamente o que chamamos hoje de capoeira e qual seu impacto na formação humana e que projeto de sociedade esta sendo defendido na sua prática diária, pois a falácia da capoeira “moderna” poderá facilmente se transformar facilmente na mentira que vira verdade por ter sido dita muitas vezes.
 
Sendo assim precisamos com certeza entender que a cultura e dinâmica e como tal transforma e sofre transformações, sendo assim, a capoeira de hoje deverá certamente ser diferente da de ontem, e não podemos temer ou resistir a isso, desde quando estejamos atentos as referências históricas da arte, sua base filosófica ancestral e as necessidades reais de construção de uma sociedade mais justa, autônoma, crítica e criativa.

PROJETO “Escola Aberta”

"Criar novas oportunidades onde pais, alunos e comunidade possam consolidar sua identidade e cidadania, através de atividades culturais, esportivas e sociais".
 
Com esse objetivo, diversas Prefeituras adotaram o Programa Escola Aberta, projeto do Governo Federal em parceria com a UNESCO, que prevê a abertura aos sábados e domingos das escolas participantes. Com a necessidade de abrangência do projeto, as escolas, através dos órgãos competentes de seleção, buscam novos participantes.
 
A Capoeira é de grande importância no projeto devido aos aspectos sócio-culturais e preocupação com a difusão da cidadania. Portanto, compreende-se que a Capoeira, em sua conjuntura educacional, pode formar cidadãos cocientes das responsabilidades sociais e semeados na vasta cultura brasileira.
 
Procurem as escolas de sua comunidade. Participem… A Capoeira tem muito à acrescentar.
 
"A Capoeira é uma escola de cidadania" – A.A. Decânio Filho
 
Axé.
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Site www.capoeirista.com.br FORA DO AR

Salve Meus amigos,
 
Infelismente estamos tendo alguns problemas com o serviço de hospedagem do nosso site (WWW.CAPOEIRISTA.COM.BR).
Devido a inumeras quebras de serviço… e inadivertidamente a empresa responsavel pelo hosting de nosso site nos tirou fora do ar, alegando que o capoeirista.com.br estava causando problemas ao servidor…
 
Como deve ser do conhecimento de todos, o site é gerenciado pro mim, Luciano Milani e pelo Wellington Fernandes (Rabo de Arraia), e ambos temos uma postura bastante seria e carinhosa em relação ao site… portanto não podemos permitir abusos por parte da empresa contratada para hospedar o serviço!
 
Imediatamente o Wellington contratou outra empresa, que nos prometeu um atendimento e um serviço muito melhor.
 
Pedimos a todos os membros do site e a todos os visitantes que tenham mais um pouquinho de paciencia pois tudo esta sendo resolvido e pretendemos retornar a roda o mais breve possivel!!!
 
Um grande axé!!!
Paz e União na capoeira.
Equipe Capoeirista.com.br
 

Capoeiragem na tatame

Capoeiragem NA Tatame!
 
Capoeira é assunto da Revista TATAME deste mês
 
Não, não é erro de redação, a Capoeiragem está mesmo na  (Revista) TATAME, mês de abril.  Sendo uma revista sobre lutas, é nesta dimensão que a  multifacetada  Capoeira foi contemplada.  Não apenas com  um espaço, mas com três. Pois, além da matéria principal – A Capoeira no Território do Vale-Tudo –  há, também, uma ficha técnica da extraordinária Sra. Adalberto Alves, a Sapoti, uma capoeirista de apenas 69 anos, e uma crônica (Dando Bobeira na Roda).
 
Mas o prato forte, sem dúvida, é a matéria sobre Capoeira Luta (páginas 24/31) que já está incorporada na lista de discussão de todas as rodas.
 
Trata-se de assunto, convenhamos, que deve mesmo ser discutido com mais transparência. A Capoeira não ficará prejudicada com isto. Pelo contrário.
 
Pois não nos parece correto, correr as rodas e o mundo fazendo discurso de paz, amor, ecologia e inclusão social e, ao mesmo tempo, treinar os alunos para bater forte, de todas maneiras, inclusive fazendo halterofilismo e aprendendo outras lutas. Mas que fique claro, entendemos que a capoeira é também uma luta, não sendo crime, portanto, treiná-la como tal. O erro começa quando o "capoeira-casca grossa" passa a correr todo tipo de roda, não mais jogando capoeira, mas fazendo um "jogo de espera" para aplicar sua truculência, "levar pro chão e finalizar".  Saindo da roda "orgulhoso por ter deixado claro que sua capoeira é superior as demais". Será?
 
Não estará este "lutador de capoeira" usando de má fé, não estará, no fundo, derrubando é a própria essência da Capoeiragem?
 
Conseguirá, este "capoeira-casca grossa" fazer o mesmo num evento tipo "Ultimate Fighting".   Não creio, os lutadores que vem se apresentando nesses eventos, como oriundos da capoeira, normalmente utilizam não mais do que 1% do que a capoeira oferece, por quê?
 
Muito oportuna, portanto, esta reportagem da Revista Tatame.
 
Realmente há, por partes de alguns mestres de capoeira,  muita  contradição, primária e suspeita, muito mal disfarçada em "jogo de mandinga".
 
Grupos de capoeira "lá de fora" – já escrevemos sobre isto – já começam a se rebelar repudiando esta falsa malandragem, mais mercantil do que propriamente mandingueira.
 
De parabéns, portanto, a Revista Tatame pela matéria. E que outras venham. Quem sabe, não estará na hora de ressuscitar os tais laboratórios de luta de capoeira?
 
Tudo isto, é claro, sem prejuízo, sem constrangimento, sem desrespeito às demais formas de capoeiragem. Que, aliás, estão a merecer uma bela reportagem, também.
 

Fonte: Jornal do Capoeira: www.capoeira.jex.com.br
 

A IMPORTÂNCIA DO TRANSE CAPOEIRANO NO JOGO DE CAPOEIRA DA BAHIA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Há muitos anos, cerca de 40, venho comparando o comportamento dos capoeiristas durante o jogo de capoeira da Bahia e suas atividades habituais.
O convívio com os praticantes das artes marciais orientais, do espiritismo, do candomblé; o estudo do hipnotismo, do ioga, da parapsicologia, da fisiopatologia do sono, dos estados modificados de consciência e a prática da meditação nos permitiram analisar o comportamento e o potencial do ser humano em diversas estágios de consciência.
Os registros históricos, científicos e religiosos de condições de bilocação, teletransporte, telecinesia, materializações e desmaterializações, bem como os estudos de física subatômica, nos vem atraindo a atenção para o efeito dos sons e dos ritmos sonoros sobre os níveis e estados de consciência, bem como a correspondência entre os mesmos e as manifestações motora e comportamentais daqueles sob a sua influência.
É notória a influência da música sobre o estado de humor das pessoas, basta lembrar a tristeza do toque de silêncio, a ternura da Ave-Maria, a agitação do Olodum e dos trios elétricos, os movimentos suaves do balé no "Lago do Cisne".
É evidente que os movimentos induzido pelo "reagge" são diferentes daqueles do samba, da valsa, do cancã ou do foxblue. Sem falar da marcha forçada sob o rufar dos tambores; da tranqüilidade do silêncio; da irritação pelos ruídos; do pânico ao bramir dos elefantes, do rugir do tigre, do estrondo das trovoadas; da sensação de bem estar e conforto trazida pelo ruflar da brisa suave na folhas…
A cultura africana encontramos o uso de música, ritmo e cânticos como gerenciadores, coordenadores, estimuladores de atividades comunitárias como pesca, caça, plantio, etc.
O candomblé oferece-nos uma variedade de toques de atabaques, com diversos ritmos e andamentos, capazes de desencadearem manifestações motoras padronizadas sob categorias de orixás.
É conveniente estudar as associações de toques, ritmos e andamentos com os padrões de comportamentos dos orixás e personalidades dos "filhos de santo" para melhor entendermos a influência dos toques, ritmos e andamentos nos desenvolvimento do jogo de capoeira, consoante a variedade de temperamentos e personalidades dos capoeiristas.
O exame das fotografias de Pierre Fatumbi Verger, de cenas de candomblé colhidas na África, documenta a identidade daqueles movimentos durante o transe dos orixás, que manifestam a atividade gerada pelos toques e ritmos musicais do candomblé e destes da capoeira.
É conveniente lembrar a associação dos estados de humor com as expressões faciais e posturas do corpo para compreendermos melhor as repercussões das modificações de estado de consciência e as manifestações motoras conseqüentes.
Todos reconhecemos os ombros caídos do desânimo, o olhar de tristeza, a vivacidade dos movimentos de alegria, a expressão corporal do animal prestes a atacar, etc.
Quantos outros quadros poderíamos citar?
Portanto, se a música pode alterar o estado de ânimo e as suas manifestações motoras estáticas e dinâmicas, forçosamente teremos que concluir que o andamento, ritmo, palmas e cantos também modificam o comportamento dos capoeiristas durante o jogo.

INFLUÊNCIA DO ARQUÉTIPO COMPORTAMENTAL

Ante um mesmo toque, ritmo e andamento, os diversos arquétipos manifestam sua identidade de modo particular, especifico para cada entidade comportamental (com nuanças especiais, intrínsecas a cada ser e cada momento histórico) de modo que o comportamento é praticamente imprevisível a cada instante, porém com um fluxo natural, espontâneo, ingênito, inato… instintivo como dizia Bimba.
Assim é o próprio Bimba conhecia o fato e afirmava "é o jeitcho dêle", permitindo que cada um jogasse capoeira com suas características pessoais.
Fato muito notório em certos capoeiristas de movimentos muito lentos, porém dotados de grande mobilidade articular e elasticidade, como Prof. Hélio Ramos, "Cascavel," Eziquiel "Jiquié", "Caveirinha", entre tantos. Assim é que "Atenilo" (jocosamente conhecido como "Relâmpago") um dos mais antigos dos alunos do Mestre, jamais modificou seu estilo tardo, lerdo, ingênuo, de praticar a capoeira.
Entretanto, ainda hoje não consigo reconhecer ou identificar os vários arquétipos de capoeiristas, mas posso perceber de modo vago, as semelhanças que se repetem independentemente de mestres, momento histórico e localização geográfica.
Assim é que venho detectando similitude do que chamamos de "jogo" (estilo pessoal, jeito particular de jogar) em alunos de diferentes mestres e em regiões diferentes, i.e., encontrando "jogos" parecidos com alguns dos companheiros de meus tempos antigos em locais diversos, como em Natal/RN, Goiânia/GO, etc.
Fato mais surpreendente foi ver, recentemente, na Academia de Mestre João Pequeno de Pastinha, aparecer um rapaz, cujo nome e mestre não consegui identificar, cerca de 17 anos, negro, alto, longilíneo; pescoço fino, elástico e forte; com um jogo incrivelmente semelhante ao do meu Mestre (Bimba), a ponto de me sugerir a sua reincarnação.

TOQUES PACÍFICOS E TOQUES DE GUERRA

Os vários toques, ritmos, andamentos e cânticos de candomblé associam-se a modificações de estados de consciência (transe de orixás) específicos de cada arquétipo. Sendo o estado de transe provocado pela adequação, sinergia, sintonia, harmonia, da música com o arquétipo (sensibilidade do ente sob seu campo energético ou vibratório).
Assim é que uma pessoa, sujeita aos diversos tipos de vibrações orfeônicas em campo sonoro desta natureza, poderá permanecer indiferente a vários padrões orfeônicos ou exteriorizar sua sensibilidade por manifestações motoras ou psicológicas em algum momento ou padrão, com o qual seu arquétipo se harmonize.
Consoante o tipo sonoro, pacífico, belicoso, calmo, agitado, lento, vivo, moderado, rápido, a entidade em sinergia manifestará sua sintonia por movimentos calmos, majestosos, vivos, violentos, guerreiros, etc.
Dentre os toques calmos destaca-se o ijexá, pela paz, alegria, felicidade e requebro a que se associa, razão pela qual permite os movimentos do samba de roda, do afoxé, batuque e capoeira.
A importância atribuída pelo nosso Mestre ao toque era tal que o compelia a usar apenas a musica do berimbau (tocado pelo próprio), sem pandeiro, para que os aprendizes fixassem o ritmo-melodia em toda sua plenitude. A exclusão de todo e qualquer outro instrumento que não berimbau e pandeiro da orquestra também decorria desta premissa.
Freqüentemente, quando os alunos jogavam com muito açodamento e velocidade durante um toque de "banguela" o Mestre resmungava:

"Tô disperdiçandu minha banguela!
"Só merecem mesmu a cavalaria!"
E…
"virava" para o toque mais duro e bruto da "regional"…
impiedosamente mais adequado para os embrutecidos…
insensíveis e afobados.

O CAMPO ENERGÉTICO
DA ORQUESTRA, CANTO, PALMAS E JOGO

O capoeirista, como todos os demais participantes duma roda de capoeira, está encerrado num campo energético, com o qual interage e portanto sujeito a todos os seus fatores em atividade
Reflete, portanto, não só seu estado pessoal, porém aquele do complexo energético da roda, sofrendo a influência de todo o conjunto.
Toda a excitação ambiental envolve os jogadores e transtorna a condução do espetáculo, o qual poderá evoluir para um circo romano em toda sua barbárie.
Razão pela qual, a assistência do jogo da capoeira, antigamente, nas festas de largo, assistia silenciosa e respeitadora, como numa cerimonia religiosa, o desenrolar do jogo de capoeira, procurando guardar os detalhes de cada um dos lances à procura da descoberta do mais habilidoso, elegante, malicioso, inteligente, destro dentre os participantes.
O silêncio e a paz ambiental propiciam a melhor percepção da mensagem orfeônica, o desenvolvimento do transe capoeirano e portanto, o desenrolar do jogo.
As palmas, introduzidas pelo Mestre Bimba para enfatizar a participação da assistência e esquentar o ritmo, alcançam atualmente intensidade tal, que não mais permitem ouvir o toque do berimbau e muitas vezes, sequer os cânticos, desnaturando a capoeira no seu ponto mais nobre, a musicalidade, fonte do transe, ponto capital do jogo.
O atabaque, formalmente condenado pelo Mestre Bimba, durante todo o tempo em que acompanhei a sua rota, foi introduzido pelo Mestre Pastinha e ulteriormente usado pelos grupos folclóricos, a partir de Camisa Roxa, Acordeom, Itapoan, etc. para enfatizar a "africanidade" original. Tocado por quem de direito, suave e discretamente, como pelas orquestras de Mestre Pastinha e seus descendentes; conhecedores dos arcanos, fundamentos, segredos musicais africanos, marca o andamento e acompanha o toque do berimbau, instrumento-rei da capoeira, ao qual deve acompanhar e jamais suplantar, obscurecer.
Em mão desabilitadas, como ocorre na rodas da chamada regional atual, torna-se arauto de ritmo guerreiro e acarretam um transe violento, que vem matando, ferindo, lesando impiedosamente os seus praticantes, desde que provoca um transe agressivo, belicosos, guerreiro, desenfreado e deve portanto ser proscrito em nome da legitimidade da capoeira e da segurança dos seus praticantes.
O agogô e o , são excelentes marcadores de compasso, indispensáveis nas orquestras de candomblé, embora não aceitos pelo Bimba, talvez por terem sido introduzidos por Pastinha, enriquecem as charangas dos seguidores do estilo de Mestre Pastinha e ajudam (e muito!) a manter a constância do andamento do toque.
O reco-reco, também introduzido pelo Mestre Pastinha, nos parece inócuo, sem maior expressão musical, dispensável, salvo para manter a tradição do estilo.
Aviola, hoje em desuso, de ausência lamentada pelo Mestre Pastinha em seus manuscritos, também encontrada no samba de roda, nos indica a origem comum da capoeira e do samba, como indicamos em nossos escritos sobre a família musical áfrico-brasileira.
Opandeiro, com redução dos guizos com recomendado pelo Mestre Bimba, marca o compasso e mantém a constância do andamento quando em mãos habilitadas. É comum no entanto que os mais afoitos (ou despreparados?) acelerem o ritmo ou se afastem do toque do berimbau, desde que não havendo treinamento adequado (ensaio) como fazem os descendentes de Mestre Pastinha ou responsável pela direção da orquestra ou charanga (fiscal no dizer de Mestre Pastinha) é comum alguém se apropriar indevidamente do manuseio deste instrumento.
Mestre Bimba dizia que "O pandeiro é o atabaque do capoeirista".
Oberimbau é o instrumento-rei da capoeira, vez que somente o seu aparecimento na rodas de capoeira (antigamente citadas apenas como " capoeira" pelo próprio Mestre Pastinha, algumas vezes referidas como "capoeira de Fulano de Tal") é que marca o surgimento da capoeira como a reconhecemos atualmente, a capoeira da Bahia, seja o estilo "angola" seja o "regional".
Torna-se portanto, indispensável ao bom desenvolvimento do jogo que seu toque predomine no ambiente, mantendo a uniformidade do ritmo e o entrosamento entre os parceiros duma "volta" ou "jogo", sem o qual fatalmente existirão os desencontros e a violência.

TEXTOS CORRELATOS

ESTADO DE CONSCIÊNCIA MODIFICADO (TRANSE CAPOEIRANO)

 Sob a influência do campo energético desenvolvido pelo ritmo-melodia ijexá e pelo ritual da capoeira, o seu praticante alcança um estado modificado de consciência em que o SER se comporta como parte integrante do conjunto harmonioso em se encontra inserido naquele momento.
 O capoeirista deixando de perceber a si mesmo como individualidade consciente, fusionando-se ao ambiente em que se desenvolve o jogo de capoeira. Passando a agir como parte integrante do quadro ambiental em desenvolvimento. Procedendo como se conhecesse ou apercebesse simultaneamente passado, presente e futuro (tudo que ocorreu, ocorre e ocorrerá a seguir) e se ajustando natural, insensível e instantaneamente ao processo atual.
Decanio Filho, A. A. – in Fundamentos da capoeira (texto publicado em Capoeira da Bahia Online para download). 

BERIMBAU – A LIGAÇÏ ENTRE O MANIFESTO E O INVISÍVEL

O capoeirista para jogar capoeira não precisa de conhecer a história e a técnica da capoeira, por que o ritmo/melodia põe o ouvinte diretamente em sintonia com a "capoeira" abstrata, que abrange a fonte etérea dos movimentos, os paradigmas de jogos, os arquétipos de capoeiristas e talvez com a própria "tradição". Por este motivo, poderemos aprender por ver, ouvir e dançar… como "Totônio de Maré" o fez no cais do porto de Salvador/BA.
"Itapoan" perguntou a "Maré" como aprendera capoeira e este respondeu:

"Vendo os outros jogarem. Gostei, entrei na roda e joguei!"

Conforme assisti em gravação VHS do acervo do Mestre Itapoan, em casa do mesmo.
E "Vovô Capoeira" fez o mesmo, aos 84 anos de idade, na roda de Mestre Canelão em Natal/RN.
Assim é que, aos poucos a conjugação da música com os movimentos relaxados vai orientando o capoeirista no caminho do transe que o conduzirá diretamente à fonte da capoeira, na face invisível da realidade, que não depende dos sentidos corpóreos.

COMPORTAMENTO HUMANO, VIBRAÇÃO SONORA E RITMO.

Em Ioga percebemos a importância dos mantras…
os gregos antigos atribuíram ao Logos o poder de organizar o Caos…
no Gênesis aprendemos a força do Verbo capaz de criar o Universo e a Vida…
… na África Antiga não foi diferente!

Os africanos ao divinizarem os seus ancestrais e cultua-los com ritmos e toques diferentes vinculados ou representativos de seus comportamentos, descobriram categorias fundamentais subjacentes ao nível de consciência, independentes de culturas e religiões, os arquétipos humanos, que denominaram de orixás.
O "SER" exposto às vibrações sonoras ritmadas oriundas dos atabaques entra em harmonia com as mesmas e passa a manifestar em movimentos rituais a sua consonância.
Tudo se passa como se o conteúdo musical dos toques de candomblé fosse aprofundando o nível vibracional do sistema nervoso central, especialmente do cérebro (tido como sede da consciência) e alcançando os níveis correspondentes ao arquétipo individual. Chegando a toldar a consciência e levando a um estado transicional em que o "SER" passa a manifestar, em movimentos rituais involuntários, atributos do arquétipo, através circuitos de reverberação medulo-espinhais como que gravados geneticamente na estrutura do seu sistema nervoso central.
Não é indispensável o conhecimento da doutrina e ritual do candomblé, bem como de componente genético africano para a sintonia com o ritmo do orixá correspondente, vez que já assistimos à chamada "incorporação" de entidades africanas em europeus em primeiro contacto com "exibição" de música de candomblé, portanto, fora do contexto religioso. Durante o tempo em que funcionei como "apresentador" do "show folclórico" de Mestre Bimba observei que alguns assistentes entravam em consonância ou harmonia com um determinado toque, não se deixando influenciar por outros, o que atribuí à correspondência orgânica ao arquétipo daquela pessoa, ao modo de categoria de comportamento em nível subconsciente.
Na capoeira, o ritmo ijexá, especialmente tocado pelo berimbau, conduz o ser humano a um nível vibratório, dos sistemas neuro-endócrino e motor, capaz de manifestar, de modo espontâneo e natural, padrões de comportamento representativos da personalidade de cada Ser em toda sua plenitude neuro-psico-cultural, integrando componentes genéticos, anatômicos, fisiológicos, culturais e experiências vivenciadas anteriormente, quiçá inclusive no momento.
Todos os capoeiristas conhecem o transe capoeirano, embora nem todos disto se apercebam, um estado de extrema euforia, e de integração ou acoplamento a outra ou outras personalidades participantes do mesmo evento, conduzindo a execução de atos acima da capacidade considerada como ‘normal".
Trata-se dum estado transitório, em que não há perda total de consciência, porém existe uma liberação de movimentos reflexos, exaltação do potencial e ampliação do campo de influência vital de cada "SER".
É interessante registrar que em outros membros da "família cultural da capoeira" (samba de roda, maculelê, afoxé, frevo, entre outros) encontramos estados transicionais assemelhados, em que os personagens ultrapassam suas limitações "normais". De outro modo não assistiríamos a idosos desfilando em "escola de samba" ou saracoteando em frevo…
Assim cada capoeirista desenvolve um estilo pessoal, representativo do seu "EU", manifestado de maneira imprevisível a cada jogo e a cada instante de cada jogo.
Consoante o arquétipo de cada praticante ou mestre, o momento histórico vivenciado, o contexto em que está se desenvolvendo, a capoeira pode assumir aspectos multifários, lúdicos, coreográficos, esportivos, competitivos, belicosos, educativos, corretivos, terapêuticos, etc.
Do mesmo modo e pelos mesmos motivos, cada tocador de berimbau manifesta a sua personalidade na afinação do instrumento, ritmo, andamento musical, impostação vocal e conteúdo do cântico.
Razões semelhantes criam a identidade de cada roda, a multiplicidade de estilos e impõe a alegria e a liberdade de criação como fundamentos da capoeira.
Por ser a própria Liberdade e a Felicidade de cada "SER" a capoeira não cabe, não pode ser enclausurada, em regulamentos e conceitos estanques, nem prisioneira de interesses mesquinhos, comerciais ou de outra natureza.
A capoeira oferece um gama infinito de representações motoras , comportamentais e musicais; de aplicações terapêuticas, pedagógicas, marciais e esportivas; além do aperfeiçoamento físico, mental e comportamental de cada praticante.
Cada um de nós cria uma capoeira pessoal, transitória e mutável, evolutiva, processual, como todos os valores humanos e poderá ser imitada, jamais reproduzida em clones, como produto industrial de fôrma, idêntico em todos detalhes.
É interessante o estudo do simbolismo dos constituintes da personalidade humana na arte iorubana que indica no mínimo a noção de níveis de consciência, pois entre os povos iorubanos a consciência (personalidade exterior) é representada pela coroa (ile ori), enquanto a personalidade íntima (ori inu) correspondente ao (subconsciente+inconsciente) é simbolizado pelo ibori, uma pequenasaliência no ponto mais alto da coroa.
Angelo A. Decanio Filhoo – Falando em capoeira, Coleção S. Salomão, CEPAC, Salvador/BA, pg: 51