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Produtores de Tekken dizem que capoeira inspirou lutador brasileiro

Os produtores de Tekken Tag Tournament 2, Katsuhiro Harada e Michael Murray, estiveram presentes no primeiro dia da Brasil Game Show 2012 e, em entrevista ao TechTudo, falaram a respeito do novo game da franquia. A dupla contou que o personagem brasileiro do jogo, Eddy Gordo, foi inspirado na capoeira, cujos movimentos se enquadraram bem no sistema 3D. Além disso, há planos para a produção de novos títulos em português.

Os autores compararam a dimensão da BGS com eventos maiores de games, a E3 e a GamesCom. Ambos ressaltaram que a diferença entre as feiras é que, no Brasil, as empresas concorrentes trabalham em conjunto para trazer as novidades para o país. Confira a entrevista:

TechTudo: O que vocês estão achando dessa primeira feira grande de jogos no Brasil? Chega perto do que vemos na E3 ou na GamesCom?

Katsuhiro Harada e Michael Murray: Os estandes são muito parecidos com o que temos nas feiras internacionais, mas um fato curioso é ver muitos distribuidores e publishers concorrentes trabalhando juntos para entrar no Brasil. Isso não acontece lá fora, mas já vimos acontecer concorrentes trabalhando em um mesmo estande na Rússia, e agora está ocorrendo no Brasil.

 

TT: De onde veio a inspiração para o Eddy Gordo, personagem brasileiro do Tekken?

KH e MM: Na verdade, a inspiração veio primeiro da arte marcial, depois pensamos no personagem. Criamos o Eddy há mais de quinze anos, e até então nunca tínhamos ouvido falar em capoeira. Vimos algumas matérias sobre capoeira em uma livraria e resolvemos encomendar algumas fitas VHS do Brasil para entendermos melhor.

Lembrando que naquela época nem tínhamos internet direito. Os movimentos da capoeira são muito originais e não vemos isso em nenhuma outra arte marcial. E o melhor é que a capoeria tem movimentos mais adequados para 3D do que para 2D. Ao analisarmos todo o material dissemos “sim, vamos fazer”! Depois disso, encontramos o mestre Marcelo Pereira, que naquela época morava na Califórnia. Trocamos e-mails com ele a aí começamos a criar o personagem.

TT: Vocês tem planos para títulos em português?

KH e MM: Fizemos vozes em português para Cristie e Eddy. Foi a primeira vez que fizemos. Encontramos algumas dificuldades, até porque ninguém na equipe entende português. Mas estamos trabalhando nisso e, no futuro, teremos mais conteúdo traduzido para português.

 

Fonte: http://www.techtudo.com.br

 

UNESDOC Database: Coleção História Geral da África em português

Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.

Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Download gratuito (somente na versão em português):

  • Volume I: Metodologia e Pré-História da África (PDF, 8.8 Mb)
    ISBN: 978-85-7652-123-5
    • Volume II: África Antiga (PDF, 11.5 Mb)
      ISBN: 978-85-7652-124-2
      • Volume III: África do século VII ao XI (PDF, 9.6 Mb)
        ISBN: 978-85-7652-125-9
        • Volume IV: África do século XII ao XVI (PDF, 9.3 Mb)
          ISBN: 978-85-7652-126-6
          • Volume V: África do século XVI ao XVIII (PDF, 18.2 Mb) 
            ISBN: 978-85-7652-127-3
            • Volume VI: África do século XIX à década de 1880 (PDF, 10.3 Mb)
              ISBN: 978-85-7652-128-0
              • Volume VII: África sob dominação colonial, 1880-1935 (9.6 Mb)
                ISBN: 978-85-7652-129-7
                • Volume VIII: África desde 1935 (9.9 Mb)
                  ISBN: 978-85-7652-130-3
                • UNESDOC Database – http://www.unesco.org/new/en/unesco/resources/online-materials/publications/unesdoc-database/

                   

                  UNESCO works to create the conditions for dialogue among civilizations, cultures and peoples, based upon respect for commonly shared values. It is through this dialogue that the world can achieve global visions of sustainable development encompassing observance of human rights, mutual respect and the alleviation of poverty, all of which are at the heart of UNESCO’S mission and activities.

                  The broad goals and concrete objectives of the international community – as set out in the internationally agreed development goals, including the Millennium Development Goals (MDGs) – underpin all UNESCO’s strategies and activities. Thus UNESCO’s unique competencies in education, the sciences, culture and communication and information contribute towards the realization of those goals.

                  UNESCO’s mission is to contribute to the building of peace, the eradication of poverty, sustainable development and intercultural dialogue through education, the sciences, culture, communication and information. The Organization focuses, in particular, on two global priorities:

                  And on a number of overarching objectives:

                  A guerreira Maria Felipa

                  Como lembrei no texto Onde estão as capoeiristas da história, em geral as mulheres capoeiras que se destacaram no passado ficaram esquecidas. Mas é importante conhecer a história dessas mulheres que são exemplo de coragem, persistência e determinação.

                  Uma dessas mulheres é Maria Felipa, a guerreira de Itaparica.

                  Maria Felipa de Oliveira viveu na Bahia no século XIX e teve um importante papel na Guerra da Independência, que ocorreu entre 1822 e 1824, para reafirmar a independência proclamada em 7 de setembro de 1822, até que esta fosse reconhecida por Portugal.

                  Na Bahia, assim como nas províncias de Cisplatina (onde atualmente é o Uruguai), Piauí, Maranhão e Grão-Pará, devido à concentração estratégica de tropas do Exército Português, as lutas foram mais acirradas. Quando a tropa portuguesa comandada pelo General Madeira de Melo tentou invadir a Ilha de Itaparica para controlar a guerra a partir da Bahia de Todos os Santos, Maria Felipa liderava as vedetas (vigias) da praia, um grupo de 40 mulheres que entrou no acampamento do exército português, atacou os guardas com galhos de cansansão, uma planta que provoca sensação de queimadura ao toque com a pele, e puseram fogo em 42 embarcações, promovendo baixas no exército.

                  Além de guerreira, Maria Felipa também atuou na gerra como enfermeira, socorrendo feridos, além de trazer para a resistência em Itaparica informações da guerra obtidas nas rodas de capoeira do Cais Dourado, para onde ia remando sua canoa.

                  Há quem acredite que Maria Felipa seja a identidade verdadeira de Maria Doze Homens, que ganhou este apelido após deixar doze homens no chão, porém não existe confirmação a respeito e há ainda outras versões, em uma das quais Maria Doze Homens teria sido companheira de Besouro Mangangá.

                  O atestado de óbito datado de 04 de janeiro de 1873, confirma que Maria Felipa sobreviveu à guerra e continuou levando sua vida na ilha por muitos anos, porém de seu nascimento nada se sabe.

                  A heroína foi retratada na obra de Ubaldo Osório, A ilha de Itaparica, e no romance Sargento Pedro, do escritor baiano Xavier Marques, onde são são contatos vários feitos atribuídos à capoeirista.

                  Fontes:

                  Capoeira Sou Eu

                  Conversa de Menina

                  Overmundo

                  Passeiweb

                  Wikipédia

                  Neila Vasconcelos – Venusiana
                  capoeiradevenus.blogspot.com

                  Unesco lança biblioteca mundial digital

                  A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lança nesta terça-feira a Biblioteca Digital Mundial, que permitirá consultar gratuitamente pela internet o acervo de grandes bibliotecas e instituições culturais de inúmeros países, entre eles o Brasil.

                  Dezenas de milhares de livros, imagens, manuscritos, mapas, filmes e gravações de bibliotecas em todo o mundo foram digitalizados e traduzidos em diversas línguas para a abertura do site da Biblioteca Digital da Unesco (www.wdl.org).

                  A nova biblioteca virtual terá sistemas de navegação e busca de documentos em sete línguas, entre elas o português, e oferece obras em várias outras línguas.

                  Entre os documentos, há tesouros culturais como a obra da literatura japonesa O Conde de Genji, do século 11, considerado um dos romances mais antigos do mundo, e também o primeiro mapa que menciona a América, de 1507, realizado pelo monge alemão Martin Waldseemueller e que se encontra na biblioteca do Congresso americano.

                  Entre outras preciosidades do novo site estão as primeiras fotografias da América Latina, que integram o acervo da Biblioteca Nacional do Brasil, o maior manuscrito medieval do mundo, conhecido como a Bíblia do Diabo, do século 12, que pertence a Biblioteca Real de Estocolmo, na Suécia, e manuscritos científicos árabes da Biblioteca de Alexandria, no Egito.

                  Até o momento, o documento mais antigo da Biblioteca Digital da Unesco é uma pintura de oito mil anos com imagens de antílopes ensanguentados, que se encontra na África do Sul.

                  32 instituições

                  A Biblioteca Nacional do Brasil é uma das instituições que contribuíram com auxílio técnico e fornecimento de conteúdo ao novo site da Unesco.

                  A foto da imperatriz Thereza Christina, do acervo da Biblioteca Nacional, está disponível no site O projeto contou com a colaboração de 32 instituições, de países como China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, México, Rússia, Arábia Saudita, Egito, Uganda, Israel e Japão.

                  O lançamento do site será acompanhado de uma campanha para conseguir aumentar o número de países com instituições parceiras para 60 até o final do ano.

                  “As instituições continuam proprietárias de seu conteúdo cultural. O fato de ele estar no site da Unesco não impede que seja proposto também a outras bibliotecas”, explicou Abdelaziz Abid, coordenador do projeto.

                  A ideia de uma biblioteca digital mundial gratuita foi apresentada à Unesco pelo diretor da biblioteca do Congresso americano, James Billington, ex-professor da Universidade de Harvard.

                  Ele dirige a instituição cultural do congresso americano desde 1987 e diz ter aproveitado o retorno dos Estados Unidos à Unesco, em 2003, após 20 anos de ausência, para promover a ideia da biblioteca digital.

                  “Eu lancei essa ideia e sugeri colocá-la em prática nas principais línguas da ONU, como o árabe, chinês, inglês, francês, português, russo e espanhol”, diz Billington.

                  Ele se baseou em sua experiência na digitalização de dezenas de milhões de documentos da Biblioteca do Congresso americano, criada em 1800.

                  O objetivo da Unesco é permitir o acesso de um maior número de pessoas a conteúdos culturais e também desenvolver o multilinguismo.

                  Fonte: http://ligcev.com/bibliotecaunesco

                  Capoeira ajuda libaneses a suportar traumas da guerra

                  Levada por um mestre americano à Beirute, a capoeira brasileira ajudou libaneses a suportar os horrores da guerra.

                  O antropólogo americano Arbi Sarkissian, de origem armênia, introduziu a capoeira no Líbano no início de 2006. Durante a guerra entre Israel e o Hizbollah, em 2006, que devastou o sul do país e atingiu Beirute com bombardeios aéreos e navais, muitos alunos fugiram do Líbano ou se refugiaram em regiões mais seguras.

                  Mas mesmo em meio à guerra, quatro libaneses se reuniam para continuar praticando, e acabaram fundando o "Capoeira Sobreviventes", que conta até com uma comunidade no site de relacionamentos Facebook.

                  "A gente ficava deprimido com a guerra, com toda aquela destruição e mortes. Naqueles momentos, a capoeira ajudou a gente a manter nossa mente e espírito", disse a profissional em marketing Cynthia Daher, uma das "sobreviventes".

                  Sucesso

                  O mestre Sarkissian conta que no início o grupo era pequeno, mas que aos poucos o interesse foi aumentando: "Havia um grupo de amigos libaneses, que chamamos de núcleo. Eles tomaram gosto pela capoeira e começamos a fazer apresentações em casamentos e festas".

                  Atualmente o grupo conta com 20 alunos, inclusive três americanos. Sarkissian dedica cinco dias da semana para ensinar a luta e dança brasileira para alunos de nível iniciante e intermediário.

                  Ele aprendeu capoeira no ano 2000 quando conheceu mestres brasileiros em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ele conta que desde que começou a se interessar pela capoeira, a paixão pela cultura brasileira principalmente a baiana só aumentou.

                  "Eu havia feito o curso de Estudos Latino-Americanos na Universidade, estudando espanhol e português. Quando conheci os mestres brasileiros, fui convidado a praticar a capoeira e simplesmente me apaixonei."

                  Após visitar a Bahia duas vezes em 2005, para se aperfeiçoar no português e na capoeira, Sarkissian decidiu introduzir a arte em um país onde o Brasil é muito apreciado o Líbano.

                  Relaxamento

                  Segundo Sarkissian, o relativo sucesso do grupo se deve à visão das pessoas de que a capoeira pode ser uma forma de relaxar, exercitar e, acima de tudo, de se divertir.

                  Depois da guerra, os alunos retornaram, assim como as aulas de capoeira. "O que me surpreendeu é que ninguém abandonou, todos voltaram e o grupo aumentou", destacou Sarkissian.

                  De acordo com ele, os libaneses recebem muito bem as apresentações, às vezes feitas em praças e mercados públicos.

                  Amor pelo Brasil

                  Outro praticante, o escritor americano Jackson Allers disse que há uma atração natural pela cultura brasileira. "Muitos países têm um amor pelo Brasil, não apenas pelo seu futebol, mas também por sua arte, dança e música", afirmou Allers à BBC.

                  Sarkissian também ministra oficinas em que os alunos fabricam seus próprios berimbaus e outros instrumentos da capoeira. Além disso, alguns praticantes tentam aprender o português.

                  "Nós memorizamos as canções usadas na capoeira, mas eu precisava aprender o significado, queria aprender o idioma", disse Daher.

                  Nas noites de sexta-feira, um pequeno grupo se reúne para aprender português com o professor brasileiro Richard de Araújo, que está no Líbano por meio de um acordo entre os governos libanês e brasileiro para ensinar o idioma em um universidade pública.

                  "Dou aulas particulares para alguns praticantes de capoeira e outros que querem apenas aprender o idioma", explicou Araújo.

                  Para Daher, é emocionante começar a entender o significado do que canta nas rodas de capoeira. "Acho o português um idioma muito bonito e poético, estou apaixonada pelo Brasil", salientou.

                  Fonte: Folha Online

                  Bahia: Ginga Mundo & Língua da Capoeira

                  Mestre Suassuna, em seu último CD, oportunamente canta uma música que vem contextualizar esta matéria, e contrapor um de seus mais antigos sucessos: "Capoeira pra estrengeiro… é mato…"

                  Língua da capoeira: Mesmo sem saber uma palavra de português, estrangeiros cantam ladainhas e participam do Ginga Mundo

                  O idioma pouco importa. Seja inglês, francês, italiano, alemão ou até japonês, o essencial é saber as regras da capoeira e se portar de forma adequada durante as rodas. Os movimentos substituem a comunicação oral. As ladainhas, a maioria tira de letra, mesmo sem saber português ou o significado das palavras.

                  Os ensinamentos são dos mestres, que deixaram o Brasil para ganhar o mundo com a disseminação da cultura afro-brasileira. Essa vasta experiência foi tema de palestra no segundo dia de programação do IV Encontro Internacional de Capoeira – Ginga Mundo.

                  A sala do Projeto Mandinga, na manhã de ontem, tornou-se compacta diante da quantidade de interessados que adentravam no ambiente. As cadeiras não foram suficientes. Quem não agüentou ficar em pé, escolheu o chão como amparo. Na mesa central, diversos mestres de capoeira compartilhavam suas experiências mundanas. O debate tinha como enfoque os meios de preservação da capoeira no mundo contemporâneo. A dificuldade da maioria deles é fazer os estrangeiros compreenderem a luta como algo além dos movimentos corporais sob o som do berimbau.

                  Exportação – Mestre Preguiça, Vandenkolk Oliveira, tem 61 anos e há 25 ensina capoeira angola em uma universidade na cidade de São Francisco, Califórnia. Discípulo do saudoso mestre Pastinha, ele conta que a aceitação da cultura brasileira no país americano é grande, mas difícil mesmo foi o preconceito racial. “Tive dificuldade em me apresentar enquanto professor, porque eu não sou negro”, relembra.

                  O mineiro mestre Miltinho, Evanildo Alves, 37 anos, não sofreu discriminação. Há 29 ensina capoeira regional. Na década de 90, ele deixou o Brasil para desenvolver trabalhos na Bélgica, Alemanha e Polônia. A primeira dificuldade foi falar o idioma. Atualmente, ele tenta preservar a cultura através da conscientização. “O desafio é aplicar e ensinar a capoeira como é praticada no Brasil. Mantendo a tradição sem sofrer influência da cultura do exterior”, explica.

                  A disseminação da capoeira teve início na década de 60, com os grupos folclóricos. O pioneiro foi o de Emília Biancard, levado principalmente para a Europa. Nesse período, segundo mestre Cobrinha, o Cinézio Peçanha, 48, as pessoas não conheciam a capoeira. Atualmente, essa realidade mudou. “Hollywood desenvolveu películas sobre a capoeira e levou ao conhecimento geral”, informa. Com isso, o apoio à luta tornou-se mais intenso em países estrangeiros, em alguns até mais que no próprio Brasil.

                  Ainda assim, mestre Cobrinha admite a dificuldade em fazer o público estrangeiro entender a essência da capoeira. “Eles querem definir a capoeira dentro dos padrões culturais de seus países e não como uma cultura afro-brasileira”, lamenta. Os itens mais trabalhosos de ensinar são as gírias e o próprio modo de ser malandro, a malícia que precisa ser expressa com o corpo. “Quando esses alunos vão ao Brasil conseguem compreender. É como se desse um estalo”, garante.


                  Memória corporal

                  O IV Encontro Internacional de Capoeira – Ginga Mundo, reúne capoeiristas de todo o mundo. Mas não precisa falar português para entrar numa roda. A memória corporal e a linguagem própria da capoeira dispensam a oralidade. “Todos os mestres ensinam quase da mesma forma e, por isso, quando um estrangeiro chega na roda já sabe como realizar os movimentos”, explica mestre Cobrinha.

                  O berimbau dá início à luta. O mestre ou professor, que conduz a roda, aponta o instrumento para os dois primeiros lutadores. Começa então a capoeira. As ladainhas ficam gravadas na memória. Apesar de muitos não saberem sequer o português, ou até mesmo o significado da canção, os capoeiristas estrangeiros sabem cantá-las muito bem.

                  É importante também conhecer a tendência das músicas. Segundo mestre Cobrinha, algumas ladainhas podem ser provocativas, desafiadoras ou até de brincadeira, e em alguns casos podem ofender o próximo ou provocar conflitos. “O contexto do momento é que vai dizer a melhor ladainha. Normalmente quem está com o berimbau é quem inicia a canção ou o mestre mais antigo”, esclarece.

                  Fonte: Correio da Bahia – http://www.correiodabahia.com.br

                  Capoeira conquista adeptos no mundo árabe

                  Quando o berimbau começou a tocar, havia 26 pessoas na pequena sala de ginástica em Rabat: a maioria marroquinos, meia dúzia de refugiados do Congo e uma dezena de belgas, franceses, espanhóis e angolanos. Apenas três, incluindo Braz, um dos instrutores, eram brasileiros.
                  Mas quase toda a aula de capoeira, além dos cantos, foi em português, língua que muitos começam a dominar. 
                  Depois da Europa e dos Estados Unidos, a capoeira está ganhando adeptos no mundo árabe.
                   
                  No Marrocos, onde acaba de ser realizado um encontro internacional, existem grupos em pelo menos quatro cidades: Casablanca, Essaouira, Salé e na capital, Rabat.
                   
                  Mas a arte marcial brasileira, desenvolvida pelos escravos vindos da África, já fincou seus pés também na Argélia e no Egito.
                   
                  Integração
                   
                  Para o instrutor Zohir Lakhdar, mais conhecido como Saguim, "a capoeira é um instrumento de integração" num mundo marcado por tensões sociais, culturais e religiosas.
                   
                  Nascido há 32 anos na Bélgica, de pais marroquinos, ele aprendeu capoeira e português em Bruxelas, com o mineiro Venceslau Augusto de Oliveira – o Braz. Em maio de 2005 resolveu mudar-se para o Marrocos e introduziu a capoeira em Rabat.
                   
                  Seguindo o exemplo de Braz, Saguim incorporou a capoeira a projetos de integração social.
                   
                  Funcionário do Ministério das Relações Exteriores e de Desenvolvimento do Marrocos, nas horas vagas ele dá aulas de capoeira numa academia, a um grupo de meninos pobres de Rabat, a outro de adolescentes de Salé e a cerca de 20 refugiados do Congo.
                   
                  Foi ele que organizou o encontro internacional, realizado no início do mês, com a participação de capoeiristas da Bélgica, França, Espanha e Brasil.
                   
                  "Com tanto conflito, desemprego e pobreza, os jovens de hoje precisam de um modelo, para não caírem no fatalismo e no desespero", diz Saguim, que dá suas aulas num português salpicado de francês e árabe.
                   
                  Segundo o marroquino Driss Jaouzi, de 33 anos, nada mais natural do que ter aula numa língua estrangeira.
                   
                  "É o que acontece no mundo islâmico. Existem muçulmanos de muitas nacionalidades, mas na hora de rezar todos rezam em árabe. Sendo assim, por que não jogar capoeira em português, já que a capoeira é brasileira?" pergunta Jaouzi, o Tijolo.
                   
                  Projetos sociais
                   
                  Aluno de Braz em Bruxelas, Tijolo é seu braço direito nos projetos sociais que está desenvolvendo, tanto no Brasil e na Bélgica quanto no Congo.
                   
                  Em Bruxelas, eles trabalham com jovens de bairros pobres da periferia – muitos deles filhos de imigrantes marroquinos.
                   
                  O próprio Braz conta que é "fruto de um projeto social". Ele praticava capoeira desde os seis anos de idade com seus irmãos em Vila Maria – uma favela de Belo Horizonte que virou bairro.
                   
                  "Na época, havia tanta violência que a favela era conhecida como Poca Olho", lembra Braz. "Mas o Projeto de Integração da Criança pela Arte (Poca) transformou um nome de conotação pejorativa em algo positivo."
                   
                  Foi graças a um intercâmbio cultural que Braz viajou para a Bélgica, onde formou-se em educação física e acabou se instalando. Mas ele continua promovendo projetos sociais em Minas Gerais e, a partir deste ano, começou a trabalhar no Congo, com "meninos soldados" e orfãos da guerra.
                   
                  "A capoeira é mais do que uma disciplina esportiva. É um instrumento para estabelecer certos parâmetros e canalizar energia, num mundo de violência."
                   
                  Nas aulas durante o encontro internacional, Braz explicava que na capoeira "ninguém luta, todos jogam" e que "não existem adversários, apenas parceiros".
                   
                  O mesmo recado foi dado pelo instrutor espanhol David Balarezo, o Bala, que vive em Madrid e desembarcou em Rabat com um grupo de capoeiristas espanhóis e duas educadoras sociais.
                   
                  Diálogo
                   
                  Mesmo sem a presença de instrutores, grupos de capoeiristas estão brotando em diversas cidades.
                   
                  É o caso da associação Capoeira Mogador, de Essaouira – cidade turística na costa marroquina. Foi formada por jovens que descobriram a capoeira na Internet, graças a sites como You Tube.
                   
                  Um deles, Redouan, de 27 anos, fabricou um berimbau. "Tinha mil defeitos. A corda estava mal-amarrada, o som estava errado, mas um turista me viu andando na praia com o instrumento e me perguntou se eu era capoeirista", conta Redouan. "Para minha sorte, ele era capoeirista e nos deu algumas aulas."
                   
                  No Cairo, um grupo de 20 pessoas está treinando sozinho, enquanto espera que alguém responda a um anúncio de "busca-se professor" no site www.capoeira.com
                   
                  Segundo o capoeirista belgo-marroquino Jaouzi, o sucesso da capoeira é a sua versatilidade.
                   
                  "A capoeira é um diálogo, aberto a todos. Reúne tradição e muitas formas de expresão: canto, percussão, ginga e acrobacia. Ou seja, é sempre possível encontrar alguma coisa para fazer."
                   
                  * Monica Yanakiew
                  De Rabat
                   
                  Fonte: BBC Brasil.com –
                  http://www.bbc.co.uk/portuguese/

                  Capoeira como ponte para o português

                  Aula de capoeira não é mais novidade na Europa.
                  Junto com a prática do esporte, alunos europeus se interessam em estudar a língua portuguesa.
                  Hoje em dia, já é muito comum encontrar academias de capoeira em diversos lugares da Europa, inclusive em pequenas cidades.
                  Um dos países onde a capoeira vem se expandindo é a Alemanha. Porém, os alunos vêm se interessando também em aprender a língua-mãe da "dança".
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                  APÓS AS CALÇAS, PETRÓPOLIS AGORA VAI EXPORTAR CAMISAS DE CAPOEIRA

                  A grife petropolitana Cola Colorida já prepara produção de camisas para o mercado português.

                  Depois da remessa de mil calças de capoeira para Portugal, a Cola Colorida – confecção do Pólo de Moda de Petrópolis agora também vai exportar camisas. O número de peças enviadas à Europa deverá ser dessa vez maior, uma vez que o produto segue agora também para o público em geral e não somente a capoeiristas. "O Brasil está na moda. O cliente europeu gosta do que estamos produzindo, das cores da nossa bandeira", diz orgulhosa Simone Gouvêa Silveira, proprietária da grife que há oito anos fabrica moda feminina teen em Petrópolis. A segunda e última remessa das calças chegou ao território português há exatos 10 dias através da parceria com a rede de 35 lojas portuguesa "Sport Zone".

                  A exportação foi firmada durante o evento Semana de Petrópolis em Lisboa, quando 20 empresários de moda da cidade tiveram a chance de realização de negócios nas cidades de Lisboa e Porto, em abril deste ano, organizados pelo Sebrae/RJ. Além da Cola Colorida, outra confecção, a Portrait, também enviou peças. Todo o desenvolvimento das calças e camisas foi feito pelo NAD – Núcleo de Apoio ao Design.

                  "Apresentamos três modelos diferentes, porém, sempre valorizando as cores da bandeira do Brasil. A modelagem é praticamente a mesma, mas oferecemos uma outra opção mais justa e com manga raglã. Uma pesquisa apontou que as calças foram muito bem aceitas no mercado português, até porque enviamos um produto com uma malha de qualidade, a poliamida, 100% helanca, muito boa e que não encolhe", explica Simone, ressaltando que a rentabilidade também foi positiva.

                  Ainda segundo a empresária, a exportação, agora desmitificada, colaborou para o aumento de 30% na produção e, para atender à demanda, além de ampliar o número de facções com as quais trabalha, a confecção está recebendo novas três máquinas. "Isso também representa novas contratações de mão-de-obra", acrescenta. Sob o comando de Simone e também da sócia Rita Fátima Ramos, a grife também foi a que mais vendeu durante a última realização do Fashion Business, no Museu de Arte Moderna, quando 10 confecções do Pólo de Petrópolis marcaram presença. Um total de mil e 800 peças comercializadas para todo o Brasil.

                  "Foi uma oportunidade excelente e conquistamos mais 16 clientes somente no evento. Agora, já sonhamos com contatos também na Espanha. A exportação deixou de ser um bicho de sete cabeças", considera a empresária. A grife possui um trabalho que valoriza a viscolycra e ainda muitos trabalhos artesanais. As peças misturam texturas como malhas e chiffon, renda, bordados e aplicações.