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Detentos do Complexo do Curado são graduados em capoeira

Detentos do Complexo do Curado são graduados em capoeira

Catorze reeducandos do Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros (Pjallb), no Complexo do Curado, receberam graduações em capoeira, na manhã desta quarta (15). Durante o evento foram entregues certificados pela corda verde (para iniciantes) até a amarela e branca, destinadas aos professores do Projeto Liberdade da Ginga.
O projeto existe há seis anos e conta com 21 inscritos. Mais de 100 detentos do Pjallb já participaram do grupo desde a sua criação. O mestre Ubiraci Lima, 43 anos, recebeu o título dentro da unidade prisional e durante o evento desta quarta graduou dois professores. Conhecido como Timaia, Ubiraci ganhou a liberdade em novembro de 2019 e deseja ver todos darem continuidade ao Liberdade da Ginga.
“É muito gratificante ver tudo isso porque foi onde eu encontrei pessoas de boa índole, onde fiz amizades e abri minha mente”, contou.
Gestor do Pjallb há mais de cinco anos, José Sidney Souza, 58, considera a capoeira uma arte disciplinadora e afirma que quase 100% dos que participam não se envolvem em problemas. “Por ser um evento coletivo, baixa a tensão e o ócio criando uma irmandade. Mostra outro mundo, outras possibilidades”, destacou.
Durante a cerimônia, Sidnei recebeu do grupo um certificado de agradecimento. “Sou um cara durão e gosto das coisas certas. Nem sempre conseguimos tudo o que queremos, mas é preciso tentar. Procuro disseminar companheirismo, respeito, disciplina e principalmente crença na ressocialização”, disse. Foi homenageada também a equipe do setor Psicossocial, sob supervisão do policial penal Helder Leite.
O professor de capoeira, Williams Oliveira, 32, cumpriu pena de um ano e seis meses e ganhou a liberdade em 2016. “Eu era instrutor de capoeira quando fui convidado para dar aula. No início, eu era mais parado, ficava com raiva quando chegava a hora da aula, mas depois isso se tornou meu passatempo. Os alunos me fortaleceram”, afirmou. Do batizado, àquele momento em que o iniciante recebe a sua primeira corda, participou Amaro José, 37 anos, há dois anos e oito meses.
Detentos do Complexo do Curado são graduados em capoeira Capoeira Portal Capoeira

A prática é desenvolvida há seis anos no Presídio Juiz Antonio Luiz Lins de Barros (Pjallb) e contempla 21 detentos. (Foto: Divulgação/Seres.)

Capoeira como Atividade de Reabilitação nos Presídios

Faltam mais de 250 mil vagas para presos no Brasil

Esse problema não é exclusivo de penitenciárias. Muitas delegacias também sofrem com a falta de espaço e o excesso de presos

A segunda parte da série Prisões Brasileiras – Um Retrato sem Retoques, do Repórter Brasil, da TV Brasil, mostra hoje (25) um grande número de pessoas em espaços muito pequenos. A superpopulação carcerária é um problema encontrado em todo o país. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, o déficit de vagas no sistema penitenciário brasileiro chega a 256 mil.

Fábio Sá e Silva, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), explica que não é tarefa simples conseguir novas vagas para detentos no Brasil. Além do alto custo, é necessário enfrentar a rejeição da sociedade. “As cidades não querem receber presídios. Elas se mobilizam contra, os cidadãos pedem audiências públicas para rejeitar o projeto, o Ministério Público entra com Ação Civil para que não seja construído o presídio”. De acordo com Douglas Martins, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), abrir uma vaga no sistema prisional custa em torno de R$ 40 mil.

Esse problema não é exclusivo de penitenciárias. Muitas delegacias também sofrem com a falta de espaço e o excesso de presos. No Paraná, por exemplo, as delegacias abrigam 10.600 pessoas em  4.400 vagas. Curiosamente, sobram cerca de mil vagas nos presídios do estado.

Uma das sugestões para desafogar os presídios é rever a punição de alguns crimes como, por exemplo, o uso de drogas. A subprocuradora-geral da República, Ela Wiecko, defende essa alternativa. “Todo mundo pratica crimes, mesmo pequenos, em algum momento da vida. Ninguém pode dizer ‘eu nunca cometi’ alguma coisa que, lá no Código Penal, não conste como crime ou tenha constado. Um exemplo é o adultério, que estava no Código algum tempo atrás”.

Atualmente, a remissão da pena é uma das formas de tirar o preso da cadeia antes do tempo. Condenados trabalham ou estudam enquanto reduzem dias de suas penas. “O colégio está me fornecendo remissão de pena. É como se eu fosse estudar dois dias e ganhar um. Um dia fora desse lugar é muito bom”, diz um detento do presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros, no Recife.

Já o ex-dançarino Marcelo Andrade aprendeu a jogar capoeira na prisão e hoje dá aula para outros detentos. “Esses presos aqui poderiam estar trocando faca, fazendo rebelião, tentativa de fuga, matando outro, se destruindo nas drogas. Mas hoje estão aqui comigo, jogando capoeira”.

Amanhã (26), a série Prisões Brasileiras – Um Retrato sem Retoques vai mostrar outros problemas que provocam a superlotação dos presídios, bem como as alternativas usadas para diminuir o problema. A série vai ao ar no Repórter Brasil, às 21h.