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Capoeira? Não existe. O capoeirista sim.

Capoeira? Não existe. O capoeirista sim.

Professor Me. André Luis de Oliveira, professor de Educação Física pela Unesp – Rio Claro (1989), Especialista em Educação Física pela Unesp – Rio Claro (1990), Mestre em Educação pela PUC/SP (1993), Professor de Culturas Corporais de Lutas da Uninove (SP), Professor de Capoeira da Projete Liberdade Capoeira.

Resumo:

A capoeira normalmente é tratada como algo que tem existência em si, separada de seu sujeito, o capoeirista. Assim, esse trabalho resgata na literatura a origem do nome “capoeira”, seus significados possíveis e sua relação com o jogo-de-luta-dançada capoeira. Por fim, se quer recuperar a importância do professor ou mestre de capoeira: os que dão existência a ela.

Etimologia da palavra capoeira.

A palavra “capoeira”, esta longe de ser precisamente definida na sua origem. Isto porque há dois vocábulos, um de origem portuguesa e outro de origem do tupi, que podem ter originado capoeira para designar luta e como é usado em nosso país. Assim, o termo “capoeira” é registra a primeira vez no ano de 1712 (Bluteau in ARAUJO, 2004), e “usado para designar cesto, gaiolas ou locais determinados para se guardar aves” (ARAUJO, 2004, p.17). Para o vocábulo Tupi, que somente no século XIX aparece referenciado (op.cit. p.17), “capoeira” seria a junção de “ka’a”, mata e “PÛER”, passado, velho, superado, que já foi. Em tupi existe o tempo do substantivo. (NAVARRO, S/D). Assim, capoeira seria lugar que foi mata, mas já não é mais.

Também o termo tem sito usado para designar um tipo de ave: uru ou capoeira (Odontophorus capueira, Spix, 1825 in http://www.taxeus.com.br/especie/odontophorus-capueira).

 

A palavra “capoeira” para designar um indivíduo associado a um modo de conduta onde a luta física é usada, aparece somente em 1789, e esta registrado no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro (ANRJ — Tribunal da Relação — cód. 24, livro 10) e foi apontado por Cavalcanti (2004): O mulato Adão, escravo de Manoel Cardoso Fontes, comprado ainda moleque, tornou-se um tipo robusto, trabalhador e muito obediente ao seu senhor, servindo-lhe nas tarefas da casa. Manoel resolveu explorá-lo alugando-o a terceiros como servente de obras, carregador ou outro qualquer serviço braçal. Tornou-se Adão deste modo uma boa fonte de renda para seu senhor. Com o passar do tempo, o tímido escravo, que antes vivera sempre caseiro, tornou-se mais desenvolto, independente e começou a chegar tarde em casa, muito tempo depois do término do serviço. Manoel questionava-o: o que levava à mudança de conduta? As desculpas eram as mais inconsistentes para o senhor. Até ocorrer o que já o preocupava: Adão não mais voltou para casa. Certamente fugira para algum quilombo do subúrbio da cidade. Para sua surpresa, Manoel foi encontrar Adão por trás das grades da cadeia da Relação. Havia sido preso junto a outros desordeiros que praticavam a capoeira. Naquele dia ocorrera uma briga entre capoeiras e um deles fora morto. Crimes gravíssimos para as leis do reino: a prática da capoeiragem, ainda resultando em morte. No decorrer do processo constatou-se que Adão era inocente quanto ao assassinato, mas foi confirmada sua condição de capoeira, sendo, por isso, condenado a levar 500 “açoites” e a trabalhar “dois anos nas obras públicas”. Seu senhor, após Adão cumprir alguns meses de trabalho e ter sido castigado no pelourinho, solicitou ao rei, em nome da Paixão de Cristo, perdão do resto da pena argumentando ser um homem pobre e, portanto, muito dependente da renda que seu escravo lhe dava. Comprometeu-se a cuidar para que Adão não mais voltasse a conviver com os capoeiras, tornando-se um deles. Teve o pedido homologado pelo Tribunal em 25.04.1789.

 

Esta citação desmitifica alguns mitos em torna da capoeira:

  • A referência mais antiga da luta capoeira é carioca, para decepção dos baianos;
  • Capoeira, nas origens, está associada à contravenção e suas referências históricas mais antigas encontram-se em boletins de ocorrência, e não como prática lúdica entre escravos (jogo);
  • Capoeira aparece em meio urbano, não em fazendas, senzalas ou quilombos;
  • Capoeira é usada como luta de escravo contra escravo, de escravo contra policia quando são reprimidos ou entre maltas de capoeiras, e não como “mandinga de escravos em ânsia de liberdade” (Mestre Pastinha apud Zulu, 1995, p.6);
  • Capoeira como luta só aparece referendada a partir do final do século XVIII (1789) e não com a vinda dos primeiros escravos (1539).

O que, neste momento, me parece mais importante a tudo isto, é a associação da prática ao praticante. “Capoeira”, a partir de um processo associativo entre etimologia da palavra + atitudes e ações dos indivíduos pertencentes a grupos marginalizados + manifestações corporais de caracterizadas por exercícios de agilidade e destreza corporal, segundo Araújo (2004, p. 49) poderemos ter:

  • Muitos dos indivíduos considerados capoeiras eram malfeitores;
  • Alguns dos indivíduos considerados capoeiras eram apenas fugitivos;
  • Alguns dos indivíduos considerados capoeiras, logo malfeitores, eram praticantes da capoeiragem;
  • Alguns dos indivíduos considerados capoeiras, logo fugitivos, eram praticantes da capoeiragem;
  • Alguns dos indivíduos praticantes da capoeiragem, e considerados capoeiras, não eram malfeitores nem fugitivos.

A partir da análise semântica e histórica, Araújo (op.cit. p. 50) conclui que:

“Muitas das expressões (capoeira) que atentavam contra a ordem pública nem sempre foram realizadas por aqueles que praticavam e exerciam a luta/jogo de agilidade e destreza, e que a atribuição de culpa a eles era por demais perniciosa tanto para a manifestação referida como para os seus executores”.

Soares (1999) corrobora com essa associação de sujeito e prática ao falar de outro personagem. O “capoeiro”, escravo carregador dos grandes cestos (capoeira), assim como açougueiro, leiteiro e aguadeiro formariam os ofícios da escravaria urbana. (SOARES, 1999). Para Rios Filho (in SOARES, 1999 p.23) capoeira luta teria nascido das disputas da estiva destes “capoeiros”, nas horas de lazer, nos “simulacros de combate”, que pouco a pouco se tornaram hierarquias de habilidades, onde se duelava pela primazia no grupo. Dessas disputas de perna teria nascido o “jogo da capoeira” ou dança do escravo carregador da capoeira. Ou seja, nem todo capoeira era jogador de capoeira.

Vê-se assim que associar capoeira (luta) ao capoeira (sujeito contraventor) foi sempre uma constante, mesmo quando descabida. O artigo 402 do Decreto Lei número 847, de 11 de outubro de 1890 (capítulo XIII – Dos vadios e capoeiras) também não faz nenhuma distinção entre “exercício de agilidade e destreza corporal conhecida pela denominação Capoeiragem” e malfeitor, contraventor, homicida, assassino, fugitivo, ladrão. Todos eram capoeiras e considerados praticantes da capoeiragem (exercício de agilidade e destreza corporal) e punidos no rigor da lei. Araújo (2004, p.59) corrobora a isto afirmando que:

“Acreditando que as autoridades judiciais, ao identificarem uma prática corporal de caráter lúdico ou mesmo de luta e desconhecendo sua origem e denominação, por certo, vincularam-na diretamente aos indivíduos dos grupos marginais (capoeiras) que as realizavam, depreendendo-se daquela manifestação de agilidade e destreza corporal que se lhes apresentava como sendo uma luta/jogo de capoeiras, evidenciando-se preponderantemente, neste caso, o vocábulo designativo de tais personagens como determinante para a qualificação nominal da coisa.”

Corriqueiramente, associamos práticas e profissões a determinados indivíduos, ou seja, a prática ou ofício vai denominar o praticante ou profissional. Assim temos:

  • Advogado, aquele que advoga, defende (alguém ou alguma causa) em juízo ou fora dele;
  • Artesão, aquele que faz arte e técnica do trabalho manual não industrializado, artesanato,
  • Estivador, trabalhador portuário que, recebendo a carga de um navio, a arruma devidamente no porão ou num compartimento, ou a descarrega de bordo, estiva;
  • Jogador, aquele que tem por profissão jogar ou aquele que joga;
  • Marceneiro, aquele que trabalha com marcenaria, artesão ou operário industrial que trabalha com madeira em tábua;
  • Mecânico, aquele que monta, conserva e conserta máquinas e motores;
  • Professor, aquele que professa uma crença, uma religião ou aquele que ensina, ministra aulas;
  • Torneiro: aquele que trabalha com o torno.

No caso da capoeira (jogo/luta), não é o que ocorre. O sujeito CAPOEIRA vai nomear sua prática de jogo-de-luta-dançada – a capoeira, e não ao contrário. A expressão corporal capoeira foi denominada por indivíduos que receberam a mesma denominação. O Capoeira era um personagem que não tinham um meio de subsistência e domicílio certo, vivia em mocambos nas matas próximas (capoeiras) às vilas e cidades, logo um “capoeiro”, e que através do uso popular e de adaptações vocabulares popularizou-se e afirmou-se como sendo a luta/jogo do (indivíduo) capoeira, ou da capoeira, pois tal prática vinha destes espaços. Com o tempo passou-se a denominar exclusivamente como capoeira (ARAUJO, 2004, p.60).

 

O Capoeira: quem é ele hoje?

Como vimos, capoeira jogo/luta é uma prática típica brasileira associada a um personagem histórico (o Capoeira) visto e perseguido como contraventor, embora não o fosse sempre. Vimos também que o praticante dá nome a pratica e não ao contrário: o modo de vida do capoeira é capoeiragem; a luta criada pelo capoeira é a capoeira. Posto isto, vê-se que a capoeira jogo/luta está estritamente ligada a seu praticante: o capoeira, hoje chamado de capoeirista. Sozinha, ela não existe.
No Brasil, estima-se 6 milhões de praticantes (ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL, 2014). Há uma certa unanimidade em gratidão a essa prática. Numa pesquisa simples e rápida, encontram-se dezenas de depoimentos e músicas aludidos a uma gratidão e ajuda da capoeira:

 

  • Agradeço a capoeira do fundo do coração (http://www.realcapoeira.ru/capoeira/song/agradeco-a-capoeira-m-casquinha);
  • Agradeço à capoeira, Por todo que me ensinou Sou de coração marcado, Por essa arte que o negro criou (https://es-la.facebook.com/permalink.php?story_fbid=141225046061135&id=124456147738025 visto em 16/nov/2014);
  • Agradeço a Capoeira, Do fundo do meu coração, Pra vocês todos os presentes, Eu dedico essa canção (http://www.capoeira-music.net/all-capoeira-songs/all-capoeira-corridos-songs-m/mandei-cair-meu-sobrado/ visto em 16/nov/2014);
  • Um dia a capoeira ela lhe ajudou, Tirou você da miséria lhe transformou; Você não sabe o valor que a capoeira, tem, Ela tem valor demais, Ê se segura rapaz; A Capoeira me ajudou. Ela me fez ser na vida. Hoje quem eu sou (http://capoeiralyrics.info/Songs/Details/2104 visto em 16/nov/2014); .
  • Agradeço a Capoeira, Por tudo que me tornei, Hoje estou aqui rimando, Foi nela que me criei (http://www.ondeachocapoeira.com/ondeacho/noti_detal.php?id=585&pag=1&tipocat= visto em 16/nov/2014);
  • Agradeço à capoeira porque ela me resgatou; Acho a capoeira um apoio de vida porque ela me tirou de muita coisa ruim http://www.vitoria.es.gov.br/noticias/noticia-9015 visto em 16/nov/2014);
  • A capoeira me ajudou; A capoeira vai me curar (http://www.capoeira-music.net/all-capoeira-songs/all-capoeira-corridos-songs-m/mas-que-saudade/ visto em 16/nov/2014);
  • Ela é quem me ensinou, É ela quem vive a me ensinar, Ela é quem me ajudou https://www.facebook.com/pages/M%C3%BAsicas-Da-Abad%C3%A1-Capoeira/543758379075509 visto em 16/nov/2014);
  • Ela me ajudou não só no meu físico, mas também na parte de caráter, responsabilidade, disciplina (http://m.tvg.globo.com/novelas/malhacao/2012/por-tras-das-cameras/noticia/2013/04/rodrigo-simas-declara-sua-paixao-pela-capoeira-eu-ginguei-antes-de-andar.html visto em 16/nov/2014);
  • “E foi a capoeira que me ajudou a levantar da cadeira de rodas” a capoeira vem trazendo reflexos na vida escolar e nos planos para o futuro (http://quiririmnews.com.br/seminario-gera-inclusao-social-na-cecap/#.VGk7FPnF9vA, visto em 16/nov/2014)

Será mesmo que se deve agradecer à capoeira? Será que a capoeira jogo/luta tem esse poder de, sozinha, fazer tanto pelas pessoas?

De tal maneira, muito se tem escrito sobre as contribuições da capoeira para a Educação em geral e a Educação Física em particular – FALCÃO, 1996; FREITAS, 1997, 2003, 2005, 2007; MENEZES, 2007; RADICCHI, 2013; REIS, 2001, 2006; REIS, 2011; RIBEIRO, 1992; SILVA, 1993; SILVA e HEINE, 2008. Mas como a capoeira jogo/luta faz isso dissociado de seu produtor, fazedor ou professor/mestre?

No momento em que se produz este texto, discute-se o projeto de lei destinado a reconhecer a prática da capoeira como profissão (PLC 31/2009). A visão predominante é de que regulamentação só será legítima se reconhecer a capoeira como atividade multidimensional – ao mesmo tempo luta, dança e arte – além de fator de socialização, criação de identidade e de transmissão de memória ancestral. Parece-nos tão relevante quanto esta legalização é a definição de quem será este profissional: qual sua formação mínima? Em quanto tempo? Qual sua escolaridade/capacitação? Quais instituições estarão autorizadas a capacitá-lo? Quem serão os capacitores destes profissionais?

Capoeira? Não existe. Capoeirista sim.

 

Referências Bibliográficas

ARAÚJO, Paulo Coêlho de. Capoeira: um nome – uma origem. Juiz de Fora, MG: Irmãos Justiniano, 2004.
CAVALCANTI, Nireu O. Crônicas históricas do Rio colonial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/FAPERJ, 2004.
FALCÃO, José L.C. A escolarização da capoeira. Brasília: Royal Court, 1996.
FREITAS, Jorge L. Capoeira infantil: a arte de brincar com o próprio corpo. Curitiba: Ed. Gráfica Expoente, 1997.
_______________. Capoeira infantil: jogos e brincadeiras. Curitiba: Torre de Papel, 2003.
_______________. Capoeira pedagógica. Curitiba: O autor, 2005.
_______________.. Capoeira na educação física: como ensinar? Curitiba: Editora Progressiva, 2007.
MENEZES, Lilia B. Capoeira; benefícios psicofisiológicos. Niterói: La Salle, 2007.
NAVARRO, Eduardo. Curso elementar de Tupi antigo. http://tupi.fflch.usp.br/node/16 visto em 12 de novembro de 2014.
RADICCHI, Marcelo R. Capoeira e escola: significados da participação. Várzea Paulista: Fontoura, 2013.
REIS, André L.T. Educação física & capoeira: saúde e qualidade de vida. Brasília: Thesaurus, 2001.
______________. Capoeira: saúde e bem estar social. Brasília: Thesaurus, 2006.
REIS, Ronaldo. Capoeira, educação e educação física: inter-relações e práticas pedagógicas. São Paulo: Livro Pronto, 2011.
RIBEIRO, Antonio L. Capoeira: terapia. Brasília: Secretaria dos Desportos, 1992.
SILVA, Gladson de O. Capoeira: do engenho à universidade. São Paulo: O autor, 1993.
SILVA, Gladson de O. e HEINE, Vinícius. Capoeira: um instrumento psicomotor para a cidadania. São Paulo: Phorte, 2008.
SOARES, Carlos Eugênio Líbano, A negregada instituição: os capoeiras na Corte Imperial, 1850-1890. Rio de Janeiro: Access, 1999.
TÁXEUS, Listas de espécies. http://www.taxeus.com.br/especie/odontophorus-capueira, visto em 13 de novembro de 2014.
ZULU. Idiopráxis de Capoeira. Brasília: Editora do Autor, 1995.

 

Autor:
André Luis de Oliveira
Mestre em Educação – PUC/SP, Projete Liber…

Cidade

Embu das Artes – SP

Projeto Pratique Capoeira: “De Pernas pro Ar – Recontando a nossa História”

Pratique Capoeira é um Projeto Cultural aprovado junto ao Programa de ação Cultural PROAC, patrocinado via isenção de ICMS pelas Empresas Belgo Bekaert Arames e ArcelorMittal.

O projeto tem como objetivo apresentar uma ampla proposta para divulgar a capoeira como um símbolo da cultura popular brasileira através da publicação do livro lúdico “De Pernas pro Ar”. E ainda realizar palestras de sensibilização, oficinas práticas e shows nas Escolas de Ensino Fundamental na cidade de Hortolândia.

O livro lúdico, escrito por Josiane Silva, conhecida na capoeira como “Josi” é uma publicação destinada ao público infanto-juvenil, que através da leitura poderão conhecer e aprofundar a história da capoeira, promovendo uma sociedade mais consciente, que cria e recria sua cultura, valorizando a cultura popular. O lançamento do Livro será no dia 07 de setembro de 2010 às 19:00 horas na Câmara Municipal de Hortolândia.

Venha e traga seu axé, sua presença será fundamental para abrilhantar este dia!

 

Tiago de Camargo – Contramestre Formiga
CAPOEIRA IBECA – www.capoeiraibeca.com

 

É com muita satisfação que venho convidá-los para o lançamento do meu livro “De Pernas pro Ar – Recontando a nossa História” este livro é resultado de um trabalho de 2 anos, envolvidos pelo Projeto Pratique Capoeira.

O livro é uma publicação destinada ao público infantil, que através da leitura poderão conhecer e aprofundar a história da capoeira, promovendo uma sociedade mais consciente, que cria e recria sua cultura, valorizando a cultura popular……

Sua presença será fundamental para abrilhantar este dia! Presença Especial Contramestre Formiga

PS: Ajudem também a divulgar vamos mostrar a força do capoeira Ibeca neste dia!

Obrigada Graduada Josi

A Capoeira e o Estado Novo – 70 anos de (re)encontros

A historiografia da Capoeira acaba de reencontrar novos documentos para pesquisas e análises: Há exatos 70 anos (1937) foi publicado no Rio de Janeiro a obra intitulada Defesa Pessoal – Método Eclético – Contendo todos os regulamentos dos diversos esportes de ´´ring“.

De autoria do 1º Tenente Waldemar de Lima e Silva, com a colaboração do Sargento Ajudante Alberto Latorre da Faria, ambos membros da E. E. F. E. – Escola de Educação Física do Exército, esta obra contém diversas FOTOS e textos explicativos de golpes extraídos das várias modalidade de lutas existentes no período, bem como apresenta regulamentos desses ´´esportes“ (o da Capoeira é o criado por Annibal Burlamaqui – Zuma – obra citada na bibliografia).

No que tange a nossa Capoeira, ou Capoeiragem (como às vezes aparece no texto), esta não foi posto de lado, ao contrário. Apesar do número resumindo de golpes e de não apresentar uma preocupação com outros aspectos (cultura, história, etc.), a obra de caráter exclusivamente didático, voltado à defesa pessoal, se faz importante por apresentar subsídios para compreendermos a importância da Capoeira na época e a sua utilização pela Doutrina Nacionalista da Era Vargas. Esta influência já podia ser vista desde a revolução de 1930 que deu fim à Primeira República.

O curioso é que mesmo não sendo, das artes, a mais contemplada com golpes (fotos), foi exatamente a Capoeira utilizada para ilustrar a apresentação da capa (no nosso modo de entender o famoso vôo do morcego). Tirem as suas conclusões.

Após a aquisição do livro e de posse das informações nele contidas nossas pesquisas nos levaram a descoberta de novos documentos (artigos) apresentados na Revista de Educação Física, publicação de divulgação científica do Exército Brasileiro, que conforme descrito no seu site é o periódico nacional mais antigo da área de Educação Física, com a sua primeira edição datando de 1932. Verificamos que diversos artigos desta Revista, foram utilizados na confecção do livro, existindo até uma matéria anunciando sua publicação. (Defesa Pessoal -1937 agosto).

Quanto a Revista de Educação Física vale ressaltar os artigos escritos tendo a Capoeira como objeto (anos de 48 e 64) e outros onde a mesma é citada (Vale Tudo 1955).

Podemos observar claramente que dependendo de quem fala, da época e dos interesses a Capoeira assume os mais variados aspectos: de esporte nacional a condição de difícil e imprópria, e de fugir completamente às nossas tendências naturais.

A Capoeira e o Estado Novo

Ao pesquisar sobre os autores encontramos a citação de outra obra, que ao que tudo parece seja uma reedição do livro de 37, publicado pela Briguiet em 1951. Seria interessante comparar estas as duas edições para visualizarmos possíveis diferenças (inclusão e/ou exclusão) de golpes, fotos etc.

Para ver os artigos sobre o livro e sobre a Capoeira entrar no site da Revista de Educação Física: http://www.revistadeeducacaofisica.com.br, ir ao índice e procurar por assuntos/lutas.

 

Texto e Fotos Acervo: Joel Alves Bezerra – Grupo Atitude de Capoeira – Fortaleza – Ceará

jab@fortalnet.com.br

Mato Grosso: Publicação reunindo redações e ladainhas de Capoeira é lançada

Publicação reunindo redações e ladainhas é lançada
 

Idéias que buscam transformação, valorização das diversidades e respeito às diferenças. Redações elaboradas por alunos da rede municipal, estadual e particular de ensino revelam sensibilidade diante do tema "Combatendo o Racismo, Construindo a Paz". Vencedores do Iº Concurso de Redação com a temática Étnico-Racial, realizado no ano passado, pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Vice-Prefeitura/Diretoria de Políticas Especiais, os textos agora estão reunidos numa publicação, que traz também ladainhas de capoeira, escolhidas em concurso promovido pela Federação Mato-Grossense de Capoeira.

O catálogo será distribuído nas escolas municipais, e também disponibilizado no primeiro acervo temático sobre Gênero, Raça/Etnia e Direitos Humanos do país, anexo à sede do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, na Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha).
 
A publicação foi lançada na manhã desta quarta-feira, por ocasião da implantação da Casa Brasil unidade Cuiabá no Espaço Silva Freire, e contou com a participação de mestres de capoeira, que apresentaram uma das ladainhas integrantes do catálogo. Além das redações, o compêndio traz ilustrações dos alunos da Fundação Bradesco.
 
Segundo a vice-prefeita, Jacy Proença, a publicação é fruto de um esforço muito grande, do desafio de desenvolver políticas públicas de transformação positiva, e o resultado foi extremamente gratificante, tanto é que o Concurso alcançou sua segunda edição. "O Concurso foi parte integrante dos eventos do compuseram a Agenda Única, em celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro. A participação foi excelente, tivemos muitos parceiros. A seleção das redações, por exemplo, foi feita em parceria com a Academia Mato-Grossense de Letras", afirmou a vice-prefeita.
 
Nesta segunda edição, as inscrições podem ser feitas entre 1 e 31 de agosto, devendo o participante retirar o formulário na Vice-Prefeitura ou na Secretaria de Educação, Desporto e Lazer de Cuiabá. "Lançamos agora para que as escolas trabalhem com o aluno a temática "Combatendo o Racismo, Construindo a Paz", daí ele vai escrever textos mais elaborados", informou Jacy Proença.
 
O Concurso de Redação "Combatendo o Racismo, Construindo a Paz" tem como objetivo contribuir na implementação da Lei 10.639/03, que altera a LDB para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino Pública e Privada e obrigatoriedade do ensino da "História e Cultura Afro-Brasileira", fomentado o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam a igualdade racial e o respeito à diversidade.
 
24Horas News – Cuiabá,MS

Livro: Scenas da Escravidão – Breve ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba

Scenas da Escravidão será lançado dia 09 de dezembro
 
O livro Scenas da Escravidão – Breve ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba será lançado no próximo dia 09 de dezembro, às 20 horas, no Espaço Cultural Saber Viver, do Centro de Estudos Filosóficos Iluminattis.
 
A obra, escrita por Carlos Carvalho Cavalheiro, é um estudo inédito sobre a escravidão negra em Sorocaba que revela aspectos interessantes do tema e acaba por desconstruir o mito de que na cidade a escravidão foi mitigada. Carvalho Cavalheiro comprova através de farta documentação a violência inerente à escravatura também em Sorocaba. A obra revela ainda a participação do teatro sorocabano na campanha abolicionista, a relação entre o tropeirismo e a escravidão, a presença de escravos na produção fabril, a luta de classes entre os senhores e seus escravos e as cenas de crueldade na escravidão. Traz também uma reflexão acerca da cultura afro-brasileira em Sorocaba e a perseguição institucional à essas práticas através da repressão policial, edição de posturas municipais, manifestação de leitores nos jornais antigos etc.
 
Trata-se de um ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba, desde o séc. XVII até a abolição (séc. XIX), mostrando a discriminação e o preconceito racial em Sorocaba, buscando suas raízes históricas. Discute a falsa idéia de que a escravidão em Sorocaba foi amena, bem como as formas de controle ideológico sobre a mão-de-obra escrava. Além de discorrer sobre a escravidão em Sorocaba, o texto aborda também aspectos particulares da escravidão na região, em cidades como Itu, Porto Feliz, Araçoiaba da Serra (Campo Largo), Salto de Pirapora e até Campinas.
 
O autor pleiteou recursos da LINC deste ano para a publicação da obra, mas teve negado o projeto sob a alegação de que se trata de livro destinado ao público acadêmico. A partir da negativa da LINC, Cavalheiro buscou a publicação em formato mais econômico e tiragem reduzida. Para tanto, despendeu de recursos próprios e de apoiadores culturais como o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, o Sindicato dos Empregados do Comércio de Sorocaba, o Psol (Diretório Municipal), a Crearte Editora, a Implastec, a AFCC Consultoria e Pesquisa, a Academia de Capoeira Nacional, o Movimento Anarquista, o Provocare, a ONG Memória Viva, o Movimento Anarco-cristão, o Centro de Estudos Filosóficos Iluminattis, a Livraria Sebo Nacional e o Escritório de Advocacia Dr. Valdecy Alves.
Livro: Scenas da Escravidão - Breve ensaio sobre a escravidão negra em Sorocaba“Esta é a única obra que trata especificamente da escravidão sorocabana em todo o período e não só na época da campanha abolicionista.
 
O único inconveniente em relação a publicação de uma tiragem reduzida é que não se tem condições de distribuir uma cota para os arquivos, museus, universidades e bibliotecas. É uma pena!” 
 
Carlos Cavalheiro
 
A tiragem dessa edição é de 300 exemplares, sendo que parte disso é destinada aos apoiadores. O restante será comercializado no dia do lançamento.
 
Scenas da Escravidão possui 185 páginas e ilustrações interessantes relacionadas a cultura e história da escravidão em Sorocaba. A revisão histórica foi realizada pelo historiador Prof. Ms. Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho e a revisão gramatical pelo prof. Ivaldo José de Carvalho. O prefácio é de autoria de Armando Oliveira Lima, presidente do Instituto Darcy Ribeiro.
 
O autor, Carlos Carvalho Cavalheiro, é professor de História da rede pública municipal de Porto Feliz e pesquisador da História e Cultura de Sorocaba e do Médio Tietê. Escreveu e publicou os livros Folclore em Sorocaba (1999), A greve de 1917 e as eleições municipais de 1947 em Sorocaba (1998), Salvadora! (2001) e Descobrindo o Folclore (2002). Produziu ainda o CD “Cantadores – O folclore de Sorocaba e região” com a participação de grupos folclóricos como a Folia de Reis de Sorocaba, a Folia do Divino de Araçoiaba da Serra, a Dança de São Gonçalo de Porto Feliz, o Terço Cantado de Itu e o Cururu de Sorocaba entre outros. Participou ainda da produção do CD e documentário “Cantos da Terra”. Idealizou a Enciclopédia Sorocabana ( www.sorocaba.com.br/enciclopedia ) e a Reabertura do Inquérito sobre o Saci-Pererê ( www.crearte.com.br/saci.htm ). Neste ano proferiu palestra em agosto no SESC de Sorocaba sobre o Folclore de Sorocaba e do Médio Tietê. 
 
O Espaço Cultural Saber Viver está localizado na Rua Riachuelo, 437 – Bairro Vergueiro. O lançamento será às 20 horas e a entrada é franca.
 
carlosccavalheiro@yahoo.com.br

3 de Agosto: Dia do Capoeirista – Reflexão – Matéria IV

É válido que o Capoeirista tenha um dia… para ser comemorado… uma data para ser lembrada… afinal a capoeira é praticada em mais de 150 países dos 5 continentes, somente no Brasil somos mais de 5 milhões de capoeiristas!!!
Mais esta data, significa o que???
Por que dia 3 de agosto… qual o seu significado para a história da capoeira…
Já conversei com vários Mestres de Renome… e ainda não tive uma posição…
O que ficou claro é que a data refere-se a uma convenção qualquer… assim como o dia das mães… Natal… da sogra…
Se o dia do capoeirista fosse comemorado, por exemplo no dia 2 de Julho… eu saberia o motivo e acharia coerente a data…
Alguém poderia esclarecer e iluminar esta questão… ou será que este dia… esta data… se resume apenas a uma decisão politica?… como sugere o texto abaixo:
DIA DO CAPOEIRISTA
Lei nº 4.649, de 07 de Agosto de 1985
Institui o “Dia do Capoeirista”,
a ser comemorado anualmente,
no dia 3 de agosto,
O GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO:
Faço saber que a Assembléia Legislativa
decreta e eu promulgo a seguinte Lei:
Artigo 1º – Fica instituído o “Dia do Capoeirista”,
a ser comemorado, anualmente, no dia 03 de Agosto.
Artigo 2º – Esta Lei entrará em vigor na data
de sua publicação. Palácio dos Bandeirantes,
07 de agosto de 1985.
FRANCO MONTORO
Publicada na Assessoria Técnico-Legislativo,
aos 7 de agosto de 1985.
Um grande axé e de qualquer forma um feliz dia do capoeirista!!!
Ainda vai uma frase feita, que serve pra tudo… e duvido que alguém ainda não a tenha usado… Dia da mães é todo o dia… (ao justificar por que esqueceu a data… ou não deu um presente…talvez o verdadeiro motivo da data.. ?!?!)
Dia do capoeirista é todo dia… é toda hora… é a todo momento… é quando toco o meu instrumento….
Iêêê… viva a capoeira
Iêêê… viva a capoeira… camará…

CANDOMBLÉ

PIERRE "FATUMBI" VERGER
 

A publicação destas fotografias foi autorizada verbalmente por Verger com a restrição de não poderem ser reproduzidas com finalidades comerciais

MANUSCRITOS E DESENHOS DE MESTRE PASTINHA

Publicação seriada dos manuscritos e desenhos do Mestre conforme editados por A. A. Decânio Filho

O Mestre Pastinha costumava filosofar, seja em conversas, seja em reflexões que registrava em anotações avulsas ou cadernos, que orgulhosamente exibia aos amigos e visitantes, pintar ou desenhar movimentos da sua grande paixão, a capoeira.

Uma coletânea de manuscritos avulso de sua autoria, em folhas soltas, oferecidas ao grande Carybé juntamente com o quadro a óleo "Roda de Capoeira", me foram doados por este último. Conduzido pelo mesmo Carybé recebi das mãos de Wilson Lins, um caderno com anotações e desenhos, que lhe fora entregue pelo Mestre para publicação, o que venho divulgar pela "Internet" na sua forma original, respeitando grafia e redação originais, página a página, para conhecimento e reprodução pelos interessados.

Um clique sobre os links no índice abaixo conduzirá às páginas como foram por mim organizadas, reproduzidas em fotocópias e publicadas na "Coleção São Salomão", volume 2, "Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha", cuja localização será registrada, entre parênteses em sistema alfanumérico, após cada título incluído no índice.

Caso você deseje uma cópia dos manuscritos, digitalizada em alta resolução, favor contactar o Teimosia. O CD será enviados mediante pagamento do preço da mídia (CD virgem) e das despesas de gravação e postais.

ORIXÁS

 Deus, Divindades e Poder Ancestral
 

onde se discorre a respeito da concepção de Deus e da etimologia da palavra orixá; apresentam-se dados sobre algumas das principais divindades do panteão iorubá e sobre o Poder Ancestral….

 

 

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