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Vapor de Cachoeira não navega mais

O vapor de Cachoeira do verso de Caetano Veloso é uma lembrança nostálgica de um navio que ligava Salvador ao Recôncavo Baiano. Lançado em 1819, um grande feito para a época, o vapor de Cachoeira não volta nunca mais. Já o de Carlinhos Cachoeira apenas sofreu uma avaria. Pode voltar em forma de submarino ou qualquer embarcação anfíbia.

O vapor de Cachoeira tinha muitos dos defeitos e mais poder que alguns partidos políticos. Tinha bancada parlamentar, acesso e contatos no governo, preenchia cargos e influenciava a promoção de coronéis da Polícia Militar. Os fragmentos de gravações indicam também que Cachoeira tinha algo mais do que os partidos pequenos: um esquema de informação próprio que vazava escândalos para a imprensa, com a esperança de moldar imagens na opinião pública.

Pode-se argumentar que, ao contrário dos partidos, Carlos Cachoeira não tinha um programa. Não havia nada escrito porque não precisava. Programas, dizia o velho Brizola, também podem ser comprados. Cachoeira nunca se interessou em comprar um. Mas é exatamente a prática cotidiana no vácuo de propostas políticas reais que torna o partido de Cachoeira um novo tipo de ator no cenário nacional. A forma como articulou a bancada de Goiás, suprapartidariamente, é inédita. O projeto de regulamentação da loteria que lhe interessava partiu de um senador, foi relatado por um deputado e ainda dependeria da supervisão de Demóstenes Torres.

Num único momento parlamentar, senti a bancada goiana atuar em conjunto. Foi para derrubar um projeto de Eduardo Jorge e meu que proibia o amianto no Brasil. Era um movimento contrário ao que penso, mas não posso negar seu caráter democrático nem a preocupação legítima com os interesses de seus eleitores. Goiás tem mina de amianto em Minaçu e os deputados temiam o desemprego e o declínio econômico na cidade.

Não se conhece, fora de Goiás, a extensão da influência de Cachoeira. A verdade é que nenhum órgão de imprensa foi lá conversar com as pessoas, sentir a atmosfera, indagar sobre as forças típicas do Estado. Confesso que tenho mais perguntas que respostas. Um esquema tão intrincado e complexo merece um estudo maior, que só a íntegra das gravações pode esclarecer – ou, ao menos, indicar pistas.

E o Demóstenes, hein? É a pergunta que todos fazem na rua, resignados com o peso do argumento de que todos os políticos são iguais, até mesmo os que incluem a dimensão ética em sua atuação parlamentar. O desgaste que ele produziu na oposição é arrasador. Não se limita ao célebre “são todos iguais”. Avança para outra constatação mais perigosa: se os críticos são como Demóstenes, toda a roubalheira denunciada por eles não passa de maquinação. A sincera constatação popular “são todos iguais” torna-se um dínamo para múltiplas conclusões políticas. A mais esperta delas é: logo, são todos inocentes.

Depois de tudo o que Demóstenes fez, a partir do fragmentos ouvidos, eram inevitáveis as mais variadas repercussões no cotidiano político, em ano de eleição.

O esquema, no conjunto, precisa ser conhecido e pode ser iluminado por uma CPI. Carlos Cachoeira tinha influência nos governos de Goiás e de Brasília, detinha um poder regional. Era bem mais que um bicheiro. Apresentá-lo assim, desde o início, não combinava com o tipo clássico consagrado pela ficção: camisa aberta no peito, colar de ouro, mulatas deslumbrantes, amor à sua escola de samba. Cachoeira, além dos negócios legais, já usava a internet como ferramenta. Organizava loterias federais, disputava a bilhetagem eletrônica no transporte coletivo e mantinha um site de jogos, hospedado na Irlanda.

Ele usa muito melhor os instrumentos do seu tempo do que os bicheiros tradicionais, com seus anotadores sentados em caixotes, esperando a chegada da polícia em nova campanha contra o jogo do bicho, dessas que sempre morrem na próxima esquina, ou na próxima manchete. Os bicheiros sempre desconfiaram da legalização porque tinham medo da pesada concorrência que as novas circunstâncias trariam.

Empresário da era eletrônica, Cachoeira tinha um partido sem programa e decidiu legalizar seu negócio de forma que bicheiros tradicionais nem sequer sonhavam: escrevendo a lei, mobilizando a sua bancada, cuidando da tramitação, dos detalhes formais, garantindo a supremacia no futuro.

Cachoeira tem negócios clandestinos e legais. A maneira como se organizou para tocá-los é típica do pragmatismo de muitos partidos políticos: buscar a proximidade com o governo. Sua proposta era deslocar Demóstenes para o PMDB e aproximá-lo do Planalto. Houve algumas conversas sobre isso nas eleições de 2010. Para Demóstenes seria a morte política por incoerência, talvez mais suave que o atropelamento súbito pelos fatos.

Apesar de sua prisão e da desgraça de Demóstenes, Cachoeira continuou desdobrando a tática de aproximação. Tanto ele como Demóstenes escolheram advogados que, além de sua competência, são amigos íntimos do governo. Uma escolha desse tipo nunca é só técnica. É também política. Representa uma bandeira branca de quem não busca conflitos e anseia por uma saída controlada para um escândalo que ameaça governos do PSDB e do PT.

Leis são como salsichas, é melhor não ver como são feitas. Essa célebre frase atribuída a Bismarck é uma constante na crítica aos Parlamentos. Em caso de um escândalo de intoxicação alimentar, é importante saber como foram feitas. Se Carlinhos Cachoeira foi capaz de criar suas leis, aprovando-as no âmbito estadual e levando-as à esfera nacional, o que não podem outros grupos poderosos e articulados?

Essa vulnerabilidade da democracia, de um modo geral, se torna uma inquietação alarmante no caso singular do Brasil. O momento aponta para a desaparição dos partidos programáticos e abre o caminho para os núcleos de todo tipo, principalmente o partido de tirar partido.

 

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

 

O vapor da cachoeira
Não navega mais pro mar.
Levanta a corda, bate o búzio,
Nós queremos navegar.
Ai, ai, ai, nós queremos navegar.
Minha mãe não quer
Que eu vá lá na casa
Do meu amor.
Vou perguntar pra ela
Se ela nunca namorou.
Ai, ai, ai, se ela nunca namorou.
Eu não sei se corro pro campo
Ou se corro pra cidade.
Mas onde quer que eu vá
Vou cheinho de saudade.
Se eu escrevesse na água
Como escrevo na areia,
Escreveria seu nome
No sangue da minha veia.
Lá, iá, iá, nós queremos navegar

3 de Agosto, Dia do Capoeirista, repercussões…

Dia do Capoeirista, repercussões…

Minha caixa de email está mais cheia do que o habitual…

são diversas mensagens de parabenização e congratulações pelo dia do capoeirista…

Mais do que nunca sinto uma forte alegria por saber que a capoeira continua crescendo e se expandindo… ao mesmo tempo fico preocupado mais sempre confiante no ser humano, no “SER CAPOEIRISTA” pois a responsabilidade e o peso de carregar esta bandeira chamada capoeira é uma missão diária,  de todo e qualquer capoeirista e não apenas em uma data…

De repente recebo uma mensagem da qual irei tratar em uma matéria em separado devido a importância e a surpresa que foi para nós do Portal Capoeira receber tamanha homenagem e consideração…. no dia do capoeirista. De São Paulo chegam mais novidades… os camaradas se organizando e se unindo para um fim comum… comemorar o “dia do capoeirista” Do Rio o pessoal da Tamanduá Capoeira (RJ) logo se apresenta para colaborar com as matérias… Da Parnaíba – Piauí, o camarada Shion e a turma da Munzenza também entra na roda… Aqui em Portugal a conversa com camaradas… a aula durante a noite e a palestra sobre o tema para os alunos…

E como num jogo de capoeira como que regidos pelo berimbau… todo este balé de informações toda esta ginga de recursos… vai tomando forma!

Muito Obrigado a todos que participaram de forma direta ou indireta neste processo.

Muito Obrigado a todos os (as) CAPOEIRISTAS  do Mundo!!!

 


Abaixo duas mensagens recebidas de dois grandes camaradas que tem a capoeira no coração:

Milani,
Fizemos ontem uma paralisaçâo e um aulâo aberto na praça central de nossa cidade, onde contamos com aproximadamente 200 capoeiristas entre crianças, jovens, adolecentes, senhoras e senhores, estaremos mandando fotos e relatos para avaliaçao e possivel divulgaçao no portal.
Mestre Urso.

(Nós do Portal Capoeira e todos os nossos leitores e visitantes iremos aguardar este material)

Caro Amigo Milani,
Hoje, para todos nós que amamos a capoeira, é um dia de muita festa. Mas deve também ser um dia de muita reflexão sobre essa manifestação cultural/esporte/jogo e tudo o mais que quisermos, que em um momento das nossas vidas nos chamou para o pé do berimbau. O seu crescimento mundial é muito grande e vem se dando de forma rápida e quase ao sabor dos ventos apenas. Mas será que é isso o que queremos? Se é uma manifestação cultural genuína e pura do povo brasileiro, por quê a ensinamos para estrangeiros? Se a vocação da capoeira é internacional, por quê não nos organizamos, de forma democrática e ampla antes que os gringos o façam? Se todo o capoeirista é irmão e tem um só ideal, por quê preferimos às vezes destruir as coisas que muitos constroem ou tentam construir em vez de nos juntarmos para que a capoeira cresça como um todo? Se muitos de nós exigimos que nos chamem de Mestres, por quê nem sempre queremos as imensas responsabilidades que um título como esse nos traz?

É apenas uma proposta de auto-reflexão, não acho que devamos responder publicamente a essas questões, mas a nós mesmos, nesse dia tão importante para a capoeira e para o capoeirista. Se a cada dia 3 de agosto pensarmos um pouquinho na capoeira e menos nas pessoas dentro dela que nos incomodam, estaremos crescendo e ajudando-a a crescer ainda mais. FELIZ DIA DO CAPOEIRISTA  a todos que se orgulham de pertencer ao mundo da capoeira.
Um forte abraço do amigo

Luiz Fernando Goulart
MESTRE BIMBA, A CAPOEIRA ILUMINADA

A verdade da CAPOEIRA

Capoeira é livre, pelo menos é símbolo da liberdade, e ser livre e ter a liberdade é viver em democracia e a democracia é o debate das ideias, e elas, as ideias, seja de quem for, acaba por incomodar sempre alguém, com ideias diferentes é claro.

Penso na nossa capoeira e nessa liberdade que ela utiliza, ela não é de ninguém, porém todos queremos a verdade dela, queremos descobrir a verdadeira capoeira, mas é muito difícil nesse mar de ideias diferentes. Chegamos assim na grande pergunta, o que é ser verdadeiro? A verdade existe? Como disse o filósofo, podemos pensar e perguntar qual é o tamanho da lua, podemos ter uma reposta certa ou errada, mas o fato é que seja qual for nossa resposta, a lua tem um tamanho certo, esse tamanho existe, por isso é verdadeiro, independente das discussões sobre o que encontramos como sendo seu tamanho, se levarmos isso para a capoeira é como procurar uma verdade longínqua e bem distante da nossas percepções, mas temos de começar por algum lado essa viagem.

O importante para um projeto atual de capoeira é que possua suas verdades, alicerçadas nos fundamentos das experiencias e ensinamentos que sua liderança herdou na sua vida, mas que pode essa liderança muito bem, receber de bom grado as verdades e críticas construtivas daqueles que ele tome como discípulos, porém nós humanos somos falhos, erramos, e nossa verdade pode virar uma mentira quando confrontada com verdades mais fortes, por isso que é importante que existam na capoeira os retóricos, os falsos Mestres e professores, os alunos dissimulados, desleais e omissos, pois para que a luz exista é preciso que exista a escuridão, acredito que todo esse laboratório tem como grande alicerce o tempo, pois só ele dá a maturidade para as ideias sobreviverem ou não, por isso capoeira é para quem tem paciência com o tempo, para quem viaja na volta que o mundo deu e na que o mundo vai dar, fica aqui esse texto para reflexão da geração atual e para que muitas sejam as ideias, mas que as boas verdades vençam.

Torcemos por isso…

 

Marco Antonio Monteiro

Capoeira Alto Astral

Encontro da Capoeira Baiana

Encontro da Capoeira Baiana: com Valmir Assunção e Marcelino Galo

Na volta que o mundo deu, na volta que o mundo dá. Capoeira se joga na pequena roda e na grande roda da vida. Só gingando com a linguagem do sistema poderemos dar uma rasteira no opressor e fazer avançar nossa luta por melhores condições de vida e trabalho para todas e todos!

A capoeira é uma manifestação histórica de resistência do povo afro-brasileiro, e faz parte das raízes culturais da Bahia. Presente em mais de 150 países, instrumento de educação em escolas e projetos sociais, a capoeira não tem entretanto recebido o apoio que merece por parte do Estado. Muitos mestres são reverenciados mas têm sérias dificuldades de sobrevivência no dia a dia. Depois de dedicar toda sua vida à educação popular através dessa arte/luta, morrem à míngua, como os saudosos mestres Bimba e Pastinha.

Algumas iniciativas de políticas públicas para a capoeira têm surgido pelo país. Alguns estados, como Pernambuco e Alagoas, criaram pensões vitalícias para mestres da cultura popular. Aqui na Bahia, VALMIR ASSUNÇÃO encaminhou na Assembléia Legislativa o projeto de Estatuto da Igualdade Racial, que prevê a inserção da capoeira nas escolas públicas através dos mestres de capoeira, e não apenas pelos professores de educação física.

O registro da capoeira como patrimônio cultural brasileiro abre a possibilidade de avançar na construção de leis como o reconhecimento do notório saber dos antigos mestres (permitindo que dêem aulas em escolas e universidades sem ter diploma universitário), a criação de um passaporte especial para os mestres de capoeira (considerados “embaixadores culturais” de nosso país), a regulamentação da profissão de capoeirista (mestre, contramestre, treinel e professor), a aposentadoria ou pensão vitalícia, dentre outros. Para que isso aconteça, é necessário que os capoeiristas estejam mobilizados e tenham voz no Congresso Nacional.

Por isso convocamos todos os capoeiristas, independente de estilo, vertente ou linhagem, para um encontro com VALMIR ASSUNÇÃO e MARCELINO GALO. Valmir, negro, Sem Terra e comprometido com a luta do povo, será a voz dos capoeiristas no Congresso Nacional. Marcelino, militante popular, dará continuidade ao debate do Estatuto e apresentará as reivindicações da capoeira na Assembléia Legislativa.

Capoeira na escola, capoeira no estrangeiro

nossos mestres na batalha, nosso povo sem dinheiro

não queremos sua esmola, queremos nossos direitos

Exigimos o escrito lá na Constituição

se preciso mudaremos toda a legislação

com seu Marcelino Galo e o Valmir Assunção

Capoeira é cultura, arte e educação

de um povo mandingueiro, na luta por libertação, camaradinha

É hora, é hora!!!

Dia 12 de Setembro, Domingo, a partir das 10h da manhã, no Largo da Dinha (Rio Vermelho)

 

Paulo Magalhães Fº

paulomagalhaes80@gmail.com

Mestre Cobra Mansa, Lázaro Farias & Documentário sobre Capoeira

Depois do sucesso do Mandinga em Manhattan (DOCTV*), Mestre Cobra Mansa e o cineasta Lázaro Farias** estão convidando todos os capoeiristas para "somarem e colaborarem" em um novo projeto denominado: "Roda do Mundo".
 
O projeto visa documentar a expansão da capoeira pelo mundo através de uma viagem por diversos países onde a capoeira está presente.
 
Um dos grandes trunfos deste documentário é a abordagem "multi-geração e desfragmentada" que o realizador pretende dar ao enredo deste projeto:
 
"Através do olhar de 3 gerações de capoeiristas , o documentário registrará a realidade da capoeira nesses lugares , a interação entre mestres e alunos das academias locais , que contarão como a capoeira chegou nessas cidade e como lá se estabeleceu, quem foram os pioneiros e qual é a situação da capoeira hoje, cada vez mais global. Mostrando assim a Mandinga, a malícia, o gingado e a luta de uma dança que se tornou símbolo de resistência."
 
Queremos louvar a atitude e a postura do realizador e de Mestre Cobra Mansa pela chamada pública, mais ao mesmo tempo levantar uma questão de grande relevância para manter o contexto e a seriedade desta proposta que visa fomentar a cooperação e a participação inter grupos/paises.
 
É fundamental manter a comunicação unilateral, incluindo nas pesquisas um verdadeiro sentido de inserção cultural, buscando através da enorme diversidade de elementos (grupos/mestres/trabalhos/países) abordar o maior número de possibilidades, para validar a verdadeira essência da "Chamada Pública" e criar um roteiro original e desprovido de "vaidades" e "verdades absolutas".
Abaixo segue convite de Mestre Cobra Mansa:
 
 
Lázaro FariasEstamos convidando a  todos os capoeiristas a participar de mais um documentário do grande diretor Lázaro Farias
Depois do sucesso do Mandinga em Manhattan estamos mais uma vez tentado fazer o nosso próximo documentário que se chamara a Roda do Mundo e  pretende documentar a expansão da capoeira pelo mundo através de uma viagem por mais de 20 países onde a capoeira se estabeleceu e conquistou a população local
 
Gostaríamos de manter  contato com pessoas de capoeira de vários estilos sem discriminação queremos envolver todos que desenvolvam  trabalhos em diferentes países, para que possamos desenvolver e mostrar todas as faces da capoeira.
 
 
As pessoas interessadas devem por favor entrar em contato com a nossa equipe de produção
 
Mestre Cobra Mansa
 

* O DOCTV é um programa pioneiro de fomento à parceria entre a TV pública e a produção independente desenvolvido pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, a TV Cultura e a Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais — ABEPEC. Criado em 2003, seu objetivo é promover a regionalização da produção de documentários, articular um circuito nacional de teledifusão através da Rede Pública de Televisão, e propor um modelo de negócio que viabilize mercados regionais para o documentário brasileiro.
 
 
** Lázaro Faria é um importante diretor, produtor e diretor de fotografia de cinema, vídeo e filmes publicitários, além de profundo conhecedor do espírito do povo baiano. Desde o início da sua carreira, dirigiu, produziu e fotografou mais de 1.000 comerciais em película para importantes clientes como: Telebrás, Correios e Telégrafos, Governo da Bahia e de Pernambuco, Fundação Roberto Marinho, dentre inúmeros outros clientes e já arrebatou muitos prêmios, como por exemplo: Prêmio Profissionais do Ano, da Rede Globo, em 1988, 1989 e 1990.

Umuarama – PR: Arte da capoeira é levada aos bairros

Mestres de Umuarama levam a arte até os bairros da cidade, trazendo o resgate da inclusão social
 
A capoeira de Umuarama tem ganhado um importante destaque entre as artes praticadas pelos apaixonados pelo esporte. Um bom exemplo disso são os grupos que trabalham com crianças nos bairros da cidade e fazem um trabalho de resgate social. Além do Grupo Chora Menino que foi tema de reportagem desse jornal na semana passada, a Associação de Capoeira Afoxé e o Sucena, vem trazendo disciplina e técnica aos jovens que vêem na arte um modo de inclusão.
O pioneiro da capoeira e em atividade ainda em Umuarama é o mestre Luiz, que desde 1986, quando foi fundado o Afoxé vem tentando introduzir a capoeira no município. “No início dos anos 80 jogava a chamada ‘capoeira de rua’ mas com a chegada de alguns mestres aprendi a técnica”, diz. Segundo ele, há 21 anos quando o Mestre Valdir fundou o grupo em Umuarama ele continua tentando passar a arte do esporte às gerações futuras. “Faço da capoeira um trabalho de amor à arte, sem pensar em ganho financeiro. Vários professores e mestres que estão na cidade já trabalharam comigo. Meu filho é professor e até minha netinha de 5 anos está engajada no esporte”, diz emocionado.
 
Atualmente, o grupo Afoxé conta com uma parceria com o Ceprev – Centro de Prevenção – e trabalha com comunidades carentes dos bairros Laranjeiras, D. Pedro II, Daniele e 1º de Maio, num projeto social chamado “Capoeira para Todos”, visando despertar no jovem a consciência para o respeito ao próximo. “Queremos desmistificar esse preconceito de que a capoeira é praticada apenas por negros e favelados. Estamos levando o projeto para todos os cantos da cidade”, revela o mestre. “Além disso queremos levar o trabalho para outras classes sociais para mostrar que o esporte nada tem de marginal”, completa ele.
 
Mestre Luiz ressalta também que hoje os mestres de capoeira estão tentando diminuir o conceito de religiosidade africana que a arte traz. “As músicas estão sendo modificadas para trazer um aspecto mais cristão ao esporte. Isso tira o mito de que capoeira só se relaciona a umbanda e candomblé”, revela.
 
Troca de graduação – No próximo dia 29 de abril o grupo Afoxé estará realizando em Umuarama, no Ginásio Amário Vieira da Costa mais um “batizado de capoeira”. O evento contará com a participação de capoeiristas de várias cidades da região como Paranavaí, Campo Mourão, Cascavel, Terra Boa, São Jorge do Patrocínio, Guaíra, entre outros. Serão cerca de 80 alunos fazendo a troca de graduação. Da programação, consta uma roda na feira livre, às 10h30, almoço às 12h00 e às 14h00 início do evento com a presença de vários mestres, com destaque para o Mestre Guerreiro, 60 anos, uma das grandes personalidades de Dourados e membro da Confederação Matogrossense de Capoeira. “É intenção formarmos uma Associação no Noroeste para difundir melhor a arte”, revela o mestre Luiz.

Barra Mansa – RJ: “Campanha Abada-Capoeira Sangue Bom”

A Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte da Capoeira está promovendo, desde o dia 15, a campanha Abada-Capoeira Sangue Bom, para aumentar as doações de sangue no Hemonúcleo, através da conscientização das pessoas.
O coordenador do Hemonúcleo, Sergio Murilo Conti, que esteve na praça da Matriz na tarde de ontem, acompanhando a apresentação do grupo, diz que essa iniciativa partiu do próprio grupo e que é de suma importância. “O grupo de capoeira nos ajuda muito com essa ação. Eles mostram que qualquer segmento social pode doar. O que vale é a solidariedade”, agradece.
 
O professor Luiz Carlos Rocha, mais conhecido como professor Pretinho, diz que a campanha tem como objetivo mostrar que a capoeira também é um movimento social. “Há três anos aconteceu uma campanha internacional no Rio de Janeiro, onde pessoas do mundo inteiro doaram sangue. Queremos mostrar que qualquer um pode doar. Queremos conscientizar as pessoas a esse respeito”, explica, acrescentando que essa campanha já acontece há dois anos na cidade e que todos capoeiristas fazem a doação.
 
Quem estiver interessado em ajudar o Hemonúcleo, que fica anexo ao Hospital da Santa Casa, precisa ter entre 18 e 65 anos, pesar mais que 50 quilos, boa saúde e estar portando a carteira de identidade. Os horários de funcionamento são de segunda a sexta-feira, das 7 às 12 horas, e sábado, das 7 às 11 horas.
 
 
Doe Sangue, um ato de cidadania!!!
 

CAMPANHA "Sangue Bom"
Doação de sangue
Evento acontece há dois anos na cidade
 

Taboão da Serra – SP: Um dia de festa entre Guerreiras

Mais uma vez louvo a família Irmãos Guerreiros pelo belo trabalho… pelo respeito… pela inclusão.. e por mostrar o que é ser um verdadeiro "SER CAPOEIRA" . Na história narrada pelas Irmãs Guerreiras percebemos o valor e a verdadeira essência da capoeira cidadã! É na batalha do dia a dia… que os "irmãos e irmãs" capoeiristas… gingam e se esquivam na roda do mundo… na roda da vida… "Iêêê viva meus manos"
Luciano Milani

Aqui vamos deixar registrado o diário do dia 17 de março, lá no Jardim Saporito em Taboão da Serra.
Dia bonito, espelhando desde cedo as boas vibrações que teríamos. Logo de manhã algumas Irmãs já foram se reunir pra preparar a Ceia que íamos oferecer aos nossos queridos visitantes: pois quando fazemos um convite aberto para que as pessoas cheguem à nossa casa é porque queremos que todos sejam bem-vindos e tragam a energia positiva que tem em si.
 
E foi através do preparo do alimento que começamos a reunir mãos calorosas – e que estão diariamente por perto se apoiando – para o fazer que iria mais tarde devolver toda a energia que usamos nas tarefas de organizar uma Festa em Homenagem à Mulher, ao ser Feminino.
 
Os camaradinhos chegaram no começo da tarde para dar uma geral no “salão”, arrumar o visual da casa, deixar o ambiente cheiroso e limpinho para receber as pessoas que não sabíamos que iriam chegar: mas de qualquer modo havíamos nós e o motivo de qualquer comemoração é antes de tudo a gente mesmo, a nossa re-União por si só.
 
Aí conforme o caldo do feijão ia engrossando, as crianças brincando no pé da mesa, foram vindo as idéias de como enfeitar o nosso espaço. Tínhamos dito que seria colorido, pois se toda mulher é uma flor, nada como colorir o lugar com todas as cores.
Então foram se juntando mais mãos e o resultado ficou uma beleza. O primeiro comentário foi da pequena Ellen: “nossa tá tudo colorindo”. Ficou color-lindo… 
  
Aos poucos foram chegando os Irmãos e as Irmãs Guerreiras que estavam na batalha do dia-a-dia e fomos formando nossa roda. 
Com o Gunga, o Médio e a Viola nas nossas mãos, a bateria era só sorrisos: estávamos realizando mais um Encontro de Angoleiras, para homenagear a nós mesmas e pra dedicar aquela noite às nossas mães que nos criaram para a vida. Um momento especial nesse mês de março, onde decidimos firmar ainda mais nossos objetivos: tanto para os que estão entre nós como aos que vem nos visitar, estávamos mostrando ali que já temos um espaço conquistado porque isso se faz todos os dias, com a nossa participação e apoio e que nele podemos planejar ações que envolvam a todos, porque queremos agregar e construir junto. 
 
Ao Longe
 
E foi bom demais, porque, seguindo todo o fluxo de energia do dia, apareceram pessoas muito positivas: Mestre Jaime de Mar Grande, que sempre nos estimula e reconhece o valor de estarmos agindo; Mestre Meinha, sorrindo e afetuoso com a Contra-mestra Ciça; Professor Lambari; Contra-mestre Zelão e Ratão trazendo as graças do Mestre Cavaco; Mestra Janja, com seus discípulos e discípulas que ainda não haviam estado em nossa Senzalinha, mas chegaram em boa hora; e, acima de tudo, a presença que marcou a todos naquela noite: Mestre Leopoldina, ou simplesmente Leopoldina, como ressaltou ali para nós que somos amigos. 
 
Ao Longe
Esse senhor de 73 anos chegou ao pé da roda, tocou o berimbau e deu umas pernadas pra lá de mandingueiras, como há muito disse não fazia. Não dava pra conter a emoção ao ver aquela pessoa fantástica, de tão singela presença, com suas sábias e doces palavras saindo da boca sorridente ao falar. 
 
A roda foi caminhando nas voltas do mundo, nós ali revivendo os encontros que a vida nos permite ter – a hora passa tão rápido nesses momentos, dá até vontade de pedir pra alguém parar o relógio pra gente poder se deliciar.
 
Do outro lado do oceano Atlântico, lá na nossa casa de Bremen, as camaradinhas do Cazuá já haviam espalhado as suas vibrações no ar pelo momento que decidimos viver e isso só veio a deixar tudo ainda mais harmonizado, mais especial.
  
Nas frases que foram sendo ditas, nos cantos lançados para a gente gingar, as certezas de que estamos caminhando numa trilha em que podemos pisar firme, porque é uma terra que nos assegura e nos permite olhar pra frente para ver e viver a longa estrada de prosperidade que queremos traçar: à toda a causa que nos dedicarmos, o importante pra nós é podermos construir em harmonia o nosso espaço, com a ajuda, apoio e compreensão dos que nos cercam. E entendemos por nós e por aqueles que nos cercam como seres humanos, seres de gêneros que se complementam e juntos podem se interessar por uma vida melhor.
 
Vamos sempre tocar nesse assunto, essa é a forma como queremos ver o mundo em paz: através da troca, da integração, da cooperação.
 
Ao LongeGostaríamos de ressaltar que o nosso espaço está aberto às mulheres que como nós tem a garra para, ano após ano, buscar aquilo que só teremos a aproveitar: participar da vida social de um Grupo que desenvolve um trabalho voltado à comunidade. Até mesmo porque vai muito além de participação e da competência o que nos obriga hoje em dia a sermos mãe, dona de casa, trabalhadoras e ainda angoleiras. Envolvem questões amplas, que precisamos conversar e debater para ampliar cada vez mais os limites e promover novas e maiores aceitações. 
  
Agradecemos novamente a todos os que participaram desse lindo dia conosco e àqueles que no dia seguinte foram dançar, cantar, bater palmas e tambores em nosso Samba de Roda (principalmente Mestre Pernalonga, Contra-Mestre Siri e Djavan).
Estamos abertas às oportunidades de gerarmos juntas outros Encontros como este que fizemos e dessa forma integrar ainda mais as diversas linhas que fazem a Capoeira ser um caminho de valorização da cultura popular de nosso povo.

texto: Stella Mendes -“Manchinha”(estrela.agua@terra.com.br)
colaboração: Paulinha  “Moleza” (paulacapoeiraangola@bol.com.br)
fotos: Leonardo Galina "Guma" (leogalina@hotmail.com)
 
Março 2006
 

Aniversário de um ano do Cazuá em Bremen.

O Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros tem há um ano o seu Cazuá em Bremen na Alemanha. Já vão 4 anos que o Contra-mestre Pernalonga partiu daqui para lá e agora nós vamos comemorar esse primeiro ano de aniversário porque temos uma outra casa, também nossa, na outra metade do globo terrestre.
Comemorar por toda nossa luta, trabalho, indas e vindas e por ser parte daquela humanidade que diariamente descobre formas inéditas de se esforçar para continuar vivendo.
 
Aqui a gente tem certeza que a Capoeira Angola é uma vida que pulsa a todo momento. E toda a vida que se inicia é resultado de movimentos. Foram e são muitos os que aconteceram para fazer essa festa ser ainda mais importante.
Aquela casa de lá não existiria se a casa daqui não tivesse sido guardada por quem ficou, mantendo o ritmo do núcleo Castilho. As guerreiras e guerreiros Moleza, Pecadinho, Cacau, Malvadeza, Fala Grossa, Sorriso, Ciganão e Ciganinho, Batata, os Professores Beto Branco, Soneca, Vagalume, os meninos e meninas, são quem levam e prosseguem com o trabalho que o Contra-mestre Perna construiu desde que entrou pra essa vida capoeirística.
A nova casa na Alemanha também não seria a mesma se o Prof. Cunhadinho não tivesse ido fortalecer as raízes, ajudando a firmar as paredes, deixando também outras saudades nesse ano que passou.
  
Temos que lembrar o quanto significou ter a presença do nosso Mestre Marrom no Cazuá, há quase um ano atrás, para apadrinhar nossa nova morada, mostrando aos olhos desconhecidos o sentido do trabalho, do reconhecimento de ser Mestre. E de agradecer também a chance de receber Mestre Roberval de Salvador e Mestre Cláudio de Feira de Santana.
A festa vai ser nos dias 13-16 de outubro, quando vamos ter a participação de Mura, um taboanense que também vive em Bremen há mais de 18 anos desenvolvendo a sua arte com dedicação e profissionalismo à dança afro, mostrando também seu companheirismo conosco e o quanto há de beleza nessa expressão. Outra ilustre presença que irá nos visitar diretamente de São Bernardo do Campo é o amigo e Mestre Pernalonga do Grupo Nova Geração de Angola, uma outra grande conquista para essa família que estamos formando.
Família que conta com pessoas abertas e dispostas a conhecer e se dedicar a uma realidade como a da comunidade que vive no Jardim Pirajussara, o Piracity, em Taboão da Serra, São Paulo, Brasil. Desde o começo de agosto recebemos a força e apoio e mostramos o tamanho da nossa batalha diária para o pessoal trazido pelo Perna: o Fogueira, a Tigreza, Mulher Grande, a Juju. Não são os primeiros e nem serão os últimos a levar muitas estórias desse lado de cá e nos deixar com uma baita saudade de suas presenças.
Com isso a gente vê o quanto o Brasil e a Alemanha estão ficando mais próximos, através de nós, do nosso trabalho e da nossa luta pela Capoeira Angola. Porque se trazemos os alemães para sentir a brasilidade aqui em nossa terra, lá no Cazuá o Brasil se faz tocando, cantando e mostrando sobre nós brasileiros.
O trabalho de intercâmbio cultural é dos dois lados do oceano. Deu para sentir essa harmonia no nosso encontro Vadiando entre Amigos que fizemos no final de Agosto. O pessoal da Alemanha e o pessoal do Piracity fizeram do salão uma expressão de todas as cores, imagens, gestos, movimentos e palavras que saem dessa troca. Foi lindo!
E o valor da troca, o que ela representa é que é o resultado dessa distância de 4 anos, do que ela gerou. È aquela velha estória: quando a semente é boa e a terra fecunda só nascem bons frutos. Nós somos a prova disso.
 
O nosso Cazuá é um ponto de apoio para a divulgação e valorização do Brasil e do que nós temos de melhor para oferecer ao mundo de hoje: nossa cultura. Será através desse caminho que o Brasil vai assumir o importante papel de reconhecer o quanto é precioso para a humanidade as manifestações culturais típicas de cada sociedade, especialmente dos que foram postos na margem dela. E nós já estamos lutando por isso.
Daí que além da capoeira, outros ritmos brasileiros são tocados e cantados, aprendidos e difundidos entre os alemães. Porque queremos mostrar que tem muita coisa boa aqui, de valor, principalmente porque quem está mostrando tudo isso lá é alguém que veio da periferia, desfazendo a mentira que da pobreza não sai encanto.
Queremos divulgar essa festa pra dizer que nós realmente somos a mudança que queremos ver no mundo e que, esquentando o frio da Alemanha com o calor de nossos corpos tropicais estamos mostrando isso a todos os camaradinhas que, como amigos, estão juntos conosco e nos querem ver crescer e aprender com nossa experiência.
 

       Manchinha – setembro 2005.

Capoeira, Comunidade, Instituição, Sociedade e Indíviduo

 Capoeira, Comunidade, Instituição, Sociedade e Indíviduo

Nos capoeiristas, no Brasil e em todo mundo, somos na maioria,trabalhadores da construção, professores, estudantes, esposas, maridos,doutores, advogados, banqueiros, administradores, desempregados, músicos,artistas, etc. Em resumo, fazemos parte ?desta coisa? que chamamos SOCIEDADE. Logo, vivemos e seguimos muitas ou a maioria das práticas que esta sociedade possui. Somos, inevitavelmente, o elemento básico que constitui a sociedade; ela existe porque estamos nela. Mas ao mesmo tempo, não somos absorvidos ou assimililados a força por esta sociedade e, pessoalmente, acredito que é ai que nos capoeiristas, como qualquer outro grupo na sociedade, podemos fazemos diferença, pois, cumprimos com o que nos cabe como parte desta sociedade, contudo, tem uma outra parte das nossas vidas que simplesmente não se "enquadra" dentro desta mesma sociedade que seguimos.

Somos, por natureza e/ou por escolha, um tipo diferente de indivíduos: desejamos a liberdade no nível mais profundo de nosso ser. Um Homem disse uma vez: "Se você deseja ser livre, você tem apenas que começar a ser livre." A liberdade é um estado mental e não um estado do corpo. Nós somos e continuaremos a ser parte desta sociedade, contudo, nao de forma passiva, pois, devemos também continuar a aumentar o que temos de melhor dentro dela. Nenhum sistema ou sociedade pode engolir o que um indíviduo tem de melhor, uma vez que este tenha tomado consciência destas suas virtudes. Por isso o conceito de institucionalização da Capoeira não cresceu tão profundamente dentro da maioria das comunidades de adeptos desta arte, especificadamente nas comunidades de Capoeira Angola. O estilo de vida da Capoeira é música para os nosso ouvidos, porque criamos o nosso próprio espaço com esta sociedade da qual fazemos parte, mas que muitas vezes desprezamos.

A Capoeira, como Mestre Pastinha disse, é tudo que a boca come. E como o ar, sabemos que está lá, respiramos e precisamos dele; contudo, não podemos capturá-lo. A Capoeira não pode ser limitada a um grupo de praticantes, por uma organização formal e muito menos por um grupo de Mestres que clamam o monópolio sobre ela. A Capoeira vai além de todos nós. Nenhuma sociedade, comunidade, ou indivíduo jamais irá controla-la.

Então, se praticamos a capoeira para nos afastarmos daquilo que ha de tradicional e repressivo dentro da sociedade e que desaprovamos tão fortemente, porque quereriamos institucionaliza-la? Nos parece um tanto contraditorio, já que institucionalização significa seguir profundamente todos os protocolos e leis detalhadas da sociedade para que nos enquadremos nos esquemas administrativos e corporativos com alguma prática e sentido reais: independência fiscal, oportunidades de doações, coesão administrativa e grupal, etc. Grupos diferentes de Capoeira, dentro da história e mais ainda nesta útimas décadas, tentaram criar uma instituição ou organização paralela somente para a Capoeira, e se tornaram tão restritas e repressivas como a instituição original da qual eles haviam tentado se afastar.

Em todas as partes do mundo nós vemos a corrupção e escandalos que instituições e indivíduos fazem. O sistema controla vários setores da sociedade com um número pequeno de pessoas tendo o monopólio absoluto sobre estes. Se olharmos para o Brasil como exemplo, vemos o carnaval e outras manifestações criadas pelo povo que foram institucionalizadas.
O povo que originalmente os criou foram os que mais perderam com isso.

Antes de pensarmos em institucionalização da Capoeira, nós temos que perguntar porque querem nos ?organizar?? Porque quereriamos uma instituição para controlar o nosso estilo de vida? Quem vai ganhar com isso? A Capoeira? O capoeirista? Os burocratas? Será que estas instituições são realmente necessárias? Quem as controlara? Porque elas tem que ser tam repressivas, elitistas e ditatoriais? Podemos confiar nestas instituições e nos seus líderes moralmente, financeiramente, fisicamente e espiritualmente? O que é que nós queremos? Nós queremos a institucionalização da Capoeira, ou uma comunidade de Capoeira que trabalhe com "o sistema"para obter honestamente o que precisamos sem nos inclinarmos para o que este sistema tem a nos oferecer?

Embora estejamos abertos para crescermos no espírito e conhecimento da Capoeira, queremos evitar a imposição de valores de um grupo de pessoas e burocratas que já tenham criado as suas próprias escalas de valores. Queremos uma comunidade que celebre e encoraje a individualidade e a cooperação entre seus membros; uma comunidade mundial de capoeira que respeite diferentes valores, crenças, pontos de vista, práticas, etc; em resumo, o que queremos e uma comunidade que respeite as nossas diferentes estórias e histórias, as nossas vidas diferentes e o nosso crescimento em direções variadas para o seu próprio fortalecimento. Pois, e isto o que nós todos teremos para oferecer através do entedimento e do amor sob a prática e o espírito da Capoeira.

Mestre Cobra Mansa

mestrecobramansa@yahoo.com.br

Ps: Por favor nao altere o sentido desse texto e mande para todos os
capoeiristas e individuo que acreditar na liberdade e em uma sociedade
alternativa e mais justa.