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Lapão: Capoeira muda vida de Jovens

Mestre Índio Brasil, amor e dedicação pelo gingado da capoeira: Mesmo com poucos recursos, o esporte nacional de influências africanas muda a vida de jovens em Lapão

Vestidos de abadas brancos com um cordão colorido na cintura vêm chegando um exército da paz, munidos com um berimbau, atabaque, pandeiro, e no compasso das palmas, começam a cantar:“O berimbau tá tocando / A roda tá se formando / O meu mestre tá chamando / Quero ver quem vai jogar / O berimbau / É um jogo de inteligência / Esse jogo tu tem que estudar / Ponto fraco, também ponto forte / Para o adversário você derrubar / Ô berimbau!”.  E assim, começa mais uma roda do grupo internacional de capoeira Jacobina Arte, em uma aula ministrada em praça pública, pelo professor Índio Brasil em Lapão.

Mudando Vidas: O professor Índio Brasil, vem desenvolvendo um trabalho interessante em Lapão. Com poucos recursos, porém com muita dedicação, ele implementa a arte nacional com influências africanas na cidade e essa ação vem mudando a vida de muitos jovens, oferecendo para cada um, conceitos sólidos de irmandade, disciplina e cultura regional. O estudante Raian do Nascimento, de 19 anos, conhecido como “Vagalume”, pratica capoeira há mais de cinco anos e afirma que a mãe não aceitava seu envolvimento com a capoeira, porém as mudanças de hábitos favoreceram para que ela mudasse de posição. “Minha mãe achava que era algo violento, até conhecer a arte. Teve uma apresentação que ela assistiu e depois disto autorizou que aprendesse com meu irmão. Mas ela começou a apoiar e incentivar, quando viu as mudanças que tivemos. Passamos a respeitar o outro, só vivíamos na rua. Hoje, dedico maior parte do meu tempo a academia. Meu irmão era um rebelde, discutia com minha mãe, bebia, fumava e brigava sempre na rua, depois da capoeira ele mudou bastante e hoje é uma outra pessoa”, relata Raian.

Aluno do mestre Índio, Denilton Santos de Almeida, 21 anos, é conhecido na região como “Instrutor Famoso”, e ensina a arte no povoado da Salgada em Lapão. Antes da capoeira, Denilton afirma que bebia pouco, mas passava a semana toda indo para bares com os amigos e levava a vida com poucas perspectivas.   Porém, foi no campo da ginga, da música e da baianidade da roda de capoeira que seu dia-a-dia se iluminou e ganhou sentido. “Sou reconhecido na região, pratico há cinco anos e pretendo continuar na arte até quando tiver forças. A capoeira me deu muito conhecimento, geral, não só da arte, mas ensinamentos de vida, como a relação de um com outro, o respeito e a união. Passo a semana treinando, não bebo, não fumo e dou aula a dez alunos no povoado que não tem condições de pagar, mas querem aprender e para mim é isso que vale. Aprendi esses valores com meu mestre”.

“Muitos garotos precisam de um apoio maior, tive alunos que usavam drogas, roubavam e eram indisciplinados em casa, mas com diálogo e a disciplina da capoeira, mostrei outros caminhos e isso ajudou bastante. Aprendi a ser amigo, pai, e líder deles, trato meus alunos da forma que eles precisam ser tratados, com carinho e respeito. Existe uma carência afetiva enorme, muitos têm problemas familiares e eles encontram em mim um referencial positivo. Por isso, escolho os mais rejeitados, os bem rebeldes e tento trazer para capoeira. Quero agrupar pessoas com necessidade de apoio e incentivar eles para mudarem de vida”, explica Índio.

Luta, dança ou arte? “Um pouco de tudo” responde índio, que faz questão de enfatizar que a capoeira não é inferior a nenhuma outra arte de combate. O grupo ensina capoeira mesclando o estilo regional com a angolana sem esquecer as belas acrobacias.  Também são ministradas aulas de dança, Maculelê e oficinas ensinando a tocar e fabricar instrumentos, como o berimbau.

Professor Índio Brasil ou Orlando José de Lima, nasceu em Manaíra, na Paraíba á 480 km de João Pessoa, chegou na microrregião no fim da década de 80 e despertou para a arte em 1995. “Chamei umas pessoas para jogar e começamos aprender com o Mestre dragão, ficamos uns seis meses com ele. Logo depois fui dar aula em Belo Campo, distrito de Lapão e em 13 de setembro de 2008 me tornei professor. Meu mestre agora é conhecido como Pit Bull e dá aulas na Grécia. Recentemente fiz uma música em homenagem a ele: E Pit Bull e Bamba! / Pit Bull e Bamba de Capoeira / E… Pit Bull entra na roda / E aquela animação e joga / com todo mundo e respeita meu irmão / E… eu sou Índio Brasil / Barravento quem falou / o meu mestre Pit Bull / foi ele que me formou”, canta o Professor Índio.

Falta de Apoio: Apesar da garra e de um trabalho consistente que trás resultados visíveis, o projeto carece de recursos e apoio para expandir. Atualmente a turma é composta por aproximadamente 30 jovens que pagam, em média, R$ 10,00 por mês. Porém, a grande maioria dos alunos não tem condições financeiras para custear o aprendizado. De acordo com o professor, ele consegue fechar um grupo com mais de 100 alunos em apenas cinco dias, pois não faltam pessoas interessadas para treinar. “Se tivesse algum patrocínio para me manter ou algum recurso para comprar pelo menos os abadas, reunia muitos jovens carentes. Mas preciso de apoio governamental ou da iniciativa privada para expandir esse projeto, dos alunos só quero o respeito, a disciplina, a dedicação e a vontade de treinar”.

O mestre Índio recebe esporadicamente uma ajuda de custo para se apresentar em outros municípios, e é reconhecido na região sendo convidado frequentemente para eventos em colégios e apresentações, contudo, além dos bons e velhos tapinhas nas costas atestando a qualidade do trabalho, um projeto precisa de recursos para se manter. Em 2008, o professor Índio demonstrou potencial, e com um patrocínio de R$ 250,00,  deu aula para 70 alunos gratuitamente.

“Sinto falta de um apoio aqui em Lapão, poderia está em outro estado, cidade ou até fora do Brasil, meu mestre sempre me convida e tem muitos capoeiristas que se dão bem fora ensinando a arte. Quando trabalhei em Goiânia, fui super bem recebido, ganhava uma quantia boa e deixei vários alunos, mas tenho um carinho especial pela ideia de ter um grupo de capoeira aqui. Não sei como sobrevivo, apenas sei que as coisas acontecem, tenho muitas dificuldades, elas são grandes, mas não quero parar, sempre que vou para outros locais, volto, porque minha cabeça tá aqui, minha ambição é pouca, apenas quero prosseguir trabalhando para ajudar pessoas, fazer uma obra e continuar sendo o mestre Índio Brasil de Lapão”, desabafa Índio.

Galeria de fotos em: http://pmoraes.wordpress.com/2010/01/19/mestreindio/

Pedro Moraes
Jornalista (MTB/DRT-BA 2758)
peumoraes@yahoo.com.br
pedromoraes84@hotmail.com
http://pmoraes.wordpress.com
http://culturaerealidade.com.br
(71) 9953-5716 / (74) 9986-1719

Produção nacional “Besouro” estreia em cinema de Maringá

Produção nacional que conta a história do lendário capoeirista baiano ‘voador’ chega às telas da cidade; lutas de ‘Besouro’ são do mesmo coreógrafo de ‘Matrix’ e ‘Kill Bill’

Besouro pousou em Maringá e vai voar nas telas da cidade. O primeiro filme de artes marciais brasileiro – focado na capoeira – estreia na cidade quase um mês depois de sua badalada estreia nacional. E no primeiro final de semana nas telas de Maringá, “Besouro” terá, às 20h30, rodas de capoeira com o Grupo Muzenza na entrada do Circuito Cinemas do Shopping Cidade.

O longa, dirigido pelo estreante João Daniel Tikhamiroff, já havia feito história ao se tornar um fenômeno da internet antes mesmo do seu lançamento. O tra iler do filme foi visto por meio milhão de pessoas no You Tube.

Como os filmes de kung fu se tornaram uma referência e ajudaram a popularizar a arte marcial chinesa no mundo, “Besouro” tem as mesmas possibilidades. Como em muitos dos clássicos de kung fu, “Besouro” bebe na fonte de uma das lendas desta arte marcial brasileira e nas acrobacias e movimentos coreografados, muitos deles distantes da realidade.

Besouro (o guia de turismo e capoeirista baiano Aílton Carmo) foi um capoeirista baiano dos anos 20 e é uma lenda da capoeira. Ele, que dizem que podia até voar, utiliza sua habilidade na luta para combater a injustiça e a opressão no Recôncavo Baiano, numa luta contra coronéis e a exploração da mão-de-obra de ex-escravos.

Na trama, também há um triângulo amoroso entre Besouro, Quero-Quero (Anderson Santos) e Dinorah (Jéssica Barbosa).

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São Paulo: Pré-estréia do filme BESOURO NASCE UM HERÓI

Aconteceu, no dia 20 de Outubro de 2009, no cinema Kinoplex em São Paulo, o coquetel e a pré-estréia do filme BESOURO-NASCE UM HERÓI.

O evento contou com a participação especial da equipe de show RABO DE ARRAIA, que apresentou um verdadeiro show de capoeira e convidou os artistas Besouro (Ailton Carmo) e Quero-quero (Anderson Santos de Jesus)  a participarem da roda que foi embalada pelas palmas do público. Besouro já com o espírito da Capoeira que habita seu corpo, não queria mais sair da Roda,  porém a pedido de Dinorah foi reencaminhado para a seção de fotos e entrevistas com a imprensa.

A energia foi tanta que acabou por quebrar o piso de granito em um dos vários saltos mortais e movimentos dos atletas da Rabo de Arraia que pareciam voar em alguns momentos, era a força da Capoeira sendo mostrada com toda a sua vitalidade.

Como não podia faltar em uma grande pré-estréia, os mestres consagrados da capoeira Brasileira marcaram presença no evento entre os mais de 100 convidados da Rabodearraia e do Portal Capoeira, entre eles estavam Mestre Brasilia, Burguês, Pinatti, Gladson, Zumbi, Gege, Ze Antonio , Ponciano, Flavio Tucano, Meinha, Helinho, Pequeno, Valdir, Chocolate e muitos outros.

Logo após a exibição do filme podia  se notar nos rostos dos mestres e convidados a alegria imensa de ver nas telas uma das maiores produções envolvendo a Capoeira, a confraternização acontecia embalada ao Coquetel oferecido aos convidados marcando um momento impar para a capoeira, uma verdadeira confraternização de Profissionais que escreveram e escrevem a historia da Capoeira, todos juntos celebrando “Besouro”, em um momento mágico! Hoje com o enorme crescimento da Capoeira é muito difícil unir todos estes nomes em uma local devido a Agenda cotidiana cheia de compromissos destas personalidades, uma tarefa dificil mais não impossivel destas pra nos lembrarmos e carregarmos conosco para sempre!

E como tudo sempre na Capoeira acaba com capoeira o encerramento do Coquetel se deu ao som novamente de uma roda de capoeira improvisada no saguão do cinema tendo ate mesmo o diretor João Daniel Tikhomiroff e o Coronel Venâncio (Flavio Rocha), jogando Capeira com Besouro, Quero quero e os Mestres convidados.

A estréia oficial do filme aconteceu dia 30/10/2009 em todos os cinemas do Brasil.

Não percam a oportunidade de conhecer esta maravilhosa história.

Salve a CAPOEIRA!
Salve BESOURO!

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RESISTIR OU AVANÇAR?

A capoeira, desde o seu início no Brasil,  sempre representou um ponto de referência de um povo que trazia imensa bagagem cultural de sua terra natal. As circunstâncias adversas fizeram-no desenvolver estratégias para amenizar este contexto e garantir a sobrevivência, tendo em vista a situação de opressão em que viveu durante o jugo escravocrata.

Entendemos que a capoeira fez parte de um processo de resistência dos negros escravizados no Brasil e que esta dinâmica também se estendeu a diversas outras áreas da vida social, como na arte, na religião, nos folguedos na culinária, etc. Em outras palavras, era imperativo aos negros não apenas lutarem pela sua liberdade e preservarem suas vidas; era preciso também cultivar diversas faces de sua cultura ancestral para se contraporem à diáspora, à opressão e ao cativeiro em terras brasileiras. 

A capoeira vista como arte, luta, musicalidade ou lazer é parte da dinâmica cotidiana das manifestações afro-brasileira, pois ela surge de um conjunto de características pré-existentes nas culturas das comunidades africanas, como as danças, rituais, música, jogos, além de ser uma forma de fazer frente às injustiças e a violência social e física e, a partir da sua prática, criar novas formas de existência. 

Ela, juntamente com as demais manifestações afro-brasileiras, ajudou na construção de uma identidade para um povo que a todo o momento tinha muitas de suas expressões culturais reprimidas e depreciadas. O mesmo acontecia com seus preceitos religiosos, vistos por muitos, ainda hoje, como feitiçaria, bruxaria ou culto satânico. Assim, a prática da capoeira se confunde com a história da resistência dos negros escravizados no Brasil.

Resistência, porém, é uma palavra muito abrangente cujo sentido depende objetivamente do ponto de vista de quem a usa. Em referência à escravidão, os historiadores utilizaram o termo para denominar as atitudes dos escravos que tiveram o objetivo de fazer frente ao sistema opressor, que os transformava em vil mercadoria. 

De uma maneira geral, resistência quer dizer oposição, obstáculo ou disposição para suportar com firmeza e determinação o que lhe é imposto. A resistência se dá por um indivíduo ou grupo que visa sobreviver, não ceder, agüentar da melhor forma possível o sofrimento, as dificuldades, as imposições e tudo aquilo que não privilegia a autonomia da independência do ser humano. O termo, que adquire muitas conotações, também pode significar negação aos valores ou comportamentos impostos e preservar a vida em condições adversas de existência. 

Porém, o atributo fundamental do homem que resiste é a possibilidade de criar diversos caminhos e alternativas para desenvolver relações humanas que priorizem a busca da sua felicidade e a diminuição do sofrimento, através da união solidária com os demais membros do grupo. Neste sentido, a capoeira, o candomblé, a culinária e a musicalidade, historicamente, cumpriram o papel de preservar a identidade e manter uma unidade étnica frente a uma sociedade cujo sistema econômico oprimia todo um povo. 

Com base nestas colocações, aqui cabe um questionamento sobre a adequação do uso do termo resistência em relação à capoeira, nos dias de hoje. A capoeira é um símbolo brasileiro que está presente e aceito em todas as partes do mundo, que atinge todas as camadas sociais, todas as faixas etárias e gêneros, que é livre para acontecer nas ruas, praças, escolas, hotéis, universidades e academias. Logo, pergunto, quem se opõe a ela? A capoeira resiste a que? 

Afirmo, então, que a capoeira teve um passado de resistência e tem um presente que representa a vanguarda na conquista de espaços sociais. Penso que a sua prática está muito mais avançada do que o discurso que se faz em seu nome, sobre suas necessidades e desafios. Este discurso, anacrônico em sua essência, ainda fala em resistência, enquanto a prática da capoeira, muito mais além, já está alcançando o seu lugar ao sol em todo o mundo. Ao pensar assim, elaboro alguns questionamentos:

  • Até quando existirá a retórica de resistir e não, progredir, avançar, marcar presença, ampliar seu raio de ação?
  • Para que serve à capoeira falar em resistência?
  • Em que isto melhora a prática desta arte?
  • A quem interessa este discurso, vazio em significados, sem sintonia com a prática e com a realidade? Certamente não à capoeira.

Embora falando de coisas diferentes, quero estabelecer uma comparação entre a capoeira e o esporte. Sou professor de Educação Física e durante toda a minha vida ouvi falar que o esporte afasta o jovem das drogas, que o esporte educa, que o esporte é bom… Porém, eu digo que a atividade esportiva não é boa nem é má; o esporte é o esporte. Quem faz o diferencial é o professor. Ele sim é que pode ser um mau ou um bom professor, afastar os jovens das drogas, educar, dar uma nova perspectiva de vida usando o esporte como instrumento de mudança e educação.

Acredito que com a capoeira aconteça assim também: a capoeira é a capoeira, não é boa nem má. Quem faz o diferencial, quem educa, quem dá novas chances e oportunidades de vida são os mestres e professores desta arte. A capoeira é um instrumento valioso, de grande potencial nas mãos destes homens e mulheres porque carrega dentro de si diversas possibilidades de arte, música, canto, lazer, e luta, dentre outras. A prática é o meio para a assimilação de idéias, de conceitos e discursos, daí a importância do comprometimento de quem ensina.

Quero ver a capoeira sempre ampliando seus horizontes. Como professor, gostaria de ver a capoeira oferecida nas escolas públicas e particulares, a partir do ensino fundamental e ensinada por quem sabe, por quem carrega a herança ancestral, pelos detentores legítimos do conhecimento que falam em vadiação, amizade, respeito. Acredito na capoeira lúdica, não na perspectiva do espetáculo, da capoeira luta, mas não agressiva, da capoeira companheira, não da falta de respeito ao próximo que lhe empresta seu corpo na roda para que com ele possa aprender, como infelizmente ainda acontece.

Quem faz a diferença na vida de uma pessoa, orienta, educa, afasta das drogas e da violência, são pessoas como o Mestre Curió e tantos outros nomes da velha guarda e da nova geração independente estilos e de gênero.

Quero concluir esta fala deixando um questionamento para reflexão: Resistir ou avançar?

Fidelidade às raízes negras em “Besouro Cordão-de-Ouro”

Sucesso no Rio, sucesso em Curitiba, a montagem que trás o lendário Personagem de "Besouro Cordão-de-Ouro" conquista e agrada por onde passa…
É a magia do universo da Capoeira!!!
 
Luciano Milani
Fidelidade às raízes negras em "Besouro Cordão-de-Ouro"
por GISELE ROSSI – GAZETA DO POVO ONLINE
O musical “Besouro Cordão-de-Ouro” encerrou sua participação no 16º Festival de Teatro de Curitiba (FTC), deixando saudades. No início da última sessão, na noite de domingo (25), quem estava dentro da Casa Vermelha, pôde ouvir os gritos de “Queremos assistir! Queremos assistir!”, das pessoas que ficaram de fora, porque não conseguiram a entrada para assistir ao espetáculo. Os ingressos, para a pequena temporada, se esgotaram antes do início do Festival. Quem garantiu a entrada, passou por uma vivência interessante, de reconhecimento da cultura negra no Brasil.  Ricardo Sodré/JLM Produções 
    
A música “Lapinha”, que possui um refrão de autoria de Besouro (personagem que inspirou a montagem), “Quando eu morrer/Não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela”, é o ponto de partida para o musical, escrito e concebido por Paulo César Pinheiro, compositor de “Lapinha”, em parceria com Baden Powell, entre outras músicas. A canção ganhou novos versos para o espetáculo. Ao todo o musical apresenta dez canções, cantadas ao toque do berimbau e que apresentam nas letras, um pouco da história de Besouro e da vida dos negros no Brasil. As músicas são cantadas resgatando os seguintes toques do berimbau: Jogo de Dentro, Jogo de Fora, São Bento, Angola, Cavalaria, Benquela, Barravento, Iúna, Samango, Santa Maria e Besouro. Assim os cantos, que pareciam de uma tradicional roda de capoeira, ganharam ares de uma primorosa MPB.
 
A experimentação na ambientação também apresentou um resultado positivo. Ao entrar no ambiente a impressão é de que íamos assistir uma roda de capoeira no Barracão do Waldemar, endereço famoso de Salvador (BA), na década de 1950, onde aconteciam rodas de capoeira. Mas logo se descobriu que a peça começava com um velório e após alguns minutos o público foi convidado a entrar em outro ambiente, que lembrava uma senzala, onde as pessoas se acomodaram em cadeiras, almofadas e cestos. Visualmente, o espetáculo apresentou um cenário simples e monocromático, como era a vida dos negros recém-libertos, no início do século 20. Os atores, espalhados pelo espaço, iam relatando a vida do valente capoeirista, através da música e das histórias que ficaram conhecidas e chegaram até os dias de hoje apenas pelo boca-a-boca, das pessoas que o conheceram ou ouviram falar de Besouro Preto. No fim, o público foi convidado à participar da roda de capoeira.
 
Foi uma experiência bacana e fiel ao que se fala do famoso personagem. Destaca-se a direção de João das Neves, que estava na cidade junto com a equipe da peça. Diretor de teatro consagrado, que trabalhou com o grupo Opinião, na década de 1960; dirigiu shows de artistas como Chico Buarque, Milton Nascimento, Baden Powell; realizou a Missa dos Quilombo, no Rio de Janeiro em 1988, e também dirigiu o Tributo a Chico Mendes com o Grupo Poronga, no Acre, entre outras atividades, Neves levou o público a passear pelo espaço até chegar à roda da capoeira, onde tudo se passa, deixando o espetáculo leve e agradável. Junto com Pinheiro, apresentaram a figura humanizada de um homem que era tido como desordeiro, mas que na verdade usava de sua valentia para se defender, e apesar da fama de mal era uma boa pessoa.
 

Hoje não quero falar…

Ladainha…
 
Hoje não quero falar de racismo sexista, não quero articular debates, não quero ver nenhuma legislação, não quero o drama cotidiano da discriminação, não quero falar dos véus negros das mulheres muçulmanas nem das tristezas femininas do Sudão, muito menos do choro das
circuncisadas da Guiné Bissau e nem do ácido jogado no rosto de centenas de paquistanesas.
 
Hoje, mas só hoje, não vou falar do turismo sexual que explora e mata o amor no coração de meninas moças brasileiras.
Só para termos um dia legal, hoje eu não vou falar das jovens armadas no Iraque e nem das escravas violentadas nas colônias européias, nem das pobres e faveladas mendigando dignidade.
 
Hoje eu não quero lembrar “o porquê” foi criado o Dia Internacional da Mulher, das 129 operárias queimadas vivas em Nova Iorque ou do estopim da Revolução Russa liderado por tecelãs e costureiras em Petrogrado.
Só hoje prometo não falar das grávidas expulsas de casa, nem das estupradas, espancadas e torturadas.
 
Apenas por algumas horas eu não falarei da trágica invisibilidade das mulheres no passado.
Hoje eu vou contar vitórias como as de Teresa de Benguela, Dandara, Rosa do Palmeirão, Luísa Mahin, Beatriz Beata de Nhançã, Fogareiro, Patrimônio, Janja, Selma, Edna, Cigana, Mulheres, mulheres, mulheres, Marias, Claudias, Sarahs, Morganas e Janaínas, Mulheres…Cristinas, Natálias, Lilians, Mulheres…
 
Nossas conquistas de pernas pro ar, mas só hoje eu não quero lembrar o quanto nos custou dirigir uma Roda de Capoeira.
Maíra Hora

Roda Capoeira

Roda Capoeira, Ginga pernada e rasteira

O que fizeram da capoeira?
Zum zum zum
Zum zum zum
Eu não tenho cordão nenhum
Capoeira não se aprende mais na rua
Depois que virou mercadoria
Só se aprende na academia
Cadê o negro que pula
Cadê negro que canta
Negro cadê você?
Estão trocando o berimbau pelo Cd
Ai ai AidÊ Joga bonito que eu quero aprende
Mas quero aprender na rua
Com as coisas que estão na vida
Por isso mexo nessa ferida
E agora e que eu quero ver
Cadê a dança do povo
A luta de libertação
Cadê a ginga bonita
Me diga onde ficou?
Mudaram o jeito de corpo
Fazendo do capoeira
Um mero consumidor
Vou dizer a meu senhor Que a manteiga derramou
E derramou manchando jogo de rua
Da dança do povo fagueiro
E em troca de dinheiro se joga de Sapatilha
Não e mais o jogo da família O jogo da troca de olhar
Da arte e da malícia Que já foi caso de policia
E hoje se perde no tempo
Mas acho que ainda há tempo
De poder recuperar
É só esquecer a elite
E deixar que o branco imite
O jeito do negro jogar
Adeus adeus Boa viagem
Que me conteste Quem tiver coragem

Antonio Luiz Ferreira Bahia


Professor da UFEBA, Faculdade Jorge Amado , UNINE, Mestrando em educação pela UFEBA

Mestra Cigana: “Feliz Natal de Luz a todos!”

Quero falar do real significado deste momento de amor, compaixão e paz.

Vou escolher meus presentes de maneira diferente.

Vou lembrar de todas as pessoas que um dia já passaram pela minha vida e mandarei a elas uma mensagem com meu profundo amor.

Lembrarei a todos do poder real que temos. Poder de escolher, de criar, de manifestar nossa divindade. O primeiro é de fazer parte de um enorme grupo e circundar o mundo num abraço de Luz, envolvendo a todos indistintamente numa energia vibrante, brilhante, que carregará afeto e alegria verdadeiras a todos nossos irmãos e irmãs, sobretudo aos que estiverem sozinhos, cansados e deprimidos.

Ninguém estará ou se sentirá sozinho se conseguir se conectar com esta Luz que irá emanar dos corações de tantos e tantos seres humanos despertos, abertos e cada vez mais conscientes da Unidade, do Amor Incondicional e da urgente necessidade de paz. Paz em todos os corações, a começar pelo nosso, que poderá estar mais capaz – dia após dia, de romper barreiras, de gerar tréguas cada vez mais longas e por todo lado, a começar pelo nosso núcleo familiar e de relacionamentos, se espalhando como semente poderosa por toda a Terra.

Este ano quero convidar a todos a fazerem este pensamento de amor. Mesmo que seja por apenas alguns minutos. Façam com intenção, lembrando sempre que o amor que mandamos aos outros, enche primeiro o nosso coração!

Que neste Natal nossos presentes sejam para a Alma.

Que se multipliquem ao infinito os abraços, os sorrisos, os perdões, os carinhos, os beijos, enfim, todos os gestos de boa vontade e que este abraço de Luz se torne a grande e verdadeira corrente do bem.

Que possamos lembrar de manter esta conexão de Luz a cada dia, com clareza e perseverança. Com ardor e humildade. Que façamos desta aliança na Luz nossa sintonia constante, para que o Natal se torne presente permanente em nós e à nossa volta, se manifestando em todos os corações todos os dias de nossa vida.

Feliz Natal de Luz a todos!

Mestra Cigana, iê!

As músicas vencedoras do Festival de Cantigas Capoeira pela Paz

 
ID
Músicas
Festival de Cantigas Capoeira pela Paz
MÉDIAS
Conteúdo – Mensagem
Carater Poético – Contemporaniedade
Publíco
Final
!!!!!
014
Aqui você não vai Jogar
6,33
6,33
5,83
5,67
0,00
6,04
011
O Grito do Capoeira
5,83
6,00
5,83
5,83
0,25
5,94
019
na roda só amizade
5,83
5,50
5,00
4,67
1,00
5,50
016
Capoeira vem jogar
5,67
6,00
5,17
5,00
0,00
5,46
006
não não não não, violência e drogas sempre diga não
5,67
5,83
5,17
4,83
0,25
5,44

 
Aqui você não vai jogar
Por (Monitor Atrazado)
Ritmo:


Que mania é essa de maldade
De alguém que não tem respeito
Sai arranjando confusão
Dizendo que não tem medo
Qualquer dia meu amigo
Você acaba se dando mal
Não poderá entrar na roda
Onde houver berimbau
De que vale tudo isso
Se não será respeitado
Seja calmo e tranqüilo
Que um dia será lembrado
Faça como o grande mestre
Que foi um poço de humildade
Eu falo do mestre Pastinha
Que aqui deixou saudades.
 
A brincadeira vai rolar
Não quero ver você brigar
 
Eu jogo aqui eu jogo lá
Sempre procuro respeitar
 
Coro
 
Sou amigo de todo mundo
Em todas as rodas eu posso entrar
 
Coro
 
Você que se diz valentão
Aqui você não vai jogar
 
Coro
 
Você só arranja confusão
Aqui todo mundo é da paz
O grito do Capoeira     
Por Luciano Milani e Alunos da Capoeira Mogadouro
Ritmo: Angola mais acelerada (Corrido)


 
E e e e e …… eu quero Paz e União…
E e e e e …… com amor no coração…
 
Para rico ou para o pobre… para qualquer cidadão
No jogo da capoeira, companheirismo meu irmão
 
E e e e e …… eu quero Paz e União…
E e e e e …… com amor no coração…
 
Quando olho para a rua, de noite na escuridão
Camarada eu só vejo: Violência e agressão
 
E e e e e …… eu quero Paz e União…
E e e e e …… com amor no coração…
 
De repente vejo a lua com todo seu esplendor
Penso logo em São Jorge, sinto paz e sinto amor
 
E e e e e …… eu quero Paz e União…
E e e e e …… com amor no coração…
 
Então olho com mais calma e vejo tudo em seu lugar
Vejo a Lua e as Estrelas, refletidas pelo mar
 
E e e e e …… eu quero Paz e União…
E e e e e …… com amor no coração…
 
Quando vejo as crianças e o futuro em suas mãos
Carinho , comida, escola esta é a solução
 
E e e e e …… eu quero Paz e União…
E e e e e …… com amor no coração…
 
Na roda de capoeira, Ijexá e Oração
Berimbau e atabaque, ritmo do coração
 
E e e e e …… eu quero Paz e União…
E e e e e …… com amor no coração…
 
Quando Jogo capoeira quando canto esta canção
No pé do meu berimbau faço esta louvação
 
E e e e e …… eu quero Paz e União…
E e e e e …… com amor no coração…
 
Seja noite ou seja dia, na cidade ou no sertão
O capoeira grita alto… Pede Paz e União!!
Na roda só amizade     
Por lee capoeira
Ritmo: angola ( ladainha )


 
pra que tanta violência?
pra que tanta violência?
o que é isso camará?
capoeira tem cadência
não bata pra machucar
não destrua sua essência
com seu jeito de jogar
capoeira é uma criança
começou ha engatinhar
um passo devagarinho
e aprendeu a caminhar
hoje anda pelo mundo
esta em todo lugar
 
o segredo dessa luta, ai meu deus
não tá em saber bater
nem tambem na violencia
que você aprendeu fazer
tá em sua agilidade, ai ai ai
na sua força interior
na destreza e na beleza
de quem é um jogador
jogador de capoeira
não seja tão violento
desenvolva a capoeira
mostre aqui o seu talento
jogue um jogo maneiro
não, não jogue sua maldade
viva a PAZ e não a guerra
acabe a rivalidade
leve a PAZ ao mundo inteiro
e na roda…só amizade, camaradinha…!
 
iê viva capoeira/ iê viva a capoeira camará
ela é mandingueira/ iê é mandingueira camará
iê viva meu mestre/ iê viva meu mestre camará
iê que mim ensinou/ iê que mim ensinou camará
Capoeira vem jogar     
Por Lampanche e Renata
Ritmo: Benguela


 
Capoeira vem jogar
Vem soltar a sua mandiga
vem esquecer essa besteira….
De partir sempre pra briga
 
Capoeira vem jogar
Com muito amor no coração
Vem mostrar pra essa gente
Que violência não é solução
 
Capoeira vem jogar….
 
coro
 
Capoeira é luta nossa
Que veio nos presentear,
Com toda sua mágia
Que nasceu pra libertar
 
Capoeira vem jogar….
 
coro
 
Capoeira vem jogar,
Vem passar sua emoção
Vem espalhar a paz na roda
Para todos os seus irmãos
 
Capoeira vem jogar…..
 
coro
 
Vamos jogar capoeira,
Essa arte brasileira
Simbolizando a paz
Num gesto de brincadeira
 
Capoeira vem jogar … 
Não Não, Não Não, violência e droga sempre diga não     
Por Cleo dos Santos Garcia
Ritmo:


 
O capoeira quando canta
Ele canta em harmonia
Sempre levando suas mensagens
Que vale pro dia a dia
Cada dia é uma historia
Cada historia é um dia
Quando me lembro de violência e droga
Da-me muita agonia
A agonia de saber
Que a humanidade esta se acabando
Praticando a violência e as drogas as usando
Pois aqui deixo meu recado
Para toda uma nação
Vamos gritar bem alto
Droga e violência sempre digam não
 
Coro: não não, não não
 
Capoeira me ensinou a dizer drogas não
 
Coro: não não, não não
 
A violência pra mim esta guardada a sete palmo do chão
 
Couro: não não, não não
 
Eu quero é só amor e confraternização
 
Coro: não não, não não
 
Por isso meu povo violência e drogas sempre digam não
 
Coro: não não, não não
 
Com isso camaradas
Se afaste das drogas
Pois ela derruba
O difícil depois é levantar do chão
 
Coro: não não, não não
 
Pois cultive a paz
E também harmonia
Isso é só alegria
No cotidiano de toda população
 
Coro: não não, não não
 
Oi quando oferecerem a tal de droga
Espalme sua mão e diga não
 
Coro: não não, não não
 
Fica minha mensagem para todo mundo
Que tem amor no coração
 
Coro: não não, não não

A BUSCA

Na força e na garra, descubro minha força interior.
Busco a paz, a luz, a glória, a auto-estima a valorização da CAPOEIRA.
Não quero a perfeição, pois a luta é constante! É diária…
 
Busco a paz, a camaradagem, não a competição.
Na roda da vida, não é difícil perceber que nos atropeços da vida, sempre um novo dia renasce para que os passos dados na escada da vida sejam sempre renovados, recomeçados, continuados…
 
Diante de tantos enganos e desenganos, não quero me esconder atrás dos erros dos meus camaradas, não pretendo ser mais um covarde, diante do meu próprio mundo, em que muitas vezes, prevalecem aqueles que são bons de porrada. Não é isso que busco! Busco a paz, o entendimento, a união e principalmente a sua amizade, camarada!
 
Quero poder compartilhar com todos a magia iluminada da capoeira. Não a perfeição, muito menos a competição, pois a sabedoria desta arte vai mais além do que simples mesquinharias. Luto sim, contra o egoísmo de muitos que só se vangloriam e esquecem que precisamos nos unir em prol daquilo que acreditamos.
 
A capoeira não precisa de elogios, precisa sim, de pessoas determinadas que sonhe, trabalhe, caminhe, defenda-a e acima de tudo que acredite em seu potencial/objetivo. Luto por tudo que acredito e a capoeira é o elo da minha razão com a satisfação de fazer parte dela.
 
Meus camaradas, desejo a todos a paz no coração e que só com a união e o diálogo é que evoluiremos.

Mestre Gilvan