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Mutirão de jovens quilombolas encerra primeiro ciclo de oficinas do Ponto de Cultura

No final de semana dos dias 5 e 6 de junho, crianças e adolescentes das comunidades quilombolas de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima, no município de Eldorado, participaram de mutirão para pintar o salão comunitário. Depois assistiram ao filme Avatar e tiveram aula sobre instrumentos musicais utilizados na capoeira

Alunos do curso de capoeira dos quilombos de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima se reuniram para pintar o salão comunitário de Pedro Cubas de Cima encerrando o primeiro ciclo de oficinas iniciadas em abril e maio sobre o Brasil Colônia, o trabalho escravo e o surgimento dos quilombos. Eles desenharam no piso do salão as marcações para a roda de capoeira. Mais de 30 pessoas, que participam do projeto ajudaram nas atividades.

No sábado, depois de um dia árduo de trabalho, mesclado com brincadeiras, cerca de 100 pessoas da comunidade se reuniram à noite para assistir ao filme Avatar, do diretor James Cameron, em sessão promovida pela equipe técnica do projeto do Ponto de Cultura.

No dia seguinte, o grupo de alunos assistiu a uma aula sobre instrumentos musicais relacionados com a capoeira tais como: berimbau, atabaque, caxixi, agogô, reco-reco e pandeiro. A atividade foi coordenada pelo instrutor Leleco, da Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Nossa Senhora da Guia, de Eldorado/SP. Em seguida, foram agendadas as próximas oficinas com o grupo, que acontecerão em junho e julho.

A dinâmica das oficinas

Atividades lúdicas, recreativas e psicomotoras fazem parte da dinâmica das oficinas realizadas pelo projeto. Os grupos foram divididos por faixa etária e realizaram atividades para estabelecer o que é trabalhar em grupo, e promover a sociabilização entre eles. Por meio de recreação e vídeos eles ouviram um pouco sobre a história do Brasil Colônia, a chegada dos negros e o início da maltas – grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX, compostas principalmente por negros e mulatos , que aterrorizavam a sociedade carioca. Alguns brancos também, faziam parte das maltas.Os técnicos do projeto elaboraram também uma apostila com conteúdo histórico da capoeira e as músicas, mestres, movimentos e ritmos.

Ao final, os participantes fizeram um relato escrito sobre a visão que tinham de suas comunidades. O objetivo foi fortalecer a identidade quilombola por meio da compreensão de sua história e cultura.

Em um desses relatos, um menino de nove anos escreveu: “O Pedro Cubas tem mais de 350 anos e eu moro aqui mais de 9 anos e meio e nunca vi nenhuma criança manter a nossa cultura ou se interessar. Nós crianças não fazemos isto, mas o meu pai, por exemplo vai todo ano para São Paulo cantar e tocar …”

O projeto do Ponto de Cultura é apoiado pela Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo e pretende contribuir para a consolidação de experiências e processos culturais, voltados à integração de jovens e adolescentes nas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. Faz parte da estratégia de trabalho adotada pelo ISA em conjunto com as comunidades, de identificação, promoção e valorização dos bens da cultura material e imaterial quilombola do Vale do Ribeira. Vem de encontro à demanda apontada por 14 comunidades quilombolas, do envolvimento dos jovens com a cultura, contida na Agenda socioambiental Quilombola em 2006/2008, elaborada pelas comunidades em conjunto com o ISA. A estratégia para atender a demanda é realizar o levantamento cultural e ao mesmo tempo promover ações práticas de uma manifestação cultural de interesse dos jovens, como é o caso da capoeira.

 

Fonte: http://www.socioambiental.org/

FSM aborda impactos e disputas no território quilombola

“A política para os negros no Brasil e no mundo e os impactos causados no território quilombola” foi o tema de uma palestra ontem (29), na Universidade Rural do Pará (UFRA). A atividade reuniu entidades negras de todo o país, como a Associação das comunidades negras rurais quilombolas do Maranhão (Aconeruc-MA) e o Quilombo de Jambuaçú, do município paraense de Mojú.

Durante o evento o professor Kabemgele Munanga, que nasceu na República Democrática do Congo e que há 35 anos vive no Brasil e ministra as disciplinas de Antropologia e Relações Raciais na Universidade de São Paulo falou sobre a demarcação do território quilombola e das leis que legitimam a posse dessas terras, ressaltando que a questão é polêmica.

“Entre a lei e o cumprimento existe um abismo, apesar de em alguns estados as famílias já terem a titulação. Mas, existem cerca de 2000 comunidades quilombolas no Brasil e menos de 10% tem o registro das terras. Ter o registro da terra não resolve muita coisa porque faltam escolas, saneamento básico, energia elétrica e muitos já foram expulsos por falsos donos e vivem sob ameaças de empresários”, conta.

De acordo com Benedito Cunha, coordenador da Aconeruc-MA, nos anos 80 o governo federal desapropriou do município de Alcântara terras de 300 famílias de 10 comunidades, para a implantação de um centro espacial. Atualmente, existem 22 mil habitantes distribuídos em 162 comunidades quilombolas nas imediações do centro, que lutam para receberem o título das terras, já que existe o projeto para a construção de uma base para lançamentos de foguetes no local.

Benedito Cunha, Coordenador da Aconeruc, falou sobre a luta pelas terras das comunidades quilombolas do Maranhão:

“Várias famílias foram deslocadas para propriedades menores e inférteis e sem terem emprego tiveram que ir para a capital morar em bairros periféricos. Interditamos as obras da base, tirando as máquinas e o Incra já fez o levantamento e nos deu a possa das terras, mas nosso medo é que tenhamos que sair por causa dos impactos, já que o centro fica praticamente nos nossos quintais”, esclarece.

Benedito Cunha ressalta ainda que “a empresa responsável pelas obras da base culpa as comunidades quilombolas, dizendo que elas atrasam o desenvolvimento do país”. “O Roberto Amaral, que é dono da empresa binacional ACS, que surgiu por causa de uma acordo firmado entre o Brasil e a Ucrânia tem espaço na mídia para dizer que somos culpados pelo atraso nas obras, mas queremos apenas nossos direitos”, destaca.
 
 
Texto e Fotos: Emanuelle Oliveira
Jornalista e integrante da Cojira-AL

Fonte:  www.cojira-al.blogspot.com

Quilombolas entram na pauta do Fórum Social Mundial 2009

Fundação Cultural Palmares participa de oficina sobre Programa Brasil Quilombola

Os Quilombolas serão assunto de discussão e reflexão no Fórum Social Mundial (FSM) 2009, que começa nesta terça-feira (27), em Belém, PA. O presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, vai participar da mesa-redonda que reúne dez debatedores sobre o Programa Brasil Quilombola e a Agenda Social Quilombola no dia 30 de janeiro, às 13h30, no Espaço Cultura e Saúde.

 

A mesa faz parte de uma oficina que visa promover o debate sobre as políticas públicas de promoção da igualdade racial e também pretende promover a troca de experiências e a visibilidade do Programa Brasil Quilombola, instituído pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

 

Vão participar da oficina lideranças quilombolas do Pará, dez representantes de comitês gestores do Programa Brasil Quilombola em outros estados, comunidades quilombolas em geral, militantes do Movimento Social Negro, representantes dos movimentos sociais, pesquisadores e simpatizantes da temática e gestores públicos. A oficina é aberta ao público em geral.

 

A oficina inicia-se no turno da tarde. A segunda etapa vai ser destinada aos encaminhamentos, que vão ser sistematizados em um painel final. Também está programada para as 9h da manhã uma roda de debates com a presença dos parceiros colaboradores e patrocinadores do Espaço Cultura e Saúde, entre eles a Seppir, com a participação do intelectual e sociólogo da Universidade de Coimbra Boaventura de Sousa Santos.

 

Os eixos temáticos norteadores são: Eixo I – Acesso à Terra, a produção da Riqueza e a Reprodução Social, Eixo II – Infra-Estrutura e Qualidade de Vida, acesso às Riquezas e a Sustentabilidade, Eixo III – Inclusão Produtiva e Desenvolvimento Local, a partir da perspectiva da afirmação da Sociedade Civil e dos Espaços Públicos e Eixo IV: Direito e Cidadania, Poder Político e Ética na Nova Sociedade. Tais temas vão conduzir as reflexões em torno do contexto do Programa Brasil Quilombola na atualidade e a otimização da Agenda Social Quilombola enquanto política pública.

 

Programa Brasil Quilombola – Foi criado em 2004 pelo governo federal, por meio da Seppir, como uma política de Estado para as áreas remanescentes de quilombos. O programa mantém uma interlocução permanente com os entes federativos e as representações dos órgãos federais nos estados, no intuito de descentralizar e agilizar as respostas do governo para as comunidades quilombolas.  As áreas de atuação do programa envolvem a terra, a promoção da igualdade racial, a segurança alimentar, o desenvolvimento e assistência social, a saúde, a infra-estrutura, a geração de renda, o gênero, os direitos humanos, o meio ambiente, os esportes e a previdência social.

 

Fórum Social Mundial – É um espaço aberto de encontro, que estimula de forma descentralizada o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mais solidário, democrático e justo. Este ano, Belém do Pará sedia o FSM. As três primeiras edições do FSM, bem como a quinta edição, aconteceram em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (Brasil), em 2001, 2002, 2003 e 2005. Em 2004, o evento mundial foi realizado pela primeira vez fora do Brasil, na Índia. Em 2006, sempre em expansão, o FSM aconteceu de maneira descentralizada em países de três continentes: Mali (África), Paquistão (Ásia) e Venezuela (Américas). Em 2007, voltou a acontecer de maneira central no Quênia (África).

 

Programação:

 

 

 

Manhã

Composição

Temática

 

9h

 

Roda de Debate:

Dr. Boaventura de Sousa Santos;

Min. Edson Santos;

Min. Da Saúde;

Min. Da Educação;

Representante Movimentos Sociais;

Conselho Nacional de Saúde, etc.

 

 

  • Saúde, Cultura e Democracia;

 

 

Tarde

Composição

Temática

13h30

 

Atividade Cultural

 

Mesa:

Problematização/sensibilização

 

Presidente Zulu Araújo – Fundação Palmares;

– Paulo Paim – Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal;

– Sra. Josefa Maria da Silva santos (Zefa da Guia) – Quilombola Parteira;

– Mãe Flávia da Casa do Perdão (RJ);

– Representante da CONAQ;

– Representante da CONEN;

– Representante da UNEGRO;

– Sr. Onir Araújo – Advogado OAB/militante do MNU;

 

Coordenadores: Sr. Alexandro Reis – Subsecretário SUBCOM & Sra. Ivonete Carvalho – Diretora de Projetos SUBCOM

 

·      O Programa Brasil Quilombola e a conjuntura Nacional;

 

 

 

·      A Agenda Social Quilombola, possibilidades, avanços e desafios.

 

16hs

Debate

Debate

18h

Definição de prioridades e encaminhamentos

Sistematização do material gerado através das discussões das mesas e debates;

 

Assessoria de Comunicação
Inês Ulhôa – assessora de imprensa (9966-8898) ines.ulhoa@palmares.gov.br
Jacqueline Freitas – jacqueline.freitas@palmares.gov.br
Marília Matias de Oliveira – marilia.oliveira@palmares.gov.br
Marcus Bennett – marcus.bennett@palmares.gov.br
Telefones: (61) 3424-0165/0166    Fax: (61) 3424-0164
wwww.palmares.gov.br

Projeto que usa capoeira como meio de inclusão social é lançado em Brasília

Aliar valores do esporte como disciplina e espírito coletivo à cidadania e ao desenvolvimento humano é a idéia do projeto Ginga Brasil, lançado hoje pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).
 
O projeto, desenvolvido em parceria com a Confederação Brasileira de Capoeira, também tem como meta aproximar esse esporte das crianças e adolescentes que moram em comunidades quilombolas e nas periferias das cidades brasileiras.
 
Para o professor de capoeira Hugo Rocha, essa é uma forma de desenvolver o caráter do jovem, além de promover a cultura brasileira. “A capoeira é uma ferramenta de integração cultural das mais diversas raças do povo brasileiro”.
 
Além do Ginga Brasil, acordos para o lançamento de mais três projetos foram assinados em uma cerimônia que marcou os quatro anos de existência da Seppir. O objetivo é garantir recursos para o desenvolvimento sustentável e a geração de renda nas comunidades remanescentes de quilombos. Integram os projetos empresas, entidades sociais e ministérios.
 
O Energia Quilombola, desenvolvido em parceria com a Eletrobrás, é um deles. A ação prevê, na primeira fase, o incentivo à criação de aves na Bahia, o estímulo ao artesanato e à agricultura em Minas Gerais e a construção de usinas de beneficiamento de arroz no Maranhão.
 
Durante a ministra Matilde Ribeiro disse que, para os próximos anos, a Seppir pretende continuar e ampliar os programas iniciados. “Nós temos ações com quase todos os ministérios, com governos estaduais e municipais. Acho que o presidente Lula acertou em criar a secretaria em 2003, e agora ela tem que ser fortalecida”.
 
Ainda nesta quarta-feira, a comunidade quilombola Mel da Pedreira recebeu o título de propriedade de terra. A área fica no município de Macabá (AP).
 
Agência Brasil

II ENCONTRO CULTURAL DO BAIRRO DA ENGOMADEIRA

 29 de Maio (domingo) em Salvador 
 
Tema:

"Autogestão e Sustentabilidade – uma perspectiva quilombola para o século XXI"

O Encontro ocorrerá no COMOBE (Conselho de Moradores do Bairro da Engomadeira), localizado ao lado do posto municipal de saúde na Rua Direta da Engomadeira (a rua faz esquina com a UNEB). O Encontro, organizado de forma independente pelo coletivo Quilombo Cabula, visa fazer uma discussão e um resgate das histórias de resistências quilombolas, tecendo um paralelo entre as comunidades atuais de periferia com as noções de autogestão e sustentabilidade.

O objetivo final do Encontro é o fortalecimento dos laços comunitários e a criação de uma agenda local de a(tua)ção para reconquista da gestão solidária da comunidade por seus próprios moradores!

A participação é livre!

ATIVIDADES

08:00h
ABERTURA – Apresentação do Projeto Comunitário Quilombo Cabula

08:30h
PALESTRA – Projetos Autogeridos e Sustentáveis – Uma Ótica Quilombola

09:00h
VÍDEO – “Quilombos da Bahia”

DEBATE – O que eram os Quilombos?

VÍDEO – “Notícias de uma Guerra Particular”

DEBATE – O Espírito Quilombola no Século XXI

PLENÁRIA – Ações e Perspectivas de Autogestão Local (Criação de Agenda do Bairro)

13:30h
FEIJOADA DA SENZALA – Saco vazio num pára em pé, com farinha e pimenta se quisé!

INTERVENÇÃO ARTÍSTICA – Palhaços em Cena

APRESENTAÇÃO – Grupo de Dança Afro da Engomadeira

15:00h
POR UMA OUTRA FESTA POPULAR – Banda Arca do Axé (ACCEN)

ARTE DA PERIFERIA – Atitude Breack na rua e Graffiteiros nos muros

16:00h
RODA – Grupo de Capoeira Regional – Mestre Azulão

17:00h
RODA – Grupo de Capoeira Angola Cabula – Mestre Barba Branca

18:00h
ÍNDIOS NA RUA – Bloco Popular Carnavalesco Flecha Verde