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Jongo

Jongo: Os negros montam uma fogueira e iluminam o terreiro com tochas.

Do outro lado, armam uma barraca de bambu para os pagodes, um arrasta-pé onde os casais dançam o calango ao som da sanfona de oito baixos e pandeiro.

À meia-noite, a negra mais idosa e responsável pelo jongo interrompe o baile, sai da barraca e caminha para o terreiro de “terra batida”. É hora de acender a fogueira e formar a roda. As fagulhas da fogueira sobem pro céu e se misturam com as estrelas. Ela se benze nos tambores sagrados, pedindo licença aos pretos-velhos – antigos jongueiros que já morreram – para iniciar o jongo.

Improvisa um verso e canta o primeiro ponto de abertura. Todos respondem cantando alto e batendo palmas com grande animação. O baticum dos tambores é violento. O primeiro casal se dirige para o centro da roda. Começa a dança.

Durante a madrugada, os participantes assam na fogueira batata-doce, milho e amendoim. Alguns fumam cachimbo, tomam cachaça, café ou caldo de cana quente para se esquentar.

O jongo é muito animado e vai até o sol raiar, quando todos cantam para saudar o amanhecer ou “saravá a barra do dia”.

Dança-se o jongo no dia 13 de maio, consagrado aos pretos-velhos, nos dias de santos católicos de devoção da comunidade, nas festas juninas, nos casamentos e, mais recentemente, em apresentações públicas.

Os jongueiros dançam muitas vezes descalços, vestindo as roupas comuns do dia-a-dia.

O jongo é uma dança de roda e de umbigada. Um casal de cada vez dirige-se para o centro da roda girando em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. De vez em quando, aproximam-se e fazem a menção de uma umbigada. A umbigada no jongo é de longe.

Logo um outro entra roda, pedindo licença: “Dá uma beirada cumpadre!” ou “Bota fora ioiô!” Os casais, um de cada vez, vão se revezando até de manhã numa disputa de força, ginga e agilidade.

Durante a dança, o casal trava uma comunicação pelo olhar, que vai determinando o deslocamento pela roda e o momento da umbigada.
No jongo da Serrinha, existe um passo que se chama “tabiá”, uma pisada forte com o pé direito.

O jongo é dançado ao som de dois tambores, um grave (caxambu ou tambu) e um agudo (candongueiro). O repicar do candongueiro atravessa os vales, avisando aos jongueiros das fazendas distantes que é noite de jongo.Os tambores são feitos de tronco de árvores escavados com um pedaço de couro fixado com pregos numa das extremidades. São de origem bantu e conhecidos em Angola e no Brasil como “ngoma”. Antes do jongo começar, eles são aquecidos no calor da fogueira, que estica o couro e afina o som.

Em alguns locais, os tambores são acompanhados por uma cuíca de som grave, a angoma -puíta ou onça (na África chamada de “mpwita”), e por um chocalho de palha trançada com fundo de cabaça, chamado guará.

Durante a madrugada, os tambores começam a ficar úmidos de sereno, perdendo o som. Por isso são levados várias vezes para perto do fogo para serem afinados. Enquanto esperam, os jongueiros vão para a barraca dançar o calango.

Os tambores são sagrados, pois tem o poder de fazer a comunicação com o outro mundo, com os antepassados, indo “buscar quem mora longe”. No início da festa, os jongueiros vão se benzer, tocando levemente no seu couro em sinal de respeito.

Mestre Darcy inventou um terceiro tambor solista reproduzindo as células rítmicas emitidas pelos sons guturais que saiam da garganta da jongueira centenária Vovó Tereza quando essa dançava o jongo.

Ministério da Cultura (MinC), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Departamento do Patrimônio Imaterial, Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP).

 

Pontos

O canto do jongo é responsorial. É cantado primeiramente pelo solista, com versos livres improvisados, e o refrão respondido por todos.

Os pontos de jongo têm frases curtas que retratam o contato com a natureza, fatos do cotidiano, o dia-a-dia de trabalho braçal nas fazendas e a revolta com a opressão sofrida. São cantados no linguajar do homem rural, com sotaque de preto-velho, e gungunados, numa espécie de som gutural bem resmungado saído do peito.Os pontos misturam o português com heranças do dialeto africano de origem bantu, o quimbundo. São criados de improviso e exigem grande criatividade, agilidade mental e poesia, muito comuns aos negros bantus.

Os jongueiros trocaram o sentido das palavras criando um novo vocabulário passando a conversar entre si por meio dos pontos de jongo numa linguagem cifrada. Só alguém com muita experiência consegue entender os seus significados. Assim, os escravos se comunicavam por meio de mensagens secretas, que muitas vezes protestavam contra a escravidão, zombavam dos patrões publicamente, combinavam festas de tambor e fugas.Quando algum jongueiro quer cantar um outro ponto, interrompendo o anterior, ele põe as mãos no couro dos tambores e grita a palavra “machado” ou “cachoeira”. Isso cala os tambores, interrompendo o ponto anterior e a dança para que o jongueiro em seguida “tire” um novo ponto.Os pontos podem ser de diversos tipos:

  • abertura ou licença – para iniciar a roda de jongo
  • louvação – para saudar o local, o dono da casa ou um antepassado jongueiro
  • visaria – para alegrar a roda e divertir a comunidade
  • demanda, porfia ou “gurumenta” – para a briga, quando um jongueiro desafia seu rival a demonstrar sua sabedoria
  • encante – era cantado quando um jongueiro desejava enfeitiçar o outro pelo ponto
  • encerramento ou despedida – cantado ao amanhecer para saudar a chegada do dia e encerrar a festa

O JONGO E O SAMBA

O jongo influenciou decisivamente o nascimento do samba no Rio de Janeiro. No início do século 20 o jongo era o ritmo mais tocado no alto das primeiras favelas pelos fundadores das escolas de samba antes mesmo do samba nascer e se popularizar. Os antigos sambistas da velha guarda das escolas de samba realizavam rodas de jongo em suas casas. Nessas festas visitavam-se uns aos outros, recebendo também jongueiros do interior.

 

Os versos do partido-alto e do samba de terreiro são inventados na hora pelo improvisador. Esse canto de improviso nasceu das rodas de jongo. A umbigada, que na língua quimbundo se chama “semba”, originou o termo samba e também faz parte do samba primitivo. A “mpwita”, instrumento congo-angolano presente no jongo, é a avó africana das cuícas das baterias das escolas de samba.

 

O jongo, por ser uma festa de divertimento, mas com aspectos místicos, fez com que a dança se restringisse aos ambientes familiares. Por isso, ao contrário do samba, que logo conseguiu hegemonia nacional, acabou sendo pouco divulgado. O fato do jongo ser praticado apenas por idosos e proibido para os mais jovens foi outro fator que levou a dança a um processo acelerado de extinção.

 

Saiba Mais:

Jongo da Serrinha, Madureira, Rio de Janeiro

 

Wiki:

O jongo, também conhecido como caxambu e corimá, é dança brasileira de origem africana praticada ao som de tambores, como o caxambu. É essencialmente rural. Faz parte da cultura afro-brasileira. Influiu poderosamente na formação do samba carioca, em especial, e da cultura popular brasileira como um todo. Segundo os jongueiros, o jongo é o “avô” do samba.

Inserindo-se no âmbito das chamadas danças de umbigada (sendo, portanto, aparentado com o semba ou masemba de Angola), o jongo foi trazido para o Brasil por negros bantos, sequestrados para serem vendidos como escravos nos antigos reinos de Ndongo e do Kongo, região compreendida hoje por boa parte do território da República de Angola. Composto por música e dança características, animadas por poetas que se desafiam por meio da improvisação, ali, no momento, com cantigas ou pontos enigmáticos, o jongo tem, provavelmente, como uma de suas origens (pelo menos no que diz respeito à estrutura dos pontos cantados) o tradicional jogo de adivinhação angolano denominado jinongonongo.

Wiki: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jongo

Quilombos, terreiros, juventude e alternativas para erradicação da pobreza e desenvolvimento sustentável

O lugar das práticas culturais afrodescendentes e os modelos de desenvolvimento que delas se originam, funcionando como alternativas para a erradicação da pobreza e a preservação do meio ambiente. Este foi o eixo do diálogo promovido pela Fundação Cultural Palmares na tarde do último sábado (16), na programação da Rio+20, no Galpão da Cidadania, um dos espaços preparados pelo Ministério da Cultura, na Zona Portuária da capital fluminense.

Para favorecer o tom mais informal, o diálogo foi organizado no estilo de talk show, para o qual foram convidadas personalidades expoentes nos temas diversidade, justiça social e exclusão – atributos diretamente relacionados à população e à cultura afro-brasileira. Assim como no debate sobre a Convenção 169 da OIT, realizado pela manhã, o público superlotou o auditório. Quilombolas, indígenas, lideranças jovens discutiam sobre as práticas culturais tradicionais, não ocidentais e não eurocêntricas como elementos que merecem lugar acentuado na definição de sustentabilidade. Também entraram em pauta as ações efetivas que são necessárias para promover justiça ambiental em favor desses grupos populacionais.

Quilombos e terreiros – Constituídas sobre o legado dos negros escravizados no Brasil, seja sob o aspecto familiar ou religioso, as comunidades remanescentes de quilombos e os terreiros religiosos de matriz africana tradicionalmente primam pelo respeito à natureza e, consequentemente, pela sua conservação. Valores associados à economia e ao mercado vêm se incorporando à discussão ambiental. Apesar da pouca visibilidade, não são poucos os produtos, espalhados pelo país, gerados a partir de práticas ancestrais. Um simples exemplo foi apresentado por Maria Rosalina dos Santos, que trouxe para a Rio+20 sabonetes de aroeira produzidos em sua comunidade quilombola no Piauí. Esta e outras práticas têm potencial estratégico para a redução da pobreza, com impacto expressivo sobre as relações comerciais que envolvem serviços e bens culturais.

Como destaca o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, os quilombos e terreiros são segmentos com pouco acesso a bens culturais e econômicos, mas também os que menos agridem o meio ambiente.

Juventude – Na linha de frente do “rolo compressor desenvolvimentista” e das desigualdades sociais para as quais uma conferência como a Rio+20 busca resoluções, são os jovens que sofrem os efeitos mais perversos. Os impactos sobre a juventude abrangem oportunidades de educação e trabalho, atividades produtivas sustentáveis, participação comunitária e fragmentação identitária, e os resultados variam entre dependência química, perda do vínculo com seu território, êxodo rural, expropriação, perda da cultura e identidade, violência social e de gênero.

Os participantes do debate foram praticamente unânimes em apontar que a padronização de espaços e territórios, simbolizadas por usinas, minerações e monoculturas, por exemplo, resultam em injustiças ambientais, o que significa riscos e danos para as camadas sociais mais vulneráveis, que, assim, não só são excluídas do que se propõe como desenvolvimento, como também capitalizam os ônus decorrentes.

O Talk Show da FCP teve como moderadora a coordenadora municipal de Igualdade Racial em Guarulhos (SP) e especialista na implementação da Declaração e Programa de Ação de Durban, Edna Roland. Como demais convidados, participaram o professor Robert Bullard, da Texas Southern University Houston (EUA); Tânia Pacheco, da Fiocruz; Maria Rosalina dos Santos, vereadora quilombola do Piauí; babalaô Ivanir dos Santos, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP; e Bruno Pinheiro, da Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – Rejuma.

Por Jacqueline Freitas
Com colaboração de Daniel Brasil

http://www.palmares.gov.br

Fotografia: Arte da resistência por André Cypriano

O fotógrafo documentarista André Cypriano andou por onze comunidades negras remanescentes dos quilombos no Brasil. Nenhuma delas fica em Pernambuco, mas todas vivenciam realidades que trazem à tona questões culturais, sociais, econômicas. As fotos resultantes dessas viagens estão na mostra Quilombolas – Tradições e cultura da resistência, que será aberta hoje, às 19h, no Centro Cultural Correios, no Recife Antigo. “Encontrei lugares diferentes, alguns urbanos, outros na mata, no Sertão, com culturas diversas, mas todos volltados à preservação da tradição afro-brasileira’, comenta.

São 27 fotografias em preto e branco no formato 50 cm x 75 cm; sete fotografias panorâmicas (40 cm x 440 cm); seis no tamanho 30 cm x 40 cm, além de dois mapas, painéis de textos e legendas. A mostra tem fotos, por exemplo, do grupo quilombola Mocambo, na comunidade Porto da Folha, em Sergipe; da comunidade Tapuio, em Queimada Nova (PI); da comunidade Cafundó (SP). “Lá encontrei três pessoas que ainda falam uma língua africana; umalíngua fluente, mas que só existe ali. A tribo deles inclusive já foi extinta”.

O principal problema das comunidades visitadas, atesta Cypriano, ainda é a questão da legalização dos seus territórios. “Além disso, é interessante notar o quanto a realidade é distinta da nossa, principalmente nos quilombos que não tem tanto acesso à urbanização. São comunidade mais felizes. De tardinha, ao invés de estarem na frente da televisão, brincam ciranda, jogam futebol”, diz. A escolha por fotos em preto e branco, explica o fotógrafo, é por conta da “impressão mais forte. Vejo o preto e branco como uma interpretação e o colorido como reflexo da realidade”.

André Cypriano abraçou o projeto a convite da curadora da exposição, Denise Carvalho. Além da mostra, as fotos também viraram livro (R$ 78), com textos, mapas e pesquisa de Rafael Sanzio Araújo dos Anjos. A mostra já percorreu mais de 15 cidades brasileiras, oito cidades da América Latina e depois do Recife ainda deve seguir para lugares como Macapá, Teresina e Natal.

Lugares remotos – “Aceitei de primeira esse projeto porque é um tema que tem muito a ver com o meu trabalho, lugares remotos e ainda uma tendência para o raro e extraordinário”, comenta. Com o livro sobre os quilombos, já são quatro na carreira do fotógrafo. O último deles é O caldeirão do diabo, sobre um presídio já extinto na Ilha Grande. Cypriano também fotografou a favela da Rocinha e favelas da América Latina, e a capoeira. “Fiz imagens dos grandes mestres do Brasil, inclusive em Pernambuco. É uma exposição que também deve ser levada ao Recife”, aposta.

Apesar dos temas sociais sempre terem permeado as imagens de Cypriano, “os problemas sociais acabam sendo uma consequência, mas não é a minha intenção retratá-los. Meu projeto não é promover mudanças. A Rocinha, com todos os problemas que ela tem, pra mim, naquele momento da foto, é o ideal”. O mais importante é que a fotografia retrate emoção. “Se ela mexer com as emoções, é uma boa foto. Os americanos tem até uma expressão, it’s all about emotion”. (Pollyanna Diniz)

Serviço

Quilombolas – Tradições e cultura da resistência, até 18 de abril

Local: Centro Cultural Correios (Av. Marquês de Olinda, 262, Recife Antigo)
Visitação: De segunda a sexta, das 9h às 18h; e sábados e domingos, das 12h às 18h
Entrada franca

 

Fonte – http://www.diariodepernambuco.com.br/

Terra, território e territorialidade

Livro do professor Rafael Sanzio Araújo dos Anjos, Quilombos, geografia africana, cartografia étnica e territórios tradicionais, será lançado no próximo dia 30 de março, na Livraria Cultura, às 19h, em Brasília.

A Fundação Cultural Palmares convida a todos para o lançamento dessa importante obra de Rafael Sanzio Araújo dos Anjos, professor do departamento de Geografia da Universidade de Brasília. Quilombos, geografia africana, cartografia étnica e territórios tradicionais é resultado de uma extensa pesquisa a que o autor se dedicou em seu pós-doutoramento no Musée Royale de l’Africa Centrale, Tervuren – Bélgica, e teve como principal referência a pesquisa historiográfica realizada em várias instituições no Brasil, na África e na Europa. O livro traz ainda registros fotográficos e uma extraordinária documentação cartográfica temática.

Segundo    o   autor,    “a    terra,   o   território   e   a territorialidade assumem grande importância dentro da temática da pluralidade cultural brasileira no seu processo de ensino, planejamento e gestão”.

Para ele, tratar da diversidade cultural do Brasil num contexto geográfico, cartográfico e fotográfico, visando reconhecer, valorizar e superar a discriminação aqui existente é ter uma atuação sobre um dos mecanismos estruturais da exclusão social. “São várias as questões estruturais relacionadas à cultura africana, à população afro-brasileira e aos territórios tradicionais no país que continuam merecendo investigação, conhecimento e intervenção. Dois pontos configuram-se como emergenciais. O primeiro deles está relacionado à desmistificação do continente africano, sobretudo nos seus aspectos geográficos e em suas relações com a formação do território brasileiro. O segundo, se refere a exclusão secular das matrizes africanas do sistema oficial brasileiro, particularmente, dos quilombos.”

O livro esta estruturado em três partes básicas. Na primeira, são feitas referências a alguns elementos fundamentais da historiografia da África, principalmente aspectos dos grandes tipos de ambientes; a espacialidade dos principais impérios e aspectos territoriais da diáspora africana. É feita uma representação preliminar da etnográfia africana no Brasil, dos registros dos quilombos antigos e dos ciclos econômicos coloniais.

A distribuição geográfica dos quilombos contemporâneos, assim como, as suas questões fundamentais, estão apontadas na segunda parte da obra. A última parte do livro está destinado ao mapeamento dos registros municipais das comunidades quilombolas por unidade política, organizadas em folhas articuladas que cobre todo o país, com o nome da comunidade e o município do Estado correspondente, assim como, as referências sobre os territórios reconhecidos institucionalmente e os já titulados.

Com este trabalho, o autor pretende contribuir para a ampliação da visibilidade junto a sociedade civil; nas ações conseqüentes do setor decisório e na inserção do continente africano na educação brasileira.

Contato: (61) 3307-2393
E-mail: quilombo@unb.br


Assessoria de Comunicação

Inês Ulhôa – assessora de imprensa (9966-8898) ines.ulhoa@palmares.gov.br
Jacqueline Freitas – jacqueline.freitas@palmares.gov.br
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Telefones: (61) 3424-0164/ 0165/ 0166
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Fundação Palmares participa de Encontro Quilombola

O diretor do Departamento de Proteção do Patrimônio Afro-brasileiro (DPA) da Fundação Cultural Palmares, Maurício Reis, participa durante toda a semana do III Encontro das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais.

O evento tem o objetivo de discutir a situação dos quilombolas no Estado, as políticas de apoio aos quilombos, informar as populações tradicionais sobre alguns de seus direitos, bem como, ouvir as necessidades e anseios das populações remanescentes de escravos.

O diretor da DPA aproveita a ocasião para distribuir a algumas das comunidades mineiras presentes, as certidões de autoreconhecimento como comunidades remanescentes de quilombo.

Os quilombos autoreconhecidos que receberão as certidões são:

Fazenda Sertãozinho; Buieié; Comunidade Negra de Quilombo; Mocó dos pretos; Gravata; Chacrinha dos Pretos; Água Limpa de Baixo, Água Limpa de Cima; Comunidade Quilombolas; Brejo Grande; Dr. Campolina; Ferreiras; Moça Santa; Bebedouro; Alto Caititu; Catito do Meio; Boa Morte e Muzambinho.

O Encontro será realizado entre os dias 27 e 30 deste mês, no Sesc de Contagem. Entre os temas discutidos, estão: A importância da organização da comunidade quilombola para a busca de seus direitos; Políticas públicas e Direitos Humanos das Comunidades quilombolas: problemas, reivindicações, possibilidades e instrumentos institucionais e jurídicos; Política social de segurança alimentar em comunidades quilombolas; Política Ambiental e conflitos fundiários: a relação entre o meio ambiente e os direitos das comunidades quilombolas; A Federação N’Golo e a luta por melhores condições de representatividade das comunidades quilombolas;

Durante o evento serão apresentados o filme Quilombo (1984), dirigido por Cacá Diegues e roteiro baseado nos livros Ganga Zumba, de João Felício dos Santos, e Palmares, de Décio de Freitas; e o documentário Comunidades Quilombolas de Minas Gerais no séc. XXI. Também será lança a cartilha Quilombos de Minas: Manual de Orientação Jurídica para a Criação de Associações Quilombolas.

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Do quilombo ao Leblon

Na semana em que comemoramos os 120 anos da Lei Áurea, a coluna “Histórias do Rio” visitou um lugar na Zona Sul da cidade que guarda a marca dos abolicionistas. O repórter Márcio Gomes foi até o Alto Leblon, onde no fim do século 19 foi criado um movimento de resistência à escravidão. ( Para ver o vídeo da matéria, clique aqui )

O som que invade as ruas estreitas e íngremes do Alto Leblon ecoa pelo tempo. O instrutor de capoeira Leonardo Dib Boiadeiro sabe que, mais do que ensinar a ginga, está mantendo uma tradição que começou aqui no século 19.

A história do Quilombo do Leblon veio à tona quando o escritor Eduardo Silva lançou o seu livro “As Camélias do Leblon e a abolição da escravatura – uma investigação de história cultural”. Na ocasião o instrutor de capoeira Leonardo Dib conhecido como Boiadeiro, estava desenvolvendo um trabalho de capoeira e valorização da cultura afro brasileira nas dependências do Clube Campestre da Guanabara. Ao tomar conhecimento do livro percebeu que o espaço onde estava atuando estava intimamente ligado as suas propostas de trabalho. Assim começou o projeto Camélias do Leblon. Em sua primeira edição que foi realizada no dia 13 de maio de 2006 o capoeirista realizou o plantio de uma Cameleira para marcar o retorno das “Camélias da Liberdade”. O evento foi seguido de apresentações de Jongo, Capoeira, Samba de Roda, Maculêlê e uma feijoada, desde então sempre no dia 13 de maio é realizado o “Camélias do Leblon” que este ano homenageou em sua 3ª edição o grande poeta negro, Solano Trindade, que faria 100 anos.

Solano Trindade era poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu no dia 24 de julho de 1908, no bairro de São José, no Recife, capital de Pernambuco. Era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Merença (Emerenciana). Estudou até completar um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofício. A partir de então, começa a escrever.

Solano Trindade foi o poeta da resistência negra por excelência.

História:

Quilombo na Zona Sul produzia as camélias, símbolo do movimento abolicionista

Existia no Alto Leblon, no século XIX, um "sítio encantador, de cujo plateau se descortinava um dos mais belos e dos mais empolgantes panoramas (…), em cujo meio vicejavam camélias brancas, aparecidas nas festividades promovidas com escopos liberatórios", na época do movimento da Abolição da escravatura no Brasil. Era na verdade, segundo o depoimento do jornalista Brício Filho, "a afamada chácara – batizada sob o nome de Quilombo do Leblon – benéfico esconderijo dos perseguidos pela ferocidade dos escravocatas". A história desse pequeno, mas fundamental quilombo – criado numa época em que havia centenas de outros no país, formados por escravos que naqueles anos fugiam em massa de seus senhores – é contada pelo historiador Eduardo Silva em As camélias do Leblon e a abolição da escravatura – Uma investigação de história cultural (Companhia das Letras), que será lançado na Bienal do Livro (entre 15 a 25 de maio).

Pela primeira vez, os segredos da camélia, o símbolo do movimento abolicionista, são desvendados. Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, ganhou de presente dois buquês de camélias: um de flores artificiais, da Confederação Abolicionista, e outro de flores naturais, cultivadas pelos negros do Quilombo do Leblon. Quem a presenteou foi o dono da chácara subversiva, o comerciante de malas José de Seixas Magalhães, um português que mantinha uma loja na elegante Gonçalves Dias. Na sua pesquisa, Silva, historiador da Casa de Rui Barbosa, logo viu que o mistério das camélias nunca seria desvelado se ele não destrinchasse as atividades clandestinas do quilombo que Seixas protegia, na então bucólica Zona Sul do Rio.

– Foi um quilombo fundamental para a assinatura da Lei Áurea – afirma o historiador, que começou a se interessar pelo assunto quando reparou, certo dia, com olhar de suspeita, os três pés de camélias do jardim da casa de Rui Barbosa, até hoje no mesmo lugar onde floresciam, com sua beleza desafiadora, quando o eminente intelectual lá vivia: dois na frente, avistados por quem passa pela São Clemente, e outro embaixo da janela do quarto dele.

Assim como eram uma senha para os abolicionistas se identificarem, exibidas na lapela, as camélias foram a porta que o historiador abriu para se lançar na pesquisa sobre o quilombo, que teve, como conta o livro, uma ligação secreta com a influente Confederação Abolicionista. O jornal A Gazeta da Tarde, chefiado por José do Patrocínio, era o órgão oficial da Confederação, que "por detrás dos panos ajudava a organizar e a manter o Quilombo do Leblon".

– É importante fazer essa ligação entre a elite, que defendeu a Abolição no Parlamento e nos jornais, com a luta dos negros, nos quilombos. A Abolição foi uma conquista, não uma benesse da princesa. Foi a elite e o povão negro que fizeram a Abolição – diz Eduardo Silva.

Sendo flores delicadas e "cheias de melindres com o sol dos trópicos", segundo o historiador, as camélias exigiam técnicas modernas e cuidados especiais: para o seu cultivo, "somente um trabalhador livre de todas as amarras".

– Ninguém tinha levado tão a sério o simbolismo das camélias, a ponto de estudá-lo. Mas, por trás do simbolismo, está o Quilombo do Leblon. Para pesquisar algo tão secreto, só mesmo encontrando uma porta, como foram as camélias da casa de Rui Barbosa no meu caso. É um livro bem pequeno (140 páginas, boa parte de apêndices), mas deu muito trabalho. Para mim, foi também uma revelação – conta Silva.

O quilombo das camélias é mencionado en passant em cartas, como na correspondência entre Seixas e Rui Barbosa, citado em charges de Ângelo Agostini – muitas das quais ilustram o livro -, descrito em depoimentos orais que tiveram alguma forma de registro. Até a literatura ajudou Silva. Em A conquista, Coelho Neto, que trabalhou na Gazeta da Tarde, escreve que "para os lados da Gávea, em frente ao mar, havia um quilombo mantido pela Confederação Abolicionista e, no escritório da Gazeta da Tarde, (…) negros e negras sentados melancolicamente fumavam esperando que lhes dessem destino".

Diferentemente da maior parte dos quilombos, que Silva chama de "quilombos-rompimento", lugares para onde os escravos fugiam para se esconder e morar, o Quilombo do Leblon seria do tipo abolicionista, que contava com a proteção de pessoas influentes. Rui Barbosa, que lançou em 1869 a tese de que a escravidão era ilegal, foi uma dessas pessoas, segundo os indícios levantados por Silva. O livro mostra que a tese de Barbosa fez a Abolição, no Brasil, ser decretada sem indenização aos proprietários de escravos. Outro quilombo-abolicionista seria o de Jabaquara, em Santos, organizado em terras cedidas por um abolicionista, abrigo para milhares de negros.

Nova história do negro muda Brasil pela raiz: Ação de José do Patrocínio e de André Rebouças e o destemor dos escravos foram decisivos para a Abolição

Resgatar a história dos quilombos, segundo Eduardo Silva, é uma maneira de modificar o Brasil pela raiz.

– É humilhante para os negros, na sua condição atual, dizer que eles não tiveram papel na Abolição. Porque eles tiveram um papel preponderante. O lado subversivo do abolicionismo, esse lado secreto, tem de ser destacado. O fim da escravidão foi conquistado. E a elite negra, liderada por José do Patrocínio e André Rebouças (engenheiro que foi tesoureiro da Confederação Abolicionista), desempenhou papel muito importante. Eles influenciaram a princesa Isabel e ela adotou, corajosamente, a causa abolicionista – diz o historiador.

Com o respaldo dos abolicionistas, aumentou o destemor dos negros.

– Os escravos fugiam em massa. As fazendas amanheciam vazias – destaca Silva.

Curiosidade sobre os quilombos cresceu em 1988
A curiosidade sobre os quilombos, no Brasil, tem crescido desde a Constituição de 1988, que reconheceu, no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o direito à posse da terra de remanescentes de quilombos. Em alguns casos, há comunidades negras que vivem há 300 anos em seus lotes. Eram pessoas que permaneciam invisíveis para a sociedade e que passaram a se reconhecer e a se identificar, orgulhosamente, como quilombolas. Sua história, que também estava invisível, começa a ser contada. Nas biografias de Patrocínio, por exemplo, não há referência ao Quilombo do Leblon.

– É uma história invisível, até porque eles não queriam ser descobertos. Mas isso mudou de forma perceptível. É por isso que cada geração precisa reescrever a História. O movimento negro avançou muito, e isso é um sinal da transformação da sociedade brasileira – destaca Silva, que em As camélias do Leblon sugere muitas outras pesquisas a serem feitas sobre quilombos e mocambos.

No momento em que os quilombolas travam batalhas judiciais pela posse de terras, o livro de Eduardo Silva ganha um contorno social.

– Eu tenho esse compromisso. É preciso fazer a política de ação afirmativa no sentido simbólico, porque os negros não entraram na nossa História – destaca o historiador, autor de Dom Obá II d’África, o príncipe do povo, no qual conta a história do príncipe africano que foi um personagem pitoresco do Rio, no fim do Império, muito ativo na conquista da sua liberdade. – O que tento fazer, e isso também no livro sobre dom Obá, é contar a nova história do negro, porque ele foi um agente ativo na História. É impossível, hoje, continuar a se ter a interpretação tradicional. É preciso rever o racismo entronizado na nossa História.

E como sinal de que a releitura do passado pode mudar a cultura popular, a história de dom Obá, embora tenha sido tema de uma tese de doutorado, inspirou o samba da Mangueira de 2000. Se Zumbi é símbolo de luta pela liberdade, não pode ser considerado um símbolo do movimento abolicionista. Já a nova história dos quilombos pode ajudar a compreender o papel dos negros naquele momento crucial da História do Brasil.

Fonte: http://rjtv.globo.com/

Dança do Quilombo dos Palmares

Esta é a mais antiga canção conhecida no Brasil. Data de fins do século XVII (décadas de 1680, 1690) e é atribuída a membros do Quilombo dos Palmares. A letra foi extraída de um antigo disco 78 rpm da violeira nordestina Stefana de Macedo, gravado em Outubro de 1929.
Quilombos eram locais onde os escravos africanos refugiavam-se. Eram espécie de vilas formadas de escravos fugidos, aos quais mais tarde somaram-se vários tipos de personagens marginalizados pela sociedade da época. Várias cidades no Brasil são originárias de quilombos formados no período colonial e imperial.
Palmares é uma região localizada no interior do estado de Alagoas. O quilombo aqui mencionado foi arrasado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1696. Mais tarde, surgiu a vila, depois atual cidade de Palmares no mesmo local.
 
Dança do Quilombo dos Palmares
 
Refrão:
 
Folga nego, branco não vem cá
Se vié, pau há de levá
 
I
Sinhô já tá drumindo
Nego qué é batucá
Nego tá se divertindo
De minhã vai trabaiá (2x)
 
II
Nego geme todo dia,
Nego panha de sangrá
Dando quase seis da noite
Panha nego a batucá (2x)
 
III
As corrente tão batendo,
As brieta chocaiando
Sangue vivo tá corando,
E nego tá batucando (2x)
 
IV
Nego rachou o pé,
De tanto sapatiá
Tão cantando, tão gemendo,
Nego qué é batucá (2x)
 
V
Quando rompe a madrugada
Geme tudo nos açoite
Nego pega nas enxada
E o batuque é só de noite (2x)
 
http://cifrantiga2.blogspot.com/2006/11/dana-do-quilombo-dos-palmares.html

II ENCONTRO CULTURAL DO BAIRRO DA ENGOMADEIRA

 29 de Maio (domingo) em Salvador 
 
Tema:

"Autogestão e Sustentabilidade – uma perspectiva quilombola para o século XXI"

O Encontro ocorrerá no COMOBE (Conselho de Moradores do Bairro da Engomadeira), localizado ao lado do posto municipal de saúde na Rua Direta da Engomadeira (a rua faz esquina com a UNEB). O Encontro, organizado de forma independente pelo coletivo Quilombo Cabula, visa fazer uma discussão e um resgate das histórias de resistências quilombolas, tecendo um paralelo entre as comunidades atuais de periferia com as noções de autogestão e sustentabilidade.

O objetivo final do Encontro é o fortalecimento dos laços comunitários e a criação de uma agenda local de a(tua)ção para reconquista da gestão solidária da comunidade por seus próprios moradores!

A participação é livre!

ATIVIDADES

08:00h
ABERTURA – Apresentação do Projeto Comunitário Quilombo Cabula

08:30h
PALESTRA – Projetos Autogeridos e Sustentáveis – Uma Ótica Quilombola

09:00h
VÍDEO – “Quilombos da Bahia”

DEBATE – O que eram os Quilombos?

VÍDEO – “Notícias de uma Guerra Particular”

DEBATE – O Espírito Quilombola no Século XXI

PLENÁRIA – Ações e Perspectivas de Autogestão Local (Criação de Agenda do Bairro)

13:30h
FEIJOADA DA SENZALA – Saco vazio num pára em pé, com farinha e pimenta se quisé!

INTERVENÇÃO ARTÍSTICA – Palhaços em Cena

APRESENTAÇÃO – Grupo de Dança Afro da Engomadeira

15:00h
POR UMA OUTRA FESTA POPULAR – Banda Arca do Axé (ACCEN)

ARTE DA PERIFERIA – Atitude Breack na rua e Graffiteiros nos muros

16:00h
RODA – Grupo de Capoeira Regional – Mestre Azulão

17:00h
RODA – Grupo de Capoeira Angola Cabula – Mestre Barba Branca

18:00h
ÍNDIOS NA RUA – Bloco Popular Carnavalesco Flecha Verde

Cronologia da Capoeira

Cronologia da Capoeira
No século XV – foram trazidos para o Brasil milhares de negros para o trabalho escravo.
No século XVII – chegada dos primeiros escravos africanos notadamente Grupo Bantu-Angolense.
Em 1624 – com a invasão dos holandeses no Nordeste Brasileiro, escravos fogem e fundaram quilombos, pela primeira vez ouve-se falar no termo "Capoeira".
1630 a 1694 – Epopéia de Palmares. Zumbi dentre todos era o mais forte, valente e ágil. O maior dos Quilombos. A capoeira se dissemina entre todos aqueles que resistem a escravidão.
1712 – O termo "Capoeira" é registrado pela primeira vez na língua portuguesa.
1835 – Capoeiristas participam ativamente da Revolta dos Malês em Salvador.
1850 – Surge no Rio de Janeiro "Os Maltas", grupos de capoeiristas que dominavam várias regiões da cidade.
1889 – Nasce Mestre Pastinha
1890 – A prática da Capoeira é proibida por Lei.
1899 – Nasce Mestre Bimba
1932 – Mestre Bimba funda a primeira Academia de Capoeira do mundo em recinto fechado.
1937 – Revogada a Lei que proibia a prática da Capoeira.
1941- Mestre Pastinha funda o Centro Esportivo de Capoeira Angola.
1972 – Resolução do Conselho Nacional do Desporto reconhece a Capoeira como esporte.
1980 – A Capoeira se dissemina por todas as regiões do país e do Mundo.
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