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DF: Capoeira da o ar da graça em programa alternativo

O Programa Alternativo mostra um trabalho desenvolvido com alunos do Jardim de Infância 21 de abril da Asa Sul.

Desde 2003 a escola realiza o projeto Capoeira na Escola, em parceria com o grupo Abadá Capoeira, oferecendo melhorias e prática de esporte aos alunos. “Para a educação infantil, a prática de esporte é muito importante, pois contempla muito a realização de movimentos e a coordenação motora. E a capoeira oferece uma série de melhorias na movimentação e no desenvolvimento dos alunos, além de trabalhar com a cultura afro brasileira”, explica a diretora do JI 21 de Abril, Katiúscia Lucas da Silva.

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O Programa, apresentado pelo SBT, vai ao ar sempre aos sábados, às 13h15, e mostra entrevistas e matérias referentes à realidade da educação no Distrito Federal.

Um dos objetivos é oferecer a oportunidade para que escolas e professores participem da discussão e enviem sugestões para os próximos programas.

As pautas podem ser mandadas para o e-mail [email protected]

Livro “A Capoeira dos Leões do Norte – a herança de Pernambuco”

A capoeira vem sendo discutida e trabalhada de uma forma mais consciente. Mestres, professores, monitores, alunos e profissionais, ligados à cultura popular, vêm trazendo esta arte com uma nova leitura: usá-la como recurso pedagógico no trabalho componentes curriculares adotados em sala de aula e dinamizá-la enquanto movimento social na cultura popular.

Desta forma, este estudo traz, em seu bojo, a discussão em torno da capoeira enquanto instrumento de aprendizagem e construção histórica, entendendo a arte capoeira em seu todo e elementos constituintes – desde a sua história (neste caso, em Recife e Olinda, em virtude do trabalho ser desenvolvido com foco na realidade local) até os impactos na construção de aprendizagens e saberes locais.

O livro “A Capoeira dos Leões do Norte –  a herança de Pernambuco” traz uma continuidade de estudos do livro “A capoeiragem do Recife Antigo – os valentes de outrora”. “A Capoeira dos Leões do Norte” configura um livro que pontua as ações da capoeiragem em Pernambuco nos anos de 1960 a 1980, em elementos como: relatos de alguns mestres, feitos de mestres que ergueram diversos cenários da capoeiragem, relatos de mulheres da capoeira, breve mapeamento histórico e considerações acerca da psicodinâmica da capoeira.

Contato: [email protected]

Capoeirista “Besouro” leva lenda de herói negro ao Festival de Berlim

Berlim, 15 fev (EFE).- A lenda do capoeirista Besouro, herói da tradição negra brasileira pela luta em favor dos ex-escravos, chegou hoje ao Festival Internacional de Cinema de Berlim pelas mãos do cineasta João Daniel Tikhomiroff.

O filme “Besouro”, estreado na seção Panorama, fora de competição, chegou ao festival após ter sido um sucesso no Brasil, com bilheteria de mais de 500 mil espectadores.

“Para mim era importante mostrar esta história primeiro aos brasileiros, dos quais 95% não sabe que Besouro existiu de verdade e não é apenas um mito. Depois preferi ensiná-la ao resto do mundo”, explicou Thikomiroff à Agência Efe.

A história do lendário capoerista, apelidado de “Besouro”, chegou ao cineasta pelo romance “Feiojada no Paraíso” de Marcos Carvalho sobre a figura de um homem que se transformou em herói popular por seu empenho em praticar a capoeira, embora estivesse proibida, e em defender à população negra das discriminações.

“É um personagem fantástico que, além disso, permite refletir sobre a realidade social do início do século XX. Embora a escravidão já tivesse sido abolida, os negros ainda eram marginalizados e discriminados”, apontou.

Manoel Henrique Pereira, conhecido como “Besouro”, nasceu em 1897 em Santo Amaro da Purificação (Bahia) e passou ao imaginário popular como valente capoerista que enfrentava os armados patrões dos engenhos de açúcar com base em força e habilidade na luta.

O filme opta por um duplo enfoque: o da lenda, com um super Besouro capaz de se transformar em besouro e voar – estimulado pelos deuses da natureza dos Orixás – e o clássico, com dois amigos enfrentados pelo amor de uma menina, um malvado pistoleiro e uma terrível traição.

“Quis transitar entre esses dois mundos, entre o real e o imaginário. É o que faz esta história fascinante, a dúvida de se o que um está vendo é sonho ou realidade. Essa é a beleza do filme”, apontou o cineasta.

Para o papel protagonista, Thikomiroff escolheu Aílton Carmo, um jovem professor de capoeira, sem experiência interpretativa, mas a quem podia “ensinar a viver” a transição do jovem, de rapaz rebelde a fonte de inspiração para outros, mas que tivesse aptidões reais para a dança e para a luta.

Segundo o cineasta, é uma “pena” que nos últimos 20 anos não se tenham feito filmes sobre a capoeira, declarada bem cultural, que neste caso está “no coração” da história.

Carmo decidiu embarcar no projeto porque, desde criança, sonhava em demonstrar a sua mãe que podia fazer um filme de ação com um protagonista negro e que lutasse a ritmo de capoeira, igual aos filmes de Arnold Schwarzenegger, explicou à Agência Efe.

Jessica Barbosa atua no filme como Dinorá, a amiga de infância do protagonista, e na Orixá Iansã, deusa do vento e da chuva. “Em outros países existem o Batman e o Homem-Aranha. No Brasil, temos o Besouro, que é nosso próprio herói nacional”, ressaltou.

Para o cineasta, quase 100 anos depois da história, a realidade brasileira tem 55% de população negra “que continua vivendo algum tipo de discriminação”.

“Este filme mostra uma bela história sobre esse coletivo”, acrescentou. EFE

 

Fonte. O Globo – http://g1.globo.com

Projeto João e Maria Capoeira Angola e Cidadania

 

Acontece nesse domingo, dia 16 de dezembro, o encerramento do projeto social João e Maria Capoeira Angola e Cidadania – edição 2007, às 10h, na sede da Ong João Pequeno de Pastinha (Ong JPP), localizada na Rua Raimundo Vianna, Rio Vermelho. Promovido pelo Centro Esportivo de Capoeira Angola do Rio Vermelho (Ceca), a festa de encerramento do projeto João e Maria Capoeira Angola e Cidadania comemora mais um ano de atividades desenvolvidas para as crianças e adolescentes carentes, residentes no Nordeste de Amaralina. Durante o ano de 2007, mais de 70 jovens tiveram acesso a cursos gratuitos de Capoeira Angola, Inglês, Grupo de Estudo, Percussão, Informática, Flauta e Cine-CECA – sessões de cinema com filmes educativos e discussões ao final.

 

A programação do evento inclui apresentações simultâneas dando uma mostra do que foi apreendido durante os cursos. Além disso, Mestre Faísca, coordenador do projeto e responsável pela realização de trabalhos sociais na comunidade do Nordeste de Amaralina, também fará uma explanação sobre os resultados obtidos durante esses anos de atuação junto à conscientização social dessas crianças e adolescentes. Essa iniciativa também tem como objetivo proporcionar aos jovens possibilidades de inclusão social, dando-lhes ferramentas para superarem a desigualdade de oportunidades ao procurarem à inserção no mercado de trabalho.

Sobre o Projeto João e Maria Capoeira Angola e Cidadania

O projeto João e Maria Capoeira Angola e Cidadania encontra-se sem apoio financeiro de instituições publicas ou privadas, sendo, assim, mantido com recursos próprios. Na busca de alternativas, o Projeto João e Maria destina-se a crianças e adolescentes da comunidade do Nordeste de Amaralina e adjacência e tem como proposta: promover a inserção social destes jovens através da prática da Capoeira Angola e da Educação Cidadã, realizando ações associadas do apreender Capoeira Angola aliadas a discussões temáticas sobre Educação e Cidadania, de forma a possibilitar uma visão crítica da realidade e seu entorno.

 

Aliado à capacitação profissional busca-se com o projeto remediar o caos social da região, trazendo aos educandos a importância em se envolverem em ações edificantes. A marginalidade arrasta grande parte da juventude das periferias urbanas da cidade, resultado decorrente da desilusão quanto a melhores condições de vida. A educação deficiente limita os horizontes, realidade esta que o projeto busca modificar com as diversas ações educacionais realizadas. Vale ressaltar, por fim, que todo o trabalho é realizado por voluntários, não tendo a instituição nenhum parceiro que dê suporte financeiro às atividades citadas.

 

Projeto João e Maria Capoeira Angola e Cidadania

Contatos: Roberta Neri – 8133-4332

Cronica: Qual o valor da Capoeira?

O camarada leitor certamente imaginou uma resposta tendente ao subjetivismo, pensou naquilo que a valorização da capoeira pode oferecer em essência, em sentimento e paixão.
 Mas peço que responda na acepção literal da palavra “valor”. Peço que defina em números ( pode ser em real, euro, dólar… fique à vontade!), o quanto a Capoeira vale.
 
 O assunto é polêmico e, muitas vezes, tem o insistente verniz da hipocrisia. Discursos diversos apoiando e criticando respostas inundam fóruns de net e algumas rodas de capoeira. Afinal, a Capoeira pode se desvencilhar de uma realidade capitalista globalizada? O capoeirista pode “viver” da Capoeira?
 
 Mesmo com as agruras e injustiças sociais que o sistema capitalista sustenta, ainda acho a forma mais plena de viver em uma sociedade de consumo. Ok…ok..Digo isso porque usufruo das benesses que esse mesmo sistema oferece, e eu seria bastante hipócrita em criticar o sistema e, ao mesmo tempo, desfrutar de todas as maravilhas que o capitalismo constrói. E quem não usufrui? E o pobre miserável que não tem chance de ascender socialmente? Bem… será mesmo o câncer do sistema ou a forma como o sistema é gerenciado? A necessidade humana em acumular – vinda desde os primórdios – não teria um papel relevante diante dessa realidade injusta e cruel?
 
Retomemos ao intuito da explanação…
 
 É justo criticar o capoeirista que cobra alguma quantia para ensinar o que sabe sobre a Capoeira? E quanto a forma comercial explorada por vendas de artigos e instrumentos comercializados ( às vezes de forma abusiva ) relativos à Capoeira? Resposta aparentemente simples, mas que ainda acende fogueiras de revolta e falso moralismo no universo capoeirístico.
 
Particularmente, nada contra. Mas condeno os abusos! E o faço de forma impetuosa!
 
 Os exemplos falam por si só… vez ou outra nos deparamos com casos de Mestres que, “em nome da expansão e divulgação da nossa arte-capoeira brasileira” enchem os bolsos de euros e dólares em terras do velho mundo na maior cara de pau e ainda fazem chacotas com quem ficou nesses lados tupiniquins fazendo projetos sociais voluntários.
 
 Acho que a questão é bem mais complexa. Envolve caráter, valores e princípios. Vai além de esperteza e malandragem de um capoeira. E isso fica a critério de cada um. Não dá para medir o que um ser humano pode chegar quando não possui vergonha ou escrúpulos. 
 
 Disso, tem-se um fato confortante: sabemos que estes indivíduos aproveitadores nunca participarão do rol grandioso onde apenas os verdadeiros Mestres de Capoeira terão os nomes imortalizados.
 
 A dose é o que diferencia o veneno de um remédio. E é bom que esses falsos capoeiras saibam dessa máxima, que mais cedo ou mais tarde, acabarão por serem atingidos.
 
“… quem não conhece Capoeira, não pode dá o ser valor!…”
 
 
Abraços, camaradas!
 

Capoeira, comunicação gestual, controvérsia e modernidade…

 Pesquisando sobre o Mestre Gil Velho, à pedido de uma colega, acabei encontrando este texto, que confesso achei bastante interessante.
Fica aqui a dica para a leitura do texto e do "contexto"


(Cevtradg-L) ENC: resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho
 
To:  <[email protected]>
Subject:  (Cevtradg-L) ENC: resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho
From:  "(marina)" <[email protected]>
resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho

Caro Cobrinha Mansa.
 
Gostei de seu comentário a respeito de meus ensaios sobre, "identidade e território na capoeira", e gostaria de esclarecer que no que foi colocada, a subjetividade é a grande relação que mapeia a minha percepção. A capoeira, hoje, no que diz respeito a sua identidade e territorialização, não tem nada de subjetivo, pois é um processo construído por indução. Digo isto porque participei deste processo, no momento mais forte de sua construção, que é a década de 60. Neste período, os arquitetos de sua fase original, sai de cena, o ideário nacionalista da fase original, ganha uma nova roupagem e novos discursos e mitificação. Salvador deixa de ser o centro da capoeira moderna, Bimba caí no ostracismo. O eixo passa a ser o Rio e São Paulo.´Foi deste eixo que se irradia o processo de massificação da capoeira. O estilo de movimentação gestual que implementa esta revolução é o próximo a regional do Bimba, repetindo o que ocorreu em Salvador na época de 30.Onde o grande Mestre edifica a base da capoeiragem moderna, logo copiado por todos em Salvador, a ponto de ser o grande divisor, pois quem não era Bimba era a outra, chamada de Angola.
 
A partir desta época é que se cria um movimento que se aprende por pacotes estabelecidos e aí que entra o que a baixo transcrevo do meu recente artigo.  
 
Na capoeira, a falta de uma identidade que caracterize sua personalidade é o marco da controvérsia contemporânea. A capoeira só se estabelece quando cria uma identidade social. Este fato ocorreu no século XIX, na cidade do Rio de Janeiro. Neste cenário ela territorializa-se e personaliza estes ambientes. O fator de construção deste espaço cultural foi à diversidade de seus componentes, oriundos de um contexto, tão diverso e mestiço, sob o ponto de vista da origem e etnia, que compunha a realidade urbana carioca.
 
A forma de expressar esta relação se deu através de uma comunicação gestual, onde na teatralidade das interações entre seus elementos, a trama do tecido cultural era visualizada.Na sua contemporaneidade, a capoeira perde a sua identidade social, pois é desfeita sua estrutura coletiva, desfaz-se dos territórios e com isto acaba sua magia. Todo o universo da riqueza de sua invisibilidade, produto do espontâneo, é quebrado ao formalizar sua relação.
A diferença entre a capoeira moderna e a original está exatamente na construção do espontâneo da segunda e no procedimento induzido da arquitetura da primeira. As controvérsias, geradas na mitificação e discursos na capoeira moderna, são frutos de seu artificialismo, onde o indivíduo some do seu espaço construtor, sendo um mero copiador de sua comunicação gestual engessada em pacotes formais.
 
A territorialização de um contexto é feita no espontâneo (espontaneamente). A leitura desta realidade só é possível através de uma perspectiva antropológica vivenciada, ou seja, os atores tecem no espaço a estrutura que dará forma a sua realidade. O que exige uma consciência, deste atores, de que são personagens da construção deste contexto.
Os discursos, étnicos, nacionalistas, da repressão, corporativista iniciativa e o classista, mostram bem a necessidade de estabelecer uma idéia carregada de verdades e tradições que os qualifique, como a linha que contempla a identidade social, na contemporaneidade da capoeira.Identidade que a capoeira hoje não tem, porém necessita criar, mas não no artificialismo dos discursos e mitos, procedimento usual no sistema atual, mas sim na interação entre a realidade do indivíduo e do contexto do qual está inserido.
 
A ótica da comunicação gestual se coloca para os discursos e mitificação, como divisor entre ser capoeira e fazer capoeira. Enquanto um procura criar referências, o outro é em si a própria referência, pois as relações são construídas na própria vivencia, criando uma unicidade entre indivíduo e contexto. A ótica da construção de referência mostra a sua relação direta com a racionalidade, onde toda perspectiva é fragmentada e, por conseguinte não interativa. Não sendo interativa não há troca, sem troca não se constrói contexto, sem contexto não existe identidade.
 
O retorno a organicidade, no ato de vivenciar um contexto é, de fato, o único elemento plausível de restaurar, na capoeira, sua identidade social ao proporcioná-la ser elemento da construção do espaço onde se insere.A identidade cultural é dinâmica, pois é construída no processo interativo que forma um determinado espaço. Seus elementos estão em constante troca e com isto produzindo mutação na organização da forma de um contexto. Ao desenvolver a consciência do momento vivenciado, o indivíduo, percebe sua identidade com o contexto, o que lhe confere percepção do espaço que está inserido.
Na fase embrionária de sua modernidade, o gestual é engessado pela construção de um padrão funcional e estético, voltado para ter um lugar nas artes marciais. Foram selecionados, dentro do gestual espontâneo, os elementos com as características mais próximas da forma globalizada da arte marcial.
 
O indivíduo, corpo estranho na modernidade, some do cenário da capoeira, passa a ser um elemento de enfeite, sua personalidade não é interessante na construção do tecido gestual. A necessidade do retorno do indivíduo na construção do contexto por ele vivenciado é de extrema importância na sustentabilidade da capoeira. A construção de um contexto capoeira se faz por informações gestuais personalizadas, as quais ao interagir com as demais existentes neste ambiente, produz no espaço vivencial, uma forma única tanto em termos de tempo como espaço, ou seja, uma unicidade.
Ao conferir identidade ao processo capoeira, o que passa pelo indivíduo, cria-se na capoeira um movimento de legitimação, pois a capacita edificar identidade social no contexto que se insere.
 
Parte destes comentários são de trechos de meu artigo, porém  mostram a minha preocupação em ver a capoeira se massificar no Brasil e agora no Mundo, porém muito mais como produto de entretenimento do que algo que venha contribuir  com  a  edificação de identidade do indivíduo, para este se perceber construtor de seu contexto e não um mero boneco repetido de uma realidade virtual induzida. Nesta perspectiva, podemos restaurar os princípios da capoeira original e dá a capoeira moderna uma sustentabilidade para sua continuidade.