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Africa: A Capoeira ajuda as crianças de rua em Kinshasa

Na praça do centro de Limete, um bairro popular de Kinshasa, a capoeira encontrou praticantes inesperados: as crianças de rua.

A capital da República Democrática do Congo, com seus 12 milhões de habitantes, é a segunda cidade do mundo, logo atrás do Rio de Janeiro, em número de crianças abandonadas.

As estimativas variam de uma fonte à outra, mas a ONG francesa Médecins du Monde (Médicos do Mundo, MDM) estima que são cerca de 20.000. Algumas largaram as famílias, outras foram abandonadas.

Estas crianças são chamadas de “shégués” (crianças de rua em lingala), um nome que é sinônimo de “ladrão”, já que elas vivem essencialmente de roubos e furtos. Elas recusam a ajuda de dezenas de ONG e acabam muitas vezes caindo na prostituição, na desnutrição e na violência.

Algumas, porém, deram sentido às suas vidas graças à disciplina e a energia da capoeira.

As crianças a praticam na rua com Yannick N’Salambo, um técnico em computação congolês de cerca de 30 anos de idade que se apaixonou por esta luta misturada com dança ensinada por um viajante brasileiro. Três vezes por semana, ele vai a Limete e encontra um lugar no meio dos comerciantes de carvão e de legumes, dos engraxates e dos vendedores de crédito para celular.

Munidos de um berimbau e de um reco-reco, Yannick e seus assistentes começam o aquecimento. Em seguida, dois de cada vez, eles começam. Fortes e atléticos, eles exibem seus movimentos plásticos.

Às vezes, um dos participantes acaba entrando no ritmo do adversário e atingindo-o. “Malembe!” (cuidado!), avisa o mestre, que toma seu lugar e mostra como se deve agir sem machucar o companheiro.

Em volta, cerca de dez crianças, entre 5 a 13 anos, assistem com atenção.

Descalços, vestindo roupas comuns como camisetas e calças largas, os dois param após alguns minutos, sendo imediatamente substituídos por outros dois parceiros que tentam mostrar que aprenderam como se faz.

A aula dura duas horas e termina com a lembrança do que se espera dos jovens alunos: seguir as obrigações escolares, ter um comportamento digno, respeitar as funções de cada um perante o grupo e ser pontual.

“Eu vi uma grande evolução”, diz Yannick. “Eu tinha crianças que não obedeciam, eram agressivas, mal-educadas. A capoeira reestruturou seus lados psicológicos”.

A capoeira ensina os jovens de rua o que nem a escola, nem a família conseguiu ensinar.

Um dos assistentes, Ninja, de 30 anos, saiu das ruas graças à esta prática. Fechado, tímido, ele viveu sem lar por 20 anos.

“A capoeira permitiu a ele se expressar”, explica Yannick, que ganha um pouco de dinheiro dando aulas aos estrangeiros.

“É um esporte que nos ensina a amizade”, diz Jérémie Tchibenda, de 14 anos. Francis, de 9 anos, “se sente bem” quando pratica capoeira.

Nem todos vem da rua, alguns têm família e moram por perto. Alex Karibu, de 25 anos, tinha quinze anos e já era órfão quando começou.

O jovem embaixador do Brasil no país, Paulo Uchoa, se sente orgulhoso de ver esta atividade brasileira encontrando público no Congo e ajudando estas crianças.

“Vou fazer de tudo para ajudar”, garantiu o diplomata, lembrando que o Brasil e a África vêm se aproximando. Em des anos, as trocas comerciais do Brasil com o continente africano saltaram de 5 para 26 bilhões de dólares, e o número de embaixadas brasileiras em solo africano subiu de 15 para 38.

É praticamente uma volta para casa, já que a capoeira, mesmo tendo sido criada no Brasil, tem as raízes na África.

Metade dança, metade luta, a capoeira se desenvolveu no século XIX na clandestinidade, em meio às populações escravas vindas da África. Como eram proibidos de lutar, os escravos escondiam sua luta com a dança.

 

Fonte: AFP – Agence France-Presse

Hoje é dia de Santo Reis

Acontece hoje na região a chegada das Bandeiras das Companhias de Folia de Reis. Em Apucarana, Ivaiporã, Jandaia do Sul, Arapongas, Mandaguari e várias outras cidades há festejos programados. Durante as visitas, iniciadas nos primeiros minutos da madrugada do dia 25 de dezembro, são arrecadados donativos que são repassados aos menos favorecidos.

HISTÓRICO – A Folia de Reis é uma festa religiosa de origem portuguesa, que chegou ao Brasil no século XVIII. Em Portugal, em meados do século XVII, tinha a principal finalidade de divertir o povo, enquanto aqui no Brasil, passou a ter um caráter mais religioso do que de diversão.

No período de 24 de dezembro, véspera de Natal, a 6 de janeiro, Dia de Reis, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre a cidade entoando versos relativos à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. Passam de porta em porta em busca de oferendas, que podem variar de um prato de comida a uma simples xícara de café.

A Folia de Reis, herdada dos colonizadores portugueses e desenvolvida aqui com características próprias, é manifestação de rara beleza. Os preciosos versos são preservados de geração em geração por tradição oral.

INSTRUMENTOS: os instrumentos utilizados são: viola, violão, sanfona, reco-reco, chocalho, cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros instrumentos.

PERSONAGENS: os personagens somam doze pessoas e todos os integrantes do grupo trajam roupas bastante coloridas, sendo eles: Mestre, Contra-Mestre, os Três Reis Magos, Palhaço e Foliões.

1.O Mestre e Contra-mestre: donos de conhecimentos sobre a manifestação, são aqueles que comandam os foliões.

2.O Palhaço: com seu jeito cínico e dissimulado, deve proteger o Menino Jesus, confundindo os soldados de Herodes. O seu jeito alegre e suas vestimentas coloridas são responsáveis pela distração e divertimento de quem assiste à apresentação. Representando o Mal, usa geralmente máscara confeccionada com pele de animal e vai sempre afastado um pouco da formação normal da Folia, nunca se adiantando à "bandeira". Apesar de seu simbolismo, é personagem alegre, que dança e improvisa versos, criando momentos de grande descontração.

3. Os Foliões: grupo composto de homens simples, geralmente de origem rural; são os participantes da festa que dão exemplo grandioso através de sua cantoria de fé.

4.Reis Magos: os Três Reis Magos fazem a viagem da Esperança, certos de encontrarem sua estrela.

A FESTA: até há pouco, podia-se ouvir ao longe ou, com sorte, encontrar, vindo de bairro distante, um grupo especial de músicos e cantadores, trajando fardamento colorido, entoando versos que anunciam o nascimento do Menino Jesus e homenageiam os Reis Magos. Trata-se, naturalmente, da Folia de Reis que, no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, Dia de Reis, peregrina por ruas à procura de acolhida ou em direção a algum presépio.

Com sanfona, reco-reco, caixa, pandeiro, chocalho, violão e outros instrumentos, seguem os foliões pela noite adentro em longas caminhadas, levando a "bandeira" (estandarte de madeira ornado com motivos religiosos), a qual tributam especial respeito. Vão liderados por mestre e contra-mestre, figuras de relevância dentro da Folia por conhecerem os versos – são os puxadores do canto.

"Era meia-noite em pontoBateu asa e cantou o galo Bateu asa e cantou o galo…"

"Que Jesus dê vida e saúdeSó voltamos para o anoSó voltamos para o ano…"

Os foliões cumprem promessa de, por sete anos consecutivos, saírem com a Folia e arrecadar em suas andanças donativos para realizarem anualmente, no dia 20 de janeiro, Dia de São Sebastião, festa com cantorias e ladainhas.

Durante a caminhada, é carregada a "bandeira" do grupo, um estandarte de madeira enfeitado com motivos religiosos. O ponto alto da festa se dá quando dois grupos se encontram. Juntos, eles caminham em direção ao presépio da festa, o ponto final da caminhada.
FESTA DE REIS EM OUTROS PAÍSES

Na França, existe um costume antigo de consumir uma espécie de torta doce e recheada, a "Galette des Rois", em todo o mês de janeiro, e principalmente no primeiro domingo de janeiro, Dia de Reis.

Ao comprar a galette em "Boulangeries" (padarias) ou "Pâtisseries" (docerias), o francês ganha duas coroas de papel. Essa tradição vem desde a época dos romanos, quando se colocava uma "fève" (fava) seca ou grãos de feijão dentro da torta para se escolher o "Rei do Dia". Quem encontrar a fava na sua fatia, é eleito rei por um dia e tem até o direito de escolher a sua rainha. Atualmente, essa fava seca foi substituída por uma figura de porcelana.

É, com certeza, uma comemoração muito popular que faz a alegria de crianças e adultos.

A "Galette des Rois" francesa é preparada com massa folheada e recheada com um "Crème Frangipane" (creme de amêndoas), muito perfumado e delicioso, receita criada pelo pâtissier francês Pascal Regnault, especialista também em crepes, galettes e outras delícias francesas.

Na Itália e na Espanha, a galette é feita de pão doce em forma de coroa, decorado e recheado com frutas cristalizadas.

BOLO DIA DE REIS INGREDIENTES:

200g de manteiga

200g de açúcar

200g de amêndoas em pó

4 ovos

75g de farinha de trigo

2 discos de massa folheada de 3ml de espessura

Fôrma de 22cm de diâmetro

2 ovos ligeiramente batidos para pincelar a massa

MODO DE PREPARO:

Bata em batedeira a manteiga com o açúcar e as amêndoas. Depois que a mistura clarear e crescer, junte aos poucos os quatro ovos, um de cada vez, sem parar de bater. Incorpore por último a farinha e bata mais um minuto, só para misturar. Reserve na geladeira.

Montagem:Coloque um disco de massa folheada na fôrma e espalhe por cima o creme.

Coloque uma e cubra com o segundo disco de massa folheada. Pincele com ovo batido. Asse em forno pré-aquecido a 200°C, durante aproximadamente 25 minutos. Deixe esfriar, desenforme e sirva.

Rendimento : 10 porções
SIMPATIAS DAS ROMÃS

1) No dia de Reis, coloque três caroços de romã dentro da carteira para ter dinheiro durante o Ano Novo.

2) No Dia de Reis, dia 6 de janeiro, pegar uma romã e retirar 9 sementes pedindo aos 3 Reis Magos, Baltasar, Belchior e Gaspar que nesse ano que se inicia você tenha muita saúde, amor, paz, dinheiro.

Depois pegue 3 das nove sementes e guarde num saquinho, papel, o que der. Essas sementes ficarão dentro da carteira para nunca faltar dinheiro.

As outras 3 você engole e as últimas três que sobraram você joga pra trás fazendo o pedido que desejar. É infalível. Você pode não ficar rico, mas na sua carteira vai ter sempre algum dinheiro.

Fonte: http://www.tribunadonorte.com/

Praia Grande: Feira reúne 130 capoeiristas na cidade

Em comemoração ao 119º ano da Abolição da Escravatura, a 1ª Feira de Capoeira de Praia Grande reuniu 130 capoeiristas em torno de mestres de renome nacional, como Lima, de Santos; Geraldo, de Cubatão, Caranguejo, de Praia Grande; e Jogo de Dentro, de Salvador. Realizado no Ginásio Rodrigão, o evento arrecadou cerca de 300 quilos de alimentos que foram doados à Casa da Criança e do Adolescente de Praia Grande.
Para o organizador do evento, José Roberto dos Santos, mais conhecido como professor Betinho, a idéia foi destacar a capoeira e mostrar aos seus praticantes o potencial do esporte na região. “É um orgulho recebermos um evento como este. Espero que esta tenha sido a primeira de muitas feiras. A intenção agora é tornar esse evento anual”, afirma.
 
A feira de Praia Grande, realizada no último domingo (13), foi a primeira do Estado. “A Cidade mais uma vez sai na frente no que diz respeito ao esporte”, destacou professor Betinho.
 
Além dos jogos, os capoeiristas participaram de cursos de aperfeiçoamento destinado a professores e praticantes. O público pôde conhecer instrumentos e objetos ligados ao esporte, como atabaques, agogôs, berimbaus, alem de revistas, cds e peças de vestuário.
 
– Tradição:
 
No final do século XIX, a capoeira era proibida em todo o País. Decretos impunham duras penas aos praticantes. A perseguição ocorria pelo fato de a capoeira ter em sua essência a liberdade. Apesar das provações, resistiu e sobreviveu até os dias atuais. De luta proibida, passou a ser um esporte nacional, genuinamente brasileiro.
Manifestação da cultura popular brasileira, a capoeira reúne características peculiares: é um misto de luta, jogo e dança. O ritmo e as características do jogo são regidos pelo toque do berimbau, instrumento preponderante na orquestra de capoeira, que inclui pandeiro, atabaque, agogô e reco-reco, entre outros.
 
Os cânticos (às vezes acompanhados de palmas) também têm função importante na determinação do tipo de jogo. É um excepcional sistema de autodefesa e treinamento físico, destacando-se entre as modalidades desportivas por ser a única originariamente brasileira e fundamentada em nossas tradições culturais.
 
O espaço em que se pratica a capoeira é a roda: círculo em torno do qual se sentam (ou apenas se agacham) os praticantes. Junto à entrada da roda ficam os instrumentos, com o berimbau ao centro, comandando a roda. Todos os participantes devem saber tocar os instrumentos, de modo que possam se revezar na função, permitindo assim que todos tenham sua vez de jogar.
 
As palmas são de responsabilidade daqueles que estão sentados assistindo, esperando sua vez de jogar, acompanhando sempre o ritmo ditado pelo berimbau. Todos devem responder em coro aos versos cantados. Uma boa roda de capoeira acontece quando todos os envolvidos, ainda que poucos, estiverem participando com vontade, dando corpo ao acompanhamento musical e aumentando assim a motivação daqueles que jogam.
 

Banda Terreiro de Capoeira lança CD instrumental de Capoeira

Uma fina e harmonica simbiose entre a musica instrumental e a ímpar sonoridade da capoeira, é assim que defino o trabalho de qualidade da Banda Terreiro de Capoeira.
 
Ouvi e gostei muito! Uma demosntração da potencialidade e da criatividade dos músicos-artistas-capoeiristas da escola de Mestre Cascavel.
 
Luciano Milani
A banda "Terreiro de Capoeira" nasceu da vivência musical dos seus integrantes na comunidade do Terreiro de Capoeira do Mestre Cascavel. A banda tem na sua formação base Cascavel, Guerreiro, Lince, Macaco, Flora e Kaká.
 
Mestre Cascavel é "filho" do mestre Sabu, pioneiro na prática e ensino da Capoeira em Goiás. Mestre Sabu – que vive em Goiânia – é "filho" do mestre Caiçara (falecido em 1987), mestre-capoeira responsável por uma das escolas tradicionais da capoeira da Bahia no século XX.
 
Banda Terreiro de Capoeira lança CD instrumental de CapoeiraO trabalho musical do grupo começou com oficinas e aulas de música (sem fins lucrativos, com ênfase nos instrumentos e ritmos da Capoeira) destinadas a crianças e adolescentes. 
Essas atividades incluíam conhecimentos sobre o plantio das espécies necessárias para a confecção dos instrumentos afro-brasileiros – tais como biribas (para os arcos dos berimbaus), cabaças (empregadas nos afôxés e berimbaus), junco (usado no caxixi), contas de lágrimas (para compor caxixis e chocalhos), bambus (para a fabricação de reco-recos e varetas para tocar os berimbaus), cocos (para a confecção das marácas).
 
Os componentes da banda se revezam na percussão: agogô, adjá, afôxé, pandeiro, ganzá, reco-reco – pesquisando e experimentando sons, ritmos e melodias. As músicas nascem da reunião de amigos que se divertem fazendo um som (que se pretende agradável aos ouvidos de quem curte sentir o tempo passar). A integração desses elementos com a força dos ritmos e melodias tem como resultado final a música … e fácil de ouvir.
 
A proposta do grupo é fazer música de qualidade com produção e distribuição independentes. Neste sentido, gostaríamos de contar com o apoio do Portal Capoeira, disponibilizando para download algumas faixas do cd Berimbau de Ouro em arquivos no formato MP3.
 
O CD "Berimbau de Ouro" contém 10 faixas inspiradas em ritmos e tendências afro-brasileiros e latino-americanos: "Sabu Meu Mestre" "Axé Capoeira" e "Suassuna" são composições do Cascavel; "Hora de Lutar" é uma parceria de Cascavel e José de Souza Melo, o “Ás de Ouro”, também “filho” do Mestre Sabu. "Caiçara" é uma composição do Mestre Cascavel sobre temas tradicionais da capoeira. "A morte do Capoeira" – melodia do folclore da capoeira recolhida no recôncavo baiano pela professora Emilia Biancardi Ferreira na década de 60 – já teve versões de sucesso gravadas pelo Mestre Suassuna e pelo Mestre Onias.
 
A "Iuna" e o "São Bento do Mestre Bimba" são “toques” tradicionais (padrões ritmo-melodicos, cada um deles associado a um tipo de jogo com características próprias).
O "São Bento do Mestre Bimba" é um toque criado pelo mestre Bimba especialmente para um tipo de jogo rápido e ofensivo – que se tornou também a principal característica do estilo de capoeira criado por esse mestre que dirigiu uma escola de capoeira que se tornou conhecida em todo o mundo.
A "Cavalaria" é um toque de “aviso”. No passado os cultos e as danças dos terreiros de candomblé eram proibidos e sofriam perseguições policiais rigorosas. Na Bahia, até a década de 30, os esquadrões de cavalaria eram a força policial encarregada da repressão às manifestações da cultura negra – e a capoeira oferecia a reação possível. Este toque – também chamado de
"Aviso" – entrou para a história da Capoeira com o nome de Cavalaria. O "Samba de Angola" é o ritmo que simboliza a descontração dos câmaras do Terreiro nas rodas de samba.
 
O Cd Berimbau de Ouro pode ser adquirido  (R$11+correios)
pelo e-mail: [email protected]
 
Obrigado pela atenção!
Professor Guerreiro
 
Saudações!
 
Gostaríamos de contar com a sua ajuda divulgando o nosso CD de música instrumental – "Berimbau de Ouro" – inspirado nos toques e temas da Capoeira.

Fundação AlphaVille promove batizado de capoeira do grupo Renascer

Capoeira pode ser luta, dança, esporte, jogo, defesa pessoal, ginástica, folclore, arte, educação física, brincadeira, arte marcial, dentre outras definições. Berimbau, pandeiro, atabaque, reco-reco, agogô são os instrumentos usados para ritmar este bailado que era praticado, escondido, nas senzalas como uma brincadeira de Angola, e atualmente é uma manifestação da cultura brasileira, uma forma bonita e alegre de expressão física e intelectual. A capoeira é também fator de transformação social e isto será comprovado, amanhã, 24 de fevereiro, às 18h00, no Centro de Referência Sócio Ambiental e Cultural Cuiabano da Fundação AlphaVille, braço social da AlphaVille Urbanismo. 
     
Num clima de alegria a comunidade assistirá o primeiro batizado da turma de capoeira do bairro Renascer. O grupo foi formado no ano passado para atender uma das reivindicações da população da região, durante o Fórum de Desenvolvimento Local realizado pela Fundação AlphaVille. 
     
Miriam Sewo, agente de Desenvolvimento do Centro de Referência Sócio Ambiental e Cultural Cuiabano, disse que o grupo foi formado em novembro do ano passado e conta com 20 integrantes entre adultos, jovens e crianças. “A capoeira foi muito bem aceita por todos no bairro. Neste curto período de atuação, já percebemos mudanças positivas nas atitudes dos integrantes, mais comprometimento, respeito e integração”, ressalta. 
     
O batizado de capoeira é uma festa de integração do calouro, é sua estréia na roda de capoeira. Durante o batizado do grupo Renascer os alunos jogarão com o mestre de Mirassol do Oeste, Valmir Salustiano – Jacaré, e o professor José Sidney Gonçalves de Oliveira que irão “batizá-los”, com a faixa da primeira graduação.
     
      Toques & instrumentos 
     
O toque dos instrumentos comanda o ritmo e as características do jogo. Entretanto, nem todos os toques que dizem ser da capoeira são utilizados nas rodas com jogos específicos para eles. Os toques têm uma característica interessante. Muitos deles têm nomes de santos católicos, como é caso do São Bento Pequeno, São Bento Grande, Santa Maria e Ave Maria. 
     
O Berimbau, instrumento africano, é o principal utilizado na capoeira, dita o ritmo do jogo, é ele que comanda o toque a ser executado. O pandeiro é uma evolução do adufe, um instrumento de proveniência mourisca e de termo árabe, e chegou no Brasil através dos portugueses. O Atabaque, é instrumento oriental muito antigo entre os persas e árabes, já era usado na poética medieval e era um dos preferidos dos reis, que o utilizavam em festas, jograis e nos conjuntos musicais. 
      
O Reco-Reco é feito de gomo de bambu com sulcos transversais sobre o qual se passeia uma haste. Existe um outro Reco- Reco, industrializado, de metal, mas seu som não serve para a capoeira. O Agogô é instrumento musical de percussão de ferro, entrou no Brasil por via africana. É bastante utilizado nos folguedos populares, no samba e nas cerimônias religiosas. 
     
A música também é um importante ingrediente numa roda, estimula os jogadores, agita o público e transmite mensagens através de suas letras. A capoeira é a única luta do mundo que tem acompanhamento musical. Atualmente os capoeiristas estão cada vez mais criativos. Na disputa de um novo mercado, o das gravações de CDs, muitas músicas têm surgido com temas bastante variados.

Instrumentos musicais e Capoeira

Artigo de Raphael Pereira Moreno onde o autor aborda a função dos instrumentos musicais na história da Capoeira.


 
MÚSICA: A história e a função dos instrumentos musicais na capoeira.

Seguindo as notas sobre a origem da capoeira no Brasil (Toques de Capoeira nº 1 e n° 2), chegamos à conclusão de que nos três focos iniciais, Rio, Bahia e Pernambuco, a capoeira se apresentou de formas diferentes, nem sempre sendo acompanhada por música e instrumentos. Portanto, ao falar de instrumentos musicais, estou me referindo à capoeira que foi encontrada inicialmente na Bahia e que hoje em dia se espalhou pelo mundo.

É muito difícil determinar com precisão a data de inserção de um determinado instrumento musical na capoeira. Além disso, em alguns livros e relatos, folcloristas, capoeiras e pesquisadores em geral descrevem as histórias dos instrumentos de forma definitiva, o que provavelmente corresponde à capoeira que vivenciaram, acabando por chegar em algumas conclusões contraditórias. Tentarei analisar os registros que tive acesso e citar as fontes que considero mais importantes.

O primeiro registro de um instrumento musical relacionado com o jogo da capoeira aparece no início do século XIX, em 1835. Nessa ocasião, o artista Johann Moritz Rugendas apresenta na gravura de nome “Dança da Guerra”, o jogo da capoeira sendo brincado ao som de uma espécie de tambor.

Esse registro é importantíssimo e clássico na capoeira, pois comprova a utilização do tambor durante uma vadiação ” ou seria treinamento para luta? – de capoeira do século XIX. Porém não significa que nesta época não existissem outros instrumentos musicais associados ao jogo. Aquela foi a forma retratada por Rugendas, não excluindo a possibilidade da presença de outros instrumentos. Como descrevi antes, essa pode ter sido a capoeira que Rugendas viu e viveu durante sua estadia no Brasil. Porém, o mais importante é o registro da capoeira como manifestação muito difundida no início do século XIX, e da importância dos instrumentos musicais no jogo.

Seguindo os registros históricos, podemos perceber que a introdução de alguns instrumentos musicais utilizados atualmente é recente. Tudo indica que instrumentos como o agogô e reco-reco foram associados ao jogo da capoeira no século XX. Muitos aparecem com a criação do Centro Esportivo de Capoeira Angola de Mestre Pastinha, ou seguindo a criatividade dos capoeiras. Há relatos de outros instrumentos presentes também no ritual da Angola, ou na Capoeira primitiva da Bahia, como é o caso da palma-de-mão e até da Viola (vide depoimento de Mestre Pastinha). Pastinha se referia à Capoeira Santamarense, onde segundo o Etnomusicólogo Thiago de Oliveira Pinto a Capoeira, o Samba e o Candomblé sempre tiveram uma interação muito forte.

Na seqüência são apresentados os instrumentos musicais mais utilizados nas rodas atuais de capoeira.

O Berimbau

Caindo na classificação das cítaras, o berimbau que conhecemos hoje em dia pode ser descrito por um arco de madeira flexível, onde suas pontas são ligadas por um arame, tendo como caixa de ressonância uma cabaça que é presa em uma das pontas da madeira.

A origem desse instrumento ainda não é definida. Trata-se de um dos instrumentos musicais mais antigos, e segundo Kay Shaffe, já era conhecido por volta de 15.000 a.C. A entrada do berimbau no Brasil também não pode ser estabelecida com precisão, mas é provável a associação com os escravos. Desde os primeiros registros, o berimbau sempre apareceu sendo tocado por negros africanos e descendentes, além do fato dos arcos musicais africanos serem iguais aos brasileiros, em construção. Waldeloir Rego também cita que em Cuba, o berimbau, lá chamado de sambi entre outros nomes, aparece em cultos religiosos de origem afro-cubanas. Outra característica que reforça a introdução africana do berimbau no Brasil, é o fato de que antes da colonização, não existem registros de arcos musicais na cultura dos índios que aqui viviam.

Recentemente, circulou através de mensagem (e-mail) do capoeira Teimosia, se não me falha a memória, uma página de uma revista internacional de percussão contendo desenhos de arcos musicais de diversos lugares do mundo. Dentre os esboços, a maior parte composta de um arco contendo uma caixa de ressonância das mais variadas formas e presas nos mais variados lugares. O comentário vale para ressaltar que analisei os desenhos e o arco musical que mais se assemelha com o “nosso” berimbau estava classificado como instrumento musical da Tanzânia… ???? 

Um dos primeiros registros de um berimbau no Brasil foi realizado na alfândega do porto de Santos, em 1739. O instrumento também foi descrito por Debret em 1826. Em seu trabalho intitulado “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, o artista francês apresenta o desenho de um cego tocador de berimbau pedindo esmola, com uma breve descrição do instrumento e modo de tocar.

Uma vez no Brasil, ainda é muito difícil precisar a data da associação do berimbau com a capoeira. Atualmente, o instrumento é considerado indispensável na bateria de capoeira. Normalmente tocado por mestres ou capoeiras mais antigos, ele é utilizado para comandar as rodas, estabelecendo o ritmo das músicas e do jogo. O berimbau, junto com o canto do mestre, também dá a senha para o início e fim da brincadeira. Atualmente a arte de tocar o berimbau é utilizada inclusive para mostrar o conhecimento do capoeira, como tem sido muito discutido nesses dias.

Humbo, rucumbo, rucungo, rucumbo, urucungo, lucungo, gunga hungo, m”bolumbumba, marimba, gobo, bucumbunga, bucumbumba, uricungo, oricungo, orucungo, matungo, macungo, berimbau de barriga, violam e viola de arame são alguns dos nomes utilizados na literatura para descrever o berimbau. Hoje em dia, os nomes que sobreviveram, até devido à utilização nas cantigas são berimbau, gunga e viola. Dizem inclusive que o nome berimbau seria de origem portuguesa, enquanto gunga seria o nome africano, que na língua Yorubá significa Rei.

Nas rodas de capoeira, o instrumento tanto aparece sozinho, na maioria das vezes nas rodas da chamada Capoeira Regional, quanto em parceria com outros berimbaus. Porém, hoje em dia é comum vermos nas rodas de Capoeira Angola a bateria formada por três berimbaus. Um de som grave também chamado berra-boi ou gunga, um de som agudo chamado viola, e um último de som intermediário entre os dois primeiros, chamado médio. Durante o jogo de capoeira, cada berimbau possui sua função, e dessa forma, nas rodas de capoeira angola, cada um segue um toque, uma batida diferente. Uma ressalva se faz para lembrar dos mestres que montam sua charanga (bateria) conforme os modos da Luta Regional Baiana de mestre Bimba. Neste caso, mesmo que na bateria existam dois berimbaus, em geral ambos seguem o mesmo toque.

Como existem diversos toques de berimbau, ficando a cargo de cada mestre de capoeira a escolha “certa” ou que mais lhe agrada, sugiro para os interessados a leitura do livro “Monografias Folclóricas 2 ” O Berimbau-de-barriga e seus toques”, de Kay Shaffer. Nesse livro, o autor percorre a história do berimbau e analisa os toques mais utilizados pelos capoeiras mais famosos, inclusive descrevendo os mesmos através de partituras.

De som marcante, o berimbau se tornou um instrumento característico da capoeira. Tão característico que ao vermos um arco musical com esse formato, as pessoas, capoeiras ou não, já associam imediatamente a imagem ao jogo de capoeira. O mesmo não acontece com os outros instrumentos presentes na bateria de capoeira, como pandeiro, atabaque e outros, pois eles aparecem também em outras manifestações da cultura afro-brasileira como o samba, o jongo dentre muitas outras.

O assunto segue e num próximo TOQUE serão abordadas a história e a utilização de outros instrumentos também presentes no ritual do jogo de capoeira.

Pandeiro

Muito difundido e utilizado por diversos povos, o pandeiro é considerado um instrumento muito antigo, encontrado na Índia e até junto aos egípcios (1700 a.C.), com função de instrumento marcador de ritmo e acompanhamento. Da cultura árabe surge o adufe, que é um pandeiro quadrado sem platinelas.

A maior parte dos estudos aponta para chegada do pandeiro ao Brasil por via portuguesa. Inclusive existe registro que esse tambor já estaria presente na primeira procissão de Corpus Christi, realizada na Bahia, a 13 de junho de 1549. Fato esse que reforça a hipótese da chegada do pandeiro em navegações portuguesas para o Brasil, uma vez que a mão de obra escrava utilizada em maior quantidade nessa época era indígena. Com o passar do tempo, o instrumento foi absorvido pelos negros que passaram a utilizá-lo em suas manifestações culturais no Brasil.

Na capoeira, o pandeiro trabalha na marcação do ritmo estabelecido pelo berimbau. Na maioria das rodas de capoeira, o pandeiro utilizado possui pele de couro animal, tornando-se assim menos estridente. Inclusive, existem relatos de que Mestre Bimba retirava algumas platinelas do instrumento, tornando o som ainda mais grave, o que ele considerava o tambor da Regional. Em recente texto sobre instrumentos musicais, o amigo Miltinho Astronauta cita o cuidado que alguns capoeiras têm com seus instrumentos, como o saudoso Mestre Cosmo tinha com a afinação dos pandeiros. Segundo o mestre, os pandeiros deveriam ser afinados no tempo… no sereno, e tocados em pares, onde um marcava o passo e o outro se soltava no solo. 

Atabaque

Assim como o pandeiro, os tambores são instrumentos muito antigos. Difundido na África, o tambor também aparece em registros persas e árabes. Inclusive o termo atabaque é de origem árabe. Mesmo com essa ligação africana, acredita-se que o instrumento já tinha sido trazido por mãos portuguesas quando chegaram os escravos africanos.

Uma vez aqui no Brasil, o atabaque foi incorporado à cultura afro-brasileira de uma forma tão intensa que grande parte das manifestações culturais e religiões afro-brasileiras, se não todas, apresentam o tambor como instrumento musical marcante. O samba, o jongo, o maculelê, o batuque, a umbanda e principalmente o candomblé são exemplos.

Em documentário do diretor pernambucano Alexandre Fafe, apresentado recentemente pela TV Cultura, aparecem velhos e jovens participando de uma brincadeira que eles denominam Batuque de Inhanhum. Muito parecida com o Jongo, essa manifestação de origem negra se apresenta em uma roda, onde homens e mulheres se revezam no centro dançando em duplas, seguindo o som dos instrumentos tocados pelos mais experientes. No documentário, Inhanhum é mostrada como uma cidade muito simples, que através de seus moradores, tenta manter viva a cultura popular da região. Tão simples que o ritmo do Batuque é feito por tocadores de latas e pandeiros. Os instrumentistas que entoam as antigas cantigas utilizam latas usadas (de tinta ou óleo) para desenvolver o som. Ao assistir essa passagem, me veio a idéia do tambor como um instrumento rítmico totalmente intuitivo. Na verdade, o bater sincronizado das mãos nos mais diversos objetos (lembrando Sivuca e Hermeto Pascoal) faz ecoar sons, sendo os tambores construções evoluídas que otimizam assim o som emanado das batidas.

Porém, mais do que um instrumento musical, o atabaque é considerado por muitos um instrumento sagrado. No candomblé, os atabaques possuem participação especial, capazes de realizar, junto com os cantos, a ligação entre o mundo dos homens e dos orixás. Na capoeira, como não poderia deixar de ser, o atabaque se fez presente nos primórdios do jogo. Instrumento que, quando bem tocado, fornece uma beleza maior às baterias, aparece com freqüência nas rodas de capoeira como instrumento de marcação do ritmo estabelecido pelo berimbau. Uma exceção surge nas vadiações dos capoeiras que seguem “à risca” os ensinamentos de mestre Bimba, dentre os quais a não utilização do atabaque.

Mesmo que alguns pesquisadores afirmem que a utilização do tambor na capoeira não teve uma continuidade histórica, e que o atabaque foi introduzido na capoeira recentemente, talvez por Mestre Canjiquinha, com todo o respeito, considero improvável tal fato. Mestre Bimba, retirando o atabaque da sua bateria antes da década de 30 do século passado, só poderia ter tomado tal decisão se o atabaque estivesse presente na capoeira. Além disso, não desmerecendo os recursos e a criatividade do mestre da alegria, Mestre Canjiquinha nasceu em 1925, o que nos leva a concluir, após uma análise de datas, que seria muito improvável que o mesmo tivesse sido o responsável pela inserção do atabaque na capoeira.

Reco-reco

Instrumento comumente feito de um gomo de bambu, ou até mesmo uma cabaça alongada, com sulcos e tocado com uma vareta. Também aparece em construção de metal contendo molas ao invés de sulcos, como pude assistir em roda de mestre Curió. Acredita-se na sua origem africana, uma vez que sempre esteve ligado às manifestações afro-brasileiras. Atualmente, se mostra presente principalmente no samba, mas também empresta seu ritmo à outros folguetos como o lundu e até mesmo o reggae.

O reco-reco históricamente parece ter sido introduzido na capoeria através do Centro Esportivo de Capoeira Angola de mestre Pastinha. Hoje em dia aparece em muitas rodas dando sua contribuição na marcação do ritmo do jogo. Segundo Miltinho Astronauta, Mestre Gato Preto, um dos organizadores da Capoeria Angola no Vale do Paraiba, introduziu uma forma diferente de se dar início à bateria. No caso, o reco-reco inicia tocando, para só então, depois da assistência perceber que o ritual está sendo iniciado, é que o Berimbau inicia o toque de Angola, seguido pelo São Bento Grande, Angolinha (no Viola) e demais acompanhamentos. Mas em outros trabalhos também orientados por Mestre Gato Preto isto não acontece, ou seja, quem começa tocando sempre são os três berimbaus, e o reco-reco entra com os instrumentos de apoio.

Agogô

Instrumento musical formado por dois cones metálicos unidos por um arco também de metal, o agogô é outro instrumento muito presente na cultura afro-brasileira. Sua entrada no Brasil aconteceu com a chegada dos negros africanos. Inclusive o vocábulo agogô é de origem nagô e significa sino. Assim como no caso do reco-reco, sua aparição inicial nas baterias de capoeira ocorreu, possivelmente, através dos mestres Pastinha e Canjiquinha.

Presente em diversas danças e ritmos da cultura popular, sua maior participação é muito comum no samba e nos terreiros, nas cerimônias religiosas afro-brasileiras.

Considerações finais

Esse breve descritivo sobre os instrumentos nos permite navegar um pouco pela história da capoeira, tentando seguir sua evolução até se tornar o que conhecemos hoje. Nos faz perceber o valor da fusão das culturas na formação da capoeira mostrando mais uma vez seu caráter afro-brasileiro.

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