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Portugal: Lançamento do documentário Memórias do Recôncavo: Besouro e Outros Capoeiras

O vídeo-documentário Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras, do cineasta, músico, capoeirista e professor universitário da Ufba, Pedro Abib, 45, será exibido, pela primeira vez em Portugal, dentro da programação do VI Congresso Português de Sociologia, a realizar-se entre 25 e 28 de junho de 2008 em Lisboa No Porto, no Centro Comercial Brasília no dia 05/07 ás 16:30h e também em Leiria, no I Festival Internacional de Capoeira do Grupo Ginga Camará 2008 , sob a responsabilidade do grande capoeira e camarada Papagaio.

Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras, contemplado pelo edital Capoeira Viva – 2006 do Ministério da Cultura do Governo Federal é um documentário que aborda a capoeira e suas histórias num dos prováveis locais de seu surgimento no Brasil: o Recôncavo Baiano. A partir de depoimentos de antigos capoeiras moradores da região e também de estudiosos e pesquisadores, busca-se reconstruir a memória sobre fatos e personagens envolvidos com essa importante manifestação da cultura afro-brasileira, trazendo ainda um rico acervo de imagens de arquivo. O filme também busca reconstruir a história de um famoso personagem da região e um ícone da capoeira: o lendário Besouro Mangangá.

A Origem da Capoeira

A capoeira tem como um de seus prováveis locais de origem, segundo vários historiadores, uma das regiões mais férteis no sentido do florescimento cultural de raiz afro-brasileira: o Recôncavo Baiano. Segundo o cineasta Pedro Abib, o projeto está fundamentado a partir de uma profunda pesquisa documental sobre aspectos do surgimento da capoeira nessa região, contando também com depoimentos colhidos entre antigos moradores, mestres de capoeira, historiadores e pesquisadores da região.

“A partir das histórias narradas pelos antigos habitantes e da visita aos locais mais importantes como os velhos engenhos, fazendas, cidades, povoados e localidades do Recôncavo, reconstruimos uma parte da memória dos tempos dos grandes capoeiras da época a exemplo das lendárias figuras como Besouro Mangangá, Neco Canário Pardo, Cobrinha Verde, Ferreirinha de Santo Amaro, Gato, Noca de Jacó, Siri de Mangue, entre tantos outros capoeiras do Recôncavo que deixaram seus nomes na história”, disse Abib.

Entre os filmes já realizado pelo cineasta Pedro Abib destacam-se Batatinha e o Samba Oculto da Bahia (2007), premiado com dois “Tatu de Ouro” na 34ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia – 2007 (melhor Documentário e melhor Vídeo da Jornada) e Menção Honrosa no Festival de Cinema Atlantidoc – Montevideo – Uruguai – 2007; “Divino Espírito Popular” (2006 ) Selecionado para a Jornada Internacional de Cinema da Bahia -2006 e convidado para o Festival de Cinema Africano em Tarifa (Espanha) – 2006; “O Velho Capoeirista: Mestre João Pequeno de Pastinha” (1999) Prêmio Melhor Documentário no Festival de Artes da UNICAMP – 2002; “Fome de Que?” (1998) Participante do Festival de Cinema e Vídeo da Fundação Cultural de Salvador, 1998.

DocDoma Filmes

2008 é um ano de desafios para a DocDoma Filmes. Além do lançamento do documentário MEMÓRIAS DO RECÔNCAVO: BESOURO E OUTROS CAPOEIRAS, a produtora tem ainda a responsabilidade de produzir os filmes: O Trampolim do Forte, de João Rodrigo Matos, longa-metragem ( ficção ) com recursos do Ministério da Cultura; Cuíca de Santo Amaro – Ele o Tal, de Joel de Almeida e Josias Pires, longa-metragem (documentário) com recursos da Petrobras, Lei Rouanet, além dos curtas-metragens Cães, de Adler Paz e Premonição, de Pedro Abib, ambos filmes de ficção, vencedores do Programa Petrobras Cultural.

A DocDoma Filmes é uma produtora baiana que atua na criação e produção de documentários, curtas e longas metragens, vídeos institucionais, promocionais e educativos, além da produção de conteúdos para televisão.

FICHA TÉCNICA:

  • Argumento, Roteiro e Direção: Pedro Abib
  • Direção de Produção: João Rodrigo Mattos
  • Produção Executiva: Adler Paz
  • Direção de Fotografia: Alexandre Basso
  • Som: Kico Povoas
  • Montagem: Bau Carvalho
  • Produção: DocDoma Filmes
  • Ano de realização: 2008
  • Suporte: HDV
  • Duração: 54’

Jornalista Responsável:
Luiz Henrique Sena (71 8201-7018/ 71 3354-6123)
DRT 1879 Ba
Contato do Diretor: Pedro Abib : 71 8150-2882/71 3285-3292 pedrabib@ufba.br

DOC FILMES PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA.

Rua Almeida Garret, 35, Sala 205, Itaigara, Salvador – Bahia. Cep: 41815-320.

Telefax: (71) 3354-6123 – CNPJ: 07.718.282/0001-06

 

São Paulo: Mestre Ananias, Garoa do Recôncavo & Samba Chula de São Braz

 

O samba de roda Mestre Ananias e “Garoa do Recôncavo” recebe a visita do “Samba Chula de São Braz”, distrito de Santo Amaro da Purificação / BA, em São Paulo.

Tanto para a capoeira quanto para o samba paulistano será uma chance de refletir e vivenciar parte das influências que desenvolveram a cultura popular paulistana.

É um momento imperdível: um encontro de um remanescente do Recôncavo Baiano, responsável pela difusão desse legado em São Paulo, com seus conterrâneos que mantiveram essa cultura na sua forma original.

Moças arrumem suas saias e mostrem “o que é que a paulistana tem!”

 

Local:

Praça do Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195
Dia 23 e 24 de fevereiro (sábado e domingo)
Das 16h às 17h

Gratuito

Mestre Ananias lança seu 2º CD com samba de roda

 

A tradição e o ritmo do “samba de umbigada” da Bahia, acontece em festa aberta ao público no SESC Ipiranga em São Paulo no dia 12/12

Mulheres já podem preparar suas saias rodadas. No dia 12 de dezembro, tem samba de excelente qualidade no Sesc Ipiranga. E os homens também não poderiam ficar de fora da roda. Afinal, Mestre Ananias (vestindo como de costume camisa e terno muito brancos, chapéu panamá, sapato bicolor e colar para o Orixá) vai lançar, aos 83 anos, seu 2º CD próprio em São Paulo. O álbum é o volume II do Projeto Documental sobre o trabalho do Mestre, produzido pela Uirapuru Assessoria Cultural. Antes da roda de samba, os discípulos, alunos de Seu Ananias e os principais capoeiristas do Brasil, incluindo outros Mestres, participam de uma roda de capoeira, dando a todos um show de agilidade e brincadeiras, embalados pela famosa bateria de Mestre Ananias.

Conhecer a cor do samba, o “cheirinho” da Bahia e o dendê presente no ritmo do exímio capoeirista rebento de São Felix (Recôncavo Baiano) é mesmo um programa imperdível para toda a família. Mesmo porque as crianças também devem ser privilegiadas com uma rica vivência junto ao Mestre mais antigo e respeitado em São Paulo. Todos podem brincar com um ícone vivo da capoeira no Brasil. Com simplicidade, ele compartilha com todos os dispostos a “brincar” a herança ancestral africana que desde pequeno viveu na Capoeira, no Candomblé e no Samba de Roda, reconhecido em 2005 pela UNESCO como patrimônio imaterial e oral da humanidade.

Além disso, todo brasileiro sabe que “quem não gosta de samba, bom sujeito não é”. Então, prepare-se para chacoalhar as cadeiras e afinar a voz no coro. Mestre Ananias, à moda característica dos antigos mestres, vai comandar mais um samba e fazer a festa dos paulistanos.

 

Para ouvir uma das faixas do novo CD do Mestre Ananias
com exclusividade no Portal Capoeira, clique aqui

Dica: Samba de roda na Casa Mestre Ananias – Centro Paulistano de Tradições Baianas, localizada no Bixiga (rua Conselheiro Ramalho, 945), bairro de tradição afro-descendente

Breve histórico de Mestre Ananias

Quando jovem, em busca de trabalho, Ananias Ferreira foi acolhido em Salvador por um dos grandes mestres da capoeira, Valdemar da Liberdade. Grande ritmista, cantador e comandante de roda, Valdemar Rodrigues da Paixão é considerado um dos capoeiristas mais completos. A convivência com ele aconteceu junto aos mais expressivos nomes da capoeiragem: os mestres Pastinha, Traíra, Caiçara, Nagé, Onça Preta, Zacarias, Bom Cabelo e Canjiquinha, de quem Mestre Ananias recebeu seu diploma de mestre.

Em 1953, Mestre Ananias chegou a São Paulo, convidado pelos produtores Wilson e Sérgio Maia. Foi quando sacudiu os teatros paulistanos com o dramaturgo Plínio Marcos e Solano Trindade, junto aos sambistas Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro, Zeca da Casa Verde, Talismã, Jangada, Silvio Modesto e João Valente, entre outros batuqueiros.

Mestre Ananias ensina toques de berimbau
na Praça da República, onde fundou a roda
de capoeira que existe desde a década de 50

Entre suas participações no teatro e cinema brasileiros estão: a peça Jesus Homem e Balbina de Iansã, de Plínio Marcos; os filmes Pagador de Promessas; Brasil do Nosso Brasil; Fronteira do Inferno e Ravina, de Anita Castelane. Também fez apresentações teatrais com Ari Toledo no Teatro de Arena e gravações com o músico Jair Rodrigues.

Mestre Ananias foi um dos primeiros capoeiristas a estabelecer residência na terra da garoa. Consolidou junto a seus conterrâneos a Roda de Capoeira da Praça da República “para alegrar o povo que ali passava”. Há mais de 50 anos nessa roda, que representa um tradicional ponto de encontro de capoeiras em São Paulo, ainda a comanda com dedicação e muito respeito dos freqüentadores. Durante esse meio século, conviveu com grandes capoeiristas baianos que viveram e passaram por São Paulo, como Evaristo, Zé de Freitas, Limão, Silvestre, Paulo Gomes, Suassuna, Brasília, Joel e muitos outros.

Aos 80 anos, Mestre Ananias lançou seu 1º CD original de capoeira: Capoeira Documento Inédito. No começo do ano de 2007, com o apoio do edital federal Capoeira Viva, reabriu sua escola, para dar continuidade à história paulistana da capoeira tradicional (Angola). Com muito entusiasmo, comanda semanalmente as rodas que ali acontecem, com a presença de vários capoeiristas de São Paulo e do Brasil, às terças-feiras, a partir das 20h.

samba de roda do Recôncavo Baiano

O samba é, indiscutivelmente, símbolo de brasilidade, uma expressão musical, coreográfica, poética e festiva das mais significativas do país. E o samba do Recôncavo Baiano, bem como a capoeira e o candomblé, fazem parte da matriz dessa identidade. São elementos de um mesmo universo na cultura popular brasileira.

Fazer o samba de roda em São Paulo, cidade de migrantes nordestinos, de filhos e netos de baianos é uma retomada de nossas referências sócio-culturais e históricas. São mais de cinco milhões de praticantes de capoeira no país, sendo que a capital paulistana tem o maior número deles. Mestre Ananias é o guardião desse universo em São Paulo, onde vive desde 1953 perpetuando esse legado.

A tradição da festa popular foi mantida inclusive na gravação do CD, aberta ao público no começo do ano. Enquanto o coro respondia ao Mestre, homens e mulheres brincavam na roda de samba formada especialmente para o evento. “A mulher corre a roda e escolhe outra [outro] pra entrar, com uma umbigada. Um só de cada vez”, explica o mestre.

Agora, mais uma vez com festa, uma nova roda vai apresentar o trabalho produzido. Todos podem experimentar de perto a corporeidade, musicalidade, sensualidade, poesia, o belo, lúdico e sagrado do samba, pois a alegria vai contagiar o coletivo e integrar as pessoas de forma plena e harmoniosa.

Mestre Ananias lança seu 2º CD com samba de roda Roda de samba formada especialmente para a gravação do CD do Mestre Ananias,o qual será lançado oficialmente agora, com outra comemoração e também muito samba

Grupo Garoa do Recôncavo

Formado por discípulos, capoeiristas e sambadores, o grupo é um retrato do samba do Recôncavo Baiano liderado por um remanescente, com influências regionais na execução dos instrumentos e, é claro, no sotaque paulistano.

Formado por 10 integrantes, apresenta viola de 10 cordas, violão, cavaco, dois pandeiros, atabaque, percussão e coristas dançarinas caracterizadas.

SERVIÇO

LANÇAMENTO: CD VOLUME SAMBA DE RODA AO VIVO – DOCUMENTO INÉDITO

LOCAL: SESC IPIRANGA

DATA: 12/12/2007, das 18h às 21h30

PRODUÇÃO: Uirapuru Assessoria Cultural – Rodrigo (11) 5072 – 6579

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO: Brígida Rodrigues (11) 8116-1429

Fotos: Brígida Rodrigues

Filme: Besouro Preto – Black Beetle

Besouro Preto, valente capoeirista de Santo Amaro no Recôncavo Baiano, tema que está sob a luz do holofote nos últimos tempos, acaba de ganhar uma versão para o teatro escrita por Paulo César Pinheiro (ver matéria), um cordel escrito pelo camarada Victor Garcia, mais conhecido na capoeira como Lobisomem (ver matéria), já foi alvo de um filme/documentário de 2003, dirigido por Salim Rollins, muito interessante e bem estruturado o filme trás grandes personagens da nossa capoeira assim como relatos de diversos estudiosos e pesquisadores.
 
 
Vale a pena assistir!!!
*Matéria sugerida por André Luiz, depois de ter comentado a matéria original da peça de teatro que fala sobre Besouro.
 
Escrito por André Luiz em 2006-12-08 22:28:38
 
"Só espero q acertem na contextualização histórica e não coloquem Besouro jogando Luta Regional Baiana e tão pouco Abada Style of Capoeira. Sejamos genuínos, não caiamos nos estereótipos amercianóides. Besouro e o Brasil agradecem. Axé!"
 
Escrito por Luciano Milani em 2006-12-08 22:33:44
 
"Sem dúvida é uma questão onde será preciso grande esmero e estudo do criador e da equipe de profissionais que estão preparando a peça…
 
Besouro, de Santo Amaro, é uma lenda entre nós capoeiristas.
 
Dica de um ótimo filme sobre Besouro: Black Beetle."
 
Escrito por André Luiz em 2006-12-09 20:10:58
 
"Olá Luciano;
 
O "post" acima é de minha autoria. Esta questão da identidade cultural de nosso povo é polêmica e apaixonante. É preciso tratar com muita lucidez o tema para que não nos equivoquemos.
Obrigado pela sugestão do filme "Black Beetle". Vc pode facilitar-me mais informações sobre o filme tais como Direção, produção ou mesmo um meio de consegui-lo de preferência pelo melhor preço do mundo?
 
Axé."
Caro André, leitores e visitantes do Portal Capoeira, abaixo maiores informações sobre o filme  BESOURO PRETO – "BLACK Beetle"
 
 
Besouro Preto
 
Dirigido por Salim Rollins
 
 
No estado da Bahia, nordeste do Brasil encontra-se uma região das terras férteis espalhadas em torno da cidade do Salvador, chamada o Recôncavo.  Durante o período da escravidão, a área foi reconhecida por seus rendimentos elevados do cultivo de Cana de Açúcar.   Da pequena cidade de Santo Amaro, situada no Recôncavo Baiano, vem a lenda de um homem embebido na tradição espiritual africana, um Capoeirista valente que desafiava as autoridades.   Alguns dizem que era nobre, outro um criador de problemas e confusões.  
 
Não há nenhuma dúvida que Besouro Preto (besouro preto) era uma figura histórica e respeitada no Recôncavo baiano. Mas onde a figura histórica e o mito começam?  
 
Besouro Preto olha profundamente o mundo misterioso de Capoeira, a evolução histórica, suas tradições espirituais/religiosas, sua filosofia, e a vida de um dos mais misteriosos capoeiristas: Besouro Preto. 
 
As entrevistas foram realizadas com os alguns dos mestres dos mais importantes da capoeira, assim como historiadores e religiosos.   Poucos documentários tentaram envolver o lado místico da Capoeira.   Com as histórias que são reveladas, uma nova luz vertente na história da Diáspora africana e tradições espirituais no Brasil.
 
Direção: Salim Rollins
Produtor Executivo: Gordon Parks
Fotografia: Joshua Bee Alafia
 
(No português com subtítulos em ingles)  
 
 


Besouro Preto
 
Directed by Salim Rollins
 
In the northeastern state of Bahia, Brazil lies a region of fertile lands spread around the city of Salvador, called the Reconcovo.  During slavery, the area was recognized for its high yields of sugarcane.  From the small town of Santo Amaro, located in Bahia’s Reconcovo, comes the legend of a man steeped in African spiritual tradition, a Capoeirista (practitioner of the movement/martial art Capoeira) who took it upon himself to challenge those who abused their  power.  Some say he was noble, others a troublemaker who disrespected the powers of authority. 
 
There is no doubt that Besouro Preto (Black Beetle) was a historic figure in Bahia’s Reconcovo. But where does the historic figure end and the myth begin? 
 
Besouro Preto looks deeply into the mysterious world of Capoeira, it’s historic evolution from Africa to Brazil, its spiritual/religious traditions, its  philosophy and then into the life of one of its biggest enigmas: Besouro Preto . 
 
In depth interviews were conducted with some of the most important Masters of the discipline as well as historic and religious scholars.  Few documentaries have attempted to delve into the world of Capoeira mysticism.  Through the stories and historic findings that are revealed, new light is shed on African Diaspora history and African spiritual traditions in Brazil.
 
Noted filmmaker Gordon Parks served as Executive Producer and Joshua Bee Alafia was the director of photography for Besouro Preto .
 
(In Portuguese with English subtitles)  

Entrevista Especial: Mestre Ananias

O Portal Capoeira, através do camarada Minhoca, Uirapuru Assessoria Cultural e a Associação Cultural Cachuera , tem o enorme prazer de trazer esta entrevista especial com o Mestre Ananias, e convida-lo para a gravação de seu CD vol II com seu grupo de Samba de Roda "Garoa do Recôncavo". A gravação será realizada ao vivo, em duas apresentações e com venda de ingressos limitados, uma vez que se trata de um registro. Pretende-se manter a autenticidade do samba de roda portanto a participação da comunidade é fundamental. Todos são convidados especiais para esse momento importante da cultura afro-baiana na capital paulistana.

Para maiores detalhes sobre o Projeto Documental de Mestre Ananias, clique aqui.

Mestre Ananias é um dos icones da Capoeira em São Paulo, com seus 81 anos, Mestre Ananias é a síntese da herança africana do povo brasileiro. Vive a Capoeira, o Samba e o Candomblé sem dissociá-los, esclarecendo no seu comportamento questões sobre a ancestralidade do nosso povo. Nascido no ano de 1924, em São Félix, região do Recôncavo Baiano cuja fertilidade cultural merece estudo aprofundado. Absorve o contexto no qual está imerso e na metade do século XX vem para São Paulo a convite de produtores do teatro paulistano. Trabalha com Plínio Marcos, Solano Trindade e outras personalidades, em todos os teatros da cidade. Em 1953, ano de sua chegada, Mestre Ananias funda a roda de capoeira mais tradicional de São Paulo, a Roda da Praça da República. Essa ganha força com a chegada de seus conterrâneos e nesse ínterim a capoeira exerce de fato um dos seus principais fundamentos, integrar à sociedade, classes desfavorecidas frente às imposições e preconceitos raciais e sociais.

 
Nome (completo): Ananias Ferreira
Data de nascimento: 01/12/1924
– O que é capoeira, mestre?
 
Capoeira pra mim é saúde, um esporte pra home, no modo de fala!! tem que ter coragem, se comportar, aceitá um beliscão, não é só bate, porque hoje é assim… Nós temos saúde de ferro, tem nego que fala que é dança, pra mim é a dança da morte, a capoeira mata sorrindo, um cumprimento é gorpe, rapaz!!! É tudo na minha vida, se não fosse a capoeira eu não estava com a idade que estou.
 
– Como o senhor começou (e quando) com capoeira (sua história)?

Desde os 14 anos, é a idade pra sentir a capoeira na pele, antes disso não tem noção de nada, não entende “patavida”, essa é a idade que dá pra começar contar história, que comecei a ficar esperto. To no meio disso desde pequenininho, sou de São Félix / Cachoeira
 
– O que o senhor pode dizer sobre quem que te ensinou?

Juvêncio estivador, ele era o mestre, fazia capoeira na beira do cais de São Félix, no Varre Estrada, nas festas da Igreja de São Deus Menino e Senhor São Félix. A roda era formada com João de Zazá, os irmãos Toy e Roxinho, Alvelino e Santos dois irmãos também de Muritiba, Caial, Estevão capoeira perversa, esse era vigia da fábrica de charuto (“Letialvi”) e tanta gente que… Traíra e Café de Cachoeira… Ninguém ensinava, mas o mestre mesmo era o Juvêncio, todo mundo se reunia e pronto, não tinha esse negócio de procurar um mestre. Depois, quando fui pra Salvador, lá sim, cheguei na roda do Pastinha em 1940 mais ou menos. Eu morava na Liberdade, na rua XIII e nos domingos ia assistir a roda do Mestre Waldemar e comecei a freqüentar. Nas 4ª feiras tinha treino e domingo era a roda para apresentar para o povo, os americanos que iam lá ver nosso trabalho. Formava com o Dorival (irmão do Mestre Waldemar) Maré, Caiçara, Zacaria, Bom Cabelo, Nagé, Onça Preta, Bugalho e Mucunge tocador de berimbau. Na capital comecei melhorar meu berimbau e jogo com o falecido Waldemar, com o tempo recebi o posto de Contra Mestre do Waldemar, um teste rigoroso com os mestres.
Canjica foi grande capoeirista, sambista, cantador, ritmista, o home era completo, fiz show com ele aqui em São Paulo, conheci ele na Bahia e depois aqui, joguei capoeira junto dele sempre fora, fazendo show, não na academia não, e peguei meu diploma com ele, na época antiga não tinha esse negócio de diploma não.
 
– Quem eram seus exemplos quando o senhor começou praticar capoeira?

Nagé e Onça Preta era bonito, jogo bailado, dando risada, fazendo macaquice, muito bonito… já os outros era mais duro. Maré e Traíra também tinha jogo muito bonito, Bom Cabelo e Zacarias, agora o Waldemar era o Mestre né, bom demais, era bom em tudo. Caiçara, Caiçara era endiabrado e Dorival, quando se encontravam, hum!! Eram inimigos dentro da roda, o jogo era brabo, já fora não sei…
 
– O que o senhor acha mais importante para ser um bom capoeirista?

Tem que se dedicar para saber de tudo na capoeira, dos instrumentos ao jogo e sabe ensina também, tem muita coisa pra frente, não é só também bate um instrumento não, tem muita coisa…
 
– O que e o diferença entre o capoeira antigamente e a capoeira agora?

Muita diferença… quer comparar a capoeira da antiga com a descarada de hoje em dia…hum! Hoje nessa vagareza, vamu por um pouco mais de lenha, sentando no chão… por isso desclassificam a capoeira de angola, tem que ser em cima e em baixo, jogo vivo. E mais viu… Tão inventando moda, a capoeira é do mundo, ela é do mundo não tem dono não, querem ganhar dinheiro em cima dos trouxas. O ritmo era vivo, as notas explicadinhas, hoje em dia é uma tristeza, não dá pra entende viu.
 
– E o samba Mestre, com quem o senhor aprendeu!?

Lá com os velhos na Bahia, nos candomblés, nas rodas de samba, fazia a capoeira e depois o samba particularmente. Meu pai principalmente, fazia qualquer negócio, era o home do samba junto dos seus cumpadres violeiros, com pandeiro junto, e eu tava no meio aí aprendi.
 
– E o grupo “Garoa do Recôncavo”, onde surgiu!?

Ta muito bom, formei entre eu e meus alunos, primeiro veio a capoeira, depois juntei com os meninos aí pegou no breu, todo mundo ta aplaudindo e daqui pra melhor, tem que melhorar né e agente chega lá. Esse samba que agente faz é antigo, eu era menino quando aprendi, é o samba duro lá do Recôncavo… E o Cd, com as graças de Deus vai ser bom, ta ficando bom

 
– O que o senhor quer ensinar aos seus discípulos?

Tudo o que está dentro de mim, para ensinar aos meus alunos, depende da boa vontade deles né, mas ninguém quer nada com nada e eu quero meu cantinho de volta, é a casa de todos nós, onde todo mundo vem e gosta, mas até agora… tá todo mundo cobrando nosso espaço de volta
 
– Onde estará a capoeira em 20 anos?

Depende dos mestres né, por que do jeito que vai, essa anarquia, principalmente em praça pública, só pensam em valentia, vamu pensar melhor, ó o futuro aí…
 
– O senhor tem uma cantiga da Capoeira que o senhor prefere ou gosto muito de cantar?

Todas elas, são iguais, todas boas

 
– O que o senhor gosta de fazer fora da capoeira?

Candomblé, como ogâ das entidades, so pintado, raspado e catulado, à disposição dos orixás, mas… também ta tudo modificado, até as entidades estão modificadas, os cantos…
 
-Talvez o senhor possa nos contar mais sobre o seu grupo

Nosso grupo tá ótimo, o que falta é um espaço né, mas dependo de vocês, uma andorinha só não faz verão, vamos se junta, muita ciumera em cima de mim, um diz isso, outro aquilo, é um “disse-me disse miseravi”.

Mais informações no fone 11 5072 65 79

 

Outras Matérias relacionadas ao Mestre:
 

O Jogo da Capoeira – Coleção Recôncavo n.3

Mais uma vez o Portal Capoeira trás mais uma obra de enorme valor histórico,  em colaboração com o camarada Bruno Souza e Cris Young, conhecidos na capoeiragem como: Teimosia e Cantor. É um enorme prazer poder compartilhar com todos os amigos e leitores do nosso site uma obra rara como esta, sempre lembrando que boa informação é aquela que é compartilhada…
 
O Documento em questão foi editado pela Tipografia Beneditina em 1951, e distribuido pela Livraria Turista, Salvador – BR.
Deste caderno de nº 3, da Coleção Recôncavo, organizada por K. Paulo Hebeisen, foram tiradas apenas 1500 cópias sendo que a cada uma delas foi atribuido um numero de 1 a 1500, rúbricados pelo artista. ( este que está sendo partilhado é o de número 146 )
 
O JOGO DA CAPOEIRA – 24 DESENHOS DE CARYBÉ é sem dúvida nenhuma uma obra de arte e uma preciosidade!!!
 
Uma leitura leve e agradavel, recheada com as fantásticas ilustrações de Hector Julio Páride Bernabó – Carybé.
 

Hector Julio Páride Bernabó – Carybé (Lanús, Argentina, 7 de fevereiro de 1911 – Salvador, BA, Brasil, 2 de outubro de 1997).
 
Pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, muralista, pesquisador, historiador, jornalista
 
Fez 5 mil trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços. Desenhou para livros de Jorge Amado. Era obá de Xangô, posto honorífico do candomblé. Morreu do coração durante uma sessão num terreiro de candomblé.
 
Uma parte da obra de Carybé se encontra no Museu Afro-Brasileiro de Salvador, são 27 painéis representando os orixás do candomblé da Bahia. Cada prancha apresenta um orixá com suas armas e animal litúrgico. Foram confeccionadas em madeira de cedro, com trabalhos de entalhe e incrustações de materiais diversos, para atender a uma encomenda do antigo Banco da Bahia S.A., atual Banco BBM S.A., que os instalou em sua agência da Avenida Sete de Setembro, no ano de 1968.

Capoeira Angola: Encontro internacional reúne capoeiristas em Salvador

Nesta quarta-feira (04) acontece em Salvador o II Encontro Internacional de Capoeira Angola. O evento realizado pelo Grupo Semente do Jogo de Angola reunirá mestres e praticantes de Capoeira de diversos países com o objetivo de intercambiar idéias e aprofundar conhecimentos sobre a Capoeira Angola, gênero difundido pelo mestre Pastinha.
 
Estão sendo esperados visitantes de países como Canadá, Estados Unidos, Grécia, Alemanha, além de delegações de outros Estados do Brasil. Na oportunidade, serão realizadas oficinas de fabricação de instrumentos, palestras sobre cultura africana e ecologia, debates com renomados mestres da Capoeira Angola e ainda o lançamento do livro "Capoeiristas na cidade Bahia".
 
As atividades acontecerão no espaço Casa da Mandinga, no Garcia. A abertura será na Praça da Lapinha, Liberdade, e o encerramento na cidade de Cachoeira de São Félix, no Recôncavo.
 
A Capoeira Angola é uma das principais formas de resistência do povo negro no Brasil. Com o misto de dança e luta, era praticada pelos africanos escravizados, fazendo com que estes se preparassem para alguma rebelião ou conflito. Hoje a Capoeira Angola é conhecida em todo o mundo, despertando a curiosidade de brasileiros e estrangeiros.
 
PROGRAMAÇÃO
 
Dia 04
15h – Roda em frente à Igreja da Lapinha – Liberdade
 
Dia 05
16h30- Roda para os participantes na Casa da Mandinga, Rua José Alves Ferreira, n.º 165, Garcia.
 
Dia 06
17h- Palestra com Prof. Jorge Conceição – “Capoeira Angola e o resgate da ancestralidade ecológica”, na Casa da Mandinga, Garcia.
 
Dia 07
9h – Oficina de fabricação de Berimbau e Caxixi, na Casa da mandinga, Garcia.
17h – Roda aberta
 
19h30 – Coquetel, exposição de fotos e lançamento do Livro "Capoeiristas na cidade Bahia" de autoria do Contra Mestre Bel, na Casa da Mandinga, Garcia.
 
Dia 08
10h- Encerramento do Encontro com Roda na Praça principal de Cachoeira de São Félix, no Recôncavo baiano.
 
Mais informações pelo tel: (71) 3328-5756 / 8101-7320 (Fábio Mandinga) ou no site: