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Rivalidade feminina nas rodas

Rivalidade e competitividade existem desde que o mundo é mundo e não é exclusividade feminina. Mas entre as mulheres a rivalidade normalmente é mais acirrada ou, pelo menos, mais perceptível.

Infelizmente é comum as mulheres se verem como oponentes ou inimigas uma das outras, e se posicionarem de tal modo como rivais que ganham a fama de fofoqueiras, invejosas e traiçoeiras.

Na capoeira não é diferente e, nas rodas, a rivalidade feminina também faz fama, causa desunião e, algumas vezes, acaba até em briga e puxões de cabelo.

Já me indignei com um campeonato onde o regulamento para as competições masculinas e femininas eram bem diferentes. Ao questionar, a explicação foi de que “as mulheres levam tudo para o lado pessoal”. Mesmo a contra-gosto, observando algumas mulheres nas rodas nos dias que se seguiram, fui obrigada a concordar.

Mas por que isso acontece?

Sem dúvida existe a herança dos tempos das cavernas, onde se destacar para conquistar um macho de qualidade era até mesmo questão de sobrevivência. Mas os tempos mudaram e, ao invés de largar a competição, ela foi levada para outras áreas da vida, como o trabalho, ou, no caso, as rodas.

É bom lembrar que, independente do sexo, querer se destacar, ser o melhor, faz parte da natureza humana e é até saudável pois estimula a superação.

O fundamental é reconhecer quando a rivalidade passa dos limites, pois assumir a vida como um jogo onde o outro é um adversário que precisa ser “vencido” costuma ser sintoma de imaturidade e baixa autoestima.

Nesta situação, o melhor remédio é reconhecer que todos têm seus pontos fracos e fortes e que, a melhor forma de evoluir, é através da ajuda mútua, e não da disputa.

E para quem foi eleita “a rival” de alguém, não há nada melhor do que um elogio sincero a algo que “a oponente” tenha de bom ou faça bem, pois conhecer as próprias qualidades é um ponto de partida para o resgate da autoestima e para o fim da necessidade de se auto promover passando por cima do outro.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Minc destina R$1,2 milhão para projetos de capoeira

Ministério da Cultura lança edital, homenageia João Pequeno e anuncia bienal na Bahia

O Ministério da Cultura (Minc) lançou, ontem pela manhã, o novo edital do programa Capoeira Viva, que distribuirá um total de R$1,2 milhão a projetos de todo o Brasil que tenham como vértice a mistura de luta, dança e rito trazida ao Brasil pelos negros escravos, no final do século XVIII. Realizada no Palácio Rio Branco, a solenidade homenageou o mestre capoeirista mais antigo ainda vivo, João Pequeno. Ele completa 90 anos em 27 dezembro. O ministro interino Juca Ferreira anunciou ainda que Salvador sediará, em 2008, a Bienal Mundial da Capoeira, além de ser palco da festa de tombamento da arte como patrimônio cultural brasileiro.

 

O Minc premiará projetos ligados à capoeira em quatro linhas: ações socioeducativas de mestres capoeiristas com foco na recuperação da auto-estima, que podem receber de R$8 mil a R$18 mil cada um; projetos inéditos de pesquisa e documentação sobre o desenvolvimento da capoeira no Brasil e exterior, no valor máximo de R$20 mil; apoio a acervos documentais, cujo aporte chegará até R$50 mil; projetos de utilização de mídias e suportes digitais, eletrônicos e audiovisuais, que podem receber até de R$30 mil.


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“Este projeto faz parte do intento do Minc em transformar a capoeira como instrumento de políticas públicas”, afirma o presidente da Fundação Gregório Matos, Paulo Costa Lima. O órgão coordenará o processo do edital. As inscrições abrem em 22 de outubro. O resultado da seleção sai em fevereiro. O valor destinado nesta edição é 29% superior ao anterior, quando foram premiados 74 projetos.

 

A solenidade de lançamento do programa Capoeira Viva congregou sábios capoeiristas de várias gerações, mas o homenageado, mestre João Pequeno, não pôde comparecer, por conta de problemas de saúde. Foi representado por uma neta. “Eu cumpri a missão que o mestre Pastinha me deu. Ajudei a manter o nome da capoeira angola e o dele que será eterno, graças a Deus”, disse à reportagem do Correio da Bahia, em casa, no bairro da Fazenda Coutos.

Patrimônio – A capoeira já é praticada em mais de cem países, mas o ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, admite que o estado brasileiro peca em apoiá-la. “Temos que reconhecer que em alguns lugares na Europa e nos Estados Unidos, nossos capoeiristas são melhores tratados e recebidos do que no Brasil. Queremos mudar isso”.
Ferreira informou que o processo de tombamento da capoeira como patrimônio cultural brasileiro estará concluído até o fim do ano. “Nós devemos esperar o fim do Carnaval para fazermos o anúncio oficial que ocorrerá em Salvador”, explicou Ferreira. Mais informações sobre o edital no site www.capoeiraviva.org.br.

 

 

Universidade quer criar centro da arte-luta

Entre os projetos que concorrerão ao edital do Capoeira Viva, estará o da Universidade Federal de Bahia (Ufba), que pretende criar um centro de cursos, oficinas e memorial da capoeira. O núcleo será batizado de Aruandê – corruptela de Aruanda, que remete a Luanda, capital de Angola.

 
O pró-reitor de extensão da Ufba, Ordep Serra, informa que, além de professores da instituição, mestres de capoeira e o governo participaram do projeto. “É responsabilidade da universidade atuar neste processo de difusão da capoeira”.
 

A Ufba pretende outorgar o título de mestre de ofícios e saberes populares a capoeiristas. O Minc planeja fazer o mesmo. “É preciso reconhecer os saberes dos mestres para que eles possam ensinar nas universidades e nas escolas públicas sem a necessidade de um título acadêmico”, afirmou o ministro interino Juca Ferreira. Para o mestre Nenel, filho de mestre Bimba, existe ainda uma dificuldade na sociedade em reconhecer o conhecimento aprendido na rua pelos capoeiristas.

Flávio Costa
Correio da Bahia – Salvador,Brasil
http://www.correiodabahia.com.br