Blog

relação

Vendo Artigos etiquetados em: relação

Casal de Itaúna comemora união com capoeira

No Dia dos Namorados, casal de Itaúna comemora união com capoeira. Filipe Carvalho e Pamela Sousa, de Itaúna, namoram há oito anos e fazem da arte da ginga um elo para a relação. Casal relata experiências envolvendo o esporte

O esporte é aliado quando o assunto é unir casais apaixonados. Afinal, um carinho entre um jogo e outro é um incentivo a mais para se sair bem nos combates. Filipe Carvalho, de 28 anos, e Pamela Sousa, de 26, sabem bem o que é construir uma relação unida não só pelo amor, mas também pelo esporte. O casal de Itaúna faz da ginga da capoeira um elo a mais entre os dois, Filipe é o professor de capoeira da amada há oito anos e foi através do esporte que os dois já viveram belos momentos juntos.

Foi na faculdade, em 2006, que eles se conheceram. Ela, estudante de Engenharia de Produção; ele estudando Educação Física. Olhares nos corredores fizeram com que Filipe procurasse saber mais sobre aquela jovem e então ele contou com a ajuda de uma amiga para apresentar os dois e dar início ao romance.

No começo, ao começarem a namorar, Filipe já era adepto a capoeira. Ele conta que nos passeios com Pamela sempre surgiam assuntos relacionados ao esporte e que isso a incentivou conhecer a arte da capoeira.

– Pratico a capoeira há 14 anos e quando conheci minha namorada já dava aulas dessa arte, então não tinha como fugir. Era até engraçado, pois a gente saía para tomar um sorvete, falava de capoeira, saía para jantar, o assunto era capoeira. Até em festa com amigos novamente a capoeira era nosso assunto principal. Não tem jeito, o esporte nos uniu e une até hoje – comentou.

Após tanta propaganda positiva que Filipe fazia da capoeira, Pamela decidiu conhecer mais sobre a arte um mês depois do início do namoro. Porém ela não foi sozinha, levou os irmãos para fazerem parte do mais novo desafio. A irmã praticou durante três meses, o irmão durante um ano e ela está há a oito anos fazendo da capoeira uma filosofia de vida.

– São amores paralelos. Fiquei encantada pelo Filipe, e ele me fez apaixonar pela capoeira. Meu avô já praticava o esporte, mas foi por influência do meu namorado que conheci todas as maravilhas que essa arte envolve. – contou Pamela.

Não bastasse apenas namorado, Filipe também é o professor de Pamela, e ele admite que ela é mais cobrada que os outros alunos e que pega firme nas aulas com a namorada.

– Eu sei que as pessoas já vão jogar com ela sabendo que ela é a namorada do professor, então intuitivamente já imaginam que ela tenha um bom jogo, por isso pego firme com ela nas aulas. A Pamela reclama por ser mais duro com ela, mas só faço isso porque sei que ela é uma excelente aluna e tem muita facilidade de pegar as novidades de movimentos sequências – explicou.

E como em toda relação, a do casal de capoeiristas também é feita de altos e baixos. Entretanto eles têm uma “carta na manga” e fazem do esporte uma bela desculpa para se verem e se unirem novamente. Pamela conta já foi necessário dar um tempo na relação. Durante seis meses eles ficaram separados, mas os encontros nas rodas de capoeira continuavam, o que foi crucial para se reaproximarem.

– Durante o tempo que ficamos separados ele continuou sendo meu professor e sempre nos encontrávamos nos eventos de capoeira e foi através de um desses encontros que reatamos. Acho que a partir dessa história dá para as pessoas perceberem o quanto o esporte é importante na nossa relação – analisou.

HOMENAGEM ROMÂNTICA

Em abril deste ano, o casal conquistou a graduação na capoeira juntos. As graduações no esporte têm várias etapas. Primeiro, a formação de aluno, depois instrutor, professor, contra-mestre e mestre.

Na ocasião, Pamela se tornou formou como aluna e Filipe como instrutor. Mas para serem nomeados, eles tiveram que programar uma apresentação com danças e ritmos relacionados ao esporte como maculele, puxada de rede, congado, chorinho, samba e samba de roda.

Filipe aproveitou a formatura e fez uma homenagem à amada. O capoeirista romântico passou o seu cordão, um grande símbolo na capoeira, para a namorada. Pamela diz que foi um dos momentos mais emocionantes da sua vida.

– Foi lindo! Uma surpresa e tanto quando recebi o cordão que ele conquistou. É um dos melhores presentes que Filipe já me deu, tudo isso tem um grande significado para nós e tenho certeza que sempre ficará marcado na nossa história – recordou emocionada a jovem.

*Colaborou Bárbara Almeida sob supervisão de Vanessa Pires

 

Fonte: GloboEsporte.com*Divinópolis, MG

Cultura negra e diversidade sexual são temas do 9º Ciclo de Debates

Nesta semana, os debates do 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo dialogam sobre as relações entre as diversas formas de discriminação, sexualidades e inclusão. O Hip Hop, o breaking e o grafite marcam presença e apresentam a arte como ferramenta de transformação social.

De acordo com o decreto da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabeleceu 2011 como o Ano Mundial do Afrodescendente, o Ciclo de Debates do 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo discute a relação entre as diversidades racial e sexual. Nos próximos dias 14 (quarta-feira) e 15 (quinta-feira), as duas mesas abordam a problemática da discriminação, machismo e homofobia, além de apresentar um panorama da cultura Hip Hop como ferramenta de inclusão social. As atividades são gratuitas.

“Co-responsabilidade com a juventude negra” é o tema de quarta-feira, que ocorre às 18h30 no Centro de Integração à Cidadania (CIC) Norte, localizado no distrito de Jaçanã. Participam da discussão a militante Chindalena Barbosa, membro da Associação Frida Kahlo, da Articulação Política da Juventude Negra, e das Negras Jovens Feministas; e o coordenador de Relação Internacional da Rede Afro LGBT, Edmilson Medeiros.

Na quinta-feira, às 18h, o Sindicato dos Bancários é o palco do debate “Hip Hop com a boca no trombone”, que abre com a exibição do documentário “Com a Boca no Microfone”, que narra a recente cena de rap gay em ascensão nos Estados Unidos. Na mesa, presença dos militantes Davison Nkosi – do grupo Kilombagem – Valéria Mota e a produtora do projeto Hip Hop Mulher, Tiely Queen. Ao final, os MCs Correia e Dena Hill Hahim se apresentam com o grupo de breaking B.Girls Art’Culando na Praça do Patriarca.

Ambas as atividades integrantes do 9º Ciclo de Debates são promovidas pela APOGLBT, em parceria com a Associação Frida Kahlo e a Articulação Política de Juventudes Negras. Toda a programação conta com o apoio do Grupo ELES o GATTA e o CTA.

Na próxima semana, os debates prosseguem com os temas “Eros e Psique” (segunda-feira, 20) e “Made in Brazil: gata tipo exportação” (terça-feira, 21).

Ano IX

A 9ª edição do Ciclo de Debates vem aprofundar a reflexão acerca do tema proposto para a 15ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo: “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia! – 10 anos da Lei 10.948/01, rumo ao PLC 122/06”. De 6 de junho a 6 de julho, o público confere gratuitamente diversas mesas de discussão, além de seminários, apresentações culturais e lançamentos.

Em diálogo com a atual conjuntura nacional e internacional na esfera dos Direitos Humanos de lésbicas, gays bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), a programação propõe uma reflexão participativa entre os movimentos sociais, sociedade civil, autoridades e os expoentes dos mais diversos campos da intelectualidade.

Entre os assuntos, destaque para o posicionamento do Estado em relação ao fundamentalismo religioso, o papel da espiritualidade na construção das sexualidades e o redimensionamento dos aspectos jurídicos de instituições como família, casamento e os direitos para as minorias definidos através de políticas públicas.

 

Transmissão ao vivo

Resultado de uma parceria inovadora entre a APOGLBT e a Rede BeWEB TV, toda a programação do 9º Ciclo de Debates será transmitida ao vivo e na íntegra pela web. Lançado no último dia 1º, o web canal BeGAY TV faz a cobertura em tempo real das atividades e possibilita a participação de pessoas em todas as partes do mundo.

Para acompanhar, basta acessar o site da BeGAY TV: www.beweb.tv/begay. Os usuários podem ainda fazer comentários e enviar perguntas aos debatedores através do Facebook.

Além do 9º Ciclo de Debates, a programação do 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo reúne a 11ª Feira Cultural LGBT (23 de junho, no Vale do Anhangabaú), o 11º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade (24 de junho, na Academia Paulista de Letras), o 11º Gay Day (25 de junho, no Playcenter) e a 15ª Parada do Orgulho LGBT (26 de junho, na Avenida Paulista).

Confira a programação completa em www.paradasp.org.br. Siga a parada no twitter (twitter.com/paradasp) e curta no Facebook (facebook.com/paradasp).

 

SERVIÇO

9º Ciclo de Debates – 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo

De 06 de junho a 06 de julho, diversos horários e locais

Entrada gratuita

Mais informações com Cléo Dumas, pelo telefone (11) 3362-8266 ou pelo e-mail ciclodebates@paradasp.org.br.

 

  • 14 de junho, às 18h30

Co-responsabilidade com a juventude negra

Centro de Integração à Cidadania (CIC) Norte – Rua Ari da Rocha Miranda, nº 36, Jova Rural, Jaçanã

18h30 – Exibição de documentário

19h – Debate

Chindalena Barbosa (Estudante de Pedagogia da FEUSP)

Edmilson Medeiros (Coordenador de Relação Internacional da Rede Afro LGBT)

21h30 – Coffee break

 

  • 15 de junho, às 18h

Hip Hop com a boca no trombone

Sindicato dos Bancários e Financiários – Rua São Bento, nº 365, 19º andar, Centro

18h – Exibição do documentário “Com a boca no microfone”.

18h30 – Debate

Davison Nkosi (Gr

Valéria Mota

Tiely (Coordenadora do Projeto Hip Hop Mulher e produtora cultural)

20h40 – Coffee break

21h – Apresentação dos MCs Correria e Dena Hill Mahin com o grupo de breaking B.Girls Art’Culando

 

Erika Alexandra Balbino

Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo

Rua Porangaba, nº 149, Bosque da Saúde

04136-020 – São Paulo – SP

+55 11 3482-2510 | +55 11 3482-6908

Cultura afro é destaque em feira etnomatemática

Estudantes do ensino médio e fundamental da Escola Estadual Alberto Torres, no bairro de Bebedouro participaram no último sábado (13), da I Feira Afro Matemática, realizada a partir do projeto Pérola Negra Brasileira: História, importância e lutas do povo negro. Conheça e se orgulhe!, idealizado pelo professor da disciplina Allex Sander Porfirio. O evento também se estendeu para as disciplinas de física, religião e história e contempla a Lei Federal 10.639/03, que obriga a inclusão da história e cultura afro-brasileira e africana no currículo educacional.

Abordando uma temática diferente da qual estão acostumados em sala de aula, sete turmas, divididas em cinco equipes: música afro; búzios e capoeira; África: O berço da matemática; Eu tenho um sonho (Sobre Martin Luther King); e poemas de matemática demonstraram, por meio de peças teatrais, danças e paródias a relação que os assuntos têm com o continente africano, ressaltando os equívocos que existem até mesmo no ensino escolar.

A matemática também foi retratada através de poemas de Millôr Fernandes, em seqüências musicais africanas – que comemoravam boas colheitas e nascimentos – e ainda, em instrumentos como o reco-reco, utilizado por negros e índios.

Segundo o professor Alex, os sistemas de numeração, probabilidade e até de engenharia tiveram origem no continente africano, a exemplo da construção das pirâmides do Egito. "Os estudantes se mostraram entusiasmados para a realização da feira e tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a verdadeira história da matemática".

A estudante Jeisiane Milane, do 2° ano do ensino médio, mostrou junto com os colegas de turma, a relação numérica implícita no jogo de búzios e na capoeira e disse que antes não sabia que a matemática também fazia parte da cultura afro. "A capoeira tem passos que simbolizam figuras geométricas, como o triângulo e o círculo e nos búzios existe uma relação de probabilidade. Alguns dos estudantes tiveram até medo de pegar neles, por causa da forma como a religiosidade é ensinada, mas atividades como essa servem para acabar com o preconceito", conta a estudante.

Já o estudante do 1° ano, Igor Fernando disse que o trabalho serviu para que ele conhecesse mais sobre a matemática, que é discriminada e tida como difícil de aprender. "Ela não surgiu na Grécia, porque antes os africanos faziam traços com ossos, que serviam como calendário lunar e também davam uma quantidade de nós em cordas, para lembrar quando emprestavam alguma coisa, explica.

Para a professora de religião Heloísa Lima, que ministra a disciplina há três anos na escola Alberto Torres, mostrar que a religião afro é diferente do que as pessoas estão acostumadas a aprender tem sido uma tarefa difícil, porque existe grande resistência por parte de alguns alunos, pais e até de professores, que são evangélicos ou católicos.

"No último ano, devido a estarem mais acostumados com o tema os estudantes tiveram facilidade para aceitá-lo, já que na disciplina abordamos a história das religiões e mostramos que algumas Deus têm vários nomes e símbolos. Mas, ainda existe um contexto histórico que faz predominar a discriminação e esse é um trabalho de conscientização, ressaltou Heloísa.

A etnomatemática surgiu na década de 70, com base em críticas sociais acerca do ensino tradicional da matemática, como a análise das práticas matemáticas em seus diferentes contextos culturais. Pode ser entendida como um programa interdisciplinar que engloba as ciências da cognição, da epistemologia, da história e da sociologia.

 

Fonte: www.cojira-al.blogspot.com

Capoeiristas participam de encontro em Belém do Pará

O grupo de Capoeira Angola Pai e Filho, juntamente com outros mestres e contramestres de capoeira de Salvador, irão participar do I Encontro de Capoeira Norte e Nordeste, com o apoio do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura. O evento será realizado entre os dias 14 e 21 do mês corrente, em Belém do Pará.

O I Encontro de Capoeira Norte e Nordeste tem o objetivo de promover a troca de experiências entre os participantes. Durante o encontro serão realizadas oficinas de capoeira, batizados e palestras com grandes mestres de capoeira do Brasil.

Veja abaixo relação dos mestres que irão representar a Bahia:

Pelé da Bomba / Tonho Matéria
Baixinho / Angola
Santa Rosa / Carlinhos
Faísca / Máximo / Sasá
Pequeno Mestre / Já Morreu

A CAPOEIRA NO “JOGO” DA APRENDIZAGEM

DIFICULDADES E PERSPECTIVAS PARA A FORMAÇAO DA PESSOA COM DEFICIENCIA VISUAL

RESUMO

O presente artigo se articula com a temática que envolve o dialogo sobre praticas culturais e sociedade, focando em particular os limites e possibilidades da capoeira na formação de pessoas com deficiência visual,. Este tema tem como objetivo geral à proposição de analisar as perspectivas da ação pedagógica no campo da cultura corporal em Educação Especial. Neste sentido, buscaremos dialogar com alguns autores, apresentando alternativas a partir da pratica da capoeira, enfocando seus movimentos, sua musicalidade e o “ritual” da roda, como fontes para o desenvolvimento das pessoas com deficiência visual e conseqüentemente das estratégias e métodos que permeiam as instituições formais para este publico.

PALAVRAS CHAVE – Educação, Capoeira e Deficiência Visual

Considerando a pratica pedagógica a partir da capoeira como objeto de analise, faremos um recorte sobre as possibilidades da mesma no campo da educação formal, em particular com pessoas que apresentam deficiência visual. Para tanto, ampliaremos o dialogo com alguns autores da área, no intuito de permitir uma aproximação maior entre o universo da capoeiragem, seus saberes, e as reais necessidades para um trabalho em Educação Especial. Sendo assim, iniciaremos discutindo algumas questões relativas a aprendizagem humana.
Sobre desenvolvimento e aprendizagem, antes de apresentar nossa posição teórica, podemos inicialmente dialogar com três possibilidades, que segundo Vygotsky (2003) são defendidas pelos teóricos de psicologia da Educação. A primeira delas defende a idéia de que o aprendizado sempre dependera da fase de maturação do individuo, ou seja, que o desenvolvimento sempre será fator principal, necessário e pressuposto para o aprendizado,excluindo a idéia de que o aprendizado pode ter um papel no curso do desenvolvimento ou maturação daquelas funções ativadas no decorrer do próprio processo de aprendizagem. De acordo com Vygotsky:

De forma similar, os clássicos da literatura psicológica, tais como os trabalhos de Binet e outros, admitem que o desenvolvimento é sempre um pré-requisito para o aprendizado e que, se as funções mentais de uma criança (operações intelectuais) não amadureceram a ponto de ela ser capaz de aprender um assunto particular, então nenhuma instrução se mostrara útil. Eles temem, especialmente, as instruções pré-maturas, o ensino de um assunto antes que a criança esteja pronta para ele. Todos os esforços concentram-se em encontrar o limiar inferior de uma capacidade de aprendizado, ou seja, a idade numa qual um tipo particular de aprendizado se torna possível pela primeira vez. (2003, p.104)

A segunda grande posição teórica defende que o desenvolvimento acontece simultaneamente ao aprendizado, mas reduz o aprendizado a um conjunto de ações reflexas, que vão paulatinamente superando as respostas inatas, contudo, apesar de muita semelhança com a primeira posição teórica, existe uma diferença marcante em relação ao tempo entre desenvolvimento e aprendizado, pois na primeira, o processo de aprendizado depende diretamente do desenvolvimento (maturação), que precisa sempre antecipar a aprendizagem.

Já a terceira, se baseia na combinação das outras duas, tentando superá-las, a partir da negação dos posicionamentos extremistas das anteriores. Um exemplo claro desta abordagem e a teoria de Kafka, segundo a qual o desenvolvimento se baseia em dois processos inerentemente diferentes, embora relacionados, cada um influencia o outro, estando de um lado à maturação, que depende diretamente do desenvolvimento do sistema nervoso, de outro o aprendizado, que é em si mesmo, também um processo de desenvolvimento.Sendo assim esta terceira nos apresenta três aspectos novos: A combinação das outras duas, a consideração de que tanto a maturação como o aprendizado são processos de desenvolvimento e por fim o amplo papel que ela atribui ao desenvolvimento da criança.

Mesmo tendo um posicionamento contrario as posições teóricas anteriores, foi pertinente discuti-las, pois assim poderemos avançar no dialogo sobre as questões de aprendizagem para pessoas cegas com a capoeira, a partir da referencia de Vygotsky, considerando a proposição do aprendizado na zona de desenvolvimento proximal (ZDP), que consiste no processo de aprendizado daquilo que podemos fazer com o auxilio de outra pessoa, ou seja, é a diferença entre aquilo que fazemos isoladamente e o que potencialmente faríamos com o auxilio de alguém. Segundo Vygotsky:

Ela é a distancia entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com os companheiros mais capazes.(2003, p.112)

Um outro fator relevante é que a ZDP considera o nível de saberes diferentes dos indivíduos envolvidos na ação educativa, reconhecendo o conhecimento prévio de cada um deles e seus possíveis intercâmbios, como “combustível” para o desenvolvimento e aprendizado de todos, a partir de uma intencionalidade pedagógica organizada pelo facilitador, neste sentido as diferenças em relação a maturação e aprendizagem, não se firmaram como agentes dificultadores do processo e sim como motivadores da ação pedagógica. Desta forma, a roda de capoeira para pessoas cegas poderá despertar a produção de conhecimento em diversas áreas que são necessárias para a melhoria das “condições de vida” destes indivíduos, considerando que neste espaço (roda) podemos tocar, cantar, jogar, enfim aprender com as diferenças das pessoas e dos recursos educativos presentes no meio da capoeira.

No jogo, varias situações poderão desenvolver o equilíbrio dinâmico, a noção de tempo/espaço, força, agilidade, dentre outras. Considerando que tudo isso será potencializado por uma forte relação de parceria entre as pessoas. (leia o artigo completo)

 

 

UFBA lança livro sobre capoeira no Pará

O livro “A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906)”, de Luiz Augusto Pinheiro Leal e publicado pela Editora da UFBA (Edufba), será lançado no Hotel Sol Vitória Marina, no dia 19, às 19h.

A obra trata da capoeira no Brasil no início do século XX. O foco é a região do Pará, onde a capoeira tem peculiaridades diferentes da Bahia e do Rio de Janeiro. O livro é dividido em três capítulos e mostra a relação da capoeira com o Boi-bumbá e a capanagem. Revela, também, a participação da capoeiragem na implantação da República no Brasil e as campanhas repressivas à capoeira e à “vagabundagem” na cidade de Belém.

Fonte: Tarde on Line

http://www.atarde.com.br/vestibular/noticia.jsf?id=852674

Fernando Rabelo
Belém-PA

 

O Brincar na 1ª Infância: Subsídios para sua aula de capoeira infantil

Nas atividades da educação infantil, devemos respeitar e utilizar as sugestões das crianças! São especialistas neste assunto. Esta afirmação é constatada nas mais diversas literaturas e apoiada pelos PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. A criança de fato é fonte de sabedoria em brincar, propor atividades e além de tudo explicar esta atividade. Fenômeno ocorrido normalmente dentro do ambiente escolar.

Muitas vezes o professor leva certo tempo tentando esclarecer sobre um jogo ou atividade que irá ser realizada, enquanto a criança consegue expressar de maneira mais clara e objetiva o que se quer propor. E já que a ação do professor na Educação Física Infantil, como citado anteriormente, é decorrente do conhecer e saber sobre o “mundo” das crianças, porque não entrarmos neste universo estando sempre prontos a brincar e falando a língua universal à todos “pequenos” ; a ludicidade.

KISHIMOTO (1998) em relação à brincadeira diz que; se brincar é essencial é porque é brincando que a criança se mostra criativa. Brincar é visto como um mecanismo psicológico que garante ao sujeito manter uma certa distância em relação ao real, fiel, na concepção de FREUD, citado por KISHIMOTO (1998) que vê no brincar o modelo do princípio de prazer oposto ao principio da realidade.

Ou seja, brincar é unidade fundamental para ensinar na primeira infância. É nele que a criança transcende o seu cotidiano e transforma o natural, o simples em maravilhoso e belo. Não precisa de recursos tecnológicos ou modernos programas de computadores, precisa é de sucata, bola de meia, um anel, material reciclável e às vezes não precisa de material algum, somente de uma criança.

Segundo FROEBEL, citado por KISHIMOTO (1998), a brincadeira é a atividade espiritual mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo, típica da vida humana enquanto um todo da vida natural interna no homem e de todas as coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e interno, paz com o mundo. A criança que brinca sempre, com determinação auto-ativa, perseverando, esquecendo sua fadiga física, pode certamente torna-se um homem determinado e capaz de auto-sacrifício para a promoção do seu bem e de outros. Como sempre indicamos, o brincar em qualquer tempo não é trivial é altamente sério e de profunda significação.

FREIRE (1996) destacando o poder que a criança possui em relação as suas experiências, pergunta: Por onde poderíamos começar, senão pelo conhecimento que a própria criança possui ao entrar na escola? Não é isso o que dizem a respeito da alfabetização Emilia Ferreiro, autora que conquistou a admiração de muita gente.

O que se vê, na maioria das vezes, é uma quase total desconsideração, por parte da escola, do conhecimento que toda criança com certeza possui.

Além de constituir um importante alicerce para a cultura adulta, as atividades culturais infantis, comportam um espaço livre de pressões adultas para o exercício de componentes não “bem aceitos” pelos mais velhos. Tratam-se especialmente, daqueles aspectos de ordem afetiva e sexual, como os que se vêem nos brinquedos de “casinha” ou “papai e mamãe”, camuflados num cenário de ingenuidade infantil. Em relação a outros aspectos, como o cognitivo ou o motor, basta saber ver o envolvimento em brincadeiras como amarelinha, garrafão ou mãe da rua, por exemplo. Bem mais que a escola, o brinquedo infantil tem cumprido a importante missão de aperfeiçoar o acervo motor, elevando-o ao nível necessário para se dar conta das solicitações, que o ingresso no mundo de amplas relações sociais da escola exige.

E sendo a criança, o melhor engenheiro deste brinquedo, as possibilidades de construção e opiniões que se transformam em realidades são imensas. Basta ao professor, respeitar os conhecimentos do aluno e garantir a sua participação efetiva neste sentido. Abrindo o espaço para oficinas de brinquedos, utilizando-se de sucatas e materiais recicláveis e também trazendo para as aulas, simples materiais como um cabo de vassoura que certamente se transformará num cavalo mágico ou num avião.

A concepção do Brincar de FROEBEL se amarra aos princípios da abordagem construtivista que enxerga no brincar e no lúdico um caminho de sucesso para o desenvolvimento pleno da criança nas aulas de educação física escolar. Com base nestas frentes que enfatizam o lúdico, podemos ainda pensar em diferentes possibilidades como fontes inesgotáveis de possibilidades recreativas. Em manifestações culturais e folclóricas que se tornaram, com o passar da história, objetos de estudo dentro do universo do aprendizado e também do saber.

A cultura é inesgotável, fonte de águas límpidas e que mexe com os sentimentos não só de pesquisadores e historiadores, mas também, e podemos afirmar que; principalmente das crianças.

Ao relatarmos alguns pontos, que consideramos relevantes, dentro da Educação Física Infantil, procuramos nos situar para então dar início nas pesquisas de nosso objeto de estudo: o ensino da capoeira para crianças, especialmente em idade de primeira infância (02 à 06 anos); misto de dança, jogo, e luta. Cultura, arte, expressão, sentimento e paixão declarada na face de seus praticantes.

capoeira infantilSegundo Vicente Ferreira Pastinha, o Mestre Pastinha, um dos principais mestres de capoeira de todos os tempos, o seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio dos mestres. Algo mutável, conforme a própria realidade nos aponta. Começou nos engenhos ou porões dos navios negreiros e hoje é disciplina em universidades, objeto de estudos, e ferramenta de trabalho para muitos educadores. Já implantada por diversas instituições de ensino e utilizada para se abrir, uma série de outras possibilidades de vivenciar a cultura através da herança dos africanos, trazidos para o trabalho escravo no Brasil.

São estas possibilidades citadas, o maculelê1, o samba de roda2 , a puxada-de-rede3 as danças regionais como o carimbó4, a catira5 e o maracatu6, enfim; uma série de temas trabalhados juntamente com a herança cultural dos africanos e levando ao professor um “arsenal” de brincadeiras e possibilidades.

Propondo tais atividades, o educador poderá adaptar as tradições de danças regionais e o folclore dos índios e escravos, jogos e brincadeiras dentro do universo da educação infantil. Assim, as crianças vivenciam possibilidades de conhecimentos múltiplos dentro de temas culturais, passam a adquirir um caráter crítico e analítico das situações, pois, vão construir os seus pensamentos em relação às atividades propostas e não irão receber algo pronto a acabado, pois; a cultura é inesgotável, abrindo a possibilidade de novas vivências e “pesquisas” sobre o assunto.


1- Dança realizada com bastões simulando a cana-de-açucar e os combates entre capitães-do-mato e escravos dentro dos canaviais; oriundo de rituais indígenas praticados também pelos escravos.
2- O início do samba, também chamado de semba e realizado sempre em rodas em razão das tradições da cultura indígena e escravocrata.
3- Manifestação do povo caiçara que relata o sofrimento e a alegria dos pescadores voltando do mar.
4-5-6- Danças regionais praticadas principalmente no Estado do Maranhão .BR.

SUGESTÕES DE LITERATURA

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O brincar e suas teorias- São Paulo:Pioneira,1998

FREIRE, João Batista; SCAGLIA, José Alcides. Educação como Prática Corporal – São Paulo: Scipione, 2003

COSTA, Caio Martins ;SILVA, Marcelo Barros. Parâmetros Curriculares Nacionais
Ministério da Educação e do Desporto – Secretaria de Educação Fundamental
Terceiro e Quarto Ciclo do Ensino Fundamental

RICARDO AUGUSTO COSTA (PROFESSOR BEIJA-FLOR)
SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP

Maiores informações sobre capoeira infantil e adaptada
http://bfcapoeira.vilabol.com.br
ou e-mail
beijaflor@portalcapoeira.com

 

Capoeira, comunicação gestual, controvérsia e modernidade…

 Pesquisando sobre o Mestre Gil Velho, à pedido de uma colega, acabei encontrando este texto, que confesso achei bastante interessante.
Fica aqui a dica para a leitura do texto e do "contexto"


(Cevtradg-L) ENC: resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho
 
To:  <cevtradg-l@xxxxxxxxxx>
Subject:  (Cevtradg-L) ENC: resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho
From:  "(marina)" <vinha@xxxxxxxxxxxxxx>
resposta ao Cobra Mansa – Me. Gil Velho

Caro Cobrinha Mansa.
 
Gostei de seu comentário a respeito de meus ensaios sobre, "identidade e território na capoeira", e gostaria de esclarecer que no que foi colocada, a subjetividade é a grande relação que mapeia a minha percepção. A capoeira, hoje, no que diz respeito a sua identidade e territorialização, não tem nada de subjetivo, pois é um processo construído por indução. Digo isto porque participei deste processo, no momento mais forte de sua construção, que é a década de 60. Neste período, os arquitetos de sua fase original, sai de cena, o ideário nacionalista da fase original, ganha uma nova roupagem e novos discursos e mitificação. Salvador deixa de ser o centro da capoeira moderna, Bimba caí no ostracismo. O eixo passa a ser o Rio e São Paulo.´Foi deste eixo que se irradia o processo de massificação da capoeira. O estilo de movimentação gestual que implementa esta revolução é o próximo a regional do Bimba, repetindo o que ocorreu em Salvador na época de 30.Onde o grande Mestre edifica a base da capoeiragem moderna, logo copiado por todos em Salvador, a ponto de ser o grande divisor, pois quem não era Bimba era a outra, chamada de Angola.
 
A partir desta época é que se cria um movimento que se aprende por pacotes estabelecidos e aí que entra o que a baixo transcrevo do meu recente artigo.  
 
Na capoeira, a falta de uma identidade que caracterize sua personalidade é o marco da controvérsia contemporânea. A capoeira só se estabelece quando cria uma identidade social. Este fato ocorreu no século XIX, na cidade do Rio de Janeiro. Neste cenário ela territorializa-se e personaliza estes ambientes. O fator de construção deste espaço cultural foi à diversidade de seus componentes, oriundos de um contexto, tão diverso e mestiço, sob o ponto de vista da origem e etnia, que compunha a realidade urbana carioca.
 
A forma de expressar esta relação se deu através de uma comunicação gestual, onde na teatralidade das interações entre seus elementos, a trama do tecido cultural era visualizada.Na sua contemporaneidade, a capoeira perde a sua identidade social, pois é desfeita sua estrutura coletiva, desfaz-se dos territórios e com isto acaba sua magia. Todo o universo da riqueza de sua invisibilidade, produto do espontâneo, é quebrado ao formalizar sua relação.
A diferença entre a capoeira moderna e a original está exatamente na construção do espontâneo da segunda e no procedimento induzido da arquitetura da primeira. As controvérsias, geradas na mitificação e discursos na capoeira moderna, são frutos de seu artificialismo, onde o indivíduo some do seu espaço construtor, sendo um mero copiador de sua comunicação gestual engessada em pacotes formais.
 
A territorialização de um contexto é feita no espontâneo (espontaneamente). A leitura desta realidade só é possível através de uma perspectiva antropológica vivenciada, ou seja, os atores tecem no espaço a estrutura que dará forma a sua realidade. O que exige uma consciência, deste atores, de que são personagens da construção deste contexto.
Os discursos, étnicos, nacionalistas, da repressão, corporativista iniciativa e o classista, mostram bem a necessidade de estabelecer uma idéia carregada de verdades e tradições que os qualifique, como a linha que contempla a identidade social, na contemporaneidade da capoeira.Identidade que a capoeira hoje não tem, porém necessita criar, mas não no artificialismo dos discursos e mitos, procedimento usual no sistema atual, mas sim na interação entre a realidade do indivíduo e do contexto do qual está inserido.
 
A ótica da comunicação gestual se coloca para os discursos e mitificação, como divisor entre ser capoeira e fazer capoeira. Enquanto um procura criar referências, o outro é em si a própria referência, pois as relações são construídas na própria vivencia, criando uma unicidade entre indivíduo e contexto. A ótica da construção de referência mostra a sua relação direta com a racionalidade, onde toda perspectiva é fragmentada e, por conseguinte não interativa. Não sendo interativa não há troca, sem troca não se constrói contexto, sem contexto não existe identidade.
 
O retorno a organicidade, no ato de vivenciar um contexto é, de fato, o único elemento plausível de restaurar, na capoeira, sua identidade social ao proporcioná-la ser elemento da construção do espaço onde se insere.A identidade cultural é dinâmica, pois é construída no processo interativo que forma um determinado espaço. Seus elementos estão em constante troca e com isto produzindo mutação na organização da forma de um contexto. Ao desenvolver a consciência do momento vivenciado, o indivíduo, percebe sua identidade com o contexto, o que lhe confere percepção do espaço que está inserido.
Na fase embrionária de sua modernidade, o gestual é engessado pela construção de um padrão funcional e estético, voltado para ter um lugar nas artes marciais. Foram selecionados, dentro do gestual espontâneo, os elementos com as características mais próximas da forma globalizada da arte marcial.
 
O indivíduo, corpo estranho na modernidade, some do cenário da capoeira, passa a ser um elemento de enfeite, sua personalidade não é interessante na construção do tecido gestual. A necessidade do retorno do indivíduo na construção do contexto por ele vivenciado é de extrema importância na sustentabilidade da capoeira. A construção de um contexto capoeira se faz por informações gestuais personalizadas, as quais ao interagir com as demais existentes neste ambiente, produz no espaço vivencial, uma forma única tanto em termos de tempo como espaço, ou seja, uma unicidade.
Ao conferir identidade ao processo capoeira, o que passa pelo indivíduo, cria-se na capoeira um movimento de legitimação, pois a capacita edificar identidade social no contexto que se insere.
 
Parte destes comentários são de trechos de meu artigo, porém  mostram a minha preocupação em ver a capoeira se massificar no Brasil e agora no Mundo, porém muito mais como produto de entretenimento do que algo que venha contribuir  com  a  edificação de identidade do indivíduo, para este se perceber construtor de seu contexto e não um mero boneco repetido de uma realidade virtual induzida. Nesta perspectiva, podemos restaurar os princípios da capoeira original e dá a capoeira moderna uma sustentabilidade para sua continuidade.
 

Nireu Cavalcanti encontra registro de capoeira em 1789.

O arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti relevou no Arquivo Público do Rio de Janeiro a mais antiga prova documental da existência da capoeira.
 
Jornal do Brasil
15 de novembro de 1999
Caderno B, p.22 – 1ª Edição
CRÔNICAS DO RIO COLONIAL
20ª semana, 36ª crônica


 
NIREU CAVALCANTI
 
O capoeira
 
O mulato Adão, escravo de Manoel Cardoso Fontes, comprado ainda moleque, tornou-se um tipo robusto, trabalhador e muito obediente ao seu senhor, servindo-lhe nas tarefas da casa.
 
Manoel resolveu explorá-lo alugando-o a terceiros como servente de obras, carregador ou outro qualquer serviço braçal. Tornou-se Adão deste modo uma boa fonte de renda para seu senhor.
 
Com o passar do tempo, o tímido escravo, que antes vivera sempre caseiro, tornou-se mais desenvolto, independente e começou a chegar tarde em casa, muito tempo depois do término do serviço. Manoel questionava-o: o que levava à mudança de conduta? As desculpas eram as mais inconsistentes para o senhor. Até ocorrer o que já o preocupava: Adão não mais voltou para casa. Certamente fugira para algum quilombo do subúrbio da cidade.
 
Para sua surpresa, Manoel foi encontrar Adão por trás das grades da cadeia da Relação. Havia sido preso junto a outros desordeiros que praticavam a capoeira. Naquele dia ocorrera uma briga entre capoeiras e um deles fora morto. Crimes gravíssimos para as leis do reino: a prática da capoeiragem, ainda resultando em morte.
 
No decorrer do processo constatou-se que Adão era inocente quanto ao assassinato, mas foi confirmada sua condição de capoeira, sendo, por isso, condenado a levar 500 açoites e a trabalhar dois anos nas obras públicas.
 
Seu senhor, após Adão cumprir alguns meses de trabalho e ter sido castigado no pelourinho, solicitou ao rei, em nome da Paixão de Cristo, perdão do resto da pena argumentando ser um homem pobre e, portanto, muito dependente da renda que seu escravo lhe dava. Comprometeu-se a cuidar para que Adão não mais voltasse a conviver com os capoeiras, tornando-se um deles. Teve o pedido homologado pelo Tribunal em 25.04.1789.
 
(ANRJ — Tribunal da Relação — cód. 24, livro 10)
 
Publicado inicialmente com ilustrações de Hélio Brasil. Copyright © 1999-2000, JB Online. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do JB Online para fins comerciais.


notas.
No ano de 1789, Páscoa foi no 12 de abril.
Nireu Cavalcanti publicou 53 crônicas semanais em 1999-2000 no Jornal do Brasil, continuando a sua pesquisa, que desembocou em tese de doutorado de história e livro, trabalhos que interessam a todos que querem se inteirar do contexto daquela notícia de capoeira.
 
Matéria enviada pelo Mestre Jeronimo, Rod@ Virtual