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Livro: Entre a Vadiagem e a Academia

Entre a Vadiagem e a Academia – O Local e o Global na Capoeira de Belo Horizonte

Resumo ampliado

O livro adota a noção de mestiçagem no Brasil sob um ponto de vista que considera mais do que uma evidência empírica, demonstrando-a como valor constituído e constituinte de um repertório da capoeira acessível por meio da memória. Para isto, considera as “tradições inventadas” (HOBSBAWN; RANGER, 1984) na capoeira como reflexos das relações raciais no Brasil, apresentando a capoeira na cidade de Belo Horizonte (Minas Gerais) como estudo de caso. A discussão desenvolvida no livro também aborda o Turismo como articulador de relações entre as culturas, entendendo que as ressignificações simbólicas das culturas são influenciadas, mesmo que não sendo exclusivamente, pelo Turismo. O livro pretende demonstrar a capoeira na cidade de Belo Horizonte como estudo de caso para identificar a concepção de ‘afro-brasileiro’ e do afro-descendente na identidade local. A argumentação é embasada em pesquisa realizada pela autora para obtenção do título de especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em 2007. A pesquisa teve enfoque qualitativo, utilizando para coleta de dados a pesquisa de campo, a realização de entrevistas do tipo pessoal/formal/estruturada com mestres e alunos capoeiristas de dois grupos de capoeira: Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) que se identificava como sendo de capoeira angola e Grupo Bantus Capoeira (GBC) que se identificava como sendo de capoeira regional/contemporânea na cidade de Belo Horizonte. Ambos os grupos mantinham fortes relações com o Turismo. Também foram utilizados formulários de entrevistas para coleta de dados com capoeiristas turistas brasileiros e estrangeiros que tiveram contato com a capoeira em Belo Horizonte, observação sistemática de rodas de capoeira da cidade, pesquisa bibliográfica e no acervo do Museu da Capoeira (idealizado e coordenado pelo Mestre Noventa) e entrevistas com os mestres Toninho Cavalieri (tido como principal precursor da capoeira em Belo Horizonte) e Primo (Grupo Iúna de Capoeira Angola). Partindo dos resultados da pesquisa, o livro aborda a percepção dos capoeiristas sobre o que seriam as características peculiares à capoeira local, bem como as concepções sobre as relações raciais e de gênero na capoeira da cidade. Aponta, também, a percepção dos capoeiristas sobre a influência do Turismo e do mercado global na capoeira local enfatizando as relações e ressignificações simbólicas que esta influência acarreta para o capoeirista turista e o capoeirista residente, demonstrando como a viagem torna-se um valor importante para os capoeiristas em Belo Horizonte e, como a viagem ao exterior para dar aulas de capoeira é um ideal profissional dos capoeiristas locais, inclusive como forma de busca pela independência econômica. Essa concepção de valorização da viagem aumenta a partir da interação destes capoeiristas através dos meios de comunicação de massa globais, as trocas culturais advindas do Turismo e de sua participação na indústria cultural mundial. Neste processo, os objetivos e buscas dos capoeiristas na prática da capoeira modificam-se, influenciando e sendo influenciados a partir das trocas culturais, ampliando as percepções sobre a cultura afro-brasileira e as percepções do afro-descendente em nível local e global.

Mini-currículo autora

Patrícia Campos Luce é turismóloga de formação (Centro Universitário Newton Paiva), especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros (PUC/MG) e Mestre em Lazer (UFMG). Capoeirista há 9 anos, desenvolve pesquisas enfocando a prática da capoeira desde sua graduação em Turismo. Trabalhou na Superintendência de Interiorização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais desenvolvendo projetos culturais relacionados à cultura afro-brasileira no interior do Estado de Minas Gerais. É sócio fundador do Instituto Brasileiro de Turismólogos, tendo atuado na comissão científica desta instituição focando pesquisas relacionadas ao turismo e cultura. Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Bahia residindo em Salvador e desenvolvendo pesquisas em diálogo com as áreas da Antropologia da Técnica, da Prática, do Corpo e da Performance tendo a capoeira como principal objeto de estudo.

Livro aborda pesquisa em BH sobre capoeira

O livro adota a noção de mestiçagem no Brasil sob um ponto de vista que considera mais do que uma evidência empírica, demonstrando-a como valor constituído e constituinte de um repertório da capoeira acessível por meio da memória. Para isto, considera as “tradições inventadas” (HOBSBAWN; RANGER, 1984) na capoeira como reflexos das relações raciais no Brasil, apresentando a capoeira na cidade de Belo Horizonte (Minas Gerais) como estudo de caso.

A discussão desenvolvida no livro também aborda o Turismo como articulador de relações entre as culturas, entendendo que as ressignificações simbólicas das culturas são influenciadas, mesmo que não sendo exclusivamente, pelo Turismo. O livro pretende demonstrar a capoeira na cidade de Belo Horizonte como estudo de caso para identificar a concepção de ‘afro-brasileiro’ e do afro-descendente na identidade local.

A argumentação é embasada em pesquisa realizada pela autora para obtenção do título de especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em 2007. A pesquisa teve enfoque qualitativo, utilizando para coleta de dados a pesquisa de campo, a realização de entrevistas do tipo pessoal/formal/estruturada com mestres e alunos capoeiristas de dois grupos de capoeira: Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) que se identificava como sendo de capoeira angola e Grupo Bantus Capoeira (GBC) que se identificava como sendo de capoeira regional/contemporânea na cidade de Belo Horizonte. Ambos os grupos mantinham fortes relações com o Turismo.

Também foram utilizados formulários de entrevistas para coleta de dados com capoeiristas turistas brasileiros e estrangeiros que tiveram contato com a capoeira em Belo Horizonte, observação sistemática de rodas de capoeira da cidade, pesquisa bibliográfica e no acervo do Museu da Capoeira (idealizado e coordenado pelo Mestre Noventa) e entrevistas com os mestres Toninho Cavalieri (tido como principal precursor da capoeira em Belo Horizonte) e Primo (Grupo Iúna de Capoeira Angola).

Partindo dos resultados da pesquisa, o livro aborda a percepção dos capoeiristas sobre o que seriam as características peculiares à capoeira local, bem como as concepções sobre as relações raciais e de gênero na capoeira da cidade. Aponta, também, a percepção dos capoeiristas sobre a influência do Turismo e do mercado global na capoeira local enfatizando as relações e ressignificações simbólicas que esta influência acarreta para o capoeirista turista e o capoeirista residente, demonstrando como a viagem torna-se um valor importante para os capoeiristas em Belo Horizonte e, como a viagem ao exterior para dar aulas de capoeira é um ideal profissional dos capoeiristas locais, inclusive como forma de busca pela independência econômica.

Essa concepção de valorização da viagem aumenta a partir da interação destes capoeiristas através dos meios de comunicação de massa globais, as trocas culturais advindas do Turismo e de sua participação na indústria cultural mundial. Neste processo, os objetivos e buscas dos capoeiristas na prática da capoeira modificam-se, influenciando e sendo influenciados a partir das trocas culturais, ampliando as percepções sobre a cultura afro-brasileira e as percepções do afro-descendente em nível local e global.

 

Mini-currículo autora

Patrícia Campos Luce é turismóloga de formação (Centro Universitário Newton Paiva), especialista em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros (PUC/MG) e Mestre em Lazer (UFMG). Capoeirista há 9 anos, desenvolve pesquisas enfocando a prática da capoeira desde sua graduação em Turismo. Trabalhou na Superintendência de Interiorização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais desenvolvendo projetos culturais relacionados à cultura afro-brasileira no interior do Estado de Minas Gerais. É sócio fundador do Instituto Brasileiro de Turismólogos, tendo atuado na comissão científica desta instituição focando pesquisas relacionadas ao turismo e cultura.

Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Bahia residindo em Salvador e desenvolvendo pesquisas em diálogo com as áreas da Antropologia da Técnica, da Prática, do Corpo e da Performance tendo a capoeira como principal objeto de estudo.

Patrícia Campos Luce (Pimenta)
Doutoranda em Antropologia Ufba
(71) 92008809

 

4º ENCONTRO ADÃO, ADÃO, CADÊ SALOMÉ, ADÃO?

Relações de Gênero, Identidade Negra e Saúde na Capoeira Angola

 

De 15 a 21 de Março de 2010 – PORTO ALEGRE – RS – BRASIL

 

Evento que ao longo dos seus quatro anos vem visibilizando e refletindo sobre as relações de gênero na Capoeira Angola.
Cada edição traz um tema para levantar a poeira dos bate papos e das vivências no universo da Capoeira Angola: Relações de gênero, Identidade Negra e Saúde serão os assuntos abordados este ano, durante os sete dias do encontro, que contará com as presenças de: Mestra Janja (BA) e da Contra-mestra Dana (RJ).

Programação do Evento:

 

 

Segunda 15

ABERTURA DO EVENTO – Palestra e Roda de Capoeira angola com a Mestra Janja

19h-  Roda de Capoeira Angola

Coordenação: Mestra Janja (Instituto Nzinga de Capoeira Angola/BA)

20h –  Roda de Conversa “Relações de Gênero, Identidade Negra e Saúde na Capoeira Angola”

Palestrante: Mestra Janja

Debatedoras:

Prof. Dr Sandra Vial (Diretora da Escola de Saúde Publica / RS)

Psicóloga Sanitarista Eliana Xavier (Maria Mulher / RS)

Elaine Oliveira Soares(Coord. Da política de Saúde da População Negra SMS-POA/RS)

Reginete Bispo(Comissão Cidadania e Direitos humanos da Assembléia Legislativa/RS)

Local: Memorial do Roi Grande do Sul

Praça da Alfandega, s/nº – centro – Porto Alegre – RS

 

 

Terça 16

18h Aula de Capoeira Angola

Coordenação: Professora Giane (Grupo de Capoeira Angola Nascente Palmares / RS)

 

19h Oficina de dança dos Orixás

Coordenação: Babalorixá Diba de Iyemonjá ( Ilê Axé Iyemonjá Omi Olodô )

Convidada: Temilayo de Oxalá ( Ilê Axé Iyemonjá Omi Olodô )

 

20h Roda de Conversa “Tradições de Matriz Africana e Saúde”

Convidados/as:

Doutoranda Miriam Alves / Oloriobá ( PUCRS)

Babalorixá Diba de Iyemonjá (Ilê Axé Iyemonjá Omi Olodô )

Local: Africanamete Escola de Capoeira Angola

 

Quarta 17

18h Aula de Capoeira Angola

Coordenação: Mariposa ( Aluna do Prof. Teu – Angoleiro Sim Sinhô / SC )

19h Roda de Capoeira Angola “Vem vadiar com as Salomés”

20h Roda de Conversa “Mulher na Capoeira Angola, Diversidade de Gênero e Identidade Étnico-Cultural”

Convidadas:

Doutoranda Heloísa Gravina ( URFGS )

Prof.Dr. Paula S. Machado (URFGS )

Claudete Costa ( Liga Brasileira de Lésbicas )

Local: Africanamente Escola de Capoeira Angola

Quinta 18

18h Vivência de Capoeira Angola

Coordenação: Alessandra Carvalho ( Africanamente / RS )

19h Oficina de Ritmos e Produção Textual – “O poder da musicalidade da Capoeira Angola”

Coordenação: Viviane Malheiro e Karine Menez

20:30h Intervenção artística “Boneca Viva Africana”

Coordenação: Maripoza (Aluna do Prof. Téu – Angoleiro Sim Sinhô/SC)

Sexta 19

19h Roda de Capoeira Angola “O Corpo Fala”

Coordenação: Contra-Mestra Dana (Associação de Capoeira Angola Mestre Marrom e alunos / RJ)

21h Samba de Roda

 

OFICINA DE DE CAPOEIRA ANGOLA COM CONTRA-MESTRA DANA (RJ)

Investimento: R$ 40,00 e vagas limitadas

Sábado 20

10h Oficina de Capoeira Angola “A movimentação de luta e arte com a manha feminina”

Coordenação: CM Dana

14h Oficina de Capoeira Angola

Coordenação: CM Dana

16h Roda de Capoeira Angola

Coordenação: CM Dana

Domingo 21

9h Oficina de Ritmo “A musicalidade na Capoeira Angola”

Coordenação: CM Dana

10:30h Roda de Conversa “Capoeira Angola: Ancestralidade e Afrodescendência”

Coordenação: CM Dana

14h Roda de Rua

Local: Bric da Redenção

Importante:
A nossa escola oferece hospedagem gratuitamente, para até 10 pessoas inscritas no evento, basta trazer seus utensilios de cama e banho.

Inscrições e maiores informações:
[email protected]
Fones: (51) 9965-9335 ou 8100-3564
www.africanamenteescoladecapoeiraangola.blogspot.com

Saiba mais sobre nossas convidadas:

Mestra Janja
Co-fundadora e coordenadora do Instituto N’Zinga de Capoeira Angola, aravés da qual desenvolve importante trabalho de resgate e preservação das tradições educativas de matriz banto no Brasil. É doutora em Educação pela USP. Tem forte atuação nas interfaces entre raça, gênero e educação, tanto no âmbito acadêmico quanto no universo da Capoeira Angola.

Contra-Mestra Dana
Começou a trabalhar com capoeira, ensinando crianças em 1999. Em 2006 viajou com Mesre Marrom para a Europa ministrando workshops na Inglaterra, Alemanha, França e Escócia. Anualmente visita Israel dando cursos de capoeira angola pelo País. Em novembro de 1999, foi surpreendida com a formatura de Contra-Mestra, título recebido pelas mão de Mestre Brandão, com a presença de Mestre Boca Rica.

PARA ASSISTIR AOS VÍDEOS DAS OUTRAS EDIÇÕES E TAMBÉM OBTER MAIORES INFORMAÇÕES SOBRE O EVENTO, BASTA ACESSAR:
www.africanamenteescoladecapoeiraangola.blogspot.com

Fortalecimento da cultura nacional

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, recebeu em seu gabinete, na manhã dessa terça-feira, 10 de março, o primeiro ministro de São Tomé e Príncipe, Joaquim Rafael Branco, que veio convidá-lo para a abertura da Bienal de São Tomé e Príncipe, que se realizará em 2010, e pedir apoio para a produção do filme Batepa, que será dirigido por um diretor angolano e um produtor brasileiro. O encontro aconteceu na sede do Ministério da Cultura, em Brasília.

Também participaram da reunião, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulú Araújo, o secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin, o diretor de Relações Internacionais, Marcelo Dantas, representantes do MinC, do ministério das Relações Exteriores e de São Tomé e Príncipe.

ORIENTAÇÕES

Juca Ferreira disse que o ministério da Cultura vem seguindo a orientação do presidente Lula no sentido de fortalecer as relações com os países da África. Ele garantiu dar total apoio à Bienal e disse que o MinC irá participar do evento nas mais diversas áreas como: música, cinema, dança, dentre outras. O ministro também reafirmou a intenção de cooperação na execução do filme, especialmente na finalização do projeto e de mixagem, por meio da secretaria do Audiovisual (SAv/MinC) e da Fundação Cultural Palmares (FCP/MinC).

Além desta parceria, Ferreira sugeriu trocas de conteúdos audiovisuais, por meio das TVs públicas e instalar, em breve, um Pontão de Cultura, que será discutido ainda este ano com representantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Portugal.  Ele propôs também a instalação de bibliotecas públicas, com o apoio da Coordenação Geral de Livro e Leitura, e pediu ao país africano que intensificasse o uso da língua portuguesa, no âmbito do Acordo Ortográfico. O secretário Silvio Da-Rin sugeriu a exibição de filmes sobre a capoeira, nas formas prática e teórica, durante a Bienal de São Tomé e Príncipe.

O presidente da FCP/MinC, Zulú Araújo, falou do Portal da CPLP na Internet e pediu a participação do país africanos, junto aos outros países participantes, “tendo em vista que temos representantes na Europa, na Ásia, na África e na América”. Propôs a capacitação de três técnicos em São Tomé e Príncipe para inserir no site informações sobre a nação africana para que haja interação maior entre os países de língua portuguesa.

Especial: Revista Textos do Brasil – Edição nº 14 – Capoeira

A edição traz fotografias de Pierre Verger e desenhos do Carybé, que ilustram entrevistas e artigos de pesquisadores, mestres de capoeira e autoridades ligadas à cultura brasileira, na qual se destacam as significativas implicações da capoeira para a cultura e a vida social, como modalidade de jogo, dança, música e oportunidade para inserção social.

A capoeira é uma arte que está fortemente relacionada com a história africana e que marcou profundamente a cultura brasileira.

A obra foi apresentada pelo mestre Vila Isabel, do Núcleo de Capoeiragem Beribazau de Brasília e dois mestres brasileiros de capoeira de Angola, mestre Cobra Mansa e Mestra Janja no lançamento do livro, no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor) que fez parte da programação da semana do Brasil em Angola (Novembro de 2008).

A Revista:

  • Prefácio
  • Os desafios contemporâneos da capoeira
  • As metamorfoses da capoeira: contribuição para uma história da capoeira
  • A repressão à capoeira
  • O Capoeira
  • A Guarda Negra: a capoeira no palco da política
  • Capoeira é defesa, ataque, ginga de corpo e malandragem
  • A performance ritual da roda de capoeira angola
  • A capoeira e seus aspectos mítico-religiosos
  • Capoeira: metáforas em movimento
  • A música na capoeira angola da Bahia
  • A mulher na capoeira
  • Entrevista com a Senhora Rosângela C. Araújo (Mestra Janja)
  • As relações entre a capoeira e a educação física no decorrer do século XX
  • Benefícios educacionais, físicos e psicológicos da capoeira
  • Capoeira e inclusão social
  • A internacionalização da capoeira
  • Carybé
  • Pierre Verger

 

Comentários:

Aproveitamos o excelente material disponibilizado pelo Ministério das Relações Exteriores, para presentear os amigos e leitores do Portal Capoeira com uma compilação especial para o Natal da Revista Textos do Brasil – Edição nº 14 – Capoeira. Trata-se de uma composição reunindo todos os textos da Revista em um único arquivo organizado, disponível para download em nosso site.
Fica ainda uma enorme satisfação ao ler a revista e encontrar em suas belíssimas páginas a presença de grandes amigos e parceiros que nos ajudam no dia a dia a construir o nosso Portal e contribuem para a disseminação com coerência e qualidade da nossa capoeiragem.

Saudações Capoeirísticas e Feliz Natal!!!
Luciano Milani
Editor Portal Capoeira

 

Ministério das Relações Exteriores

Esplanada dos Ministérios Bloco H – Palácio Itamaraty
Anexo II – Sala 11 Brasília, DF – Brasil – 70170-900
Tel: (61) 3411-6713 Fax: (61) 3411-9226

Cultura apontada como o principal elo entre o Brasil e Angola

O bom entendimento deve-se, principalmente, ao facto de os dois povos falarem a mesma língua e terem uma história comum. "São dois povos com história comum", destacou embaixador do Brasil em Luanda.

Luanda – O embaixador do Brasil em Angola, Afonso Cardoso, destacou, quinta-feira (6), em Luanda, a cultura como um dos principais elos de ligação entre os dois países.

Falando aos jornalistas por ocasião do lançamento do livro "Capoeira", no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor), o diplomata adiantou que, apesar da vertente económica ser forte nas relações entre os dois estados, é o lado cultural que mais se tem feito sentir na cooperação.

“Textos do Brasil 14 Capoeira”, editado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

A edição traz fotografias de Pierre Verger e desenhos do Carybé, que ilustram entrevistas e artigos de pesquisadores, mestres de capoeira e autoridades ligadas à cultura brasileira, na qual se destacam as significativas implicações da capoeira para a cultura e a vida social, como modalidade de jogo, dança, música e oportunidade para inserção social.

A capoeira é um arte que está fortemente relacionada com a história africana e que marcou profundamente a cultura brasileira.

A obra será apresentada pelo mestre Vila Isabel, do Núcleo de Capoeiragem Beribazau de Brasília e dois mestres brasileiros de capoeira de Angola, mestre Cobra Mansa e Mestra Janja. Para quem quiser apreciar a arte, será realizada uma roda de capoeira pelo grupo de capoeira Abadá, do Núcleo da Casa de Cultura Brasil-Angola.

"É na cultura que os dois povos mais se entendem. É um facto que temos comprovado com a vinda de artistas brasileiros a Angola e a ida de angolanos ao Brasil. Todos eles são bem recebidos e os seus produtos são bem entendidos e consumidos", realçou.

Segundo o diplomata, o bom entendimento deve-se, principalmente, ao facto de os dois povos falarem a mesma língua e terem uma história comum. "São dois povos com história comum e que se entendem perfeitamente", adiantou Afonso Cardoso.

O lançamento do livro faz parte da programação da semana do Brasil em Angola, que tem o seu ponto alto com a realização de um espectáculo, com a artista Elba Ramalho, e um show de humor com Renato Piaba. As informações são da Angop.

 

Crônica: “Iê” (*) – VIVA MEU MESTRE!

A Capoeira passa, nos últimos 20 anos, por uma expansão significativa: no Brasil cresceu, verticalizou  ao chegar na Universidade; no mundo, começa a horizontalizar.
 
A expansão  que resumimos, e mesmo por conta do crescimento vegetativo vem dar  margem à graduação de um maior número de Mestres. Neste avanço também   desponta o interesse e o envolvimento  comercial, aliás para expandir precisa criar um mercado. E como está o Mestre? A figura do Mestre? – vamos dizer assim do “Mestre dos novos tempos?” – aí é que nos interessa: A relação do  “capoeira” com o Mestre, e vice-versa.
O elemento motor da Capoeira,  é o Mestre. “O Mestre é uma marca de elevação, de supremacia, de predomínio, que nenhum outro ser humano consegue”, analisa  Mestre Benício.  E, é verdade: toda  relação de obediência   pressupõe uma troca que  traga um ganho, ou afaste um medo. Mesmo nas relações com Deus está escancarada a troca de qualquer favor ou fervor – pela salvação da alma; nas enfermidades – pela  cura, etc.; para com o feiticeiro – aquela mistura meio-deus/homem/diabo, dono de forças, situadas entre o divino e o temporal; entre o ético,  e o safado – a obediência   estava na base das  trocas de mesmo calibre: da  boa colheita, um bom emprego;  até à volta da mulher amada –  traidora,  corneadora  há  tanto tempo, mas gostosa.  Nas relações de Estado, não existe opção; nas relações de emprego, idem. Entre “os capoeiras” e o Mestre, não pressupõe troca alguma. Por que? –  Antes, porém: em que se apóia o Mestre de Capoeira para ser guardião de obediência, inclusive de quem não conhece?
 
-Na FAMA, se apóia na fama. Acho a explicação mais plausível. Se não, vejamos.
 
-“A superioridade cria inimigos”, este o mais geral princípio da guerra.
As relações entre o Mestre de Capoeira e os seus, é o ato mais voluntário dentre todas as relações humanas, (fora das relações estritamente familiares).  O capoeira orgulha-se em  reconhecer, delegar superioridade a “seu”  Mestre. Cada um  orgulha-se da fama do “meu” Mestre. Cada um  satisfaz-se, obediente, diante de um número qualquer de outros Mestres: Sem que haja o pedido da salvação da alma, o medo do inferno; ter de volta a namorada que outro tomou. Não há pedido, nem a expectativa de troca alguma.
 
-Dos Mestres, num encontro com tantos, não se espere mais que alguns minutos  do
saudar,  as alfinetadas, mútuas:  delicadas, sutis, maliciosas. Para que? – para atingir a FAMA do outro. Pela exibição intelectual. Nunca por superioridade, no sentido clássico. Sempre foi assim, mesmo antes das cordas e cordões, (que são novatos).
 
-Observa-se uma certa preocupação, por  “Mestres dos novos tempos” e até por
outros mais veteranos “em ser igual”, em “se mostrar igual” aos da Roda. Não! Não é. Nem pode  ser. Vejamos este exemplo, distante, mas serve como referência: Quando milhões de católicos conferem ao PAPA o seu grau de elevação, o fazem livremente. O Papa deixa de ser igual a outro padre, a outro bispo, etc. Dentre aqueles fiéis, quando alguém deixa de ser católico,  não lhe é imposta pena nem uma. Também o Papa não deixa de ser o Papa.
 
-Todo Mestre de Capoeira transita com a desenvoltura de qualquer um, em qualquer
lugar,. Mas não é igual:  ele recebeu a delegação, a autoridade,  “para não  ser igual”. Quando alguém resolver “sair”, romper o pacto,  o faz…. Mas, o Mestre continuará . E o pronome  “meu” é apenas um referencial: O Mestre é o Mestre, conquistou o título e recebeu a delegação para exerce-lo, se assim se pode dizer. Cada “capoeira” guarda o orgulho da superioridade do seu Mestre. Só assim continuará a Capoeira – encanto da alma.
 
-Por que choras Manavane? – Estou velho não posso cantar. – Tu gostas de cantar?
Perguntei-lhe num esforço, sem saber como agrada-lo. Imaginei-o cansado. O observava desde cedo. Eram cerca de 200 pares de dançarinos e numero incerto de guerreiros. Todo par ao entrar na dança passava diante do velho: afastavam-se dos corpos e lhe abriam os braços. O velho às vezes fazia um gesto, na maioria dos casos nem os olhava.  Os guerreiros cruzavam os braços e paravam por um instante na sua frente, às vezes em fila, às vezes individualmente… Ele me olha, pareceu-me tomado de cuidados comigo, e respondeu-me:   –  “Quando o preto canta, Chicuembo repousa… (Deus descansa).
 
-Crônica de um dos raros sábios portugueses que foi à África em data incerta, (talvez
fins do Séc. VI) narrando como   aquele povo obedecia à figura do Mestre. Aquele velho era um Mestre, o mais velho. Enquanto, por cansaço, ou por vontade, não ofertasse a outro Mestre, o lugar,  todos lhe rendiam reverências. E ele lembra que a figura do Mestre era igual em todos os lugares. Na Europa também o havia sido, dos ofícios às culturas.
 
(*) O “IE” entre aspas, indica que foi dito pelo Mestre, privativa do Mestre.
 
 
André Pêssego
Berimbau Brasil – SP/SP Grupo de Mestre João Coquinho.

A Capoeira na Educação Infantil:

Review Especial: Matéria escolhida pela equipe Portal Capoeira – Palavras Chave: Capoeira e Educação…

Uma Ferramenta Metodológica para Pedagogia Social

O presente estudo tem como intuito principal discutir as bases históricas e ideológicas que fundamentam a capoeira na Educação Infantil, a partir da analise do processo de inserção da mesma no contexto escolar, suas modificações adaptativas e suas possibilidades enquanto instrumento revolucionário ou conformador para edificação de uma pedagogia social. Faremos esta abordagem estabelecendo uma analise do processo histórico de introdução da capoeira na Educação Infantil, seguido de uma discussão sobre a potencialidade pedagógica ,revolucionaria ou conformadora, da capoeira a partir do diálogo com alguns autores, …

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